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Tese FINAL 22.setembro.2017 FINAL

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Academic year: 2021

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INTEGRAÇÃO DA ANÁLISE DOS CUSTOS

DO CICLO DE VIDA NA APLICAÇÃO PRONIC

Estruturação de informação

para edifícios de betão armado

Orientadora: Professora Doutora Maria João Serpa da Lança Falcão da Silva Coorientadora: Doutora Paula Margarida Carvalho Marques Couto

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Faculdade de Engenharia

Lisboa 2017

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INTEGRAÇÃO DA ANÁLISE DOS CUSTOS

DO CICLO DE VIDA NA APLICAÇÃO PRONIC

Estruturação de informação

para edifícios de betão armado

Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

Faculdade de Engenharia

Lisboa 2017

Dissertação defendida em provas públicas na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, no dia 22 de setembro de 2017, perante o júri, nomeado pelo Despacho de Nomeação nº: 255/2017, de 19 de julho de 2017, com a seguinte composição: Presidente: Prof. Doutor Elói João Faria Figueiredo (ULHT); Arguente: Prof. Doutor Hipólito José Campos de Sousa (Faculdade de Engenharia Universidade do Porto);

Vogal: Prof. Tiago Vitorino de Sousa Braga Queiroz, especialista CNAEF 581 (ULHT)

Orientadora: Prof.ª Doutora Maria João Serpa da Lança Falcão da Silva (ULHT/LNEC)

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AGRADECIMENTOS

A realização desta dissertação de mestrado não teria sido possível sem a colaboração, estimulo e empenho de diversas pessoas. Gostaria, por este facto, de expressar toda a minha gratidão e apreço a todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para que esta tarefa se tornasse numa realidade. A todos quero manifestar os meus sinceros agradecimentos.

À minha orientadora, Professora Doutora Maria João Falcão da Silva, por todo o conhecimento transmitido, pelo enorme entusiasmo, pela disponibilidade, atenção dispensada, dedicação, profissionalismo e apoio em todos os momentos.

À minha coorientadora, Doutora Paula Couto, por me ter sugerido este projeto, pelo seu empenho, sabedoria, capacidade de transmissão e partilha de conhecimentos que contribuíram de forma exemplar para a minha formação, tornando-se assim num pilar essencial para a concretização deste trabalho.

Ao Diretor do Mestrado de Engenharia Civil, Professor Doutor Elói Figueiredo, e à Faculdade de Engenharia da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT), agradeço extremamente o reconhecido apoio, para o desenvolvimento e concretização de artigos no âmbito da presente dissertação.

Ao Núcleo de Economia, Gestão e Tecnologia da Construção (NEG), do Departamento de Edifícios do Laboratório de Nacional de Engenharia Civil (LNEC), agradeço a oportunidade que me foi concedida para a realização da presente dissertação, que contou com todo o apoio, ajuda e dedicação.

Ao consórcio ProNIC, agradeço a autorização que me foi concedida para aceder à plataforma ProNIC.

Aos meus amigos do Mestrado de Engenharia Civil, em especial, ao Rodrigo, à Arieth, ao Vito e ao Terzildo, agradeço a amizade, companheirismo e carinho que sempre me disponibilizaram, serão amigos que levarei para sempre no meu coração.

Gostaria de deixar dois agradecimentos muito especiais, à Maria Carvalho e ao Carlos Carvalho, por me darem a oportunidade de realizar um sonho, sem vocês, também, nada disto teria sido possível.

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Aos meus pais, pela sólida formação dada até aqui, que me proporcionou a continuidade nos estudos até à chegada a este mestrado, pelo vosso apoio incondicional, os meus eternos agradecimentos.

Finalmente ao meu namorado, Gonçalo, agradeço todo o seu amor, carinho, admiração, e pela presença incansável com que me apoiou ao longo destes últimos dois anos.

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RESUMO

Genericamente, o conceito Custo do Ciclo de Vida (CCV), na designação anglo saxónica Life Cycle Cost (LCC), consiste na análise de todos os custos de um produto, processo ou atividade ao longo da sua vida, tendo como propósito a otimização dos seus custos totais. A presente dissertação visa promover a aplicação do conceito CCV, como ferramenta de gestão de ativos no setor da Arquitetura, Engenharia, Construção e Operação (AECO), incluindo uma pesquisa bibliográfica alargada, tendo como assuntos base os conceitos de CCV e Análise de Custos do Ciclo de Vida (ACCV) na designação anglo saxónica Life Cycle Cost Analysis (LCCA). A ACCV é uma abordagem útil, embora necessite de mais estudo e desenvolvimento, uma vez que ainda apresenta muitos problemas, principalmente relacionados com a falta de quantidade e fiabilidade de informação relativa a todos os seus aspetos. Para a resolução desses aspetos, deixam-se algumas recomendações a considerar para desenvolvimentos futuros.

O ProNIC – Protocolo para a Normalização da Informação Técnica da Construção, permite fazer a gestão de parte do ciclo de vida do empreendimento, desde o projeto de execução até ao final da obra, contendo ainda alguma informação sobre manutenção. No entanto, não apresenta custos de manutenção e existem lacunas de informação técnica que necessitam de ser preenchidas ao nível de toda a etapa da Operação (manutenção, reabilitação e exploração). Neste sentido, a presente dissertação apresenta uma proposta de metodologia de ACCV, com o objetivo de incorporar os custos e toda a informação acerca dos trabalhos de ciclo de vida no ProNIC, permitindo assim efetuar uma análise de um empreendimento ao longo do seu ciclo de vida. A metodologia proposta contempla uma intervenção no ProNIC ao nível dos Artigos, Fichas de Materiais (FMAT), Fichas de Execução de Trabalhos (FET) e Fichas de Custos.

O caso de estudo corresponde a um edifício hospitalar com estrutura de betão armado, para o qual foram analisadas as suas necessidades de operação ao longo do ciclo de vida nos elementos estruturais de betão construídos (vigas, pilares, lajes, fundações), assim como os acabamentos, tendo como finalidade a estruturação de informação normalizada do ciclo de vida no ProNIC, para estas duas componentes.

Palavras-Chave: Custo do Ciclo de Vida; Análise Custo do Ciclo de Vida; Gestão de Ativos; Setor da Arquitetura, Economia, Construção e Operação; ProNIC; Estruturas de Betão Armado

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ABSTRACT

Generally, the concept of Life Cycle Cost (LCC) consists on analysing all the costs of a product, process or activity over the course of its life, aiming the total costs optimizing. The present dissertation aims to promote the application of the LCC concept, as an asset management tool in the Architecture, Engineering, Construction and Operation (AECO) sector, including a broad bibliographic research, based on the concept of LCC and Life Cycle Cost Analysis (LCCA).

The LCCA is a useful approach, although needs more study and development, since still presents many problems, mainly related to the lack of information quantity and liability regarding all the aspects. To resolve these issues, some recommendations for future developments are left to be considered.

Currently, in the Protocol for Standardization of Construction Technical Information (ProNIC – Portuguese abbreviation) allows managing part of the project life cycle, from the final design phase to the end of the construction phase of the project, however, there are gaps that need to be fulfilled at the Operation level (maintenance, rehabilitation and exploration).In this sense, the present dissertation presents a proposal of LCCA methodology, with the objective of incorporating costs and all the information about the life cycle works in ProNIC, thus allowing to make an analysis of a project throughout its life cycle. The proposed methodology includes an intervention in ProNIC at the level of Works Description, Material Sheets (FMAT), Construction Works Sheets (FET) and Cost Sheets.

The case study is an hospital building made of reinforced concrete, for which operating needs were analysed during all life cycle for the structural elements of concrete (beams, pillars, slabs, foundations), as well as for the finishes, with the purpose of structuring and standardizing life cycle information in ProNIC for these two components.

