Evolução do piso inicial da carreira do Magistério Público estadual do RS (nível A1) entre 1986 e 2008 e Lei Federal nº 11.

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Texto

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Evolução do piso inicial da carreira do Magistério Público estadual do

RS (nível A1) entre 1986 e 2008 e Lei Federal nº 11.738/2008

SUMÁRIO

Considerações iniciais ... 2

1) Aplicações na Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE) ... 3

2) Evolução do piso do magistério no período 1986-2007... 5

2.1 – Nível inicial (A1) da carreira do Magistério Público Estadual no

final de cada governo, a partir da vigência do Plano Real... 6

3. O impasse previdenciário... 8

4. Repercussões da Lei 11.738/2008 nas despesas com MDE ... 11

5. Participação dos recursos federais (FUNDEB)... 12

Conclusão ... 13

Tabelas analíticas... 16

Tabela do Valor mensal do nível inicial da carreira do Magistério

estadual do RS (A1) para o período dezembro/1994 – dezembro/2007,

em valores correntes, constantes de 2007(médios) e em salários

mínimos ... 16

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Considerações iniciais

A Lei Federal nº 11.738/2008 instituiu um piso mínimo para os professores

do País, de R$ 975,00 para 40 horas (R$ 475,00 para 20 horas), devendo

ser, a partir de 2010, o valor inicial da carreira, quando será acrescido de

todas as vantagens estabelecidas em lei, tais como os as decorrentes do

próprio plano de carreira, assim como as gratificações por difícil acesso,

unidocência, entre outras.

E o referido piso, como valor inicial da carreira, será aplicado para os

profissionais do magistério da educação básica, em todos os níveis

federados. Esse dispositivo é inconstitucional, porque há uma intervenção

da União nas políticas administrativas dos entes federados sem considerar

as peculiaridades locais e regionais.

Pelo fato de ser corrigido pela inflação mais a variação do PIB defasada

de dois anos, o salário mínimo estará em torno de R$ 510,00, em 2010. Já o

novo piso para 20 horas, se reajustado pelo INPC, deverá estar em R$

530,00. Portanto, estarão muito próximos.

Na realidade, a atualização segundo a Lei 11.738, será com base na Lei

11.494/2007, de acordo com o crescimento do valor anual mínimo por

aluno. Esse crescimento será expressivo em 2008 devido à explosão da

arrecadação, mas no longo prazo deve acompanhar os reajustes do salário

mínimo nas condições vigentes, referidas.

Aparentemente ficará muito fácil pagar uma importância equivalente a um

salário mínimo, quando se sabe que em 1987, há 21 anos, houve uma greve

de 90 dias, cuja reivindicação básica era a manutenção de 2,5 salários

mínimos, que haviam sido concedidos como piso em novembro de 1986.

Atualmente já existe um piso mínimo para pagamento, que foi

estabelecido em 1997, durante o Governo Britto, que hoje está em R$

431,40 para 20 horas ou R$ 862,80 para 40 horas. Sobre esse mínimo não

incidem os multiplicadores do plano de carreira, incidem apenas os triênios.

O valor estabelecido na referida lei federal até 2010 será apenas um

piso, portanto quase sem nenhum reflexo na despesa estadual. A

repercussão passará a existir a partir desse ano, quando ele passa a ser não

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E porque isso ocorre? Porque atualmente, o piso sobre o qual incidem os

multiplicadores do plano de carreira e outras vantagens está nos míseros R$

272,70. Como mais de 80% do Magistério está nos níveis 5 e 6, com

acréscimos de 85% e 100% sobre o valor inicial, esses contingente passará

a receber esses acréscimos sobre o valor inicial de R$ 475,00 (valores de

2008), portanto com um crescimento de 74,2%.

Além disso, a exigência do aumento para 2/3 do número de professores

para as atividades de interação com os alunos, que hoje é de 20%, implicará

num acréscimo de 20% no número de professores, assim calculado:

a) Sendo 100 o número de professores, 20 é o número dos que estão

fora da classe e 80 o dos que estão em aula; A relação total/classe é de

1,25;

b) Com a nova a lei, o número dos que estão fora da classe será de

66,67, passando a relação total/classe para 1,5; isso quer dizer que o

acréscimo em relação aos que estão em sala de aula é de 50%.

c) o incremento então será dado pela relação 1,5/1,25 = 1,2, o que

representa um incremento de 20%.

d) aplicando-se esse percentual ao total de matrículas existentes de

104.600 servidores ativos, ter-se-á um incremento de praticamente 21.000

novos professores; deve ser considerado, ainda, que nesse total de

matrículas há regimes horários diferenciados de 20,30 e 40 horas semanais,

sendo o número calculado apenas um valor aproximado.

