Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 3, p. 16522-16534 mar.. 2020. ISSN 2525-8761
Métodos de amostragem para experimentos com híbridos de milho
Sampling methods for maize hybrid experiments
DOI:10.34117/bjdv6n3-502
Recebimento dos originais: 29/02/2020 Aceitação para publicação: 31/03/2020
Vanderson Vieira Batista
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Agronomia Instituição: Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Endereço: Via do Conhecimento, s/n, km 01 - Fraron, Pato Branco - PR, Brasil E-mail: [email protected]
Érick Vinícius Pellizzari
Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas Instituição: Universidade Tecnológica Federal do Paraná Endereço: Linha km 04 - Zona Rural, Dois Vizinhos – PR, Brasil
E-mail: [email protected]
Juliane Mayara Casarim Machado
Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Instituição: Universidade Tecnológica Federal do Paraná Endereço: Linha km 04 - Zona Rural, Dois Vizinhos – PR, Brasil
E-mail: [email protected]
Lucas Link
Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Agroecossistemas Instituição: Universidade Tecnológica Federal do Paraná Endereço: Linha km 04 - Zona Rural, Dois Vizinhos – PR, Brasil
E-mail: [email protected]
Paulo Fernando Adami
Professor do Curso de Agronomia
Instituição: Universidade Tecnológica Federal do Paraná Endereço: Linha km 04 - Zona Rural, Dois Vizinhos – PR, Brasil
E-mail: [email protected]
Jonatan Santin
Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Agronomia Instituição: Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Endereço: Via do Conhecimento, s/n - km 01 - Fraron, Pato Branco - PR, Brasil E-mail: [email protected]
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 3, p. 16522-16534 mar.. 2020. ISSN 2525-8761
RESUMO
Pesquisadores e agricultores buscam estimar a produtividade das lavouras, com base em dados de uma parcela experimental ou de uma fração (área amostral) da lavoura. Entretanto, a produtividade de milho pode ser influenciada por vários fatores e para estima-la com confiabilidade, deve ser empregado uma metodologia de avaliação adequada. Nesse contexto, o estudo tem como objetivo avaliar métodos de amostragem para determinação de componentes de rendimentos de híbridos de milho, bem como o potencial produtivo dos materiais. O estudo foi realizado na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Dois Vizinhos - PR. O estudo foi conduzido em esquema fatorial com parcelas subdivididas, as parcelas principais possuíam onze híbridos e na subparcelas quatro métodos de amostragem (método I: colheita de duas linhas de cinco metros de comprimento; método II: colheita de espigas 30 espigas ao acaso dentro da parcela; método III: colheita da parcela toda e; método IV: média aritmética do método I e II) com 3 repetições. Constatou-se interação entre os fatores avaliados para a produtividade de grãos, entretanto o método III, no qual é avaliado a maior área amostral, não foi constatada diferenças. Os métodos de avaliação influenciaram o número de grãos por fileira, número de grãos por espiga e massa e mil grão, com destaque para o método II e I, nos quais são observados maiores e menores valores respectivamente. O estande final de plantas, número de fileiras, número de grãos por fileira, número de grãos por espiga e massa de mil grãos é influenciado em função do híbrido de milho implantado. A metodologia de avaliação empregada, pode influenciar os resultados de produtividade e componentes de rendimento de híbridos de milho.
Palavras-chaves: Zea mays. Metodologia. Produtividade. Componentes de rendimento.
