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Resumo - Teorias Explicativas Do Conhecimento (Descartes e Hume)

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Academic year: 2021

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DESCARTES DESCARTES

 Fundador da filosofia moderna, dá importância á teoria do conhecimento ouFundador da filosofia moderna, dá importância á teoria do conhecimento ou

gnosiologia. gnosiologia.

 Procura construir um sistema científico de bases ou princípios firmes e Procura construir um sistema científico de bases ou princípios firmes e indubitáveis.indubitáveis. 

 Filósofo tipicamente racionalista, inspirou-se no Filósofo tipicamente racionalista, inspirou-se no modelo matemático.modelo matemático. 

 Defendia que a ciência se devia basear em princípios metafísicos a partir dos quaisDefendia que a ciência se devia basear em princípios metafísicos a partir dos quais

todos os restantes conhecimentos seriam deduzidos com rigor

todos os restantes conhecimentos seriam deduzidos com rigor e ordem.e ordem.

 O objectivo fundamental do pensamento de Descartes é a reforma profunda doO objectivo fundamental do pensamento de Descartes é a reforma profunda do

conhecimento humano, uma vez que, na sua época, havia falta de confiança na razão e conhecimento humano, uma vez que, na sua época, havia falta de confiança na razão e dependência desta em relação à

dependência desta em relação à experiência.experiência.

 Descartes pretende aplicar o modelo matemático a domínios como a metafísica e aDescartes pretende aplicar o modelo matemático a domínios como a metafísica e a

física. física.

 Atitude de Descartes em relação ao saber tAtitude de Descartes em relação ao saber tradicional:radicional: o

o O conjunto dos conhecimentos, que constituem o sistema do saber ou oO conjunto dos conhecimentos, que constituem o sistema do saber ou o

edifício científico tradicional, está assente em bases frágeis. edifício científico tradicional, está assente em bases frágeis.

o

o Esse edifício científico é constituído por conhecimentos que não estãoEsse edifício científico é constituído por conhecimentos que não estão

devidamente ordenados. devidamente ordenados.

 O saber tradicional padece de 2 defeitos: a falta de organização ou sistemacidade e aO saber tradicional padece de 2 defeitos: a falta de organização ou sistemacidade e a

falta de solidez das bases em que

falta de solidez das bases em que assenta.assenta.

 Descartes considera que os fundamentos do sistema dito científico não sãoDescartes considera que os fundamentos do sistema dito científico não são

verdadeiros e que, embora haja conhecimentos verdadeiros nesse sistema, eles não verdadeiros e que, embora haja conhecimentos verdadeiros nesse sistema, eles não estão colocados por ordem, não foram descobertos de uma forma ordenada ou estão colocados por ordem, não foram descobertos de uma forma ordenada ou racional. A fundamentação do saber e a sua ordenação são as 2 exigências essenciais racional. A fundamentação do saber e a sua ordenação são as 2 exigências essenciais da crítica cartesiana ao saber

da crítica cartesiana ao saber do seu tempo.do seu tempo.

 Para constituir a ciência em bases firmes é necessário partir dePara constituir a ciência em bases firmes é necessário partir de um princípioum princípio queque

cumprirá 2 exigências, sem as quais será

cumprirá 2 exigências, sem as quais será eu pseudoprincípio:eu pseudoprincípio:

o

o Deve ser de tal modo evidente (claro e distinto) que o pensamento não possaDeve ser de tal modo evidente (claro e distinto) que o pensamento não possa

dele duvidar. dele duvidar.

o

o Dele dependerá o conhecimento do resto, de modo que nada pode serDele dependerá o conhecimento do resto, de modo que nada pode ser

conhecido sem ele, mas não

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DÚVIDA COMO INSTRUMENTO DA PROCURA DA VERDADE DÚVIDA COMO INSTRUMENTO DA PROCURA DA VERDADE

 Descartes elaborou um conjunto de regras Descartes elaborou um conjunto de regras que o orientassem na procura da que o orientassem na procura da verdade,verdade,

constituindo essas 4 regras o seu método. constituindo essas 4 regras o seu método.

