• Nenhum resultado encontrado

Percepção do entendimento da equipe de enfermagem e usuários sobre Política Nacional de Humanização nas Unidades Básicas de Saúde de Formosa-Goiás / Perception of the knowledge of nurses and users about National Policy of Humanization in Formosa-Goiás

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2020

Share "Percepção do entendimento da equipe de enfermagem e usuários sobre Política Nacional de Humanização nas Unidades Básicas de Saúde de Formosa-Goiás / Perception of the knowledge of nurses and users about National Policy of Humanization in Formosa-Goiás"

Copied!
12
0
0

Texto

(1)

Percepção do entendimento da equipe de enfermagem e usuários sobre Política

Nacional de Humanização nas Unidades Básicas de Saúde de Formosa-Goiás

Perception of the knowledge of nurses and users about National Policy of

Humanization in Formosa-Goiás

DOI:10.34117/bjdv6n1-294

Recebimento dos originais: 30/11/2019 Aceitação para publicação: 27/01/2020

Clariane Ramos Lôbo

Mestre Em Tecnologias em Saúde pela Universidade de Brasília, nutricionista, docente e pesquisadora.

Instituição: Faculdades Integradas Iesgo

Endereço: Av. Brasília, 2001 - Formosinha, Formosa - GO, 73813-010 E-mail: clarianenutricionista@gmail.com

Cândido Luiz Silva da Silva

Acadêmico de Enfermagem Instituição: Faculdades Integradas Iesgo

Endereço: Av. Brasília, 2001 - Formosinha, Formosa - GO, 73813-010

Guilherme Henrique de Jesus Pereira

Acadêmico de Enfermagem Instituição: Faculdades Integradas Iesgo

Endereço: Av. Brasília, 2001 - Formosinha, Formosa - GO, 73813-010

Izadora Bonifácio de Carvalho

Acadêmico de Enfermagem Instituição: Faculdades Integradas Iesgo

Endereço: Av. Brasília, 2001 - Formosinha, Formosa - GO, 73813-010

RESUMO

Objetivo: Descrever o entendimento do enfermeiro, técnicos em enfermagem e usuários sobre

humanização e os pontos principais da Política Nacional de Humanização. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo e qualitativo, foi utilizado questionário semiestruturado e validado, com 5 perguntas e aplicado em 4 Unidades Básica de Saúde em Formosa-GO. As entrevistas foram gravadas, após a assinatura do termo de consentimento pelo entrevistado, participaram 3 Enfermeiros, 4 Técnicos em Enfermagem e 26 usuários. O estudo foi aprovado pela Plataforma Brasil, CAE 15394919.5.0000. 8161.Resultados: Apesar das adversidades enfrentadas no Sistema Único de Saúde-SUS, os entrevistados estão satisfeitos com o atendimento ofertado que recebem, além de entender o cuidar como algo inexistente sem humanização, ainda mais nos atendimentos cotidianos das práticas de saúde. Conclusão: São necessárias ações e estratégias que viabilizam a humanização no processo do cuidar, sendo necessária a aplicação de oferta de condições que determinam o acolhimento, com o cuidado humanizado, a partir de uma gestão participativa.

Palavras-chave: humanização, enfermagem, cuidado. ABCTRACT

Objective: To understand the view of nurses, nursing technicians and users about humanization and

(2)

developed a semi-structured and validated questionnaire, involving 5 questions, and applied in 4 Basic Health Unit (UBS) in Formosa-GO. The interviews were recorded, after signing the consent form by the interviewee, participated 3 Nurses, 4 Nursing technicians (all acting) and 26 people, the study was approved by Plataforma Brasil, CAE 15394919.5.0000.8161. Results: Despite the adversities faced by the Unified Health System (SUS), the interviewees reported having satisfied with the care offered by health professionals, besides demonstrating the factor of care as something that does not exist without humanization, especially in daily care. of health practices. Conclusion: The health field needs actions and strategies that enable humanization as a primordial tool in the care process, and it is necessary to apply conditions that determine reception, with humanized care, based on participatory management.

Key words: humanization, nursing, care.

1 INTRODUÇÃO

O estudo é pautado em ter a noção de percepção de enfermeiros e usuários sobre a Política Nacional de Humanização (PNH), nas Unidades de Saúde da cidade de Formosa, em Goiás. A proposta da Política Nacional de Humanização (PNH) é consolidada e está baseada nos próprios princípios do SUS, mostrando a real ligação de assegurar atenção integral à população e estratégias para amplificar seus direitos. O foco dessa Política se reflete na atuação da sociedade exercendo seus direitos e aprimorando a vida em sociedade1.

