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Florística e estrutura do componente arbustivo-arbóreo da caatinga nas margens do rio Sucuru em Coxixola, Paraíba: reflexos da antropização / Floristic and structure of the caatinga shrub-tree component on the margins of the Sucuru river in Coxixola, Para

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Florística e estrutura do componente arbustivo-arbóreo da caatinga nas

margens do rio Sucuru em Coxixola, Paraíba: reflexos da antropização

Floristic and structure of the caatinga shrub-tree component on the margins of

the Sucuru river in Coxixola, Paraíba: reflections of anthropization

DOI:10.34117/bjdv6n4-252

Recebimento dos originais: 17/03/2020 Aceitação para publicação: 17/04/2020

Fábio José Marques

Mestre em Agronomia pela Universidade Federal da Paraíba - Centro de Ciências Agrárias. Instituição: Professor do Instituto Federal de Alagoas (IFAL) – Campus Piranhas Endereço: Av. Sergipe, 1477 - Bairro Cascavel, Piranhas - AL. CEP: 57460-000, Brasil.

E-Mail: [email protected] Ana Gizeuda Alves Cabral

Especialista em Educação Ambiental, pelo Instituto de Estudo Superior da Paraíba-IESP Endereço: Avenida Joaquim Zeca, 658 - Bairro São José, Coxixola – PB. CEP: 58588-000,

Brasil.

E-Mail: [email protected]; Cosmo Rufino de Lima

Doutor em Agronomia pela Universidade Federal da Paraíba - Centro de Ciências Agrárias. Instituição: Professor do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) – Campus Afogados da

Ingazeira. Endereço: Rua Edson Barbosa de Araújo, s/n - Bairro Manoela Valadares, Afogados da Ingazeira – PE. CEP: 56800-000, Brasil

E-Mail:[email protected]. Pablo Radamés Cabral de França

Doutor em Agronomia pela Universidade Federal da Paraíba - Centro de Ciências Agrárias. Instituição: Professor do Instituto Federal do Pará (IFPA) – Campus Castanhal. Endereço:

BR 316, Km 61, Bairro Cristo Redentor, Castanhal – PA. CEP: 68740-970, Brasil. E-Mail: [email protected].

RESUMO

A caatinga vem sofrendo redução em área nas últimas décadas em face da pressão exercida pela pecuária extensiva, grandes projetos agropecuários, agricultura familiar e extrativismo vegetal. O resultado dessa exploração antrópica é a redução da cobertura vegetal da caatinga com significativas perdas de biodiversidade. As áreas preferenciais para a exploração agropecuária são as matas ciliares, ambientes que normalmente apresentam elevada fitodiversidade, sendo consideradas áreas de preservação permanente. O objetivo deste trabalho foi conhecer quais os reflexos da antropização sobre a composição florística e

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estrutura fitossociológica do componente arbustivo-arbóreo num trecho de mata ciliar do Rio Sucurú, em Coxixola, Paraíba. O município de Coxixola está localizado na mesorregião da Borborema e na microrregião do Cariri Ocidental paraibano. O clima é do tipo Bsh, quente e seco, com chuvas de outono a inverno e precipitação média de 430 mm anuais. Para o conhecimento da estrutura fitossociológica foram levantadas 10 parcelas de 10x20m, distribuídas de maneira aleatória. Em cada unidade amostral foram contabilizados todos os indivíduos com DNS (diâmetro ao nível do solo) ≥ 3 cm e altura ≥1 m. Neste levantamento foram inventariados 263 indivíduos adultos do componente arbustivo-arbóreo, distribuído em 19 espécies, 18 gêneros e 9 famílias. As famílias que apresentaram maiores números de espécies foram Fabaceae (5), Cactaceae (4) e Euphorbiaceae (3). Essas famílias juntas representam 63,15% das espécies registradas neste trabalho. Das espécies amostradas as que apresentam maiores valores para os parâmetros estruturais (densidade, frequência e dominância relativas = VI) foram respectivamente Prosopisjuliflora (22,05+39,939+6,85=68,84), Poincianella piramidales (13,31+9,045+8,22=30,57), Mimosa tenuiflora (9,13+8,798+5,48=23,40), Cereus jamacaru (7,60+5,422+8,22=21,25) e Aspidospermapyrifolium (7,60+3,761+9,59=20,95). A área estuda apresenta elevado nível de antropização sobre o componente arbustivo-arbóreo o que pode ser observado pela baixa riqueza taxonômica e pela presença de P. Juliflora (Algaroba) em grandes maciços populacionais o que tem comprometido a estrutura e a fitodiversidade autóctone. Com isto, ações devem ser adotadas para que as áreas de mata ciliar sejam de fato APPs (Áreas de Preservação Permanente) garantindo a conservação da biodiversidade autóctone e a proteção e manutenção dos recursos hídricos.