1) Aplicações na Manutenção e Desenvolvimento do Ensino (MDE)

A Constituição Federal estabelece uma aplicação mínima de 25% da

receita líquida de impostos e transferências (RLIT) em MDE. O Estado do

RS determinou em sua Constituição o percentual de 35% sobre a mesma

base, no que foi acompanhado por poucos estados, sendo: RJ, MT (35%);

SP e PI (30%). No caso do RJ há uma ADIN que restabelece o percentual

de 25%.

A verdade é que, ao longo dos anos, esse percentual de 35% só foi

cumprido na íntegra no RS entre 1986 e 1990, conforme se observa na

Tabela 1.1. Nos demais períodos, só houve cumprimento em alguns anos

isolados, não por falta de vontade política, como costumam afirmar, mas

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pelo fato de, junto com outras vinculações e mais a rigidez de muitas

despesas não vinculadas, formarem uma inequação orçamentária em que

a despesa atingia 115% da receita corrente líquida (RCL) até 2006. Essa

situação se modificará com o crescimento da arrecadação ocorrido em 2008,

mas só desaparecerá com um crescimento grande e duradouro.

Tabela 1.1

Despesa com manutenção e desenvolvimento do ensino (MDE) Em % da receita líquida de impostos e transferências (RLIT)

EXERCÍ- GOVERNO DESPESA

CIO ANUAL MÉDIA GOVERNO LIQUIDADA

1985 Jair 34,2 1986 Jair 39,0 36,6 1987 Simon 38,7 1988 Simon 39,0 1989 Simon 41,7 1990 Simon 39,2 39,6 1991 Collares 31,0 1992 Collares 37,0 1993 Collares 36,3 1994 Collares 30,1 33,6 1995 Britto 29,1 1996 Britto 33,8 1997 Britto 34,7 1998 Britto 35,6 33,3 1999 Olívio 35,0 2000 Olívio 35,1 33,3 2001 Olívio 33,7 32,0 2002 Olívio 32,6 34,1 33,4 2003 Rigotto 32,7 32,7 2004 Rigotto 32,6 32,6 2005 Rigotto 29,5 29,5 2006 Rigotto 31,2 31,5 31,2 2007 Yeda 30,1 31,5 31,5 Fonte: Balanços Gerais do Estado

A partir de 2003, foi considerada a despesa liquidada, de conformidade com o Parecer 01-2003 do TCE, cujo critério foi retroagido para o ano 2000, conforme Balanço do Estado de 2004, p.70.

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2) Evolução do piso do magistério no período 1986-2007

O valor inicial do Plano de Carreira do Magistério (nível A1), a preços de

junho/2008, passou de uma média anual de R$ 641,80 em 1986 para R$

279,44 em 2007. O valor de hoje (junho/2008) é R$ 272,70, equivalente a

42% do valor médio de 1986 (Tabela 2.1).

Evolução do piso nível inicial (A1) do magistério, 1986 - 2008

EXERCÍCIO EM VALORES EM SALÁRIOS GOVERNO

CONSTANTES (*) MÍNIMOS 1986 641,80 2,00 Jair 1987 479,78 1,88 Simon 1988 368,14 1,37 Simon 1989 449,97 1,81 Simon 1990 394,00 2,14 Simon Valor médio 422,97 1,80 1991 230,76 1,39 Collares 1992 224,85 1,26 Collares 1993 228,91 1,06 Collares 1994 179,92 0,85 Collares Valor médio 216,11 1,14 1995 199,10 0,90 Britto 1996 239,54 1,04 Britto 1997 233,13 0,99 Britto 1998 247,19 1,01 Britto Valor médio 229,74 0,98 1999 239,26 0,96 Olívio 2000 240,90 0,95 Olívio 2001 248,62 0,89 Olívio 2002 262,85 0,90 Olívio Valor médio 247,91 0,93 2003 288,14 0,97 Rigotto 2004 278,13 0,90 Rigotto 2005 271,55 0,83 Rigotto 2006 279,92 0,76 Rigotto Valor médio 279,44 0,86 2007 287,27 0,73 Yeda jun/08 272,70 0,72 Yeda

Fonte: Diários oficiais e Secretaria da Educação.

(*) Pelo IPCA junho/2008. Ver observação importante, a seguir.