ABSTRACT
Researchers and farmers seek to estimate crop yields, based on data from an experimental plot or a fraction (sample area) of the crop area. However, maize grain yield can be influenced by several factors and to estimate it reliably, an appropriate assessment methodology must be employed. In this context, the study aims to evaluate sampling methods for determining yield components of maize hybrids, as well as the yield potential of the materials. The study was carried out at the Federal Technological University of Paraná, Dois Vizinhos - PR. The study was conducted in a factorial scheme with subdivided plots. Main plots had eleven hybrids and in the subplots four sampling methods (method I: harvesting two rows of five meters in length; method II: harvesting 30 ears of equidistant plants at random within the plot; method III: harvest the whole plot; and method IV: arithmetic mean of method I and II). There was an interaction between factors evaluated for grain yield, however method III, in which the largest sample area is evaluated, no differences were found. The evaluation methods influenced the number of grains per row, number of grains per ear and mass and a thousand grains, with emphasis on method II and I, in which higher and lower values are observed, respectively. Final plant stand, number of rows, number of grains per row, number of grains per ear and mass of a thousand grains is influenced by the corn hybrid implanted. The evaluation methodology used, can influence the results of maize yield components of final hybrids grain yield.
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 3, p. 16522-16534 mar.. 2020. ISSN 2525-8761
1 INTRODUÇÃO
A cultura do milho (Zea Mays) está totalmente difundida no Brasil, sendo a segunda
commoditie em importância no agronegócio brasileiro (CONAB, 2018). Vários fatores são
responsáveis por alavancar o cultivo do milho no país, com destaque para o maior potencial produtivo e eficiência no manejo, resultando em aumentando significativamente de produção (ARTUZO, 2019). Ainda segundo os mesmos pesquisadores, esse aumento da produtividade está relacionado ao desenvolvimento de novos híbridos com maior potencial produtivo e adoção pelos agricultores de práticas de cultivo adequadas.
Já no meio cientifico, tem-se buscando de um correto posicionamento para os matérias de milho. Todos os anos vários ensaios são conduzidos no intuito de avaliar potencial produtivo, ciclo, tolerância a doenças, entre outros. Também, na obtenção de novas cultivares estão envolvidos órgãos privados e públicos, os quais avaliam milhares de híbridos todos os anos em diversas condições de ambiente, buscando sempre as melhores recomendações para os produtores. Diante disso é necessário precisão durante as avaliações dos experimentos, uma vez que, uma maior precisão nas avaliações, gera maior confiabilidade nos resultados (MAES et al., 2017).
Também, por ser uma planta de baixa plasticidade e não compensar falhas, o cultivo de milho pode sofrer uma grande influência da densidade de semeadura, sobre os fatores de produtividade e consequentemente as avaliações de campos de híbridos de milho podem ser afetadas. Destaca-se, que a população de plantas é um dos principais fatores determinante para a cultura do milho, podendo ser manejada em função da competição por luz, água e nutrientes e deve ser ajustada mediante a época do ano (safra ou safrinha) e interação genótipo x ambiente (FOLONI, 2014). Desta forma, algumas avaliações podem ser mascaradas, não representando a realidade que existe no cultivo.
Neste sentido, uma metodologia precisa e simples de amostragem é fundamental para expressar a real produtividade existente a campo, para que se traduza em dados. Entretanto, em artigos científicos publicados em revistas cientificas, observa-se que os métodos de amostragem de híbridos de milho, são diversificados. LUZ et al. (2014), colheu duas linhas centrais de quatro metros para a amostragem. Já SILVA et al., (2015), avaliou três linhas de cinco metros e Batista et al. (2020) consideraram como área amostral para avaliação dos componentes de rendimento de milho as plantas de duas linhas em dez metros de comprimento.
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 3, p. 16522-16534 mar.. 2020. ISSN 2525-8761 Diante deste contexto, tanto para empresas privadas como instituições públicas, faz-se necessário definir parâmetros de amostragem para produtividade de milho. Os métodos de amostragem para rendimento se mostram de suma importância, pois seu uso se dá por parte de toda a pesquisa, envolvendo áreas experimentais, campos de avaliações e áreas de grande cultivo, buscando sempre eficiência, no que diz respeito a melhor metodologia de avaliação de rendimento de grãos da cultura. Nesse contexto, o presente estudo tem como objetivo avaliar os métodos de amostragem para determinação de componentes de rendimentos de híbridos de milho, bem como o potencial produtivo dos materiais.
