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1 Resumo Introdução Descarga do clinquer no Porto de Sines Acompanhamento do ISQ no Processo de Descarga do Clinquer...

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1

Parecer relativo às emissões atmosféricas

resultantes da operação de descarga de clinquer no

Porto de Sines

(2)

2

Índice

1 Resumo ...3

2 Introdução ...4

3 Descarga do clinquer no Porto de Sines ...6

4 Acompanhamento do ISQ no Processo de Descarga do Clinquer... 12

4.1 Cronologia dos trabalhos desenvolvidos ... 12

5 Amostragem de partículas em Sines ... 16

5.1 Enquadramento Legal ... 16

5.2 Processo de amostragem e resultados obtidos ... 18

5.2.1 Medições de partículas dentro das instalações da PortSines ... 22

5.2.2 Medições de partículas fora das instalações da PortSines ... 24

6 Conclusões e Recomendações... 26

(3)

3

1

R

ESUMO

Este relatório constitui um parecer técnico referente às condições da operação de descarga de clinquer efectuada, em Outubro de 2006, no Porto de Sines.

Os principais intervenientes nesta descarga são a empresa Cimentos Nacionais e Estrangeiros (CNE) – proprietária da carga; a PortSines – empresa exploradora do terminal multipurpose de Sines e a Administração do Porto de Sines (APS) – entidade fiscalizadora da actividade portuária da PortSines.

O impacte ambiental provocado por esta operação de descarga obrigou à sua interrupção. Elevadas concentrações de partículas foram emitidas tendo a população de Sines manifestado desagrado quanto a esta situação.

A empresa CNE desenvolveu esforços para implementar as medidas no processo, com vista à diminuição do impacte ambiental da descarga do clinquer.

O ISQ acompanhou os trabalhos de melhoria do processo, assim como, as novas descargas de clinquer. O ISQ monitorizou a concentração de partículas totais e inferiores a 10 µm dentro e fora das instalações da PortSines.

Verificou-se que, apesar dos esforços desenvolvidos pela CNE, tendo em vista a diminuição dos impactes ambientais, o processo de descarga em causa não só apresenta um elevado impacte para a qualidade do ar dentro e fora das instalações, com também poderá dar origem a riscos para os trabalhadores que operam neste porto.

(4)

4

2

I

NTRODUÇÃO

No passado dia 20 de Outubro de 2006, o Instituto de Soldadura e Qualidade foi contactado pelo Eng.º Gonçalves Gomes – Presidente do Conselho de Administração da empresa Cimentos Nacionais e Estrangeiros.

Este contacto surgiu no âmbito de uma operação de descarga de Clinquer no Porto de Sines. Esta operação foi interrompida devido às emissões de partículas que dela advinham.

Dado o impacte ambiental resultante no inicio da descarga, a CNE para além de implementar medidas correctivas ao processo, contactou o ISQ com o objectivo de obter um parecer técnico isento relativo às emissões atmosféricas resultantes desta operação.

A operação de descarga em causa refere-se a 65 mil toneladas de clinquer, importadas pela empresa CNE, com o objectivo de produzir cimento. Este produto é originário da China e foi transportado pelo navio Samjohn Captain.

A operação de descarga estava prevista ser efectuada no Terminal Multipurpose do Porto de Sines explorado pela PortSines.

O Terminal Multipurpose de Sines iniciou a sua exploração em 1992, em regime de concessão. Opera durante 24 horas por dia, 365 dias por ano.

Com um comprimento de 345 metros e fundos de -18 metros (Z.H.), este terminal pode receber navios até 160 000 DWT (Capesize) e destina-se fundamentalmente a servir de terminal nacional de descarga de carvão. As características do seu equipamento permitem, no entanto, a movimentação de outros granéis sólidos e de carga contentorizada e unitizada.

Para além do posto de acostagem equipado para operações de descarga, o Terminal Multipurpose dispõe de outro cais para operações de carga (transhipment), com fundos de -13 metros (Z.H.), para navios até 30 000 DWT (Handysize).

