'UNIVERSIDADE
FEDERAL DE SANTA
CATARINAJ
\ ^_ ~
CENTRO
SÓCIO~EC()NÔM1CO
DfiE1)A.RÍ[`AÇ{V]]E.NTO.Í)ÉE SERVIÍÇÍ) S()CIA.L
>
CIDABANIA
CÚNSCIENTE
“Um
dos
desafios
do
Serviço
Social
na Educação”
VAprovado Polo £z.S L §mz¿ãJ..__.f[)×_ / LIS , A 5" %Í¡9 do da Serviço Social -UFSC
ANA
CL./~\'UE)IAME
LÍM
Wm'äam'1›¡1oiis,novembro
de
1995.UN]¶VfE.RSéI.BA.B%E
.ÊTEDERAL
DE SANTA
QA'.ãÍ`ARÊÍNA
(ÍÍENTRO
SÓCIO-E(ÍONÔÍ\/fl.C0I
l`)EPAR'.l_`A_MÇI.C.N'lÂ`O
DE
SERVIÇO SOCIAL
if
CHB»AfDANÍEA CONSCl.EN'l.`E
A“Um
dos dfisafms
mflaServãw
Sflcízaã
na
.Eduwçãw
l`fRABA_LIl*H.()
DE
(L`()N'CLUSÃU
DE
CURSO PARA
0H£TEN`ÇÃ()
DO
(š{!¬{AU DJE ASSlS'l.`i.Í.N'.l`E
SOCIAL
ANA
(.;`LAUl_)'lAME
LIM
CIBADANIA
C()NSÇIEN'H.`E
UM
DOS
DESAFIOS
DO
SERVIÇO SOCIAL
NA
EDUCAÇÃO
ANA
CLAUIÂMA
MEIÍÁM
.IÍ`raba_I
ho
deConclusão
deCurso
, aprcsentad‹:› ao l)cpa.rtamcnt‹›
de
ServiçoS‹;›Cia.¡
da
Uni;vcrsi.dade Federalde
Santa Catarina, para ob'tcoç‹›do
t.ítu.l‹:›'‹l.cASSISTENTE
SÍBCIAL
Chefe
do
Depto.de
Serviço SocialAos meus
pais:José
Maria
Melim
Antonia.
M.
de
Andrade Melim
À
minha
su_pervis‹›.rade
estágio:AGRADECIMENTOS
_lI)es‹:ja-se aqui registrar os sinceros agradecimentos
a
todos aqueles
que
diretamente
ou
i.ndi.retamente contribuiram
paraque
este trabalho se tornasse realidade.Agradecimento
especial é dirigido as seguintes pessoas e entidadesque
com
o
seu apoio e incentivo possibilitaram a autora deste trabalho cons`eguir atingir os seus
objetivos : '
~ Sr. Jose
Maria
Melim
eSra.
Antonia
l\/lfariade
A. .Melim , paisda
autora, peloconstante e imprescindível incentivo e apoio _
- Sra.
Maria
IsabelToledo
OsórioPereira, supervisora
de
campo
do
estágio,do
Centro de
Educação Complementar do
Itacorubi, instituição pertencente à P1'elei.turaMunicipal de
Flon`anópolis,que não
mediu
esforços para garantir a conclusão destetraballio,
mesmo
em
detrimentode
seuscompromissos
pessoais e profissionais._
- Professora
Geney
.l\/litikia K. 'l`al<.ashima, orientadora
do
trabalhode
conclusãode
curso, por estarsempre
presente diante das dificuldades, orientandoda melhor
forma
para alcançar os propósitosdo
trabalho.- Professora
Regina
Célia Mi.o'tto, orientadora
do
projetoEducação
para Cidadania, pela sua on`entação
no
decorrerdo
projetoque
garantiu as basesmais
sólidas durante a construção
do
trabalhode
conclusãode
curso. -Aosamigos
eao
namorado
que sempre
permaneceram
presentes, propiciando1
'sUMÁR1o
-
Introdução
... ._\
-
Capítulo
1Educação
no
Brasil -Um
passo
rumo
à cidadania
... ..8
1.1 -
Cidadania
eeducação
-Um
enfoque
teórico ... .. -Capitulo
2
Centro de
Educação Complementar
-Um
espaço aberto
para
a
práticada
cidadania
... ._ 2.1 -A
Políticado
Bem
Estardo
Menor
no
Brasil ... ... .. 2.3 -O
Centrode
Educação Complementar do
Itacorubi ... _. -Capitulo
3
A
Práticado
Serviço Social dirigidaà construção
da
cidadania
consciente ... _. 3.1 -A
Práticado
Serviço Socialno
Centro de
Educação
'Complementar do
Itacorubi ... ... .. 3.2 -Educação
Para Cidadania
-Uma
experiênciado
Serviço Socialna
àrea educacional ... -Conclusão
... ..60
-
Sugestões
... ..61
- Bibliogratia ... .. -
Anexos
... -... ... ._ ... ..8
1.2 -
Apontamentos
históricosna
educação
do
Brasil ... ..9
... .. 19
... ..
19
2.2 -
Os
Centrosde
Educação Complementar
em
Florianópolisu... ... _.21
... ..24
... ..28
... ._28
... ._ ... ..62
/.‹\
~
lN'l`ROl)`UÇAO
A. cidadania atualmente é considerada
um
dostemas
mais debatidos entre asociedade.
Apenas
por seruma
moda?
Não,
mas
por serum
tema que
leva aopovo
o desenvolvimento econômico, político e principalmente social.Acreditando
na
possibilidade de contribuir para o desenvolvimentoda
cidadania, elaboramos este trabalho de conclusão
de
curso, resultante deuma
práticade estágio curricular de Serviço Social;
na
área educacional.Assim, este trabalho: “Cidadania Consciente ~
Um
dos desafiosdo
Serviço¡ 9
Social
na
Educação” , estacomposto
por três capítulos, sendoque
o primeiroapresenta
um
enfoque teórico sobre 0 que é cidadania, juntamentecom
alguns fatosimportantes
da
históriada educação no
Brasil, resgatando-a desde o períododa
colonização até os dias atuais. _
Ao_identificar a
educação
cgmo
um
dos instrumentos para _a__çQ¿1¿1u_i:§_ta_d_acidadania consciente, objetivamos demonstrar
no segundo
capítulo,como
ela seapresentaiiifo espaço
do
Centro deEducação
Complementar
- Este c‹:›nfiguranão
como
uma
escola formal,mas como
um
programa
assistencial e educativo,da
Pre'_feitura Municipal de Florianópolis, para crianças e adolescentes carentes.