 A 1ª regra é aA 1ª regra é a regra da evidênciaregra da evidência, que nos diz para não aceitarmos como verdadeiro, que nos diz para não aceitarmos como verdadeiro

aquilo que não for absolutamente indubitável: é verdadeiro o que resiste a toda e aquilo que não for absolutamente indubitável: é verdadeiro o que resiste a toda e qualquer dúvida.

qualquer dúvida.

 A dúvida é catártica ou purificadoraA dúvida é catártica ou purificadora, porque quer libertar a razão dos falsos, porque quer libertar a razão dos falsos

princípios, quer evitar que se considerem princípios do saber conhecimentos que não princípios, quer evitar que se considerem princípios do saber conhecimentos que não merecem esse nome.

merecem esse nome.

 Um edifício com um fundamento absolutamente verdadeiro tem de passar pela provaUm edifício com um fundamento absolutamente verdadeiro tem de passar pela prova

rigorosa da

rigorosa da dúvida. A prova da dúvida é tão rigorosa que esta assume um aspectodúvida. A prova da dúvida é tão rigorosa que esta assume um aspecto

hiperbólico

hiperbólico, excessivo., excessivo. 

 O carácter hiperbólico da dúvida significa que vamos duvidar:O carácter hiperbólico da dúvida significa que vamos duvidar: o

o Considerando como absolutamConsiderando como absolutamente falso o ente falso o que for minimamente duvidoso;que for minimamente duvidoso; o

o Considerando como sempre enganador aquilo que alguma vez nos Considerando como sempre enganador aquilo que alguma vez nos enganar.enganar.

OS NÍVEIS DE APLICAÇÃO DA

OS NÍVEIS DE APLICAÇÃO DA DÚVIDADÚVIDA

 1º Nível1º Nível –  – Dúvida em relação aos sentidos. A dúvida vai aplicar-se em primeiro lugarDúvida em relação aos sentidos. A dúvida vai aplicar-se em primeiro lugar

às informações dos sentidos e como estes nos enganam algumas vezes, ao aplicar o às informações dos sentidos e como estes nos enganam algumas vezes, ao aplicar o princípio hiperbólico da dúvida concluímos que: se devemos considerar como sempre princípio hiperbólico da dúvida concluímos que: se devemos considerar como sempre enganador aquilo que nos engana algumas vezes, então os sentidos não merecem enganador aquilo que nos engana algumas vezes, então os sentidos não merecem qualquer confiança. Assim Descartes rejeita um dos fundamentos principais do saber qualquer confiança. Assim Descartes rejeita um dos fundamentos principais do saber tradicional: a crença em que o conhecimento começa com a experiência, com as tradicional: a crença em que o conhecimento começa com a experiência, com as informações dos sentidos.

informações dos sentidos.

 2º Nível2º Nível –  – Dúvida dos objectos. Descartes vai pôr em causa outro dos fundamentosDúvida dos objectos. Descartes vai pôr em causa outro dos fundamentos

essenciais do saber tradicional: a convicção ou crença imediata na existência das essenciais do saber tradicional: a convicção ou crença imediata na existência das realidades física ou sensíveis. Descartes considera que se não existe uma

realidades física ou sensíveis. Descartes considera que se não existe uma maneira claramaneira clara de diferenciar o sonho da realidade, então podemos desconfiar de que os de diferenciar o sonho da realidade, então podemos desconfiar de que os acontecimentos e as coisas que julgamos reais não são mais do que figurantes de um acontecimentos e as coisas que julgamos reais não são mais do que figurantes de um sonho.

sonho.

 3º Nível3º Nível –  – Dúvida do conhecimento matemático. O facto de Deus ser omnipotente eDúvida do conhecimento matemático. O facto de Deus ser omnipotente e

de nos ter criado leva-nos a suspeitar de que Deus, ao criar

de nos ter criado leva-nos a suspeitar de que Deus, ao criar o nosso entendimento, aoo nosso entendimento, ao “depositar” nele as “verdades” matemáticas, pode tê

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disso nos informar. Ou seja, o nosso entendimento pode estar radicalmente disso nos informar. Ou seja, o nosso entendimento pode estar radicalmente pervertido, tomando como verdadei

pervertido, tomando como verdadeiro o que é ro o que é falso e vice-versa.falso e vice-versa. RESULTADO DA APLICAÇÃO DA DÚVIDA: ACABA POR

