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Entre o local e o nacional: os desafios contemporâneos na gestão da política nacional de práticas integrativas e complementares em saúde direcionados para a atenção básica, no município de São Luís - MA. / Between local and national: contemporary challeng

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.17072-17085 apr. 2020. ISSN 2525-8761

Entre o local e o nacional: os desafios contemporâneos na gestão da

política nacional de práticas integrativas e complementares em saúde

direcionados para a atenção básica, no município de São Luís - MA.

Between local and national: contemporary challenges in the management

of the national policy of integrative and complementary health practices

directed to primary care, in the city of São Luís - MA.

DOI:10.34117/bjdv6n4-032

Recebimento dos originais: 02/03/2020 Aceitação para publicação: 02/04/2020

Alinne Silva Andrade Costa

Mestre em Saúde Coletiva

Instituição: Universidade Federal do Maranhão E-mail: [email protected]

Andréa Suzana Viera Costa

Mestre em Saúde Coletiva

Instituição: Universidade Federal do Maranhão E-mail: [email protected]

Érica Celestino Cordeiro

Fonoaudióloga

Instituição: Universidade Federal do Maranhão E-mail: [email protected]

Rafael de Abreu Lima

Mestre em Saúde Coletiva

Instituição: Universidade Federal do Maranhão E-mail: [email protected]

Silvia Cristianne Nava Lopes

Doutora em Políticas Públicas

Instituição: Universidade Federal do Maranhão E-mail: [email protected]

RESUMO

O uso das Práticas Integrativas e Complementares (PICs) e sua institucionalização na Atenção Básica constitui um desafio. O objetivo deste artigo foi identificar dificuldades na gestão da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em São Luís - MA. Foi realizada uma Revisão Integrativa de literatura. Observou-se o uso das PICs para tratamento de

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.17072-17085 apr. 2020. ISSN 2525-8761 patologias específicas, com perspectiva biomédica. Conclui-se que ainda há muito a ser executado, em nível local para garantir o acesso da população às técnicas de PICs.

Palavras-chave: Práticas de Saúde Integrativas e Complementares. Sistema Único de Saúde.

Políticas Públicas de Saúde. Medicina Integrativa. Acupuntura.

ABSTRACT

The use of Integrative and Complementary Practices (PICs) and their institutionalization in Primary Care is a challenge. The objective of this article was to identify difficulties in the management of the National Policy of Integrative and Complementary Practices in São Luís - MA city. An Integrative Review of literature was carried out. We observed the use of PICs to treat specific pathologies with a biomedical perspective. It is concluded that there is still much to be done at the local level to guarantee the population's access to PIC techniques.

Keywords: Integrative and Complementary Health Practices. Unified Health System. Public Health Policies. Integrative Medicine. Acupuncture.

1 INTRODUÇÃO

No Brasil e internacionalmente há um intenso debate sobre a relação entre o desenvolvimento socioeconômico e a promoção da saúde nas sociedades contemporâneas. Nesse enquadramento, o terceiro dos dezessete objetivos de desenvolvimento sustentável, listados na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), é assegurar uma vida saudável, com bem estar em todas as idades e lugares (ONU, 2015).

De acordo com a United Nations Research Institute for Social Development (2013), a saúde é um fator intrínseco ao desenvolvimento socioeconômico de um país, sendo ao mesmo tempo um determinante, uma medida e um resultado do progresso. Nessa conjuntura, o principal desafio dos sistemas de saúde, na contemporaneidade, é garantir a integralidade dos cuidados e, consequentemente, a qualidade de vida da população.

No que concerne à integralidade, a Constituição Federal de 1988 a qualifica como o atendimento integral, com prioridade para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços assistenciais. Ainda de acordo com o texto constitucional, é dever do Estado garantir a saúde para todos os cidadãos por meio de políticas sociais e econômicas voltadas para a redução do risco de doença e outros agravos, bem como assegurar o acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação da saúde (BRASIL, 1988).

