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Cidadania Consciente "um dos desafios do Serviço Social na educação"

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(1)

'UNIVERSIDADE

FEDERAL DE SANTA

CATARINAJ

\ ^

_ ~

CENTRO

SÓCIO~EC()NÔM1CO

DfiE1)A.RÍ[`AÇ{V]]E.NTO.Í)ÉE SERVIÍÇÍ) S()CIA.L

>

CIDABANIA

CÚNSCIENTE

“Um

dos

desafios

do

Serviço

Social

na Educação”

V

Aprovado Polo £z.S L §mz¿ãJ..__.f[)×_ / LIS , A 5" %Í¡9 do da Serviço Social -UFSC

ANA

CL./~\'UE)IA

ME

LÍM

Wm'äam'1›¡1oiis,

novembro

de

1995.

(2)

UN]¶VfE.RSéI.BA.B%E

.ÊTEDERAL

DE SANTA

QA'.ãÍ`ARÊÍNA

(ÍÍENTRO

SÓCIO-E(ÍONÔÍ\/fl.C0

I

l`)EPAR'.l_`A_MÇI.C.N'lÂ`O

DE

SERVIÇO SOCIAL

if

CHB»AfDANÍEA CONSCl.EN'l.`E

A

“Um

dos dfisafms

mfla

Servãw

Sflcízaã

na

.Eduwçãw

l`fRABA_LIl*H.()

DE

(L`()N'CLUSÃU

DE

CURSO PARA

0H£TEN`ÇÃ()

DO

(š{!¬{AU DJE ASSlS'l.`i.Í.N'.l`E

SOCIAL

ANA

(.;`LAUl_)'lA

ME

LIM

(3)

CIBADANIA

C()NSÇIEN'H.`E

UM

DOS

DESAFIOS

DO

SERVIÇO SOCIAL

NA

EDUCAÇÃO

ANA

CLAUIÂMA

MEIÍÁM

.IÍ`raba_I

ho

de

Conclusão

de

Curso

, aprcsentad‹:› ao l)cpa.rtamcnt‹›

de

Serviço

S‹;›Cia.¡

da

Uni;vcrsi.dade Federal

de

Santa Catarina, para ob'tcoç‹›

do

t.ítu.l‹:›'‹l.c

ASSISTENTE

SÍBCIAL

Chefe

do

Depto.

de

Serviço Social

(4)

Aos meus

pais:

José

Maria

Melim

Antonia.

M.

de

Andrade Melim

À

minha

su_pervis‹›.ra

de

estágio:

(5)

AGRADECIMENTOS

_lI)es‹:ja-se aqui registrar os sinceros agradecimentos

a

todos aqueles

que

diretamente

ou

i.ndi.retamente contribui

ram

para

que

este trabalho se tornasse realidade.

Agradecimento

especial é dirigido as seguintes pessoas e entidades

que

com

o

seu apoio e incentivo possibilitaram a autora deste trabalho cons`eguir atingir os seus

objetivos : '

~ Sr. Jose

Maria

Melim

e

Sra.

Antonia

l\/lfaria

de

A. .Melim , pais

da

autora, pelo

constante e imprescindível incentivo e apoio _

- Sra.

Maria

Isabel

Toledo

Osório

Pereira, supervisora

de

campo

do

estágio,

do

Centro de

Educação Complementar do

Itacorubi, instituição pertencente à P1'elei.tura

Municipal de

Flon`anópolis,

que não

mediu

esforços para garantir a conclusão deste

traballio,

mesmo

em

detrimento

de

seus

compromissos

pessoais e profissionais.

_

- Professora

Geney

.l\/litikia K. 'l`al<.ashima, orientadora

do

trabalho

de

conclusão

de

curso, por estar

sempre

presente diante das dificuldades, orientando

da melhor

forma

para alcançar os propósitos

do

trabalho.

- Professora

Regina

Célia Mi.o'tto, orientadora

do

projeto

Educação

para Cidadania, pela sua on`entação

no

decorrer

do

projeto

que

garantiu as bases

mais

sólidas durante a construção

do

trabalho

de

conclusão

de

curso. -

Aosamigos

e

ao

namorado

que sempre

permaneceram

presentes, propiciando

(6)

1

'sUMÁR1o

-

Introdução

... ._

\

-

Capítulo

1

Educação

no

Brasil -

Um

passo

rumo

à cidadania

... ..

8

1.1 -

Cidadania

e

educação

-

Um

enfoque

teórico ... .. -

Capitulo

2

Centro de

Educação Complementar

-

Um

espaço aberto

para

a

prática

da

cidadania

... ._ 2.1 -

A

Política

do

Bem

Estar

do

Menor

no

Brasil ... ... .. 2.3 -

O

Centro

de

Educação Complementar do

Itacorubi ... _. -

Capitulo

3

A

Prática

do

Serviço Social dirigida

à construção

da

cidadania

consciente ... _. 3.1 -

A

Prática

do

Serviço Social

no

Centro de

Educação

'

Complementar do

Itacorubi ... ... .. 3.2 -

Educação

Para Cidadania

-

Uma

experiência

do

Serviço Social

na

àrea educacional ... -

Conclusão

... ..

60

-

Sugestões

... ..

61

- Bibliogratia ... .. -

Anexos

... -... ... ._ ... ..

8

1.2 -

Apontamentos

históricos

na

educação

do

Brasil ... ..

9

... .. 19

... ..

19

2.2 -

Os

Centros

de

Educação Complementar

em

Florianópolisu... ... _.

21

... ..

24

... ..

28

... ._

28

... ._ ... ..

62

/.‹

(7)

\

~

lN'l`ROl)`UÇAO

A. cidadania atualmente é considerada

um

dos

temas

mais debatidos entre a

sociedade.

Apenas

por ser

uma

moda?

Não,

mas

por ser

um

tema que

leva ao

povo

o desenvolvimento econômico, político e principalmente social.

Acreditando

na

possibilidade de contribuir para o desenvolvimento

da

cidadania, elaboramos este trabalho de conclusão

de

curso, resultante de

uma

prática

de estágio curricular de Serviço Social;

na

área educacional.

Assim, este trabalho: “Cidadania Consciente ~

Um

dos desafios

do

Serviço

¡ 9

Social

na

Educação” , esta

composto

por três capítulos, sendo

que

o primeiro

apresenta

um

enfoque teórico sobre 0 que é cidadania, juntamente

com

alguns fatos

importantes

da

história

da educação no

Brasil, resgatando-a desde o período

da

colonização até os dias atuais. _

Ao_identificar a

educação

cgmo

um

dos instrumentos para _a__çQ¿1¿1u_i:§_ta_d_a

cidadania consciente, objetivamos demonstrar

no segundo

capítulo,

como

ela se

apresentaiiifo espaço

do

Centro de

Educação

Complementar

- Este c‹:›nfigura

não

como

uma

escola formal,

mas como

um

programa

assistencial e educativo,

da

Pre'_feitura Municipal de Florianópolis, para crianças e adolescentes carentes.