'
Sendo
assim,desenvolvemos
em
.oucas .alavrasum
histórico das Políticasdo
u
I) ,
Bem
Estardo Menor,
pois asmesmas
se caracterizamcomo
provedoras destesprogramas
destinados à infância e àjuventude. 'Em
Florianópolis, estes Centros,como
váriosprogramas da
rede pública, sofremcom
apouca
consideraçãodo Governo do
Município,ou
melhor, sofremcom
a faltade repasse de
uma
verba especí-tica.Esta carência de recursos, transfonna. o trabalho
em
poucos
resultados.E
quem
acaba sofrendo as conseqüências' é a própria clientela,
que
deveria receberum
atendimento mais digno. _
Mesmo
com
tantas dificuldades, os Centros de Educação'Complementar
não
deixam
demedir
esforços para proporcionarum
trabalho de qualidade, visando,como
apresenta o Estatutoda
Criança edo
Adolescente, o desenvolvimento 'pessoal e7
O
último capítulo sedetém
a
relatar as atividadesdo
Serviço Socialno
CEC
do
Itacorubi e
a
apresentaro
projeto“Educação
paraa
Cidadania”. Este projeto nasceuda
práticada
estagiáriano
relacionamentocom
as crianças e adolescentes, atendidos pelo Centro, pois foi observado,no
decorrerdo
estágio,que
osmesmos
refletiampouca
consciênciado
que
era cidadania ede
quaiseram
os seus direitos e deverescomo
cidadãos. Assim,o
projeto desenvolvidopropõe a
construçãode
uma
prática(L'APÍl'.l`U
M)
ÍEI)U(L`AÇÃ()
NG
BRASIL
-U
M
PASSO
RUMO
À
C.lDAil)AN.lÍA1.1 -
CIDADAN
E
EDUCAÇÃO
-ENF()Q'UE
TEÓRICO
Entendendo
as instituições educacionaiscomo
“motor”
do
desenvolvimentosocial., através
do
ensinoda
cidadania, construímosum
paralelo entre estes doisfocos para
demonstrar a
importânciada
união e, assim, alcançaruma
sociedademais
justa, democrática e igualitária.Entretanto, antes
de
traçaro
,paralelo precisamos entender:“O
que
e cidadania'?”; e“Qual
éo
papel das instituições educacionais? ”.“Cidadania
éa
qualidade
socialde
uma
sociedade
organizada
sob
a
fi›rma
de
direitos e deveres majoritariamentereconhecidos.
T
rata-sede
uma
das
conquistasmais
importantes
na
história.No
lado
dos
direitos,repontam
os
direitos'
humanos
que
hojenos
parecem
óbvios,mas
cujaconquista ¿;__Ie_1;noroi¿_ milênios, e
traduzem
a
síntesede
todosos
direitos imagináveis
que o
homem
possa
ter.No
ladodos
deveres,aparece sobretudo o
compromisso
cormmitário
de
cooperação
e co~responsabilidade.Cidadania fundamental
'viccja neste lado,aquela
que
sa~be
tomar
consciênciadas
injustiças,descobre os
direitos,\
vislumbra
estratégiasde reação
e tentamudar
o
rumo
.da
história. ” ÚÍ`)El\_/10.1988." 70) ×
l
Quanto
as i.nstitui.ções educacionais,sendo
:formaisou
i.n¡l1i)rmaisdevem
caracterizanse como... “...um
espaço
de
relações,onde
as
.situações coletivas 2/fzqéí/3devem
sergarantidas
no
cotidiano, eas
vivênciasgrupais
e intergrupaissão
0 zí ¿¿/fundamentais
ao
desenvolvimento
e socializaçãoda
criança. (..)Estamos
falando
de
um
equipamento
que
trate criançacomo
criança...sem
marcas de
discriminação,
capaz
de
desenvolver
sua
¿1¿t5¿n,Qmia,__de
constituir-së¿como
pessoa,
de
conhecer,reconhecer
e transformara
realidadeà
sua
volta, inserindo- seem
seugrupo
socialde
maneira
consciente e livre, tratadacomo
cidadão de
çdireitos' e
não
de
favores. ” (CASTANI-I()E
OLIVEIRA,
1992.20)
ki
Certamente que o
con.cei;tode
cidadania_,nao
se restringeapenas ao gozo
e a i. 9 tentar explicar
a
cidadania.Um
outro destes éo que
expressa Gilberto Dimenstein,em
seu livroO
Cidadão
de
Papel:“É
uma
palavra
usada
todosos
diase
tem
váriasconotações
diferentes. (...)
Mas,
hoje significa,em
sua
essência,o
direitode
viver decentemente. ”(DIMENSTFIN,
I993
:I 7)F
Acreditamos que a
cidadania,em
seu conceito chave “diretos e deveresdo
cidadao
',possua
enfim,
esta definiçao. Contudo, sebuscarmos o
pano
de fundo que
encobre
eembasa
todo
este conhecimento, apareceráuma
educação
paratomar
QV
individuo
nao
um
objetomaíum
sujeitoda
realidade socialcom
capacidade para,_
compreende
la_`e_t¿an_šforma-la,uma
educaça‹¿que_o ensiiiea
ter opç_§E_s ea
saberescoÊ'ë-last
uma
educação
qÍ}§,_`äöim7í'de tudo, lhe diga *quehá
a_ hb`e_i7dade`de expressão,mas
para criticá-la precisa ser sujeito consciente e participativona
ç este cidadão ciente
de
seus direitos _e_ _dgvere§,ruma
edÍ1cação`qÊ
`tõrn*e*¬este
\
\/sociedade.
' 'i ff
,__
Segundo
o
resgatedo
Padre Gronh*, “Hoje
não
temos
que
pedir verbas
para
construir
grandes
estruturas, edifícios,mas
sim, investirem
pessoas,em
consciência,
em
educação.