Nas perspectivas da integralidade, da intersetorialidade e da interdisciplinaridade na saúde pública, as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICs) contemplam

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.17072-17085 apr. 2020. ISSN 2525-8761 sistemas médicos complexos e recursos terapêuticos, também denominados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de Medicina Tradicional e Medicina Complementar Alternativa (MT/MCA), que estimulam a promoção do autocuidado, os mecanismos naturais de prevenção de agravos e a recuperação da saúde, mediante uma visão ampliada do processo saúde doença, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental de um determinado território, através da reintegração do homem a natureza (YAMAGUCHI, BERNUCI, PAVANELLI, 2016).

Nesse sentido, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PNPIC), instituída no Brasil em 2006 e recém ampliada em 2018, contempla diretrizes específicas no campo da prevenção de agravos e doenças, bem como da recuperação da saúde e bem estar, partindo dos pressupostos da dimensão global do ser humano, da atenção humanizada e do conceito holístico de saúde (BRASIL, 2006; BRASIL, 2018).

Contudo, o uso das PICs no Sistema Único de Saúde (SUS) merece reflexão, especialmente, quando se investiga a sua integração na política de saúde de um país como o Brasil, que apresenta uma sociedade complexa que tem incorporado recursos tecnológicos cada vez mais sofisticados no âmbito do modelo biomédico. Considera-se um verdadeiro desafio aos gestores públicos à efetiva implementação das PICs, uma vez que existe um reduzido número de recursos humanos capacitados e insuficiente financiamento público, além de fatores culturais e científicos que influenciam de forma negativa, os profissionais de saúde, especialmente os médicos (TELESI JÚNIOR, 2016).

De acordo com o Ministério da Saúde (MS), dos 217 munícipios que compõem o Estado do Maranhão, somente 96 (44,2%) afirmaram fazer uso de alguma tipologia de PICs (BRASIL, 2018). No que concerne ao município de São Luís - MA, apenas 03 Unidades Saúde da Família (USF) oferecem PICs nos seus territórios de atuação (VALADARES E BERALDO, 2018).

Assim, o tema deste estudo é a PICs direcionada para a Atenção Básica, no município de São Luís - MA. Essa temática será conduzida pela seguinte questão norteadora: Quais os desafios na gestão da PNPIC direcionados para a Atenção Básica, no município de São Luís - MA?

Neste seguimento, o objetivo do presente estudo foi identificar os principais desafios/dificuldades na gestão da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) direcionados para a Atenção Básica, no município de São Luís - MA, verificando se existe uma integração efetiva entre as politicas públicas local e nacional

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.17072-17085 apr. 2020. ISSN 2525-8761 que possa contribuir para melhoria dos indicadores de saúde e, consequentemente, contribuir para o desenvolvimento socioeconômico da população.

A hipótese levantada neste estudo considera que as políticas públicas não têm uma base local efetiva, uma vez que seguem uma lógica hierárquica vertical nas relações intragovernamentais. Neste contexto, existe uma insuficiência no caráter integral e complexo da implementação da PNPIC no município de São Luís - MA.

No que concerne a metodologia para elaboração deste estudo, foi realizada uma Revisão Integrativa de Literatura, baseada no referencial de Mendes-Silveira e Galvão (2008), caracterizado como uma forma de obter a síntese de determinada temática, ao reunir variadas fontes de investigação de forma sistematizada e analisar a partir de seis etapas, quais sejam:

a) Identificação do tema e seleção das hipóteses para a elaboração da Revisão Integrativa; b) Estabelecimento de critérios para inclusão e exclusão de estudos; c) Definição das informações a serem extraídas dos estudos selecionados/categorização dos estudos; d) Avaliação dos estudos incluídos na Revisão integrativa; e) Interpretação dos resultados e; f) Apresentação da revisão/síntese do conhecimento, a fim de obter um melhor entendimento da temática selecionada baseada em estudos anteriores.

Nesse contexto, foi realizado um levantamento nas bases de dados PUBMED, Google Acadêmico, Medline e Scielo de artigos, monografias, dissertações e teses, com os seguintes descritores: Práticas de Saúde Integrativas e Complementares, Sistema Único de Saúde, Políticas Públicas de Saúde, Medicina Integrativa e Acupuntura.