RESULTADO DA APLICAÇÃO DA DÚVIDA: ACABA POR NOS CONDUZIR À PRIMEIRANOS CONDUZIR À PRIMEIRA E ABSOLUTA VERDADE, AO PRIMEIRO PRINCÍPIO DO

E ABSOLUTA VERDADE, AO PRIMEIRO PRINCÍPIO DO SISTEMA DO SABERSISTEMA DO SABER

 Como resultado da aplicação da dúvida, pôs-se em causa toda a dimensão dosComo resultado da aplicação da dúvida, pôs-se em causa toda a dimensão dos

objectos, quer sensíveis quer inteligíveis. Foi tudo posto em causa, ou seja, reina o objectos, quer sensíveis quer inteligíveis. Foi tudo posto em causa, ou seja, reina o cepticismo: tudo é falso, nada é verdadeiro, isto é, nada resiste à dúvida. Contudo, cepticismo: tudo é falso, nada é verdadeiro, isto é, nada resiste à dúvida. Contudo, quando a dúvida atinge o seu ponto máximo, uma verdade indubitável vai impor-se. quando a dúvida atinge o seu ponto máximo, uma verdade indubitável vai impor-se.

 A dúvida é um acto do pensamento que só é possível se existir um sujeito que oA dúvida é um acto do pensamento que só é possível se existir um sujeito que o

realize. A condição de possibilidade do acto de duvidar é a existência do sujeito que realize. A condição de possibilidade do acto de duvidar é a existência do sujeito que pensa, ou seja, duvidar é um acto que tem de ser exercido por alguém. Logo, a pensa, ou seja, duvidar é um acto que tem de ser exercido por alguém. Logo, a existência do sujeito que duvida é uma verdade indubitável: “Penso, logo existo.”, existência do sujeito que duvida é uma verdade indubitável: “Penso, logo existo.”, ouou seja, eu duvido de tudo, mas não

seja, eu duvido de tudo, mas não posso duvidar da minha existência como sujeito que,posso duvidar da minha existência como sujeito que, neste momento, duvida de tudo. “Duvido, logo existo.”

neste momento, duvida de tudo. “Duvido, logo existo.”

 Esta verdade, “Eu penso, logo existo”, vai ser o critério ou o modelo de toda eEsta verdade, “Eu penso, logo existo”, vai ser o critério ou o modelo de toda e

qualquer verdade ou evidência posterior. qualquer verdade ou evidência posterior.

 O “cogito” é a primeira verdade. O sujeito sabe que existe como condição deO “cogito” é a primeira verdade. O sujeito sabe que existe como condição de

possibilidade radical do acto de duvidar e isso é verdade porque vê muito clara e possibilidade radical do acto de duvidar e isso é verdade porque vê muito clara e distintamente que é impossível falar do acto de duvidar sem supor como sua distintamente que é impossível falar do acto de duvidar sem supor como sua possibilidade a existência de um sujeito que duvida.

possibilidade a existência de um sujeito que duvida.

 OO “cogito” vai funcionar como modelo de verdade: serão verdadeiros todos os“cogito” vai funcionar como modelo de verdade: serão verdadeiros todos os

conhecimentos que forem tão claros e distintos (evidentes) como este primeiro conhecimentos que forem tão claros e distintos (evidentes) como este primeiro conhecimento.

conhecimento.

 Este princípio indubitável é racional, porque no momento em que o descobrimos,Este princípio indubitável é racional, porque no momento em que o descobrimos,

nenhuma realidade sensível merece crédito, ou seja,

trata-nenhuma realidade sensível merece crédito, ou seja, trata- se da “raiz da árvore dose da “raiz da árvore do saber”, não sendo um conhecimento sensível ou matemático, mas sim uma realidade saber”, não sendo um conhecimento sensível ou matemático, mas sim uma realidade metafísica: o sujeito puramente racional.

metafísica: o sujeito puramente racional.

