ANO XXIV - 2013 - 3ª SEMANA DE ABRIL DE 2013
BOLETIM INFORMARE Nº 16/2013
ASSUNTOS CONTÁBEIS
LIVRO CAIXA - LUCRO PRESUMIDO E SIMPLES NACIONAL NORMAS PARA ESCRITURAÇÃO ... Pág. 262
IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA
INCORPORAÇÕES IMOBILIÁRIAS - REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO - RET E AS CONSTRUÇÕES NO ÂMBITO DO
ASSUNTOS CONTÁBEIS
LIVRO CAIXA
Lucro Presumido e Simples Nacional Normas Para Escrituração Sumário
1. Introdução
2. O Que Deve Ser Escriturado no Livro Caixa 3. Critérios e Rotinas de Escrituração do Livro Caixa 3.1 - Quanto ao Saldo Inicial a Considerar
3.2 - Quanto à Forma de Escriturar
3.3 - Quanto às Rotinas de Escrituração do Livro Caixa 4. Valores Constantes de Balanço Encerrado em 31.12.2012 5. Exemplo de Escrituração do Livro Caixa
6. Prazo e Periodicidade da Escrituração 7. Aspectos Extrínsecos do Livro Caixa 7.1 - Termos de Abertura e de Encerramento
1. INTRODUÇÃO
As pessoas jurídicas optantes pelo regime do lucro presumido ou enquadradas no Simples Nacional estão sujeitas a observar determinadas regras no que tange ao cumprimento de obrigações exigidas pela legislação do Imposto de Renda.
A pessoa jurídica que optar pela tributação com base no lucro presumido ou enquadrada no regime do Simples Nacional deverá manter (art. 45 da Lei nº 8.981/1995 e art. 61 da Resolução CGSN nº 94/2011):
a) livro Caixa, no qual deverá escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária;
b) livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no encerramento do ano-calendário;
c) em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração comercial e fiscal.
As pessoas jurídicas mencionadas estarão dispensadas da escrituração do livro Caixa caso mantenham escrituração contábil nos termos da legislação comercial.
2. O QUE DEVE SER ESCRITURADO NO LIVRO CAIXA
A pessoa jurídica submetida ao regime de tributação simplificada deverá escriturar no livro Caixa toda a movimentação financeira, inclusive bancária.
A movimentação financeira, neste caso, compreende todos os ingressos e saídas de numerário de forma globalizada, isto é, abrangendo toda a movimentação feita através do caixa e de bancos.
O livro Caixa é único, isto significa, por exemplo, que a transferência de numerário entre matriz e filial e vice-versa não deve ser registrada, uma vez que o saldo de caixa não é alterado. Da mesma forma, a transferência de numerário do “caixa” para “banco” e vice-versa ou de “banco” para “banco” não é escriturada.
Portanto, o livro Caixa funcionará como “Caixa/Bancos”, efetuando o registro dos recebimentos e dos pagamentos, partindo de um saldo inicial, representativo da soma dos saldos das disponibilidades existentes no início do ano-calendário ou das operações da empresa.
Assim, exemplificando:
a) saldo existente em Caixa no dia 01.01.2013 - R$ 1.200,00;
c) saldo existente no Banco Beta S.A. no dia 01.01.2013 - R$ 12.400,00.
De acordo com o exemplo, o saldo de caixa, no dia 01.01.2013, corresponderá a R$ 32.200,00. 3. CRITÉRIOS E ROTINAS DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO CAIXA
A escrituração do livro Caixa, conforme já comentamos, é obrigatória para as pessoas jurídicas optantes pelo regime de tributação do lucro presumido ou enquadradas no Simples Nacional e que não mantenham escrituração contábil na forma exigida pela legislação comercial.