2 MATERIAL E MÉTODOS
O estudo foi conduzido na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR),
Câmpus Dois Vizinhos - Paraná, no setor de Pesquisa de Culturas Anuais (coordenas 25°
69’25” de latitude S e 53° 09’36” de longitude W). A área apresenta altitude média de 540 metros e o solo é classificado como Latossolo Vermelho distroférrico (BHERING et al., 2008), cujos atributos físico-químicos foram descritos na tabela abaixo (Tabela 1).
Tabela 1 - Atributos químicos do solo da área experimental, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Dois Vizinhos – Paraná, 2020
Profundidade (cm) pH (CaCl²) M.O. P K Ca Mg H+Al SB V (g dm-3) (mg dm-3) --- cmol c dm-3--- % 0 -10 6,00 45,57 23,03 0,45 7,10 3,50 3,18 11,05 77,65 10 - 20 5,50 37,53 11,83 0,25 5,20 3,20 4,28 8,65 66,90
O clima predominante é subtropical úmido mesotérmico (Cfa), apresentando temperaturas medias anuais de 20 °C (ALVARES et al., 2003). A precipitação anual situa-se entre 1.800 a 2.000 mm ano (IAPAR, 2019). Os dados de temperatura mínima e máxima; e precipitações observadas durante a condução do estudo são apresentados na Figura 1.
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Figura 1 - Precipitação, temperatura máxima, mínima e média, registradas no período de realização do estudo, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Dois Vizinhos – Paraná, 2020.
Fonte de dados: INMET, (2019)
Avaliou-se onze híbridos e quatro métodos de avaliação, com três repetições. As parcelas tiveram dimensões de 2,25 metros de largura (5 linhas de cultivo com 45 cm de espaçamento entre linha) e 45 metros de comprimento. O estudo foi conduzido em esquema fatorial com parcelas subdivididas, sendo as parcelas principais implantadas com os híbridos de milho e a subparcelas os métodos de amostragem.
Os métodos de amostragem avaliados foram: Método I: colheita de duas linhas de cinco metros de comprimento cada; Método II: colheita de espigas 30 espigas ao acaso dentro da parcela; Método III: colheita da parcela toda e; Método IV: média aritmética do método I e II. Para o método II, foram colhidas, plantas que estavam com espaçamento equidistantes entre plantas, com 30 a 32 cm de distância, utilizando sempre as linhas centrais, excluindo-se a bordadura. A colheita da parcela toda (método III), foi feita através de colheitadeira, utilizando toda área, considerando as bordaduras da área.
Os híbridos avaliados foram AG8780PRO³, MG515PW, MG545PW, MG580PW, P30F53VYHR, AS1757PRO³, MG300PW, AG9025PRO³, MG320PW, DKB230PRO³ e DKB240PRO³, sob sistema de plantio direto.
Em pré-plantio (15 dias antes da semeadura), realizou-se a dessecação da área com herbicida, glyphosate (3,0 L ha-1).
Foi utilizado densidade de semeadura de 3,4 sementes por metro linear (75.555 sementes ha-¹) e realizada com auxílio de uma semeadora-adubadora de arraste hidráulico acoplada a
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 3, p. 16522-16534 mar.. 2020. ISSN 2525-8761 um trator. A adubação do solo foi realizada utilizando um formulado 05-24-12 (N-P-K), sendo colocado em sulco de semeadura 350 kg ha-1 do fertilizante.
Em estágio V1 (uma folha totalmente desenvolvida), do milho, foi aplicado produtos piretróide e neonicotinoide para o controle do percevejo barriga verde (Dichelops
melacanthus) e do percevejo marrom (Euschistus heros).
A aplicação de nitrogênio (N) aconteceu em duas etapas, a primeira em estádio vegetativo V4 (quatro folhas desenvolvidas) e a segunda em estádio vegetativo V8 (oito folhas desenvolvidas) da cultura, utilizando ureia (45% N), fornecendo 140 kg ha-1 em ambas aplicações a lanço em cobertura. Ainda, em estádio vegetativo V6, aplicou-se fungicida (Priori (Azoxistrobina + Ciproconazol) 0,3 L ha-1), com pulverizador acoplado a um trator.