'

Sendo

assim,

desenvolvemos

em

.oucas .alavras

um

histórico das Políticas

do

u

I) ,

Bem

Estar

do Menor,

pois as

mesmas

se caracterizam

como

provedoras destes

programas

destinados à infância e àjuventude. '

Em

Florianópolis, estes Centros,

como

vários

programas da

rede pública, sofrem

com

a

pouca

consideração

do Governo do

Município,

ou

melhor, sofrem

com

a falta

de repasse de

uma

verba especí-tica.

Esta carência de recursos, transfonna. o trabalho

em

poucos

resultados.

E

quem

acaba sofrendo as conseqüências' é a própria clientela,

que

deveria receber

um

atendimento mais digno. _

Mesmo

com

tantas dificuldades, os Centros de Educação'

Complementar

não

deixam

de

medir

esforços para proporcionar

um

trabalho de qualidade, visando,

como

apresenta o Estatuto

da

Criança e

do

Adolescente, o desenvolvimento 'pessoal e

(8)

7

O

último capítulo se

detém

a

relatar as atividades

do

Serviço Social

no

CEC

do

Itacorubi e

a

apresentar

o

projeto

“Educação

para

a

Cidadania”. Este projeto nasceu

da

prática

da

estagiária

no

relacionamento

com

as crianças e adolescentes, atendidos pelo Centro, pois foi observado,

no

decorrer

do

estágio,

que

os

mesmos

refletiam

pouca

consciência

do

que

era cidadania e

de

quais

eram

os seus direitos e deveres

como

cidadãos. Assim,

o

projeto desenvolvido

propõe a

construção

de

uma

prática

(9)

(L'APÍl'.l`U

M)

Í

EI)U(L`AÇÃ()

NG

BRASIL

-

U

M

PASSO

RUMO

À

C.lDAil)AN.lÍA

1.1 -

CIDADAN

E

EDUCAÇÃO

-

ENF()Q'UE

TEÓRICO

Entendendo

as instituições educacionais

como

“motor”

do

desenvolvimento

social., através

do

ensino

da

cidadania, construímos

um

paralelo entre estes dois

focos para

demonstrar a

importância

da

união e, assim, alcançar

uma

sociedade

mais

justa, democrática e igualitária.

Entretanto, antes

de

traçar

o

,paralelo precisamos entender:

“O

que

e cidadania'?”; e

“Qual

é

o

papel das instituições educacionais? ”.

“Cidadania

é

a

qualidade

social

de

uma

sociedade

organizada

sob

a

fi›rma

de

direitos e deveres majoritariamente

reconhecidos.

T

rata-se

de

uma

das

conquistas

mais

importantes

na

história.

No

lado

dos

direitos,

repontam

os

direitos'

humanos

que

hoje

nos

parecem

óbvios,

mas

cuja

conquista ¿;__Ie_1;noroi¿_ milênios, e

traduzem

a

síntese

de

todos

os

direitos imagináveis

que o

homem

possa

ter.

No

lado

dos

deveres,

aparece sobretudo o

compromisso

cormmitário

de

cooperação

e co~responsabilidade.

Cidadania fundamental

'viccja neste lado,

aquela

que

sa~

be

tomar

consciência

das

injustiças,

descobre os

direitos,

\

vislumbra

estratégias

de reação

e tenta

mudar

o

rumo

.

da

história. ” ÚÍ`)El\_/10.1988." 70) ×

l

Quanto

as i.nstitui.ções educacionais,

sendo

:formais

ou

i.n¡l1i)rmais

devem

caracterizanse como... “...um

espaço

de

relações,

onde

as

.situações coletivas 2/fzqéí/3

devem

ser

garantidas

no

cotidiano, e

as

vivências

grupais

e intergrupais

são

0 ¿¿/

fundamentais

ao

desenvolvimento

e socialização

da

criança. (..)

Estamos

falando

de

um

equipamento

que

trate criança

como

criança...

sem

marcas de

discriminação,

capaz

de

desenvolver

sua

¿1¿t5¿n,Qmia,__

de

constituir-së¿

como

pessoa,

de

conhecer,

reconhecer

e transformar

a

realidade

à

sua

volta, inserindo- se

em

seu

grupo

social

de

maneira

consciente e livre, tratada

como

cidadão de

ç

direitos' e

não

de

favores. ” (CASTANI-I()

E

OLIVEIRA,

1992.20)

ki

Certamente que o

con.cei;to

de

cidadania_,

nao

se restringe

apenas ao gozo

e a i

(10)

. 9 tentar explicar

a

cidadania.

Um

outro destes é

o que

expressa Gilberto Dimenstein,

em

seu livro

O

Cidadão

de

Papel:

“É

uma

palavra

usada

todos

os

dias

e

tem

várias

conotações

diferentes. (...)

Mas,

hoje significa,

em

sua

essência,

o

direito

de

viver decentemente. ”

(DIMENSTFIN,

I

993

:I 7)

F

Acreditamos que a

cidadania,

em

seu conceito chave “diretos e deveres

do

cidadao

',

possua

enfim,

esta definiçao. Contudo, se

buscarmos o

pano

de fundo que

encobre

e

embasa

todo

este conhecimento, aparecerá

uma

educação

para

tomar

QV

individuo

nao

um

objeto

maíum

sujeito

da

realidade social

com

capacidade para

,_

compreende

la_`e_t¿an_šforma-la,

uma

educaça‹¿que_o ensiiie

a

ter opç_§E_s e

a

saber

escoÊ'ë-last

uma

educação

qÍ}§,_`äöim7í'de tudo, lhe diga *que

a_ hb`e_i7dade`de expressão,

mas

para criticá-la precisa ser sujeito consciente e participativo

na

ç este cidadão ciente

de

seus direitos _e_ _dgvere§,r

uma

edÍ1cação`qÊ

`tõrn*e*¬este

\

\/sociedade.

' 'i ff

,__

Segundo

o

resgate

do

Padre Gronh*, “Hoje

não

temos

que

pedir verbas

para

construir

grandes

estruturas, edifícios,

mas

sim, investir

em

pessoas,

em

consciência,

em

educação.

(__.

)Porque

acabar

com

edifícios, estruturas

pode

ser

mais

fácil e

rápido

do

que acabar

com

a

consciência

de

um

povo. ”

Por

isso,

afirmamos

que

a

educação

é

um

dos

motores para

o

desenvolvimento

da

sociedade.

