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COMPOSTAGEM DE RESÍDUOS: AÇÃO COMPLEMENTAR
À COLETA SELETIVA SOLIDÁRIA UFSM
COMPOSTING: ADDITIONAL ACTION TO SOLIDARY
SELECTIVE COLLECTION IN UFSM
COMPOSTAJE DE RESÍDUOS: ACCIÓN COMPLEMENTAR
A LA RECOLECCIÓN SELECTIVA SOLIDARIA UFSM
Andreli L. Piccoli 1
Ana E. Souza 2
Marta R. L. Tocchetto 3
Resumo: A compostagem foi implantada na UFSM para complementar a Coleta Seletiva Solidária que iniciou em 2016. A ação visou destinar corretamente os resíduos orgânicos gerados na Instituição, atendendo a Política Nacional de Resíduos Sólidos. O presente artigo tem como objetivo relatar o processo de compostagem implantado no Campus Sede. Estima-se que no período de realização deste estudo, eram coletados 90 a 120 kg/dia nos quatorze pontos estabelecidos. A unidade de compostagem se localiza no Colégio Politécnico. O tempo de permanência do material é três meses. O composto resultante destina-se ao setor de Fruticultura da própria instituição.
Palavras-chave: Política Nacional de Resíduos Sólidos. Composto orgânico. Coleta seletiva. Resíduo sólido. Abstract: Composting was implemented at UFSM to complement the Solidary Selective Collection that started in 2016. The action aimed to correctly allocate the organic residues generated in the Institution, in compliance with the National Solid Waste Policy. The objective of this article is to report the composting process implemented at the Campus Headquarters. It is estimated that during the period of this study, 90 to 120 kg / day were collected at the fourteen established points. The composting unit is located in the Polytechnic School. The residence time of the material is three months.
Keywords: National Solid Waste Policy. Organic compost. Selective collection. Solid waste.
Resumen: El compostaje fue implantado en la UFSM para complementar la recolección selectiva solidária que se inició en 2016. La acción buscó destinar correctamente los resíduos orgânicos generados en la institución, atendiendo a la Política Nacional de Resíduos Sólidos. El presente artículo tiene como objetivo relatar el proceso de compostaje implantando en la sede del Campus. Se estima que en el periodo de realización de este estudio, eran recolectados 90 a 120 kg por día en los 14 puntos establecidos. La unidad de compostaje se ubica en el colegio Politécnico. El tiempo de permanencia del material es de 3 meses. El compuesto resultante se destina al sector de fruticultura de la propia institución.
Palabras-clave: Política Nacional de Resíduos Sólidos. Compuesto orgánico. Recolección selectiva. Resíduo sólido.
Envio 28/08/2018 Revisão 30/08/2018 Aceite 15/10/2018
1 Graduanda em Engenharia Ambiental. Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: [email protected] 2 Graduanda em Engenharia Ambiental. Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: [email protected] 3 Doutora. Universidade Federal de Santa Maria. E-mail: [email protected]
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Introdução
Os resíduos orgânicos destinados à compostagem são: cascas de frutas, talos de verduras, legumes diversos, pó de café, erva mate, chá e outras sobras de alimentos. Não são recomendados: alimentos gordurosos e temperados, derivados de leite e carnes (UFSM, 2017). A implantação da Coleta Seletiva Solidária UFSM ocorreu em 2016. Inicialmente, os resíduos orgânicos eram destinados juntamente com os rejeitos. A conclusão da unidade de compostagem do Colégio Politécnico em dezembro de 2016, possibilitou a implantação do gerenciamento dos resíduos orgânicos.
A compostagem é uma alternativa ambientalmente viável e recomendada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12305/2010) (BRASIL, 2010). Na UFSM é uma ação complementar à Coleta Seletiva Solidária. Optou-se por uma questão de logística, a realização de coletas diárias em quatorze pontos escolhidos, todos localizados no Campus Sede. O critério principal para a escolha dos pontos foi a realização de processamento de alimentos nas unidades. Foram escolhidas as lancherias e a Unidade de Educação Infantil Ipê Amarelo. Os Restaurantes Universitários (RUs) não foram incluídos por possuírem gerenciamento próprio.