Quando materiais de milho estavam com umidade média de grãos de aproximadamente 22%, realizou-se as avaliações. Inicialmente foi determinado o estante final de plantas. Para o método I, avaliou-se duas linhas de cinco metros de comprimento cada, método II - três linhas de dez metros de comprimento cada e método III, contabilizou-se todas as plantas da parcela. Os valores foram extrapolados para hectares (plantas ha-1).
Na sequência, as espigas das parcelas experimentais foram coletadas com base no método de avaliação. Dez espigas por parcela foram avaliadas quanto ao número de fileiras por espiga e número de grãos por fileira, sendo utilizado para a análise de dados os valores médios obtidos entre as espigas das mesmas parcelas. Ainda, foi estimado o número de grãos por espiga, multiplicando os valores de número de fileiras por espiga e número de grãos por fileira nas respectivas parcelas.
As espigas foram trilhadas em um debulhador de grãos e as amostras obtidas, pesadas com auxílio de uma balança de precisão. Este valor foi extrapolado para hectares, considerando a umidade de grão de 13%. Também, foi feita a contagem de 100 grãos por parcela, os quais foram pesados e multiplicado o valor por 10 vezes, para estimar a massa de mil grão com umidade de grãos de 13%.
Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância (ANOVA) e constatado efeito significativo, aplicando teste de comparação de médias Skott-Knot a 5% de probabilidade. As análises realizadas com o auxílio do programa estatístico Sisvar 5.6 (FERREIRA, 2008).
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3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Constatou-se interação entre os fatores estudados apenas para a produtividade de grãos. Porém, ao analisar os fatores de forma isolada, observa-se efeito significativo dos métodos de avaliação sobre o número de grãos por fileira, número de grãos por espiga e massa e mil grão. Quanto aos híbridos de milho, houve efeito sobre o estande final de plantas, número de fileiras, número de grãos por fileira, número de grãos por espiga e massa de mil grãos (Tabela 2).
Tabela 2 - Resumo da análise de variância com valores de quadrado médio para métodos de avaliação de híbridos de milho, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Dois Vizinhos – Paraná, 2020
Causa da variação Graus de liberdade
Quadrado médio
Estande final de plantas Número de fileiras Número de grãos por fileira Blocos 2 14.794.995,2443ns 0,0845ns 1,6244ns Híbridos 10 125.896.080,4587* 17,3994* 112,6168* Erro 1 20 17.803.973,0000 0,2917 45,112 Métodos 3 17.895.961,0177ns 0,0473ns 14,9799* Híbridos*Métodos 30 1.375.803,1274ns 0,4710ns 1,5104ns Erro 2 66 8.248.221,0000 0,1988 20,3750 CV 1 (%) 6,00 3,35 6,28 CV 2 (%) 4,08 2,76 4,22 Média Geral 7.0350,11 16,13 33,82
Causa da variação Graus de liberdade
Quadrado médio Número de grãos por
espiga Massa de mil grãos Produtividade
Bloco 2 250,9320ns 12,3428ns 807.609,8314ns Híbridos 10 34.805,4982* 6.892,7598* 2.995.167,2561* Erro 1 20 1.535,4630 4,413,8030 627.982,0000 Método 3 3.491,0477* 1.068,8762* 3.924.974,9615* Híbridos*Métodos 30 395,6052ns 150,5012ns 1.021.507,3045* Erro 2 66 6.398,1780 1,926,2430 506.901,7000 CV 1 (%) 7,19 5,94 7,91 CV 2 (%) 4,64 3,92 7,10 Média Geral 544,66 353,68 10.021,00
ns e * - correspondem respectivamente a não significativo e significativo ao nível de 5% de
probabilidade. CV = coeficiente de variação.