De acordo com o art. 61, § 6º da Resolução CGSN nº 94/2011, o Livro Caixa das Empresas Optantes pelo Simples Nacional deverá:
a) conter termos de abertura e de encerramento e ser assinado pelo representante legal da empresa e pelo responsável contábil legalmente habilitado, salvo se nenhum houver na localidade;
b) ser escriturado por estabelecimento. 3.1 - Quanto ao Saldo Inicial a Considerar
O saldo inicial a ser considerado no livro Caixa, no início do ano-calendário, será o seguinte:
a) para as empresas que mantiveram escrituração contábil no ano-calendário anterior, o saldo inicial do livro Caixa será composto pelos valores constantes das seguintes contas:
a.1) Caixa;
a.2) Bancos c/Movimento;
a.3) Aplicações Financeiras de Curto Prazo;
b) para as empresas que não mantiveram escrituração contábil e que, no ano-calendário anterior, estiveram obrigadas à escrituração do livro Caixa, o saldo inicial corresponderá ao próprio saldo final desse livro no referido ano-calendário.
3.2 - Quanto à Forma de Escriturar
A legislação do Imposto de Renda não faz nenhuma determinação quanto à forma de escrituração do livro Caixa, mencionando apenas o seu conteúdo e a sua periodicidade.
Desta forma, para que o livro Caixa atenda as exigências legais, deve representar com clareza os fatos nela registrados, observando-se o seguinte:
a) do lado do débito: serão registrados todos os ingressos de recursos financeiros diretamente no caixa da empresa ou em suas contas bancárias;
b) do lado do crédito: serão registradas todas as saídas de recursos financeiros, em dinheiro ou por meio de emissão de cheques ou, ainda, mediante autorização de débito em conta corrente bancária;
c) os documentos deverão ser organizados em ordem cronológica crescente para efetuar o registro, e conservados em boa guarda enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes;
d) o registro deverá ser de forma individualizada, podendo ser agrupado quando não prejudicar a identificação, devendo, neste caso, manter documento auxiliar detalhado;
e) o histórico deverá ser resumido, porém claro e preciso.
A empresa poderá, a seu critério, adotar modelo próprio de livro Caixa ou adquirir modelos comercializados pelas papelarias especializadas. A escrituração do livro Caixa poderá ser feita por processamento de dados.
Se a escrituração do livro Caixa for feita por processamento de dados, deve-se observar os seguintes procedimentos:
a) lavrar os termos de abertura e encerramento; b) numeração sequencial dos formulários; e
c) após concluída a escrituração, os formulários (incluindo os termos de abertura e de encerramento) deverão ser encadernados.
3.3 - Quanto às Rotinas de Escrituração do Livro Caixa
Veremos, a seguir, algumas rotinas de escrituração do livro Caixa: a) Pagamentos efetuados através de cheque:
Os pagamentos, em geral, efetuados através de cheques, inclusive pré-datados, deverão ser normalmente registrados na data de ocorrência de cada pagamento, na coluna “Saídas” do livro Caixa. Referidos pagamentos deverão ser comprovados através de documentação hábil e idônea (Nota Fiscal, duplicata, recibo de salário, guia de recolhimento, etc.).
b) Recebimentos efetuados através de cheque:
Os valores recebidos através de cheques, inclusive pré-datados, relativos a vendas, quitação de duplicatas mantidas em carteira, etc., deverão ser registrados, na coluna “Entradas” do livro Caixa, na data do evento. c) Aplicações financeiras de renda fixa:
As aplicações financeiras de renda fixa a curto prazo (fundos de investimento financeiro) não devem ser escrituradas no livro Caixa. Da mesma forma, o valor correspondente ao resgate dessas aplicações não será escriturado no referido livro.
Nesse tipo de aplicação, a pessoa jurídica deverá registrar na coluna “Entradas” do livro Caixa o rendimento líquido auferido, ou seja, rendimento bruto menos Imposto de Renda na Fonte. O valor do rendimento a ser escriturado no livro Caixa é aquele informado no extrato de aplicações financeiras fornecido pela instituição financeira.
