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Transcrição da Entrevista

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Academic year: 2021

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Transcrição da Entrevista

Entrevistadora: Valéria de Assumpção Silva

Entrevistada: Diretora Érika

Local: Núcleo de Avenida dos Desfiles Data: 11.12.2012

Horário: h

Duração da entrevista: 1h.

Núcleo de Arte da Avenida dos Desfiles, Diretora Érika hoje é dia 11 de Dezembro de 2012. Bom, Érika me fale um pouquinho sobre a sua formação e experiência, tem experiência na Artes tem faculdade de...você fez Artes, Pedagogia? Fala um pouquinho de sua formação e experiência do tempo que você trabalha aqui no núcleo

Bom, minha formação no município é de pedagogia é na verdade eu sou PII. Eu vim para o núcleo de arte em Abril de 2011, eu já estava grávida em Junho de 2011, no dia 14 de Junho eu sai, no dia 15 de Junho tive o filho. A prefeitura concedeu um ano de licença o que é normal. Voltei em 18 de Junho de 2012, então na verdade a minha atuação aqui no núcleo é de 2/3 meses antes da gravidez e após isso período de enjoo, mas durante o período da minha maternidade de aleitamento, eu vinha para o núcleo ajudar em todos os eventos, mostras de dança é o que eu faço, é muito burocrático, como está sendo agora oficialmente depois do 18 de Junho de 2012. Na verdade, eu trabalho aqui mais como função mesmo de coordenadora burocrática, porque eu tenho duas matriculas um horários da manhã eu estou na chefia do núcleo, né? Como todos os coordenadores eles têm essa denominação com chefia I, então eu fico no período da manhã das sete ao meio dia, e do meio dia às quatro e meia eu estou atuando como professora de educação infantil numa escola também dentro do Sambódromo. Bom! Como acontece aqui no núcleo? É de segunda a sexta-feira está acontecendo oficinas, pela segunda de manhã e sexta à tarde não tem oficina, porque sexta à tarde até é o dia da reunião dos professores, então como a escola que eu estou atuando também como professora nesse sambódromo. Eu consigo uma jogada com a direcção para dar aula lá de manhã e depois estou aqui na reunião à tarde uma vez ou outra, quem me cobra o único horário que eu estou dando aula é a minha auxiliar de chefia, que na

COR PRETA - Relatos do Entrevistado

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verdade acaba actuando também como coordenadora também com a parte burocrática, o trabalho do núcleo é um trabalho diferente é um trabalho das escolas porque na verdade eu era coordenadora pedagógica de uma escola de primeiro segmento depois a escola virou uma escola de segmento continuo continuei como coordenadora e depois da escola virou (...) eu passei para directora da Tijuca, e depois de directora da Tijuca eu vim para o núcleo, então quando eu cheguei no núcleo eu cheguei mais com uma carta de coordenação pedagógica do que de burocrata bom, tudo o que eu fazia de burocraticamente dentro de uma escola era diferente daqui, éa maior dificuldade (eu falo que é dificuldade mas é um desafio) é lidar com os artistas porque o próprio professor de arte ele acaba não sendo um professor como os outros, né? ele é um artista! E aí o difícil é quando a situação vai dar de situações “ah você me deixou em função do outro eu preciso de mais atenção” então você tem ficar o tempo todo mediando essas relações de de carência afectiva isso é na verdade fazendo a parte burocrática, e aí realmente os papeis e as situações tudo acaba ficando para a Rita, que é a minha auxiliar e ela fica perdida nessas sextas-feiras quando eu não venho, mas o resto enfim é maravilhoso. A parte artística na minha formação realmente é como pedagoga né?! a gente não tem a licenciatura para trabalhar em arte, a gente não essa... mas a gente aprende na pedagogia Historia de Arte, e essa Historia de Arte que no núcleo de Arte ela é muito bacana, porque dentro do núcleo ela vai numa...num contra fluxo de tudo o que a gente aprendeu, ne? Da historia da arte, só que isso felizmente até agora, Novembro de 2012 é quando a gente recebe noticia que o núcleo vai ser uma reestruturação, a gente não sabe como é que é que ainda vai se dar mas é uma incógnita e a gente fica também no suspense mas realmente trabalhar num núcleo de arte é um diferencial, em termos de tudo, material é apoio pedagógico a gente embarca nas loucuras dos professores até o gasto da verba é diferente porque ....exactamente cada projecto tem uma verba que eu usava a verba na escola sempre no material (...) esquadro, borracha, cadeira, caderninho e a gente comprava uma qualidade meio mediano porque na verdade aquilo ia ser usado de uma forma corriqueira, para o núcleo de arte não, quando eu vou comprar material eu falo “pelo amor de Deus me acompanhe! Porque eu não sei comprar o que vocês querem” então por isso eles valorizam né?! eles têm tudo o que precisam, tudo o que eles pedem dentro do possível a gente consegue