 A generalização e radicalização da dúvida foi motivada pelo desejo de pôr emA generalização e radicalização da dúvida foi motivada pelo desejo de pôr em

evidência o carácter único e privilegiado do conhecimento que nenhuma dúvida pode evidência o carácter único e privilegiado do conhecimento que nenhuma dúvida pode abalar.

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PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS COMO

PROVA DA EXISTÊNCIA DE DEUS COMO SER PREFEITO (NÃO ENGANADOR)SER PREFEITO (NÃO ENGANADOR)

 Sei que sou imperfeito, porque duvido e só considero que duvidar é uma imperfeição,Sei que sou imperfeito, porque duvido e só considero que duvidar é uma imperfeição,

porque tenho a noção de perfeição. porque tenho a noção de perfeição.

 Só comparando as qualidades que eu possuo com o que penso ser a perfeição é queSó comparando as qualidades que eu possuo com o que penso ser a perfeição é que

posso dizer que eu que duvido e não conheço tudo, sou imperfeito. A ideia de um ser posso dizer que eu que duvido e não conheço tudo, sou imperfeito. A ideia de um ser perfeito corresponde à ideia de um ser que não duvida, que

perfeito corresponde à ideia de um ser que não duvida, que tudo sabe (omnisciente)tudo sabe (omnisciente)..

 Como só o que é perfeito pode ser Como só o que é perfeito pode ser a causa da a causa da ideia de perfeito, Descartes conclui queideia de perfeito, Descartes conclui que

Deus existe. Deus existe. TIPOS DE IDEIAS TIPOS DE IDEIAS

 A ideia de alma e de Deus sãoA ideia de alma e de Deus são ideias inatasideias inatas –  – estão na mente desde o nascimento eestão na mente desde o nascimento e

serão desenvolvidas pela razão sem o apoio da experiência. Só as ideias inatas são serão desenvolvidas pela razão sem o apoio da experiência. Só as ideias inatas são claras e distintas.

claras e distintas.

 AsAs ideias adventíciasideias adventícias (ideia de Sol ou maçã) são ideias que procedem da(ideia de Sol ou maçã) são ideias que procedem da

experiência. experiência.

 AsAs ideias factíciasideias factícias são ideias forjadas pelo sujeito como é o caso da ideia de sereiasão ideias forjadas pelo sujeito como é o caso da ideia de sereia

ou unicórnio. ou unicórnio.

FUNDAMENTAÇÃO METAFÍSICA DO SABER: DEUS COMO GARANTIA DAS FUNDAMENTAÇÃO METAFÍSICA DO SABER: DEUS COMO GARANTIA DAS VERDADES MATEMÁTICAS E DAS VERDADES RACIONAIS EM GERAL

VERDADES MATEMÁTICAS E DAS VERDADES RACIONAIS EM GERAL

 No terceiro nível de dúvida, Descartes apresenta a suspeita de que um DeusNo terceiro nível de dúvida, Descartes apresenta a suspeita de que um Deus

omnipotente podia fazer tudo, inclusive enganar. Contudo, Descartes vai chegar à omnipotente podia fazer tudo, inclusive enganar. Contudo, Descartes vai chegar à conclusão de que essa suspeita não faz

conclusão de que essa suspeita não faz sentido, pois se Deus é omnipotente e perfeitosentido, pois se Deus é omnipotente e perfeito e enganar é sinónimo de fraqueza, porque só a fraqueza e a imperfeição podem e enganar é sinónimo de fraqueza, porque só a fraqueza e a imperfeição podem levar- levar-nos a utilizar a arma da mentira, então Deus não levar-nos engana, não perverte o levar-nosso nos a utilizar a arma da mentira, então Deus não nos engana, não perverte o nosso entendimento.

entendimento.

