Legislação
Brasília | 2010
10
Câmara dos Deputados
A série Legislação reúne normas jurídicas, textos ou conjunto de textos legais sobre matérias específicas, com o objetivo de facilitar o acesso da sociedade à legislação vigente no país, pois o conhecimento das normas que regem a vida dos brasileiros é importante passo para o fortalecimento da prática da cida-dania. Assim, o Centro de Documentação e Informação, por meio da Coordenação Edições Câmara, cumpre uma das suas mais importantes atribuições: colaborar para que a Câmara dos Deputados promova a consolidação da democracia.
LEGISLAÇÃO BRASILEIRA
SOBRE
MEIO AMBIENTE
3ª edição
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| 3 a e diçãoCentro de Documentação e Informação – Cedi Coordenação Edições Câmara – Coedi Anexo II – Praça dos Três Poderes
Legislação Brasileira sobre Meio Ambiente 3ª edição
Apresentação
Incluída entre as mais modernas e mais avançadas do mundo, a legislação brasileira sobre o meio ambiente é motivo de orgulho para a Câmara dos Deputados. Isso devido ao esforço com que bus-camos corresponder às expectativas da sociedade quanto ao tema que é, indubitavelmente, umas das nossas grandes preocupações.
No entanto, não basta apenas elaborar leis: é preciso também divulgá-las e fazê-las chegar ao povo para que possam ser conhecidas, aplicadas e cumpridas efetivamente. Com tal propósito, a Câmara dos Deputados publica a 3ª edição desta Legislação Brasileira sobre Meio Ambiente. O interesse despertado pelas edições preceden-tes comprova a importância de que o tema se re-veste hoje no Brasil, pois a ecologia não é o avesso da economia e que a defesa ambiental e o desen-volvimento do país podem sim caminhar juntos. A expectativa é que esta coletânea seja útil às brasileiras e aos brasileiros que dão
o melhor de si na construção de um futuro melhor, mais saudável e mais feliz.
Marco Maia
Presidente da Câmara dos Deputados
2011 Presidente 1ª Vice-Presidente 2o Vice-Presidente 1o Secretário 2o Secretário 3o Secretário 4o Secretário Marco Maia Rose de Freitas Eduardo da Fonte Eduardo Gomes Jorge Tadeu Mudalen Inocêncio Oliveira Júlio Delgado 1o Suplente 2o Suplente 3o Suplente 4o Suplente Geraldo Resende Manato
Carlos Eduardo Cadoca Sérgio Moraes Suplentes de Secretário Diretor-Geral Sérgio Sampaio Contreiras de Almeida Secretário-Geral da Mesa
LEGISLAÇÃO BRASILEIRA
SOBRE MEIO AMBIENTE
Legislação Brasileira
sobre Meio Ambiente
Centro de Documentação e Informação Edições Câmara
Diretor Afrísio Vieira Lima Filho
CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E INFORMAÇÃO Diretor Adolfo C. A. R. Furtado
COORDENAÇÃO EDIÇÕES CÂMARA Diretora Maria Clara Bicudo Cesar
COORDENAÇÃO DE ESTUDOS LEGISLATIVOS Diretora Lêda Maria Louzada Melgaço
CONSULTORIA LEGISLATIVA Diretor Ricardo José Pereira Rodrigues 2009, 1a edição; 2010, 2ª edição (e-book).
Câmara dos Deputados
Centro de Documentação e Informação – Cedi Coordenação Edições Câmara – Coedi Anexo II – Praça dos Três Poderes Brasília (DF) – CEP 70160-900
Telefone: (61) 3216-5809; Fax: (61) 3216-5810 [email protected]
Coordenação Edições Câmara
Projeto gráfico Paula Scherre e Tereza Pires Capa Giselle Sousa
Diagramação Giselle Sousa e Valter Luiz Revisão Seção de Revisão e Indexação
SÉRIE Legislação
n. 58
Dados Internacionais de Catalogação-na-publicação (CIP) Coordenação de Biblioteca. Seção de Catalogação.
Legislação brasileira sobre meio ambiente. – 3. ed. – Brasília : Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2010.
576 p. – (Série legislação ; n. 58) ISBN 978-85-736-5786-9
1. Meio ambiente, legislação, coletânea, Brasil. I. Série.
CDU 504(81)(094)
Esta coletânea reúne as principais normas federais relacionadas ao meio ambiente – direito de todos e bem de uso comum do povo, conforme assevera a Constituição Federal em seu art. 25. Considerando-se que a expressão meio ambiente é bastante abrangente e possui várias e distintas definições no meio acadêmico, a seleção de normas que compõem esta coletânea orientou-se pelo conceito expresso na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 (art. 3º, I), que define meio ambiente como “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e bio-lógica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.
A amplitude de conceito e a relevância do tema, entretanto, ensejaram um conjunto muito extenso de normas que estão relacionadas ao meio ambiente, o que inviabiliza sua reprodução integral em volume único. Assim, deu-se preferência àquelas de alcance mais geral, como as que definem direitos e obrigações genéricos, estabelecem políticas ambien-tais ou tratam da proteção de espécies e áreas ameaçadas.