(__.)Porque
acabar
com
edifícios, estruturaspode
sermais
fácil erápido
do
que acabar
com
a
consciênciade
um
povo. ”Por
isso,afirmamos
que
aeducação
éum
dos
motores parao
desenvolvimentoda
sociedade.E
a
partir dela, éque
se constituiráuma
consciência transformadora.Uma
consciênciaque
levaráao povo
, a tão desejada qualidadedevida
numa
sociedade
que
se pretende democrática. _1.2 -
APoNTAMEN'ros
iiisTÓR1cos
DA EDUCAÇÃO
No
BRASIL
-
QUATRO
sÉcULos
DE
EDUCAÇÃO
No
BRASIL
É
ví
O
inícioda
educação
escolar é consideradaa
partirda
vindados
jesuítasao
Brasil.
No
período colonial,a educação
era considerada outorgada, ecomo
tal, aceitapela sociedade civil.
Os
índios e as famílias recebiam,segundo a
delegaçãodo
rei, aeducação
atravésdos
jesuítas e missionários, poiso
sistema educacional era tododecorrente
da
presença.da
Igreja Católica.A
estrutura socialda
época
eracomposta
por: escravos, trabalhadores, senhoresde
engenho,gandes
latifundiários e funcionários representantesda
coroa.*Padre Wilson Gronh.
Pa&1.
D
que é cidadania -um
enfoque teórico e prática. Seminâiio Estadual:"Não
épor
acaso
que
nesseperíodo
é praticamente inexistenteuma
politica educacional.A
Colônia
tinhaum
sistemaeducacional
de
elite. "(PINTO,
I986:5
7)Por
este motivo, apontou-seum
entraveao
desenvolvimentoeconômico
e social,que
não
exigiauma
educação que
qualifieasse parao
trabalho e para a vida pública.A
educação
desta época.,apenas
retratava-se por três características:. a) Elitismo -
como
já exposto,a educação
era elitista,onde consequentemente
ignorava-se
a grande
massa, destinando-aao
exercíciode
profissões servis ea
cargos
de
subordinação enunca de
coordenação.b)
Bacharelismo
- “A
leituradas
leis e,mais
importante,sua
interpretação, égarantida
a
poucos
-aos Bacharéis
que,no
fitturo,serão
responsáveispela
direção
do
Estado
edo
país. ”(CAVALCANTI,
1989: 69) .c) Dissociação
da
realidade - “O
Bacharelismo
levapor
sua
vezà
terceiracaracteristica -
a
dissociaçãoda
realidade - pois, estuda-seem
textos, frutosdo
bacharelismo, que,
pouco
ou
nada, refleternas
circunstâncias reaisdo
meio
ambiente
ou
condições
geraisdo
país.As
leisque
regem
a
vidada
repúblicasão
letra
morta
para
a
maioria daqueles
que
vivem
nele. Significativamente,a
educação
superiordo
Império
ena
República,além
do
Direito, limita-seao
ensinode Medicina
ede Engenharia. ”(CA
VALCANÍH,
1989: 69)Gilberto
Amado
também
relata,em
uma
de
suas publicações,o
que
vinhaa
sero
cidadão
na
época
ea
sua impossibilidadede
participação ativano
campo
políticodecorrente
de
sua educação,assim
como
os entravesque
os estadistas enfrentavamno
períododo
Brasil Imperial:“Tendo
todosos
hábitos peculiaresaos
legistaseducados
à
abstrata,sem
um
entretenimento fortecom
a
vida materialdo
país,
levantando
nos braços
a
escravidãopara
as
alturasde
'
um
sistemapolitico
nascido
na
Inglaterra,dos
próprios fatos,do
próprio senso
do
povo,da
própria
experiênciadas
liberdades públicas conquistadas
ao
domínio
seculardos
conquistadores,
da
própria
originalidadedo
espírito saxónio,era
naturalque
esteshomens
sesurpreendessem
do
mau
fimcionamento
desse .sistemasobre
tribosmais
ou
menos
selvagens,sobre negros
escravos,sobre
filhosde
índios ede
negros,
sobre
filhos de
portugueses,sem
instrução,sem
idéianenhuma
também
do que
fosse representação popular, direitos11
Desde
o
império até a república, aeducação
continuousendo
regida pelos poderes públicos,ou
seja, “decima
para baixo”, e elitizante fazendo descasocom
aclasse .menos ít`avorecida, pois
não
se pretendiauma
educação
popular para a nossarealidade social.
A
educação
era consideradaum
monopólio
estatal,onde
se
atendiam
asnecessidades
da
burguesia.Em
contra partida, estamesma
burguesia secomprometia
em
não
interferirno
processo educativo._
Ora, se
com
o
ensino primário já haviao
descasocom
ascamadas
mais
deslavorecidas, os cursos superiores é
que
realmentenem
contavam.com
a presençadeles.
O
resultadonão
poderia ser outro,no
Brasil daquelaépoca
já havia70%
de
analfabetos.
Com. o
iníciodo
período republicano, aschamadas
classes desifavorecidas, constituídas principalmente de negros e escravos,passaram pouco
apouco
a obtermaior
atençãodos
governos,sendo
atendidascom
aeducação
de basepopular.
Pelo restrito acesso à
educação
íformal, 'tornou-se clarocomo
eram
vistos os cidadãosda
época, representadosapenas
pela burguesia,ou
sejam , oshomens
de
bens. Mulheres, crianças pobres e escravos
não possuíam
vez emuito
menos
voz.Osexcluídos do
processo educacional, negros, índios, e pobres, possuíam.como
“único direito”, viver submetidos às regras
da
elite edo
governo.Apenas
aoshomens
, considerados cidadãosda
sociedade, era concedida aparticipação
na
vida pública. Afinal, exercitar a cidadaniada época
se restringiasimplesmente
a
este direito.'