Tabela 2.1

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Observação importante:

Na Tabela 2.1 só constam os valores do Plano de Carreira. No decorrer do

período foram concedidas outras vantagens que não integram a referida

Tabela, por não fazerem parte da matriz salarial da carreira, como foram as

seguintes situações:

a) Piso concedido em 1997 (Governo Britto), de R$ 250,00 para 20horas,

R$ 375 para 30 horas e R$ 500,00 para 40 horas, que hoje está em R$

431,40 e R$ 862,80, respectivamente, para 20 e 40 horas semanais;

b) Concessão de parcela autônoma e a consideração do nível 2 como

valor mínimo para efeito de pagamento, no Governo Collares. Para efeito de

cálculo da remuneração de todos os níveis, no entanto, permaneceu o valor

do nível A1, entendido como tal o valor do nível 6 divido por 2. Isso ficou

conhecido com acavalamento dos níveis, que só foi eliminado integralmente

a partir de julho/2003, pela Lei 11.662/2001, que o fez escalonadamente.

2.1 – Nível inicial (A1) da carreira do Magistério Público Estadual no

final de cada governo, a partir da vigência do Plano Real

A Tabela 2.2 traz a evolução do valor inicial da carreira do Magistério

Estadual a partir da vigência do Plano Real no final de cada governo. Ao

contrário do que é costumeiramente afirmado, foi durante o Governo Britto

que a categoria recebeu o maior aumento, tanto nominal como real, embora

a maior remuneração tenha ocorrido nos governos seguintes, que

continuaram concedendo reajustes, embora com incrementos bem menores.

O Governo Britto concedeu ao longo do seu governo 117,2% de reajuste

nominal e 51,4% reais. O Governo Olívio concedeu reajustes de 59,7% e

14,2%, respectivamente. Já, no Governo Rigotto esses reajustes foram

respectivamente de 28,5% e 0,2%.

O Gráfico 2.1 mostra a evolução do valor médio do nível A1 por governo,

em valores constantes de junho/2008, onde se constata o crescimento

contínuo, mesmo que lento, a partir do período 1991-1994, a despeito da

crise das finanças estaduais.

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Tabela 2.2

Valor do nível A1 do Magistério Estadual no final de cada governo, 1994,2006

MÊS/ANO GOVERNO VALOR CRESCIMENTO VALOR CRESCIMENTO

FINAL NOMINAL NOMINAL REAL (*) REAL

dez/94 Collares 59,44 165,56

dez/98 Britto 129,10 117,2% 250,65 51,4% dez/02 Olívio 206,24 59,7% 286,25 14,2% dez/06 Rigotto 265,00 28,5% 286,89 0,2%

Fonte: Tabela Final 1 (Diários Oficiais do Estado) (*) Valor atualizado para junho/2008 pelo IPCA.

Gráfico 2.1 - Nível A1 do Plano de Carreira do Magistério - valor médio por governo Valores atualizados pelo IPCA para junho/2008.

-100,00 200,00 300,00 400,00 500,00 600,00 700,00 Média 641,80 422,97 216,11 229,74 247,91 279,44 1986 1987-90 1991-94 1995-98 1999-02 2003-06

o Gráfico 2.2 mostra o valor médio anual em salários mínimos, e

apresenta um comportamento inverso do apontado no Gráfico 2.1, porque o

salário mínimo, a partir de 1994 (Plano Real para cá) dobrou seu valor real.

Gráfico 2.2 - Nível A1 médio em salários mínimos por governo, 1986-2006 -0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 Média SM 2,00 1,80 1,14 0,98 0,93 0,86 1986 1987-90 1991-94 1995-98 1999-02 2003-06

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3. O impasse previdenciário

O montante de recursos destinado constitucionalmente à educação está

cada vez mais sendo canalizado para a Função Previdência, porque os

gastos com inativos, que são crescentes, entram no computo desse

montante. E se não fossem o Estado não suportaria.

Não são somente os gastos com inativos da educação que crescem, mas

estes têm uma evolução maior que nos demais órgãos, pelo fato de o

professor se aposentar cinco anos antes das demais categorias. E como a

maioria é formada por mulheres, que também se aposentam cinco anos

antes, na prática, essa antecipação passa para dez anos se comparada com

uma pessoa do sexo masculino que não seja professor. Deve ser destacado,

no entanto, que só tem esse benefício o professor com regência de classe.

Corroborando com a afirmação anterior está o fato de no período

1999-2006, em sete anos, a despesa com inativos da educação ter passado de

33% para 39% da despesa total com inativos.

Esse crescimento só não é muito maior, porque os professores têm um

salário abaixo da média estadual. Uma prova disso é que o pessoal da

educação representa 63,4% das matrículas e participa com 36,1% na folha.

Deve ser destacado, no entanto, que as matrículas em causa não são

necessariamente 40 horas semanais como no resto do Estado, mas podem

ser de 20 ou 30 horas semanais (Tabela 3.1).