Keywords: Life Cycle Costs; Life Cycle Cost Analysis; Architecture, Engineering, Construction and Operation Sector; ProNIC; Reinforced Concrete Structures

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ABREVIATURAS

ACCV – Análise dos Custos do Ciclo de Vida

AECO – Setor da Arquitetura, Engenharia, Construção e Operação

AVAC – Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado

AWARE-P – Advanced Water Asset Rehabilitation Portugal

BE – Betão Estrutural

BSI – British Standards Institution

CARE – S – Computer Aided Rehabilitation of Sewer Networks

CCP – Código dos Contratos Públicos

CCV – Custos do Ciclo de Vida

CE – Caderno de Encargos

CIB – Conselho Internacional da Construção

CTCV – Custo Total do Ciclo de Vida

DGEMN – Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais

EO – Estimativa Orçamental

EP – Estradas de Portugal

EPE – Entidade Pública Empresarial

FCTUC – Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra

FET – Fichas de Execução de Trabalhos

FMAT – Fichas de Materiais

GAF – Gestão de Ativos Físicos

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IAM – Institute of Asset Management

IC-FEUP – Instituto da Construção – Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

IHRU – Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana

IMPIC – Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção

InCI – Instituto da Construção e do Imobiliário

INESC Porto – Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto

INH – Instituto Nacional de Habitação

IP – Infraestruturas de Portugal

ISO – International Organization Standardization

LCC – Life Cycle Cost

LCCA – Life Cycle Cost Analysis

LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil

MECCV – Modelo de Estudo do Custo do Ciclo de Vida

MQT – Mapa de Quantidades de Trabalho

MRI – Midwest Research Institute

NEG – Núcleo de Economia, Gestão e Tecnologia da Construção

OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico

PAS – Publicly Available Specification

PE – Parque Escolar

PME – Pequenas e Médias Empresas

PMESS – Programa de Modernização destinadas ao Ensino Secundário

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ProNIC – Protocolo para a Normalização da Informação Técnica da Construção

QIC – Qualidade e Inovação na Construção

REFER – Rede Ferroviária Nacional

SETAC – Sociedade da Toxicidade e Química Ambiental

SIMPLE – Sustainable Infrastructure Management Program Learning Environment

TC – Tribunal de Contas

TIC´s – Tecnologias de Informação e Comunicação

TLAM – Total Life Cycle Asset Management

UC – Unidades de Construção

ULHT – Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias

USEPA – United States Environmental Protection Agency

VAL – Valor Atualizado Líquido

WLC – Whole Life Costing

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ÍNDICE GERAL

1. INTRODUÇÃO 1.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ... 1 1.2. OBJETIVOS DO ESTUDO ... 5 1.3. ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO ... 5 2. ENQUADRAMENTO GERAL 2.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ... 7

2.2. GESTÃO DE ATIVOS FÍSICOS ... 8

2.2.1. Enquadramento ... 8

2.2.2. Conceitos Fundamentais ... 11

2.2.3. Ciclo de Vida dos Ativos ... 14

2.2.4. Modelos de Gestão de Ativos Físicos Aplicados a Infraestruturas de Engenharia ... 16

2.3. CUSTOS DO CICLO DE VIDA DE ATIVOS FÍSICOS ... 18

2.3.1. Enquadramento ... 18

2.3.2. Conceito... 19

2.3.3. Fases do Ciclo de Vida e Custo Associado ... 21

2.4. ANÁLISE DO CUSTO DE CICLO DE VIDA ... 27

2.4.1. Implementação da Metodologia ACCV ... 30

2.4.2. Limitações da Metodologia ACCV ... 31

2.4.2.1. Incertezas e Riscos Associados ... 32

2.4.2.2. Vantagens e Desvantagens ... 34 2.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 36 3. ProNIC 3.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ... 37 3.2. PRONIC ... 39 3.2.1. Desenvolvimento ... 39

3.2.2. Articulado e Conteúdos Técnicos ... 42

3.2.3. Estrutura de Classificação de Trabalhos de Construção ... 42

3.2.4. Descrição de Trabalhos ... 44

3.2.5. Especificações Técnicas ... 45

3.2.6. Cenários de Custos ... 46

3.2.7. Modelo de Obra ... 49

3.2.8. Funcionalidades ... 52

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3.4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 59

4. INTEGRAÇÃO DA ANÁLISE DO CUSTO DO CICLO DE VIDA NO PRONIC 4.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ... 60

4.2. CONCEPTUALIZAÇÃO DA METODOLOGIA ACCV ... 61

4.3. IMPLEMENTAÇÃO DA METODOLOGIA ... 65

4.4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 66

5. CASO DE ESTUDO 5.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ... 67

5.2. ENQUADRAMENTO E DESCRIÇÃO ... 67

5.3. APLICAÇÃO AO CASO DE ESTUDO ... 69

5.3.1. Considerações e Abrangência ... 69

5.3.2. Apresentação de Resultados ... 70

5.3.3. Análise e Discussão de Resultados ... 81

5.4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 86

6. CONCLUSÕES E DESENVOLVIMENTOS FUTUROS 6.1. CONSIDERAÇÕES GERAIS ... 87

6.2. PRINCIPAIS CONCLUSÕES DO ESTUDO ... 88

6.3. PRESPETIVAS E DESENVOLVIMENTOS FUTUROS ... 89

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 91 ANEXOS ... I ANEXO A  INFORMAÇÃO A COLOCAR NAS FET, FMAT E FICHAS DE CUSTO ... II ANEXO B  ARTIGOS PUBLICADOS EM ATAS E APRESENTADOS ORALMENTE EM CONGRESSOS ... XXXVII

B.1 BE 2016 ... XXXVIII B.2 QIC 2016 ...XXXIX B.3 M2D2017 ... XL

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ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1.1: Estrutura por segmentos de atividade económica (2015) ... 1

Figura 1.2: Estrutura por classes de dimensão (2015) ... 2

Figura 1.3: Adoção de tecnologias da informação ... 3

Figura 2.1: Evolução do conceito de gestão de ativos, adaptado de (Viola, 2015) ... 11

Figura 2.2: Relação entre os diferentes tipos de ativos, adaptado de (CIRIA, 2009) ... 12

Figura 2.3: Ciclo de vida dos ativos, adaptado de (IBM, 2007) ... 15

Figura 2.4: Distribuição dos CCV, adaptado de (Real, 2010)... 20

Figura 2.5: Otimização dos custos, adaptado de (County Solid Waste Division, 2006) ... 20

Figura 2.6: Estrutura de custos segundo a ISO 15686-5, adaptado de (ISO 15686-5, 2008) ... 22

Figura 2.7: Custos de construção nas diferentes fases do ciclo de vida, adaptado de (Real, 2010) e (Hendrickson, 1989) ... 26

Figura 2.8: Evolução do acumulado do CCV e das oportunidades de redução do CCV ao longo do ciclo de vida de um ativo, adaptado de (Dantas, 2014) ... 26

Figura 3.1: Cronologia de evolução do ProNIC (adaptado de Campos, 2014) ... 41

Figura 3.2: Base de Dados do ProNIC ... 42

Figura 3.3: Estrutura WBS-CW para Edifícios e Infraestruturas Rodoviárias... 43

Figura 3.4: Níveis hierárquicos detalhados do ProNIC... 44

Figura 3.5: Estrutura padrão das FMAT e FET ... 46

Figura 3.6: Ficha de Custos Específica para Obra ... 47

Figura 3.7: Ficha de Custos Genérica ... 47

Figura 3.8: Ficha de Custos de Cenário ... 48

Figura 3.9: Modelo de Obra Genérico, adaptado de (IMPIC, 2016) ... 49

Figura 3.10: Divisão da obra por UC, adaptado de (IMPIC, 2016) ... 50

Figura 3.11: Entradas e saídas do ProNIC, adaptado de (Campos, 2014) ... 53

Figura 3.12: Contribuição do ProNIC ao longo das diferentes fases de projeto (IMPIC, 2016) ... 54

Figura 3.13: Principais utilizadores em função das fases do processo de construção, adaptado de (InCI/ProNIC, 2012) ... 55

Figura 4.1: Proposta da nova estrutura das FMAT e FET ... 62

Figura 4.2: Proposta de Ficha de Custos Específica para Obra ... 63

Figura 4.3: Proposta de Ficha de Custos Genérica ... 63

Figura 4.4: Proposta de Ficha de Custos de Cenário ... 64

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ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 2.1: Recomendações da Diretiva 2014/25/UE acerca dos custos a incluir nas diferentes fases

do ciclo de vida, adaptado de (DIRETIVA 2014/25/UE, 2014) e (Rocha, 2015) ... 21

Tabela 2.2: Categoria de custos para as fases do ciclo de vida de um ativo – fase de construção, adaptado de (ISO 15686-5, 2008) e (Rocha, 2015) ... 23