No início do processo foram distribuídos aos participantes, baldes plásticos com capacidade para 20 L para que o resíduo gerado fosse acondicionado. Diariamente, entre 15 h e 16 h, após o horário de almoço, as coletas era, realizadas. Os baldes cheios eram trocados por vazios. Estima-se que no período de realização do presente trabalho (dezembro de 2016 a junho de 2017), estavam sendo coletados 90 a 120 kg/dia de resíduos orgânicos. A limpeza dos baldes contou com colaboração do setor de lavagem de veículos da UFSM.
A coleta era realizada por duas bolsistas da Comissão de Planejamento Ambiental (COMPLANA) com apoio do Setor de Transportes e dois funcionários de serviços gerais que auxiliam também no espalhamento dos resíduos na unidade de compostagem.
A capacidade da unidade é 500 L/dia de resíduo. Três meses foi o tempo estipulado para a permanência do material. O composto final era enviado para o setor de Fruticultura, a fim de melhorar a fertilidade do solo. O contexto apresentado reitera o objetivo estabelecido para o presente artigo: relatar o processo de compostagem implantado na UFSM.
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O gerenciamento de Resíduos Sólidos sob a Ótica da Legislação
A Lei nº 12.305 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) contém instrumentos importantes que permitem o avanço necessário para o enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos, decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos (BRASIL, 2010). A PNRS prevê a não geração (prevenção) e a redução, tendo como proposta, a prática de hábitos de consumo sustentável e um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado) e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado) (OLIVEIRA et al., 2013).
É de extrema importância salientar que a Lei nº 12.305 prevê que a responsabilidade pelo destino dos resíduos deve ser compartilhada entre todos os que participam de alguma forma do ciclo de vida dos produtos, desde os fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e os responsáveis pelos serviços públicos de limpeza urbana. Desta forma, todos são responsáveis pelo descarte correto dos resíduos e pela conservação do meio ambiente. Destaca-se na lei, o incentivo à integração dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis nas ações que envolvam a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos (BRASIL, 2010). Para que a integração ocorra é fundamental a separação dos resíduos na origem, ou seja, no momento da geração e a consequente, implantação da coleta seletiva para propiciar que os resíduos recicláveis retornem ao ciclo produtivo. A inserção dos catadores é de suma importância, pois proporciona o encaminhamento à reciclagem, em especial considerando o pequeno gerador.
As instituições de ensino superior e demais entidades e órgãos da administração pública federal direta ou indireta, estão submetidos também ao Decreto Federal no 5.940 que
determina a implantação da coleta seletiva solidária, definindo assim que a destinação dos resíduos recicláveis deve ser direcionada às associações e às cooperativas dos catadores de materiais recicláveis habilitadas em processo público (BRASIL, 2006). A coleta seletiva solidária vai além da separação dos resíduos, representa sobretudo, a valorização das associações, cooperativas e dos catadores. A atividade desenvolvida por estes profissionais ainda é vista pela sociedade como uma ocupação marginal, apesar das legislações buscarem o
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fortalecimento da atividade e das pessoas que a executam. É possível afirmar que a implantação da coleta seletiva solidária, por parte das instituições representa mais do que o cumprimento legal, demonstra responsabilidade socioambiental.
Coleta Seletiva
É a coleta diferenciada de resíduos previamente separados, segundo a sua constituição ou composição, ou seja, resíduos com características similares selecionados pelo gerador (que pode ser o cidadão, uma empresa ou uma instituição) e disponibilizados para a coleta separadamente (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2017).
A Resolução n° 275 estabelece o código de cores para os diferentes tipos de resíduos, a ser adotado em todas as etapas de gerenciamento, da identificação de coletores aos transportadores, bem como nas campanhas informativas para a coleta seletiva (CONAMA, 2001). O padrão de cores referido para a separação é: azul: papel/papelão; vermelho: plástico; verde: vidro; amarelo: metal; preto: madeira; laranja: resíduos perigosos; branco: resíduos ambulatoriais e de serviços de saúde; roxo: resíduos radioativos; marrom: resíduos orgânicos; cinza: resíduo geral não reciclável ou misturado, ou contaminado não passível de separação.