E

a

partir dela, é

que

se constituirá

uma

consciência transformadora.

Uma

consciência

que

levará

ao povo

, a tão desejada qualidade

devida

numa

sociedade

que

se pretende democrática. _

1.2 -

APoNTAMEN'ros

iiisTÓR1cos

DA EDUCAÇÃO

No

BRASIL

-

QUATRO

sÉcULos

DE

EDUCAÇÃO

No

BRASIL

É

O

início

da

educação

escolar é considerada

a

partir

da

vinda

dos

jesuítas

ao

Brasil.

No

período colonial,

a educação

era considerada outorgada, e

como

tal, aceita

pela sociedade civil.

Os

índios e as famílias recebiam,

segundo a

delegação

do

rei, a

educação

através

dos

jesuítas e missionários, pois

o

sistema educacional era todo

decorrente

da

presença.

da

Igreja Católica.

A

estrutura social

da

época

era

composta

por: escravos, trabalhadores, senhores

de

engenho,

gandes

latifundiários e funcionários representantes

da

coroa.

*Padre Wilson Gronh.

Pa&1.

D

que é cidadania -

um

enfoque teórico e prática. Seminâiio Estadual:

(11)

"Não

é

por

acaso

que

nesse

período

é praticamente inexistente

uma

politica educacional.

A

Colônia

tinha

um

sistema

educacional

de

elite. "

(PINTO,

I

986:5

7)

Por

este motivo, apontou-se

um

entrave

ao

desenvolvimento

econômico

e social,

que

não

exigia

uma

educação que

qualifieasse para

o

trabalho e para a vida pública.

A

educação

desta época.,

apenas

retratava-se por três características:

. a) Elitismo -

como

já exposto,

a educação

era elitista,

onde consequentemente

ignorava-se

a grande

massa, destinando-a

ao

exercício

de

profissões servis e

a

cargos

de

subordinação e

nunca de

coordenação.

b)

Bacharelismo

- “

A

leitura

das

leis e,

mais

importante,

sua

interpretação, é

garantida

a

poucos

-

aos Bacharéis

que,

no

fitturo,

serão

responsáveis

pela

direção

do

Estado

e

do

país. ”

(CAVALCANTI,

1989: 69) .

c) Dissociação

da

realidade - “

O

Bacharelismo

leva

por

sua

vez

à

terceira

caracteristica -

a

dissociação

da

realidade - pois, estuda-se

em

textos, frutos

do

bacharelismo, que,

pouco

ou

nada, refletern

as

circunstâncias reais

do

meio

ambiente

ou

condições

gerais

do

país.

As

leis

que

regem

a

vida

da

república

são

letra

morta

para

a

maioria daqueles

que

vivem

nele. Significativamente,

a

educação

superior

do

Império

e

na

República,

além

do

Direito, limita-se

ao

ensino

de Medicina

e

de Engenharia. ”(CA

VALCANÍH,

1989: 69)

Gilberto

Amado

também

relata,

em

uma

de

suas publicações,

o

que

vinha

a

ser

o

cidadão

na

época

e

a

sua impossibilidade

de

participação ativa

no

campo

político

decorrente

de

sua educação,

assim

como

os entraves

que

os estadistas enfrentavam

no

período

do

Brasil Imperial:

“Tendo

todos

os

hábitos peculiares

aos

legistas

educados

à

abstrata,

sem

um

entretenimento forte

com

a

vida material

do

país,

levantando

nos braços

a

escravidão

para

as

alturas

de

'

um

sistema

politico

nascido

na

Inglaterra,

dos

próprios fatos,

do

próprio senso

do

povo,

da

própria

experiência

das

liberdades públicas conquistadas

ao

domínio

secular

dos

conquistadores,

da

própria

originalidade

do

espírito saxónio,

era

natural

que

estes

homens

se

surpreendessem

do

mau

fimcionamento

desse .sistema

sobre

tribos

mais

ou

menos

selvagens,

sobre negros

escravos,

sobre

filhos

de

índios e

de

negros,

sobre

filhos de

portugueses,

sem

instrução,

sem

idéia

nenhuma

também

do que

fosse representação popular, direitos

(12)

11

Desde

o

império até a república, a

educação

continuou

sendo

regida pelos poderes públicos,

ou

seja, “de

cima

para baixo”, e elitizante fazendo descaso

com

a

classe .menos ít`avorecida, pois

não

se pretendia

uma

educação

popular para a nossa

realidade social.

A

educação

era considerada

um

monopólio

estatal,

onde

se

atendiam

as

necessidades

da

burguesia.

Em

contra partida, esta

mesma

burguesia se

comprometia

em

não

interferir

no

processo educativo.

_

Ora, se

com

o

ensino primário já havia

o

descaso

com

as

camadas

mais

deslavorecidas, os cursos superiores é

que

realmente

nem

contavam.

com

a presença

deles.

O

resultado

não

poderia ser outro,

no

Brasil daquela

época

já havia

70%

de

analfabetos.

Com. o

início

do

período republicano, as

chamadas

classes desifavorecidas, constituídas principalmente de negros e escravos,

passaram pouco

a

pouco

a obter

maior

atenção

dos

governos,

sendo

atendidas

com

a

educação

de base

popular.

Pelo restrito acesso à

educação

íformal, 'tornou-se claro

como

eram

vistos os cidadãos

da

época, representados

apenas

pela burguesia,

ou

sejam , os

homens

de

bens. Mulheres, crianças pobres e escravos

não possuíam

vez e

muito

menos

voz.

Osexcluídos do

processo educacional, negros, índios, e pobres, possuíam.

como

“único direito”, viver submetidos às regras

da

elite e

do

governo.

Apenas

aos

homens

, considerados cidadãos

da

sociedade, era concedida a

participação

na

vida pública. Afinal, exercitar a cidadania

da época

se restringia

simplesmente

a

este direito.

'

7

z

As

TRANsFoRrv1AÇÓ15s

No

iiuíícro

Do

sÉctn.o

'

//“ lj'/á

Por

vol;ta

de

1920, surge um.

movimento

renovador

denominado

ESCOLA

NOVA,

inici.ado por alguns eminentes educadoresf/ Este

movimento

tinha por

objetivo retormar e melhorar as condições

de

ensino em. diversos estados brasileiros

nos

textos

de

Anísio Teixeira, defensor

da

educação

universal e democrática, cuja luta

perdurou

até

o

momento da

discussão

em

torno

da

Lei

de

Diretrizes e

Bases

da Educação

Nacional. "

(CA VALCANTY,

1989:

68) '

1922

'ocorreu a

Semana

da

Arte

Moderna

que

fez vir “...

a

.consciência

de

conhecer

um

.Brasil real,

mais

autentico,

depurado dos

idealismos românticos,

0

(13)

12

A

Semana

da

Arte conseguiu representar,

em

diversas formas, as rupturas

dos

modelos

existentes

no

Brasil Império e

na

República Velha, e as

novas

idéias para

um

país

moderno,

embora

ainda constituído pelo

pensamento

conservador.