A Política Nacional de Humanização veio com a pretensão de diminuir a complexidade dos monitoramentos, buscando outras repercussões e reflexos diante da nossa sociedade, mostrando que dependendo do lugar, região e cultura, podem existir inúmeras e diferentes possibilidades de encarar o processo saúde/doença. De acordo com grandes pensadores, há grande suspeita de que os profissionais de saúde não poderão compreender ou transformar a situação de saúde dos indivíduos e coletividades se excluir o pensamento de que é necessária uma aproximação, conquista e doação1,2. Quando se trata de humanização no âmbito da saúde, os profissionais tendem a se sensibilizarem em relação aos processos e percebem que o acompanhamento próximo ao paciente não é uma tarefa a ser delegada, porém uma oportunidade de transformação nas relações sociais, envolvimento dos trabalhadores, gestores e pacientes. Tais transformações propostas pela Política Nacional de Humanização visam propiciar mudanças principalmente no campo da formação: estratégias de educação permanente e aumento da capacidade dos trabalhadores para analisar e intervir em seus processos de trabalho3.

As diretrizes que rumam e colocam em prática a Política Nacional de Humanização são formados por algumas regras gerais que se baseiam na experiência da aptidão dos usuários, trabalhadores e gestores na gestão dos serviços de saúde, por meio de práticas como: a cogestão dos serviços, o acolhimento, a defesa dos direitos do usuário, a valorização do trabalho, a clínica

(3)

ampliada, entre outras. As diretrizes são modificadas, implementadas e analisadas com base e de acordo com as estratégias que visam à mudança em modelos de atenção e de gestão 4.

Os mais notáveis dispositivos que são propostos por essa política aprimoram e prioriza o acolhimento, direito à visitação aberta, o colegiado gestor e prometido o direito a acompanhante por uma equipe transdisciplinar de referência, Programa de Formação em Saúde e Trabalho (PFST), projetos cogeridos de ambiência5.

A Política Nacional de Humanização, que foi fomentada em 2003, e abraçou como objetivo geral aquele de qualificar certas práticas de gestão e de atenção em saúde no nosso país. Missão dada até como desafiadora e impossível, porém, na visão da humanização pode ser caracterizada pela produção de novas atitudes por parte de trabalhadores, gestores e usuários, de novas técnica e reflexões no campo do trabalho. É preciso dizer que todo o esforço se deve também a prática de saúde que supera desafio e sobrevive a problemas do cotidiano vivenciado pelos profissionais de saúde e a população brasileira 4,5.

O tema da pesquisa então proposta chama a atenção e tornou-se interessante devido ao fato da possibilidade de observação durante o estágio supervisionado, no qual ficou evidente a relação da atuação do enfermeiro e gestores de saúde diante das ações e programas que compõe a implementação da Política Nacional de Humanização. Todas as Unidades Básicas de Saúde do Brasil devem executar as normas e as diretrizes que são definidas e implementadas por essa Política, porém, devido às enormes diversidades encontradas no Brasil, o seu grau de abrangência e influência com toda certeza é variante de região para região, estado para estado, perspectiva em estudar e explorar o tema.

Verificar a eficiência dos programas, serviços e benefícios executados pela Secretaria de Saúde, assim como as Unidades Básicas e Postos de Saúde da Família acerca da Política Nacional de Humanização de Formosa-GO, pode no primeiro instante expor de maneira singela o desenvolvimento e organização do município em relação à saúde pública, bem como se estão sendo efetivas e eficazes essas Políticas Públicas, dotadas de contribuição para com a sociedade para que esta possa ter um acesso maior da população.

Perante o tema proposto, buscou-se responder várias questões oriundas das raízes da propagação da Saúde Pública, como a expansão dos grupos de trabalho de humanização. Buscou entender e perceber qual o entendimento de humanização por parte do profissional de enfermagem para executar os serviços de saúde, se isso era vivenciado nas atribuições e quais as principais impressões e discernimento dos usuários no quesito humanização.

(4)

2 MÉTODOS

A pesquisa foi realizada no município de Formosa, Goiás. A população do município de Formosa é de 119.506 habitantes6, de acordo com a estimativa do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018.