Tabela 3.1 - Folha de pagamento da Educação do mês dez/2007

ESPECIFICAÇÃO QUANT. % R$ MIL %

ATIVOS 104.643 57,0% 129.373 51,9% INATIVOS 78.872 43,0% 120.035 48,1%

EDUCAÇÃO 183.515 100,0% 249.408 100,0%

TOTAL ESTADO 289.546 690.210

Educação/Estado 63,4% 36,1%

Fonte: Boletim de Pessoal da Secretaria da Fazenda - dezembro/2007.

A Tabela 3.1 mostra também que em termos de quantidade, 43% são

inativos, percentual esse que vai para 48,1% em termos financeiros. Então,

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praticamente a metade dos gastos com servidores da educação é com

inativos, o que significa pagar dois para um trabalhar.

Conforme avaliação atuarial feita em setembro/2003 e sintetizada na

Tabela 3.2, até 2014 estarão em condições de aposentadoria mais da

metade dos servidores do Poder Executivo, percentual esse que superará os

80% em 2022, daqui a 14 anos.

Tendo em vista a alta participação do magistério no total dos servidores,

da precocidade da aposentadoria de seus membros e da evolução referida

para o período 1999-2006, tudo leva crer que há uma predominância da

classe dos professores nas aposentadorias referidas.

Tabela 3.2 -Aposentadorias potenciais do Poder Executivo, 2007-2026

ANOS APOSENTADORIAS ACUMULADO % S/TOTAL

POTENCIAS 2007 39.115 39.115 25,1% 2008-2010 17.312 56.427 36,2% 2011-2014 24.967 81.394 52,3% 2015-2018 25.670 107.064 68,7% 2019-2022 19.614 126.678 81,3% 2023-2026 11.896 138.574 89,0% TOTAL - 155.771 100,0%

Fonte: Finanças Estaduais Verdades e Mitos, do mesmo autor Apud: Avaliação Atuarial do Sistema Previdenciário do Estado do RS - Delphos - setembro/2003.

A Tabela 3.3 mostra a transferência que houve da Função Educação e

Cultura para a Função Previdência num período dilatado superior a 30 anos.

Nesse período, a Função Assistência e Previdência cresceu 453%, enquanto

a Função Educação e Cultura cresceu apenas 39%. Em percentual do PIB,

enquanto a primeira aumentou 2 pontos, a segunda decresceu 0,62 ponto. A

primeira Função passou de 13% para 29,6% do total da despesa. Já a

segunda decresceu de 22,3% para 12,3%.

Com isso, conforme já referido, cada vez mais restam menos recursos

para a aplicação em educação, porque uma quantidade crescente é utilizada

para o pagamento dos servidores inativos.

Diante disso, é urgente uma nova reforma da previdência para resolver

esse problema, reduzindo o benefício de cinco anos para menos, tanto do

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professor como da mulher, como uma exigência dos novos tempos em que a

pessoas vivem mais, porque não haverá orçamento que suporte um

compromisso previdenciário nas condições atuais. Um bom crescimento da

arrecadação pode amenizar e até postergar essa mudança, mas não a

evitará.

Tabela 3.3 - Crescimento das Funções Assistência e Previdência e Educação e Cultura, 1971-74 a 2003-2006

ASSISTÊNCIA E EDUCAÇÃO E

ESPECIFICAÇÃO PREVIDÊNCIA CULTURA

CRESCIMENTO REAL DA DESPESA 453% 39%

EM % DO PIB ESTADUAL 2,00 -0,62

ELASTICIDADE-RENDA 2,75 0,68

PARTICIPAÇÃO NO TOTAL 13,% para 29,6% 22,3% para 12,3%

Fonte: Finanças Estaduais - Verdades e Mitos, Capítulo 12. Nota: Mantida a antiga classificação das funções.

O Gráfico 3.1 ilustra de forma mais clara o que foi exposto e

demonstrado na Tabela 3.3, quanto ao crescimento real das despesas com

as Funções Educação e Cultura e Assistência e Previdência.

Gráfico 3.1 - Crescimento dos gastos com educação e cultura e previdência e e assistência no período 1971-74 a 2003-2006

Fonte: Finanças Públicas Verdades e Mitos, cap.12, Tabela 12.3

574 3.995 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 4000 4500

Educação e Cultura Assistência e Previdência 5,8%

40,2% R$ milhões

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4. Repercussões da Lei 11.738/2008 nas despesas com MDE

Em 2009, as repercussões da Lei em causa nas despesas como MDE, no

caso do RS, são muito pouco significativas, porque o piso (o valor mínimo

que pode ser pago) para 20 horas está em R$ 431,40, portanto bem próximo

do valor por ela estabelecido (R$ 475,00). Além disso, no caso do RS, ainda

incidem os triênios sobre o piso, o que faz com que na maioria das situações

o valor de R$ 475,00 seja superado.