Em

1924, foi

fundada a Associação

Brasileira

de Educação (ABE),

constituída

por

educadores, intelectuais, políticos e figuras

da

expressão

da

sociedade brasileira, representando

um

impulso

para soluções das deficiências educacionais. _

Mais

tarde,

com

a

revolução

de

30, ocorreram grandes

mudanças

na

realidade nacional, inclusive

na

educação,

ampliando consequentemente

a consciência política

do

povo.

Segundo

Amado,

o

cidadão brasileiro, até

a

revolução

de

30, possuía

uma

consciência política precária. Entretanto,

após a

revolução,

a

classe

média

se desenvolveu,

mas

a grande

massa

popular

permaneceu

ausente das reivindicações

politicas. Estas

mudanças

também

repercutiram

na

área educativa.

O

início

do

século

XX,

trouxe várias transformações para a área educacional,

porém, a mais

importante ocorreu

em

1930

com

a

criação

do

Ministério

da

Educação

e Saúde,

que

coordenaria as reformas educacionais advindas

com

a Constituição

de

34, lideradas

por

Francisco

Campos.

'

A

então

chamada

Reforma

de

Francisco

Campos,

possuía

um

cunho

nitidamente autoritário.

Com

a

reforma,

o

ensino primário passou a ser gratuito e obrigatório e

o

ensino religioso tornou-se facultativo. Já

o

ensino secundário

passou a

dar

mais

ênfase às Ciências e foi

ampliado

em

mais

um

ano

letivo, através

de

uma

linha conservadora e elitista.

Houve

outras

mudanças

também:

nas

duas

primeiras séries

que

deveria prevalecer

o

humanismo

e nas

duas

últimas

o

espírito científico.

O

ano

de 1931

caracterizou-se pelo ensino religioso, introduzido pela influência

da

Igreja Católica

que

possuía

uma

aliança

de

ideologias

com

o

Estado,

deixando

neutro

o poder

da

tradição liberal. -

Diante de

todas estas realizações

na

educação,

a

partir

de

1934, todas as Cartas

passaram a

dedicar

maior

atenção

a

este setor.

As

transformações acarretadas através

das

tempos,

no

setor político, social e principalmente educacional,

deram

início

a

ama

nova

consciência

do

povo,

mais

critica sobre

a

conjuntura nacional. `

A

população sendo submetida a

uma

emmção

dentro

da

realidade brasileira,

(14)

13

possuírem

idéias “cruas” sobre a sua cidadania, fez

com

que

uma

parte

do povo

- a

classe

média

- iniciasse grupos

de

lutas por alguns dos seus

direitos.

e

REFORMA

CAPAN

EMA

Seguindo a

Reforma

de

Campos,

veio

a

Reforma

Capanema

em

1942,

que

mantinha a educação

conservadora e elitista.

Da

mesma

forma, qo Ministério

da

Educação

é

quem

mantinha

um

controle

dos programas de

aula e das disciplinas.

A

ref.orm_a veio

com

o

intuito

de

acabar

com

a cientificidade

dada

na

reforma anterior e

estabeleceu

maior

ênfase nas ciências

humanas,

mas

admitiu “...

o

curso clássico e

o

ensino cientzfico

como

_preparatório

a

Universidade.

(C/1ÍI/§4.lÍ.C/LNTIÍ. 198.9: 70)

Neste

período

também

foram

revigoradas as Escolas Técnicas, a partir

da

l.,ei

Orgânica

do

Ensino

Industrial, criada pelo Estado

Novo.

O

SENAI,

criado nesta

época, eradirigido às classes

menos

favorecidas. Caracterizado

como

um

sistema

de

qualificações profissionais

em

serviço, funcionando nas próprias fábricas.

Aqui

ficava estabelecido a diferença entre o ensino secundário, comercial e industrial.

Aƒase

que

vai

de

.1

945

até

o

início

dos anos

60

correspondeu,

quanto

ao

nível econômico,

à

aceleração

e diversifieação

do

processo

de

.substituição

de

importações

e,

quanto

ao

nível

político,

ao

surgimento

do

Estado

populista e

desenvolvimentista. "

(PINTO,

1 986: 63)

A

Reforma

de Gustavo

Capanema

criou as bases

da

futura Lei de Diretrizes e

Base

da

.Educação Nacional, a l_,Ii).BEN.

_

a

A

LEI

DE

DIRETRIZES E

BASES

DA

EDUCAÇÃO

'NACIONAL

-

LDBEN

Com

o

período

de

redemocratização

do

Brasil e a

promulgação da

Constituição

de

46, reiniciaram as discussões sobre

uma

política educacional

com

base

na nova

Lei

de

Diretrizes e

Bases da

Educação

.

Lembrando

que no

início

da década de

60,

no

Govemo

de

João Goulart,

o

país

estava

passando

por

um

terrível processo

de

inflação, baixo

poder

aquisitivo

do

povo,

problemas na

política, etc.

E

os

problemas que

tem

uma

origem

econômica,

certamente acarretam conseqüências para os

demais

setores

da

sociedade,

como

foi

o

caso

da

educação. -

Diversos

movimentos

sociaia .se

uniram

com

estudantes, sindicatos e partidos

políticos, criando

uma

campanha

de mobilização nacional contra o analfabetismo.

Entre eles,

0

Movimento

de

Cultura Popular nasceu para estabelecer

um

engajamento

(15)

do

povo

no

processo

de

participação política e

na

tomada

de

consciência

da

problemática brasileira. -

A

perspectiva educativa caracterizou-se

pela

adequação de

métodos pedagógicos que

colaborassem

para

essa

preparação

do

povo. Assim,

combinava-se

a

alfabetização

e

a educação de

base,

com

a

atuação sobre as comunidades,

preservando-se, sobretudo,

a

difusão

da

cultura popular. ” (PAIVA,

I980:22)

Paulo

Freire

também

demonstrou preocupação

com

a formação de

uma

educação

que,

ao

mesmo

tempo,

levasse

ao conhecimento da

cidadania.

Enfim,

ele apresentou

um

novo

método

de

alfabetização, visando

um

processo

de

conscientização e participação política através

da aprendizagem das

técnicas

da

leitura e

da

escrita. Freire,

fundamentou-se

na

prática

pedagógica não

diretiva,

objetivando passar

o

homem

da

condição

de

“objeto” para a

de

“sujeito”.