Por sua vez, tratando-se de aplicação em Certificado de Depósito Bancário (CDB) ou Recibo de Depósito Bancário (RDB), o valor aplicado será consignado na coluna “Saídas” do livro Caixa. Por ocasião do resgate, o valor da aplicação acrescido do rendimento líquido será escriturado na coluna “Entradas” do livro Caixa.
Exemplo:
Suponhamos que determinada empresa tenha efetuado uma aplicação em CDB conforme dados a seguir: a) valor da aplicação R$ 20.000,00
b) valor de resgate R$ 21.000,00 c) rendimento bruto R$ 1.000,00
d) Imposto de Renda na Fonte R$ 200,00
No livro Caixa será escriturado, na coluna “Entradas”, o valor do rendimento líquido que, em nosso exemplo, corresponde a R$ 800,00.
As aplicações efetuadas no mercado de renda variável, assim consideradas as operações realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas devem ser escrituradas no livro Caixa por ocasião da aplicação, alienação, liquidação ou resgate.
Exemplo:
Considerando-se que determinada empresa tenha adquirido no mercado à vista da Bolsa de Valores 5.000 ações da empresa “A” por R$ 5.200,00.
Considerando-se, ainda, que referidas ações tenham sido vendidas por R$ 5.360,00. De acordo com o exemplo, o ganho apurado na operação corresponderá a:
- valor de transmissão R$ 5.360,00 - menos: custo de aquisição R$ 5.200,00
- ganho R$ 160,00
- Imposto de Renda na Fonte R$ 32,00
No livro Caixa serão efetuados os seguintes registros:
1 - na coluna “Saídas”, o valor correspondente ao custo de aquisição das ações, no montante de R$ 5.200,00; 2 - na coluna “Entradas”, o valor de transmissão mais o ganho auferido deduzido do Imposto de Renda na Fonte, no montante de R$ 5.328,00.
f) Débitos em conta corrente:
Os débitos em geral, efetuados em conta corrente, tais como: tarifas bancárias, encargos financeiros; contas telefônicas, contas de água e luz, etc., devem ser registrados na coluna “Saídas” do livro Caixa, uma vez que se tratam de pagamentos efetuados.
g) Cobrança bancária de duplicatas:
Quando a empresa faz a remessa de duplicatas para cobrança por uma instituição financeira, não há registro a ser efetuado no livro Caixa.
O registro na coluna “Entradas” do livro Caixa será efetuado no momento em que a instituição financeira efetua o crédito correspondente à cobrança da duplicata.
h) Desconto de duplicatas:
O desconto de duplicatas será registrado no livro Caixa no momento em que ocorrer a operação de desconto com o correspondente aviso de crédito em conta corrente. O registro na coluna “Entradas” do livro Caixa será feito pelo valor líquido.
Quando alguma duplicata descontada não for paga pelo devedor, o banco devolve o título para a empresa beneficiária do desconto, debitando o valor correspondente em conta corrente. Neste caso, o aviso de lançamento feito pelo banco deverá ser escriturado na coluna “Saídas” do livro Caixa.
4. VALORES CONSTANTES DE BALANÇO ENCERRADO EM 31.12.2012
A empresa que, durante o ano-calendário 2012, procedeu à escrituração contábil com observância da Legislação Comercial e, a partir do ano-calendário 2013, optar pela escrituração do livro Caixa, deverá adotar os seguintes procedimentos:
a) consignar como saldo inicial no livro Caixa as disponibilidades existentes em 31.12.2012;
b) considerar nas colunas “Entradas” e “Saídas” do livro Caixa os recebimentos e os pagamentos originários de saldos existentes no balanço encerrado em 31.12.2012.