Tabela 2.3: Categoria de custos para as fases do ciclo de vida de um ativo – fase de operação, adaptado de (ISO 15686-5, 2008) e (Rocha, 2015) ... 23

Tabela 2.4: Categoria de custos para as fases do ciclo de vida de um ativo – fase de manutenção, adaptado de (ISO 15686-5, 2008) e (Rocha, 2015) ... 24

Tabela 2.5: Categoria de custos para as fases do ciclo de vida de um ativo – fase de fim de vida, adaptado de (ISO 15686-5, 2008) e (Rocha, 2015) ... 25

Tabela 2.6: Vantagens e desvantagens da ACCV, adaptado de (Dantas, 2014) ... 35

Tabela 3.1: Principais causas de desvios financeiros (Sousa, 2012) ... 38

Tabela 3.2: Exemplo da descrição de um artigo do ProNIC - Artigo 8.1.1.8.3 ... 45

Tabela 3.3: Especialidades de projeto contidas no ProNIC (Couto et al., 2012) ... 51

Tabela 3.4: Funcionalidades dos intervenientes no ínicio do processo de construção (IMPIC, 2016) 55 Tabela 3.5: Funcionalidades dos intervenientes no projeto de execução (IMPIC, 2016) ... 56

Tabela 3.6: Funcionalidades dos intervenientes na contratação (IMPIC, 2016) ... 56

Tabela 3.7: Funcionalidades dos intervenientes na construção (IMPIC, 2016) ... 56

Tabela 3.8: Funcionalidades dos intervenientes na utilização / operação (IMPIC, 2016) ... 57

Tabela 5.1: Pressupostos considerados para a elaboração do MECCV ... 67

Tabela 5.2: Componentes analisadas no MECCV ... 68

Tabela 5.3: Informação presente no MECCV para Estruturas Metálicas... 71

Tabela 5.4: Proposta de separação da componente em análise a) ... 72

Tabela 5.5: Proposta de separação da componente em análise b) ... 72

Tabela 5.6: Preenchimento do artigo 20.2.1.2.2: Repintura, com remoção parcial da pintura pré-existente, de Estruturas Metálicas ... 74

Tabela 5.7: Campos a colocar na nova ficha de custos para repintura de estruturas metálicas... 76

Tabela 5.8: Campos a colocar na nova ficha de custos para estruturas metálicas ... 76

Tabela 5.9: Informação presente no MECCV para impermeabilização de muros de suporte ... 77

Tabela 5.10: Descrição e sugestão do artigo 17.2.2: Recuperação da Impermeabilização ... 79

Tabela 5. 11: Informação presente no MECCV para isolamento térmico ... 79

Tabela 5.12: Sugestão de criação do artigo recuperação de isolamento térmico ... 80

Tabela 5.13: Percentagem de CCV dos itens mais intervencionados ... 82

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Tabela A.1: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para impermeabilização de muros de suporte ... III Tabela A.2: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para juntas de dilatação IV Tabela A.3: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para soleiras ... V Tabela A.4: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para portas interiores de madeira ... VI Tabela A.5: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para portas interiores de aço inox ... VII Tabela A.6: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para claraboias ... VIII Tabela A.7: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para janelas interiores .. IX Tabela A.8: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para divisórias de duches ... X Tabela A.9: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para vãos em vidro... XI Tabela A.10: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para portas interiores XII Tabela A.11: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para estores ... XIII Tabela A.12: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para portão de vedações (cancelas de acesso)... XIV Tabela A.13: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para impermeabilização ... XV Tabela A.14: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para isolamento térmico de paredes e tetos exteriores ... XVI Tabela A.15: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para isolamento térmico de pavimentos ... XVII Tabela A.16: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para paramentos

interiores – reboco ... XVIII Tabela A.17: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para pintura de

paramentos interiores – base aquosa ... XIX Tabela A.18: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para pintura de

paramentos interiores – base solvente ... XX Tabela A.19: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para pintura de depósitos de água ... XXI Tabela A.20: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para pintura de base aquosa em tetos rebocados ... XXII Tabela A.21: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para pintura de base aquosa em tetos de gesso cartonado ... XXIII

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Tabela A.22: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para pintura de base solvente em tetos de gesso cartonado ... XXIV Tabela A.23: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para pintura de base aquosa em tetos de betão ... XXV Tabela A.24: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para paramentos

interiores – painéis pré-fabricados ... XXVI Tabela A.25: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para réguas de proteção ... XXVII Tabela A.26: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para reboco de

paramentos exteriores ... XXVIII Tabela A.27: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para pintura de

paramentos exteriores rebocados ... XXIX Tabela A.28: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para pastilha vidrada ... XXX Tabela A.29: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para vinílicos ... XXXI Tabela A.30: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para revestimentos de pavimentos (pavimento sintético) ... XXXII Tabela A.31: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para tetos interiores (reboco) ... XXXIII Tabela A.32: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para tetos falsos

interiores (em gesso cartonado e em materiais plásticos sintéticos) ...XXXIV Tabela A.33: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para isolamentos e impermeabilizações (de coberturas) ... XXXV Tabela A.34: Nova informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo para mobiliário diverso (roupeiros) ...XXXVI

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ÍNDICE DE EQUAÇÕES

Equação 3.1: Preço Total Unitário ... 49 Equação 4.1: Total Unitário dos CCV ... 64

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1. INTRODUÇÃO

1.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

A construção engloba tanto a construção de edifícios (construção civil) como a construção de obras de engenharia civil (estradas, pontes, vias-férreas, barragens), tendo uma importância considerável na economia portuguesa (Martins, 2008) e sendo um dos setores impulsionadores da economia nacional devido ao seu peso específico na criação de riqueza e de emprego (Gil, 2015).

Em 2015, o setor da construção compreendia 11% das empresas em Portugal, cerca de 44 mil empresas. Comparativamente a 2011, a relevância do setor da construção no total das empresas diminuiu, em virtude de consecutivos decréscimos no número de empresas em atividade no setor. Em relação a 2014, o número de empresas em atividade no setor da construção diminuiu 1,9%. A construção de edifícios apresentava maior preponderância neste setor de atividade, representando 59% das empresas, 44% das pessoas ao serviço e 42% do volume de negócios do setor. A repartição pelos segmentos de atividade do número de pessoas ao serviço e do volume de negócios era mais homogénea. Ainda assim, destacava-se o peso da engenharia civil: 31% do volume de negócios e 23% das pessoas ao serviço do setor, embora representasse apenas 6% das empresas (Figura 1.1) (Portugal, 2016).

Figura 1.1: Estrutura por segmentos de atividade económica (2015) (Fonte: Banco de Portugal) (Portugal, 2016)

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A distribuição por dimensão das empresas era similar à do total das empresas: 88% das empresas eram microempresas, 12 % eram Pequenas e Médias Empresas (PME) e apenas 0,1% eram grandes empresas. As PME, no entanto, representavam 51% do volume de negócios e 50% do número de pessoas ao serviço do setor (43% e 45%, respetivamente, no total das empresas). As grandes empresas eram menos relevantes no setor da construção do que no total das empresas (Figura 1.2) (Portugal, 2016).

Figura 1.2: Estrutura por classes de dimensão (2015) (Fonte: Banco de Portugal) (Portugal, 2016)

Ao longo de 2016, o montante dos contratos e de empreitadas de obras públicas celebrados atingiu os 1,15 mil milhões de euros, o que significa uma recuperação de 17% face a 2015 (Portugal, 2016).

Um projeto de construção é um processo que envolve a produção de informação, a qual é utilizada por diferentes intervenientes e em diversos momentos. Dado o grande volume de informação produzida, torna-se imprescindível a gestão eficiente de todos os dados (Campos, 2014). No entanto, o setor da Arquitetura, Engenharia, Construção e Operação (AECO) padece de problemas de ineficiência ao nível da organização, do conteúdo, do intercâmbio e entendimento da informação ao longo de todo o processo construtivo, que são o reflexo de prazos ultrapassados, orçamentos excedidos, segurança deficiente, qualidade ausente, entre outros, sendo consequências que têm vindo a descredibilizar o setor AECO (Couto & Teixeira, 2005).