 O papel da veracidade divina (não enganar e ser O papel da veracidade divina (não enganar e ser fonte de todo o saber) é duplo:fonte de todo o saber) é duplo: o

o É garantia da validade das evidências actuais, isto é, das que estãoÉ garantia da validade das evidências actuais, isto é, das que estão

actualmente presentes na minha consciência.

actualmente presentes na minha consciência. Com efeito não há razãoCom efeito não há razão para duvidar das ideias que estão presentes na minha consciência como claras para duvidar das ideias que estão presentes na minha consciência como claras e distintas, uma vez provado que Deus não engana e não perverte o meu e distintas, uma vez provado que Deus não engana e não perverte o meu entendimento

(5)

Percepções

Percepções

Impressões

Impressões(actos originários do(actos originários do nosso conhecimento, correspondendo nosso conhecimento, correspondendo aos dados da experiência presente ou aos dados da experiência presente ou actual. Imagens ou sentimentos que actual. Imagens ou sentimentos que derivam imediatamente da realidade. derivam imediatamente da realidade.

São percepções vivas e fortes.) São percepções vivas e fortes.)

Ideias

Ideias(são representações ou(são representações ou imagens debilitadas, enfraquecidas, imagens debilitadas, enfraquecidas, das impressões no pensamento. das impressões no pensamento. Marcas deixadas pelas impressões no Marcas deixadas pelas impressões no pensamento, uma vez desaparecidas.) pensamento, uma vez desaparecidas.)

Simples Simples(a(a percepção de percepção de uma caneta azul uma caneta azul

Complexas Complexas(a(a visão global de um visão global de um povoado a partir povoado a partir de um ponto alto) de um ponto alto) Complexas Complexas(a(a recordação do recordação do povoado) povoado) Simples Simples(a(a recordação da recordação da caneta azul) caneta azul) Conhecimentos Conhecimentos de facto de facto –  – físicafísica

Relações de ideias Relações de ideias –  – 

matemática, lógica matemática, lógica

não pode ser posta em causa enquanto está presente no meu espírito e não pode ser posta em causa enquanto está presente no meu espírito e atentamente a considero.

atentamente a considero.

o

o É garantia das minhas evidências passadas, isto é, não actualmenteÉ garantia das minhas evidências passadas, isto é, não actualmente

presentes na minha consciência.

presentes na minha consciência. É Deus quem vai garantir que aquilo queÉ Deus quem vai garantir que aquilo que é válido para mim num certo momento seja válido objectivamente, isto é, é válido para mim num certo momento seja válido objectivamente, isto é, independentemente de mim e sempre. O saber firme, seguro e constante que independentemente de mim e sempre. O saber firme, seguro e constante que Descartes ambiciona só pode ser assegurado pela veracidade e imutabilidade Descartes ambiciona só pode ser assegurado pela veracidade e imutabilidade divinas. As evidências às quais dei o meu assentimento continuam a ser divinas. As evidências às quais dei o meu assentimento continuam a ser evidências, mesmo quando já nelas não

evidências, mesmo quando já nelas não penso.penso.

 Deus acaba por ser a verdadeira “raiz da árvore do saber” porque só a sua veracidadeDeus acaba por ser a verdadeira “raiz da árvore do saber” porque só a sua veracidade

garante a verdade dos conhecimentos que o sujeito pensante (a primeira realidade a garante a verdade dos conhecimentos que o sujeito pensante (a primeira realidade a ser conhecida, mas não

ser conhecida, mas não a realidade verdadeiramente fundamental) vai constituindo.a realidade verdadeiramente fundamental) vai constituindo. DAVID HUME

DAVID HUME

 Encarregou-se de uma profunda investigação sobre a origem, possibilidade e os limitesEncarregou-se de uma profunda investigação sobre a origem, possibilidade e os limites

do conhecimento. do conhecimento.

IMPRESSÕES E IDEIAS SÃO O CONTEÚDO DO CONHECIMENTO IMPRESSÕES E IDEIAS SÃO O CONTEÚDO DO CONHECIMENTO

 Para David Hume todo o conhecimento começa com a experiência, sendo os dadosPara David Hume todo o conhecimento começa com a experiência, sendo os dados

ou impressões sensíveis as suas unidades básicas. ou impressões sensíveis as suas unidades básicas.

 Divide o conteúdo do conhecimento em 2 espécies de estados de consciência ouDivide o conteúdo do conhecimento em 2 espécies de estados de consciência ou

percepções: percepções:

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 A diferença entre impressões e ideias é simplesmente de grau A diferença entre impressões e ideias é simplesmente de grau e não de natureza.e não de natureza. 