Os critérios de inclusão foram: artigos disponíveis no idioma português, artigos originais de pesquisa e textos na íntegra disponível online. A escolha de estudos no idioma português é justificada pela definição do trabalho tratar-se de uma Revisão Integrativa, visando estudos com as PICs que são desenvolvidas no Brasil, contempladas na PNPIC e no SUS. Por isso, estudos em outros idiomas não seriam necessários, pois os trabalhos no idioma português contemplam a realidade do que está sendo desenvolvido no Brasil. Como critérios de exclusão optou-se por: publicações duplicadas, estudos cuja população estudada não seja seres humanos, práticas alternativas que não estejam contempladas na PNPIC e estudos que abordem o uso das PICs fora do contexto do SUS.

Com a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão nas bases de dados, a amostra final totalizou 15 publicações. Além disso, foram selecionados documentos oficiais publicizados pelo MS e Secretaria Municipal de Saúde (SEMUS) do Município de São Luís - MA, além de matérias jornalísticas locais acerca da temática abordada, totalizando 08 documentos.

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.17072-17085 apr. 2020. ISSN 2525-8761 O estudo considerou como universo de pesquisa o município de São Luís - MA, capital do Estado do Maranhão, tem possui uma população estimada de 1.091.868 habitantes, que conviviam com salário médio mensal de 3.1 salários mínimos. A proporção de pessoas ocupadas em relação à população total foi estimada em 34.4%. São Luís - MA apresenta 65.4% de domicílios com esgotamento sanitário adequado, 32.3% de domicílios urbanos em vias públicas com arborização e somente 11.7% de domicílios urbanos em vias públicas com urbanização adequada, considerando a presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio (IBGE, 2019).

Segundo documentos oficiais da Secretaria Municipal de Saúde (SEMUS) de São Luís - MA, o município está dividido em sete distritos sanitários administrativos e dispõe de 54 Unidades Saúde da Família (USF), distribuídas nestes distritos da seguinte forma: Distrito Bequimão: 03; Distrito Centro: 05; Distrito Cohab: 05; Distrito Coroadinho: 04: Distrito Itaqui Bacanga: 08; Distrito Tirirical: 17 e Distrito Vila Esperança: 12. Totalizando 110 equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) e 16 Equipes de Agentes Comunitários de Saúde (EACS) (SÃO LUÍS, 2016).

Ante o exposto, o tema do presente estudo é relevante, uma vez que não existem muitos trabalhos abordando esta temática, considerando a política pública nacional e as suas especificidades locais, além de relacionar a saúde como um fator intrínseco ao desenvolvimento socioeconômico de um determinado território. Vale ressaltar que, na gestão do espaço, as políticas públicas funcionam como ferramentas que podem ampliar ou entravar os processos gerenciais.

2 POLÍTICAS PÚBLICAS E AS PRÁTICAS INTEGRATIVAS COMPLEMENTARES EM SAÚDE NO BRASIL

No Brasil, a construção de uma política nacional direcionada para a inserção de PICs no SUS, nasceu das demandas sociais para contemplar a oferta de cinco sistemas terapêuticos que promovem a atenção â saúde de modo integrativo, quais sejam: Homeopatia, Medicina Tradicional Chinesa (MTC), Acupuntura, Fitoterapia, Termalismo Social-Crenoterapia e a Medicina Antroposófica (ANTUNES, 2018).

A Homeopatia é um sistema médico complexo, de caráter holístico, que está fundamentada no princípio vitalista e no uso da lei dos semelhantes. Na prática, o sujeito em sua totalidade é o foco de intervenção, e sendo assim, a doença é encarada como a ruptura de harmonia entre as dimensões física, psicológica, social e cultural. A relação terapêutica entre

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.17072-17085 apr. 2020. ISSN 2525-8761 médico e paciente é considerada um dos pilares da intervenção clinica, tornando a humanização um produto da Homeopatia (ANTUNES, 2018).