A área de estudo compreendeu as Unidades Básicas de Saúde dos bairros: Califórnia, Formosinha, Jardim das Américas e do Setor Pampulha, essas Unidades foram escolhidas por serem as de maior fluxo na cidade. Os participantes foram recrutados em dias de atendimento nas Unidades Básicas de Saúde, aleatoriamente, onde foram orientados sobre o intuito da pesquisa e sobre a importância da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. A pesquisa foi analisada e aprovada sob o número 15394919.5.0000.8161, Plataforma Brasil.

O estudo tem caráter qualitativo, elaborado com um questionário semiestruturado que serviu como norteador para as entrevistas, já que sua composição foi de tópicos gerais selecionados e elaborados de tal forma a serem abordados com todos os entrevistados. A validação do questionário aplicado foi realizada por dois processos distintos, uma antes da aplicação do questionário e outra após. A operacionalização da coleta de dados aconteceu em apenas uma etapa, individualmente e em sala reservada. A análise e tabulação dos dados foram realizadas inicialmente numa planilha Microsoft Office Excel 2013, sendo digitadas depois de ouvidas por todos os integrantes do grupo. O projeto foi realizado respeitando os princípios da Bioética, registrados na Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde, sobre pesquisa envolvendo seres humanos.

No total da pesquisa, participaram 3 Enfermeiros, 4 Técnicos em Enfermagem (todos atuantes) e 26 usuários (pacientes), que estavam aguardando atendimento nas Unidades Básicas de Saúde mencionadas. Para as entrevistas, que foram gravadas, foi disponibilizado um espaço para a equipe. Para o estudo, foi escolhida como técnica, a entrevista estruturada, já que foi almejado conseguir informações mais profundas relacionadas à humanização no atendimento de saúde, portanto, cada fala representa exclusivamente o tipo de pensamento e alinhamento do entrevistado, não ficando nada registrado ou gravado após as transcrições.

3 RESULTADOS

O estudo foi realizado com 33 indivíduos no total, entre usuários, enfermeiros e técnicos em enfermagem. Vale observar que os usuários participantes já estavam nas Unidades Básicas de saúde visitadas para atendimento, sendo recrutados ao acaso. O primeiro questionamento era simples, pedia a definição do que é ser humano:

(5)

Enfermeiro 1: - [...] De extrema importância e que deve ser colocado mais em prática porque está faltando muito de todas as partes, em todas as áreas[...]

Enfermeiro 3: [...] O ser humano é o ser mais importante que tem, né? O ser humano é tudo, né? É um ser, né? que tem que ter... Que tem que ter mais respeito, carinho e que merece amor[...]

Técnica de enfermagem 2: [...] É ser uma pessoa, assim, que tenha sentimentos, um pelo o outro, pelo próximo, ter o acolhimento da pessoa, mais atendimento saber ouvir, saber escutar[...]

Ser humano é o ato capaz da humanização, de maneira nos diferenciarmos dos demais animais. Ser humano é tentar despertar em nós a capacidade de ser solidário, aberto à circulação na sociedade, existindo interesses complementares ou não. É definido como tolerante, compreensivo, ser humano é ter respeito mútuo 7,8.

De acordo com o olhar do usuário, algumas respostas se assemelham:

Usuário 3: [...]Nossa! Pergunta bem profunda, né? O que é o ser humano? Ser humano... Ele... Um ser capaz de reinventar a cada instante, é um ser que...Consegue superar todas as suas expectativas, é um ser criativo, é um ser bondoso, né? E a sua essência é a bondade[...]

Usuário 5: [...]Pra mim, ser humano é uma pessoa que tem direito igual a todos, sem divisão de raça ou classe social [...]

Usuário 6: [...]Ser humano, é uma pessoa que existe tem caráter, personalidade, sabe o que quer, que sabe seus conhecimentos, das suas atitudes. Enfim, resumindo é uma pessoa que ocupa um espaço no mundo. [...]

Usuário 26: - [...]Nossa, eu acho que é tanta coisa porque, é... É você ver a necessidade do outro. É você saber o que o outro precisa... É sentir que você pode ajudar... se cada um tem um pouco e se cada um ajudar um pouquinho, né? Eu acho que é uma série de coisas, né? [...]