7
z
As
TRANsFoRrv1AÇÓ15s
No
iiuíícroDo
sÉctn.o
'//“ lj'/á
Por
vol;tade
1920, surge um.movimento
renovadordenominado
ESCOLA
NOVA,
inici.ado por alguns eminentes educadoresf/ Estemovimento
tinha porobjetivo retormar e melhorar as condições
de
ensino em. diversos estados brasileirosnos
textosde
Anísio Teixeira, defensorda
educação
universal e democrática, cuja lutaperdurou
atéo
momento da
discussãoem
tornoda
Leide
Diretrizes eBases
da Educação
Nacional. "(CA VALCANTY,
1989:
68) '1922
'ocorreu aSemana
da
ArteModerna
que
fez vir “...a
.consciênciade
conhecer
um
.Brasil real,mais
autentico,depurado dos
idealismos românticos,0
12
A
Semana
da
Arte conseguiu representar,em
diversas formas, as rupturasdos
modelos
existentesno
Brasil Império ena
República Velha, e asnovas
idéias paraum
paísmoderno,
embora
ainda constituído pelopensamento
conservador.Em
1924, foifundada a Associação
Brasileirade Educação (ABE),
constituídapor
educadores, intelectuais, políticos e figurasda
expressãoda
sociedade brasileira, representandoum
impulso
para soluções das deficiências educacionais. _Mais
tarde,com
a
revoluçãode
30, ocorreram grandesmudanças
na
realidade nacional, inclusivena
educação,ampliando consequentemente
a consciência políticado
povo.Segundo
Amado,
o
cidadão brasileiro, atéa
revoluçãode
30, possuíauma
consciência política precária. Entretanto,após a
revolução,a
classemédia
se desenvolveu,mas
a grande
massa
popularpermaneceu
ausente das reivindicaçõespoliticas. Estas
mudanças
também
repercutiramna
área educativa.O
iníciodo
séculoXX,
trouxe várias transformações para a área educacional,porém, a mais
importante ocorreuem
1930
com
a
criaçãodo
Ministérioda
Educação
e Saúde,
que
coordenaria as reformas educacionais advindascom
a Constituiçãode
34, lideradas
por
FranciscoCampos.
'A
entãochamada
Reforma
de
FranciscoCampos,
possuíaum
cunho
nitidamente autoritário.
Com
a
reforma,o
ensino primário passou a ser gratuito e obrigatório eo
ensino religioso tornou-se facultativo. Jáo
ensino secundáriopassou a
dar
mais
ênfase às Ciências e foiampliado
em
mais
um
ano
letivo, atravésde
uma
linha conservadora e elitista.
Houve
outrasmudanças
também:
nasduas
primeiras sériesque
deveria prevalecero
humanismo
e nasduas
últimaso
espírito científico.O
ano
de 1931
caracterizou-se pelo ensino religioso, introduzido pela influênciada
Igreja Católicaque
possuíauma
aliançade
ideologiascom
o
Estado,deixando
neutro
o poder
da
tradição liberal. -Diante de
todas estas realizaçõesna
educação,a
partirde
1934, todas as Cartaspassaram a
dedicarmaior
atençãoa
este setor.As
transformações acarretadas atravésdas
tempos,no
setor político, social e principalmente educacional,deram
inícioa
ama
nova
consciênciado
povo,mais
critica sobre
a
conjuntura nacional. `A
população sendo submetida a
uma
emmção
dentroda
realidade brasileira,13
possuírem
idéias “cruas” sobre a sua cidadania, fezcom
que
uma
partedo povo
- aclasse
média
- iniciasse gruposde
lutas por alguns dos seusdireitos.
e
REFORMA
CAPAN
EMA
Seguindo a
Reforma
de
Campos,
veioa
Reforma
Capanema
em
1942,que
mantinha a educação
conservadora e elitista.Da
mesma
forma, qo Ministérioda
Educação
équem
mantinha
um
controledos programas de
aula e das disciplinas.A
ref.orm_a veio
com
o
intuitode
acabarcom
a cientificidadedada
na
reforma anterior eestabeleceu
maior
ênfase nas ciênciashumanas,
mas
admitiu “...o
curso clássico eo
ensino cientzfico
como
_preparatórioa
Universidade. ”(C/1ÍI/§4.lÍ.C/LNTIÍ. 198.9: 70)
Neste
períodotambém
foram
revigoradas as Escolas Técnicas, a partirda
l.,eiOrgânica
do
Ensino
Industrial, criada pelo EstadoNovo.
O
SENAI,
criado nestaépoca, eradirigido às classes
menos
favorecidas. Caracterizadocomo
um
sistemade
qualificações profissionais
em
serviço, funcionando nas próprias fábricas.Aqui
ficava estabelecido a diferença entre o ensino secundário, comercial e industrial.
“
Aƒase
que
vaide
.1945
atéo
iníciodos anos
60
correspondeu,quanto
ao
nível econômico,à
aceleração
e diversifieaçãodo
processo
de
.substituiçãode
importações
e,quanto
ao
nívelpolítico,
ao
surgimento
do
Estado
populista edesenvolvimentista. "
(PINTO,
1 986: 63)A
Reforma
de Gustavo
Capanema
criou as basesda
futura Lei de Diretrizes eBase
da
.Educação Nacional, a l_,Ii).BEN._
a
A
LEI
DE
DIRETRIZES E
BASES
DA
EDUCAÇÃO
'NACIONAL
-LDBEN
Com
o
períodode
redemocratizaçãodo
Brasil e apromulgação da
Constituiçãode
46, reiniciaram as discussões sobreuma
política educacionalcom
basena nova
Lei
de
Diretrizes eBases da
Educação
.Lembrando
que no
inícioda década de
60,no
Govemo
de
João Goulart,o
paísestava
passando
porum
terrível processode
inflação, baixopoder
aquisitivodo
povo,problemas na
política, etc.E
osproblemas que
tem
uma
origem
econômica,certamente acarretam conseqüências para os
demais
setoresda
sociedade,como
foio
caso
da
educação. -Diversos
movimentos
sociaia .seuniram
com
estudantes, sindicatos e partidospolíticos, criando
uma
campanha
de mobilização nacional contra o analfabetismo.Entre eles,
0
Movimento
de
Cultura Popular nasceu para estabelecerum
engajamento
do
povo
no
processode
participação política ena
tomada
de
consciênciada
problemática brasileira. -
“
A
perspectiva educativa caracterizou-se
pela
adequação de
métodos pedagógicos que
colaborassem
para
essapreparação
do
povo. Assim,combinava-se
a
alfabetizaçãoe
a educação de
base,
com
a
atuação sobre as comunidades,
preservando-se, sobretudo,a
difusãoda
cultura popular. ” (PAIVA,I980:22)
Paulo
Freiretambém
demonstrou preocupação
com
a formação de
uma
educação
que,ao
mesmo
tempo,
levasseao conhecimento da
cidadania.Enfim,
ele apresentou
um
novo
método
de
alfabetização, visandoum
processode
conscientização e participação política através
da aprendizagem das
técnicasda
leitura e
da
escrita. Freire,fundamentou-se
na
práticapedagógica não
diretiva,objetivando passar
o
homem
da
condiçãode
“objeto” para ade
“sujeito”.O
educador
queriademonstrar
com
isso,que o
homem
não
deveria serum
objeto
da
educação
esim o
sujeito feitor dela,assim
como
sujeitode
sua própriahistória.