A MTC caracteriza-se como um sistema médico integral, originado há milhares de anos na China. Utiliza linguagem que retrata simbolicamente as leis da natureza e que valoriza a inter-relação harmônica entre as partes visando à integridade (ANTUNES, 2018).

A MTC inclui outras práticas tais como: 1) Lian Gong, que consiste em terapias físicas para prevenir e tratar as dores no corpo e restaurar a sua movimentação natural; 2) Chi Gong, que se remete ao treino interior, com objetivo de alcançar equilíbrio físico, mental e espiritual; 3) Tui Na, que se caracteriza pela tradicional massagem chinesa; 4) Tai-chi-chuan, que compreende uma tipologia de meditação que promove a integração entre corpo, mente, respiração e o movimento de mãos e pés; 5) Orientação alimentar e; 6) Uso de plantas medicinais, que representa a tradicional fitoterapia chinesa. Todas relacionadas à prevenção agravos e de doenças, promoção e recuperação da saúde (ANTUNES, 2018).

A Acupuntura visa à terapia e à cura das enfermidades pela aplicação de estímulos através da pele, com a inserção de agulhas em pontos específicos do corpo, estimulando as terminações nervosas existentes na pele, desencadeando diferentes efeitos no organismo, como a ação analgésica ou anti-inflamatória, além de melhorar o sistema imunológico. A Acupuntura também pode ser utilizada no tratamento de doenças associadas à saúde mental como Ansiedade, Síndrome de Burnout e Depressão (PAIVA, 2016).

A Fitoterapia faz parte da prática da medicina popular e consiste numa terapêutica caracterizada pelo uso de plantas medicinais com aplicações no tratamento de morbidades, seja na prevenção, alívio ou cura das doenças, além de fortalecer o vínculo entre o homem e o ambiente, com o acesso ao poder da natureza, a fim de ajudar o organismo na normalização das funções fisiológicas prejudicadas, na restauração da imunidade, na promoção da desintoxicação e no rejuvenescimento (PAIVA, 2016).

O Termalismo compreende as diferentes maneiras de utilização da água mineral e sua aplicação em tratamentos de saúde. A Crenoterapia consiste na indicação e uso de águas minerais com finalidade terapêutica atuando de maneira complementar aos demais tratamentos de saúde (PAIVA, 2016; ANTUNES, 2018).

No que concerne a Medicina Antroposófica, esta se caracteriza como uma abordagem médico-terapêutica complementar, de base vitalista, cujo modelo de atenção está organizado de maneira transdisciplinar, buscando a integralidade do cuidado em saúde. Benevides apresenta a seguinte visão sobre Medicina Antroposófica:

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Essa expressão abrange uma grande variedade de abordagens em saúde que vai desde as medicinas tradicionais de diferentes culturas e povos como da Medicina Tradicional Chinesa e Acupuntura, da Ayurveda, da Medicina Unani, passando pela Homeopatia, pela Osteopatia, Quiropraxia, Naturopatia e diferentes formas de Fitoterapia e tratamentos com águas (BENEVIDES, 2012, p.5).

Nesse contexto, as PICs oferecem uma concepção ampliada de saúde, de sujeito e de coletividade, uma vez que abrangem um modelo de atenção à saúde que busca a integralidade do cuidado. Para Thiago e Tesser (2011), a diferença entre a medicina convencional baseada no modelo biomédico e a medicina complementar alternativa, também denominada de medicina tradicional é a visão da pessoa que necessita de assistência, pois o modelo biomédico visa apenas a doença, negligenciando a autonomia do indivíduo. No que concerne à medicina complementar alternativa, esta trata o indivíduo de forma holística, integrando corpo, mente, energia, espírito e cultura.

É importante destacar que a origem das PICs vem de longa data. De acordo com Antunes (2018), no final dos anos 1970, com a Primeira Conferência Internacional de Assistência Primária em Saúde (Alma Ata), realizada na Rússia em 1978, as primeiras recomendações para a implantação das medicinas tradicionais e práticas complementares difundiram-se em todo o mundo. No Brasil esse movimento ganhou força a partir da Oitava Conferência Nacional de Saúde realizada em 1986 e desde então, somente se expandiu.

A partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 e da criação do SUS, portarias, documentos oficiais publicizados e eventos nacionais passaram a fazer parte da trajetória de implantação das PICs em todo território nacional, destacando-se o esforço da sociedade civil em regularizar a homeopatia, a acupuntura, o uso de plantas medicinais, a adoção de práticas corporais e meditativas, entre outras, viabilizadas pela criação de convênios e por diversos grupos de trabalho dedicados a elaborar projetos e políticas públicas para essa área (PAIVA, 2016).

Nesse seguimento, o MS instituiu pela Portaria nº 971, de 03 de maio de 2006, a PNPIC, que recomenda a implantação e implementação de ações e serviços no SUS, com o objetivo de garantir a prevenção de agravos, a promoção e a recuperação da saúde, com ênfase na Atenção Básica, além de propor o cuidado humanizado e integral em saúde. A PNPIC tem como objetivos:

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Incorporar, implementar, estruturar e fortalecer as referidas práticas no SUS; Contribuir para o aumento da resolubilidade do sistema e para a ampliação do acesso às PICs, particularmente dos medicamentos homeopáticos e fitoterápicos; Promover a racionalização das ações de saúde; Estimular as ações referentes ao controle/participação social: Desenvolver estratégias de qualificação de pessoal; Divulgar conhecimentos e informações sobre PICs para profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS. Além disso, incentivar ações intersetoriais, a pesquisa, as ações de acompanhamento e avaliação, além de promover a cooperação nacional e internacional no âmbito das PICs (BRASIL, 2006, p. 9).

No ano de 2007, o MS com objetivo de fortalecer a PNPIC, incluiu as plantas medicinais e suas formas farmacêuticas na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) no Componente Básico da Assistência Farmacêutica (CBAF), que apresenta medicamentos a serem disponibilizados e ofertados aos usuários no SUS, visando à garantia da integralidade do tratamento. Atualmente o CBAF contém 13 plantas medicinais: Cynara scolymus (alcachofra), Schinus terebinthifolius (aroeira), Aloe barbadensis miller (aloe vera), Aloe arborescens (babosa), Rhamnus purshiana (cáscara-sagrada), Maytenus ilicifolia (espinheira-santa), Harpagophytum procumbens (garra do diabo), Mikania glomerata (guago), Mentha spicata (hortelã), Glycine max (soja), Plantago ovata (plantago), Salix alba (salgueiro) e Uncaria tomentosa (unha-de-gato) (BRASIL, 2017a).

Merece destaque, também, a iniciativa do MS em implantar o Programa Farmácia Viva no SUS, através da Portaria nº 886 do GM/MS, de 20 de abril de 2010, que no contexto da Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF), deverá realizar todas as etapas da cadeia produtiva de plantas medicinais: cultivo, coleta, processamento, armazenamento, manipulação e dispensação de preparações magistrais e oficinais de fitoterápicos.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) através da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 18, de 03 de abril de 2013, complementou a referida portaria e estabeleceu os requisitos mínimos para o exercício das atividades de preparação de plantas medicinais e fitoterápicos em Farmácias Vivas, visando a garantia de qualidade e promoção do seu uso seguro e racional.

Em 2018, a PNPIC completou doze anos de publicação e representa uma política pública intersetorial que, no campo da rede de atendimentos, trabalha com a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), que é responsável por organizar a implementação dessas técnicas neste nível de atenção.

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.17072-17085 apr. 2020. ISSN 2525-8761 De acordo Antunes (2018), o campo em que mais são utilizadas as PICs é a Atenção Básica e corrobora com a própria PNPIC, que incentiva a implantação das PICs no SUS, sendo a Atenção Básica a sua principal porta de entrada. Mas as atividades de PICs não devem ser restritas a Atenção Básica. Entretanto, a autora não encontrou nenhuma política pública de média e alta complexidade com a inserção das PICs nesses níveis de atenção.