A definição de ser humano e humanização através da percepção dos usuários, tem toda uma carga de semelhança, quase sendo definidos como a mesma coisa na entrevista. Mas podemos notar que as respostas transcendem o ambiente hospitalar, mas foi imprescindível ouvi-los e relatar a

(6)

realidade no qual estão inseridos. pode-se inferir que; como política pública, possui a responsabilidade de valorizar as vivencias, fortalecendo o vínculo e o acolhimento entre profissional de saúde e usuário, tornando a equipe multiprofissional, dentro da assistência prestada, fonte de promoção de saúde e colaboradora de redução de agravos. 9. Em relação a importância da humanização:

Técnico em Enfermagem 4: [...]A humanização é tudo, né? Quando você recebe o paciente, você recebe da porta de entrada da unidade, né? Então, quando você tem uma humanização é quando você atende esse paciente, quando você senta e você ouve o paciente. Você colhe tudo aquilo que você precisa para fazer por ele, então defino que a humanização é a porta de entrada! [...]

Quando consideramos a Política Nacional de Humanização e todo o seu progresso até os dias atuais, é visível na fala dos profissionais entrevistados que o termo “humanização” está inserido no cotidiano deles. Algumas respostas nos repassam a ideia da definição de saúde, porém foi percebido que não se discute muito o tema e há tempos não há capacitação voltada para a humanização. Não foi observado um local onde a equipe pudesse ter um espaço para esse tipo de reflexão. Acreditamos que em relação aos usuários, a compreensão sobre o que é a humanização ficou um pouco confuso:

Usuário 24: [...] Humanização no sentido você fala... A relação... Das pessoas? Egoísta. [...]

Usuário 21: [...] O que é humanização? Não faço ideia[...]

Usuário 16: [...]Moço eu acho que você não escolheu uma boa pessoa não, eu não sei muito me expressar não. Assim... Eu acho que é uma coisa boa... As vezes nós como seres humanos não conseguimos se colocar no lugar do outro então sem humanização é isso, quando a gente vê uma pessoa passando por um problema e a gente se colocar no lugar dela... [...]

Algumas falas trouxeram exemplos de mudanças exitosas por parte dos funcionários da Unidades Básicas de Saúde, por outro lado, uma parte relata que existe demora no diagnóstico, que de fato as consultas e o atendimento podem ser demasiadamente demorados. Nesse caso, entendemos que as Unidades Básicas de Saúde deveriam estar melhor equipadas e com recursos humanos suficientes, para que fosse destacado o acolhimento, uma gestão de trabalho mais eficaz e autonomia em diversos processos 10.

Foi percebido, na maioria dos casos, algum conforto depois da segunda pergunta, os usuários e também os profissionais se sentiram mais confortáveis em falar. No contexto do questionamento sobre a relação existente entre o cuidado e a humanização:

(7)

Enfermeiro 1: [...] Qual que é a relação? É de extrema importância, tem que ter uma relação bem estreita entre as duas, a humanização deve ter excelência, porque senão a gente não consegue prestar um cuidado eficaz, um cuidado que seja eficiente... [...]

Usuário 14: [...]Muitas vezes sim, eu acho que quando o profissional ele tem amor, naquilo que ele faz, ele conseguiu passar isso para o paciente, né? Eu vejo que muitos não estão ali... Estão ali só para atender, atender, atender, e esquece da parte de dedicar seu tempo ao paciente, é só aquela coisa eu quero atender que venha só o próximo, sabe? [...]

Enfermeiro 2: - [...]A humanização e o cuidado andam sempre juntos porque quando você trabalha de forma humanizada você cuida com muito amor e com muita segurança você. Você acaba transmitindo isso para toda equipe, todo mundo sente! E os pacientes acabam sentindo o cuidado juntamente com humanização, que aí vem um amor, um conjunto! [...]

De fato, existe um vínculo muito importante no momento do encontro da humanização com o cuidado, pensando nas três premissas fundamentais nesse processo, que é a forma organizacional, profissional e sistêmica da Unidades Básica de Saúde. Na dimensão organizacional, observa-se a relação da equipe como um todo, na esfera profissional, pode-se observar a interação de profissional e usuário, e a questão sistêmica envolve o conjunto de serviços, abarcando os fluxos. O acolhimento requer além do uso de ferramentas como escuta qualificada, respeito e interesse com as necessidades do próximo. É necessário tornar esses aspectos parte do cotidiano do enfermeiro.11. A Política Nacional de Humanização traz consigo a diretriz do Acolhimento Com Classificação e avaliação de Risco (ACCR), usado na classificação de risco de risco e estabelecendo com as ferramentas do acolhimento, uma classificação de risco para o atendimento de acordo com grau de prioridade. Essas e demais ferramentas conversam e interagem entre si, voltando ao relato estreito do cuidado no processo da humanização nos serviços de saúde, sendo que os sujeitos protagonistas nessas ações são aqueles que interferem no cuidado produzido e ofertado 12, 13.