Palavras-chave: Mata ciliar, invasão biológica, Semiárido.

ABSTRACT

The caatinga has suffered a reduction in area in the last decades due to the pressure exerted by extensive cattle ranching, large agricultural projects, family agriculture and vegetal extraction. The result of this anthropic exploration is the reduction of the caatinga vegetation cover with significant losses of biodiversity. The preferred areas for agricultural exploitation are riparian forests, environments that normally present high phytodiversity, being considered areas of permanent preservation. The objective of this work was to know the reflexes of anthropization on the floristic composition and phytosociological structure of the shrub-tree component in a stretch of riparian forest on the Rio Sucurú, in Coxixola, Paraíba. The municipality of Coxixola is located in the Borborema mesoregion and in the Cariri Occidental Paraíba region. The climate is Bsh type, hot and dry, with rains from autumn to winter and an average annual rainfall of 430 mm. For the knowledge of the phytosociological structure, 10 10x20m plots were surveyed, distributed at random. In each sample unit, all individuals with DNS (diameter at ground level) ≥ 3 cm and height ≥1 m were counted. In this survey, 263 adult individuals of the shrub-tree component were inventoried, distributed in 19 species, 18 genera and 9 families. The families with the highest number of species were Fabaceae (5), Cactaceae (4) and Euphorbiaceae (3). These families together represent 63.15% of the species registered in this work. Of the species sampled, those with the highest values for structural parameters (density, relative frequency and dominance = VI) were Prosopisjuliflora (22.05 + 39.939 + 6.85 = 68.84), Poincianella piramidales (13.31 + 9.045 + 8.22 = 30.57), Mimosa tenuiflora (9.13 + 8.798 + 5.48 = 23.40), Cereus jamacaru (7.60 + 5.422 + 8.22 = 21.25) and Aspidospermapyrifolium (7.60 + 3.761 + 9.59 = 20.95). The study area presents a high level of anthropization about the

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shrub-tree component, which can be observed due to the low taxonomic richness and the presence of P. Juliflora (Algaroba) in large population masses, which has compromised the structure and the native phytodiversity. With this, actions must be taken so that the riparian forest areas are in fact APPs (Permanent Preservation Areas) guaranteeing the conservation of indigenous biodiversity and the protection and maintenance of water resources.

Keywords: riparian forest, biological invasion, semiarid. 1 INTRODUÇÃO

O Semiárido Brasileiro (SAB) corresponde a 11% do território nacional (969.589,4 km2) e é caracterizado pelas elevadas médias de temperaturas (27 ºC), precipitações variando de 300 a 800 mm (irregulares no tempo e no espaço) e evaporação que chega a 2.000 mm anuais (BRASIL, 2005; CAVALCANTE et al., 2013). A combinação desses elementos climáticos, principalmente um balanço hídrico negativo em grande parte do ano, presença de rios e riachos intermitentes e ocorrência de secas periódicas, propiciam um conjunto de tipologias vegetacionais de domínio do bioma Caatinga (SAMPAIO, 1995; ARAÚJO et al., 1995; RODAL et al., 2008).

Para Sampaio et al. (2003), não há dúvidas de que os recursos naturais do SAB tem sido degradados pelos sistemas de produção vigentes. Nascimento (1998), destacou que essa pressão exercida, advém das atividades de pecuária extensiva, grandes projetos agropecuários, agricultura familiar e extrativismo vegetal, ações que, em última análise, resultam na diminuição da cobertura vegetal nativa, indicador imediato da diversidade biológica de uma área. O resultado dessa exploração antrópica é a redução da cobertura vegetal da caatinga, tornando-a um verdadeiro mosaico natural, com perdas de biodiversidade, restringindo sua distribuição a remanescentes que são considerados refúgios para a manutenção dos seres vivos que dependem desse bioma (OLIVEIRA et al., 2009).