Em março de 2017, a PNPIC foi ampliada em mais 14 outras práticas a partir da publicação da Portaria GM nº 849/2017, a saber: Arteterapia, Ayurveda, Biodança, Dança Circular, Meditação, Musicoterapia, Naturopatia, Osteopatia, Quiropraxia, Reflexoterapia, Reiki, Shantala, Terapia Comunitária Integrativa e Yoga (BRASIL, 2017b).

Finalmente, em março de 2018, os pacientes do SUS foram beneficiados com a inclusão de 10 novas PICs, com recursos terapêuticos direcionados para prevenir diversas doenças, como Depressão e Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). São elas: Apiterapia, Aromaterapia, Bioenergética, Constelação Familiar, Cromoterapia, Geoterapia, Hipnoterapia, Imposição de Mãos, Ozonioterapia e Terapia de Florais (BRASIL, 2018). Com as novas PICs, ao todo, o SUS passou a ofertar 29 procedimentos aos seus usuários.

3 OS DESFAIOS NO PROCESSO DE IMPLEMENTAÇÃO E GESTÃO DA

POLÍTICA NACIONAL DE PRÁTICAS INTEGRATIVAS COMPLEMENTARES EM SAÚDE NO MUNICÍPIO DE SÃO LUÍS

Apesar da recomendação local e nacional da oferta das PICs para melhor qualidade de vida da população, existe uma insuficiência de diretrizes operacionais para implementação da PNPIC nos municípios brasileiros, o que dificulta a consolidação dessas práticas no SUS, no âmbito na Atenção Básica.

Em entrevista concedida em 19 de maio de 2018, no site “São Luís - Agenda de Notícias”, o Secretário Municipal de Saúde propôs expandir a oferta das PICs no município de São Luís - MA. De acordo com V.S.a Lula Fylho, os gestores devem trabalhar para ampliarem o acesso da população as PICs, porque estas se caracterizam como “terapias que fortalecem o trabalho na prevenção de agravos e promoção e recuperação da saúde”.

Entretanto, até o presente momento, das 54 USF cadastradas na Atenção Básica nos 07 distritos sanitários administrativos do município, apenas 03 (5,6%) oferecem PICs nos seus territórios de atuação, quais sejam: Centro de Saúde do Turu, Centro de Saúde Cohab, ambos localizados no Distrito Cohab e o Centro de Saúde da Vila Embratel, localizado no Distrito Itaqui Bacanga (SÃO LUÍS AGÊNCIA DE NOTÍCIAS, 2018).

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.17072-17085 apr. 2020. ISSN 2525-8761 Diante deste diagnóstico situacional, em que constatamos uma deficiência de oferta de PICs aos usuários da Atenção Básica do município de São Luís - MA, é possível elencar os principais desafios enfrentados pelos gestores locais em relação à implementação da PNPIC, senão vejamos:

A falta de coordenação nacional oficial da PNPIC no âmbito do MS e a inexistência de dotação orçamentária para implantação e implementação das PICs nos municípios brasileiros. Segundo Sousa e Barros (2018), no dia 12 de março de 2018, o MS criou a Coordenação Nacional da PNPIC no âmbito da Diretoria de Atenção Básica da Secretaria de Assistência à Saúde. Porém, esta coordenação ainda não foi regulamentada. Além disso, existem muitas lacunas de informação sobre, por exemplo, o processo de inclusão de 14 PICs no SUS em março de 2017 e de outras 10 PICs, em março de 2018.

No que concerne aos recursos financeiros para desenvolver as PNPIC nos municípios, os gestores locais não sabem como adquirir estes recursos. Na própria PNPIC não fica claro de onde deve partir o financiamento, o que tem provocado confusão e impedindo que se desenvolvam as PICs no âmbito da Atenção Básica. Também foi constatada a ausência de uma agenda institucional e de uma tipologia de financiamento que garanta maior sustentabilidade, tal como dotação orçamentária específica, afim dos profissionais desenvolverem as PICs no SUS (ANTUNES, 2018).