Bom, a especificidade de 2011 começou quando você entrou as orientações tecno-pedagógicas que vêm ao longo dos anos de coordenação dos núcleos né? Eles vêem em alguns manuais para dar suporte a esse trabalho realizado aqui no núcleo, fala um pouquinho você utiliza o material? Acha que o material é completo? O material fala de algumas coisas? Como é que funciona dentro do seu núcleo ?

É, na verdade esse material (...) ele funciona mais como orientação para a chefia organizar as oficinas, organizar o espaço físico né? É um básico de estruturação do núcleo de arte bom, né?! é bacana? É! porque é um documento escrito né?! e muitos professores às vezes por serem artistas querem extrapolar os seus horários diferentes da escola eles querem cada vez mais alunos, eles querem cada vez mais extrapolar porque aqui até aceite às sete horas da noite, quando eu saio à noite “espera aí não

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dá!” o aluno tem escola o aluno tem o seu horário e o aluno não pode ....então existe esse esse diferencial, agora o material que é pela prefeitura né Pela especificidade que é assim maravilhoso são assim as ideias e as partidas para os projectos que vão acontecer né?! esse ano por exemplo foram étodo o trabalho esse ano foram os cenários, na verdade foi assim uma sugestão do trabalho né?! com os núcleos, as escolas, e os clubes escolares poderem ir trabalhando a gente fez ...a gente sempre desenvolve o projecto de acordo com as sugestões né?! faz uma adaptação ali ou outra, mas a gente não podia deixar de falar porque estava dentro de um espaço né?! onde tinha um centenário dentro de outro né?! meio Maia, é o sambódromo não podia deixar de falar, então foi bacana porque a gente fez todo o trabalho né?! em cima (...) Maia em cima desse Coralina e ultras figuras ilustres que no final do ano quando a gente fez, e infelizmente a noticia da (...), a nova reestruturação mas homenageando uma pessoa que colocou a gente aqui né?! então foi bacana e nós tivemos né?! que ter um único tema, mesmo que tivéssemos um leque de trabalho os professore poderiam e fizeram aí (...) né?! a professora de dança por exemplo, é uma querida, ela conseguiu fazer não só o figurino como a musica e os passos junto com a professora de teatro, junto com a professora de artes visuais e junto com a professora de musica, então é bacana né?! então eu acho que éé legal essa sugestão porque no inicio do ano, principalmente o núcleo de arte Avenida dos desfiles, que começa o ano (...) a gente consegue entrar sempre no projecto mesmo pegando (..) pagã, então isso é bacana os trabalhos desenvolvidos nesta comunidade consegue unir, fazer a união (..)

Me fala um pouco sobre a percepção que você tem sobre a comunidade local? Ela tem movimento sobre os projetos desenvolvidos no núcleo? como é que você vê? se a comunidade ela está presente? Se é uma comunidade participativa, né? Colaborativa né? ou não tem dificuldade também das dificuldades que você enfrenta em resgatar esse aluno que às vezes os alunos ficam flutuantes e tal, como é que acontece aqui dentro no núcleo ?

A comunidade eu já conheço de anos porque eu iniciei a minha vida no município dentro do sambódromo, eu era coordenadora na escola dentro do sambódromo, diretora de uma escola e diretora adjunta de outra escola dentro do sambódromo, então até quando eu vim para o núcleo de arte, todo o núcleo de arte já me conhecia porque eu trazia alunos então (..) já conhecia toda a estrutura, né?! e até mesmo de conseguir coisas com a rede (...) a professora do espaço dançava com as comunidades acaba deixando facilitava muito porque eu já era (..) e a comunidade também me conhece eu tenho alunos no núcleo que foram meus alunos que foram coordenados por mim e mães que já me conheciam há muito tempo então existia uma intimidade e isso foi muito legal. Essa comunidade aqui é uma comunidade muito carente. De uns anos para cá, algumas escolas começaram a ter projetos a meio extra classes. O aluno passou a fazer não só o núcleo de arte mas às vezes um horário que ele não estava no núcleo, ele fazia ballet. O problema do núcleo de arte né?! Que a gente tem é um problema de educação para a arte né?! Infelizmente alguns pais ainda insistem e na hora de punir o filho, punir tirando o que ele gosta de fazer né?! Não entendem arte como educação, entendem arte como prazer ou como uma coisa a mais que pode ser tirada. Como