As áreas de mata ciliar são as faixas de cobertura vegetal que ficam nas margens de nascentes, rios, córregos, lagos e reservatórios artificiais, que dependendo do domínio vegetacional, também podem ser conhecidas como matas de várzea, galeria, ribeira ou igapó (MANTOVANI, 1989; OLIVEIRA, 2006; RÊGO, 2007). Por apresentar uma maior disponibilidade hídrica, em comparação aos demais ambientes de caatinga, as matas ciliares apresentam uma flora com maior diversidade, onde se destacam espécies de porte arbóreo de grande relevância econômica, o que torna ainda mais vulneráveis esses ambientes às ações antrópicas (LACERDA et al., 2005; FERRAZ et al., 2006; MONTEIRO et al., 2006; LUCENA et al., 2008). Ressalta-se, ainda, que nesses ambientes acontece com frequência a

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retirada da cobertura vegetal para o estabelecimento de cultivos agrícolas (CASTELLETI et al., 2003; TABARELLI e SILVA, 2003).

As matas ciliares funcionam como filtros, retendo principalmente os sedimentos que causam os assoreamentos, bem como resíduos de defensivos agrícolas e outros poluentes, que seriam transportados para os cursos d'água, afetando diretamente na quantidade e na qualidade da água disponíveis para os seres vivos e a população humana. Além dessa função na manutenção dos recursos hídricos, as matas ciliares funcionam como corredores ecológicos, garantindo o fluxo gênico entre os fragmentos vegetacionais (LIMA, 1989; BARRELLA et al., 2000).

Os estudos sobre a composição florística e estrutura das comunidades vegetais são fundamentais para embasar quaisquer iniciativas de preservação e conservação de remanescentes florestais (OLIVEIRA FILHO, 1994), bem como para o desenvolvimento de modelos de recuperação de áreas degradadas (WERNECK et al., 2000). Mesmo as matas ciliares sendo consideradas áreas de preservação permanente (Código Florestal Brasileiro, Lei n°12.651) o nível de antropização continua elevado e segundo Trovão et al. (2010), a quantidade de trabalhos científicos detalhados realizados no Nordeste, nesses ambientes, ainda é incipiente quando comparado com as regiões Sul e Sudeste.

O objetivo deste trabalho foi realizar um diagnóstico, através do levantamento florístico e da estrutura fitossociológica do componente arbustivo-arbóreo, de um trecho de mata ciliar do Rio Sucurú, em Coxixola, Paraíba e analisar os reflexos da antropização sobre esta fitocenose.

2 METODOLOGIA

O município de Coxixola (Latitude: 7° 37' 31'' Sul, Longitude: 36° 36' 12'' Oeste) está localizado na mesorregião da Borborema e na microrregião do Cariri Ocidental paraibano. O clima é do tipo Bsh, quente e seco, com chuvas de outono a inverno e precipitação média de 430 mm anuais. A temperatura anual é de 26ºC, com média mínimas inferior a 20ºC e a umidade relativa do ar não ultrapassa os 75% (Köppen, 1948). A vegetação é do tipo savana estépica (caatinga), de porte arbóreo-arbustivo, cuja densidade varia de muito rala a semidensa, mostrando-se mais conservada em pequenas áreas de serras. Atualmente a fisionomia da vegetação encontra-se na forma de mosaicos com a predominância de pequenos fragmentos fortemente influenciados pelas ações antrópicas, ligadas às atividades de agropecuárias. A zona rural do município é recortada por rios temporários de pequena

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vazão e o potencial de água subterrânea é baixo. Os principais cursos d’água são o Rio Sucuru e os riachos grandes de Coxixola, das Cacimbas e do Beju (IBGE, 2012).

