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SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE PROGRAMA DE APRIMORAMENTO PROFISSIONAL FRANCIELE MALAVAZI PEREIRA

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SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE

PROGRAMA DE APRIMORAMENTO PROFISSIONAL

FRANCIELE MALAVAZI PEREIRA

SINTOMAS DEPRESSIVOS NO PUERPÉRIO: UMA REVISÃO DE LITERATURA

MARÍLIA 2011

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SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE

PROGRAMA DE APRIMORAMENTO PROFISSIONAL

FRANCIELE MALAVAZI PEREIRA

SINTOMAS DEPRESSIVOS NO PUERPÉRIO: UMA REVISÃO DE LITERATURA

Monografia apresentada ao Programa de Aprimoramento Profissional/SES, elaborada na Faculdade de Medicina de Marília em Enfermagem em Psiquiatria e Saúde Mental, sob a orientação do Prof. Dr. Antonio Carlos Siqueira Junior.

Área: Saúde Mental.

MARÍLIA 2011

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Pereira, Franciele Malavazi

P436s Sintomas depressivos no puerpério: uma revisão de literatura. - - Marília, SP: [s.n.], 2011.

Orientador: Prof. Dr. Antonio Carlos Siqueira Junior Trabalho de Conclusão de Curso (Programa de Aprimoramento Profissional) – Secretaria de Estado da Saúde, elaborado na Faculdade de Medicina de Marília em

Enfermagem em Psiquiatria em Saúde Mental. Área: Saúde Mental.

1. Depressão pós-parto. 2. Período pós-parto. 3. Gravidez.

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FRANCIELE MALAVAZI PEREIRA

SINTOMAS DEPRESSIVOS NO PUERPÉRIO: UMA REVISÃO DE LITERATURA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Programa de Aprimoramento Profissional/SES, elaborado na Faculdade de Medicina de Marília em Enfermagem em Psiquiatria e Saúde Mental, sob a orientação do Prof. Dr. Antonio Carlos Siqueira Junior.

Área: Saúde Mental.

Comissão de Aprovação:

_______________________________ Prof. Dr. Antonio Carlos Siqueira Junior Supervisor/Orientador

_______________________________ Roseli Vernasque Bettini

Coordenador PAP (SES/Fundap) – Famema

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Dedico este estudo aos meus pais,avó e namorado que me apoiaram nos momentos dificeis, aos amigos que serviram de motivação e incentivo e ao professor que

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AGRADECIMENTOS

Os meus agradecimentos são a todos que contribuiram, direta ou indiretamente, para a realização desta pesquisa, e em especial,

...primeiramente a Deus, pela força e coragem que me concedeu; ...aos meus pais, avó Luiza e namorado que me apoiaram e incentivaram; ...ao meu orientador, por aceitar a orientação deste trabalho, e conduzi-lo com sabedoria e paciencia; ...aos colegas de curso, em especial Samara que me motivou e “aguentou” durante o ano, tornando essa caminhada mais especial.

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RESUMO

A gravidez e o parto são períodos de grandes transformações para as mulheres em todos os âmbitos de sua vida, trazendo mudanças fisiológicas, sócio cultural e principalmente emocionais. Os primeiros dias após o parto são carregados de emoções intensas e variadas para as mulheres. Este estudo tem como objetivo identificar e analisar trabalhos sobre este momento tão esperado por muitas mulheres, que podem vir a desenvolver a depressão pós parto, a fim de se obter um maior esclarecimento sobre a temática discutida. Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica através da analise de artigos científicos coletados através da Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), sendo feito a leitura dos artigos, o fichamento e analise. Foram analisados 19 artigos, publicados no Brasil entre o período de 2000 a 2010, tendo como base três questões norteadoras: “Quais os sintomas descritos pelos autores relacionados à depressão puerperal?”, “Quais os fatores de risco que os autores trazem para o desenvolvimento da DPP?”, “Como os autores descrevem os prejuízos no desenvolvimento emocional da criança quando a mãe desenvolve depressão pós-parto?”. Foi observado que esta temática é de grande importância, apesar de ainda ser pouco pesquisado pela enfermagem, e que se identificando precocemente os sintomas da depressão pós parto, os prejuízos para a mãe e para a criança serão menores.