A próxima pergunta se referia ao que poderia ser um bom atendimento na saúde. Mais uma vez, profissionais e usuários tiveram opiniões bem alinhadas:

Enfermeiro 3: - [...] Um bom atendimento é você olhar um paciente como um todo, é você olhar ele sem diferenciação. Esse é um ponto muito importante! [...]

(8)

Técnica 2: [...]Primeiro é humanização! Se não tiver humanização para o atendimento, o atendimento não serve para nada, né? É que na verdade você tem que atender o paciente bem e tentar solucionar o problema dele, porque o paciente já chega às vezes debilitado e se ele é atendido mal pelo um profissional de saúde, ele se fica pior ainda [...]

Usuário 5: [...]Um bom atendimento na saúde? Olha pra mim seria... Profissionais mais sorridentes, sabe? Que você vê que realmente ele está feliz por te atender, ter você ali, é... Que dedicam o seu tempo perguntando, não só aquelas perguntas de rotina, perguntas de Como você está? Que tem interesse no bem-estar do paciente[...]

As práticas de cuidado são primordiais nas Unidades Básica de Saúde, já que ela é considerada a porta de entrada, primeira chance de humanização por parte da equipe de saúde14.

Quando se humaniza, o bom atendimento acontece naturalmente, existe a possibilidade de construção de confiança e autonomia (ambos os envolvidos, usuários e profissionais), a humanização traz características de um bom atendimento, como nos remete a fala de um enfermeiro da pesquisa. É conseguir ver o outro, ver o paciente como um todo, cuidar e proteger de forma integral, sem avaliar somente a doença, mas o paciente doente15,16,17.

Alguns estudos apontam a necessidade de implementação e integração em ações da PNH na Enfermagem, porque a realidade de atendimento em saúde anda defasada, precisando de individualidade, de qualificação e cuidado voltado para aquele usuário mais necessitado, atendendo de forma mais especializada. Dentro do processo de humanização dos indivíduos temos o desenvolvimento dos sujeitos juntamente com o da coletividade. Além de pontuar a alienação como obstrução dos indivíduos, principalmente a alienação dos trabalhadores da saúde em relação às necessidades de saúde, originalizando o afastamento dos mesmos diante de uma coletividade concreta. 18,19. A discussão seguinte foi se o profissional considerava ofertar um serviço humanizado e aos usuários, se eles consideravam receber um serviço humanizado:

Enfermeiro 1: - [...]Depende... Nem sempre, nem sempre o que você está ofertando chega a ser humanizado, isso vai depender muito de quem está ofertando. [...]

Técnico 3: [...] Porque a gente que trabalha na saúde é por amor, né? As pessoas já vêm procurar porque estão necessitando mesmo, então a gente está aqui de coração, entendeu? A pessoa já está debilitada, chega aqui ai é mal atendida, às vezes o problema dele é pequeno e se torna grande, a gente fala para o paciente se dependesse da gente, se dependesse de mim, ninguém sairia

(9)

daqui triste, todo mundo sairia daqui feliz e com problema resolvido... Mas não depende só da gente, mas de outros superiores[...]

Usuário 23: [...]Sim, com certeza! Já peguei vários que às vezes sabe seu nome, te chamam pelo nome, um método de carinho também, você se sente importante, é? [...]

Usuário 26: [...] Eu acho que sim viu, eu acho que assim! Dentro do possível eles atendem a gente de forma humanizada, com atenção... Eu acho que sim! eu acredito que já tive! [...]

Usuário 4: [...]Sim, várias vezes. [...]

