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Show! a hibridização das formas espetaculares: uma perspectiva a partir da produção independente perfomática

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES

DEPARTAMENTO DE ARTES CURSO DE LICENCIATURA EM TEATRO

PATRÍCIA CEZINO DE MELO

SHOW! A HIBRIDIZAÇÃO DAS FORMAS ESPETACULARES UMA

PERSPECTIVA A PARTIR DA PRODUÇÃO INDEPENDENTE PERFORMÁTICA.

NATAL – RN 2019

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PATRÍCIA CEZINO DE MELO

SHOW! A HIBRIDIZAÇÃO DAS FORMAS ESPETACULARES UMA

PERSPECTIVA A PARTIR DA PRODUÇÃO INDEPENDENTE PERFORMÁTICA.

Memorial apresentado como Trabalho de Conclusão no Curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, requisito parcial para obtenção do título de professora licenciada.

Orientadora: Profa. Dr. Naira Neide Ciotti.

NATAL - RN 2019

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Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI

Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial do Departamento de Artes - DEART

Melo, Patrícia Cezino de.

Show! a hibridização das formas espetaculares : uma perspectiva a partir da produção independente performática / Patrícia Cezino de Melo. - 2019.

63 f.: il.

Memorial (licenciatura) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes. Licenciatura em Teatro, Natal, 2019.

Orientadora: Prof.ª Dr.ª Naira Neide Ciotti.

1. Performance. 2. Produção independente. 3. Cena artística potiguar. 4. Patrícia CZ. I. Ciotti, Naira Neide. II. Título.

RN/UF/BS-DEART CDU 792

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PATRÍCIA CEZINO DE MELO

SHOW! A HIBRIDIZAÇÃO DAS FORMAS ESPETACULARES UMA

PERSPECTIVA A PARTIR DA PRODUÇÃO INDEPENDENTE PERFORMÁTICA.

Memorial apresentado como Trabalho de Conclusão no Curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, requisito parcial para obtenção do título de professora licenciada.

Aprovado em: 28/11/2019

BANCA EXAMINADORA

______________________________________ Profa. Dr. Naira Neide Ciotti

(Orientadora - DEART/UFRN)

______________________________________ Prof. Dr. José Sávio Oliveira de Araújo

(Professor interno - DEART/UFRN)

______________________________________ Prof. Arlindo Bezerra da Silva Junior (Professor produtor convidado - UFRN)

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Aos meus pais sentados no altar, que me inspiram sob infinita luz em trevas na arte e obra de minha vida, me transformando em Deusa do mundo. Patrícia CZ.

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AGRADECIMENTOS

Aos meus pais sentados no altar, Maria José Cezino e Devani de Melo, que me inspiram e torcem por mim estando em outro espaço tempo.

À minha avó Maria do Céu Barbosa Cezino que me deu apoio desde sempre mesmo não querendo assumir-me.

À minha tia, Maria Elizângela que me apoia e acredita em meu sonho.

Aos meus professores que fizeram parte de toda minha trajetória na minha história com a arte em especial: Kaiony Venâncio, Alex Cordeiro, Bárbara Cristina, Naira Ciotti, Sávio Araújo, Laura Figueiredo, Makários Maia, Alex Beigui, André Carrico, Monize Oliveira e Robson Haderchpek.

À minha orientadora acadêmica e de TCC Naira Ciotti, que acreditou em meu projeto e me deu todo o apoio e toda força para ser realizado. Sem contar o afeto que criamos e vivenciamos em toda essa trajetória.,

Ao meu orientador Sávio Araújo em especial onde pude conhecer caminhos que até hoje perpetuam em minha vida.

Ao meu orientador, coordenador e diretor Robson Haderchpek do Arkhétypos grupo de teatro onde me convidou para ser desse grupo tão especial e poder pesquisar a arte que sinto.