A prática tem mostrado que a grande variação de cores e por conseguinte, a quantidade de coletores com as respectivas colorações traz inúmeras dificuldades para que a separação seja eficiente. O descarte torna-se difícil porque muitos materiais são compostos por vários, em especial as embalagens. Esta complexidade em geral, leva ao comprometimento do processo de separação. Diante deste contexto e considerando a flexibilização proporcionada pela PNRS, a separação pode ocorrer no mínimo em três categorias: rejeitos, resíduos recicláveis e resíduos orgânicos (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2017). Facilitar a separação reduz a resistência do gerador em incorporar ao seu cotidiano, os procedimentos essenciais para a coleta seletiva. Por outro lado, o uso de padrão de cores auxilia o gerador na identificação dos diferentes coletores e ao resíduo a que se destina, garantindo assim, a separação correta.
A coleta seletiva é uma ação sustentável que abrange aspectos econômico, social e ambiental. Além de reduzir o impacto provocado pelos resíduos, gera trabalho e renda para os catadores, associações e cooperativas. É uma importante ferramenta de gestão ambiental para prevenção e/ou mitigação de impactos ambientais negativos do consumo, pois reduz a
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extração de matérias primas, em especial as não renováveis; além de diminuir a disposição em aterros sanitários, evitando que novas áreas sejam comprometidas devido ao esgotamento.
A implantação da coleta seletiva exige o desenvolvimento de ações de educação ambiental com objetivo de sensibilizar a comunidade para a importância da separação de resíduos, bem como para a responsabilidade de cada um neste processo. O engajamento revela agentes transformadores e atuantes capazes de catalisar novas ações e adesões. Para tanto, é essencial que a comunidade cada vez mais, se aproprie do processo, afim de destinar corretamente os resíduos que gera, melhorando a qualidade dos locais em que vive e/ou trabalha, ao mesmo tempo que contribui para a conservação do meio ambiente (SILVA, 2016).
Gestão de Resíduos nas Universidades
O contexto apresentado reforça a responsabilidade de todos, em especial das instituições de ensino em agir dentro dos princípios da sustentabilidade. Sustentabilidade é reconhecer que as coisas da vida e do planeta estão todas interligadas, define Alessandro Carlucci, Diretor presidente da Natura. Ele ainda prossegue, qualquer ato nosso gera impacto em alguém, positivo ou negativo; normalmente os dois. Nada é só positivo ou só negativo. Assim, cabe-nos gerenciar nossas ações da forma mais integral e sistêmica possível (VOLTOLINI, 2014).
A implantação da coleta seletiva solidária está no percurso da sustentabilidade e se configura em demonstração de responsabilidade socioambiental, em especial considerando uma instituição de ensino. Responsabilidade socioambiental é uma forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a diminuição das desigualdades sociais (ETHOS, 2006).
A formação profissional contempla não apenas a dimensão técnica, mas também, aspectos sociais e ambientais, dentre outros. Surge a necessidade de práticas socioambientais capazes de dialogar com as novas demandas advindas da globalização e somadas às necessidades dos sujeitos e à preocupação com o meio ambiente, dentro de um novo contexto
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social, com cidadãos mais críticos, preocupados e exigentes (SILVA, 2016). Sendo assim, as universidades podem contribuir para a formação de cidadãos melhores preocupados com o coletivo em vez, de apenas consigo mesmo.
A formação acadêmica deve dar-se na sustentabilidade e não para a sustentabilidade, como se esta fosse uma meta futura a ser alcançada. A sustentabilidade deve estar inserida nas práticas cotidianas das instituições como um objetivo do presente.
A destinação correta de rejeitos e resíduos, o encaminhamento à reciclagem, a valorização dos selecionadores e das Associações são práticas que vão ao encontro de um ambiente favorável para práticas sustentáveis, onde prevalece um novo sentido ao do ditado popular: “Faça o que eu digo e faça o que eu faço”.
Compostagem de resíduos orgânicos
A compostagem é geralmente aplicada aos resíduos sólidos oriundos de diversas fontes como, urbanos, agroindustriais e agropecuários. O processo é puramente microbiológico. A eficiência do processo depende da ação e da interação de microrganismos, os quais são dependentes da ocorrência de condições ideais relacionadas a temperatura, a umidade, a aeração, ao pH, a composição química dos compostos orgânicos participantes, a relação carbono/nitrogênio (C/N), a granulometria do material e as dimensões das leiras (BIDONE, 2001). KIEHL (2004) admite que a compostagem é um processo controlado de decomposição microbiana, de oxidação e de oxigenação de uma massa heterogênea de matéria orgânica no estado sólido e úmido.