O volume é dividido em três partes. Nas duas primeiras são reproduzidos na íntegra, respectivamente, os dispositivos constitucionais relativos ao meio ambiente, além de leis, decretos-leis e das medidas provisórias anteriores a 2001 (que têm força de lei por tempo indeterminado, conforme o art. 2º da Emenda Consticional nº 32/2001). A terceira parte compõe-se de uma lista de decretos do Executivo que regulamentam a legislação selecionada e de outras normas relacionadas ao tema, porém de aplicação mais restrita ou que não tratam especificamente de meio ambiente. As normas que acrescem, revogam ou alteram dispositivos de norma preexistente são apenas referidas em notas de rodapé na lei alterada, cujo texto já se encontra atualizado. Devido à grande quantidade de leis e à consequente dificuldade de pes-quisa, é possível que algumas normas ambientais ainda em vigor não tenham sido citadas. Não obstante, acredita-se que este volume será um precioso instrumento de consulta a todos quantos quiserem se informar
NORMAS CONSTITUCIONAIS
CONSTITUIçãO dA RepúblICA FedeRATIvA dO bRASIl
[dispositivos referentes ao meio ambiente] ... 13
leIS, deCReTOS-leIS e MedIdAS pROvISÓRIAS
leI Nº 4.771, de 15 de SeTeMbRO de 1965
Institui o novo Código Florestal ... 23
leI Nº 5.197, de 3 de jANeIRO de 1967
dispõe sobre a proteção à fauna e dá outras providências ... 51
leI Nº 6.225, de 14 de jUlhO de 1975
dispõe sobre discriminação, pelo Ministério da Agricultura, de regiões para execução obrigatória de planos de proteção ao solo e de combate
à erosão e dá outras providências ... 62
deCReTO-leI Nº 1.413, de 14 de AgOSTO de 1975
dispõe sobre o controle da poluição do meio ambiente provocada
por atividades industriais . ... 65
leI Nº 6.803, de 2 de jUlhO de 1980
dispõe sobre as diretrizes básicas para o zoneamento industrial
nas áreas críticas de poluição, e dá outras providências ... 67
leI Nº 6.902, de 27 de AbRIl de 1981
dispõe sobre a criação de estações ecológicas, Áreas de
proteção Ambiental e dá outras providências ... 74
leI Nº 6.938, de 31 de AgOSTO de 1981
dispõe sobre a política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e
mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências ... 79
leI Nº 7.365, de 13 de SeTeMbRO de 1985
dispõe sobre a fabricação de detergentes não biodegradáveis ... 107
leI Nº 7.643, de 18 de dezeMbRO de 1987
proíbe a pesca de cetáceo nas águas jurisdicionais brasileiras
e dá outras providências ... 108
leI Nº 7.661, de 16 de MAIO de 1988
Institui o plano Nacional de gerenciamento Costeiro
Naturais Renováveis e dá outras providências ... 114
leI Nº 7.754, de 14 de AbRIl de 1989
estabelece medidas para proteção das florestas existentes nas
nascentes dos rios e dá outras providências ... 117
leI Nº 7.797, de 10 de jUlhO de 1989
Cria o Fundo Nacional de Meio Ambiente e dá outras providências ... 119
leI Nº 7.802, de 11 de jUlhO de 1989
dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, seus componentes
e afins, e dá outras providências ... 122
leI Nº 8.723, de 28 de OUTUbRO de 1993
dispõe sobre a redução de emissão de poluentes por veículos
automotores e dá outras providências ... 137
leI Nº 9.433, de 8 de jANeIRO de 1997
Institui a política Nacional de Recursos hídricos, cria o Sistema Nacional de gerenciamento de Recursos hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o art. 1ºda lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a
lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989 ... 145
leI Nº 9.605, de 12 de FeveReIRO de 1998
dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de
condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências ... 171
leI Nº 9.795, de 27 de AbRIl de 1999
dispõe sobre a educação ambiental, institui a política Nacional
de educação Ambiental e dá outras providências ... 203
leI Nº 9.966, de 28 de AbRIl de 2000
dispõe sobre a prevenção, o controle e a fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou
perigosas em águas sob jurisdição nacional e dá outras providências ... 213
leI Nº 9.984, de 17 de jUlhO de 2000
dispõe sobre a criação da Agência Nacional de Águas (ANA), entidade federal de implementação da política Nacional de
da Natureza e dá outras providências ... 254
MedIdA pROvISÓRIA Nº 2.186-16, de 23 de AgOSTO de 2001
Regulamenta o inciso II do § 1º e o § 4º do art. 225 da Constituição, os arts. 1º, 8º, alínea j, 10, alínea c, 15 e 16, alíneas 3 e 4 da Convenção
sobre diversidade biológica, dispõe sobre o acesso ao patrimônio genético, a proteção e o acesso ao conhecimento tradicional associado, a repartição de benefícios e o acesso à tecnologia e transferência de tecnologia
para sua conservação e utilização, e dá outras providências ... 288
leI Nº 10.650, de 16 de AbRIl de 2003
dispõe sobre o acesso público aos dados e informações existentes
nos órgãos e entidades integrantes do Sisnama ... 315
leI Nº 10.881, de 9 de jUNhO de 2004
dispõe sobre os contratos de gestão entre a Agência Nacional de Águas e entidades delegatárias das funções de Agências de Águas relativas à gestão de recursos hídricos de domínio da União
e dá outras providências ... 319
leI Nº 11.105, de 24 de MARçO de 2005
Regulamenta os incisos II, Iv e v do § 1º do art. 225 da Constituição Federal, estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam organismos geneticamente modificados (OgM) e seus derivados, cria o Conselho Nacional de biossegurança (CNbS), reestrutura a Comissão Técnica Nacional de biossegurança (CTNbio), dispõe sobre a política Nacional de biossegurança (pNb), revoga a lei nº 8.974, de 5 de janeiro de 1995, e a Medida provisória nº 2.191-9, de 23 de agosto de 2001, e os arts. 5º, 6º, 7º, 8º, 9º, 10 e 16 da lei nº 10.814, de 15 de dezembro de 2003, e dá
outras providências ... 325
leI Nº 11.284, de 2 de MARçO de 2006
dispõe sobre a gestão de florestas públicas para a produção sustentável; institui, na estrutura do Ministério do Meio Ambiente, o Serviço Florestal brasileiro (SFb); cria o Fundo Nacional de desenvolvimento Florestal (FNdF); altera as leis nos 10.683, de 28 de maio de 2003, 5.868, de 12 de dezembro de 1972, 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, 4.771, de 15 de setembro de 1965, 6.938, de 31 de agosto de 1981,
e 6.015, de 31 de dezembro de 1973; e dá outras providências ... 354
leI Nº 11.428, de 22 de dezeMbRO de 2006
dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do bioma
de 18 de julho de 2000, e à lei nº 11.105, de 24 de março de 2005; revoga dispositivo da lei nº 10.814, de 15 de dezembro de 2003;
e dá outras providências ... 437
leI Nº 11.516, de 28 de AgOSTO de 2007
dispõe sobre a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da biodiversidade – Instituto Chico Mendes; altera as leis nos 7.735, de 22 de fevereiro de 1989, 11.284, de 2 de março de 2006, 9.985, de 18 de julho de 2000, 10.410, de 11 de janeiro de 2002, 11.156, de 29 de julho de 2005, 11.357, de 19 de outubro de 2006, e 7.957, de 20 de dezembro de 1989; revoga dispositivos da lei nº 8.028, de 12 de abril de 1990, e da Medida provisória nº 2.216-37, de 31
de agosto de 2001; e dá outras providências ... 438
leI Nº 11.794, de 8 de OUTUbRO de 2008
Regulamenta o inciso vII do § 1º do art. 225 da Constituição Federal, estabelecendo procedimentos para o uso científico de animais; revoga a lei nº 6.638, de 8 de maio de 1979;
e dá outras providências ... 448
leI Nº 11.828, de 20 de NOveMbRO de 2008
dispõe sobre medidas tributárias aplicáveis às doações em espécie recebidas por instituições financeiras públicas controladas pela União e destinadas a ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de promoção da conservação
e do uso sustentável das florestas brasileiras ... 461
leI Nº 11.959, de 29 de jUNhO de 2009
dispõe sobre a política Nacional de desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da pesca, regula as atividades pesqueiras, revoga a lei nº 7.679, de 23 de novembro de 1988, e dispositivos do decreto-lei
nº 221, de 28 de fevereiro de 1967, e dá outras providências ... 463
leI Nº 12.305, de 2 de AgOSTO de 2010
Institui a política Nacional de Resíduos Sólidos; altera a lei nº 9.605,
de 12 de fevereiro de 1998; e dá outras providências ... 485
lISTA de OUTRAS NORMAS CORRelATAS
leIS e deCReTOS-leIS ...533 deCReTOS legISlATIvOS ...541 deCReTOS ...549
- CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA
FEDERATIVA DO BRASIL
1-[Dispositivos referentes ao meio ambiente.]