Agradeço aos amigos artistas independentes da cena potiguar brasileira, Titina Medeiros, Helena Saltoris, Helton Farias, Pedro Silvan, Tauany Thabata, Potyguara Bardo, Khrystal, Aisha Lemos, Brunno Vinni, Kaya Conky, Firmino Brasil, Taize Tertulino, Wanilson Paixão, Klari, Neto, Patrick, Mário Rubens, Iasmyn Cavalcante, Talita Tâmara, Nero, Lucas Bascur, Marya Beatriz, Eduardo Leão, Ametista, Pedro Monteiro, Foca, Ana Morena Tavares, Caio Padilha, Rogério Ferraz, Arlindo Bezerra, João Marcelino, Allyerly Dantas, José Ricardo, Tom Gomes, Thazio Menezes, Ana Clara, Pierri keyth, Luã Fernandes, Geisla Blanco, Abner Souza, Ananda Krishna, Diógenes Nóbrega, Gois, Giulia Campos, Nadja Rossana, Lucifranklin Vitorino, Jonas Araújo e Maykon Oliver que me inspiram e de toda forma contribuem com a cena artística independente.

Às pessoas que não cheguei a citar o nome, pois também são pessoas importantes. Ao Grupo Popular de Teatro, na pessoa de Makários Maia onde também tive o prazer de trabalhar enquanto bolsista de extensão e vivenciar várias práticas teatrais.

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LISTA DE IMAGENS

FIGURA 1 ​- ​Fotografia do clipe “Me Conectar” retirada por Nero para compor as imagens do clipe a ser lançado no dia 5/02/2019;...24 FIGURA 2 - Fotografia criada para a capa do single “Salinha 3” - arte de Diógenes Nóbrega e Góis;………...25 FIGURA 3 - Fotografia retirada na escadaria do ginásio da UFRN no primeiro dia de gravação do clipe “Salinha 3;...37 FIGURA 4 - Fotografia criada por Alessandro Silva para o evento “Patrícia CZ no Altar”;...39

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É com esta experiência que venho concluir minha graduação em Licenciatura em Teatro pela UFRN, onde todas as aprendizagens são e foram importantes para minha formação. Todavia, é como Patrícia CZ, artista professora performer, que venho movimentar a cena artística potiguar brasileira performática, enquanto produção de arte independente. Brasil, seja um espaço livre e digno de representatividade para as Deusas deste mundo, como as mulheres trans e/ou a comunidade LGBTQIA+ são importantes e dignas de seu lugar de fala!

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RESUMO

Este trabalho de conclusão de curso tem como objetivo mostrar alguns aspectos do que é ser independente dentro da cena artística potiguar brasileira. A presente pesquisa tem caráter teórico prático evidenciando como objeto de pesquisa a própria produção independente realizada pela artista Patrícia CZ, que produz e lança um videoclipe no Youtube e nas plataformas digitais de música. Levanta uma breve pesquisa histórica do que é ser independente exemplificando através de relatos de artistas independentes da cidade de Natal que prezam pela produção independente performática. O percurso metodológico utilizado foi hibridização das formas espetaculares da cena na perspectiva da arte da performance, a partir do livro ​O professor performer​ (Ciotti, 2014).

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ABSTRACT

This course conclusion paper aims to show some aspects of what it is to be independent within the Brazilian potiguar art scene. This research has practical theoretical character evidencing as object of research the own independent production made by the artist Patrícia CZ, that produces and launches a music video in Youtube and in the digital music platforms. It raises a brief historical research of what is to be independent exemplifying through reports of independent artists of the city of Natal who value the independent performance performative. The methodological approach used was hybridization of the spectacular forms of the scene from the perspective of the art of performance, from the book ​The Professor Performer​ (Ciotti, 2014).

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO………...12

PARTE 1: 1. SHOW!...13

1.1 A HISTÓRIA DA ARTISTA INDEPENDENTE………..14

1.3 O SER INDEPENDENTE………..18

PARTE 2: 2. A HIBRIDIZAÇÃO DAS FORMAS ESPETACULARES……….23

2.1 DESCONSTRUÇÃO DOS PARADIGMAS INDEPENDENTES………23

2.2 A PERFORMANCE E SUA ABORDAGEM SIGNIFICATIVA………..26

2.3 OS AFETOS DA VIDA E A HIBRIDIZAÇÃO DAS FORMAS ESPECTACULARES.28 3. UMA PERSPECTIVA A PARTIR DA PRODUÇÃO INDEPENDENTE PERFORMÁTICA……….33

3.1 MEU CORPO, MEU SHOW: A PLURALIDADE TRANSFORMADA……….33

3.2 O SHOW DA PERFORMER……….34

CONSIDERAÇÕES FINAIS……….40

REFERÊNCIAS……….42

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INTRODUÇÃO

Este memorial é apresentado como Trabalho de Conclusão do Curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial para obtenção do título de professora licenciada em Teatro.