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Abstract

Pregnancy and childbirth are times of great change for women in all areas of your life, bringing physiological changes, mainly socio-cultural and emotional. The first days after childbirth are loaded with intense emotions and varied for women. This study aims to identify and analyze work on this long awaited moment for many women, who may develop postpartum depression, in order to obtain further clarification on the topic discussed. This is a review of the literature through the analysis of scientific articles collected through the Latin American and Caribbean Health Sciences (LILACS), which made reading the articles, the filing and review. We analyzed 19 articles published in Brazil during the period 2000 to 2010, based on three guiding questions: "What are the symptoms described by the authors related to postpartum depression?", "What are the risk factors that the authors bring to the development DPP? "," As the authors describe the losses in the emotional development of children when the mother develops postpartum depression? ". It was observed that this issue is of great importance, although still poorly researched, and nursing and to identify early symptoms of postpartum depression, damage to mother and child will be smaller.

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SUMÁRIO 1 Introdução ... 8 2 Objetivo ... 11 3 Metodologia ... 12 4 Justificativa ... 15 5 Análise... 16 6 Considerações Finais ... 21 Referências ... 22

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1 Introdução

A gravidez e o parto são períodos de grandes transformações para as mulheres em todos os âmbitos de sua vida, trazendo mudanças fisiológicas, sócio cultural e principalmente emocionais. Os primeiros dias após o parto são carregados de emoções intensas e variada para as mulheres. As primeiras vinte e quatro horas constituem um período de recuperação da fadiga do parto, estando a puérpera confusa, frágil, debilitada e ao mesmo tempo feliz e excitada pelo nascimento de seu filho. De acordo com Maldonado (1981), o puerpério é um período que favorece crises, consequência de profundas mudanças intra e interpessoais provocadas pelo parto.

De acordo com Fontana e Fontana (2005) as síndromes psiquiátricas pós-parto devem ser entendidas e classificadas da seguinte maneira: melancolia da maternidade ou depressão pós-parto leve que é caracterizado por um sentimento de tristeza, não considerado um transtorno patológico, e que acomete cerca de 50 a 80 % das mulheres. Apresenta como principais sintomas choro, irritabilidade, labilidade emocional e surge após o terceiro dia do puerpério, desaparecendo espontaneamente em sete a dez dias.

Outra classificação, citada pelo mesmo autor é a depressão pós-parto, que apresenta-se como uma depressão de intensidade moderada a grave que tem inicio repentino a partir da segunda ou terceira semana após o parto. Os sintomas somáticos são frequentes, destacando-se a fadiga excessiva.

E por ultimo a psicose pós-parto, que é considerada a síndrome psiquiátrica pós parto mais grave. É um quadro psicótico com agitação psicomotora e que tem inicio entre o terceiro e décimo quarto dia do pós-parto. Os sintomas iniciais são despersonalização, insônia e delirium (confusão mental, alucinações e delírios). A psicose puerperal se não diagnosticada de forma precoce e tratada adequadamente, pode acarretar em consequências altamente maléficas não só para a criança, como para a própria paciente e demais familiares.

Para Fukuda, Arantes e Stefanelli ( 2008), em média 80% das mulheres apresentam sintomas depressivos no período pré- natal e cerca de 20 a 40% das mulheres, tem uma maior probabilidade de apresentar alterações emocionais e cognitivas no puerpério.

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Maldonado (1981), explica que os sintomas depressivos podem aparecer devido a diferentes motivos tais como a mudanças hormonais após o parto, ou pela atuação de outros fatores como frustrações, pois para a mãe a realidade do feto dentro do útero é diferente da realidade do feto fora do útero e que para muitas mulheres, quando o bebê esta dentro delas é criada uma imagem idealizada, diferente da realidade do recém- nascido, tornando difícil aceitar e fazer essa transição.

Outro motivo, citado pelo mesmo autor, é devido “a monotonia do período de internação e a passagem da situação de espera ansiosa, típica do final da gravidez para a de conscientização da nova realidade (p. 47)”, que apesar da satisfação de tornar-se mãe, a mulher necessita assumir novas responsabilidades e tarefas, limitando-se muitas vezes de algumas atividades que realizava antes da gravidez, ou até mesmo antes do parto.