Dois pórticos com uma capacidade média de descarga de 2 000 toneladas por hora cada uma e dois "Stacker-reclaimer" com capacidade, na empilhagem e recolha, para 4 000 e 2 000 toneladas por hora, respectivamente. Uma estação de carregamento ferroviário, totalmente automatizada, carrega carvão numa média de 1 700 toneladas por hora, num máximo de sete comboios por dia.

(5)

5 Dos quase seis milhões de toneladas anuais de carvão movimentados pelo Terminal Multipurpose, 80% destina-se ao abastecimento das centrais termoeléctricas de Sines e do Pego e o restante ao abastecimento das cimenteiras de Souzelas e Loulé (Cimpor).

(6)

6

3

D

ESCARGA DO CLINQUER NO

P

ORTO DE

S

INES

A operação de descarga de clinquer no Porto de Sines foi efectuada em quatro etapas:

1) uma a duas garras metálicas retiraram o clinquer dos porões largando-o numa tremonha que o direccionou para os tapetes transportadores (Figura 1a);

2) transporte do clinquer em tapetes transportadores estanques que apresentam duas importantes quedas ao longo do circuito protegidas por torres (Figura 1b);

3) queda do clinquer para a pilha (Figura 1c);

4) carga do clinquer para camiões (esta operação não foi observada pelo ISQ).

(7)

7 Figura 1: Operação de descarga do clinquer.

a)

c) b)

(8)

8 Dadas as elevadas emissões de partículas verificadas na primeira operação de descarga de clinquer – na qual o ISQ não esteve presente - a CNE implementou várias medidas minimizadoras da emissão de partículas:

1) Nas duas principais quedas de clinquer, associadas ao desnivelamento dos tapetes, que ocorrem dentro de duas torres foram instalados dois filtros (Figura 2a e 2b);

2) Numa das torres de queda foi isolada com uma porta de metal;

3) Foram colocadas telas e plásticos por forma a corrigir lacunas na estanquicidade do tapete rolante (Figura 2a);

4) Como suplemento à injecção de água existente na plataforma de recepção da carga, foi injectada manualmente água com mangueiras sobre a pilha de clinquer (Figura 2c).

5) Apesar de ter sido solicitada a introdução de água nos tapetes rolantes, esta não foi autorizada pela PortSines por razões alegadamente técnicas.

(9)

9 Figura 2: Medidas implementadas pela CNE para diminuir o impacte ambiental.

a)

b)

a)

(10)

10 Após a implementação destas medidas as emissões foram minimizadas (testemunhos de várias pessoas que acompanharam a primeira descarga), no entanto, verificaram-se as seguintes situações:

1) emissões muito elevadas na descarga na tremonha (Figura 3);

2) emissões muito elevadas na descarga de clinquer para a pilha (Figura 4); 3) exposição muito elevada dos operadores do PortSines a partículas;

4) exposição muito elevada a partículas dos trabalhadores da CNE que deram assistência no processo de troca de bigbags nos filtros de mangas (Figura 5);

5) exposição muito elevada a partículas dos trabalhadores da empresa Ecopatrol que injectaram água sobre a pilha (Figura 4);

6) impacte muito elevado das emissões de partículas sobre a população de Sines quando se registou uma direcção do vento para NO.

(11)

11 Figura 4: Emissões na descarga sobre a pilha. Exposição de trabalhadores da Ecopatrol .

(12)

12

4

A

COMPANHAMENTO DO

ISQ

NO

P

ROCESSO DE

D

ESCARGA

DO

C

LINQUER

4.1

Cronologia dos trabalhos desenvolvidos

20 de Outubro de 2006 - 6ª feira

17:00 – O ISQ foi contactado pelo Eng.º Gonçalves Gomes – Presidente do Conselho de Administração da empresa Cimentos Nacionais e Estrangeiros. Este contacto surgiu no âmbito de uma operação de descarga de Clinquer no Porto de Sines. Considerando os acontecimentos que se encontravam em curso, o ISQ foi chamado a intervir por forma a:

- Acompanhar a operação de descarga do Clinquer;

- Medir a concentração de partículas totais e partículas com diâmetro inferior a 10

µm no porto e na área circundante;

- Emitir um parecer técnico referente às condições da operação e avaliação da conformidade legal dos níveis de partículas na atmosfera durante o processo de descarga.