...
TÍTUlO II
DOS DIREITOS E GARANTIAS
FUNDAMENTAIS
CApÍTUlO I
Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilida-de do direito à vida, à liberdainviolabilida-de, à igualdainviolabilida-de, à se-gurança e à propriedade, nos termos seguintes: ... LXXIII – qualquer cidadão é parte legítima para propor ação
popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;
TÍTUlO III
DA ORGANIZAÇÃO DO ESTADO
CApÍTUlO II
Da União
Art. 20. São bens da União:
... II – as terras devolutas indispensáveis à defesa das
fron-teiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação am-biental, definidas em lei;
...
Art. 23. É competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:
... VI – proteger o meio ambiente e combater a poluição
em qualquer de suas formas;
VII – preservar as florestas, a fauna e a flora;
...
Art. 24. Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:
... VI – florestas, caça, pesca, fauna, conservação da nature-za, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição;
... VIII – responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao
consumidor, a bens e direitos de valor artístico, es-tético, histórico, turístico e paisagístico;
...
TÍTUlO Iv
DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES
...
CApÍTUlO Iv
Das Funções Essenciais à Justiça
Seção I
Do Ministério Público
...
Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: ... III – promover o inquérito civil e a ação civil pública,
para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos;
TÍTUlO vII
DA ORDEM ECONÔMICA E FINANCEIRA
CApÍTUlO I
Dos Princípios Gerais da Atividade Econômica
Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do traba-lho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justi-ça social, observados os seguintes princípios:
... 2VI – defesa do meio ambiente, inclusive mediante trata-mento diferenciado conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de ela-boração e prestação;
...
Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade eco-nômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado.
... § 3º O Estado favorecerá a organização da atividade ga-rimpeira em cooperativas, levando em conta a pro-teção do meio ambiente e a promoção econômico-social dos garimpeiros.
...
TÍTUlO vIII
DA ORDEM SOCIAL
...
CApÍTUlO III
Da Educação, da Cultura e do Desporto
...
Seção II
Da Cultura
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
... V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico,
paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológi-co, ecológico e científico.
...
CApÍTUlO vI
Do Meio Ambiente
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público
e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
3I – preservar e restaurar os processos ecológicos es-senciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas;
4II – preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;
5III – definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especial-mente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atri-butos que justifiquem sua proteção;
6IV – exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significati-va degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publicidade; 7V – controlar a produção, a comercialização e o
em-prego de técnicas, métodos e substâncias que com-portem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;
3 Inciso regulamentado pela Lei nº 9.985, de 18-7-2000.
4 Inciso regulamentado pelas Leis nos 9.985, de 18-7-2000, e 11.105, de 24-3-2005. 5 Inciso regulamentado pela Lei nº 9.985, de 18-7-2000.
6 Inciso regulamentado pela Lei nº 11.105, de 24-3-2005. 7 Idem.
VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preser-vação do meio ambiente;
8VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.
§ 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competen-te, na forma da lei.
§ 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio am-biente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.
§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegu-rem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.
§ 5º São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.
§ 6º As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas.
- LEI Nº 4.771,
DE 15 DE SETEMBRO DE 1965
9-Institui o novo Código Florestal. O Presidente da República
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei:
Art. 1º As florestas existentes no território nacional e as de-mais formas de vegetação, reconhecidas de utilidade às terras que revestem, são bens de interesse comum a todos os habitantes do País, exercendo-se os direitos de propriedade, com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta lei estabelecem.
10§ 1º As ações ou omissões contrárias às disposições deste código na utilização e exploração das florestas e demais formas de vegetação são consideradas uso nocivo da propriedade, aplicando-se, para o caso, o procedimen-to sumário previsprocedimen-to no art. 275, inciso II, do Código de Processo Civil.
11§ 2º Para os efeitos deste código, entende-se por:
I – pequena propriedade rural ou posse rural familiar: aquela explorada mediante o trabalho pessoal do proprietário ou posseiro e de sua família, admitida a ajuda eventual de terceiro e cuja renda bruta seja proveniente, no mínimo, em oitenta por cento, de
atividade agroflorestal ou do extrativismo, cuja área não supere:
a) cento e cinquenta hectares se localizada nos Esta-dos do Acre, Pará, Amazonas, Roraima, Rondô-nia, Amapá e Mato Grosso e nas regiões situadas ao norte do paralelo 13º S, dos Estados de Tocan-tins e Goiás, e ao oeste do meridiano de 44º W, do Estado do Maranhão ou no Pantanal Mato-Gros-sense ou Sul-Mato-GrosMato-Gros-sense;
b) cinquenta hectares, se localizada no polígono das secas ou a leste do Meridiano de 44º W, do Estado do Maranhão; e
c) trinta hectares, se localizada em qualquer outra re-gião do País;
II – área de preservação permanente: área protegida nos termos dos arts. 2º e 3º desta lei, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a esta-bilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas;
III – Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preser-vação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversida-de e ao abrigo e proteção biodiversida-de fauna e flora nativas; IV – utilidade pública:
12b) as obras essenciais de infraestrutura destinadas aos serviços públicos de transporte, saneamento e energia e aos serviços de telecomunicações e de radiodifusão; e
c) demais obras, planos, atividades ou projetos pre-vistos em resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama);
V – interesse social:
a) as atividades imprescindíveis à proteção da integrida-de da vegetação nativa, tais como: prevenção, com-bate e controle do fogo, controle da erosão, erradica-ção de invasoras e proteerradica-ção de plantios com espécies nativas, conforme resolução do Conama;
b) as atividades de manejo agroflorestal sustentável pra-ticadas na pequena propriedade ou posse rural fami-liar, que não descaracterizem a cobertura vegetal e não prejudiquem a função ambiental da área; e c) demais obras, planos, atividades ou projetos
defi-nidos em resolução do Conama;
VI – Amazônia Legal: os Estados do Acre, Pará, Amazo-nas, Roraima, Rondônia, Amapá e Mato Grosso e as regiões situadas ao norte do paralelo 13º S, dos Estados de Tocantins e Goiás, e ao oeste do meri-diano de 44º W, do Estado do Maranhão.