As repercussões passarão a ocorrer a partir de 2010, quando o piso

criado pela lei em causa passará a ser o vencimento inicial da carreira (nível

A1), conforme se verifica na Tabela 4.1.

Considerando a participação dos níveis 5 e 6 como 80% (valor

aproximado), o acréscimo do valor do nível A1 para o novo piso (R$ 272,70

para R$ 475,00) e a participação aproximada da despesa com pessoal no

total da despesa com manutenção e desenvolvimento do ensino, em torno

de 80%, tem-se que o crescimento da despesa com MDE será de 47,5%,

elevando a relação MDE/RLIT para próximo a 45%, superando em muito o

limite constitucional federal (25%) e estadual (35%).

Esta situação, no entanto, está levando em consideração o nível de

arrecadação de 2007, deixando de considerar o extraordinário aumento da

arrecadação ocorrido em 2008, como também os reajustes que decorrerão

da Lei Britto, ainda por conceder.

Tabela 4.1

Repercussões do novo piso na despesa com MDE a partir de 2010

ESPECIFICAÇÃO VALOR

1. Participação dos níveis 5 e 6 80,0%

2. Acréscimo no valor do nível 1 (R$ 475/272,70) 74,2% 3. Participação da folha na despesa MDE 80,0%

4. Repercussão na despesa com MDE (1 x 2 x 3) 47,5%

5. Relação MDE/RLIT EM 2007 30,2%

6. Aumento na relação MDE/RLIT (4 X 5) 14,3%

7. Nova relação MDE/RLIT (5+6) 44,5%

Nota: Situação em 2007. Desconsidera os eventos posteriores, como o aumento da arrecadação e reajustes da Lei Britto.

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Destaco que as repercussões constantes da Tabela 4.1 são

aproximações, porque que diante das inúmeras variáveis envolvidas,

somente uma rolagem da folha completa por meio de computador pode

apurar o efetivo valor.

É claro que com um crescimento prolongado da arrecadação podem ser

proporcionados bons reajustes nos vencimentos do magistério, mas uma

melhora significativa só ocorrerá com mudanças profundas no quadro de

pessoal, na previdência e na otimização dos recursos. Esta última

alternativa já vem sendo feita pela atual administração.

Uma alteração do quadro é de fundamental importância para permitir que

as carreiras iniciais ganhem mais e que os acréscimos da carreira são sejam

tão expressivos. Um quadro de pessoal deve ser uma pirâmide, mas nunca

uma pirâmide invertida, como é o caso do magistério estadual. Deve-se

pagar melhor o professor enquanto está na sala de aula e não quando ele a

deixa ou perto disso.

O fato de a folha do magistério ter alta representatividade na despesa

do Estado impõe uma série de restrições para concessões de vantagens, o

que leva muitos a pensar que se trata de má vontade com a educação. Ora,

ter má vontade com a educação é dar um tiro no próprio pé, porque tudo o

que existe no mundo dela depende, ou como, muito bem disse José

Ingenieros “tudo o que existe no mundo vem das mãos hábeis e da mente

criadora”. E eu acrescentaria que essa duas condições são propiciadas ou

aprimoradas pela boa educação.

5. Participação dos recursos federais (FUNDEB)

O artigo 4º da Lei 11;738/2008 diz que a União complementará no caso de

os recursos vinculados à educação forem insuficientes para a integralização

do valor do piso e sua conseqüente transformação no nível inicial da

carreira. Mas essa integralização será nos termos do inciso VI do caput do

artigo 60, ou seja, por meio dos recursos repassados ao Fundeb.

E os recursos que a União repassará ao Fundeb a partir de 2010

(quando o piso será transformado no nível inicial da carreira) corresponderão

a 10% dos recursos transferidos pelos estados e municípios ao Fundo.

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Os recursos destinados à educação correspondem a 25% da RELIT.

Como a despesa com pessoal é mais ou menos 80% da despesa (pelo

menos, no caso do RS), pode-se dizer que a despesa com pessoal é 20%

da RLIT. Como a parte dos estados e municípios na formação do Fundeb é

20% dessa mesma RLIT, pode-se dizer que a complementação da União dá

no máximo para a concessão de 10% de reajuste na folha de pagamentos,

com variações para mais ou para menos, conforme a situação específica de

cada unidade federada. E isso se forem destinados todos os recursos do

Fundeb para a folha de pagamento, cuja exigência mínima é de 60%.