5. EXEMPLO DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO CAIXA
Apresentamos, a seguir, um modelo de escrituração do livro Caixa com base nos seguintes dados hipotéticos: Mês e Ano: Janeiro: 2013
Folha 01
DIA Histórico Parcial Entrada Saída
31.12 Saldo Anterior - 65.850,00 02.01 Pagamento da duplicata nº 212, de
12.12.2012, de Alfa Comércio Ltda. - - 1.550,00 04.01 Recebimento da duplicata nº 122, de
14.12.2012, emitida contra a Empresa Delta Ltda., em cobrança simples (carteira)
- 8.300,00 - 07.01 Pagamento do FGTS referente ao mês de
dezembro/2012 - - 2.980,00
07.01 Pagamento folha referente ao mês de
dezembro/12 (valor líquido) - - 15.870,00 08.01 Recebimento da duplicata nº 155, de
21.12.2012 emitida contra a Empresa Gama Ltda., em cobrança simples (carteira)
- 10.100,00 -
08.01 Pagamento do ICMS referente ao mês de
dezembro/2012 - - 4.250,00
08.01 Pagamento do pró-labore referente ao mês
de dezembro/2012 (valor líquido) - - 5.383,00 09.01 Venda à vista, conforme Nota Fiscal nº
10.900 - 7.900,00 -
15.01 Valor creditado em nossa conta corrente mantida junto ao Banco Beta S/A, referente a aplicação financeira (RDB) efetuada em 17.12.2012, resgatada nesta data, a saber:
- - -
- - Valor de aplicação 15.000,00 - - - - Valor do resgate 15.600,00 - - - - Valor do rendimento 600,00 - -
- - IRRF 120,00 480,00 -
18.01 Valor creditado em nossa conta corrente mantida junto ao Banco Beta S/A, por conta de desconto de duplicatas, a saber:
- - -
- - Valor bruto das duplicatas 20.500,00 - - - - Encargos cobrados pelo Banco 3.980,00 16.520.00 - 18.01 Pagamento Contribuição Previdenciária
referente ao mês de dezembro/2012 - - 8.835,00 18.01 Recolhimento do IRRF sobre o pró-labore
dos sócios pago em dezembro/2012 - - 1.485,00 25.01 Pagamento da Cofins referente ao mês de
dezembro/2012 - - 4.352,00
25.01 Pagamento do PIS referente ao mês de
dezembro/2012 - - 896,00
28.01 Pagamento Supermercado Rocha, conforme Nota Fiscal nº 098, para aquisição de material de limpeza
- - 10,50
29.01 Pagamento duplicata nº 138, de
Lampadinha Ltda. - - 15.100,00 30.01 Pagamento duplicata nº 798, de empresa
Mor Comércio de Combustíveis Ltda. - - 7.980,00 31.01 Pagamento de impostos e contribuições,
conforme segue: - - -
- - IRPJ - Lucro Presumido referente ao 4º
trimestre de 2012 5.900,00 - - - - Contribuição Social Sobre o Lucro
referente ao 4º trimestre de 2012 3.500.00 - 9.400,00 31.01 Recebimento de duplicatas - 7.650,00
- TOTAL FOLHA - 116.800,00 78.091,50
- SALDO - - 38.708,50
6. PRAZO E PERIODICIDADE DA ESCRITURAÇÃO
Entendemos que a escrituração do livro Caixa para fins do lucro presumido deve ser efetuada dentro do prazo fixado para pagamento do Imposto de Renda. Desde janeiro/1997 o recolhimento do Imposto de Renda passou a
ser trimestral. Desta forma, o livro Caixa deve ser escriturado até o último dia do mês seguinte ao do trimestre a que se refere a apuração.
No caso das empresas optantes pelo Simples Nacional, entendemos que a escrituração do livro Caixa deverá ser efetuada até o dia 20 (vinte) do mês subsequente a que se refere a apuração.
7. ASPECTOS EXTRÍNSECOS DO LIVRO CAIXA
De acordo com a Questão nº 25, do BCE (Boletim Central Extraordinário) nº 021, de 25.02.1993, devemos observar que:
a) não há obrigatoriedade de o livro Caixa ser registrado em qualquer órgão ou repartição;
b) o livro Caixa deverá conter termos de abertura e de encerramento e será assinado pelo contabilista responsável e pelo representante legal da empresa.