O processo compreende três fases. A fase inicial mesofílica caracteriza-se por ser rápida, na qual as células microbianas encontram-se em estado de latência, porém com intensa atividade metabólica e sintética (CORRÊA, 2003). A fase posterior caracteriza-se pela bioestabilização. Finalmente a terceira fase, na qual ocorre a humificação ou maturação, acompanhada da mineralização de determinados componentes da matéria orgânica, como nitrogênio, fósforo, cálcio e magnésio, que passam da forma orgânica para a inorgânica, ficando disponíveis às plantas (KIEHL, 1985). O húmus, ou matéria orgânica do solo (MOS), devido ao seu papel vital na manutenção da qualidade do solo, é fator chave nas modernas práticas de manejo sustentado da terra (BUDZIAK et al., 2004).
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Metodologia
O presente trabalho caracteriza-se por um estudo de caso que, segundo Gil (2010), é uma modalidade de pesquisa utilizada em muitas áreas, onde é realizado um estudo profundo de um ou poucos objetos, de modo a permitir um amplo e detalhado conhecimento. De acordo com VERGARA (2006), analisar dados de uma pesquisa é um processo que tem como objetivo verificar o que está sendo falado sobre certo assunto.
O Campus Sede da Universidade Federal de Santa Maria, onde foi realizado este estudo se localiza na região central do estado de Rio Grande do Sul, bairro Camobi (Santa Maria). Em 2016, a UFSM implantou a Coleta Seletiva Solidária em atendimento ao Decreto Federal 5940 (BRASIL, 2006). A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12305) reforça a exigência do gerenciamento correto e a minimização como estratégia para reduzir o envio de resíduos aos aterros (BRASIL, 2010). A compostagem é uma estratégia que vem ao encontro destes objetivos.
A compostagem foi implantada como uma ação complementar à coleta seletiva da UFSM. Este contexto corroborou para a realização o presente estudo qualitativo que relata a implantação e o processo de gerenciamento dos resíduos orgânicos, conforme a observação e a vivência diárias da equipe responsável pela sua execução, no período de dezembro de 2016 a junho de 2017.
Os resultados debatidos na sessão seguinte buscam alavancar ações mais eficientes e que qualifiquem o processo de coleta seletiva na UFSM, dando ênfase a uma melhor segregação e a minimização dos resíduos destinados ao aterro da cidade.
Resultados e Discussão
A Coleta Seletiva Solidária UFSM começou a ser construída no Campus Sede a partir da montagem do edital para habilitação das Associações. Esta etapa iniciou em janeiro de 2016 e foi concluída com a publicação da Chamada Pública 002/2016, em 06 de abril de 2016. Da publicação ao processo de habilitação transcorreram trinta dias, ou seja, 06 de maio de 2016.
A assinatura do termo de acordo entre as Associações habilitadas e o Reitor da Instituição ocorreu no dia 30 de maio de 2016. A coleta seletiva efetivamente foi iniciada no
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dia 06 de junho de 2016, coincidentemente na semana em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. O processo de habilitação foi previsto para ter validade de dois anos. Os procedimentos mencionados atendem o Decreto Federal 5940 (BRASIL, 2006). Toda a documentação e os materiais da Coleta Seletiva Solidária UFSM encontram-se no website www.ufsm.br/coletaseletiva (UFSM, 2017).
A construção do processo, as proposições e a execução da Coleta Seletiva Solidária UFSM, bem como das ações complementares foram coordenadas pelas Comissões de Planejamento Ambiental (COMPLANA) que acumulou também as atribuições da Coleta Seletiva Solidária.
A separação na UFSM foi organizada considerando três tipos de resíduos e três cores diferentes para identifica-los (Figura 1):
a) resíduos recicláveis (verde) – coletados pelas Associações Habilitadas, destinados à coleta seletiva e posteriormente, à reciclagem;
b) resíduos orgânicos (marrom) – coletados pela Coleta Municipal até que ser viabilizado o encaminhamento à compostagem;
c) rejeitos (cinza ou preto) – coletados pela Coleta Municipal para disposição em aterro sanitário.