Segundo
Cavalcanti, aLDBEN
foiuma
propostade
ensino democratizante,não
só por
sua
sugestão atravésdo
corpo legislativo,mas
também
por seusfins
e propostasque operaram
profundasmudanças
na educação
nacional.Em
21 de
dezembro
de
1961,a
Lei4024
foiaprovada
com
a
criaçãodo
Conselho
Federalde Educação.
De
acordocom
a
Leide
Diretrizes e Bases,a
educação
passa a serum
direitode
todos e serádada na
escola eem
casa,cabendo
àfamília escolher
o
tipode educação que
deve serdado
a
seus filhos.“
Como
um
verdadeiro
plano de educação
nacional,a
LDBEN
atende às necessidades
de
todos os
brasileirosda
formação
para
o
exercícioda
cidadania,não
mais
mera
palavra
inserida
no
contexto constitucional,mas
conceito vivoe
atuante,
modelo final
de educação
proposto
a
todos
os
brasileiros. "
(CA VALCANTIÍ,
1989: 71)o
A
LEI
N°
5692/
71Dez
anos
sepassaram
eo
ensinode
1° e2°
grau sofreuuma
totä reformulação,com
a promulgação
da
Lei 5692,que
enfatizouo
caráterprofisänalizante
da
educação. Esta lei tinha
por
objetivo proporcionara
do
aluno,,...i:i:-.: 1.. ....-,. .. ..._.i._.n... - ....-_...-.f. 1.. ... - ..--....-:-:.. ..--.,-:...- J.. ,.;.¡...1..._:..
quuuuua-iu pala
U
uaualuu
rs picpai a-iu paraU
GÀÇI ululuuunauwmc
um
iézsuzzuama.(
om
a 5692,o
ensinode
.l°passou
a ser obri.gatoi'i.‹› para todas as crizinczrsde
07
a 14 anos e foi atribuido aos .municípios a tarefade
proceder achamada
destaspara a matrícula.
'
“
O
ensino,
em
nosso
país,vinha progressivamente
crescendo,em
volume. A. leio
favorecia,mas
não
era ela,propriamente
que o
determinava. Cresciao
ensinocomo
um
fenômeno
que
a
evolução
econômica
eas conseqüentes
mudanças
sociaisdesencadeavam
eque obrigavam
a
multiplicaçãodas
ofertas,para
a
sobrevivênciaem
novas'condições
de
vidaque
o
desenvolvimento
criava.Revigoravam-se,
assim,por
essesimpulsos
que a nova
sociedade,no
passo
precipitadoda
industrialização, sofria, as aspirações
pela
democratização
do
ensino. ” (LIJB : I 5 9)
As
intençõesda
leieram
boas,com
o
ensino obrigatório as crianças e o ensinoproÍissionali2.ante,
mas
na
práticao quadro passou a
ser outro, pois apresentouuma
seno de
problemas, devidoao
país aindanão
estar preparado para adotada.O
ensinodo
1° graupassou a
ser constituidode
8 séries, diferentedo
sistemaanterior
em
que o
Priniaiio possuia 4. séries eo
Ginásio outras 4.O
ensino profissionalizanlte tinhana
verdadeum
caráter popular. Afinal, a entrada nas Universidades era “concedida” -como
hojeem
dia - à elite.A
classebaixa restava
apenas
os cursos técnicos. -A isso,a
leiousava
chamar
de
preparo parad
'dd"
o
exercicioda
cidadania,que
naquelaépoca
representava0
preparo 'o ci a ao parao
trabalho,passando
assim a sua contribuição para. a sociedade e parao
BrasilOs
problemas
acarretados pela leinão
paravam
por ai,na
sua própriatranscrição já se
apresentavam
confusões parao
processo educacirmal.“
A
educação
escolar éuma
práticaexecutada
por
homens
simples, consequentemente,
a
leideve
ser clara e precisa tantopara o educador
metropolitanocomo
para
o
mestre-escolado
interior.
Sendo
de
1.)iretrizes,a
leideve
orientar e abrirperspectivas,
como
que
escorvando
a
imaginação
criadorados
educadores;
sendo de
Bases,deve
oferecerum
apoio firme
etranqüilo
sobre
0
qual
sepossa
assentaro
edificio espiritualde
cada
escola. .Deve ser aberta,mas
não
deve
ser perturbadora,menos
ainda
geradora
de confusão
e tumulto. ” (LDB:3-4)Õ
A
LDB
deveriaapenas
se preocuparem
estabelecerum
currículomínimo,
istoé, d.o
mínimo
de ensino para 'todas as escolasdo
país,o que
eratambém
denom.i.nadocom
o
Núcleo
Comum..
-Haviam
cursos supen`ores para todas as áreas, entretanto,não
haviam
educadores
suficientes para .ministra-los,ou
seja, a maioriaeram
educadoresdesqualificados para
o
ensino.-.
Da mesma
forma, as escolasnão possuíam
estruturas suficientes(equipamentos, salas ambiente, laboratórios, etc.) para corresponder
ao
currículoprevisto pela 5692, pois
não haviam
recursos satisfatórios para tanto.Os
problemas
acabavam,
com
isso,chegando
aos alunos que., ao saírem das escolasnão
encontravam. um.