O levantamento florístico e fitossociológico do componente arbustivo-arbóreo foi realizado nas margens do Rio Sucuru (Latitude de 7º 41’ 34,11” S e Longitude de 36º 37’ 59,25” O). A área em questão encontra-se com níveis evidentes de antropização (desmatamento, queimadas, assoreamento e erosão), o que tem levado a perda de biodiversidade e degradação dos recursos hídricos.

Foram levantadas 10 parcelas de 10x20m, distribuídas de maneira aleatória. Em cada unidade amostral foram contabilizados todos os indivíduos com DNS (diâmetro ao nível do solo) ≥ 3 cm e altura maior ou igual a 1 m. (Rodal et al., 1992). Para a mensuração foram usadas trenas, onde foi medido o CSN (circunferência ao nível do solo), que posteriormente foi convertido em DNS e para a altura usou-se uma vara graduada em metros. A identificação botânica foi realizada primeiramente em campo, com ajuda de um mateiro e depois, através de morfologia comparada, usando bibliografia especializada. A classificação taxonômica das espécies foi elaborada de acordo com APG III (2009). Os parâmetros fitossociológicos (NI = Número de Indivíduos; DA = Densidade Absoluta; DoA = Dominância Absoluta; FA = Frequência Absoluta; DR = Densidade Relativa; DoR = Dominância Relativa; FR = Frequência Relativa; IVI = Valor de Importância) foram calculados em planilhas do programa Microsoft Excel© e pelo FITOPAC 2.1 (SHEPHERD, 2010)

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 ANÁLISE FLORÍSTICA

Neste levantamento foram inventariados 263 indivíduos adultos do componente arbustivo-arbóreo, distribuído em 19 espécies, 18 gêneros e 9 famílias (Tabela 1). A diversidade florística deste trabalho foi baixa, haja vista que para o mesmo componente, Pereira Júnior et al. (2012), constataram no Cariri Paraibano, 37 espécies, 26 gêneros e 14 famílias. Os valores encontrados neste trabalho foram similares aos de Pegado et al. (2006), estudando a influência da invasão biológica por Prosopisjuliflora, no Cariri Paraibano, onde constatou-se a presença de 16 espécies, 16 gêneros e 11 famílias. Essa perda de biodiversidade é um indício claro da perturbação que a cobertura vegetal dessa área tem sofrido, quer seja através de ações antrópicas direta, como o desmatamento para a

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exploração agropecuária, bem como os reflexos da invasão biológica por espécie exótica (P.

Juliflora)

Tabela 1. Relação das famílias e espécies arbustivo-arbóreas registradas em um trecho de mata ciliar do rio Sucuru, em Coxixola, PB.

Família/Espécies Nome Popular

ANACARDIACEAE

Schinopsis brasiliensisEngl. Baraúna

Spondias tuberosa Arruda Umbuzeiro/Umbu

APOCYNACEAE

Aspidospermapyrifolium Mart. Pereiro

BURSERACEAE

Commiphoraleptophloeos (Mart.) J. B. Gillett Imburana

CACTACEAE

Cereus jamacaru DC Mandacarú

OpuntiapalmadoraBritton& Rose Palmatória

Pilosocereusgounellei (F.A.C.Weber) Byles & G.D. Rowley. Xique-xique

Pilosocereuspachycladus F. Ritter Facheiro

CAPPARACEAE

Capparis flexuosa L. Feijão Bravo

EUPHORBIACEAE

CrotonsonderianusMuell. Arg. Marmeleiro

Jatrophamollissima (Pohl) Baill Pinhão

ManihotglazioviiMüll. Arg. Maniçoba

FABACEAE

Anadenanthera colubrina (Vell) Brenan Angico

Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir Jurema Preta

Piptadeniastipulacea (Benth.) Ducke Jurema Branca

Poincianellapiramidales (Tul.) L.P. Queiroz Catingueira

Prosopisjuliflora (Sw.) DC Algaroba

SAPOTACEAE

Sideroxylonobtusifolium (Roem. &Schult.) Penn. Quixabeira

VERBENACEAE

LippiagracilisSchauer Alecrim

As famílias que apresentaram maiores números de espécies foram Fabaceae (5), Cactaceae (4) e Euphorbiaceae (3) (Figura 1). Essas famílias juntas representam 63,15% das espécies registradas neste trabalho. Essas três famílias também foram citadas entre as mais