Figura 1. Separação de resíduos adotada na Coleta Seletiva Solidária UFSM
Fonte: UFSM, 2017
Os termos para designar os resíduos bem como, os tipos para a separação basearam-se na PNRS. Os conjuntos de coletores instalados na UFSM com o padrão de cores estabelecido
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pela Resolução CONAMA 275/2001 revelaram uma grande mistura, ou seja, a separação realizada mostrou-se ineficiente. Esta dificuldade é criada pelo desconhecimento do gerador na identificação do local correto para o descarte. Dificuldades podem aumentar as resistências ao processo comprometendo o mesmo. A segregação em apenas três tipos então, visou tornar o processo menos complexo para o gerador e eficiente em termos de separação.
A identificação dos coletores internos e contêineres externos, bem como salas e demais áreas foi complementada com cartazes e faixas adesivas, cujo objetivo foi melhorar ainda mais a visualização do local correto para o descarte, evitando assim, tanto quanto possível, a mistura que, muitas vezes, pode inviabilizar o encaminhamento dos materiais à reciclagem.
Como mencionado, os resíduos orgânicos, inicialmente, foram encaminhados como rejeitos ao aterro municipal, até porque não houve aquisição de contêineres marrons. Observou-se que a presença de resíduos orgânicos gerava inúmeros problemas nos contêineres e no entorno dos mesmos, principalmente, mau cheiro; presença de ratos, baratas e outros vetores; vazamento de líquidos; quebra de rodis dos conteinêres; dentre outros. Durante os dias quentes, estes fatores eram agravados.
Em dezembro de 2016 foi inaugurada a unidade de compostagem no Colégio Politécnico (UFSM). A partir desta data, os resíduos orgânicos gerados pelas lancherias e pela Unidade de Educação Infantil Ipê Amarelo (campus sede) passaram a ser segregados e encaminhados à compostagem.
Os dois Restaurantes Universitários (RU I e RU II) não foram incluídos por possuírem gerenciamento próprio e licitação em vigor para a comercialização da sobra de processamento e de alimentação. A Casa do Estudante (CEU II) também não foi incluída, pois neste local a coleta seletiva iniciou em fevereiro de 2017. Além disso, verificou-se grandes resistências por parte dos estudantes, à separação e à destinação aos contêineres específicos. Esta situação demandou à Comissão, intensificação das ações para sensibilização dos moradores. Futuramente, espera-se e é desejável a incorporação dos RUs e CEU II, considerando que estes locais são os maiores geradores de resíduos orgânicos da Instituição.
Diariamente, de segunda a sexta feira, a coleta nos quatorze pontos escolhidos passou a ser realizada em regime de revezamento, pelas bolsistas e pelos auxiliares de serviços de
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gerais cedidos para o trabalho. O setor de transporte da UFSM destacou uma camionete e um motorista para a coleta. A rota e a localização dos pontos escolhidos estão ilustrados na Figura 2.
Figura 2. Rota e Localização dos pontos de coleta de resíduos orgânicos na UFSM
Fonte: UFSM, 2017
Os resíduos orgânicos gerados nos demais pontos continuaram sendo destinados à coleta municipal como rejeitos. A equipe orientou os geradores quanto a separação adequada. Os resíduos recomendados à compostagem foram: cascas de vegetais e ovos, folhas, sobras de frutas, pó de café, erva mate, resto de poda, principalmente. Recomendou-se não misturar resíduos de carne, derivados de leite, cascas e frutas ácidas, comidas temperadas, gorduras, sangue, pois podem comprometer o processo, além de entrarem em decomposição produzindo mau cheiro.
Foram distribuídos aos participantes, conjuntos de baldes plásticos para o acondicionamento dos resíduos gerados. A cada coleta, os baldes cheios eram recolhidos e substituídos por vazios. O material recolhido era destinado à unidade de compostagem onde era procedido o espalhamento do mesmo no local indicado e posterior, cobertura com folhas secas, serragem ou outro material disponível.
A lavagem dos baldes usados foi designada ao setor de transportes, pois neste local realiza-se a limpeza dos veículos da Instituição, havendo, portanto, estrutura e pessoal para a
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realização do serviço. Esta medida foi adotada, tendo em vista a inexistência de área de lavagem na unidade de compostagem.