Alguns autores são enfáticos em mostrar que, quando o profissional se sente seguro no ambiente de trabalho, haverá melhoria dos serviços de saúde. É preciso que haja capacitação para os profissionais de saúde, aprimorando o aperfeiçoamento das relações entre eles e usuários. O índice de satisfação dos usuários também serve de termômetro para aplicação dessas capacitações e melhorar a qualidade de atendimento. A aplicação de uma atenção que visa olhar integralmente a quem recebe o cuidado é perceber que o ser humano depende de uma assistência não apenas voltada para a doença, ou seja, um cuidado que seja voltado também para as práticas de saúde física, mental e social, em que o acolhimento humanizador seja uma das formas de ser aplicada pelos profissionais de saúde, principalmente a enfermagem em que tem um papel importante na interação com paciente , no qual além dos conhecimentos técnicos-científicos tenha uma relação de acolhimento / cuidado. 20,21.

4 CONCLUSÃO

O trabalho desenvolvido apresenta, como seu principal resultado, que no município de Formosa, apesar de todas as adversidades que são ocasionadas no Sistema Único de Saúde, a humanização é sentida pelos usuários. Quase todos os usuários se sentem confortáveis em dizer o que é a humanização nos serviços de saúde e que, em sua maioria, são tratados de forma humanizada pelos profissionais de saúde. O índice de satisfação dos profissionais de saúde (enfermeiros e técnicos em enfermagem), mostrou-se positivo também, embora exista algumas queixas relacionadas à disponibilidade de recursos materiais e humanos. Esse tipo de estudo com o enfoque na assistência, na concretização da Política Nacional da Humanização, é demasiadamente importante como feedback para possíveis melhorias no sistema.

(10)

No Brasil, o cenário da saúde ainda tem muito o que melhorar, principalmente no que diz respeito à assistência para a população mais carente. O impacto que a Humanização pode incidir nessas mudanças talvez seja a chave para a progressão em busca de aprimoramento e assistência à saúde. Sem dúvida, apesar de ser uma política “jovem”, a Política Nacional de Humanização faz com que se valorize os diferentes sujeitos envolvidos no processo (trabalhadores, gestores e usuários do SUS), ofertando o entendimento de que a PNH quando seguida e aplicada, vai além, vai contra qualquer tipo de ação que negue o outro.

REFERÊNCIAS

1 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Cadernos de Atenção Básica: Saúde mental. Brasília: Ministério da Saúde, 2013.

2 Ramos E, Kattah J, Miranda L; Randow R, Guerra V. Humanização na Atenção Primária à Saúde. Atenção Primária à Saúde; humanização da assistência; gestão em saúde., Rev Med Minas Gerais, ano 2018, v. 5, n. e-S280522, ed. 28, 2018. Disponível em: file:///C:/Users/guihp/Downloads/v28s5a27.pdf. Acesso em: 9 dez. 2019.

3 Cortez P, Zerbini T, Veiga H. Práticas humanizadas de gestão de pessoas e organização do trabalho: para além do positivismo e do dataísmo. Humanização da assistência, Trab. educ. saúde, ano 2019, v. 17, n. 1678-1007, ed. 1981-7746, p. 1-23, 2019.

4 Costa MS, Silva Junior PCB, Moura JPG, Pantoja PVN, Silva MP. Políticas para hanseníase: a evolução da gestão em saúde. Revista Enfermagem Digital Cuidado e Promoção da Saúde, 2015 Jul-Dez; 1(2):104-108.

5 Freitas FDS, Ferreira MA. Humanization knowledge of undergraduate nursing students. Rev Bras Enferm [Internet]. 2016;69(2):261-8. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167.2016690211.

6 IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo demográfico: resultados preliminares – Minas Gerais, 2010.

(11)

7 Friedrich Thaís Lopes, Petermann Xavéle Braatz, Miolo Silvana Basso, Pivetta Hedioneia Maria Foletto. Motivações para práticas coletivas na Atenção Básica: percepção de usuários e profissionais. Interface (Botucatu) [Internet]. 2018 Apr [cited 2019 Dec 18] ; 22( 65 ): 373-385. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832018000200373&lng=en. Epub Aug 07, 2017. http://dx.doi.org/10.1590/1807-57622016.0833.

8 Oliveira JR, Albuquerque MCS, Brêda MZ, Barros LA, Lisbôa GLP. Concepções e práticas de acolhimento apresentadas pela enfermagem no contexto da atenção básica à saúde. Rev enferm UFPE on line. 2015; 9(Supl. 10):1545-55.