Art. 2º Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta lei, as florestas e demais formas de vegeta-ção natural situadas:
13a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água des-de o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será:
1 – de 30 (trinta) metros para os cursos d’água de menos de 10 (dez) metros de largura;
2 – de 50 (cinquenta) metros para os cursos d’água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) me-tros de largura;
3 – de 100 (cem) metros para os cursos d’água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzen-tos) metros de largura;
4 – de 200 (duzentos) metros para os cursos d’água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura;
5 – de 500 (quinhentos) metros para os cursos d’água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros;
b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d’água naturais ou artificiais;
14c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chama-dos “olhos d’água”, qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura;
d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade
superior a 45º, equivalente a 100% na linha de maior declive;
13 Alínea com redação dada pela Lei nº 7.803, de 18-7-1989. 14 Idem.
f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabili-zadoras de mangues;
15g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; 16h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos)
metros, qualquer que seja a vegetação.
17Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendi-das as compreendientendi-das nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações ur-banas, em todo o território abrangido, obervar-se-á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeita-dos os princípios e limites a que se refere este artigo.
Art. 3º Consideram-se, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as flo-restas e demais formas de vegetação natural destinadas:
a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas;
c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias;
d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares;
e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico;
f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção;
g) a manter o ambiente necessário à vida das popula-ções silvícolas;
h) a assegurar condições de bem-estar público. § 1º A supressão total ou parcial de florestas de preservação
permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social.
§ 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta lei.
18Art. 3º-A. A exploração dos recursos florestais em terras indíge-nas somente poderá ser realizada pelas comunidades indígenas em regime de manejo florestal sustentável, para atender a sua subsistência, respeitados os arts. 2º e 3º deste código.
19Art. 4º A supressão de vegetação em área de preservação per-manente somente poderá ser autorizada em caso de utilidade pública ou de interesse social, devidamente caracterizados e motivados em procedimento adminis-trativo próprio, quando inexistir alternativa técnica e locacional ao empreendimento proposto.
§ 1º A supressão de que trata o caput deste artigo depende-rá de autorização do órgão ambiental estadual compe-tente, com anuência prévia, quando couber, do órgão
18 Artigo acrescido pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 24-8-2001. 19 Artigo com redação dada pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 24-8-2001.
federal ou municipal de meio ambiente, ressalvado o disposto no § 2º deste artigo.
§ 2º A supressão de vegetação em área de preservação per-manente situada em área urbana, dependerá de auto-rização do órgão ambiental competente, desde que o Município possua conselho de meio ambiente com ca-ráter deliberativo e plano diretor, mediante anuência prévia do órgão ambiental estadual competente fun-damentada em parecer técnico.
§ 3º O órgão ambiental competente poderá autorizar a su-pressão eventual e de baixo impacto ambiental, assim definido em regulamento, da vegetação em área de preservação permanente.
§ 4º O órgão ambiental competente indicará, previamente à emissão da autorização para a supressão de vegetação em área de preservação permanente, as medidas mi-tigadoras e compensatórias que deverão ser adotadas pelo empreendedor.
§ 5º A supressão de vegetação nativa protetora de nascen-tes, ou de dunas e mangues, de que tratam, respectiva-mente, as alíneas c e f do art. 2º deste código, somente poderá ser autorizada em caso de utilidade pública. § 6º Na implantação de reservatório artificial é obrigatória
a desapropriação ou aquisição, pelo empreendedor, das áreas de preservação permanente criadas no seu entor-no, cujos parâmetros e regime de uso serão definidos por resolução do Conama.
§ 7º É permitido o acesso de pessoas e animais às áreas de preservação permanente, para obtenção de água, desde que não exija a supressão e não comprometa a regenera-ção e a manutenregenera-ção a longo prazo da vegetaregenera-ção nativa. 20Art. 5º (Revogado.)
21Art. 6º (Revogado.)
Art. 7º Qualquer árvore poderá ser declarada imune de corte, mediante ato do Poder Público, por motivo de sua loca-lização, raridade, beleza ou condição de porta-sementes.
Art. 8º Na distribuição de lotes destinados à agricultura, em planos de colonização e de reforma agrária, não devem ser incluídas as áreas florestadas de preservação perma-nente de que trata esta lei, nem as florestas necessárias ao abastecimento local ou nacional de madeiras e ou-tros produtos florestais.
Art. 9º As florestas de propriedade particular, enquanto in-divisas com outras, sujeitas a regime especial, ficam subordinadas às disposições que vigorarem para estas.
Art. 10. Não é permitida a derrubada de florestas, situadas em áreas de inclinação entre 25 a 45 graus, só sendo nelas tolerada a extração de toros, quando em regime de uti-lização racional, que vise a rendimentos permanentes.
Art. 11. O emprego de produtos florestais ou hulha como combustível obriga o uso de dispositivo, que impeça difusão de fagulhas suscetíveis de provocar incêndios, nas florestas e demais formas de vegetação marginal.
20 Artigo revogado pela Lei nº 9.985, de 18-7-2000. 21 Idem.
22Art. 12. Nas florestas plantadas, não consideradas de preserva-ção permanente, é livre a extrapreserva-ção de lenha e demais produtos florestais ou a fabricação de carvão. Nas de-mais florestas dependerá de norma estabelecida em ato do Poder Federal ou Estadual, em obediência a pres-crições ditadas pela técnica e às peculiaridades locais.
Art. 13. O comércio de plantas vivas, oriundas de florestas, de-penderá de licença da autoridade competente.
Art. 14. Além dos preceitos gerais a que está sujeita a utilização das florestas, o Poder Público Federal ou Estadual poderá:
a) prescrever outras normas que atendam às peculia-ridades locais;
23b) proibir ou limitar o corte das espécies vegetais raras, endêmicas, em perigo ou ameaçadas de extinção, bem como as espécies necessárias à subsistência das populações extrativistas, delimitando as áreas com-preendidas no ato, fazendo depender de licença prévia, nessas áreas, o corte de outras espécies; c) ampliar o registro de pessoas físicas ou jurídicas
que se dediquem à extração, indústria e comércio de produtos ou subprodutos florestais.
24Art. 15. Fica proibida a exploração sob forma empírica das flo-restas primitivas da bacia amazônica que só poderão ser utilizadas em observância a planos técnicos de condu-ção e manejo a serem estabelecidos por ato do Poder Público, a ser baixado dentro do prazo de um ano.
25Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressal-vadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utili-zação limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo:
I – oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II – trinta e cinco por cento, na propriedade rural
si-tuada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na pro-priedade e quinze por cento na forma de compen-sação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7º deste artigo;
III – vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nati-va localizada nas demais regiões do País; e
IV – vinte por cento, na propriedade rural em área de cam-pos gerais localizada em qualquer região do País. § 1º O percentual de reserva legal na propriedade situada
em área de floresta e cerrado será definido consideran-do separadamente os índices conticonsideran-dos nos incisos I e II deste artigo.
§ 2º A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e cri-térios técnicos e científicos estabelecidos no
regula-25 Artigo com redação dada pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 24-8-2001, e regulamentado pelo
mento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3º deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3º Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plan-tios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. § 4º A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo
órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser consi-derados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver:
I – o plano de bacia hidrográfica; II – o plano diretor municipal;
III – o zoneamento ecológico-econômico;
IV – outras categorias de zoneamento ambiental; e V – a proximidade com outra Reserva Legal, área de
Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida.
§ 5º O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamen-to Ecológico Econômico (ZEE)26 e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o Conama, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abasteci-mento, poderá:
I – reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinquenta por cen-to da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e
II – ampliar as áreas de reserva legal, em até cinquenta por cento dos índices previstos neste código, em todo o território nacional.
§ 6º Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existen-te em área de preservação permanenexisten-te no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I – oitenta por cento da propriedade rural localizada
na Amazônia Legal;
II – cinquenta por cento da propriedade rural localiza-da nas demais regiões do País; e
III – vinte e cinco por cento da pequena propriedade defi-nida pelas alíneas b e c do inciso I do § 2º do art. 1º. § 7º O regime de uso da área de preservação permanente
não se altera na hipótese prevista no § 6º.
§ 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imó-veis competente, sendo vedada a alteração de sua
des-tinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste código.
§ 9º A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de
Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a lo-calização da reserva legal, as suas características ecológi-cas básiecológi-cas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicando-se, no que couber, as mesmas disposições previstas neste código para a propriedade rural.
§ 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de con-domínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, median-te a aprovação do órgão ambiental estadual compe-tente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos.
Art. 17. Nos loteamentos de propriedades rurais, a área desti-nada a completar o limite percentual fixado na letra a do artigo antecedente, poderá ser agrupada numa só porção em condomínio entre os adquirentes.
Art. 18. Nas terras de propriedade privada, onde seja necessário o florestamento ou o reflorestamento de preservação permanente, o Poder Público Federal poderá fazê-lo sem desapropriá-las, se não o fizer o proprietário.
§ 1º Se tais áreas estiverem sendo utilizadas com culturas, de seu valor deverá ser indenizado o proprietário. § 2º As áreas assim utilizadas pelo Poder Público Federal
ficam isentas de tributação.
27Art. 19. A exploração de florestas e formações sucessoras, tan-to de domínio público como de domínio privado, dependerá de prévia aprovação pelo órgão estadual competente do Sistema Nacional do Meio Ambien-te (Sisnama), bem como da adoção de técnicas de condução, exploração, reposição florestal e manejo compatíveis com os variados ecossistemas que a co-bertura arbórea forme.
§ 1º Compete ao Ibama a aprovação de que trata o caput deste artigo:
I – nas florestas públicas de domínio da União; II – nas unidades de conservação criadas pela União; III – nos empreendimentos potencialmente causadores
de impacto ambiental nacional ou regional, defini-dos em resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
§ 2º Compete ao órgão ambiental municipal a aprovação de que trata o caput deste artigo:
I – nas florestas públicas de domínio do Município; II – nas unidades de conservação criadas pelo Município; III – nos casos que lhe forem delegados por convênio ou outro instrumento admissível, ouvidos, quando
27 Artigo com redação dada pela Lei nº 11.284, de 2-3-2006, e regulamentado pelo Decreto nº 5.975, de
couber, os órgãos competentes da União, dos Esta-dos e do Distrito Federal.
§ 3º No caso de reposição florestal, deverão ser priorizados projetos que contemplem a utilização de espécies nativas. 28Art. 20. As empresas industriais que, por sua natureza,
consu-mirem grande quantidades de matéria-prima florestal serão obrigadas a manter, dentro de um raio em que a exploração e o transporte sejam julgados econômi-cos, um serviço organizado, que assegure o plantio de novas áreas, em terras próprias ou pertencentes a terceiros, cuja produção sob exploração racional, seja equivalente ao consumido para o seu abastecimento.
Parágrafo único. O não cumprimento do disposto neste ar-tigo, além das penalidades previstas neste código, obriga os infratores ao pagamento de uma multa equivalente a 10% (dez por cento) do valor comercial da matéria-prima florestal nativa consumida além da produção da qual participe.
29Art. 21. As empresas siderúrgicas, de transporte e outras, à base de carvão vegetal, lenha ou outra matéria-prima flo-restal, são obrigadas a manter florestas próprias para exploração racional ou a formar, diretamente ou por intermédio de empreendimentos dos quais partici-pem, florestas destinadas ao seu suprimento.
Parágrafo único. A autoridade competente fixará para cada empresa o prazo que lhe é facultado para atender ao disposto neste artigo, dentro dos limites de 5 a 10 anos.
30Art. 22. A União, diretamente, através do órgão executivo es-pecífico, ou em convênio com os Estados e Municí-pios, fiscalizará a aplicação das normas deste código, podendo, para tanto, criar os serviços indispensáveis.
Parágrafo único. Nas áreas urbanas, a que se refere o parágra-fo único do art. 2º desta lei, a fiscalização é da competência dos Municípios, atuando a União supletivamente.
Art. 23. A fiscalização e a guarda das florestas pelos serviços es-pecializados não excluem a ação da autoridade policial por iniciativa própria.
Art. 24. Os funcionários florestais, no exercício de suas fun-ções, são equiparados aos agentes de segurança públi-ca, sendo-lhes assegurado o porte de armas.
Art. 25. Em caso de incêndio rural, que não se possa extinguir com os recursos ordinários, compete não só ao fun-cionário florestal, como a qualquer outra autoridade pública, requisitar os meios materiais e convocar os homens em condições de prestar auxílio.