mercado
aberto a tanta :não-de-obra. ‹“Finalmente
o
que
sepode
observar
no
decorrer
da
históriada
educação
brasileira éque
uma
“políticaeducacional
”realmente
se
estabeleceuapós
1964. Istoporque o
Estado
lassumiu
seu
papel
de condutor
dos
rumos do
sistema educacional, 'vinculadoou
intrinsecamente alienadoà
políticaeconômica, conferindo
à educação 0 papel
de reprodutora
contraditória
da
estruturade
classes,da
estruturade
poder,bem
cornoreprodutora
da
força
de
trabalho. ”(PlN.'l"O, I
98
6: 71) _w
A
LEI
'N°7044/ 82
A
Lei5692
teve .llanos de
regênciano
país eem
82
passou pormais
uma
transformação,
sendo
complementada
pela n° 7044.A
nova
lei inspirou-sena
4024/61,que
“esquecia” a preparação para o trabalhoe enlatizava a auto~realização e
o
exercício conscienteda
cidadania.A
7044, .mantevequase o
mesmo
conteúdo
da
4024,mudando
apenas
parauma
nova
.redação e adicionando alguns critérios.O
ensino profissionalizantetambém
não
eramais
consideradocomo
obrigatórioou
como
um
inlperativo nacional,mas
sim
optativo,sendo de
acordocom
as-possibilidades
do
estabel.ecimen'to. `'
O
limda decada de 70
eo
inícioda 80 foram marcados não somente
pornovas
17
governo
nacional.O
períodode
ditadura jánão
eramais
vistocomo
um
autoritarismoabsoluto, pois
estavam
iniciando alguns espaços,algumas
aberturasno
sistema.As
antigas leisde
ensinoeram
um
exemplo
fictlcio desta abertura, poisestavam
mais
“suaves”,quanto ao
processo educacional. À'
Um
dos
pontosa
enfatizar devidoa nova
reforma éa
das estruturas curriculares, estasde
modo
geral,estavam
todas voltadasà
flexibilidadedo
currículo.O
ensinodo
2° grau,segundo o
22
da
lei,passou
a terduração
mínima
de2.200
horas e fi.xou~seo
limitede
pelomenos
três séries anuais.Quanto
ao
ensinode
l.° grau, Caval.canti coloca “...poderá
ensejara
qualificação profissional,
ao
nívelda
sériealcançada pela gratuidade
escolarem
cada
sistema,para adequação
às condições
individuais, inclinações eidade
dos
alunos. "
(CA
VALCANYY,
_1989:13 0).Esta re;l`‹›mia descentra.li2.adora veio atingir
o
alunoem
suas característticasindividuais e possibilidade
de
escolha.e
A
NOVA
LDB
Desde
apromulgação da nova
Constituiçãode
1988,que
citano
seu Art.205:“
A
educação,
direitode
todos edever
do
Estado
eda
família,será
promovida
e incentivadacom
a
'colaboraçãoda
sociedade,
visando
ao
pleno desenvolvimento
da
pessoa,seu
preparo para o
exercícioda
cidadania
esua
qualificaçãopara
o
trabalho. ”ficou
vi sível a necessidadede
uma
nova
legislação para tornara educação
compatí velcom
os seus termos.Diversos projetos
de
leitem
sido apresentados desde então.Os
mais
recentes,em
análise”no
Seriado, nestemomento
são:o
projetode
lei, cuja relatora é aDeputada
Angela
Amim
eo
substitutivo proposto peloSenador Darcy
Ribeiro.Ambos
retratam,no
seu corpo,o
texto constitucionalque
considera aeducação
como
um
preparo parao
exercícioda
cidadania.A
demora
na
deliniçãoda nova
LDB,
frutodos
inúmeros
debates elegislador brasileiro.
Visão
esta, diferente daquelado
Brasil Império,em
que
as leispara
a educação
eram
definidas “de
cima
para baixo” evisavam
beneficiarapenas
a
uma
minoriada
população:a
elite. ›Atualmente,
a maior
parteda
população
tem
claroque a educação
é seu direito e luta por este, independentedo
seupadrão
econômico ou de
sua realidade social. Este já éum
sintoma inequívocode que a
cidadaniacomeça
a
se manifestarna busca
pelos seus direitos,
não
sóde
sobrevivência,como:
saúde, segurança, habitação,mas
também
por aqueleque
lhe daráa
garantiade
ascensão social:a
educação.“
A
lutapelo
acessoà
escolaé, portanto,
também
lutapelo
lí
acesso
a
certascondições
de elaboração
de
urna culturaprópria
dos
diversossegmentos
sociais. ” '(GRAMSCI,
19
~
CAPÍTULQ
2
V
CENTRO
DE
EDUCAÇÃO
OOMPLEMENTAR
A-
UM
ESPAÇO
ABERTO
PARA
A
PRATICA
DA
CIDADANIA
~
-_
2.1 -
A
POLÍTICA
DO
BEM
ESTAR
DO
MENOR
NO
BRASIL
“As
políticas sociais destinadasà
infânciae
à
adolescênciavem
se caracterizando historicamentepor
medidas de
caráter tutelar,compensatório
e supletivo,como
resultadode
um
modelo de
desenvolvimento
excludente,onde
privilegiaum
sistemade
industrialização
que
tendea
incorporar efetivamentecada
vezmenos
mão-de-obra,
jogando
as
criançasnum
processo
de
“adultização
precoce
",em
busca
de
alternativasmediatas
ede
sobrevivência:
as
criançasdas
classessubaltemizadas
são
impelidas
a
trocara
casa
ea
escolapela
rua,à
brincadeirado
.ganha
pão,
destituidasdas
condições
mínimas de
desenvolvimento extrapolando as
responsabilidades efunções
sociais historicamente atribuídas
à
infânciae
à
adolescência. "(CASTANHOE
OLIVEIRA,
1992219)Não
querendo
desfazer osprogramas de
atendimentoque somente
dirigem osjovens
ao
mercado
de
trabalho,ou
à
outras atividades (lucrativas),o que
se pretende elucidar são as conseqüênciasque
acarretamao
colocar estas crianças nas ruas extinguindoo
seu direitoà
convivência familiar,ao
estudo, às brincadeiras eà
sua própriaépoca de
existência, seja elaa
infânciaou a
juventude.Em
Florianópolis,a população de
crianças e adolescentes desassistidoschega
a 20.000, dentrodos
quais40%
estãona
faixa' etáriade 7 à
18 anos*.São
semi- analfabetosou
analfabetos. Destes cercade
10%
caracterizam-se pelo completoabandono.