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abundantes na composição florística, nos trabalhos realizados em ecossistemas de caatinga por vários autores (ANDRADE et al., 2009 b; OLIVEIRA et al., 2009; TROVÃO et al., 2010; SOUZA e RODAL, 2010; PEREIRA JÚNIOR et al., 2012)

Figura 1. Número de espécies por família inventariados em um trecho de mata ciliar do rio Sucuru, em Coxixola, PB. 6 5 4 3 2 1 0 Famílias

Das espécies amostradas as que apresentam um maior número de indivíduos foram

Prosopisjuliflora (Sw.) DC (58), Poincianellapyramidales (Tul.) L.P. Queiroz (35), Mimosa tenuiflora (Willd.) Poir (24), Jatrophamollissima (Pohl) Baill (21), Cereus jamacaru DC

(20) e Aspidospermapyrifolium Mart. (20) (Figura 2 e Tabela 2). O número de indivíduos encontrados para essas espécies representam 67,68% do total de indivíduos inventariados no trabalho. Ressalta-se que P. juliflora apresentou um número de indivíduos que representa 22% do total. Essa espécie é exótica e tem sido constatada em grandes densidades em vários trabalhos realizados em ecossistemas de caatinga, sendo responsável por promover uma perda significativa na diversidade de espécies do semiárido (PEGADO et al., 2006; ANDRADE et al., 2008; ANDRADE et al., 2009; ANDRADE et al., 2010). Já os demais táxons, são comumente citados entre os mais abundantes nos ecossistemas de caatinga (MARACAJÁ et al., 2003; SANTANA & SOUTO, 2006; ARAÚJO, 2010).

A riqueza de espécies é um dos principais parâmetros para indicar estágio de preservação. Neste estudo foi constatada a ausência de espécies típica de mata ciliar da caatinga como Tabebuia aurea (Silva Manso) Beth. &Hook. f. ex S. Moore e Erythrina

velutinaWilld (ARAÚJO et al., 1995; FERRAZ et al., 1998; FERRAZ et al., 2006). Outros

5 4 3 2 1 1 1 1 1 Q uant idad e es péi ces

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táxons que comumente são encontrados em áreas de caatinga com melhor estágio de conservação, também não foram evidenciados. A exemplo de espécies inventariadas por Lacerda et al. (2010), estudando a florística e estrutura de áreas ribeirinhas na bacia hidrográfica do Rio Taperoá, que encontraram, dentre outros táxons,

Myracrodruonurundeuva Allemão (Aroeira), Hymenaeacourbaril L (Jatobá), Senna spectabilis (DC.) H. S. Irwin &Barneby (Cana fístula), Amburana cearensis (Allemão) A. C.

Sm. (Umburana de cheiro), Lonchocarpussericeus (Poir.) Kunthex DC. (ingazeira), Ceiba

glaziovii (Kuntze) K. Schum. (Barriguda) e Ziziphusjoazeiro Mart. (Juazeiro).

3.2 ANÁLISE FITOSSOCIOLÓGICA

A densidade constatada neste trabalho foi de 1.315 indivíduos.ha-1(Tabela 2). Valores similares (1.252 a 1.429 indivíduos.ha-1), foram encontrados por Mariano (2011), estudando trechos de matas ciliar no Rio São Francisco. Já trovão et al. (2010), encontraram valores de densidade para áreas de mata ciliar no cariri paraibano, variando de 1.025 a 2.216 indivíduos.ha-1. A densidade de uma área pode ser fruto no padrão espacial da comunidade vegetal, do estágio de sucessão e também do nível de antropização, por isso outros parâmetros estruturais devem ser levados em consideração para que se tenha um diagnóstico mais preciso sobre a vegetação. Para o trabalho em questão, a densidade é fortemente influenciada pelo pelas ações antrópicas onde a vegetação sofre cortes com frequência e por isto encontram-se constantemente em sucessão secundária. Já em áreas de caatinga no cariri paraibano com baixo nível de antropização, Pereira Júnior et al. (2012), contatou uma densidade de 3.495 indivíduos.ha-1., valores considerados altos para este ecossistema.