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A construção destaca-se pela sua natureza heterogénea e segmentada. Cada empreitada representa uma situação única e com processos de execução diferentes de obra para obra, mesmo em construções do mesmo tipo. Apesar do produto final ser de carácter singular, este deverá resultar de processos normalizados que, fruto de algumas circunstâncias únicas, concretizem essa singularidade (Sousa et al., 2011). Esta variabilidade de produtos e falta de padronização nos processos da construção deve-se, em parte, ao reduzido investimento tecnológico que se verifica neste setor (Sousa et al., 2011). As empresas do setor AECO, manifestam uma boa capacidade de assimilar novas tecnologias, novos materiais e novos processos de construção (Henriques, 2012), no entanto, como se pode verificar na Figura 1.3, o setor da construção é o que representa um menor índice de adoção de tecnologias da informação, quando comparado com outros setores.

Figura 1.3: Adoção de tecnologias da informação (Fonte: e-Business W@tch e-Business Survey 2005)

Face ao exposto na Figura 1.3, torna-se urgente a adoção, por parte dos intervenientes do setor da construção, de metodologias, práticas e conhecimentos (quer técnicos, quer de gestão) de forma a permitir que o setor da construção acompanhe a evolução dos restantes setores.

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No sentido de adotar novas práticas, com o objetivo de tornar o setor da construção mais competitivo, em relação aos restantes setores (ver Figura 1.3), surgiu em Dezembro de 2005, um projeto de investigação, patrocinado pelo Estado Português, cujo objetivo essencial foi desenvolver um conjunto sistematizado e integrado de conteúdos técnicos credíveis, de acordo com a legislação nacional, suportados por uma aplicação informática moderna, ProNIC - Protocolo para a Normalização da Informação Técnica da Construção, onde se encontra disponibilizada uma estrutura codificada de trabalhos de construção, especificações técnicas de trabalhos e materiais para caderno de encargos, regras de medição, bases de dados de preços, entre outras potencialidades. Em 2009, prestando serviços à Parque Escolar (PE), o ProNIC foi adotado e testado ao longo do programa nacional de modernização de escolas do ensino secundário.

Atualmente, o ProNIC, é considerado um instrumento de apoio à decisão e à gestão do processo construtivo de sucesso, prevendo-se que, num futuro próximo, seja de utilização obrigatória em todas as obras públicas (Campo, 2014). No entanto, o desenvolvimento inicial do ProNIC foi direcionado para obras de edifícios e infraestruturas rodoviárias, o que permite fazer uma análise económica simplificada às mesmas na medida em que compreende somente os custos de projeto, incorporando as especialidades de arquitetura e engenharia, e os correspondentes custos de construção.

Tendo como motivação, as perspetivas de investimento em obras de edifícios, orientadas cada vez mais para a sua operação (manutenção, exploração e reabilitação), surge a necessidade de propor uma adaptação do ProNIC com a criação de uma metodologia que permita ter, para além de toda a informação relativa às fases de projeto e construção, a informação relativa à fase de operação com a criação ou alteração de artigos já existentes, ao nível das Fichas de Execução de Trabalhos (FET) e das Fichas de Materiais (FMAT) com a incorporação de informação essencial sobre os trabalhos a realizar e os materiais a utilizar, ao longo do ciclo de vida de um empreendimento, bem como ao nível das fichas de custo com a proposta de inserção de custos de operação.

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1.2. OBJETIVOS DO ESTUDO

O principal objetivo desta dissertação consiste em desenvolver uma metodologia de Análise de Custo do Ciclo de Vida (ACCV) aplicável a todo tipo de edifícios, tendo como base para a sua criação, um edifício hospitalar português. A sua concretização, passa por, numa primeira fase, analisar os conteúdos disponíveis no ProNIC e, posteriormente, intervir ao nível dos Artigos, FMAT, FET e Fichas de Custos, com vista a incorporar a informação relativa à fase de operação (manutenção, exploração e reabilitação) e os respetivos Custos do Ciclo de Vida (CCV), permitindo que o ProNIC se torne numa aplicação informática onde seja possível a realização de uma análise económica compreendendo todo o ciclo de vida de um edifício.

Neste sentido, os objetivos específicos que se pretendem alcançar com o desenvolvimento do presente trabalho são:

i. Análise da documentação normativa internacional existente, referente a Gestão de Ativos Físicos (GAF), CCV e ACCV;

ii. Apresentação da bibliografia existente sobre metodologias de ACCV, nomeadamente as suas vantagens e limitações;

iii. Análise da bibliografia existente sobre o ProNIC e exploração da aplicação informática, elaborando um resumo dos seus conteúdos e funcionalidades e do seu desenvolvimento e funcionamento para o trabalho já realizado e dirigido para obras de edifícios e infraestruturas rodoviárias;

iv. Proposta de elaboração de uma abordagem metodológica de ACCV, aplicada ao ProNIC, de modo a clarificar os seus procedimentos e potencialidades;

v. Realização e apresentação de artigos científicos em conferências nacionais e / ou internacionais.

1.3. ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO

Em termos de estrutura organizativa, a presente dissertação de mestrado encontra-se dividida em seis capítulos. Apesar de cada capítulo, por si, desenvolver uma temática própria, os capítulos encontram-se relacionados de forma a proporcionar uma leitura contínua e coerente.

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No Capítulo 1, apresenta-se o enquadramento geral do tema, sendo exposta a problemática e os objetivos que se pretendem alcançar com este trabalho.

No Capítulo 2, destaca-se a importância do conceito GAF no setor AECO, fazendo-se o seu enquadramento normativo. Ainda neste capítulo é exposto o termo CCV, apresentando as normas europeias que se encontram diretamente relacionadas com este conceito. Em sequência, apresenta-se o conceito ACCV, realçando as suas limitações face às características do setor AECO, expondo e explicando o conteúdo das normas europeias que apoiam a temática em estudo.

No Capítulo 3, partindo da apresentação de algumas fragilidades do setor AECO, é apresentado um enquadramento genérico e abrangente do ProNIC, no que se refere aos seus conteúdos, funcionalidades, metodologia e elementos de informação. Este capítulo teve como objetivo conhecer o ProNIC de forma mais aprofundada, a fim de criar aptidões para o trabalho desenvolvido e apresentado no âmbito dos Capítulos 4 e 5.

No Capítulo 4 é apresentada uma proposta de metodologia ACCV e explicado como esta poderá ser concretizada e implementada de forma operacional no ProNIC.

O Capítulo 5 introduz e desenvolve o caso prático, com base na exploração da informação do Modelo de Estudo do Custo do Ciclo de Vida (MECCV) relativo a um edifício hospitalar nacional, com vista à concretização da metodologia ACCV proposta no Capítulo 4.

No último capítulo, são apresentadas as principais conclusões sobre o trabalho desenvolvido no âmbito da presente dissertação de mestrado, aferindo resultados obtidos, expondo desenvolvimentos futuros e refletindo sobre a importância e as potencialidades da integração da metodologia ACCV no ProNIC.

Para finalizar, são incluídos os seguintes Anexos:

i. ANEXO A – Informação a colocar nas FET, FMAT e Fichas de Custo;

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2. ENQUADRAMENTO GERAL

2.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Neste Capítulo, apresenta-se a revisão bibliográfica efetuada no âmbito deste trabalho incidindo em temas que envolvem os conceitos GAF, CCV e ACCV, bem como o seu respetivo enquadramento normativo.

Há já algumas décadas que se encontra em discussão a problemática de gerir os ativos físicos construídos, tendo em conta o seu ciclo de vida. No entanto, problemas relacionados com custos nas fases de construção e operação conjugados com falta de informação relativa ao conceito da gestão de ativos, têm levado à não generalização da sua aplicação. Contudo, com o passar dos anos, os stakeholders têm vindo a identificar as potencialidades e os benefícios de um bom sistema de gestão de ativos no controlo e previsão dos custos associados aos ativos ao longo do seu ciclo de vida. Desta forma, torna-se possível realizar uma otimização de custos, optando pela solução economicamente mais sustentável, não esquecendo a relação direta entre custo e qualidade. Face ao exposto, apresenta-se em seguida uma pequena perspetiva histórica sobre gestão de ativos, assim como a sua importância e a função dos sistemas de gestão de ativos. Fez-se também um levantamento de modelos de análise de custos existentes.