Também podemos apontar como desafios, a predominância do modelo biomédico, a falta de conhecimento e a carência de capacitação de recursos humanos do SUS na área das PICs. Paiva (2016) afirma que existe uma necessidade de se criar investimentos em capacitação profissional com o fornecimento de cursos e maior divulgação da PNPIC nos estados e municípios.

Para Paiva (2016), os profissionais que integram as equipes da ESF necessitam de informações sobre as PICs, sua utilização, benefícios, sobre a PNPIC que regulamenta e incentiva a utilização das mesmas na Atenção Básica e em outros níveis de atenção. A autora afirma que a falta de conhecimento está relacionada com a baixa oferta de disciplinas na formação acadêmica destes profissionais, uma vez que estas disciplinas estão direcionadas ao modelo biomédico.

Nesse contexto, uma das estratégias para modificar o cenário atual seria a reestruturação dos componentes curriculares dos cursos da área da saúde, principalmente dos cursos de enfermagem e medicina, para inserirem disciplinas e/ou estágios na área das PICs. Além disso, é necessária a inclusão das PICs nas temáticas abordadas no contexto da Educação Permanente

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.17072-17085 apr. 2020. ISSN 2525-8761 em Saúde para atualizar os conhecimentos dos profissionais referentes a esta área, além de possibilitar formações e capacitações técnicas para o atendimento (PAIVA, 2016).

Outro fator relevante que contribui para entravar o processo de implementação da PNPIC no município de São Luís - MA, está associado à notificação das atividades desenvolvidas. A falta de registros, a subnotificação e a própria falta de protocolos direcionados para as PICs contribuem para que não se conheça a fundo como é desenvolvida esta tipologia de assistência. De acordo com Sousa e Tesser (2017), a própria PNPIC preconiza que sem o devido registro e fornecimento adequado de insumos, as ações ficam desprovidas de monitoramento e avaliação.

Finalmente, outro fator determinante para obstaculizar as ações direcionadas para as PICs é a omissão da gestão municipal no que concerne à fiscalização da qualidade de produtos fitoterápicos que são dispensados em farmácias ou mesmo em mercados do município de São Luís - MA.

Segundo pesquisa realizada por Amaral et al. (2003), que analisou a qualidade de drogas vegetais comercializadas em mercados públicos de São Luís - MA, tais como pau-d’arco roxo, cabacinha, boldo, sene e melão de São Caetano, entre outras. Os autores constataram as condições precárias do comércio destas espécies vegetais, com elevado índice de contaminação por bactérias e fungos, o que é proibido pela legislação brasileira, expondo assim o consumidor ao risco de usar material vegetal para fins terapêuticos que está impróprio ao consumo humano, evidenciando a negligência das autoridades sanitárias competentes.

É importante enfatizar que a aquisição de plantas medicinais representam riscos não só quando adquiridas no comércio informal. Outro estudo realizado por Godinho (2014) verificou que a comercialização de fitoterápicos em farmácias, sob a responsabilidade técnica do farmacêutico, não assegura produtos sem desvios de qualidade. O pesquisador analisou amostras comerciais de Passiflora spp (maracujá), adquiridas em estabelecimentos farmacêuticos de São Luís - MA, que indicaram percentual de material estranho de 76,3%, com predomínio de pedras e galhos, um valor bem acima do permitido pela monografia da espécie que é de 2,0%. Além disso, foi constatado a contaminação por microrganismos, evidenciando a necessidade de maior fiscalização, vigilância e controle de qualidade dos fitoterápicos que são disponibilizados para comercialização, por parte da gestão municipal, através das autoridades sanitárias.

Diante do exposto, verificamos que ainda há muito a ser executado, tanto em nível local, através dos gestores municipais, quanto em nível nacional para garantir de modo efetivo, o

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.17072-17085 apr. 2020. ISSN 2525-8761 acesso da população às técnicas de PICs e nesse contexto revestido de desafios e dificuldades, também é necessário reunir os gestores, profissionais de saúde e a sociedade para promover debates sobre a relevância das PICs como um modelo de cuidado integrativo no SUS.

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