7.1 - Termos de Abertura e de Encerramento
Abaixo, apresentamos modelos de termos de abertura e de encerramento do livro Caixa: a) Termo de Abertura
LIVRO CAIXA Nº de Ordem...
Contém este livro .... (....) folhas numeradas tipograficamente e seguidamente do nº .... ao nº .... e servirá para o lançamento dos pagamentos e recebimentos do contribuinte abaixo identificado:
Nome: ... Endereço: ... Nº ... Andar ... Sala/Conj... Bairro: ... Município: ... Estado: ... Com Registro nº ...
(Órgão do Registro no Comércio) Sob nº ... Arquivado em ..../.../.... Inscrição Estadual nº ... CGC MF nº ... Inscrição Municipal nº ... ..., ... de ... de ... Assinatura do Contabilista Número do CRC Assinatura do Contribuinte b) Termo de Encerramento
LIVRO CAIXA Nº de Ordem ...
Último Lançamento Efetuado em .../.../...
Contém este livro ... (...) folhas numeradas tipograficamente e seguidamente do nº .... ao nº ... e serviu para o lançamento dos pagamentos e recebimentos do contribuinte abaixo identificado:
Nome: ... Endereço: ... Nº ... Andar ... Sala/conj... Bairro: .... Município: ... Estado: ... Com Registro nº ...
(Órgão do Registro no Comércio) Sob nº ... Arquivado em .../.../... Inscrição Estadual nº ... CGC MF nº ... Inscrição Municipal nº ... ...,... de...de ... Assinatura do Contabilista Número do CRC Assinatura do Contribuinte Fundamentos legais: Os citados no texto.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA
INCORPORAÇÕES IMOBILIÁRIAS
Regime Especial de Tributação - RET e as Construções no Âmbito do PMCMV Sumário
1. Introdução 2. Conceitos
3. Opção Pelo Regime Especial de Tributação 3.1 - Requisitos
3.2 - Modelo do Termo de Opção 4. Forma da Tributação
4.1 - Pagam ento Unificado dos Impostos e Contribuições
4.2 - Pagam ento Unificado de Tributos Aplicável às Construções no Âmbito do PMCMV 4.3 - Conceito de Receita Para Fins do Pagamento Unificado
4.4 - Escrituração Contábil
4.5 - Vedação da Compensação Com os Tributos e Contribuições Devidos Pela Incorporadora 4.6 - Apropriação Dos Custos e Despesas
5. Prazo de Pagamento 6. Códigos de DARF
7. Responsabilidade Por Obrigações 7.1 - Tributárias
7.2 - Falência ou Insolvência Civil
1. INTRODUÇÃO
A Lei nº 10.931/2004, com as alterações introduzidas pela MP nº 601/2012 e a Lei nº 12.767/2012, instituiu o patrimônio de afetação de Incorporações Imobiliárias e o Regime Especial de Tributação - RET, aplicável às Incorporações Imobiliárias. Por meio da Instrução Normativa RFB nº 934/2009, foram disciplinadas as normas sobre o Regime Especial de Tributação - RET e sobre o pagamento unificado de tributos aplicável às construções de unidades habitacionais contratadas no âmbito do Programa Minha Casa, Minha Vida - PMCMV, as quais abordaremos neste trabalho.
2. CONCEITOS
Para os efeitos do Regime Especial de Tributação, considera-se:
a) incorporador, a pessoa física ou jurídica que, embora não efetuando a construção, compromisse ou efetive a venda de frações ideais de terreno, objetivando a vinculação de tais frações a unidades autônomas, em edificações a serem construídas ou em construção sob regime condominial, ou que meramente aceite propostas para efetivação de tais transações, coordenando e levando a termo a Incorporação e responsabilizando-se, conforme o caso, pela entrega, a certo prazo, preço e determinadas condições, das obras concluídas; e
b) Incorporação Imobiliária, a atividade exercida com o intuito de promover e realizar a construção, para alienação total ou parcial, de edificações ou conjunto de edificações compostas de unidades autônomas.