Ficou agendada uma reunião no ISQ para dia 23 de Outubro de 2006 às 14:30 com o Eng.º Diamantino.

23 de Outubro de 2006 - 2ª feira

12:00 – O ISQ foi contactado pela secretária do Eng.º Gonçalves Gomes, com o objectivo de cancelar a reunião e solicitar a comparência urgente do ISQ no Porto de Sines, para assistir aquele que seria o último teste de descarga agendado para as 12:00.

14:00 – O ISQ estava presente no porto de Sines onde foi posto ao corrente da situação.

15:00 – Iniciou-se o teste de descarga do clinquer.

15:10 – O teste foi cancelado pela Eng.ª Ana Ramos da APS por se verificarem emissões significativas fundamentalmente em 3 pontos: na descarga do navio

(13)

13 para a tremonha, num ponto de desnível no tapete, na queda do clinquer sobre a pilha de clinquer.

20:00 O ISQ foi contactado pelo Eng.º Gonçalves Gomes para comparecer no dia 24 de Outubro às 10 horas numa reunião no Porto de Sines onde estariam presentes a Administração de Porto de Sines, a PortSines e a CNE.

24 de Outubro de 2006 - 3ª feira

8:30 – O ISQ reuniu-se com o Eng.º Gonçalves Gomes e Sr. Nogueira em Setúbal donde partiram para Sines.

10:00 – Reunião em Sines com a Administração de Porto de Sines, a PortSines e a CNE.

- O Eng.º Lince de Faria (APS) fez uma introdução sobre o ponto da situação; - O Comandante Fontes (APS) referiu a existência de emissões de partículas elevadas, tendo sido registados telefonemas do Clube Náutico e Protecção Civil; - O Sr. Nogueira (CNE) referiu que no último teste – que apenas teve a duração de 8 minutos – se observou 1) uma diminuição das emissões em dois pontos de emissão iniciais graças à montagem, por parte da CNE, de dois filtros nas torres de queda; 2) a destruição, pelo mau tempo, de um plástico que cobria parte do tapete; 3) possibilidade de injecção de água na lança do clinquer para a pilha que originaria a diminuição de poeira. Disse também que não foi dada à CNE possibilidade de corrigir estas duas situações e efectuar novos testes;

- A Eng.ª Ana Ramos (APS) admitiu que as condições tinham melhorado relativamente aos testes anteriores mas que persistiam 3 pontos importantes de emissão: na descarga do navio para a tremonha, num ponto de desnível no tapete, na queda do clinquer sobre a pilha de clinquer.

- O Eng.º Gonçalves Gomes (CNE) fez um histórico sobre a relação e a contratualização com a PortSines, referiu as melhorias efectuadas no processo de descarga - por parte da CNE - e frisou o esforço que a CNE tem tido para fazer a descarga nas melhores condições possíveis, apesar da responsabilidade ser da PortSines (como é referido no regulamento do Porto de Sines). Sugeriu que se finalizasse a presente descarga e aquela que chegaria no dia 2 de Novembro, nas condições possíveis, e que para futuras descargas se realizasse um esforço

(14)

14 conjunto entre a CNE e a PortSines no sentido de encontrar uma solução para as emissões de partículas.

- O Eng.º Neves de Carvalho (PortSines) referiu que na ausência dos principais responsáveis da PortSines não poderia tomar nenhuma decisão na reunião. Deixou claro que para a PortSines estas duas descargas constituíam apenas experiências e que não havia qualquer contrato a longo prazo com a CNE. Referiu também que não permitia a entrada de água nos tapetes por razões de ordem técnica.