De uma forma simplista, os CCV podem ser estimados através da contabilização dos recursos despendidos em cada uma das fases do mesmo. Os CCV de um ativo físico construído incluem custos de conceção, custos de projeto, custos de construção, custos de operação (manutenção, reabilitação e exploração) e ainda custos de fim de vida. Neste sentido, passam-se a aprepassam-sentar nas passam-secções passam-seguintes do prepassam-sente capítulo, o conceito de CCV, bem como as fases do ciclo de vida e os custos associados em cada fase de um ativo físico construído.

Uma vez que o objetivo da presente dissertação é a proposta de desenvolvimento de uma metodologia de ACCV aplicada ao ProNIC, fez-se um levantamento do existente acerca do conceito ACCV, compreendendo todos os passos necessários para uma correta implementação da metodologia e consequentemente as limitações associadas à mesma (incertezas e riscos, vantagens e desvantagens).

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2.2. GESTÃO DE ATIVOS FÍSICOS

2.2.1. ENQUADRAMENTO

No final da década de setenta, a indústria petrolífera identificou a necessidade de existir uma abordagem de GAF de modo a melhorar a administração dos seus ativos físicos. O principal fator da implementação desta mudança foi a necessidade de atingir uma maior eficiência do ponto de vista financeiro. Em 1986, após um grave acidente na indústria petrolífera e em conjunto com a queda acentuada dos preços do petróleo, a indústria adotou uma abordagem mais holística na sua GAF, baseada no ciclo de vida do ativo. Com o foco na gestão do ciclo de vida do ativo, apareceram as desejadas melhorias na eficiência, segurança e produtividade. Entre 1994 e 2000 foram desenvolvidos os seguintes manuais de gestão de ativos: o Manual Nacional da Gestão de Ativos Australiano (1994), o Manual Nacional da Gestão de Ativos da Nova Zelândia (1996) e o Manual Internacional da Gestão de Infraestruturas (2000) (Viola, 2015).

Em 2004, o Institute of Asset Management (IAM), do Reino Unido, em parceria com o British Standard Institute (BSI), desenvolveu a Publicly Available Specification 55 (PAS 55). A PAS 55 oferece diretrizes e boas práticas para uma ótima GAF da organização, de forma a criar na organização uma estrutura funcional que permite o melhoramento contínuo do seu sistema de gestão de ativos (PAS 55, 2008). A PAS 55 encontra-se dividida em duas partes:

i. PAS 55:1 – Indica as especificações e os requisitos a otimizar na GAF da organização ao longo do seu ciclo de vida;

ii. PAS 55:2 – Efetua a aplicação prática da teoria enunciada na PAS 55:1, através de linhas de orientação ou ferramentas de aplicação dos seus requisitos, possibilitando uma compreensão mais exata do significado de cada ponto, facilitando a sua implementação na estrutura da organização.

Em 2006 foi iniciada uma investigação nos Estados Unidos da América intitulada de

Sustainable Infrastructure Management Program Learning Environment (SIMPLE). O

SIMPLE é um ambiente de aprendizagem da gestão de ativos online projetado para ajudar as organizações a implementar programas com as práticas mais apropriadas da gestão do ciclo total de vida do ativo (Coelho, 2015).

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Em 2008, a United States Environmental Protection Agency (USEPA) dos Estados Unidos estabeleceu um quadro com cinco questões centrais para a gestão de ativos no “Asset

Management: A Best Practice Guide”. As cinco questões fundamentais cobrem amplamente os

principais elementos da gestão de ativos, e cada questão cobre vários elementos de boas práticas, sendo as seguintes (Coelho, 2015):

i. Qual é o estado atual do meu sistema de ativos?

ii. Qual é o nível de serviço exigido de modo a ser "sustentável"?

iii. Quais os ativos que são fundamentais para um desempenho sustentado? iv. Quais são os custos mínimos do ciclo de vida?

v. Qual é a melhor estratégia de financiamento a longo prazo?

A USEPA estabeleceu um programa de formação em gestão de ativos de modo a poder formar uma ampla base de profissionais da indústria sobre os princípios de gestão de ativos. A formação foi projetada em torno das cinco questões fundamentais, apresentadas anteriormente, e em grande medida alinhada com as abordagens e políticas presentes na plataforma SIMPLE. Ainda em 2008, a PAS 55 sofreu uma atualização (PAS 55, 2008).

Em 2010, a International Organization for Standardization (ISO) lançou o projeto de uma norma internacional que inclui a área de GAF. A série ISO 55000 é uma série de Normas Internacionais para, onde se encontram definidos os requisitos necessários para um adequado sistema de gestão de ativos ao longo de todo o seu ciclo de vida, estando determinado que as realizações de valor exigem o equilíbrio entre custo, risco e benefícios ao longo de diferentes intervalos de tempo (ISO 55000, 2014).

A série ISO 55000 foi publicada no dia 10 de janeiro de 2014 e é composta pelas seguintes normas (ISO 55000, 2014):

i. ISO 55000 “Asset management. Overview, principles and terminology”. Trata-se de um documento que visa providenciar à gestão de topo de uma organização os princípios e vantagens da GAF, possibilitando a familiarização com a prática e a compreensão da sua terminologia e visão geral. Especifica ainda os conceitos de base e as terminologias (ISO 55000, 2014);

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ii. ISO 55001 “Asset management. Management Systems. Requirements”. Esta parte da série de normas ISO 55000 aborda os requisitos necessários para a criação de um sistema de gestão de ativos físicos (ISO 55001, 2014);

iii. ISO 55002 “Asset management. Management Systems. Guide lines for the

application of ISO 55001”. Este documento fornece um guia de interpretação e

implementação da ISO 55001 (ISO 55002, 2014).

De uma forma sintética, as três normas, conceptualizam os quatro princípios básicos para uma GAF eficiente (ISO 55000, 2014), (ISO 55001, 2014), (ISO 55002, 2014):

i. Os ativos existem para fornecer valor à organização e às partes interessadas; ii. A liderança cultural do local de trabalho é determinante na perceção do valor; iii. A GAF transforma a intenção estratégica em tarefas, decisões, atividades técnicas

e financeiras;

iv. A GAF garante que os ativos vão cumprir e desempenhar a sua função ao longo do seu ciclo de vida.

Em suma, a série de normas ISO 55000, fornece aos responsáveis das organizações o motivo pelo qual deve ser criado um sistema de gestão de ativos, apresentando as suas vantagens, bem como uma abordagem estruturada que contribui para o desenvolvimento, coordenação e controlo das atividades realizadas sobre os ativos (ISO 55000, 2014).

Para facilitar a interpretação do que foi descrito, encontram-se representados, de forma sintetizada, na Figura 2.1, os marcos mais relevantes para a história da evolução da gestão de ativos.

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Figura 2.1: Evolução do conceito de gestão de ativos, adaptado de (Viola, 2015)

2.2.2. CONCEITOS FUNDAMENTAIS

Os ativos estão geralmente associados a algo capaz de gerar valor potencial ou efetivo, tangível ou intangível, financeiro ou não financeiro (ISO 55000, 2014). Como representado na Figura 2.2, para a atividade ou negócio de uma organização, existe uma inter-relação entre os diferentes tipos de ativos, sejam eles de natureza financeira ou contabilística, ou estejam eles relacionados, mais ou menos, diretamente com os recursos humanos ou fornecedores e parceiros, com os sistemas de informação, ou mesmo com ativos intangíveis capazes de gerar valor a uma organização.