Estesnúmeros
vem
preocupando
tanto apopulação
como
o
govemo
localhá
vários anos.Sendo
assim, osmesmos vem
desenvolvendoprogramas
de
atendimento
sócio-educativodfi
população
numerosa
efundamental
de
nossasociedade,
que
é constituida pelas crianças e adolescentes.'Estes dados foram retirados da última realimm pela Prefeitura Municipal de Florianópolis, em relação à
mm@emwolmmm.“AWwm~mvñuüm1ñmm-
1991”.“Ora, crianças e adolescentes
nada
são
que
ary`os disfarçados,para
medir
compromissos
eengajamento
social, brincarcom
liberdade,
conhecer
direitos e exigir justiça, testandocotidianamente
as
altemativasque
secolocam
para
a
construção]de
sua
cidadania. ”(CASTAMYO
E
OLIVEIRA,
I992:19)L _
Por
isso, ressaltamosa
importânciade
políticas sociais voltadastambém
a
estimular
programas de
finalidade sócio-educativa,na
certezade que
se atingiráa
realidade vivida por estes “futuros cidadãos”. ~
'
Afinal
como
dissertaPedro
Demo,
em
Desenvolvimento
e Política Social: _"Por
políticas sociais entende-seofimcionamento
de
instituições,mecanismos ou programas
destinadosa
reduzirdesigualdades
sociais
ou a
atender
grupos
populacionaisconsiderados
problemáticos. ”
(DEMO,
I978:86)Buscando
resgatar osprogramas
desenvolvidos pelas políticas sociais dirigidosà
criança eao
adolescente, apresentar-se-áum
breve histórico atéchegarmos
àimplantação dos
Centrosde
Educação
Complementar,
em
Florianópolis.Anteriormente à
implantaçãoda
Políticado
Bem
Estardo
Menor,
já existiamórgãos
que
os atendiam, taiscomo:
Legião Brasileirade
Assistência(LBA),
ServiçoNacional de
Aprendizagem
Industrial(SENAI),
Serviço Socialda
Indústria (SESI),Serviço Nacional
de Aprendizagem
Comercial(SENAC)`
e Serviço Socialdo
Comércio
(SESC).
Mesmo
com
estes programas, ainda faltavauma
política realmente dirigida cultural, sócio e_economicamente
à criança eao
adolescente garantidoa
sua «proteçãoe desenvolvimento.
Atendendo
a
esta necessidadeo
Governo
CasteloBranco
(64-67), editoua
Lei ng 4.513,em
01de
dezembro
de
1964, criandoa
Fundação
Nacionaldo
Bem
Estardo
Menor,
FUNABEM.
AO
objetivoda
FUNABEM
não
erao
atendimento direto aos menores, «ou seja,a
execução
diretados
serviçosde
assistência.Sua
finalidade “...era de pesquisar
métodos,
testar soluções, estudar técnicasque conduzem à
elaboração
científicados
prñfacfipios,que
devem
presidirtoda
a ação que
visea
integração 'dessesmenores
à
sociedade, contribuindocom
o
seu
desenvolvimento social. ”I
98139)
_l .
21
“O campo
de
trabalhoda
FUNABEM
se define, assim,com
a
faixa
populacional, cuja parcelade
indivíduosde
menor
idade,I
está sujeita
a
um
processo de
mazginalização,entendendo-se
por
marginalização
do
menor,
o
seu afastamento progressivo,de
um
processo
normal de
desenvolvimento e
promoção
humana,
atéa
condição de abandono, exploração
ou
conduta
anti-social. ”
(FUNABEM,
1 98-1:53)Para
ampliar essaação
preventiva aFUNABEM
descentralizou aos Estadosa
execução de
programas, delegando esta tarefa. Objetivando-secom
este procedimentoatingir
uma
realidadebem
maior
nascomunidades
onde haviam menores
e famíliasque apresentavam
necessidades.2.2 -
OS
CENTROS DE
EDUCAÇÃO
COMPLEMENTAR
EM
FLORIANOPOLIS
Tendo
a
IFUNABEM
reestruturádoo
seuprograma de
atendimento,descentralizando
o
poder e repassando aos estados, surgiram asFundações
Estaduais.
No
casode
Santa Catarina, era designadacomo
FUCABEM
-Fundação
Catarinense
do
Bem
Estardo Menor.
1
.
A
FUCABEM
foi instituídaem
30
de julhode
1975,no
govemo
de Antonio
Carlos
Konder
Reis.A
mesma
constituía-secomo
um
órgãode
administração indiretado Governo do
Estado.Konder
Reis criou e colocouem
execução o
Programa do
Bem
Estardo
Menor
-PROBEM,
preconizado pelaFUNABEM.
ç
O
PROBEM
caracterizava-se pela organização
de
atividades laboraisdos
menores
guardadoresde
carros, vendedoresde
picölés e roleta, engraxates,jomaleiros e mensageiros. ,.
_
O
PROBEM
desenvolvia vários programas, taiscomo:
- Atividades laborais; z
- Centros
de
Bem
Estarde
Menores
-CEBEM.
Os
CEBEMS
foram
implantados nascomunidades de
bairrosque apresentavam
maiores necessidades,
melhor
dizendo, locaisque possuíam
maioresnúmeros
de
famílias carentes.
Os
mesmos
também
deveriam possuir infra-estrutura necessária paradesempenhar
um
bom
funcionamento. Estes Centrostinham a
finalidadede
prevenir situações causadoras
de
desorganização social e_amparar
os“menores”
enquanto
os seus familiaresestavam
trabalhando. 'XOs
CElÊšEMs atendiam
crianças e adolescentesna
faixade 6
à 1.7 anoscom
aseguinte finalidade: oportunizar
a
criança eao
adolescente as suas necessidades básicas,sendo
elas: educação, saúde, recreação e segurança social e afetiva.O
programa
CEBEM
passou
por vários governos,sendo
gradativamenteadaptado
àsnovas
mudanças
políticas e sociais.Uma
das
mudanças, que
vale citar,.foram as lutas
em
virtudede
conseguir tirardos
CEBEMS
o
seu carátermeramente
assistencialista
que
tanto distorciao
seu verdadeiro objetivo, trazendo até “alcunhas”aos
mesmos,
como
“Depósitosde
Crianças
".As
lutasda época
também
possuíam o
intuito
de
fazer 'comque
os Centrospassassem a
proveruma
abordagem
sócio-educativa. .
A
Constituiçãode 88
e os .Fórunsde
debates sobreo
atendimento à C-.riança eao
Adolescente,
deram
i.m'.ci.o à discussão sobreuma
leique
deveria con.side.ra.r a criançae
o
adolescentecomo
sujeitode
direitos.Assim,
em
13de
julhode l990
foipromulgada a
Lei ng 8.069/90,denominada
Estatuto
da
Criança edo
Adolescente -ECA,
que
revogouo
antigoCódigo
deMenores
e trouxeavanços
fundamentais por reconhecer a criança eo
adolescente. Este Estatuto dispõe sobre a proteção .integralà
criança eao
adolescente, garantindo-lhes
o
direito à vida, à saúde, à liberdade,ao
respeito,à
cultura,ao
l.azer,_à
convivência familiar e comunitária, à profissionalização e principalmente à educação.