Conclusão

O número de matrículas dos profissionais da educação, entre ativos e

inativos, está em torno de 185 mil, representando dois em cada três

servidores da administração direta.

O valor do piso estabelecido pela Lei Federal 11.738/2008 é de R$

475,00 para 20 horas semanais, um valor pouco maior que o piso já adotado

pelo Estado, que é de R$ 431,40. Com isso, não haveria nenhuma

dificuldade financeira para sua aplicação.

Dificuldade haverá, no entanto, a partir de 2010, quando ele passar a ser

o básico inicial da carreira, porque mais de 80% dos professores, entre

ativos e inativos, estão nos níveis 5 e 6, com acréscimos salariais em

relação ao valor inicial da carreira que variam de 85% a 100%. E essa

incidência hoje ocorre não sobre o piso de R$ 431,40 citado, mas sobre o

básico inicial, de R$ 272,70.

Além disso, todas as demais vantagens e gratificações passarão a incidir

sobre o novo básico, um valor 75% maior. Isso representará um incremento

de mais de 45% nos gastos com educação, passando a relação MDE/RLIT

para 45%, sem considerar o aumento de 20% no número de professores

também estabelecido na lei.

Deve ser destacado, no entanto, que o cálculo do parágrafo anterior foi

feito com base em dados de 2007, não levando em consideração o grande

aumento de arrecadação que deverá ocorrer em 2008. Por outro lado, não

foram considerados os reajustes decorrentes da Lei Britto, ainda a serem

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concedidos. Se esse crescimento de arrecadação for continuado, com um

taxa em torno de 6%, a situação tenderá a ser modificar sensivelmente.

Mas o maior problema do magistério está no crescimento do número de

inativos da educação, que só entre 1999 e 2006 passou de 33% para 39%

do total estadual. Como a metade da folha é de inativos, isso equivale a

pagar dois para um trabalhar.

Para termos uma idéia da dimensão desse problema basta citar que,

desde o início da década de 1970, os gastos com previdência cresceram

mais de 450% e os com educação apenas 40%. Por isso é que o básico

inicial do magistério é hoje pouco mais de 40% do que era em 1986.

Com isso, uma melhora significativa no salário do professor, como

condição indispensável para uma boa educação, passa por uma série de

medidas que vão desde uma nova reforma da previdência, uma revisão no

quadro de carreira, até um melhor aproveitamento dos recursos humanos

existentes, o que, aliás, já está sendo feito pela atual gestão.

O valor inicial da carreira do magistério estadual chegou a ser 2,5

salários mínimos em novembro e dezembro de 1986, tendo decaído de lá

para cá, para chegar em pouco mais de 0,65 em 2008. É verdade que

depois de da edição do Plano Real (1994) o salário mínimo dobrou de valor.

Considerado em valores, o menor piso ocorreu em 1994 (R$ 59,44 ou

R$ 165,56 em valores constantes de junho//2008), passando a crescer

gradativamente daí em diante, para atingir R$ 272,70 em 2008.

É uma pena que a difícil situação financeira do Estado e as distorções

citadas tenham feito com que apenas um salário mínimo de básico provoque

tanta repercussão. Tudo indica, no entanto, que começamos a sair da crise.

Somente com o fim da crise e com mudanças no quadro de carreira e na

previdência poderemos melhorar a remuneração do magistério, porque os

recursos a serem repassados pela União não passam de 1/5 do incremento

da despesa gerada pela lei em causa, conforme explicitado no item 5.

As promessas de ajuda da União não passam de discurso vazio, porque

estão em desacordo com as disposições legais correspondentes. Por isso,

não devemos nos iludir com elas.

(15)

edição de leis que não mexem nas verdadeiras causas dos problemas. As

leis, mesmo que necessárias ao processo, não têm o condão de criar

recursos.

(16)

Tabelas analíticas

Tabela do Valor mensal do nível inicial da carreira do Magistério

estadual do RS (A1) para o período dezembro/1994 – dezembro/2007,

em valores correntes, constantes de 2007(médios) e em salários

mínimos

(17)

Tabela Final 1

Evolução do valor inicial da carreira do Magistério Estadual do RS (A1) Perído: dezembro/1994 a junho/2008