O

educador

queria

demonstrar

com

isso,

que o

homem

não

deveria ser

um

objeto

da

educação

e

sim o

sujeito feitor dela,

assim

como

sujeito

de

sua própria

história.

Segundo

Cavalcanti, a

LDBEN

foi

uma

proposta

de

ensino democratizante,

não

só por

sua

sugestão através

do

corpo legislativo,

mas

também

por seus

fins

e propostas

que operaram

profundas

mudanças

na educação

nacional.

Em

21 de

dezembro

de

1961,

a

Lei

4024

foi

aprovada

com

a

criação

do

Conselho

Federal

de Educação.

De

acordo

com

a

Lei

de

Diretrizes e Bases,

a

educação

passa a ser

um

direito

de

todos e será

dada na

escola e

em

casa,

cabendo

à

família escolher

o

tipo

de educação que

deve ser

dado

a

seus filhos.

Como

um

verdadeiro

plano de educação

nacional,

a

LDBEN

atende às necessidades

de

todos os

brasileiros

da

formação

para

o

exercício

da

cidadania,

não

mais

mera

palavra

inserida

no

contexto constitucional,

mas

conceito vivo

e

atuante,

modelo final

de educação

proposto

a

todos

os

brasileiros. "

(CA VALCANTIÍ,

1989: 71)

o

A

LEI

5692/

71

Dez

anos

se

passaram

e

o

ensino

de

e

grau sofreu

uma

totä reformulação,

com

a promulgação

da

Lei 5692,

que

enfatizou

o

caráter

profisänalizante

da

educação. Esta lei tinha

por

objetivo proporcionar

a

do

aluno,

,...i:i:-.: 1.. ....-,. .. ..._.i._.n... - ....-_...-.f. 1.. ... - ..--....-:-:.. ..--.,-:...- J.. ,.;.¡...1..._:..

quuuuua-iu pala

U

uaualuu

rs picpai a-iu para

U

GÀÇI ululu

uunauwmc

um

iézsuzzuama.

(16)

(

om

a 5692,

o

ensino

de

.l°

passou

a ser obri.gatoi'i.‹› para todas as crizinczrs

de

07

a 14 anos e foi atribuido aos .municípios a tarefa

de

proceder a

chamada

destas

para a matrícula.

'

O

ensino,

em

nosso

país,

vinha progressivamente

crescendo,

em

volume. A. lei

o

favorecia,

mas

não

era ela,

propriamente

que o

determinava. Crescia

o

ensino

como

um

fenômeno

que

a

evolução

econômica

e

as conseqüentes

mudanças

sociais

desencadeavam

e

que obrigavam

a

multiplicação

das

ofertas,

para

a

sobrevivência

em

novas'

condições

de

vida

que

o

desenvolvimento

criava.

Revigoravam-se,

assim,

por

esses

impulsos

que a nova

sociedade,

no

passo

precipitado

da

industrialização, sofria, as aspirações

pela

democratização

do

ensino. ” (LIJB : I 5 9)

As

intenções

da

lei

eram

boas,

com

o

ensino obrigatório as crianças e o ensino

proÍissionali2.ante,

mas

na

prática

o quadro passou a

ser outro, pois apresentou

uma

seno de

problemas, devido

ao

país ainda

não

estar preparado para adotada.

O

ensino

do

1° grau

passou a

ser constituido

de

8 séries, diferente

do

sistema

anterior

em

que o

Priniaiio possuia 4. séries e

o

Ginásio outras 4.

O

ensino profissionalizanlte tinha

na

verdade

um

caráter popular. Afinal, a entrada nas Universidades era “concedida” -

como

hoje

em

dia - à elite.

A

classe

baixa restava

apenas

os cursos técnicos. -A isso,

a

lei

ousava

chamar

de

preparo para

d

'd

d"

o

exercicio

da

cidadania,

que

naquela

época

representava

0

preparo 'o ci a ao para

o

trabalho,

passando

assim a sua contribuição para. a sociedade e para

o

Brasil

Os

problemas

acarretados pela lei

não

paravam

por ai,

na

sua própria

transcrição já se

apresentavam

confusões para

o

processo educacirmal.

A

educação

escolar é

uma

prática

executada

por

homens

simples, consequentemente,

a

lei

deve

ser clara e precisa tanto

para o educador

metropolitano

como

para

o

mestre-escola

do

interior.

Sendo

de

1.)iretrizes,

a

lei

deve

orientar e abrir

perspectivas,

como

que

escorvando

a

imaginação

criadora

dos

educadores;

sendo de

Bases,

deve

oferecer

um

apoio firme

e

tranqüilo

sobre

0

qual

se

possa

assentar

o

edificio espiritual

de

cada

escola. .Deve ser aberta,

mas

não

deve

ser perturbadora,

menos

ainda

geradora

de confusão

e tumulto. ” (LDB:3-4)

Õ

(17)

A

LDB

deveria

apenas

se preocupar

em

estabelecer

um

currículo

mínimo,

isto

é, d.o

mínimo

de ensino para 'todas as escolas

do

país,

o que

era

também

denom.i.nado

com

o

Núcleo

Comum..

-

Haviam

cursos supen`ores para todas as áreas, entretanto,

não

haviam

educadores

suficientes para .ministra-los,

ou

seja, a maioria

eram

educadores

desqualificados para

o

ensino.

-.

Da mesma

forma, as escolas

não possuíam

estruturas suficientes

(equipamentos, salas ambiente, laboratórios, etc.) para corresponder

ao

currículo

previsto pela 5692, pois

não haviam

recursos satisfatórios para tanto.

Os

problemas

acabavam,

com

isso,

chegando

aos alunos que., ao saírem das escolas

não

encontravam. um.

mercado

aberto a tanta :não-de-obra. ‹

“Finalmente

o

que

se

pode

observar

no

decorrer

da

história

da

educação

brasileira é

que

uma

“política

educacional

realmente

se

estabeleceu

após

1964. Isto

porque o

Estado

lassumiu

seu

papel

de condutor

dos

rumos do

sistema educacional, 'vinculado

ou

intrinsecamente alienado

à

política

econômica, conferindo

à educação 0 papel

de reprodutora

contraditória

da

estrutura

de

classes,

da

estrutura

de

poder,

bem

corno

reprodutora

da

força

de

trabalho. ”

(PlN.'l"O, I

98

6: 71) _

w

A

LEI

'N°

7044/ 82

A

Lei

5692

teve .ll

anos de

regência

no

país e

em

82

passou por

mais

uma

transformação,

sendo

complementada

pela n° 7044.

A

nova

lei inspirou-se

na

4024/61,

que

“esquecia” a preparação para o trabalho

e enlatizava a auto~realização e

o

exercício consciente

da

cidadania.