A etiologia das síndromes psiquiátricas pós-parto ainda é desconhecida. Quanto a patogênese, está relacionada a fatores hormonais (estradiol, progesterona, andrógenos e cortisol), fatores psicossociais, tais como o estresse gerado pela mudança do estilo de vida da mãe e pressão da criança sobre o casal e fatores predisponentes como mulheres com história pessoal ou familiar de transtornos de humor e aqueles que já apresentaram episódios de depressão ou psicose pós parto apresentam um risco maior de desenvolve- lás novamente ( FONTANA, FONTANA, 2005).

Os sintomas depressivos no pós-parto são considerados “normais” ao ponto de não causarem maiores prejuízos funcionais para a mãe e o bebe. Assim como foi citado anteriormente na depressão pós-parto leve ou melancolia da maternidade, de acordo Fukuda, Arantes e Stefanelli ( 2008), cerca de 50 a 85% das mulheres a experimentam porém não sofrem maiores danos, e ocorrem a partir do terceiro dia após o parto e remitem espontaneamente aproximadamente no décimo dia. Geralmente essas mães apresentam tristeza, disforia, choro frequente e dependência excessiva.

De acordo com os mesmos autores algumas mulheres podem apresentar depressão pós-parto moderada á grave, que é caracterizada por fadiga excessiva, associada a ideação suicida e que tem inicio na segunda ou terceira semana do puerpério.

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10

Já a psicose puerperal, é considerada a forma mais grave de manifestações de sintomas depressivos no puerpério e de acordo com Soifer (1980) , é caracterizado pelo repúdio total do bebe, sendo que a mãe não quer mais manter o contato com o filho, aterroriza-se com ele, mantem- se triste , afastada, ausente. A mulher torna-se apática, abandonada, esquecendo-se ate mesmo de seus cuidados pessoais. Sofre insônia, inapetência. Soifer (1980), ainda cita que esse quadro pode associar- se a ideias paranoides de cunho persecutório.

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11

2 Objetivo

Visto a importância da discussão desse tema, o objetivo deste trabalho é realizar uma busca bibliográfica através da revisão de artigos científicos que abordem a temática para maior esclarecimento sobre o assunto.

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3 Metodologia

Este trabalho foi realizado no período de maio de 2010 a fevereiro de 2011, fazendo parte do currículo de Aprimoramento de Enfermagem em Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Marília - FAMEMA- como trabalho de conclusão de curso (TCC) para obtenção de titulo.

Este trabalho caracteriza-se como um estudo de revisão bibliográfica que pode ser definido como:

... um jogo de espelho em que se refletem distintos posicionamentos sobre o assunto, estabelecendo-se confrontos em nível teórico... sem a pretensão de se esgotar o assunto, mas com o firme proposito de subsidiar o debate que não começa e não termina aqui.(GOMES, 1997, p. 95).

Após a determinação do tema a ser pesquisado, a pesquisa de artigos foi realizada, no período de abril do ano de 2010, através da Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) utilizando-se dos descritores de assunto depressão and puerperal [palavras], sendo delimitados artigos que foram publicados no Brasil e entre o período de 2000 a 2010, descartando as demais publicações como teses, livros, anais, etc. e artigos onde a temática não estava coerente aos objetivos do trabalho. Foram encontrados 42 artigos, sendo descartados 23 artigos, restando 19 artigos para análise. Os artigos excluídos abordavam assuntos não relacionados a temática do trabalho.

Os artigos analisados estão relacionados no quadro abaixo:

Nome do autor Nome do artigo Ano de publicação

ALFAYA, C.; LOPES, R.C.S. Repercussões do

comportamento interativo de mães com depressão no desenvolvimento do

comportamento exploratório do bebê.

2005.

ARAÚJO, C. A. S. A depressão pós-parto e sua

interferência no

desenvolvimento da função

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materna. AZEVEDO, K.R.; ARRAIS, A.

R.

O mito da mãe e seu impacto na depressão pós-parto.

2006.

BARBOSA, F. S.; MAUS, K. P.; LIMA, R. P.; ZIMERMAN, D. E.; LIMA, C. P..

Episódio depressivo maior com o inicio no pós-parto: fatores de risco.

2003.

BRUM, E. H. M. A depressão materna e suas

vicissitudes.

2006.

BRUM, E. H. M.; SCHERMANN.