Valores atualizados pelo IPCA para junho/2008

Mês/ano Nível A1 Nível A1 Salário Número de

V.correntes V.constantes mínimo Sal.mínimos

dez/94 59,44 165,56 70,00 0,85 jan/95 59,44 162,79 70,00 0,85 fev/95 59,44 161,15 70,00 0,85 mar/95 75,91 202,66 70,00 1,08 abr/95 75,91 197,85 70,00 1,08 mai/95 79,70 202,33 100,00 0,80 jun/95 79,70 197,86 100,00 0,80 jul/95 79,70 193,30 100,00 0,80 ago/95 86,60 207,97 100,00 0,87 set/95 86,60 205,93 100,00 0,87 out/95 86,60 203,07 100,00 0,87 nov/95 86,60 200,13 100,00 0,87 dez/95 111,69 254,14 100,00 1,12 Média anual - 199,10 0,90 jan/96 111,69 250,78 100,00 1,12 fev/96 111,69 248,23 100,00 1,12 mar/96 111,69 247,36 100,00 1,12 abr/96 111,69 244,19 100,00 1,12 mai/96 111,69 241,34 112,00 1,00 jun/96 111,69 238,50 112,00 1,00 jul/96 111,69 235,88 112,00 1,00 ago/96 111,69 234,85 112,00 1,00 set/96 111,69 234,50 112,00 1,00 out/96 111,69 233,79 112,00 1,00 nov/96 111,69 233,10 112,00 1,00 dez/96 111,69 231,96 112,00 1,00 Média anual - 239,54 1,04 jan/97 111,69 229,18 112,00 1,00 fev/97 111,69 228,11 112,00 1,00 mar/97 111,69 226,97 112,00 1,00 abr/97 111,69 224,97 112,00 1,00 mai/97 111,69 224,05 120,00 0,93 jun/97 111,69 222,85 120,00 0,93 jul/97 111,69 222,36 120,00 0,93 ago/97 122,86 244,65 120,00 1,02 set/97 122,86 244,50 120,00 1,02 out/97 122,86 243,94 120,00 1,02 nov/97 122,86 243,53 120,00 1,02 dez/97 122,86 242,49 120,00 1,02 Média anual 233,13 0,99

(18)

Mês/ano Nível A1 Nível A1 Salário Número de

V.correntes Preços 2007 mínimo Sal.mínimos

jan/98 122,86 240,78 120,00 1,02 fev/98 122,86 239,67 120,00 1,02 mar/98 125,93 244,83 120,00 1,05 abr/98 125,93 244,25 120,00 1,05 mai/98 125,93 243,03 130,00 0,97 jun/98 129,10 249,10 130,00 0,99 jul/98 129,10 249,40 130,00 0,99 ago/98 129,10 250,68 130,00 0,99 set/98 129,10 251,23 130,00 0,99 out/98 129,10 251,18 130,00 0,99 nov/98 129,10 251,48 130,00 0,99 dez/98 129,10 250,65 130,00 0,99 Média anual - 247,19 1,01 jan/99 129,10 248,91 130,00 0,99 fev/99 129,10 246,32 130,00 0,99 mar/99 129,10 243,64 130,00 0,99 abr/99 129,10 242,29 130,00 0,99 mai/99 129,10 241,56 136,00 0,95 jun/99 129,10 241,10 136,00 0,95 jul/99 129,10 238,51 136,00 0,95 ago/99 129,10 237,18 136,00 0,95 set/99 129,10 236,44 136,00 0,95 out/99 129,10 233,66 136,00 0,95 nov/99 129,10 231,46 136,00 0,95 dez/99 129,10 230,08 136,00 0,95 Média anual - 239,26 0,96 jan/00 129,10 228,67 136,00 0,95 fev/00 129,10 228,37 136,00 0,95 mar/00 137,49 242,68 136,00 1,01 abr/00 137,49 241,66 151,00 0,91 mai/00 137,49 241,64 151,00 0,91 jun/00 137,49 241,08 151,00 0,91 jul/00 142,91 246,62 151,00 0,95 ago/00 142,91 243,43 151,00 0,95 set/00 142,91 242,87 151,00 0,95 out/00 142,91 242,54 151,00 0,95 nov/00 142,91 241,76 151,00 0,95 dez/00 148,34 249,46 151,00 0,98 Média anual - 240,90 0,95

(19)