A

7044, .manteve

quase o

mesmo

conteúdo

da

4024,

mudando

apenas

para

uma

nova

.redação e adicionando alguns critérios.

O

ensino profissionalizante

também

não

era

mais

considerado

como

obrigatório

ou

como

um

inlperativo nacional,

mas

sim

optativo,

sendo de

acordo

com

as

-possibilidades

do

estabel.ecimen'to. `

'

O

lim

da decada de 70

e

o

início

da 80 foram marcados não somente

por

novas

(18)

17

governo

nacional.

O

período

de

ditadura já

não

era

mais

visto

como

um

autoritarismo

absoluto, pois

estavam

iniciando alguns espaços,

algumas

aberturas

no

sistema.

As

antigas leis

de

ensino

eram

um

exemplo

fictlcio desta abertura, pois

estavam

mais

“suaves”,

quanto ao

processo educacional. À

'

Um

dos

pontos

a

enfatizar devido

a nova

reforma é

a

das estruturas curriculares, estas

de

modo

geral,

estavam

todas voltadas

à

flexibilidade

do

currículo.

O

ensino

do

2° grau,

segundo o

22

da

lei,

passou

a ter

duração

mínima

de

2.200

horas e fi.xou~se

o

limite

de

pelo

menos

três séries anuais.

Quanto

ao

ensino

de

l.° grau, Caval.canti coloca “...

poderá

ensejar

a

qualificação profissional,

ao

nível

da

série

alcançada pela gratuidade

escolar

em

cada

sistema,

para adequação

às condições

individuais, inclinações e

idade

dos

alunos. "

(CA

VALCANYY,

_1989:13 0)

.Esta re;l`‹›mia descentra.li2.adora veio atingir

o

aluno

em

suas característticas

individuais e possibilidade

de

escolha.

e

A

NOVA

LDB

Desde

a

promulgação da nova

Constituição

de

1988,

que

cita

no

seu Art.205:

A

educação,

direito

de

todos e

dever

do

Estado

e

da

família,

será

promovida

e incentivada

com

a

'colaboração

da

sociedade,

visando

ao

pleno desenvolvimento

da

pessoa,

seu

preparo para o

exercício

da

cidadania

e

sua

qualificação

para

o

trabalho. ”

ficou

vi sível a necessidade

de

uma

nova

legislação para tornar

a educação

compatí vel

com

os seus termos.

Diversos projetos

de

lei

tem

sido apresentados desde então.

Os

mais

recentes,

em

análise”

no

Seriado, neste

momento

são:

o

projeto

de

lei, cuja relatora é a

Deputada

Angela

Amim

e

o

substitutivo proposto pelo

Senador Darcy

Ribeiro.

Ambos

retratam,

no

seu corpo,

o

texto constitucional

que

considera a

educação

como

um

preparo para

o

exercício

da

cidadania.

A

demora

na

delinição

da nova

LDB,

fruto

dos

inúmeros

debates e

(19)

legislador brasileiro.

Visão

esta, diferente daquela

do

Brasil Império,

em

que

as leis

para

a educação

eram

definidas “de

cima

para baixo” e

visavam

beneficiar

apenas

a

uma

minoria

da

população:

a

elite. ›

Atualmente,

a maior

parte

da

população

tem

claro

que a educação

é seu direito e luta por este, independente

do

seu

padrão

econômico ou de

sua realidade social. Este já é

um

sintoma inequívoco

de que a

cidadania

começa

a

se manifestar

na busca

pelos seus direitos,

não

de

sobrevivência,

como:

saúde, segurança, habitação,

mas

também

por aquele

que

lhe dará

a

garantia

de

ascensão social:

a

educação.

A

luta

pelo

acesso

à

escola

é, portanto,

também

luta

pelo

acesso

a

certas

condições

de elaboração

de

urna cultura

própria

dos

diversos

segmentos

sociais. ” '(

GRAMSCI,

(20)

19

~

CAPÍTULQ

2

V

CENTRO

DE

EDUCAÇÃO

OOMPLEMENTAR

A-

UM

ESPAÇO

ABERTO

PARA

A

PRATICA

DA

CIDADANIA

~

-_

2.1 -

A

POLÍTICA

DO

BEM

ESTAR

DO

MENOR

NO

BRASIL

“As

políticas sociais destinadas

à

infância

e

à

adolescência

vem

se caracterizando historicamente

por

medidas de

caráter tutelar,

compensatório

e supletivo,

como

resultado

de

um

modelo de

desenvolvimento

excludente,

onde

privilegia

um

sistema

de

industrialização

que

tende

a

incorporar efetivamente

cada

vez

menos

mão-de-obra,

jogando

as

crianças

num

processo

de

“adultização

precoce

",

em

busca

de

alternativas

mediatas

e

de

sobrevivência:

as

crianças

das

classes

subaltemizadas

são

impelidas

a

trocar

a

casa

e

a

escola

pela

rua,

à

brincadeira

do

.

ganha

pão,

destituidas

das

condições

mínimas de

desenvolvimento extrapolando as

responsabilidades e

funções

sociais historicamente atribuídas

à

infância

e

à

adolescência. "

(CASTANHOE

OLIVEIRA,

1992219)

Não

querendo

desfazer os

programas de

atendimento

que somente

dirigem os

jovens

ao

mercado

de

trabalho,

ou

à

outras atividades (lucrativas),

o que

se pretende elucidar são as conseqüências

que

acarretam

ao

colocar estas crianças nas ruas extinguindo

o

seu direito

à

convivência familiar,

ao

estudo, às brincadeiras e

à

sua própria

época de

existência, seja ela

a

infância

ou a

juventude.

Em

Florianópolis,

a população de

crianças e adolescentes desassistidos

chega

a 20.000, dentro

dos

quais

40%

estão

na

faixa' etária

de 7 à

18 anos*.

São

semi- analfabetos

ou

analfabetos. Destes cerca

de

10%

caracterizam-se pelo completo

abandono.

Estes

números

vem

preocupando

tanto a

população

como

o

govemo

local

vários anos.

Sendo

assim, os

mesmos vem

desenvolvendo

programas

de

atendimento

sócio-educativo

dfi

população

numerosa

e

fundamental

de

nossa

sociedade,

que

é constituida pelas crianças e adolescentes.

'Estes dados foram retirados da última realimm pela Prefeitura Municipal de Florianópolis, em relação à

mm@emwolmmm.“AWwm~mvñuüm1ñmm-

1991”.