Ficou decidido nesta reunião que a CNE poderia realizar mais melhorias no processo a serem testadas no dia 25 de Outubro.

15:00 – Acompanhamento dos trabalhos de melhoria do processo de descarga com o objectivo de diminuir as emissões de partículas.

18:00 – Regresso a Lisboa.

25 de Outubro de 2006 - 4ª feira

9:30 – Acompanhamento dos trabalhos de melhoria do processo de descarga com o objectivo de diminuir as emissões de partículas.

15:00 – Inicio do processo de descarga de clinquer. Acompanhamento do técnico da Universidade de Évora que realizou medições de partículas.

18:00 – Regresso a Lisboa.

26 de Outubro de 2006 - 5ª feira

9:30 – Acompanhamento do processo de descarga. Análise das condições técnicas para a colocação amostradores de partículas dentro e fora das instalações da PortSines.

12:00 - Regresso a Lisboa para preparação dos meios para a realização da amostragem.

(15)

15 27 de Outubro de 2006 - 6ª feira

9:20 – Instalação do equipamento de amostragem de partículas dentro e fora das instalações da PortSines.

12:18 – Inicio da amostragem. 20:30 – Regresso a Lisboa.

28 de Outubro de 2006 - Sábado

11:30 – Final da amostragem com desmontagem do equipamento. 13:00 – Regresso a Lisboa.

(16)

16

5

A

MOSTRAGEM DE PARTÍCULAS EM

S

INES

5.1

Enquadramento Legal

Decreto Lei n.º 111/2002 de 16 de Abril

O Decreto Lei n.º 111/2002 de 16 de Abril transpõe para ordenamento jurídico interno a Directiva Europeia 1999/30/CE relativa a valores limite para as partículas em suspensão no ar ambiente. O Decreto Lei estabelece valores limite para as partículas com Diâmetro Aerodinâmico inferior a 10 µm – PM10, sendo progressivamente mais restrito desde 2001 até 2010. A Tabela 1 apresenta os valores limite para as partículas em suspensão (PM10) no ar ambiente.

Tabela 1: Valores limite para as partículas em suspensão (PM10) no ar ambiente (Anexo III do Decreto-Lei n.º 111/2002 de 16 de Abril).

Período considerado

Valor limite Margem de tolerância Data de cumprimento 1ª fase

Valor limite diário para protecção da saúde humana Vinte e quatro horas 50 µg/m3 (valor a não exceder mais de 35 vezes em cada ano civil)

15 µg/m3

à data de entrada em vigor do presente Decreto-Lei, devendo sofrer uma redução, a partir de 1 de Janeiro de 2003 e depois de 12 em 12 meses, numa percentagem anual idêntica, até atingir 0% em 1 de Janeiro de 2005.

1 de Janeiro de 2005

Valor limite anual para protecção da saúde humana Ano civil... 40 µg/m3 5 µg/m3 à data de entrada em vigor do Decreto-Lei, devendo sofrer uma redução, a partir de 1 de Janeiro de 2003 e depois, de 12 em 12 meses, numa percentagem anual idêntica, até atingir 0% em 1 de Janeiro de 2005

1 de Janeiro de 2005

2ª fase

Valor limite diário para protecção da saúde humana

Vinte e quatro horas

50 µg/m3 (valor a

não exceder mais de 7 vezes em cada ano civil)

A calcular em função dos dados, de modo a ser equivalente ao valor limite da 1ª fase.

1 de Janeiro de 2010

Valor limite anual para protecção da saúde humana

Ano civil... 20 µg/m3

50% em 1 de Janeiro de 2005, devendo depois sofrer uma redução de 12 em 12 meses, num a percentagem anual idêntica, até atingir 0% em 1 de Janeiro de 2010.