Mês/ano Nível A1 Nível A1 Salário Número de

V.correntes Preços 2007 mínimo Sal.mínimos

jan/01 148,34 248,05 151,00 0,98 fev/01 148,34 246,92 151,00 0,98 mar/01 148,34 245,98 151,00 0,98 abr/01 148,34 244,57 180,00 0,82 mai/01 148,34 243,57 180,00 0,82 jun/01 148,34 242,31 180,00 0,82 jul/01 149,79 241,46 180,00 0,83 ago/01 158,77 254,17 180,00 0,88 set/01 158,77 253,46 180,00 0,88 out/01 158,77 251,37 180,00 0,88 nov/01 158,77 249,60 180,00 0,88 dez/01 167,77 262,05 180,00 0,93 Média anual - 248,62 0,89 jan/02 167,77 260,69 180,00 0,93 fev/02 167,77 259,75 180,00 0,93 mar/02 167,77 258,20 180,00 0,93 abr/02 167,77 256,16 200,00 0,84 mai/02 167,77 255,62 200,00 0,84 jun/02 167,77 254,55 200,00 0,84 jul/02 167,77 251,56 200,00 0,84 ago/02 183,28 273,03 200,00 0,92 set/02 183,28 271,08 200,00 0,92 out/02 183,28 267,57 200,00 0,92 nov/02 183,28 259,73 200,00 0,92 dez/02 206,24 286,25 200,00 1,03 Média anual - 262,85 0,90 jan/03 209,82 284,82 200,00 1,05 fev/03 209,82 280,41 200,00 1,05 mar/03 217,73 287,45 200,00 1,09 abr/03 217,73 284,69 240,00 0,91 mai/03 217,73 282,96 240,00 0,91 jun/03 217,73 283,39 240,00 0,91 jul/03 227,64 295,69 240,00 0,95 ago/03 227,64 294,69 240,00 0,95 set/03 227,64 292,41 240,00 0,95 out/03 227,64 291,56 240,00 0,95 nov/03 227,64 290,58 240,00 0,95 dez/03 227,64 289,07 240,00 0,95 Média anual - 288,14 0,97

(20)

Mês/ano Nível A1 Nível A1 Salário Número de

V.correntes Preços 2007 mínimo Sal.mínimos

jan/04 227,64 286,89 240,00 0,95 fev/04 227,64 285,15 240,00 0,95 mar/04 227,64 283,82 240,00 0,95 abr/04 227,64 282,77 240,00 0,95 mai/04 227,64 281,34 260,00 0,88 jun/04 227,64 279,36 260,00 0,88 jul/04 227,64 276,84 260,00 0,88 ago/04 227,64 274,94 260,00 0,88 set/04 227,64 274,04 260,00 0,88 out/04 227,64 272,84 260,00 0,88 nov/04 227,64 270,97 260,00 0,88 dez/04 227,64 268,66 260,00 0,88 Média anual 278,13 0,90 jan/05 227,64 267,11 260,00 0,88 fev/05 227,64 265,54 260,00 0,88 mar/05 236,80 274,55 260,00 0,91 abr/05 236,80 272,18 260,00 0,91 mai/05 236,80 270,86 300,00 0,79 jun/05 236,80 270,91 300,00 0,79 jul/05 236,80 270,24 300,00 0,79 ago/05 236,80 269,78 300,00 0,79 set/05 243,90 276,90 300,00 0,81 out/05 243,90 274,83 300,00 0,81 nov/05 243,90 273,33 300,00 0,81 dez/05 243,90 272,35 300,00 0,81 Média anual - 271,55 0,83 jan/06 243,90 270,75 300,00 0,81 fev/06 243,90 269,65 300,00 0,81 mar/06 251,20 276,53 300,00 0,84 abr/06 251,20 275,95 350,00 0,72 mai/06 256,20 281,16 350,00 0,73 jun/06 256,20 281,75 350,00 0,73 jul/06 256,20 281,22 350,00 0,73 ago/06 256,20 281,08 350,00 0,73 set/06 258,80 283,34 350,00 0,74 out/06 261,90 285,79 350,00 0,75 nov/06 261,90 284,90 350,00 0,75 dez/06 265,00 286,89 350,00 0,76 Média anual - 279,92 0,76

(21)

Mês/ano Nível A1 Nível A1 Salário Número de

V.correntes Preços 2007 mínimo Sal.mínimos

jan/07 265,00 285,64 350,00 0,76 fev/07 265,00 284,39 350,00 0,76 mar/07 272,70 291,58 350,00 0,78 abr/07 272,70 290,85 380,00 0,72 mai/07 272,70 290,04 380,00 0,72 jun/07 272,70 289,23 380,00 0,72 jul/07 272,70 288,53 380,00 0,72 ago/07 272,70 287,18 380,00 0,72 set/07 272,70 286,67 380,00 0,72 out/07 272,70 285,81 380,00 0,72 nov/07 272,70 284,73 380,00 0,72 dez/07 272,70 282,64 380,00 0,72 Média anual - 287,27 0,73

Fonte: Diários Oficiais do Estado do RS.

OBSERVAÇÃO:

O autor possui esses dados desde janeiro/1986, quando o nível A1 do magistério estadual atingia o incrível valor nominal de Cr$ 1.200.000,00 que, em valores constantes de junho/2008 ( IPCA), corresponde a R$ 670,95. Correspondia a dois salários mínimos da época.

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Referências

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