Estende-se a condição de incorporador aos proprietários e titulares de direitos aquisitivos que contratem a construção de edifícios que se destinem à constituição em condomínio, sempre que iniciarem as alienações antes da conclusão das obras.
Presume-se a vinculação entre a alienação das frações do terreno e o negócio de construção, se, ao ser contratada a venda, ou promessa de venda ou de cessão das frações de terreno, já houver sido aprovado e estiver em vigor, ou depender de aprovação de autoridade administrativa, o respectivo projeto de construção, respondendo o alienante como incorporador.
3. OPÇÃO PELO REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO
A opção pelo RET obriga o contribuinte a fazer o recolhimento unificado dos tributos e contribuições de cada em preendimento, a partir do mês da opção.
O RET tem caráter opcional e irretratável enquanto perdurarem direitos de crédito ou obrigações do incorporador junto aos adquirentes dos imóveis que compõem a Incorporação.
3.1 - Requisitos
A opção pelo Regime Especial de Tributação será efetivada quando atendidos os seguintes requisitos:
a) afetação do terreno e das acessões objeto da incorporação imobiliária, nos termos dos arts. 31-A a 31-E da Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964;
b) inscrição de cada incorporação afetada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), vinculada ao evento 109 - Inscrição de Incorporação Imobiliária - Patrimônio de Afetação; e
c) apresentação do termo de opção pelo RET na Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) ou à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat) a que estiver jurisdicionada a matriz da pessoa jurídica incorporadora, mesmo quando a Incorporação, objeto de opção pelo RET, estiver localizada fora da jurisdição dessa unidade.
O termo de opção pelo RET deverá estar acompanhado do termo de constituição de patrimônio de afetação da Incorporação, firmado pelo incorporador e, quando for o caso, também pelos titulares de direitos reais de aquisição, e averbado no Cartório de Registro de Imóveis.
3.2 - Modelo do Termo de Opção
Reproduzimos abaixo o termo de opção pelo RET, que está disponibilizado na Internet, no endereço:
www.receita.fazenda.gov.br.
4. FORMA DA TRIBUTAÇÃO
4.1 - Pagamento Unificado Dos Impostos e Contribuições
De acordo com o art. 4º da Lei nº 10.931/2004, alterado pelo art. 4º da MP nº 601/2012, para cada incorporação submetida ao regime especial de tributação, a incorporadora ficará sujeita ao pagamento equivalente a quatro por cento da receita mensal recebida, o qual corresponderá ao pagamento mensal unificado do seguinte imposto e contribuições, a partir de 1º de janeiro de 2013:
a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas - IRPJ;
b) Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP;
c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL; e
d) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS.
Para fins de repartição de receita tributária, o percentual de quatro por cento será considerado: a) 1,71% (um inteiro e setenta e um centésimos por cento) como Cofins
b) 0,37% (trinta e sete centésimos por cento) como Contribuição para o PIS/Pasep; c) 1,26% (um inteiro e vinte e seis centésimos por cento) como IRPJ; e
d) 0,66% (sessenta e seis centésimos por cento) como CSLL.
4.2 - Pagamento Unificado de Tributos Aplicável às Construções no Âmbito do PMCMV
De acordo com o caput do art. 2º da Lei nº 12.024/2009, com a redação dada pelo o art. 27 da Lei nº 12.767/2012 (DOU de 28.12.2012), a partir de 28 de dezembro de 2012 até 31 de dezembro de 2014, a empresa construtora contratada para construir unidades habitacionais de valor de até R$ 100.000,00 (cem mil reais) no âmbito do Programa Minha Casa, Minha Vida - PMCMV, de que trata a Lei no 11.977, de 7 de julho de 2009, fica autorizada, em caráter opcional, a efetuar o pagamento unificado de tributos equivalente a 1% (um por cento) da receita mensal auferida pelo contrato de construção, o qual corresponderá ao pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições:
a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas - IRPJ - 0,31% (trinta e um centésimos por cento);
b) Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP - 0,09% (nove centésimos por cento);
c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL - 0,16% (dezesseis centésimos por cento); e
d) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS - 0,44% (quarenta e quatro centésimos por cento).