1 de Janeiro de 2010

(17)

17 O período mínimo de amostragem, considerado pelo Decreto-Lei n.º 111/2002 é de 14%, ou seja, uma medição por semana de modo aleatório, distribuída uniformemente ao longo do ano, ou em oito semanas, distribuídas uniformemente ao longo do ano. Desta forma, a amostragem realizada apenas constitui uma indicação à cerca do cumprimento ou não desta legislação.

Norma Portuguesa 1796 de 2004

A NP1796 de 2004 refere-se à Segurança e Saúde no Trabalho – Valores limite de exposição profissional a agentes químicos.

Esta norma considera que a concentração média ponderada de partículas - para um dia de trabalho de 8 horas e uma semana de 40 horas, à qual se considera que praticamente todos os trabalhadores possam estar expostos, dia após dia, sem efeitos adversos para a saúde – é 10 mg/m3 para a fracção inalável e 3 mg/m3 para a fracção respirável.

Não foram efectuadas medições pelo ISQ nos trabalhadores expostos na PortSines durante a operação de descarga do clinquer. Assim sendo, não é possível efectuar uma análise de conformidade neste âmbito.

Regulamento de Ambiente e Segurança do Porto de Sines

O regulamento de Ambiente e Segurança do Porto de Sines refere-se, no Artigo 69, à Poluição Operacional. O número 7 deste artigo diz que “Durante a operação, os valores limites de emissão de partículas em suspensão, expressos em mg/m3N, nos termos da legislação em vigor, são os seguintes: a) partículas – 300 (valor de aplicação geral); b) cereais – 100 (distância igual ou superior a 400 mts de habitações); c) carvão – 150”.

Este limite apontado pelo regulamento não poderá ser comparados com a concentração de partículas existentes no ar ambiente dentro das instalações da PortSines, na medida em que se refere a um valor de emissão e não a um valor medido no receptor.

Para além disso, o número 7 do artigo 69 refere-se à Portaria n.º 286/93 de 12 de Março que fixa no Anexo IV os valores limites de emissão de aplicação geral e no Anexo VI os valores limites de emissão de aplicação sectorial. No entanto, estes são valores limite usados para a emissão de partículas à saída de chaminés industriais – que têm regulamentação especifica, nomeadamente no que se refere à altura que garante uma dispersão adequada de poluentes.

(18)

18

5.2

Processo de amostragem e resultados obtidos

A amostragem de partículas foi realizada nos dias 27 e 28 de Outubro nas instalações da PortSines (P1).

Para além deste ponto, foi instalado na manhã de dia 27 de Outubro um outro colector de partículas fora das instalações da PortSines com o objectivo de determinar os níveis de partículas a que a população de Sines estava sujeita. Para cumprir o objectivo, esse ponto foi escolhido de acordo com os ventos dominantes de NO observados nessa manhã, que previam um impacte máximo da operação de descarga no clinquer - agendada para o período da tarde e noite - sobre a população de Sines. No entanto, durante a operação de descarga verificou-se uma alteração da direcção do vento para SO.

Este facto faz com que os níveis medidos não representem o pior cenário de impacte sobre a população de Sines - verificado nos dias anteriores - dado que a pluma de poluentes se deslocou para o mar.

A Figura 6 apresenta o transporte de poeiras em direcção a Sines (dia 26 de Outubro) e em direcção ao mar (dia 27 de Outubro).

(19)

19 Figura 6: Transporte de poeiras em direcção a Sines (dia 26 de Outubro) (a) e em direcção ao mar (dia 27 de Outubro) (b).

Na Figura 7 estão localizadas os dois pontos de amostragem. Nas Figuras 8 e 9 são apresentados os amostradores utilizados neste trabalho.

a)

(20)

20 Nos postos P1 e P2 foram amostradas partículas com o diâmetro aerodinâmico inferior a 10 µm – PM10, por forma a comparar os níveis obtidos com o Decreto-Lei n.º 111/2002 que estabelece os valores limite das concentrações no ar para as partículas em suspensão.