A Figura 3 ilustra o conjunto de baldes usados no recolhimento dos resíduos orgânicos nos quatorze pontos estabelecidos.
Figura 3. Baldes para o acondicionamento dos resíduos orgânicos
Fonte: Autores
Neste período, também passaram a ser recolhidos pela equipe, os resíduos de limpeza de calhas e telhados, compostos principalmente por folhas secas ou em decomposição. O composto resultante da compostagem, após em torno de três meses, era encaminhado para uso do setor de fruticultura da própria UFSM.
A unidade de compostagem não dispunha de balança porém, pelo número de baldes recolhidos estima-se que diariamente, no período em questão, a coleta evitou que fossem enviados aos contêineres de rejeitos, cerca de 90 a 120 kg de sobras de alimento. Semanalmente, esta quantidade representou cerca 500 kg, que deixou de ser disposta no aterro da cidade.
Após a implantação da compostagem, se verificou que a condição nos contêineres de rejeitos (pretos ou cinzas) que era bastante desfavorável, melhorou muito. Foi possível inclusive, reduzir a frequência de operações de lavagem dos mesmos. As avarias que ocorriam
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durante o basculamento, principalmente quebra, também diminuíram, pois os contêineres ficavam muito pesados devido a presença de materiais com alto teor de umidade.
Dentre as dificuldades observadas para a execução e expansão da compostagem na UFSM citam-se: a) implantação parcial da usina, pois faltam equipamentos básicos, como balança e estrutura para limpeza e lavagem do material usado; b) a inexistência de um setor específico voltado à gestão ambiental na UFSM, pois a infraestrutura administrativa, física e de pessoal disponível, no período em que se realizou o presente trabalho, era de caráter estritamente, informal e eventual. É essencial que ações de sustentabilidade façam parte das estratégias administrativas, caso contrário, as mesmas ficarão sempre dependendo de atitudes pessoais e de setores que as consideram essenciais.
Conclusões
A coleta seletiva estimulou uma maior preocupação com a destinação correta dos resíduos orgânicos, por parte dos proprietários de estabelecimentos que processam e comercializam alimentos na Instituição, em especial devido aos transtornos causados por estes serem putrescíveis. Outra constatação, em decorrência da destinação dos mesmos à compostagem foi a melhoria das condições dos contêineres de rejeitos e do seu entorno, reduzindo inclusive, as condições insalubres para a equipe da coleta pública que os recolhe na UFSM. O potencial da UFSM é significativo, porém o processo de sensibilização é lento e gradual e necessita fazer parte de todas as atividades da instituição, ensino, pesquisa e extensão. O composto final destinado ao setor de Fruticultura comprova que o efeito negativo provocado pelos resíduos nos contêineres se transforma em um produto positivo que contribui para a melhoria das condições do solo para o plantio. A realização da compostagem é uma forma de valorização do resíduo.
A implantação da Coleta Seletiva Solidária na UFSM e de ações complementares para qualificá-la, em especial, a compostagem é mais do que o cumprimento de uma determinação legal, representa um passo em direção à sustentabilidade. As universidades, como outros empreendimentos são responsáveis pela destinação adequada dos resíduos que geram, porém a responsabilidade de instituições de ensino é maior e mais ampla. O papel socioambiental das universidades impõe a elas um compromisso maior. Um compromisso que induza a mudança
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de postura da sociedade para um modelo menos destrutivo, mais responsável e mais comprometido com o coletivo.
As universidades, como centros formadores de profissionais necessitam mais do que formar para a sustentabilidade, mas formar na sustentabilidade. Elas também são referência e exemplo para as comunidades em que estão inseridas. Essa exigência impõe que as práticas desenvolvidas sejam coerentes com seus propósitos, ou seja, as universidades devem praticar o dito: Faça o que eu digo e faça o que eu faço.
A coleta seletiva é uma parte do gerenciamento de resíduos e da gestão ambiental. Para que os propósitos da gestão ambiental sejam alcançados na UFSM é essencial que seja criado um setor específico com infraestrutura física, administrativa e de pessoal. O processo de gestão necessita ser institucionalizado dependendo cada vez menos, de entregas pessoais, colaborações individuais e cooperações setoriais. Organizações sustentáveis incluem a gestão ambiental como política institucional, a qual deve permear todas as ações e todas áreas.
Referências
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