Observou-se na Tabela 3 que os híbridos AG8780, P30F53VYHR, AS1757PRO3, MG300PW, DKB230PRO3 e DKB240PRO3, foram os materiais que exibiram maior estante
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 3, p. 16522-16534 mar.. 2020. ISSN 2525-8761 final de plantas, enquanto que o menor estande final de plantas foi observado para o híbrido MG320PW (62.225,58 plantas ha-1).
Tabela 3 - Componentes de rendimento de híbridos de milho, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Dois Vizinhos – Paraná, 2020
Híbridos Estande final de plantas (plantas ha-1)
Número de fileiras
Número de grãos por fileira
Número de grãos por espiga
Massa de mil grãos (g) AG8780 72.891,00 A 16,08 D 34,47 C 505,60 D 351,25 B MG515PW 68.687,13 B 18,75 A 33,91 B 636,04 A 302,04 D MG545PW 69.618,38 B 15,95 D 29,34 D 467,77 D 388,37 A MG580PW 69.501,96 B 16,73 C 31,51 C 527,48 C 352,00 C P30F53VYHR 72.492,00 A 15,74 D 32,29 C 508,30 D 370,45 A AS1757PRO3 72.588,13 A 17,23 B 36,17 A 622,96 A 337,00 C MG300PW 71.718,08 A 16,64 C 29,83 D 495,42 D 344,92 B AG9025PRO3 68.862,54 B 14,40 E 36,11 A 520,14 C 387,25 A MG320PW 62.225,58 C 14,65 E 37,45 A 548,71 C 345,00 B DKB230PRO3 74.103,46 A 15,71 D 36,70 A 576,85 B 353,50 B DKB240PRO3 71.163,00 A 15,58 D 37,34 A 581,98 B 358,79 B
Médias seguidas de letras diferentes na coluna, diferem estatisticamente pelo teste de Skot-Knott a 5% de probabilidade.
Vários fatores podem influenciar estande final de plantas da cultura do milho. Segundo Silva et al. (2000), a velocidade de semeadora e a profundidade de adubação do milho, inferem sobre o estande de plantas, número de espigas por metro e rendimentos de grãos. Além disso, a velocidade de deslocamento na semeadura de milho pode reduzir a média de espaçamento normal entre plantas (BOTEGGA et al., 2015), proporcionando plantas suprimidas e reduzindo o estande final de plantas. Também, a temperatura pode retardar a germinação das sementes, principalmente quando estas apresentam baixo vigor (SBRUSSI e ZUCARE, 2014), inferindo na população final da cultura.
Estes estudos mostram que existe uma série de fatores que podem influenciar o estande final de plantas de milho na lavoura e que eles podem inferir sobre o rendimento de grãos da cultura. Entretanto, é impossível determinar no presente estudo, qual foi o fator que proporcionou diferentes valores para a variável.
O híbrido MG515PW destacou-se dos demais materiais, apresentando 18,75 fileira de grãos por espiga (Tabela 3). Já AS1757PRO3, AG9025PRO3, MG320PW, DKB230PRO3 e
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 3, p. 16522-16534 mar.. 2020. ISSN 2525-8761 MG515PW e AS1757PRO3 destacam-se por possuir a maior quantidade de grãos por espiga (636 e 622 grãos por espiga, respectivamente) entre os híbridos avaliados (Tabela 3).
Além do número de fileiras e número de grãos por fileira e espiga, também foi constatado diferença entre os híbridos de milho avaliados para a massa de mil grãos, no qual MG545PW (388 g), P30F53VYHR (370 g) e AG9025PRO3 (387 g) foram os materiais que exibiram maiores valores para a variável (Tabela 3). Com valores de massa de mil grãos de 302 g, o híbrido MG515PW foi o material que exibiu menor massa (Tabela 3). Estás variações observadas para os componentes de rendimento de milho, em função do híbrido avaliado, colaboram com vários estudos encontrado na literatura (BATISTA et al., 2020; BATISTA et al., 2018).