No posto P1 foram amostradas também as partículas totais em suspensão (PTS) por forma a contabilizar a fracção de partículas inferiores a 10 µm nas partículas totais.

A monitorização destes poluentes foi realizada segundo os métodos abaixo descritos:

• Partículas totais em suspensão (PTS), utilizando o amostrador de grande volume de ar – MCV – A/M, cf. Portaria 286/93;

• Partículas PM 10, utilizando o amostrador de grande volume de ar modificado – MCV – A/HF, cf. EN 12341.

A concentração mássica das partículas foi determinada por análise gravimétrica.

Figura 7: Localização dos pontos de amostragem (P1 – Amostradores de PTS e PM10 localizados no PortSines; P2 – Amostrador PM10 localizado na proximidade do Clube Náutico.)

(21)

21 Figura 8: Colector de PM10 localizado nas proximidades do Clube Náutico.

(22)

22 Os principais parâmetros de amostragem e as concentrações obtidas estão indicados na Tabela 2.

Tabela 2: Principais parâmetros de amostragem - Tempo inicial, tempo final, parâmetro, volume amostrado, tempo amostrado e concentrações obtidas.

Inicio Final Local Parâmetro Volume (m3) Tempo Concentr. (µg/m3) 1 27/10/06 12:18 27/10/06 15:50 Clube Náutico PM10 105 3:32 26 2 27/10/06 15:53 27/10/06 19:40 Clube Náutico PM10 113 3:47 36 3 27/10/06 16:35 27/10/06 20:03 PortSines PTS 107 3:28 97 4 27/10/06 20:20 28/10/06 12:13 PortSines PTS 488 15:53 584 5 27/10/06 20:20 28/10/06 12:13 PortSines PM10 478 15:53 287

5.2.1

Medições de partículas dentro das instalações da

PortSines

A Figura 10 apresenta as concentrações de partículas medidas nas instalações do PortSines. A amostra 3 foi recolhida com a operação de descarga de clinquer a decorrer durante todo o período de amostragem. A amostragem dos filtros 4 e 5 foi efectuada com aproximadamente 50% do tempo em operação de descarga.

0

100

200

300

400

500

600

700

3 4 5 Amostras C o n c e n tr a ç ã o d e p a r tí c u la s ( µµµµ g / m 3 ) PTS PM10

Figura 10: Concentração de partículas medida nas instalações da PortSines. - A concentração mais elevada registada na amostra 4 é resultado do efeito de acumulação das partículas no ar ambiente, dado que a amostra 4 foi recolhida depois da amostra 3 e que a amostra 4 contemplou períodos da operação parada.

(23)

23 - A concentração de PM10 medida nas instalações do PortSines (287 µg/m3) excede os valores limite definidos pelo Decreto-Lei n.º 111/2002.

- As concentrações de PTS medidas não são comparáveis com os valores apresentados no regulamento do Porto de Sines que se refere a valores de emissão e não a valores de medição no receptor.

- Dado que o ISQ não efectuou medições de exposição dos trabalhadores a partículas, não é possível analisar a conformidade com a norma NP1796. Mediante os níveis de partículas observados durante esta operação seria muito importante a monitorização de partículas nos trabalhadores da PortSines a laborar no navio, nos trabalhadores da CNE responsáveis pela troca dos Bigbags e nos trabalhadores da Ecopatrol responsáveis pela adição de água sobre a pilha de clinquer.

- A figura 11 mostra que uma grande percentagem (49%) das partículas se apresentam na fracção com granulometria inferior a 10 µµµµm. As partículas de menor granulometria penetram mais profundamente no aparelho respiratório provocando danos superiores na saúde humana. Para além disso, possuem também maiores períodos de residência na atmosfera e são transportadas a distâncias superiores.

51%

49%

>10 microm <10 microm

Figura 11: Distribuição granulometrica das partículas nas instalações do PortSines.