O impacto da depressão materna nas interações iniciais. 2006. COUTINHO, D. S.; BAPTISTA, M. N.; MORAIS, R. P. Depressão pós-parto:

prevalência e correlação com o suporte social. 2002. FRIZZO, G. B.; PICCININI, C. A. Interação mãe-bebê em contexto de depressão materna: aspectos teóricos e empíricos. 2005. FÜRST, M. C. G.; SCHRÖEDER, A. T.; VALLE, V. H.; GOLBERT, M. B.; ESCOSTEGUY, N.

Depressão pós-parto e suas repercussões na interação precoce mãe-bebê.

2007.

MEDEIROS, P. P. V.; FURTADO, E. F.

Perfil dos cuidados maternos em mães deprimidas e não deprimidas.

2004.

NUNES, S. A. N.; FERNANDES, M. G.; VIEIRA, M. L.

Interações sociais precoces: uma análise das mudanças nas funções parenterais.

2007.

SARAIVA, E. R. A.; COUTINHO, M. P. L.

A estrutura das

representações sociais de mães puérperas acerca da depressão pós-parto. 2007. SARAIVA, E. R. A.; COUTINHO, M. P. L. O sofrimento psíquico no puerpério: um estudo psicossociológico. 2008.

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SCHMIDT, E. B.; PICCOLOTO, N. M.; MÜLLER, M.C.

Depressão pós-parto: fatores de risco e repercussões no desenvolvimento infantil. 2005. SCHWENGBER, D. D. S.; ALFAYA, C.; LOPES, R. C. S.; PICCININI, C. A. A A orientação interacional como alternativa de intervenção precoce pais-bebê no contexto da

depressão materna: algumas reflexões iniciais.

2003.

SCHWENGBER, D. D. S.; PICCININI.

Depressão materna e interação mãe-bebê no final do primeiro ano de vida.

2004.

SCHWENGBER, D. D. S.; PICCININI.

A experiência da

maternidade no contexto da depressão materna no final do primeiro ano de vida do bebê.

2005.

WEDEL, H. E.; WALL, M. L.; MAFTUM, M.A. Sentimentos da mulher na transição gestação-puerpério. 2008. WENDER, M. C. O.; MAGNO, V. A.; MARC, C.; MANFROI

Depressão puerperal: atualização.

2002.

Após a leitura dos artigos, foi realizado fichamento e a analise. Para tanto utilizamos as seguintes questões norteadoras para leitura e analise:

 Quais os sintomas descritos pelos autores relacionados à depressão puerperal?

 Quais os fatores de risco que os autores trazem para o desenvolvimento da DPP?

 Como os autores descrevem os prejuízos no desenvolvimento emocional da criança quando a mãe desenvolve depressão pós-parto?

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4 Justificativa

A escolha do tema a ser discutido, foi decidido devido a minha curiosidade e interesse em identificar quais os principais sintomas, que afetam uma mãe com depressão puerperal, já que atualmente esse assunto ainda é pouco discutido na sociedade, e ainda entendido por muitas pessoas como uma “frescura” da mulher que desenvolve essa patologia.

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5 Análise

Iniciaremos nossa análise identificando quais os sintomas que são descritos pelos autores relacionados a depressão puerperal. Quinze artigos responderam a essa questão, sendo eles Nunes, Fernandes e Vieira (2007), Saraiva e Coutinho (2007), Saraiva e Coutinho (2008), Schwengber et al. (2003), Schmidt, Piccoloto e Muller (2005), Schwengber e Piccinini (2005), Araújo (2004) , Alfaya e Lopes (2005), Brum e Schermann (2006), Frizzo e Piccinini (2005), Medeiros e Furtado (2004), Coutinho, Baptista e Morais (2002), Barbosa et al. (2003), Wender et al. (2002) e Furst et al. (2007).

Para um melhor entendimento dos resultados, será utilizado como parâmetro a avaliação do estado mental, proposto pelo Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Esta proposta será utilizada a fim de organizar as principais alterações psíquicas apresentadas em mulheres com depressão puerperal (DPP). Segundo Cordioli, Zimmermann e Kessler (falta ano?, p. 01) “a avaliação do estado mental é uma pesquisa sistemática de sinais e sintomas de alterações do funcionamento mental” e é dividido em funções na seguinte ordem: consciência, atenção, sensopercepção, orientação, memória, inteligência, afetividade, pensamento, juízo critico, conduta e linguagem. Também são analisados três aspectos, sendo estes: aspectos do paciente, as funções mentais e as funções psicofisiológicas.