Quanto aos métodos de avaliações, a diferença relatada na Tabela 2 para o número de grãos por fileira, número de grãos por espiga e massa e mil grão, é apresentada na Tabela 4. Observa-se que ambas as variáveis exibiram maiores valores ao ser aplicado o método II de avaliação (colheita de espigas 30 espigas ao acaso dentro da parcela).
Tabela 4 - Componentes de rendimento de híbridos de milho em função do método de avaliação, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Dois Vizinhos – Paraná, 2020
Método Número de grãos por fileira Número de grãos por espiga Massa de mil grãos (g)
I 32,98 C 532,06 B 346,76 C
II 34,62 A 557,25 A 360,70 A
III 33,93 B 544,55 B 353,58 B
IV 33,80 B 544,80 B 353,73 B
Médias seguidas de letras diferentes na coluna, diferem estatisticamente pelo teste de Skot-Knott a 5% de probabilidade. Método I: colheita de duas linhas de cinco metros de comprimento cada; Método II: colheita de
espigas 30 espigas ao acaso dentro da parcela; Método III: colheita da parcela toda e; Método IV: média aritmética do método I e II.
Acredita-se, que pelo fato de o método II ser colhido apenas espigas de plantas que apresentavam uma equidistância considerada correta para a densidade de semeadura empregada, supõem-se que foi realizado uma seleção de espigas com potencial produtivo superior em relação as dos demais métodos, fato este que contribui para os maiores valores exibidos de número de grãos por fileira (34,62), número de grãos por espiga (557,25) e massa e mil grão (360,70 g). Plantas espaçadas equidistantemente, competem minimamente por nutrientes, luz e outros fatores de crescimento (LAÜER, 1994) podendo influenciar a produtividade.
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 3, p. 16522-16534 mar.. 2020. ISSN 2525-8761 A interação observada entre os fatores avaliados para a produtividade de grãos do milho é apresentada na Tabela 5. Quando mensurada a produtividade dos híbridos em duas linhas de cinco metros (Método I), os materiais expressam valores semelhantes, exceto MG300PW e MG320PW, os quais exibem menores valores de produtividade (9.177 e 8.829 kg ha-1, respectivamente).
Tabela 5 - Interação para a produtividade (kg ha-1) de híbridos de milho x método de avaliação, Universidade
Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Dois Vizinhos – Paraná, 2020 Métodos Híbridos I II III IV AG8780PRO3 10.602,67 Aa 9.333,67 Ca 9.322,00 Aa 9.968,17 Aa MG515PW 10.913,00 Aa 8.951,33 Cb 9.059,00 Ab 9.932,17 Ba MG545PW 10.313,67 Aa 8.838,33 Ca 9.801,67 Aa 9.576,00 Ba MG580PW 10.777,67 Aa 9.875,33 Ba 9.887,33 Aa 10.326,50 Aa P30F53VYHR 11.191,67 Aa 10.909,67 Aa 9.655,00 Ab 11.050,67 Aa AS1757PRO3 10.857,67 Aa 9.915,67 Aa 9.634,00 Aa 10.386,67 Aa MG300PW 9.177,33 Bb 8.346,67 Cb 10.157,00 Aa 8.762,00 Bb AG9025PRO3 10.876,33 Aa 10.881,67 Aa 10.263,00 Aa 10.879,00 Aa MG320PW 8.828,66 Ba 9.762,00 Ba 10.360,66 Aa 9.295,33 Ba DKB230PRO3 10.968,67 Aa 9.685,67 Ba 10.107,00 Aa 10.327,00 Aa DKB240PRO3 10.553,00 Aa 9.325,67 Cb 10.349,00 Aa 9.939,33 Bb
Médias seguidas de letras maiúsculas nas colunas e minúsculas nas linhas diferentes, diferem estatisticamente pelo teste de Skot-Knott a 5% de probabilidade. Método I: colheita de duas linhas de cinco metros de comprimento cada; Método II: colheita de espigas 30 espigas ao acaso dentro da parcela; Método III: colheita
da parcela toda e; Método IV: média aritmética do método I e II.