O Pagamento Unificado de Tributos Aplicável às Construções no Âmbito do PMCMV somente se aplica às construções iniciadas a partir de 31 de março de 2009.
As demais receitas recebidas pela construtora serão tributadas conforme regime de tributação adotado pela pessoa jurídica.
De acordo com § 7o do art. 4o da Lei no 10.931, de 2 de agosto de 2004, com a redação dada pelo o art. 26 da Lei nº 12.767/2012 (DOU de 28.12.2012), a partir de 28 de dezembro de 2012, consideram-se projetos de incorporação de imóveis de interesse social os destinados à construção de unidades residenciais de valor de até R$ 100.000,00 (cem mil reais) no âmbito do Programa Minha Casa, Minha Vida, de que trata a Lei no 11.977, de 7 de julho de 2009.
4.3 - Conceito de Receita Para Fins do Pagamento Unificado
Considera-se receita mensal o total das receitas recebidas pela incorporadora com a venda de unidades imobiliárias que compõem cada Incorporação, bem assim as receitas financeiras e variações monetárias decorrentes dessa operação.
Do total das receitas recebidas poderão ser deduzidas as vendas canceladas, as devoluções de vendas e os descontos incondicionais concedidos.
As demais receitas recebidas pela incorporadora, relativas às atividades da incorporação submetida ao RET, inclusive às receitas decorrentes da aplicação dos recursos da incorporação submetida ao RET no mercado financeiro, serão tributadas na incorporadora.
4.4 - Escrituração Contábil
O incorporador fica obrigado a manter escrituração contábil segregada para cada Incorporação submetida ao RET, observado o seguinte:
a) a escrituração contábil das operações da Incorporação objeto de opção pelo RET poderá ser efetuada em livros próprios ou nos da incorporadora, sem prejuízo das normas comerciais e fiscais aplicáveis à incorporadora em relação às operações da Incorporação;
b) na hipótese de adoção de livros próprios para cada Incorporação objeto de opção pelo RET, a escrituração contábil das operações da Incorporação poderá ser efetivada mensalmente na contabilidade da incorporadora, mediante registro dos saldos apurados nas contas relativas à Incorporação.
4.5 - Vedação da Compensação Com os Tributos e Contribuições Devidos Pela Incorporadora
Não é permitida, sob qualquer hipótese, a compensação ou a restituição do IRPJ e das contribuições sociais com os devidos pela incorporadora, sendo aqueles considerados definitivos.
4.6 - Apropriação Dos Custos e Despesas
As receitas, custos e despesas, próprios da Incorporação submetida ao RET, não deverão ser computados na apuração da base de cálculo do IRPJ e das contribuições sociais, devidos pela incorporadora em função de suas demais atividades empresariais, inclusive incorporações não afetadas.
Os custos e despesas indiretos pagos no mês serão apropriados a cada incorporação na mesma proporção representada pelos custos diretos próprios da incorporação, em relação ao custo direto total da incorporadora, assim entendido como a soma de todos os custos diretos de todas as incorporações e o de outras atividades exercidas pela incorporadora.
5. PRAZO DE PAGAMENTO
O pagamento unificado dos impostos e contribuições e o Pagamento Unificado de Tributos Aplicável às Construções no Âmbito do PMCMV deverá ser feito até o 20º (vigésimo) dia do mês subsequente àquele em que houver sido auferida a receita. (art. 5º da Lei nº 10.931/2004 com a Redação dada pelo art. 1º da Lei nº 12.024, de 27 de agosto de 2009)
6. CÓDIGOS DE DARF
A incorporadora deverá utilizar no Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), o número específico de inscrição da incorporação objeto de opção pelo RET no CNPJ e o código de arrecadação:
a) 4095, no caso de pagamento unificado na forma do item “4.1”; e b) 1068, no caso de pagamento unificado na forma do item “4.2”.