(21)

“Ora, crianças e adolescentes

nada

são

que

ary`os disfarçados,

para

medir

compromissos

e

engajamento

social, brincar

com

liberdade,

conhecer

direitos e exigir justiça, testando

cotidianamente

as

altemativas

que

se

colocam

para

a

construção]

de

sua

cidadania. ”

(CASTAMYO

E

OLIVEIRA,

I992:19)

L _

Por

isso, ressaltamos

a

importância

de

políticas sociais voltadas

também

a

estimular

programas de

finalidade sócio-educativa,

na

certeza

de que

se atingirá

a

realidade vivida por estes “futuros cidadãos”. ~

'

Afinal

como

disserta

Pedro

Demo,

em

Desenvolvimento

e Política Social: _

"Por

políticas sociais entende-se

ofimcionamento

de

instituições,

mecanismos ou programas

destinados

a

reduzir

desigualdades

sociais

ou a

atender

grupos

populacionais

considerados

problemáticos. ”

(DEMO,

I978:86)

Buscando

resgatar os

programas

desenvolvidos pelas políticas sociais dirigidos

à

criança e

ao

adolescente, apresentar-se-á

um

breve histórico até

chegarmos

à

implantação dos

Centros

de

Educação

Complementar,

em

Florianópolis.

Anteriormente à

implantação

da

Política

do

Bem

Estar

do

Menor,

já existiam

órgãos

que

os atendiam, tais

como:

Legião Brasileira

de

Assistência

(LBA),

Serviço

Nacional de

Aprendizagem

Industrial

(SENAI),

Serviço Social

da

Indústria (SESI),

Serviço Nacional

de Aprendizagem

Comercial

(SENAC)`

e Serviço Social

do

Comércio

(SESC).

Mesmo

com

estes programas, ainda faltava

uma

política realmente dirigida cultural, sócio e_

economicamente

à criança e

ao

adolescente garantido

a

sua «proteção

e desenvolvimento.

Atendendo

a

esta necessidade

o

Governo

Castelo

Branco

(64-67), editou

a

Lei ng 4.513,

em

01

de

dezembro

de

1964, criando

a

Fundação

Nacional

do

Bem

Estar

do

Menor,

FUNABEM.

A

O

objetivo

da

FUNABEM

não

era

o

atendimento direto aos menores, «ou seja,

a

execução

direta

dos

serviços

de

assistência.

Sua

finalidade “...

era de pesquisar

métodos,

testar soluções, estudar técnicas

que conduzem à

elaboração

científica

dos

prñfacfipios,

que

devem

presidir

toda

a ação que

vise

a

integração 'desses

menores

à

sociedade, contribuindo

com

o

seu

desenvolvimento social. ”

I

98139)

_

l .

(22)

21

“O campo

de

trabalho

da

FUNABEM

se define, assim,

com

a

faixa

populacional, cuja parcela

de

indivíduos

de

menor

idade,

I

está sujeita

a

um

processo de

mazginalização,

entendendo-se

por

marginalização

do

menor,

o

seu afastamento progressivo,

de

um

processo

normal de

desenvolvimento e

promoção

humana,

até

a

condição de abandono, exploração

ou

conduta

anti-social. ”

(FUNABEM,

1 98-1:53)

Para

ampliar essa

ação

preventiva a

FUNABEM

descentralizou aos Estados

a

execução de

programas, delegando esta tarefa. Objetivando-se

com

este procedimento

atingir

uma

realidade

bem

maior

nas

comunidades

onde haviam menores

e famílias

que apresentavam

necessidades.

2.2 -

OS

CENTROS DE

EDUCAÇÃO

COMPLEMENTAR

EM

FLORIANOPOLIS

Tendo

a

IFUNABEM

reestruturádo

o

seu

programa de

atendimento,

descentralizando

o

poder e repassando aos estados, surgiram as

Fundações

Estaduais.

No

caso

de

Santa Catarina, era designada

como

FUCABEM

-

Fundação

Catarinense

do

Bem

Estar

do Menor.

1

.

A

FUCABEM

foi instituída

em

30

de julho

de

1975,

no

govemo

de Antonio

Carlos

Konder

Reis.

A

mesma

constituía-se

como

um

órgão

de

administração indireta

do Governo do

Estado.

Konder

Reis criou e colocou

em

execução o

Programa do

Bem

Estar

do

Menor

-

PROBEM,

preconizado pela

FUNABEM.

ç

O

PROBEM

caracterizava-se pela organização

de

atividades laborais

dos

menores

guardadores

de

carros, vendedores

de

picölés e roleta, engraxates,

jomaleiros e mensageiros. ,.

_

O

PROBEM

desenvolvia vários programas, tais

como:

- Atividades laborais; z

- Centros

de

Bem

Estar

de

Menores

-

CEBEM.

Os

CEBEMS

foram

implantados nas

comunidades de

bairros

que apresentavam

maiores necessidades,

melhor

dizendo, locais

que possuíam

maiores

números

de

famílias carentes.

Os

mesmos

também

deveriam possuir infra-estrutura necessária para

desempenhar

um

bom

funcionamento. Estes Centros

tinham a

finalidade

de

prevenir situações causadoras

de

desorganização social e_

amparar

os

“menores”

enquanto

os seus familiares

estavam

trabalhando. 'X

(23)

Os

CElÊšEMs atendiam

crianças e adolescentes

na

faixa

de 6

à 1.7 anos

com

a

seguinte finalidade: oportunizar

a

criança e

ao

adolescente as suas necessidades básicas,

sendo

elas: educação, saúde, recreação e segurança social e afetiva.

O

programa

CEBEM

passou

por vários governos,

sendo

gradativamente

adaptado

às

novas

mudanças

políticas e sociais.

Uma

das

mudanças, que

vale citar,

.foram as lutas

em

virtude

de

conseguir tirar

dos

CEBEMS

o

seu caráter

meramente

assistencialista

que

tanto distorcia

o

seu verdadeiro objetivo, trazendo até “alcunhas”

aos

mesmos,

como

“Depósitos

de

Crianças

".

As

lutas

da época

também

possuíam o

intuito

de

fazer 'com

que

os Centros

passassem a

prover

uma

abordagem

sócio-

educativa. .

A

Constituição

de 88

e os .Fóruns

de

debates sobre

o

atendimento à C-.riança e

ao

Adolescente,

deram

i.m'.ci.o à discussão sobre

uma

lei

que

deveria con.side.ra.r a criança

e

o

adolescente

como

sujeito

de

direitos.

Assim,

em

13

de

julho

de l990

foi

promulgada a

Lei ng 8.069/90,

denominada

Estatuto

da

Criança e

do

Adolescente -

ECA,

que

revogou

o

antigo

Código

de

Menores

e trouxe

avanços

fundamentais por reconhecer a criança e

o

adolescente. Este Estatuto dispõe sobre a proteção .integral

à

criança e

ao

adolescente, garantindo-

lhes

o

direito à vida, à saúde, à liberdade,

ao

respeito,

à

cultura,

ao

l.azer,_

à

convivência familiar e comunitária, à profissionalização e principalmente à educação.