() Arti.go
53
do
ECA
define:“A
criança eo
adolescentetem
direito
à
educação, visando
o
pleno desenvolvimento
de
sua
pessoa,
preparo
para o
exercicioda
cidadania
e qualificaçãopara
o
traballio. ” *Partindo, desta
nova
visão osgovemos
nacional, estadual e municipal.recstruturam muitas
de
suas políticas,bem como
programas de
atendimentos a estaclientela. _
' 1
Eni 1991, os
CEBEMS,
implantadosnos
bairrosdo
Itacorubi, .MonteVerde
cna
Costeira
do
Pirajubaé,passaram
'a ser
chamados
de
Centrosde
»Educação
Complementar
-CECS.
Os
CECS
que
faziam. parteda
Secretariada
Educação
do
município, agorapertencem
aum
programa do Departamento
Socialda
Divisãoda
Criança edo
Adolescente,
da
Secretaria deSaúde
eDesenvolvimento
Social, -“da PrefeituraMunicipal.
de
Florianópolis. _'
Estes Centros
tinham
como
novas
di.retri2.es ser um. espaço educativo,com
23
que juntamente ao
ensino formal desenvolve-seum
longo,complexo
e prazerosocaminho
na
construçãodo
conheci.m.ento.Houve
um
grande
saltodo
programa
entre osanos de
90
à
95,após
se reestruturarde
acordocom
a
Constituiçãode
88
eo
Estatutoda
Criança edo
Adolescente.Devido
às modificaçõesdo
projeto,começou-se a
exigiruma
políticade
atendimento
bem
melhor.Nos
CECS,
a
partir destemomento,
iniciaram.-se váriastransformações: .
-
A
criação e a capacitaçãode
uma
equipede
Assistentes Sociais ePedagogas
para
coordenarem
osCECS.
-
A
contrataçãode
professores passou a terum
critériode
seleção.Os
candidatos
tinham que
tero segundo
graucompleto
e estar devid.amente capacitados.-
Houveram
construçõesde
projetosna
áreade
atendi.m.en'to às famíliasdos
educandos, assim abrindo
espaço
para estagiáriosde
Serviço Social.Com
isso, elesdesenvolviam
a sua prática e auxiliavam.no
desenvolvimentodo
projeto./
- .Conseqüente
com
a
mudança
de
atendimentoa
criança eao
adolescente,mudou-se
o cardápio alimentar,sendo
enriquecidocom
verduras, fiutas, ovos, peixes,carnes, etc. ~
-
A
estruturados
CECS
foi melhorada, através de reformas internas e externas,am,p.I.iando-se os espaços .fisicos para atender a
uma
clientela maior.As
reformas,no
seu início,»
geraram
descstímulo tanto nos funcionáriosquanto
nos alunos, pois osCECS
tiveramque
semanter
fechados pormais de
3 meses, devido a faltade
recursose
mão-de-obra da
Prefeitura Municipal.-
A
busca de conhecimento dos Coordenadores
e .Educadores levoua
PrefeituraMunicipal de
Florianópolisa
fazer seminários , palestras e 'trocasde
experiênciascom
outros
programas
da Cidade de
Curitiba, visandoo
aprimoramento
dosmesmos.
_
-
O
projetopassou
a darmais
importância às artes, esporte e saúde:~
-
Citando
as artes,podemos
colocar as contrataçoesde
professoresde
_
educação
artística, artes cênicas e dança,que visam o
desenvolvimento e acriatividade
da
criança edo
adolescente.-
Quanto
ao
esportehouveram
contrataçõesde
professoresde educação
liin
de deixarem
as ruas, a qual os deixa vulneráveis aos perigos das drogase
da
violência. i-
Na
saúde, osCECS
devidoa
sua ligaçãocom
a Secretariada
Saúde,faziam
um
trabalho multidisciplinar, entre médicos, dentistas, assistentes sociaise
estagiáriosatendendo
eacompanhando
casoa
caso os alunosdos
Centros.
Os
CECS, também,
sempre que
possíveltentam manter
contactoscom
todas as entidades prestadorasde
serviçosda
comunidade
para melhorar e facilitaro
trabalhode
ambos.
(Entidadescomo
APAES,
Escolas, Igrejas,Comitê da
Cidadania, Postosde
Saúde, etc.)
`
_ -
'
Concluímos que o programa
'trazuma
propostamuito
ricade
trabalho,mas
conhecendo a
realidadede
perto, devidoaoperíodo de
estágio,sabemos
elainbéni,que
devido a ser
um
programa da
prefeitura, eletem
que
desempenhar
suas .funçõescom
poucos
recursos,sendo
a maioria deles conquistados pelos própriosCECS,
atravésde
suas
Coordenadoras
e estagiáriasde
Serviço Social.E
isto,causa
um
grande desgastepor paite destes funcionários, os quais poderiam, caso houvesse realmente
uma
verbasatisfatória, realizar seus trabalhos
de
forma mais
completa. Pois, tendoque
sepreocupar
com
a
faltade
recursos,ao
Serviço Socialcompete
desempenhar
duas
funções
no
Centro,uma
para
atendera
clientela e outraa de mediador de
recursos'financeiros e materiais. Enfim, é
um
grande
desalziomanter
em
boa
qualidadeo
atendimento eo
ensino a estas crianças, adolescentes e famílias.No
entanto, todaa
equipe técnica
do
CEC
exerce suas funçõesde maneira
prazerosa e conscienteque
stão
desempenhando
a sua funçãode
cidadãos, realmentecomprometidos
com
uma
sociedade melhor. `
Cb
2.3 -
O
CEC
DO
IT
ACORUBI
Aitualmenjte
o
CEC
do
Itacorubi atende80
crianças e adolescentes carentes,na
:faixa etária
de
07
a
14anos
com
osmesmos
propósitos designadosem
1990,a
partirdo
ECA.
Entretanto, ampliou~se os seus objetivos ea
clientela, poistambém
atende aalgumas
familiasda comunidade
atravésdo
Serviço Social.()
CEC
do
Itacorubi dispõede
funcionários espec.ializados paradesempenhar
o
melhor
atendimento possívelcom
boa
qualidade a estas pessoas, estando dentre eles:- l
Coordenadora
e Assistente Social- l Estagiária
de
Serviço Social-
2
Educadores
(gerais)- 2