1970-79

• Crises petrolíferas da década de 70

• O desenvolvimento da Qualidade no Japão no pós-guerra

1980-89

• A importância das metodologias da qualidade pelo ocidente na década de 80 • O desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC´s)

na década de 80 - O conceito de ativos intangíveis (o Conhecimento)

1994-00

• Manual Nacional da Gestão de Ativos Australiano • Manual Nacional da Gestão de Ativos da Nova Zelândia • Manual Internacional de Gestão de Infraestruturas

2004-08

• Publicação das PAS 55: 2004 no Reino Unido • Atualização das PAS 55 - PAS55:2008

2014

• ISO 55000 - "Asset management. Overview, principles and terminology" • ISO 55001 - "Asset management. Management Systems. Requirements” • ISO 55002 - "Asset management. Management Systems. Guide lines for the

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Figura 2.2: Relação entre os diferentes tipos de ativos, adaptado de (CIRIA, 2009)

O termo ativo é bastante utilizado na sociedade atual, apresentando diferentes significados dependendo da circunstância, área ou setor em causa. Atualmente é possível identificar cinco tipos de ativos (Karlsson & Kack, 2014):

i. Ativos Financeiros – Lucros, custos associados ao ciclo de vida, valor dos ativos consoante o seu desempenho, dívidas;

ii. Ativos Humanos – Motivação, comunicação, responsabilidades, conhecimento, experiência, competência e capacidade, liderança e trabalho em equipa;

iii. Ativos de Informação – Registos, desenhos, contratos, licenças, documentos legais e regulamentares, informação do nível de desempenho;

iv. Ativos Intangíveis – Reputação, restrições morais e éticas, impacto social;

v. Ativos Físicos – Edifícios, veículos, parque de máquinas, qualidade do produto, produtividade, ativos úteis e confiáveis.

No âmbito da presente dissertação de mestrado, o tipo de ativos objeto de estudo são os ativos físicos das organizações, visto que será analisado um edifício. No entanto, podemos também considerar incorporados no grupo de ativos mencionados, os ativos financeiros, no que

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diz respeito aos custos associados ao ciclo de vida, e os ativos de informação no que diz respeito ao registo de dados.

A GAF procura coordenar e otimizar os recursos e procedimentos a diversos níveis, garantindo a qualidade de serviço prestado e permitindo gerar valor. Do mesmo modo que a GAF tem como objetivo a realização dos benefícios do próprio ativo, deve ter igualmente em conta os custos dessa realização, contabilizando o custo de substituição e também fatores energéticos ou relacionados com materiais, localização, estratégia de funcionamento, proximidade com a cadeia de valor, entre outros. Devem igualmente ser analisados os riscos de operação, de acidentes, de obsolescência que a permanência do ativo com determinado fim pode acarretar (ISO 55000, 2014).

De forma semelhante, a PAS 55, define a GAF como o conjunto das atividades e práticas sistemáticas e coordenadas que uma organização utiliza para gerir de modo ótimo e sustentável os seus ativos e sistemas de ativos, o desempenho associado, o risco e as despesas ao longo dos seus ciclos de vida, com o propósito de atingir o seu plano organizacional estratégico (PAS 55, 2008).

No sentido de realizar com sucesso todo o processo de GAF torna-se necessário implementar um sistema de gestão de ativos adequado e compatível com os ativos em análise. Este tipo de sistemas compreendem um conjunto de elementos inter-relacionados, que estabelecem políticas, objetivos e processos necessários para atingir os objetivos definidos (ISO 55000, 2014).

Segundo Kari Komonem, a implementação de um sistema de gestão de ativos possibilita a integração da GAF na cultura das organizações, de uma forma transversal. Estes tipos de sistemas têm implicações a nível estratégico, tático e de operação. A nível estratégico, oferecem uma visão a longo prazo e da sustentabilidade. A nível tático, visam o desenvolvimento de ações de médio prazo para implementação da estratégia e a integração destas ações em matrizes de apoio à decisão. A nível operacional, englobam o método de atuar a curto prazo, nomeadamente ao nível da recolha de dados, tratamento de informação e da avaliação das condições dos ativos físicos. Por exemplo, a avaliação das condições dos ativos físicos pode ser feita por intermédio de peritagens ou da realização de inspeções a infraestruturas de engenharia (Komonem, 2013).

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de políticas de gestão de ativos, baseados em três elementos principais de gestão de ativos (IAM, 2017):

i. Decisões primárias – Decisões tomadas ao mais alto nível com a finalidade de obter repercussões em toda a hierarquia e atividade da empresa;

ii. Mecanismos de capacitação – Instrumentos de análise e produção de documentos que servem de suporte à tomada de decisões primárias;

iii. Mecanismos de revisão – Permitem que exista um feedback da implementação das diferentes decisões primárias, e num nível mais geral, da política de gestão de ativos da organização.

A implementação de um sistema de gestão de ativos não é um processo imediato, sendo muito trabalhoso e necessitando de desenvolvimento e atualização ao longo do tempo. Trata-se de um processo contínuo que necessita de planeamento adequado e acompanhamento especializado (Dantas, 2014).

2.2.3. CICLO DE VIDA DOS ATIVOS

Segundo a International Business Machines (IBM), dos Estados Unidos, a prática da gestão total do ciclo de vida do ativo ou Total Life Cycle Asset Management (TLAM) possui uma visão mais ampla de como os ativos são previstos no que se refere à sua operacionalidade, uso, manutenção e, finalmente, eliminação. A visão tradicional, muitas vezes ignora certas fases dentro do ciclo de vida do ativo, assim esta nova prática fornece um novo nível de rigor e entendimento (IBM, 2007).

A IBM refere que a estrutura é composta por oito fases do ciclo de vida (ver Figura 2.3), onde têm de ser consideradas informações importantes da gestão financeira e aspetos tecnológicos (IBM, 2007):

i. Estratégia de ativos – Definição de procedimentos que façam sentido tanto para a classe dos ativos como para os requisitos das atividades da organização;

ii. Planeamento – Definir os objetivos dos ativos, padrões, políticas e procedimentos para a execução da estratégia de ativos;

iii. Avaliação / Projeto – Analisar os ativos aquando da sua compra ou projetar os ativos que precisam ser criados;

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iv. Criação / Aquisição – Esta fase pode ter um dos impactos mais visíveis, isto porque é a primeira fase onde se irá ter um investimento monetário significativo na gestão de ativos;

v. Operação – Manusear os ativos de acordo com os procedimentos / estratégias definidas na fase de projeto. Novas práticas nesta área incluem programas de informação tecnológica da gestão de ativos e estratégias de gestão de desempenho dos ativos;

vi. Manutenção – Manter os ativos de acordo com as estratégias e metas definidas usando os padrões, as politicas e os procedimentos adotados;

vii. Modificação – Fazer a alteração dos ativos quando necessário, garantindo que as alterações são feitas com base nos procedimentos e políticas definidas na fase de planeamento. A alteração pode ser importante para a extensão da vida dos ativos, como por exemplo, máquinas que são remodeladas, instalações reaproveitadas e tecnologias adaptadas para facilitar os processos mais recentes;

viii. Abate / Alienação – Eliminação ou liquidação de bens em conformidade com as estratégias, políticas e procedimentos.

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A duração dos ciclos de vida dos ativos é condicionada por fatores exógenos em que se incluem por exemplo, alterações tecnológicas, sociais e de procura, as quais podem ser precavidas com conceções com maior flexibilidade, com menor custo de adaptação e com maior versatilidade. Existem também fatores endógenos que condicionam a duração dos ciclos de vida dos ativos, como por exemplo, deficientes programas de manutenção, de monitorização e de intervenção (ISO 55000, 2014).

A vida útil dos edifícios deve ser considerada na etapa de planeamento, uma vez que é nesta fase que as decisões têm mais implicações no custo do ativo ao longo da sua vida útil. Para além do referido, é nesta fase que existe a maior oportunidade de reduzir ou otimizar, quer os custos de construção, quer os custos diferidos, em termos de consumo ou em termos de manutenção, revitalização, reparação ou reabilitação (Viola, 2015).

As recentes evoluções sociais e económicas obrigam a maior mobilidade e diferentes critérios de exigência ao longo da vida útil dos ativos, quer por parte dos utilizadores, quer por parte dos proprietários, tornando-se importante enquadrar os desafios da GAF na sua valorização ao longo do ciclo de vida.

Práticas correntes, como a gestão sustentável de instalações, a alienação apropriada dos ativos e a redução das emissões de carbono nos processos industriais são requisitos que devem ser considerados na GAF, pois as práticas verdes e amigas do ambiente são uma tendência a ter em conta em todas as fases do ciclo total de vida dos ativos (Rodrigues, 2014).