() Arti.go

53

do

ECA

define:

“A

criança e

o

adolescente

tem

direito

à

educação, visando

o

pleno desenvolvimento

de

sua

pessoa,

preparo

para o

exercicio

da

cidadania

e qualificação

para

o

traballio. ” *

Partindo, desta

nova

visão os

govemos

nacional, estadual e municipal.

recstruturam muitas

de

suas políticas,

bem como

programas de

atendimentos a esta

clientela. _

' 1

Eni 1991, os

CEBEMS,

implantados

nos

bairros

do

Itacorubi, .Monte

Verde

c

na

Costeira

do

Pirajubaé,

passaram

'

a ser

chamados

de

Centros

de

»

Educação

Complementar

-

CECS.

Os

CECS

que

faziam. parte

da

Secretaria

da

Educação

do

município, agora

pertencem

a

um

programa do Departamento

Social

da

Divisão

da

Criança e

do

Adolescente,

da

Secretaria de

Saúde

e

Desenvolvimento

Social, -“da Prefeitura

Municipal.

de

Florianópolis. _

'

Estes Centros

tinham

como

novas

di.retri2.es ser um. espaço educativo,

com

(24)

23

que juntamente ao

ensino formal desenvolve-se

um

longo,

complexo

e prazeroso

caminho

na

construção

do

conheci.m.ento.

Houve

um

grande

salto

do

programa

entre os

anos de

90

à

95,

após

se reestruturar

de

acordo

com

a

Constituição

de

88

e

o

Estatuto

da

Criança e

do

Adolescente.

Devido

às modificações

do

projeto,

começou-se a

exigir

uma

política

de

atendimento

bem

melhor.

Nos

CECS,

a

partir deste

momento,

iniciaram.-se várias

transformações: .

-

A

criação e a capacitação

de

uma

equipe

de

Assistentes Sociais e

Pedagogas

para

coordenarem

os

CECS.

-

A

contratação

de

professores passou a ter

um

critério

de

seleção.

Os

candidatos

tinham que

ter

o segundo

grau

completo

e estar devid.amente capacitados.

-

Houveram

construções

de

projetos

na

área

de

atendi.m.en'to às famílias

dos

educandos, assim abrindo

espaço

para estagiários

de

Serviço Social.

Com

isso, eles

desenvolviam

a sua prática e auxiliavam.

no

desenvolvimento

do

projeto.

/

- .Conseqüente

com

a

mudança

de

atendimento

a

criança e

ao

adolescente,

mudou-se

o cardápio alimentar,

sendo

enriquecido

com

verduras, fiutas, ovos, peixes,

carnes, etc. ~

-

A

estrutura

dos

CECS

foi melhorada, através de reformas internas e externas,

am,p.I.iando-se os espaços .fisicos para atender a

uma

clientela maior.

As

reformas,

no

seu início,»

geraram

descstímulo tanto nos funcionários

quanto

nos alunos, pois os

CECS

tiveram

que

se

manter

fechados por

mais de

3 meses, devido a falta

de

recursos

e

mão-de-obra da

Prefeitura Municipal.

-

A

busca de conhecimento dos Coordenadores

e .Educadores levou

a

Prefeitura

Municipal de

Florianópolis

a

fazer seminários , palestras e 'trocas

de

experiências

com

outros

programas

da Cidade de

Curitiba, visando

o

aprimoramento

dos

mesmos.

_

-

O

projeto

passou

a dar

mais

importância às artes, esporte e saúde:

~

-

Citando

as artes,

podemos

colocar as contrataçoes

de

professores

de

_

educação

artística, artes cênicas e dança,

que visam o

desenvolvimento e a

criatividade

da

criança e

do

adolescente.

-

Quanto

ao

esporte

houveram

contratações

de

professores

de educação

(25)

liin

de deixarem

as ruas, a qual os deixa vulneráveis aos perigos das drogas

e

da

violência. i

-

Na

saúde, os

CECS

devido

a

sua ligação

com

a Secretaria

da

Saúde,

faziam

um

trabalho multidisciplinar, entre médicos, dentistas, assistentes sociais

e

estagiários

atendendo

e

acompanhando

caso

a

caso os alunos

dos

Centros.

Os

CECS, também,

sempre que

possível

tentam manter

contactos

com

todas as entidades prestadoras

de

serviços

da

comunidade

para melhorar e facilitar

o

trabalho

de

ambos.

(Entidades

como

APAES,

Escolas, Igrejas,

Comitê da

Cidadania, Postos

de

Saúde, etc.)

`

_ -

'

Concluímos que o programa

'traz

uma

proposta

muito

rica

de

trabalho,

mas

conhecendo a

realidade

de

perto, devido

aoperíodo de

estágio,

sabemos

elainbéni,

que

devido a ser

um

programa da

prefeitura, ele

tem

que

desempenhar

suas .funções

com

poucos

recursos,

sendo

a maioria deles conquistados pelos próprios

CECS,

através

de

suas

Coordenadoras

e estagiárias

de

Serviço Social.

E

isto,

causa

um

grande desgaste

por paite destes funcionários, os quais poderiam, caso houvesse realmente

uma

verba

satisfatória, realizar seus trabalhos

de

forma mais

completa. Pois, tendo

que

se

preocupar

com

a

falta

de

recursos,

ao

Serviço Social

compete

desempenhar

duas

funções

no

Centro,

uma

para

atender

a

clientela e outra

a de mediador de

recursos

'financeiros e materiais. Enfim, é

um

grande

desalzio

manter

em

boa

qualidade

o

atendimento e

o

ensino a estas crianças, adolescentes e famílias.

No

entanto, toda

a

equipe técnica

do

CEC

exerce suas funções

de maneira

prazerosa e consciente

que

stão

desempenhando

a sua função

de

cidadãos, realmente

comprometidos

com

uma

sociedade melhor. `

Cb

2.3 -

O

CEC

DO

IT

ACORUBI

Aitualmenjte

o

CEC

do

Itacorubi atende

80

crianças e adolescentes carentes,

na

:faixa etária

de

07

a

14

anos

com

os

mesmos

propósitos designados

em

1990,

a

partir

do

ECA.

Entretanto, ampliou~se os seus objetivos e

a

clientela, pois

também

atende a

algumas

familias

da comunidade

através

do

Serviço Social.

()

CEC

do

Itacorubi dispõe

de

funcionários espec.ializados para

desempenhar

o

melhor

atendimento possível

com

boa

qualidade a estas pessoas, estando dentre eles:

- l

Coordenadora

e Assistente Social

- l Estagiária

de

Serviço Social

-

2

Educadores

(gerais)

- 2

Educadores

na

área artística

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