 Não existem ideias inatas, pois, segundo Hume, elas só aparecem após a impressãoNão existem ideias inatas, pois, segundo Hume, elas só aparecem após a impressão

que lhes deu origem e não ao contrário: “

que lhes deu origem e não ao contrário: “as impressões simples precedem sempre asas impressões simples precedem sempre as ideias correspondentes e nunca aparecem na ordem contrária”. “As impressões são ideias correspondentes e nunca aparecem na ordem contrária”. “As impressões são asas causas das nossas ideias e não as nossas ideias das nossas impressões.”

causas das nossas ideias e não as nossas ideias das nossas impressões.” TIPOS DE CONHECIMENTO

TIPOS DE CONHECIMENTO

 A distinção entre impressões e ideias diz respeito aos A distinção entre impressões e ideias diz respeito aos elementos do conhecimentoelementos do conhecimento.. 

 A distinção entre os modos ou tipos do conhecimento:A distinção entre os modos ou tipos do conhecimento: o

o Conhecimento de ideiasConhecimento de ideias ouou Relação entre ideiasRelação entre ideias  –  – proposições cujaproposições cuja

verdade pode ser conhecida por simples análise lógica do significado das ideias verdade pode ser conhecida por simples análise lógica do significado das ideias que as compõem. A verdade

que as compõem. A verdade das proposições que consistem em relações entredas proposições que consistem em relações entre ideias é independente da experiência: são verdadeiras ou falsas

ideias é independente da experiência: são verdadeiras ou falsas a priori a priori , embora, embora

todas as ideias tenham o seu fundamento nas impressões, podemos conhecer todas as ideias tenham o seu fundamento nas impressões, podemos conhecer sem necessidade de recorrer às impressões, isto é, ao confronto com a sem necessidade de recorrer às impressões, isto é, ao confronto com a experiência. As definições e proposições lógico-matemáticas são exemplos. experiência. As definições e proposições lógico-matemáticas são exemplos. (Ex.: o triângulo tem 3 lados.)

(Ex.: o triângulo tem 3 lados.) Tais conhecimentos são tautológicos, ouTais conhecimentos são tautológicos, ou seja, as proposições lógicas e matemáticas não dão novas seja, as proposições lógicas e matemáticas não dão novas informações porque o predicado diz, implicitamente, o mesmo que informações porque o predicado diz, implicitamente, o mesmo que o sujeito.

o sujeito.

o

o Conhecimento de factosConhecimento de factos –  – proposições cuja verdade só pode ser conhecidaproposições cuja verdade só pode ser conhecida

mediante a experiência, isto é, temos de observar o mundo dos factos para mediante a experiência, isto é, temos de observar o mundo dos factos para verificar se elas são verdadeiras ou falsas. Ex.: “Este martelo é pesado.” É um verificar se elas são verdadeiras ou falsas. Ex.: “Este martelo é pesado.” É um  juízo cujo valor de verdade não pode ser decidido pela simples inspecção  juízo cujo valor de verdade não pode ser decidido pela simples inspecção aa

priori 

priori , ou seja, temos de a confrontar com uma verificação experimental, ou seja, temos de a confrontar com uma verificação experimental

elementar, isto é, a sua verdade ou falsidade só pode ser determinada elementar, isto é, a sua verdade ou falsidade só pode ser determinada aa posteriori 

posteriori .. 

 Além da forma de determinar a sua verdade (a priori num caso; a posteriori noutro),Além da forma de determinar a sua verdade (a priori num caso; a posteriori noutro),

há uma diferença importante entre a r

há uma diferença importante entre a relação entre ideias e os elação entre ideias e os conhecimentos de facto:conhecimentos de facto: ao contrário das relações de ideias, não há qualquer contradição na negação de um ao contrário das relações de ideias, não há qualquer contradição na negação de um conhecimento de facto. As proposições de facto podem ser verdadeiras mas é conhecimento de facto. As proposições de facto podem ser verdadeiras mas é possível que venham a revelar-se falsas.