Através da leitura dos artigos foi identificado que as alterações da afetividade e do humor predominam de acordo com o exame do estado mental, assim como afirma Furst et al. (2007, p. 497), expondo que há “ [...] predominância de sintomas disfóricos, mas que apesar disso a DPP muitas vezes passa desapercebida porque essas pacientes não são avaliadas por psiquiatras ou porque seus sintomas são subestimados pelos clinicos”. Os principais sintomas identificados foram: ansiedade, irritabilidade, choro fácil e frequente, sentimentos de desamparo, baixa auto- estima, insegurança, humor disfórico, tristeza, apatia, fadiga, labilidade afetiva e instabilidade emocional (ALFAYA; LOPES, 2005; ARAÚJO, 2004; BARBOSA et al. , 2003; BRUM; SCHERMANN, 2006; COUTINHO; BAPTISTA; MORAIS, 2002; FRIZZO; PICCININI, 2005; FURST et al. , 2007; MEDEIROS; FURTADO, 2004; NUNES; FERNANDES; VIEIRA, 2007; SARAIVA; COUTINHO, 2007; SARAIVA;

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COUTINHO, 2008; SCHMIDT; PICCOLOTO; MULLER, 2003; SCHWENGBER et al., 2003; SCWENGBER; PICCININI, 2005; WENDER et al. , 2002).

Quanto as alterações na atenção Frizzo e Piccinini (2005), Wender et al. (2002) apontam a desatenção e a concentração diminuída como sintomas presentes na depressão pós parto, dificultando assim a tomada de decisões da mãe para com os cuidados em geral de seu bebe e nas decisões rotineiras da vida diária. Esses mesmos autores e Brum e Schermann (2006), apontam para alterações no conteúdo do pensamento, afirmando que mulheres que sofrem de depressão puerperal podem apresentar pensamentos/idéias de morte ou suicídio.

A conduta de uma mãe que vivencia a DPP, também apresenta modificações em relação ao exame do estado mental sendo estas mencionadas por Nunes, Fernandes e Vieira (2007), Saraiva e Coutinho (2007), Saraiva e Coutinho (2008), Schwengber et al. (2003), Schmidt, Piccoloto e Müller (2003), Frizzo e Piccinini (2005), Medeiros e Furtado (2004), Coutinho, Baptista e Morais (2002), Wender et al. (2002) e Furst et al. (2007) caracterizam alterações tais como falta de energia e motivação, falta de interesse em atividades que antes eram consideradas agradáveis e Wender et al. (2002) cita ainda que podem ocorrer sintomas como agitação ou letargia.

Uma outra informação citada por Wender et al. (2002), é que mesmo aquelas mães que não desenvolvem a depressão pós parto, podem apresentar sintomas como a falta de energia. Isso pode se justificar, devido a privação do sono, e que por outro lado também pode ser confundida como sintomas normais após o parto

As funções psicofisiologicas também mostram- se prejudicadas na ocasião de DPP, alterações no sono, dificuldades para dormir e distúrbios da alimentação são comuns de acordo com Nunes, Fernandes e Vieira (2007) , Saraiva e Coutinho (2007), Saraiva e Coutinho (2008), Schwengber et al. (2003), Schmidt, Piccoloto e Müller (2003), Schwengber e Piccinini (2005), Alfaya e Lopes (2005), Brum e Schermann (2006), Frizzo e Piccinini (2005), Coutinho, Baptista e Morais (2002) e Wender et al. (2002). Diminuição da femilidade e baixa da libido ainda são citadas por Coutinho, Baptista e Morais (2002).

Furst et al. (2007), identifica também esses sintomas, mas refere que essas são alterações descritas com frequência, porém podem ser de pouca utilidade para o diagnóstico de depressão pós parto devido a possibilidade de serem confundidos como situação normal do puerpério.