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brincar de boneca depois do almoço ou passear de bicicleta no passeio. Então na verdade a gente trabalha sempre com os pais, “olha, a arte faz parte da educação, né?! O aluno, o seu filho ele não é matemática, nem língua Portuguesa, nem geografia, nem historia. Ele é arte, é vida! Então tudo isso faz parte da educação dele”. Então colocar isso na cabecinha desses pais, ainda é um desafio, mas a gente ainda conseguiu bastante coisa, nós fizemos a nossa culminância do trabalho no dia 6 de Novembro. E agente colocou 60 pessoas aqui dentro em Dezembro, claro que eram os pais outras mães, eram alunos, era vizinha, mas 60 pessoas de uma sexta-feira à tarde né?! É bastante gente, então a gente ficou muito feliz, ganhamos uma premiação na mostra de Dança. Todos os trabalhos são apresentados pelo teatro a gente mostrou, a dança que foi criação na mostra de dança, a gente mostrou todos os trabalhos de Artes Plásticas, a música do FECEM. Então foi muito bacana, eles saíram aqui de alma lavada.

Eles participam dos eventos fora? Os pais acompanham? Estão presentes?

Um das divulgações do núcleo de arte é a apresentação, a ida ao planetário da Gávea. E o que acontece, a gente tem dois ônibus para dois eventos diferentes e 40 alunos em cada ônibus e a gente só tem 3 oficinas por dia. Então a gente tem três professores, uma pessoa ou duas na direção e a gente tem 80 alunos. Então existe uma regra que para 10 alunos a gente precisa de um responsável. Então o que a gente conseguir com os pais é isso, a gente sorteava quais os responsáveis iria porque havia uns 20 ou 30 querendo ir, né?! E agente não podia estar fazendo isso, na medida do possível, a gente levava bastantes pais.

Em relação a linguagem da dança no núcleo. Você acha que a linguagem da dança é “um carro forte” no núcleo ou não? Ela é uma linguagem equilibrada coma as outras linguagens?

A linguagem da dança até pelo documento norteador da prefeitura, o documento técnico-pedagógico ele já coloca a dança com um máximo de 20 alunos por oficina. Então a gente já acaba com um número maior de alunos para poder desenvolver o projeto. Então a gente realmente acaba tendo muitos mais alunos na dança do que na oficina de violão por exemplo com dez alunos, né?! por exemplo a dança e o teatro então fica assim cheio de gente porque todo o mundo quer fazer a dança e às vezes só quer fazer dança, né?! então a dança realmente é muito procurada e temos 3 professoras de Dança. Na verdade seriam duas professoras, e nós temos outra dança que é a dança com bonecos porque foi mais uma situação que a gente tem que administrar, para colocar segunda e quarta para chamar mais alunos e deu certo, normalmente é muito bacana.

Você acredita, você percebe que a dança pode ser um factor de inclusão social para as populações menos favorecidas? No total eu digo não a nível de transformação desse dessa pessoa que chega, corporal, de relacionamento, a nível de autonomia, ou até inserção no mercado de trabalho tem alunos que têm (..) assim de se formar né? Para para inserir no mercado de trabalho, na escola de formação. E passar para uma escola de dança, você acha?