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PROBLEMA DA CAUSALIDADE PROBLEMA DA CAUSALIDADE

 Todas as nossas ideias derivam de uma impressão sensível. A toda e qualquer ideiaTodas as nossas ideias derivam de uma impressão sensível. A toda e qualquer ideia

tem de corresponder uma impressão porque as ideias são imagens das impressões. Do tem de corresponder uma impressão porque as ideias são imagens das impressões. Do que não há impressão sensível não há conhecimento.

que não há impressão sensível não há conhecimento.  –  – Conhecimento de factos.Conhecimento de factos. 1.

1. Observação de um facto:Observação de um facto: duas bolas de bilhar chocam. (conjunçãoduas bolas de bilhar chocam. (conjunção constante entre (A) e (B), que (B) sucede a (A).

constante entre (A) e (B), que (B) sucede a (A). 2.

2. Análise do Fenómeno:Análise do Fenómeno:

 Como consequência da conjunção constante ou sucessão regular deComo consequência da conjunção constante ou sucessão regular de

(A) e (B) nasce na nossa mente a ideia de relação causal ou conexão (A) e (B) nasce na nossa mente a ideia de relação causal ou conexão necessária. Dizemos então:

necessária. Dizemos então: Sempre que se dá (A) acontece (B).Sempre que se dá (A) acontece (B). Assim, pensamos que acontecendo (A) não poderá deixar de Assim, pensamos que acontecendo (A) não poderá deixar de acontecer (B).

acontecer (B). Quando dizemos isto estamos a falar de um factoQuando dizemos isto estamos a falar de um facto futuro. É aqui que Hume diz que ultrapassamos o que a experiência futuro. É aqui que Hume diz que ultrapassamos o que a experiência  –  – aa única fonte de

única fonte de validade dos conhecimentos de factovalidade dos conhecimentos de facto  –  – nos permite. Paranos permite. Para Hume o conhecimento dos factos reduz-se às impressões actuais e Hume o conhecimento dos factos reduz-se às impressões actuais e passadas. Não podemos ter conhecimento de factos futuros porque passadas. Não podemos ter conhecimento de factos futuros porque não podemos ter qualquer impressão sensível ou experiência do que não podemos ter qualquer impressão sensível ou experiência do que ainda não aconteceu.

ainda não aconteceu.

 A ideia de relação causal, de uma conexão necessária entre doisA ideia de relação causal, de uma conexão necessária entre dois

fenómenos (“sempre foi assim, sempre será assim”), é uma ideia da qual fenómenos (“sempre foi assim, sempre será assim”), é uma ideia da qual não temos qualquer impressão sensível. Como o critério de verdade de não temos qualquer impressão sensível. Como o critério de verdade de um conhecimento factual é que a uma ideia corresponda uma um conhecimento factual é que a uma ideia corresponda uma impressão sensível, não temos legitimidade para falar de uma relação impressão sensível, não temos legitimidade para falar de uma relação causal entre dados da nossa experiência.

causal entre dados da nossa experiência. 3.

3. Conclusões:Conclusões:

 NósNós inferimosinferimos uma relação necessária entre causa e efeito pelo facto deuma relação necessária entre causa e efeito pelo facto de

nos termos

nos termos habituadohabituado a constatar uma relação constante entre factosa constatar uma relação constante entre factos

semelhantes ou sucessivos. É apenas o

semelhantes ou sucessivos. É apenas o hábitohábito ouou costumecostume que nosque nos

permite sair daquilo que está imediatamente presente na experiência permite sair daquilo que está imediatamente presente na experiência em direcção ao futuro.

em direcção ao futuro.

 A constante relação de contiguidade espacial e de prioridade temporalA constante relação de contiguidade espacial e de prioridade temporal

entre os fenómenos A e B levam a razão a inventar uma conexão que entre os fenómenos A e B levam a razão a inventar uma conexão que ela julga necessária, mas da

(8)

 A crença na ideia de causalidade tem um fundamento não racional. TalA crença na ideia de causalidade tem um fundamento não racional. Tal

ideia não deriva da razão, mas de factores psicológicos

ideia não deriva da razão, mas de factores psicológicos  –  – a vontade dea vontade de que o futuro seja previsível e,

que o futuro seja previsível e, logo, controlável.logo, controlável.