A maximização dos ciclos de vida dos ativos, como opção economicamente mais vantajosa, é o desafio e o objetivo da GAF, a qual pode atuar a vários níveis nas organizações (Coelho, 2015) .

2.2.4. MODELOS DE GESTÃO DE ATIVOS FÍSICOS APLICADOS A

INFRAESTRUTURAS DE ENGENHARIA

Nas infraestruturas de utilização pública, como é o caso por exemplo, de hospitais, escolas e centros comerciais, a GAF tem por objetivo obter o melhor compromisso e adequabilidade do ativo ao fim a que se destina, tendo em conta o custo de oportunidade e o custo de substituição.

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Neste sentido, a aplicação dos princípios de GAF às infraestruturas implica uma análise do custo de prestar um dado serviço procurando (Anao, 1998) :

i. Minimizar a necessidade de adquirir / construir novas infraestruturas; ii. Maximizar o potencial das infraestruturas existentes;

iii. Reduzir o custo global das infraestruturas;

iv. Assegurar a definição de objetivos e a avaliação de resultados.

Um dos objetivos da GAF é o da otimização do ciclo de substituição das infraestruturas de forma a obter o máximo retorno financeiro.

A GAF aplicada às infraestruturas pode ser vista como um processo sistemático com o objetivo de garantir a eficiência económica das atividades associadas (Anao, 1998):

i. Exploração e manutenção; ii. Conservação e reabilitação; iii. Ampliação e adequação.

No sentido de ultrapassar os vários desafios inerentes à implementação de estratégias de gestão de ativos, atualmente, os gestores mais experientes recorrem à ajuda de aplicações informáticas de gestão de ativos físicos, com o intuito de distribuir os recursos existentes de uma forma mais estratégica e sistematizada (Lovely, 2010).

De facto, existem atualmente ferramentas informáticas destinadas à gestão, em geral, que têm sido utilizadas na gestão integrada de infraestruturas municipais (redes de águas, esgotos, eletricidade, telecomunicações e estradas, bem como as respetivas instalações acessórias e complementares. Um exemplo com elevada expressão a nível mundial é o Máximo

Enterprise (mro software), que a nível nacional é utilizado por empresas do setor da energia,

especialmente adequado para sistemas de dimensão e complexidade elevada. Referem-se como outros exemplos de modelos de gestão de ativos, com aplicação em Portugal, o Computer Aided

Rehabilitation of Sewer Networks (CARE-S) e o Advanced Water Asset Rehabilitation -

Portugal (AWARE-P) (Neto, 2015).

O modelo de GAF, CARE-S, consiste num sistema de suporte à decisão, desenvolvido por um conjunto de instituições maioritariamente europeias, entre as quais faz parte o LNEC. É uma referência no que diz respeito a sistemas computacionais integrados para apoio à reabilitação de sistemas de águas residuais e pluviais (Almeida & Cardoso, 2011).

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O modelo AWARE-P, tem como objetivo fornecer às entidades gestoras a implementação de um conjunto de ferramentas de auxílio à tomada de decisão, no âmbito da gestão de ativos físicos em sistemas urbanos de água (Neto, 2015).

Estes modelos mais sofisticados facilitam a avaliação do ciclo de vida do ativo e, de um modo geral, apoiam-se na gestão do ativo em matéria de minimização do CCV. No entanto, são ainda necessários desenvolvimentos para que os sistemas de gestão de ativos das infraestruturas atinjam um nível de maturidade que permita modelar a sustentabilidade das decisões tomadas.

2.3. CUSTOS DO CICLO DE VIDA DE ATIVOS FÍSICOS

2.3.1. ENQUADRAMENTO

Nos anos 60, em algumas áreas, começou a ser questionado o facto do processo de tomada de decisão ser baseado apenas nos custos de aquisição (Boussabaine & Kirkham, 2008). Os primeiros trabalhos de investigação sobre a matéria surgem nos anos 70, nomeadamente por intermédio do conceito dos custos de utilização. Este conceito, também referido como custo total, visava a previsão de custos incluindo custos de construção e custos anuais de operação e manutenção do edifício ou de parte do edifício (Seeley, 1996). Já nesta ocasião, foram identificadas as capacidades dos custos de utilização para o processo de decisão, avaliando se um investimento inicial mais baixo é de facto economicamente mais vantajoso. Seguindo esta linha de pensamento, desde os anos 80, o conceito CCV passou a conquistar maior atenção (Boussabaine & Kirkham, 2008).

O conceito CCV é utilizado como apoio à elaboração de contratos de manutenção na Europa desde 1986 (Rocha, 2015). A utilização do CCV passou a ser tida em conta por imposição legal em 1991, nos Estados Unidos da América (Ribeiro, 2007).

Na norma internacional ISO 15686-5:2008: Buildings and constructed assets -

Service-life planning - Part 5: Life-cycle costing, são dadas as linhas orientadoras para a ACCV

em edifícios e seus componentes, encontrando-se definidos os requisitos a ter em conta, na mesma, por forma a obter uma análise fiável (ISO 15686-5, 2008). Após um período de votação, entre 2014-09-10 a 2014-12-10, foram revistos alguns aspetos e acrescentados outros,

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em relação à ISO 15686-5:2008, referindo-se explicitamente que a ACCV poderá ser um dado de entrada para a GAF.

A 26 de Fevereiro de 2014, no âmbito dos contratos públicos foi lançada a Diretiva Europeia 2014/24/UE. Esta diretiva estabelece novas regras que deverão ser adotadas pelas autoridades adjudicantes, promovendo a apresentação de propostas que reflitam a diversidade de soluções técnicas assim como o fornecimento de meios adequados à inovação. No mesmo documento, aponta-se uma abordagem custo-eficácia com base no CCV, como meio de identificar a proposta economicamente mais vantajosa, promovendo a adoção desta abordagem. Refere-se ainda os custos a incluir no CCV de um produto, serviço ou obra que são custos suportados pela autoridade adjudicante ou outros utilizadores, como os custos relacionados com a aquisição, custos de utilização (água, energia, etc.), custos de manutenção e custos de fim de vida útil (recolha, reciclagem, etc.) (DIRETIVA 2014/25/UE, 2014).

2.3.2. CONCEITO

O conceito de CCV ficou consolidado em 2008, após a publicação da norma internacional ISO 15686-5, onde CCV é definido como o custo de um determinado ativo ou das suas partes durante todo o seu ciclo de vida, enquanto cumprir os requisitos de desempenho para os quais foi projetado (ISO 15686-5, 2008). Neste documento, o intervalo de tempo determinado como ciclo de vida é definido como o conjunto das fases consecutivas e interligadas do ativo (edifício) em consideração, devendo o valor do CCV ser obtido através de uma metodologia que permita a avaliação sistemática dos CCV durante um período de análise e conforme o âmbito da mesma (ISO 15686-5, 2008).

Mais pormenorizadamente, o conceito de CCV poderá ser definido como a avaliação expressa em termos monetários, tendo em conta todas as rúbricas de custos significativas e relevantes, durante o período de ciclo de vida previamente determinado. Os custos analisados deverão ter em conta os objetivos definidos considerando o nível de desempenho, confiança e segurança durante o período de análise (Langdon, 2007).

Como referência para o caso da construção de uma infraestrutura física, Gupta, chega a afirmar que mais de 75% do custo de vida útil do ativo podem estar relacionados com a sua exploração e manutenção (Gupta, 1983) (Figura 2.4), pelo que se torna incontornável a

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consideração dos custos do ciclo de vida aquando da análise de uma construção.

Figura 2.4: Distribuição dos CCV, adaptado de (Real, 2010)

Neste sentido, CCV é uma metodologia de carácter económico que pode contribuir para selecionar, de entre as alternativas analisadas ao longo de um período de tempo, a mais eficiente em termos de custos tendo em conta custos como os de construção, de operação, de manutenção, de reabilitação e de fim de vida (Real, 2010).

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O conceito de CCV tem como propósito otimizar os custos totais de um produto através da identificação e quantificação de todos os custos incorridos durante a vida desse mesmo produto. Os principais objetivos dos CCV, segundo o Royal Institute of Chartered Surveyors, são (Real, 2010):

i. Permitir que as opções de investimento sejam avaliadas com maior eficiência; ii. Considerar o impacto de todos os custos em vez de apenas os custos capitais

iniciais;

iii. Assistir na gestão efetiva de edifícios acabados e de projetos; iv. Facilitar a escolha entre alternativas competitivas.