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Eu acho assim, eu percebo que quando a professora começou trabalhando quais os movimentos ela iria trabalhar. A primeira coisa que ela fazia, cada aluno desenvolvia ali diante de todo o mundo uma dança que já conhecia. Então vinha tudo, vinha Funk, vinha dança da igreja, do coral né? Então ela fazia uma junção daquilo tudo para montar a coreografia dela, mas também tinha aquele aluno tímido que não queria mostrar assim mas que podia dançando no meio do grupo sairia né?! Então eu acho que isso é...ela cria um momento de mostra. A pessoa vai ali e ela se mostra. O que eu sou culturalmente, traz a minha cultura, traz a minha bagagem, mas ao mesmo tempo existe um momento de toques. Eles precisam se tocar, eles precisam conhecer o corpo, não só deles como do colega, né?! Então promove uma aprendizagem pela sensação de si mesmo, sobre o outro. Então é um fato né? A Dança faz isso! E existem outras alunas assim que a gente percebe que são bonitas, chamam a sua atenção na rua, né?! E começam a dançar sem mais cedo ainda algumas começam na CRE, e aí é o momento da gente estar percebendo isso e estar chamando essa aluna para um eixo. Um equilíbrio porque elas na verdade elas gostam de chamar a atenção porque isso provoca a sexualidade, né?! (..) na dança isso dava uma autoridade (..) e aí a nossa preocupação (..) você vai fazer isso e isso e isso e aí vai abrir os horizontes para poder mostra que “legal, olha eu chamo atenção mas a dança não é só isso não, você pode ir alem, né?! você não precisa estar chamando atenção daquele rapaz você pode chamar a atenção do mundo de uma forma muito bacana né? Então “você abre um horizonte, um novo horizonte um leque que ela não conhecia. Que eles não conheciam porque quem sabe, né? O mercado de trabalho para os menos favorecidos é…eu já ouvi isso das mães. É ser balconista, né? Trabalhar em mercado, etc…então quando você mostra que existem outros mercados de trabalho a partir do que você pode fazer e mostrar muito o que é a dança, o teatro, a música e tentar dar a possibilidade de olhar a Arte não é só para os mais favorecidos é para você também!

Você teve alguma experiencia de alunos que seguiram à carreira da Dança?

Na verdade, é assim. Apesar de eu trabalhar dentro do sambódromo, mais de 12 e 13 anos, conhecia o núcleo de arte, mas não estava o tempo todo na chefia. A gente não sabe o que as coisas aconteciam efetivamente. E quando tive de licença, foram dois meses no anos passado e quatro, seis meses esse ano eu não tenho nenhum referencial, e a gente tem professoras que saíram, voltaram a professora Felisa está a 3 a 4 anos pelo menos. Então eu não tenho exactamente isso. Agora eu tenho sim ex alunos de artes de teatro, “e aí quer ajuda? Eu estou aqui fazendo pelas artes” e isso já é...né?verdade de dança não tenho.

Me fala um pouquinho da sua relação, você que tem o trabalho organizado assim como coordenadora do núcleo e artes com o órgão central às vezes se sente sozinha ou não? Se sente bem acolhida pela especificidade? O que é que você acha que é solitária ou não é solitária na sua coordenação?

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É, não, não é solitária quer dizer. É agora a gente está vivendo um momento que está sendo de reestrutura tanto do núcleo como da extensividade. Então a gente está vivendo essa fase juntos, porque eles não sabem e eu também não sei, e o que eu sei eles já sabem, mas nunca foi (..) quantas vezes que eu vim aqui, eu estava de aleitamento, e falava com um outro “olha, você já voltou? “ e “eu não, estou aqui” “ah bom, então está bom dá uma força aí para a Filipa ela está precisando” e isso eu via sempre aqui e apontando, vendo alguma coisa se preocupando com a divulgação, né?! Nós fomos chamados pela Denise Palha para fazer uma divulgação dos núcleos de arte, dos clubes escolares, dos PET nas férias. Então sempre houve a preocupação da extensividade a tentar nos ajudar a fazer a divulgação do trabalho porque mais tempo que o núcleo de arte tem e ainda existem pessoas que não conhecem quer dizer a comunidade ainda não conhece, porque é uma comunidade muito flutuante né?! por conta das guerras dos morros eles entram ficam um período e saem e há uma renovação com essa renovação quem está chegando não conhece e quem saiu não teve nem tempo de passar porque saiu correndo, então a gente tem que estar sempre buscando essa comunidade e falando “olha existe esse núcleo de arte aqui” “ah eu não sabia” normalmente são moradores muito novos, então a gente tem que estar realmente buscando essa comunidade para isso. E a Extensividade sabe disso né?! tanto sabe que ela informa que a gente tem que ir nas escolas têm que ir na comunidade porque as pessoas não conhecem, não sabem, já aconteceu porque as mães entraram no site da prefeitura né?! (...) e descobriram que existiam núcleos de artes

Tem de divulgar de todas as formas né?! para encerrar a entrevista. Você quer fazer mais algum comentário.

Referências

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