 O principio de causalidade, considerado um princípio racional eO principio de causalidade, considerado um princípio racional e

objectivo, nada mais é do que uma crença subjectiva, o produto de um objectivo, nada mais é do que uma crença subjectiva, o produto de um hábito, o desejo de transformação de uma expectativa em realidade. hábito, o desejo de transformação de uma expectativa em realidade.

 Ideia de causaIdeia de causa  –  – a ideia de que há uma conexão necessária entre dois ou maisa ideia de que há uma conexão necessária entre dois ou mais

eventos. eventos.

o

o Não há nenhuma impressão sensível da qual derive a ideia de Não há nenhuma impressão sensível da qual derive a ideia de causa.causa. o

o Contudo, observamos:Contudo, observamos:

1.

1. a contiguidade espacial;a contiguidade espacial; 2.

2. a sucessão temporal e;a sucessão temporal e; 3.

3. a conjunção constante entre dois fenómenos e chamamos causa ao quea conjunção constante entre dois fenómenos e chamamos causa ao que precede e efeito ao que sucede.

precede e efeito ao que sucede.

o

o Ao observar que algum evento (A) tem até agora sido sempre sucedido peloAo observar que algum evento (A) tem até agora sido sempre sucedido pelo

evento (B), acreditamos que da próxima vez que ocorrer (A) sucederá (B). evento (B), acreditamos que da próxima vez que ocorrer (A) sucederá (B). Acreditamos que o futuro será igual ao

Acreditamos que o futuro será igual ao passado.passado.

o

o Da observação desta constante conjunção como formamos a Da observação desta constante conjunção como formamos a ideia de causa?ideia de causa?

1.

1. Há um poder secreto na causa que faz com que o efeito lheHá um poder secreto na causa que faz com que o efeito lhe suceda?

suceda? Talvez, mas não o podemos observar.Talvez, mas não o podemos observar. 2.

2. A memória só nos dá informações sobre os acontecimentosA memória só nos dá informações sobre os acontecimentos particulares que recordamos.

particulares que recordamos. Não nos diz que podemos esperar que aNão nos diz que podemos esperar que a mesma coisa aconteça outra vez.

mesma coisa aconteça outra vez. 3.

3. Utilizando o raciocínio dedutivo?Utilizando o raciocínio dedutivo? Não, porque não é contraditório queNão, porque não é contraditório que (B) não suceda a (A).

(B) não suceda a (A). 4.

4. O raciocínio indutivo?O raciocínio indutivo? Não podemos afirmar que o futuro será como oNão podemos afirmar que o futuro será como o passado utilizando o raciocínio indutivo porque este assume que o futuro passado utilizando o raciocínio indutivo porque este assume que o futuro será como o passado. Seria dizer que sabemos que o futuro será como será como o passado. Seria dizer que sabemos que o futuro será como passado porque no passado o futuro era como o passado.

(9)

o

o A ideia de causa não deriva da observação de algo nos fenómenos, mas doA ideia de causa não deriva da observação de algo nos fenómenos, mas do

desenvolvimen

desenvolvimento de um to de um costume ou de um costume ou de um hábito mental (desenvolvemos o hábitohábito mental (desenvolvemos o hábito de esperar que (B) aconteça mal vemos acontecer (A)).

de esperar que (B) aconteça mal vemos acontecer (A)).

 O cepticismo de Hume não é total, absoluto. Temos a faculdade (razão) de conhecerO cepticismo de Hume não é total, absoluto. Temos a faculdade (razão) de conhecer

verdades

verdades a priori a priori  –  – matemáticas e lógicasmatemáticas e lógicas  –  – e as faculdades (memória e percepçãoe as faculdades (memória e percepção

sensível) que nos permite conhecer factos presentes e passados. Mas, não temos sensível) que nos permite conhecer factos presentes e passados. Mas, não temos nenhuma faculdade que nos permita conhecer factos futuros. A razão não é capaz de nenhuma faculdade que nos permita conhecer factos futuros. A razão não é capaz de formular leis da Natureza. Segundo Hume, um cientista nunca pode prever que uma formular leis da Natureza. Segundo Hume, um cientista nunca pode prever que uma hipótese seja verdadeira.

Referências

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