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Outra questão levantada diz respeito a quais os principais fatores de risco que favorecem o desenvolvimento da depressão pós parto. Identificamos que 12 autores contemplaram a essa questão sendo estes Brum e Schermann (2006), Wedel, Wall e Maftum (2008), Brum (2006), Schwengber et al. (2003), Furst et al. (2007), Azevedo e Arrais (2006), Schmidt, Piccoloto e Muller (2005), Schwengber e Piccinini (2005), Frizzo e Piccinini (2005), Coutinho, Baptista e Morais (2002), Barbosa et al. (2003) e Wender et al. (2002).

Os autores Brum e Schermann (2006), Wedel, Wall e Maftum (2008), Brum (2006), Schwengber et al. (2003), Furst et al. (2007), Schmidt, Piccoloto e Muller (2005), Frizzo e Piccinini (2005), Coutinho, Baptista e Morais (2002), Barbosa et al. (2003) e Wender et al. (2002), apontam que os relacionamentos interpessoais conflituosos da mãe, principalmente com o parceiro, são os principais responsáveis pelo desenvolvimento da DPP. Frizzo e Piccinini (2005) reforça esta idéia afirmando que o conflito conjugal pode predispor a mãe a depressão, pois a relação conjugal tende a ser o relacionamento mais importante para a mulher no puerpério.

A questão da falta do apoio social, ou seja, o baixo apoio oferecido pelo parceiro ou por outras pessoas com quem a mãe relaciona-se, gera situações de muito estresse para a mãe durante a gestação e o puerpério, aumentando assim as chances do desenvolvimento da DPP, como afirmam os autores Brum e Schermann (2006), Wedel, Wall e Maftum (2008), Brum (2006), Schwengber et al. (2003), Furst et al. (2007), Frizzo e Piccinini (2005), Coutinho, Baptista e Morais (2002), Barbosa et al. (2003) e Wender et al. (2002).

Outros eventos estressantes como dificuldades financeiras ou desemprego também são citados como fatores de risco ( BARBOSA et al. , 2003; BRUM, 2006; BRUM; SCHERMANN, 2006; COUTINHO; BAPTISTA; MORAIS, 2002; FURST et al. , 2007; SCHMIDT; PICCOLOTO; MULLER, 2003; SCHWENGBER et al., 2003).

Durante a análise dos artigos autores como Brum e Schermann (2006), Schwengber et al. (2003), Furst et al. (2007), Schmidt, Piccoloto e Muller (2005), Frizzo e Piccinini (2005), Coutinho, Baptista e Morais (2002), Barbosa et al. (2003) e Wender et al. (2002) apontam que os antecedentes psiquiátricos da mulher como história pessoal e/ou familiar de transtorno de humor são considerados fatores de risco que predispõe a depressão puerperal.

Outros fatores de risco também citados são a questão de complicações obstétricas durante o parto e a gestação, como abortos prévios, parto prematuro,

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baixo peso do RN ao nascer ou problemas de saúde e gravidez não desejada também favorecem o desenvolvimento da depressão pós-parto, como afirmam Brum (2006), Schwengber et al. (2003), Furst et al. (2007), Schmidt, Piccoloto e Muller (2005), Coutinho, Baptista e Morais (2002), Barbosa et al. (2003) e Wender et al. (2002).

Segundo Azevedo e Arrais (2006) as cobranças que a sociedade traz, relacionadas a um “velho modelo de mãe idealizada” (p. 270), prejudica o desenvolvimento da função maternidade, e essas pressões culturais sob as quais as mulheres invariavelmente exercem a maternidade associadas aos sentimentos de incapacidade de adequar-se a uma “visão romanceada” desse estado, acabam por deixa- lás ansiosas e culpadas, suscitando dessa maneira um fator de risco para a depressão puerperal. Schwengber e Piccinini (2005) reforçam essa ideia afirmando que a experiência da maternidade pode representar risco para a depressão materna em virtude do seu caráter muitas vezes conflituoso.

Nunes, Fernandes e Vieira (2007), Brum e Schermann (2006), Brum (2006), Schwengber et al. (2003), Schmidt, Piccoloto e Muller (2005), Alfaya e Lopes (2005), Frizzo e Piccinini (2005) e Medeiros e Furtado ( 2004) descrevem os prejuízos no desenvolvimento emocional da criança quando a mãe desenvolve a depressão pós- parto.