2.3.3. FASES DO CICLO DE VIDA E CUSTO ASSOCIADO

A Diretiva 2014/25/UE (DIRETIVA 2014/25/UE, 2014), de 26 de Fevereiro de 2014, apresenta recomendações sobre os custos a incluir em cada fase, informação que se encontra resumida na Tabela 2.1, de acordo com as fases consideradas na diretiva.

Tabela 2.1: Recomendações da Diretiva 2014/25/UE acerca dos custos a incluir nas diferentes fases do ciclo de vida, adaptado de (DIRETIVA 2014/25/UE, 2014) e (Rocha, 2015)

Fases Recomendações

Aquisição

A diretiva descreve que esta fase deve conter todos os custos relacionados com a aquisição do ativo (a utilização desta terminologia está ligada à natureza da diretiva, ou seja, estar formulada sob a ótica de se referir a contratos públicos dos quais podem constar prestação de serviços e não obrigatoriamente a construção de ativos físicos)

Operação Recomendação da inclusão de custos ligados a consumo energético e outros consumíveis

Manutenção Sobre este ponto a diretiva limita-se a enunciar custos de manutenção

Fim de Vida Útil

Custos de recolha e reciclagem do ativo (especificamente das suas diferentes partes constituintes), referindo-se genericamente aos custos a incorporar como custos de fim de vida útil

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A norma ISO 15686-5:2008 diferencia os termos Custo Total do Ciclo de Vida (CTCV), na terminologia anglo saxónica Whole Life Costing (WLC), e CCV (ISO 15686-5, 2008). O CTCV é considerado equivalente ao CCV somado com o custo externo. Segundo a norma, o CCV deve ser utilizados para descrever análises limitadas a algumas componentes, enquanto que o CTCV deve ser entendido como um termo mais alargado, cobrindo uma análise mais abrangente (ISO 15686-5, 2008). Na Figura 2.6 estão representados os elementos de CTCV e CCV.

Figura 2.6: Estrutura de custos segundo a ISO 15686-5, adaptado de (ISO 15686-5, 2008)

Acerca da fase de construção, a ISO 15686-5:2008, informa que deverão ser incluídos todos os custos desde o projeto até à entrega do ativo ao cliente para o início da sua exploração (ISO 15686-5, 2008), custos que se encontram ilustrados na Tabela 2.2.

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Tabela 2.2: Categoria de custos para as fases do ciclo de vida de um ativo – fase de construção, adaptado de (ISO 15686-5, 2008) e (Rocha, 2015)

Fase da Construção

Categoria de Custo Descrição

Honorários Profissionais Projeto do ativo, licenças para a fase de construção

Trabalhos Temporários Remoção de detritos no terreno que impeçam a construção Remoção de vegetação

Construção do Ativo

Todas as operações ligadas à execução do projeto do ativo até este estar totalmente edificado e pronto a entrar em funcionamento

Aquisição do Ativo Aquisição de um ativo já construído

Impostos Impostos sobre todos os bens necessários à construção de um ativo

Outros Eventuais despesas não orçamentadas e que se venham a realizar no decorrer da construção do ativo

Ao nível dos custos de operação, a ISO 15686-5:2008, informa que deverão ser incluídos os custos incorridos na execução e gestão do ativo (ISO 15686-5, 2008), como representado na Tabela 2.3.

Tabela 2.3: Categoria de custos para as fases do ciclo de vida de um ativo – fase de operação, adaptado de (ISO 15686-5, 2008) e (Rocha, 2015)

Fase de Operação

Categoria de Custo Descrição

Aluguer do Ativo Caso em que a operação se dá num ativo alugado

Seguros Seguros sobre o ativo, seguros de responsabilidade civil, seguros de acidentes em trabalho

Consumíveis Combustíveis, óleos, eletricidade

Impostos Impostos sobre todos os bens necessários à construção de um ativo

Outros Eventuais despesas de implementação de alterações para obter conformidade com alterações legais

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Do ponto de vista da fase de manutenção a norma ISO 15686-5 preconiza, que, numa definição primária dos custos (ver Tabela 2.4) a ter em conta no funcionamento de determinado ativo a que se aplique, devem ser abordados dois pontos chave (ISO 15686-5, 2008):

▪ Plano estratégias de manutenção rotineira, cuja execução deve ser monitorizada e atualizado sempre que necessário;

▪ Plano de grandes reparações, substituições e requalificações, que pode ser alterado durante a execução do mesmo, mas que deve constar do plano do custo de ciclo de vida.

Tabela 2.4: Categoria de custos para as fases do ciclo de vida de um ativo – fase de manutenção, adaptado de (ISO 15686-5, 2008) e (Rocha, 2015)

Fase de Manutenção

Categoria de Custo Descrição

Gestão da Manutenção Gestão do ativo, planeamento e execução de inspeções

Adaptação e/ou Remodelação do ativo Custos ligados a eventuais ampliações, reformulações de uso, reforços estruturais

Pequenas Reparações Reparações de pequena dimensão e encargos, substituição de pequenos componentes

Grandes Reparações Planos de grandes reparações, substituição e requalificações de periocidade bem definida e custo elevado

Limpeza Custos associados à limpeza do ativo

Manutenção de terrenos adjacentes Atividades ligadas à manutenção dos espaços exteriores adjacentes aos ativos

Redecoração Redecoração do ativo

Impostos Tributação aplicada a todas as atividades executadas no âmbito da fase de manutenção do ciclo de vida do ativo

Outros Eventuais despesas não orçamentadas e que se venham a realizar no decorrer da manutenção do ativo

Em termos da fase de fim de vida dos ativos, a norma ISO 15686-5:2008 recomenda a definição explícita de quais os custos (ver Tabela 2.5) que a análise contempla, nomeadamente se a construção será vendida enquanto edificado, se é necessária a demolição da mesma, ou se será descativada no local (ISO 15686-5, 2008).

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Tabela 2.5: Categoria de custos para as fases do ciclo de vida de um ativo – fase de fim de vida, adaptado de (ISO 15686-5, 2008) e (Rocha, 2015)

Fase de Fim de Vida

Categoria de Custo Descrição

Inspeções de Alienação Inspeções de verificação das condições do ativo

Alienação e Demolição

Custos ligados a desativação, demolição, deposição e transporte de materiais, limpeza do local onde se encontra o ativo

Estabelecimento de condições contratuais Restabelecimento das condições iniciais, estabelecimento de condições acordadas contratualmente

Impostos Tributação aplicada a todas as atividades executadas no âmbito da fase de fim de vida útil do ciclo de vida do ativo

Outros

Eventuais despesas não orçamentadas e que se venham a realizar no decorrer das operações de desativação e fim de vida útil do ativo

Em suma, a norma ISO 15686-5 recomenda a análise de todos os custos associados às diferentes fases de ciclo de vida, realçando a importância das decisões tomadas, na fase planeamento / construção (ISO 15686-5, 2008).

Para além do custo de construção, cerca de 80% a 90% do custo de operação e manutenção é determinado na fase de planeamento / construção (Zoeteman, 2004). Neste sentido, o custo de um ativo é definido, quase na sua totalidade, nas fases iniciais do seu ciclo de vida, como se pode verificar na Figura 2.7, devido ao facto das principais decisões serem tomadas durante as fases iniciais da realização do ativo, face aos custos que as alterações em fases mais avançadas do processo poderão implicar (Real, 2010).

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Figura 2.7: Custos de construção nas diferentes fases do ciclo de vida, adaptado de (Real, 2010) e (Hendrickson, 1989)

As decisões tomadas no início do projeto vão condicionar fortemente o CCV de um produto ao longo do seu ciclo de vida. A maioria das escolhas ao nível de opções de projeto e de regime de manutenção realizadas na fase de projeto e de planeamento são irreversíveis, representando cerca de 50% a 75% do total do CCV (Zoeteman, 2004).

Figura 2.8: Evolução do acumulado do CCV e das oportunidades de redução do CCV ao longo do ciclo de vida de um ativo, adaptado de (Dantas, 2014)

Referências

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