Figura 2. Número de indivíduos amostrados por espécies em um trecho de mata ciliar do rio Sucuru, em Coxixola, PB. 70 60 50 40 30 20 10 0 Espécies 58 35 24 21 20 20 14 12 12 11 9 6 5 4 3 3 3 2 1 N ú m er o d e in d iv íd u os

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Em relação aos demais parâmetros estruturais, observa-se que P. juliflora apresentou maiores valores para a maioria deles (Densidade Absoluta, Dominância Absoluta e Relativa), apresentando, portanto, o maior valor de importância (VI) que foi de 68,84 (Tabela 2), mesmo essa espécie tendo ocorrido, apenas em 50% das parcelas amostradas. Como a distribuição desta espécie é muito influenciada pelas ações antrópicas (desmatamento, agricultura e a dispersão pela pecuária extensiva bovina, caprina e bovina), é muito provável, que indivíduos de P. juliflora, venham a colonizar novas áreas ao longo dos trechos de mata ciliar do Rio Sucuru, fato que pode levar a uma maior perda da biodiversidade autóctone. A presença de um táxon exótico com o maior valor de VI é mais um indício da perturbação que esse ambiente vem sofrendo, sobretudo por se tratar de uma Área de Preservação Permanente (APP). Outras espécies que apresentaram altos valores estruturais (VI) foram Poincianellapiramidales (30,57), Mimosa tenuiflora (23,40), Cereus

jamacaru (21,25), Aspidospermapyrifolium (20,95)e Jatrophamollissima (18,54).Essas

espécies tem sido citadas em vários trabalhos como as que, também, apresentaram maiores valores de importância em levantamento fitossociológico na caatinga (AMORIM et al., 2005; PEGADO et al., 2006; TROVÃO et al. 2010; PEREIRA JÚNIOR et al. 2012 e

SANTANA, et al., 2016). Entretanto, quando existe valores muito discrepantes de VI de alguns táxons em relação aos demais, associado a baixa riqueza de espécies é um forte de indicativo de impacto por antropização.

Tabela 2. Parâmetros estruturais do componente arbustivo-arbóreo em um trecho de mata ciliar do rio Sucuru, em Coxixola, PB.

Espécie NI DA DoA FA DR DoR FR VI

Prosopisjuliflora Algaroba 58 290 5,08 50 22,05 39,939 6,85 68,84

Poincianellapiramidales Catingueira 35 175 1,15 60 13,31 9,045 8,22 30,57

Mimosa tenuiflora Jurema Preta 24 120 1,12 40 9,13 8,798 5,48 23,40

Cereus jamacaru Mandacarú 20 100 0,69 60 7,60 5,422 8,22 21,25

Aspidospermapyrifolium Pereiro 20 100 0,48 70 7,60 3,761 9,59 20,95

Jatrophamollissima Pinhão 21 105 0,30 60 7,98 2,336 8,22 18,54

Piptadeniastipulacea Jurema Branca 14 70 0,33 50 5,32 2,628 6,85 14,80

Pilosocereusgounellei Xique-xique 12 60 0,25 50 4,56 1,983 6,85 13,39

Schinopsis brasiliensis Baraúna 5 25 1,07 20 1,90 8,386 2,74 13,03

Opuntiapalmadora Palmatória 12 60 0,16 50 4,56 1,243 6,85 12,65

Crotonsonderianus Marmeleiro 11 55 0,16 40 4,18 1,247 5,48 10,91

Commiphoraleptophloeos Imburana 4 20 0,58 30 1,52 4,603 4,11 10,23

Lippiagracilis Alecrim 9 45 0,13 40 3,42 1,022 5,48 9,92

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Manihotglaziovii Maniçoba 3 15 0,27 30 1,14 2,155 4,11 7,40

Spondias tuberosa Umbuzeiro 1 5 0,46 10 0,38 3,650 1,37 5,40

Anadenanthera colubrina Angico 2 10 0,36 10 0,76 2,815 1,37 4,95

Sideroxylonobtusifolium Quixabeira 3 15 0,02 10 1,14 0,149 1,37 2,66

Pilosocereuspachycladus Facheiro 3 15 0,02 10 1,14 0,121 1,37 2,63

Total 263 1315 12,71 730 100 100 100 300

NI = Número de indivíduos; DA = Densidade Absoluta; DoA = Dominância Absoluta; FA = Frequência Absoluta; DR = Densidade Relativa; DoR = Dominância Relativa; FR = Frequência Relativa; VI = Valor de Importância.