Frizzo e Piccinini (2005) relatam que mães em estado de depressão puerperal podem desenvolver dois modelos diferentes na interação com a sua criança. Um primeiro estilo é o intrusivo, ou seja, as mães estimulam excessivamente seus bebês, enquanto que o segundo tem pouca estimulação, um estimulo mais apático. De qualquer forma, as duas formas de estímulos são inadequadas para a criança, pois a criança tanto pode desenvolver um estilo de interação deprimido, com baixo padrão de atividade e apatia, como pode apresentar um comportamento hiperativo, ou seja, com irritação e grandes níveis de atividade, ambos na tentativa de se defender da estimulação inadequada da mãe.

Nunes, Fernandes e Vieira (2007, p. 168), apontam que “o distanciamento, a irritabilidade no trato e o desinteresse pelo cuidado e pela criança de um modo geral, tendem a desencadear no bebê, reações peculiares.” Dentre essas reações Nunes, Fernandes e Vieira (2007), Brum e Schermann (2006), Brum (2006), Schwengber et al. (2003), Schmidt, Piccoloto e Muller (2005) e Medeiros e Furtado ( 2004), citam

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que crianças de mães deprimidas apresentam maior risco de apresentarem desordens comportamentais, afetivas, cognitivas e sociais.

Dentre as desordens comportamentais Schmidt, Piccoloto e Muller (2005), Medeiros e Furtado (2004), afirmam que existe uma associação entre depressão puerperal e problemas posteriores do desenvolvimento das crianças, incluindo os transtornos de conduta. Já dentre, as desordens afetivas, Nunes, Fernandes e Vieira (2007), nos mostra que crianças de mães com DPP, apresentam mais expressões de tristeza e raiva, menos expressões de interesse e uma aparência depressiva com poucos meses de idade. Alfaya e Lopes (2005) reforçam dizendo que bebes de mães deprimidas expressam mais afeto negativo e menos afeto positivo, ou seja, vocalizam menos, olham menos para a mãe e apresentam níveis mais baixos de atividade do que bebes de mães sem depressão.

A questão cognitiva também é afetada, de acordo com Schwengber et al. (2003). O autor relata que crianças de mães deprimidas, aos 12 meses de idade, apresentam um baixo desempenho em testes do desenvolvimento infantil. os mesmos autores ainda citam que crianças de mães com depressão puerperal, apresentam prejuízos no desenvolvimento social, e isso pode ser observado na dificuldade que essas crianças tem de manter uma relação social, reforçando a pouca habilidade em regular seus próprios estados afetivos.

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6 Considerações Finais

A realização deste trabalho foi de grande importância para se ter uma visão geral sobre a temática escolhida. O objetivo do trabalho foi alcançado, mas isso não significa que os meus estudos estão concluídos, já que através da pesquisa pude observar que a depressão puerperal é discutida por muitos psicólogos, porém a enfermagem e (outros profissionais) ainda têm uma pequena participação nessas pesquisas e não só a enfermagem como todos os profissionais envolvidos nos problemas de saúde da comunidade podem ter um papel muito importante na identificação, assistência e esclarecimento a mulher e a sociedade sobre a depressão pós parto.

Espero que este estudo de revisão de literatura incentive outros profissionais a discutirem e pesquisarem mais sobre este assunto, que ainda não é considerado por grande parte da sociedade como uma patologia, que se identificada precocemente, menos prejuízos poderá acarretar a mãe e a criança.

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Referências .

ALFAYA, C.; LOPES, R. C. S. Repercussões do comportamento interativo de mães com depressão no desenvolvimento do comportamento exploratório do bebê. Revista Brasileira de Crescimento e Desenvolvimento Humano, São Paulo, v. 15, n. 2, p. 69-81, maio. 2005.

ARAÚJO, C. A. S. A depressão pós-parto e sua interferência no desenvolvimento da função materna. Psicologia Revista, São Paulo, v. 13, n. 2, p. 11-18, nov. 2004.

AZEVEDO, K. R.; ARRAIS, A. R. O mito da mãe exclusiva e seu impacto na depressão pós-parto. Psicologia: reflexão e critica, Porto Alegre, v. 19, n. 2, p. 269-276, maio/ago. 2006.

BARBOSA, F. S. et al. Episódio depressivo maior com o inicio no pós-parto: fatores de risco. Femina, Rio de Janeiro,v. 31, n. 1, p. 73-77, jan./fev. 2003.

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Referências

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