(24)

24

5.2.2

Medições de partículas fora das instalações da

PortSines

Na figura 12 são comparadas as concentrações de PM10 medidas em frente ao Clube Náutico com a operação de descarga parada (amostra 1) e com a operação a decorrer (amostra 2). Verifica-se um aumento de 10 µg/m3 na concentração de PM10 da amostra recolhida durante a operação de descarga.

0

10

20

30

40

1

2

Amostras [ P M 1 0 ] (µµµµ g / m 3 )

Figura 12: Concentração de PM10 medida nas proximidades do Clube Náutico com a operação de descarga parada e com a operação a decorrer.

- O valor limite de concentração média anual de 20 µg/m3 mais a respectiva margem de tolerância, definido pelo Decreto-Lei n.º 111/2002, foi excedido na amostra 2;

- O valor limite de concentração de 24 horas de 50 µg/m3, definido pelo Decreto-Lei n.º 111/2002, não foi excedido na amostra 2;

- Durante o período de amostragem, a alteração da direcção do vento provocou um deslocamento da pluma de partículas para o mar;

- O impacte da operação de descarga na população foi significativamente superior nos dias 25 e 26 de Outubro devido à direcção dos ventos que transportaram as partículas para Sines;

- A recolha da amostra 2 foi efectuada apenas nas primeiras 3 horas e 47 minutos da operação de descarga e, por isso, não se fez sentir o efeito de acumulação das partículas na atmosfera;

(25)

25 - Estes factos, indiciam que actividade de descarga do clinquer nos dias em que não foram efectuadas amostragens excedeu grandemente os valores limite para a protecção da saúde humana.

(26)

26

6

C

ONCLUSÕES E

R

ECOMENDAÇÕES

- A actividade de descarga do clinquer no Porto de Sines apresentou impactes muito significativos não só na qualidade do ar ambiente como também a nível da exposição profissional;

- A concentração de PM10 medida nas instalações do PortSines (287 µg/m3) excede os valores limite definidos pelo Decreto-Lei n.º 111/2002.

- A regulamentação do Porto de Sines refere valores de emissão e não valores de medição no receptor, pelo que não é possível comparar as concentrações de PTS medidas com os níveis apontados neste documento.

- Perante os níveis de partículas observados durante a operação é clara a importância da monitorização da exposição profissional a partículas (com o recurso a amostradores pessoais) nos trabalhadores da PortSines a laborar no navio, nos trabalhadores da CNE responsáveis pela troca dos Bigbags e nos trabalhadores da Ecopatrol responsáveis pela adição de água sobre a pilha de clinquer, por forma a analisar a conformidade com a norma NP1796.

- O valor limite de concentração média anual de 20 µg/m3 mais a respectiva margem de tolerância, definido pelo Decreto-Lei n.º 111/2002, foi excedido na amostra recolhida em frente do clube náutico no dia 27 de Outubro de 2006; - O valor limite de concentração de 24 horas de 50 µg/m3, definido pelo Decreto-Lei n.º 111/2002, não foi excedido na amostra recolhida em frente do clube náutico no dia 27 de Outubro de 2006;

- Dado que impacte da operação de descarga na população foi significativamente superior nos dias 24 e 25 de Outubro (devido à direcção dos ventos que transportaram as partículas para Sines) estima-se que esta actividade excedeu grandemente os valores limite para a protecção da saúde humana nestes dois dias.

- Foi claro o empenho da administração e dos funcionários da CNE para a melhoria de todo o processo de descarga tendo em vista a minimização dos impactes ambientais desta operação.

- Por forma a garantir a segurança dos trabalhadores e minimizar o impacte ambiental desta operação é necessário efectuar um estudo aprofundado com base, não só nas características e quantidade de clinquer a transportar, mas

(27)

27 também tendo em conta boas práticas adoptadas internacionalmente. O terminal terá de sofrer uma adaptação estrutural que possibilite a descarga deste tipo de material.

Referências

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