Em relação à distribuição diamétrica, observa-se na Figura 3, que os dados seguiram o padrão de distribuição em “J” invertido, que tem sido encontrado em vários trabalhos nos ecossistemas de caatinga (NASCIMENTO, 1998; PEGADO et al., 2006; MARIANO, 2011; PEREIRA JÚNIOR et al., 2012). Entretanto, destaca-se que 75,66% dos indivíduos encontram-se na classe que vai de 3 a 10 cm de diâmetro e nota-se um baixo número de indivíduos nas classes de > 20 a 30 cm e > que 30 cm, fato relacionado com o estado de conservação da área estudada.

Figura 3. Distribuição do número de indivíduos por classes de diâmetro em um trecho de mata ciliar do rio Sucuru, em Coxixola, PB. 250 200 150 100 50 0 3 a 10 > 10 a 20 >20 a 30 > 30 Diâmetro (cm)

Para a altura de plantas, 64,25 % dos indivíduos estão classe de 1 a 3m e 25,85% encontram-se na classe de >3 a 5 m (Figura 4). Esse grande número de indivíduos nessas

199 45 12 7 N ú m er o de in d iv íd u o s

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classes é mais um reflexo do alto nível de antropização a que essa área tem sido submetida. Via de regra a caatinga é citada como um bioma onde as árvores apresentam baixo padrão de altura. Porém existe alguns nichos, a exemplo das matas ciliares, que devidos a condições especiais, o estrato arbóreo consegue alcançar um maior padrão de altura. Pereira Júnior et al. (2012), constataram um elevado número de indivíduos em classes de altura entre 5 e 8 metros. Já Mariano (2011), áreas de mata ciliar nas margens do São Francisco, encontrou um maior percentual de indivíduos entre 3 e 7 metros de altura. Pegado et al. (2006), estudando os impactos da invasão biológico por P. juliflora, observaram que nas áreas onde havia a presença desta espécie o maior número de indivíduos foi constatado entre 3 e 5 metros de altura. Já nas áreas sem a presença desta invasora, o componente arbóreo apresentou uma melhor distribuição de indivíduos por classes de altura, tendo um grande de número de espécimes acima de 8 metros.

Figura 4. Distribuição do número de indivíduos por classes de altura em um trecho de mata ciliar do rio Sucuru, em Coxixola, PB. 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 1 a 3 >3 a 5 >5 a 7 > 7 Altura (m) 4 CONCLUSÕES

A área estudada apresenta elevado nível de antropização com impacto direto sobre a flora do componente arbustivo-arbóreo, fato que pode ser observado pela baixa riqueza taxonômica (família, gênero e espécies);

A presença de P. Juliflora em grandes maciços populacionais é um dos indícios do desequilíbrio na área e tem comprometido a estrutura e a fitodiversidade autóctone;

N ú m er o de in d iv íd u o s

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Ações devem ser adotadas através dos governos, ONG’s, pesquisadores, acadêmicos, agricultores e a sociedade civil em geral, para que as áreas de mata ciliar sejam tratadas de fato como áreas de preservação permanente, haja vista o seu fundamental papel na conservação da biodiversidade e proteção e manutenção dos recursos hídricos.

REFERÊNCIAS

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Tabela 1. Relação das famílias e espécies arbustivo-arbóreas registradas em um trecho de mata ciliar do rio  Sucuru, em Coxixola, PB
Figura  1.  Número  de  espécies  por  família  inventariados  em  um  trecho  de  mata  ciliar  do  rio  Sucuru,  em  Coxixola, PB
Figura  2.  Número  de  indivíduos  amostrados  por  espécies  em  um  trecho  de  mata  ciliar  do  rio  Sucuru,  em  Coxixola, PB
Tabela 2. Parâmetros estruturais do componente arbustivo-arbóreo em um trecho de mata ciliar do rio Sucuru,  em Coxixola, PB
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