No caso de a pessoa jurídica estar amparada pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nas hipóteses a que se referem os incisos II, IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), ou
por sentença judicial transitada em julgado, determinando a suspensão do pagamento do IRPJ ou de qualquer das contribuições referidas na Instrução Normativa RFB nº 934/2009, a incorporadora deverá calcular, individualmente, os valores do IRPJ e das contribuições considerados devidos pela incorporação sujeita ao RET (Item 4.1) e pela construção com opção pelo regime de pagamento unificado de tributos aplicável às construções no âmbito do PMCMV (item 4.2), aplicando-se as alíquotas correspondentes, relacionadas nos iitens “4.1” ou “4.2” de acordo com a sua opção, e efetuar o recolhimento em Darf distintos para cada um deles, utilizando-se os seguintes códigos de arrecadação:
a) 4112 - para IRPJ; b) 4153 - para CSLL;
c) 4138 - para a Contribuição para o PIS/Pasep; e d) 4166 - para a Cofins.
Os créditos tributários devidos pela incorporadora em relação a cada empreendimento não poderão ser objeto de parcelamento (art. 14, inc. X da Lei nº 10.522/2002).
7. RESPONSABILIDADE POR OBRIGAÇÕES 7.1 - Tributárias
O terreno e as acessões objeto da incorporação imobiliária sujeita ao RET, bem como os demais bens e direitos a ela vinculados, não responderão por dívidas tributárias da incorporadora relativas ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), à Contribuição para o PIS/Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), exceto as calculadas na forma do item 4.1 e 4.2 sobre as receitas recebidas no âmbito da respectiva incorporação.
O patrimônio da incorporadora responderá pelas dívidas tributárias da incorporação afetada.
Para esse fim, dispõe o art. 10 da Lei nº 10.931/2004 que não se aplica ao patrimônio de afetação de Incorporações Imobiliárias definido pela Lei nº 4.591/1964 o disposto no art. 76 da Medida Provisória nº 2.158-35, assim redigido:
“Art. 76 - As normas que estabeleçam a afetação ou a separação, a qualquer título, de patrimônio de pessoa física ou jurídica não produzem efeitos em relação aos débitos de natureza fiscal, previdenciária ou trabalhista, em especial quanto às garantias e aos privilégios que lhes são atribuídos.
Parágrafo único - Para os fins do disposto no caput, permanecem respondendo pelos débitos ali referidos a totalidade dos bens e das rendas do sujeito passivo, seu espólio ou sua massa falida, inclusive os que tenham sido objeto de separação ou afetação”.
7.2 - Falência ou Insolvência Civil
O art. 31-F da Lei nº 4.591/1964, incluído pelo art. 53 da Lei nº 10.931/2004, estabelece que a decretação de falência ou insolvência civil do incorporador não atingem os patrimônios de afetação constituídos, não integrando a massa concursal o terreno, as acessões e demais bens, direitos creditórios, obrigações e encargos objeto da Incorporação.
Caso não se verifique o pagamento das obrigações tributárias, previdenciárias e trabalhistas, vinculadas ao respectivo patrimônio de afetação, cujos fatos geradores tenham ocorrido até a data da decretação da falência, ou insolvência do incorporador, perde eficácia a deliberação pela continuação da obra a que se refere o § 1º do art. 31-F da Lei nº 4.591/1964, bem assim os efeitos do regime de afetação instituídos pela Lei nº 10.931/2004. Para esse efeito, as obrigações tributárias, previdenciárias e trabalhistas, vinculadas ao respectivo patrimônio de afetação, deverão ser pagas pelos adquirentes em até 1 (um) ano da deliberação pela continuação da obra, ou até a data da concessão do habite-se, se esta ocorrer em prazo inferior.