Art. 26. Constituem contravenções penais, puníveis com três meses a um ano de prisão simples ou multa de uma a cem vezes o salário mínimo mensal, do lugar e da data da infração ou ambas as penas cumulativamente:
a) destruir ou danificar a floresta considerada de pre-servação permanente, mesmo que em formação ou utilizá-la com infringência das normas estabe-lecidas ou previstas nesta lei;
b) cortar árvores em florestas de preservação perma-nente, sem permissão da autoridade competente;
c) penetrar em floresta de preservação permanente conduzindo armas, substâncias ou instrumentos próprios para caça proibida ou para exploração de produtos ou subprodutos florestais, sem estar mu-nido de licença da autoridade competente;
d) causar danos aos Parques Nacionais, Estaduais ou Municipais, bem como às Reservas Biológicas; e) fazer fogo, por qualquer modo, em florestas e
de-mais formas de vegetação, sem tomar as precau-ções adequadas;
f) fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas e demais formas de vegetação;
g) impedir ou dificultar a regeneração natural de flo-restas e demais formas de vegetação;
h) receber madeira, lenha, carvão e outros produtos procedentes de florestas, sem exigir a exibição de licença do vendedor, outorgada pela autorida-de competente e sem munir-se da via que autorida-deverá acompanhar o produto, até final beneficiamento; i) transportar ou guardar madeiras, lenha, carvão e
ou-tros produtos procedentes de florestas, sem licença válida para todo o tempo da viagem ou do armaze-namento, outorgada pela autoridade competente; j) deixar de restituir à autoridade, licenças extintas
pelo decurso do prazo ou pela entrega ao consu-midor dos produtos procedentes de florestas;
l) empregar, como combustível, produtos florestais ou hulha, sem uso de dispositivo que impeça a di-fusão de fagulhas, suscetíveis de provocar incên-dios nas florestas;
m) soltar animais ou não tomar precauções necessá-rias para que o animal de sua propriedade não pe-netre em florestas sujeitas a regime especial; n) matar, lesar ou maltratar, por qualquer modo ou
meio, plantas de ornamentação de logradouros públicos ou em propriedade privada alheia ou ár-vore imune de corte;
o) extrair de florestas de domínio público ou con-sideradas de preservação permanente, sem prévia autorização, pedra, areia, cal ou qualquer outra espécie de minerais;
p) (vetada);
31q) transformar madeiras de lei em carvão, inclusive para qualquer efeito industrial, sem licença da au-toridade competente.
Art. 27. É proibido o uso de fogo nas florestas e demais formas de vegetação.
32Parágrafo único. Se peculiaridades locais ou regionais justifi-carem o emprego do fogo em práticas agropastoris ou florestais, a permissão será estabelecida em ato do Poder Público, circuns-crevendo as áreas e estabelecendo normas de precaução.
Art. 28. Além das contravenções estabelecidas no artigo prece-dente, subsistem os dispositivos sobre contravenções
31 Alínea incluída pela Lei nº 5.870, de 26-3-1973.
e crimes previstos no Código Penal e nas demais leis, com as penalidades neles cominadas.
Art. 29. As penalidades incidirão sobre os autores, sejam eles: a) diretos;
b) arrendatários, parceiros, posseiros, gerentes, admi-nistradores, diretores, promitentes compradores ou proprietários das áreas florestais, desde que pratica-das por prepostos ou subordinados e no interesse dos preponentes ou dos superiores hierárquicos; c) autoridades que se omitirem ou facilitarem, por
consentimento legal, na prática do ato.
Art. 30. Aplicam-se às contravenções previstas neste código as regras gerais do Código Penal e da Lei de Contraven-ções Penais, sempre que a presente lei não disponha de modo diverso.
Art. 31. São circunstâncias que agravam a pena, além das previs-tas no Código Penal e na Lei de Contravenções Penais: a) cometer a infração no período de queda das se-mentes ou de formação das vegetações prejudica-das, durante a noite, em domingos ou dias feria-dos, em épocas de seca ou inundações;
b) cometer a infração contra a floresta de preservação permanente ou material dela provindo.
Art. 32. A ação penal independe de queixa, mesmo em se tra-tando de lesão em propriedade privada, quando os bens atingidos são florestas e demais formas de vegetação, instrumentos de trabalho, documentos e atos relacio-nados com a proteção florestal disciplinada nesta lei.
Art. 33. São autoridades competentes para instaurar, presidir e proceder a inquéritos policiais, lavrar autos de prisão em flagrante e intentar a ação penal, nos casos de cri-mes ou contravenções, previstos nesta lei, ou em outras leis e que tenham por objeto florestas e demais formas de vegetação, instrumentos de trabalho, documentos e produtos procedentes das mesmas:
a) as indicadas no Código de Processo Penal;
b) os funcionários da repartição florestal e de autar-quias, com atribuições correlatas, designados para a atividade de fiscalização.
Parágrafo único. Em caso de ações penais simultâneas, pelo mesmo fato, iniciadas por várias autoridades, o Juiz reunirá os processos na jurisdição em que se firmou a competência.
Art. 34. As autoridades referidas no item b do artigo anterior, ra-tificada a denúncia pelo Ministério Público, terão ainda competência igual à deste, na qualidade de assistente, pe-rante a Justiça comum, nos feitos de que trata esta lei.
Art. 35. A autoridade apreenderá os produtos e os instrumen-tos utilizados na infração e, se não puderem acom-panhar o inquérito, por seu volume e natureza, serão entregues ao depositário público local, se houver e, na sua falta, ao que for nomeado pelo Juiz, para ulterior devolução ao prejudicado. Se pertencerem ao agente ativo da infração, serão vendidos em hasta pública.
Art. 36. O processo das contravenções obedecerá ao rito sumá-rio da Lei nº 1.508 de l9 de dezembro de 1951, no que couber.
Art. 37. Não serão transcritos ou averbados no Registro Geral de Imóveis os atos de transmissão inter vivos ou causa
mortis, bem como a constituição de ônus reais, sobre
imóveis da zona rural, sem a apresentação de certidão negativa de dívidas referentes a multas previstas nesta lei ou nas leis estaduais supletivas, por decisão transi-tada em julgado.
33Art. 37-A. Não é permitida a conversão de florestas ou outra for-ma de vegetação nativa para uso alternativo do solo na propriedade rural que possui área desmatada, quando for verificado que a referida área encontra-se abando-nada, subutilizada ou utilizada de forma inadequada, segundo a vocação e capacidade de suporte do solo. § 1º Entende-se por área abandonada, subutilizada ou
uti-lizada de forma inadequada, aquela não efetivamen-te utilizada, nos efetivamen-termos do § 3º, do art. 6º da Lei nº8.629, de 25 de fevereiro de 1993, ou que não aten-da aos índices previstos no art. 6º aten-da referiaten-da lei, res-salvadas as áreas de pousio na pequena propriedade ou posse rural familiar ou de população tradicional. § 2º As normas e mecanismos para a comprovação da
ne-cessidade de conversão serão estabelecidos em regula-mento, considerando, dentre outros dados relevantes, o desempenho da propriedade nos últimos três anos, apurado nas declarações anuais do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR).