O tamanho ótimo de parcela para avaliação de híbridos de milho simples é de 4,03 m2, 4,19 m2 para o híbrido triplo 4,42 m2 para híbrido duplo (CARGNELUTTI FILHO et al. 2011). Considerando que a parcela de avaliação do método I, apresentava 4,5 m2 e que as outras parcelas eram de dimensões superiores, pode-se supor que o tamanho da área amostral não foi um empecilho para a qualidade da amostragem d presente estudo.
Para o método II (colheita de espigas 30 espigas ao acaso dentro da parcela), a maior produtividade foi relatada para os híbridos P30F53VYHR (10.910 kg ha-1), AS1757PRO3 (9.916 kg ha-1) e AG9025PRO3 (10.882 kg ha-1) (Tabela 5). Já a combinação dos métodos I e II (método IV - média aritmética do método I e II), também proporcionou diferença estática para a produtividade de grãos dos híbridos. Os materiais foram divididos em dois grupos pela
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 3, p. 16522-16534 mar.. 2020. ISSN 2525-8761 análise, no qual os mais produtivos exibiram valores de 11.051 a 9.968 kg ha-1 e os menores 9.939 a 8.762 kg ha-1 (Tabela 5).
Para o método III (colheita da parcela toda) a qual apresentava uma área de 33,75 m2 para cada parcela, não foi observada diferença estatística para a produtividade dos híbridos de milho avaliados. Destaca-se, que pelo fato deste tratamento apresentar a maior área avaliada, acredita-se que seja o tratamento que melhor representa uma lavoura comercial. Estudos encontrados na literatura indicam que com o aumento do tamanho da parcela experimental ocorre um considerável acréscimo na precisão das avaliações (BEARZOTI e PINTO, 1996; CAMACHO et al., 1998).
Quanto aos híbridos de milho, observa-se na Tabela 5 que dos onze materiais avaliados, quatro deles apresentaram variação e diferença estatística na produtividade de grãos em relação ao método de avaliação. É impossível afirmar oque causou esta variação, entretanto imagina-se que a avaliação realizada em áreas com menor estante de plantas, visto que a área amostral é determinada já na semeadura (plantas/linhas centrais), posso ocasionar esta variação nos resultados.
Nota-se na avaliação dos métodos juntamente com a produtividade dos híbridos, que cada método tem suas particularidades para avaliação. O método I é altamente dependente de uma boa distribuição de plantas, índice de velocidade de emergência (IVE), da plantabilidade, e outros atributos para seu adequado uso, sendo muito dependente de tais fatores. Para o método II não tem-se tanto a vulnerabilidade de fatores como o método descrito anteriormente, pois busca-se sempre a escolha de plantas que estejam distribuídas de formas equidistantes, buscando aproveitar sempre o máximo rendimento dos híbridos. O método III (colheita total) representa o resultado mais próximo existente na lavoura, não levando em consideração os fatores como no método I, sendo o resultado que se tem mais confiabilidade, mas ao mesmo tempo é o mais trabalhoso. Para o método IV é a média dos métodos I e II, sendo dependente dos mesmo para avaliação.
4 CONCLUSÃO
O número de grãos por fileira, número de grãos por espiga e massa de mil grãos apresentou menores quando as espigas foram coletadas pelo método I (colheita de duas linhas de cinco metros de comprimento) e maiores valores com a aplicação do método II (colheita de espigas 30 espigas ao acaso dentro da parcela).
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 3, p. 16522-16534 mar.. 2020. ISSN 2525-8761 O método III (colheita da parcela total) é o que apresenta maior segurança, mas se comparado com os métodos I, II e IV não se teve diferença para maioria dos híbridos demonstrando que todos os métodos podem ser utilizados.
Para o método IV, não se obteve considerações expressivas que façam adquirir o método para os estudos, sendo de insignificância perante aos outros métodos de estudo.
A metodologia de avaliação, pode influenciar os resultados de produtividade dos híbridos de milho.
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