9 Evangelista VC, Domingos TS, Siqueira FPC, Braga EM. Multidisciplinary team of intensive therapy: humanization and fragmentation of the work process. Rev Bras Enferm [Internet]. 2016;69(6):1037-44. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2016-022.

10 Carvalho AP, Pedrosa EN. Satisfação dos usuários com o acolhimento implantado em uma unidade de saúde da família. Revista Enfermagem Digital Cuidado e Promoção da Saúde - 2015 Jan-Jun; 1(1):37 – 42.

11 Costa PCP, Garcia APRF, Toledo VP. Acolhimento e Cuidado de Enfermagem: um estudo Fenomenológico. Texto Contexto Enferm, 2016; 25(1):e4550015.

12 Artmann E, Ferreira LR. Discursos sobre humanização: profissionais e usuários em uma instituição complexa de saúde. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2018, vol.23, n.5, pp.1437-1450. ISSN 1413-8123. http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232018235.14162016.

13 Oliveira JLC, Gatti AP, Barreto MS, Bellucci Junior JA, Góes HLF, Matsuda LM. Acolhimento com classificação de risco: percepções de usuários de uma unidade de pronto atendimento. Texto Contexto Enferm, 2017; 26(1):e0960014.

14 Lopes AS, Vilar RLA, Melo RHV, França RCS. O acolhimento na Atenção Básica em saúde: relações de reciprocidade entre trabalhadores e usuários. rio de Janeiro, v. 39, n. 104, p. 114-123, jan-mar 2015.

(12)

15 Pereira R.S. Estratégias discursivas na construção das identidades de profissionais de saúde e usuários do Programa de Saúde da Família: uma perspectiva etnográfico-discursiva [Dissertação]. Fortaleza (Ceará): Universidade Federal do Ceará. 2016.

16 Luiz FF, Caregnato RCA, Costa MR. Humanization in the Intensive Care: perception of family and healthcare professionals. Rev Bras Enferm [Internet]. 2017;70(5):1040-7. [Thematic Edition “Good practices and fundamentals of Nursing work in the construction of a democratic society”] DOI: http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2016-0281.

17 Almeida JR, Vianini MCS, Silva DM, Meneghin RA, Souza G, Resende MA. O enfermeiro frente às práticas integrativas e complementares em saúde na estratégia de saúde da família. REAS/EJCH| Vol.Sup.18, 2018.

18 Albuquerque GSC. Sobre a humanização no trabalho em Saúde. Interface (Botucatu). 2019; 23: e170913 https://doi.org/10.1590/Interface.170913.

19 Magalhães I. Recontextualizações no discurso da Estratégia de Saúde da Família. Cadernos de Linguagem e Sociedade, 16(2): 176-197. 2015.

20 Defibaugh S. Small talk as worktalk: enacting the patient-centered approach in nurse-practitioner-patient visits. Communication & Medicine, 14(2): 97-107.2017.

21 Pereira MO. Prática assistencial de enfermagem: humanização no cuidar, temas em saúde, v. 17, n. 3, p. 163 a 173, 2017.

Referências

Documentos relacionados

Trata-se do primeiro Acordo Regional vinculante para a proteção dos “direitos de acesso” em assuntos ambientais (COMISSÃO ECONÔMICA PARA A AMÉRICA LATINA E O CARIBE,

O Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA (BRASIL,

Esse trabalho teve como objetivo determinar as contagens mesófilos aeróbios, fungos filamentosos e leveduras, psicrotróficos e Staphylococcuscoagulase positivo em

Este trabalho tem como objetivo contribuir para o estudo de espécies de Myrtaceae, com dados de anatomia e desenvolvimento floral, para fins taxonômicos, filogenéticos e

Dentre as principais conclusões tiradas deste trabalho, destacam-se: a seqüência de mobilidade obtida para os metais pesados estudados: Mn2+>Zn2+>Cd2+>Cu2+>Pb2+>Cr3+; apesar dos

(2009) sobre motivação e reconhecimento do trabalho docente. A fim de tratarmos de todas as questões que surgiram ao longo do trabalho, sintetizamos, a seguir, os objetivos de cada

O Programa de Avaliação da Rede Pública de Educação Básica (Proeb), criado em 2000, em Minas Gerais, foi o primeiro programa a fornecer os subsídios necessários para que

Benlanson (2008) avaliou diferentes bioestimulantes, (produtos à base de hormônios, micronutrientes, aminoácidos e vitaminas), confirmando possuir capacidade