§ 3º A regulamentação de que trata o § 2º estabelecerá pro-cedimentos simplificados:
II – para as demais propriedades que venham atingindo os parâmetros de produtividade da região e que não tenham restrições perante os órgãos ambientais. § 4º Nas áreas passíveis de uso alternativo do solo, a
supres-são da vegetação que abrigue espécie ameaçada de extin-ção, dependerá da adoção de medidas compensatórias e mitigadoras que assegurem a conservação da espécie. § 5º Se as medidas necessárias para a conservação da espécie
im-possibilitarem a adequada exploração econômica da pro-priedade, observar-se-á o disposto na alínea b do art. 14. § 6º É proibida, em área com cobertura florestal primária
ou secundária em estágio avançado de regeneração, a implantação de projetos de assentamento humano ou de colonização para fim de reforma agrária, ressalvados os projetos de assentamento agroextrativista, respeita-das as legislações específicas.
34Art. 38. (Revogado.) 35Art. 39. (Revogado.)
Art. 40. (Vetado.)
Art. 41. Os estabelecimentos oficiais de crédito concederão prioridades aos projetos de florestamento, refloresta-mento ou aquisição de equiparefloresta-mentos mecânicos ne-cessários aos serviços, obedecidas as escalas anterior-mente fixadas em lei.
Parágrafo único. Ao Conselho Monetário Nacional, dentro de suas atribuições legais, como órgão disciplinador do cré-dito e das operações creditícias em todas suas modalidades e formas, cabe estabelecer as normas para os financiamentos
34 Artigo revogado pela Lei nº 5.106, de 2-9-1966. 35 Artigo revogado pela Lei nº 5.868, de 12-12-1972.
florestais, com juros e prazos compatíveis, relacionados com os planos de florestamento e reflorestamento aprovados pelo Conselho Florestal Federal.
Art. 42. Dois anos depois da promulgação desta lei, nenhuma au-toridade poderá permitir a adoção de livros escolares de leitura que não contenham textos de educação florestal, previamente aprovados pelo Conselho Federal de Educa-ção, ouvido o órgão florestal competente.
§ 1º As estações de rádio e televisão incluirão, obrigatoria-mente, em suas programações, textos e dispositivos de interesse florestal, aprovados pelo órgão competente no limite mínimo de cinco (5) minutos semanais, dis-tribuídos ou não em diferentes dias.
§ 2º Nos mapas e cartas oficiais serão obrigatoriamente as-sinalados os Parques e Florestas Públicas.
§ 3º A União e os Estados promoverão a criação e o desen-volvimento de escolas para o ensino florestal, em seus diferentes níveis.
Art. 43. Fica instituída a Semana Florestal, em datas fixadas para as diversas regiões do País, do decreto federal. Será a mesma comemorada, obrigatoriamente, nas escolas e estabelecimentos públicos ou subvencionados, através de programas objetivos em que se ressalte o valor das florestas, face aos seus produtos e utilidades, bem como sobre a forma correta de conduzi-las e perpetuá-las.
Parágrafo único. Para a Semana Florestal serão programadas reuniões, conferências, jornadas de reflorestamento e outras solenidades e festividades com o objetivo de identificar as flo-restas como recurso natural renovável, de elevado valor social e econômico.
36Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5º e 6º, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I – recompor a reserva legal de sua propriedade
me-diante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementa-ção, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual com-petente;
II – conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III – compensar a reserva legal por outra área
equivalen-te em importância ecológica e exequivalen-tensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabele-cidos em regulamento.
§ 1º Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão am-biental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar.
§ 2º A recomposição de que trata o inciso I pode ser realiza-da mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais esta-belecidos pelo Conama.
§ 3º A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando
sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, po-dendo ser exigido o isolamento da área.
§ 4º Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o ór-gão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para com-pensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III.
§ 5º A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambien-tal estadual competente, e pode ser implementada me-diante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44-B.
37§ 6º O proprietário rural poderá ser desonerado das obriga-ções previstas neste artigo, mediante a doação ao órgão ambiental competente de área localizada no interior de unidade de conservação de domínio público, pen-dente de regularização fundiária, respeitados os crité-rios previstos no inciso III do caput deste artigo. 38Art. 44-A. O proprietário rural poderá instituir servidão florestal,
mediante a qual voluntariamente renuncia, em caráter permanente ou temporário, a direitos de supressão ou exploração da vegetação nativa, localizada fora da reserva legal e da área com vegetação de preservação permanente.
§ 1º A limitação ao uso da vegetação da área sob regime de servidão florestal deve ser, no mínimo, a mesma esta-belecida para a Reserva Legal.
§ 2º A servidão florestal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imó-veis competente, após anuência do órgão ambiental estadual competente, sendo vedada, durante o prazo de sua vigência, a alteração da destinação da área, nos casos de transmissão a qualquer título, de desmembra-mento ou de retificação dos limites da propriedade. 39Art. 44-B. Fica instituída a Cota de Reserva Florestal (CRF),
tí-tulo representativo de vegetação nativa sob regime de servidão florestal, de Reserva Particular do Patrimônio Natural ou reserva legal instituída voluntariamente so-bre a vegetação que exceder os percentuais estabeleci-dos no art. 16 deste código.
Parágrafo único. A regulamentação deste código disporá so-bre as características, natureza e prazo de validade do título de que trata este artigo, assim como os mecanismos que assegu-rem ao seu adquirente a existência e a conservação da vegeta-ção objeto do título.
40Art. 44-C. O proprietário ou possuidor que, a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.736-31, de 14 de dezem-bro de 1998, suprimiu, total ou parcialmente flores-tas ou demais formas de vegetação nativa, situadas no interior de sua propriedade ou posse, sem as devidas autorizações exigidas por lei, não pode fazer uso dos benefícios previstos no inciso III do art. 44.
39 Artigo acrescido pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 24-8-2001. 40 Idem.
41Art. 45. Ficam obrigados ao registro no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) os estabelecimentos comerciais responsáveis pela comercialização de motosserras, bem como aque-les que adquirirem este equipamento.
§ 1º A licença para o porte e uso de motosserras será re-novada a cada 2 (dois) anos perante o Instituto Bra-sileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
§ 2º Os fabricantes de motosserras ficam obrigados, a par-tir de 180 (cento e oitenta) dias da publicação desta lei, a imprimir, em local visível deste equipamento, numeração cuja sequência será encaminhada ao Ins-tituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e constará das corres-pondentes notas fiscais.
§ 3º A comercialização ou utilização de motosserras sem a licença a que se refere este artigo constitui crime con-tra o meio ambiente, sujeito à pena de detenção de 1 (um) a 3 (três) meses e multa de 1 (um) a 10 (dez) salários mínimos de referência e a apreensão da motos-serra, sem prejuízo da responsabilidade pela reparação dos danos causados.
42Art. 46. No caso de florestas plantadas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renová-veis (Ibama) zelará para que seja preservada, em cada Município, área destinada à produção de alimentos básicos e pastagens, visando ao abastecimento local.
43Art. 47. O Poder Executivo promoverá, no prazo de 180 dias, a revisão de todos os contratos, convênios, acordos e con-cessões relacionados com a exploração florestal em geral, a fim de ajustá-las às normas adotadas por esta lei. 44Art. 48. Fica mantido o Conselho Florestal Federal, com sede
em Brasília, como órgão consultivo e normativo da política florestal brasileira.
Parágrafo único. A composição e atribuições do Conselho Florestal Federal, integrado, no máximo, por 12 (doze) mem-bros, serão estabelecidas por decreto do Poder Executivo. 45Art. 49. Poder Executivo regulamentará a presente lei, no que
for julgado necessário à sua execução.
46Art. 50. Esta lei entrará em vigor 120 (cento e vinte) dias após a data de sua publicação, revogados o Decreto nº 23.793, de 23 de janeiro de 1934 (Código Florestal) e demais disposições em contrário.
Brasília, 15 de setembro de 1965; 144º da Independência e 77º da República. H. CASTELLO BRANCO Hugo Leme Octavio Gouveia de Bulhões Flávio Lacerda
43 Art. 45 renumerado para 47 pela Lei nº 7.803, de 18-7-1989. 44 Art. 46 renumerado para 48 pela Lei nº 7.803, de 18-7-1989. 45 Art. 47 renumerado para 49 pela Lei nº 7.803, de 18-7-1989. 46 Art. 48 renumerado para 50 pela Lei nº 7.803, de 18-7-1989.
- LEI Nº 5.197,
DE 3 DE JANEIRO DE 1967
47-Dispõe sobre a proteção à fauna e dá outras providências. O Presidente da República
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei:
Art. 1º Os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais são proprie-dades do Estado, sendo proibida a sua utilização, per-seguição, destruição, caça ou apanha.
§ 1º Se peculiaridades regionais comportarem o exercício da caça, a permissão será estabelecida em ato regula-mentador do Poder Público Federal.
§ 2º A utilização, perseguição, caça ou apanha de espécies da fauna silvestre em terras de domínio privado, mes-mo quando permitidas na forma do parágrafo ante-rior, poderão ser igualmente proibidas pelos respecti-vos proprietários, assumindo estes a responsabilidade da fiscalização de seus domínios. Nestas áreas, para a prática do ato de caça é necessário o consentimento expresso ou tácito dos proprietários, nos termos dos arts. 594, 595, 596, 597 e 598 do Código Civil.
Art. 3º É proibido o comércio de espécimes da fauna silvestre e de produtos e objetos que impliquem na sua caça, perseguição, destruição ou apanha.
§ 1º Excetuam-se os espécimes provenientes de criadouros devidamente legalizados.
§ 2º Será permitida, mediante licença da autoridade com-petente, a apanha de ovos, larvas e filhotes que se desti-nem aos estabelecimentos acima referidos, bem como a destruição de animais silvestres considerados nocivos à agricultura ou à saúde pública.
48§ 3º O simples desacompanhamento de comprovação de procedência de peles ou outros produtos de animais silvestres, nos carregamentos de via terrestre, fluvial, marítima ou aérea, que se iniciem ou transitem pelo País, caracterizará, de imediato, o descumprimento do disposto no caput deste artigo.
Art. 4º Nenhuma espécie poderá ser introduzida no País, sem parecer técnico oficial favorável e licença expedida na forma da lei.
49Art. 5º (Revogado.)
Art. 6º O Poder Público estimulará:
a) a formação e o funcionamento de clubes e socie-dades amadoristas de caça e de tiro ao voo, ob-jetivando alcançar o espírito associativista para a prática desse esporte.
b) a construção de criadouros destinados à criação de animais silvestres para fins econômicos e industriais.
48 Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.111, de 10-10-1995. 49 Artigo revogado pela Lei nº 9.985, de 18-7-2000.
Art. 7º A utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha de espécimes da fauna silvestre, quando consentidas na forma desta lei, serão considerados atos de caça.
Art. 8º O órgão público federal competente, no prazo de 120 dias, publicará e atualizará anualmente:
a) a relação das espécies cuja utilização, perseguição, caça ou apanha será permitida indicando e delimi-tando as respectivas áreas;
b) a época e o número de dias em que o ato acima será permitido;
c) a quota diária de exemplares cuja utilização, perse-guição, caça ou apanha será permitida.
Parágrafo único. Poderão ser, igualmente, objeto de utiliza-ção, caça, perseguição ou apanha os animais domésticos que, por abandono, se tornem selvagens ou ferais.
Art. 9º Observado o disposto no artigo 8º e satisfeitas as exi-gências legais, poderão ser capturados e mantidos em cativeiro, espécimes da fauna silvestre.
Art. 10. A utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha de espécimes da fauna silvestre são proibidas:
a) com visgos, atiradeiras, fundas, bodoques, veneno, incêndio ou armadilhas que maltratem a caça; b) com armas a bala, a menos de três quilômetros de
qualquer via térrea ou rodovia pública;
c) com armas de calibre 22 para animais de porte su-perior ao tapiti (sylvilagus brasiliensis);
e) nas zonas urbanas, suburbanas, povoados e nas es-tâncias hidrominerais e climáticas;
f) nos estabelecimentos oficiais e açudes do domínio público, bem como nos terrenos adjacentes, até a distância de cinco quilômetros;
g) na faixa de quinhentos metros de cada lado do eixo das vias férreas e rodovias públicas;
h) nas áreas destinadas à proteção da fauna, da flora e das belezas naturais;
i) nos jardins zoológicos, nos parques e jardins públicos; j) fora do período de permissão de caça, mesmo em
propriedades privadas;
l) à noite, exceto em casos especiais e no caso de ani-mais nocivos;
m) do interior de veículos de qualquer espécie.
Art. 11. Os Clubes ou Sociedades Amadoristas de Caça e de tiro ao voo, poderão ser organizados distintamente ou em conjunto com os de pesca, e só funcionarão vali-damente após a obtenção da personalidade jurídica, na forma da Lei Civil e o registro no órgão público federal competente.
Art. 12. As entidades a que se refere o artigo anterior deverão requerer licença especial para seus associados transi-tarem com arma de caça e de esporte, para uso em suas sedes durante o período defeso e dentro do perí-metro determinado.
Art. 13. Para exercício da caça, é obrigatória a licença anual, de caráter específico e de âmbito regional, expedida pela autoridade competente.