Na parte 1, tratarei sobre a história da artista independente, onde trago a experiência enquanto artista e passo a falar sobre o que é ser uma artista independente.

Na segunda parte, sobre a hibridização das formas espetaculares e contextualizo sobre a performance e sua abordagem significativa e sobre os afetos da vida e as relações estabelecidas na cena entre corpo, espaço, voz.

No terceiro capítulo, levanto uma perspectiva a respeito da produção independente performática, falo sobre o meu show, meu corpo, meu espaço, por um viés onde a pluralidade transformada é o meu lugar de fala, trago um relato sobre o show enquanto resultado final, tratando-se de uma produção totalmente independente e todo o processo percorrido.

Nas considerações finais, trago uma a importância dessas experiências significativas adquiridas dentro e/ou fora da Universidade, tendo em vista o valor e o estado de ser trans professora de teatro na cena independente performática potiguar.

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Parte 1

SHOW!

A história da artista independente.

O show é a performance da vida. Uma Mulher. Artista. Professora. A história de um ser que jamais será calada. Uma escrita independente que deve ser investigada. Um nome civil que além de ser registrada é aclamada. Um corpo que morre e renasce todos os dias. Uma voz que enquanto som ecoa vibrações sonoras. Um espaço que é típico de fala. Um universo de seres humanos. O Show é o objetivo enquanto resultado desta pesquisa, seu processo de criação, o objeto de pesquisa é o processo de criação e a produção do clipe “Salinha 3”, produzido de forma independentes. e assim. defender a produção independente performática.

O trabalho de conclusão de curso levanta uma perspectiva histórica, artística desta produção e/ou relatos de artistas independentes da cidade do Natal que prezam pela produção independente performática. Hora a performance, música e/ou teatro, trazendo sob análise essa hibridização das formas espetaculares, que são estas relações estabelecidas na cena, seja o (Corpo, Espaço, Voz, Espectador) entre outros elementos.

Patrícia Cezino de Melo, nasceu no dia 17 de abril de 1997 na MEJC-UFRN - Maternidade Januário Cicco da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A maternidade fica localizada na Av. Nilo Peçanha, 259 - Petrópolis, Natal - RN, 59012-310 e foi o primeiro lugar em que senti o cheiro, o ar, frio, calor, sensações estando presente nos braços de minha mãe. Meus pais se chamam, Maria José Cezino e Devani de Melo. Ambos são falecidos e não chegaram concluir o ensino fundamental.

O meu destino antes de nascer, já estava traçado, emaranhado pelos caminhos trançados. Foi no dia 23 de outubro de 2003 em plena quinta-feira do mês, aproximadamente às 20h34min que Maria José Cezino aos seus 25 anos de idade morreu atropelada por um caminhão na BR 304 que liga Natal a cidade de Mossoró.

Não entendia o que era a morte, quanto menos o que significava minha mãe naquele caixão no dia seguinte ao seu falecimento, mas, na época em que eu era uma criança imaginava que a minha mãe poderia estar dormindo lindamente como a bela adormecida, por

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isso, quando a vi, perguntei o porquê das pessoas estarem chorando na sala de casa. Devani de Melo foi a óbito no dia 23 de janeiro de 2016 quando sofreu um infarto. O seu falecimento foi logo dois meses depois do dia 23 de novembro de 2016 quando sua atual e última esposa faleceu. Devani morreu um pouco depois de ter acordado, após ter almoçado uma comida e ter deitado na cama de casal tal qual dormia com sua esposa que faleceu no mesmo dia 23 com apenas dois meses de diferença, sem levar em consideração a própria fala do Devani que dizia -se “estou passando mal” e que “fazia dois meses que não dormia na mesma cama que minha esposa”.

Após a morte do meu pai, o mundo virou de cabeça para baixo e me sacolejou no espaço. Me questionei e me fiz várias perguntas, me senti sozinha no mundo e só buscava uma esperança, uma mudança na minha vida, extraordinariamente, que me fizesse viver de arte e que eu pudesse trazer amor através da minha arte.

Patrícia Cezino de Melo, após nascer foi levada por sua família para Cachoeira do Sapo, distrito da cidade de Riachuelo onde foi criada e viveu toda a sua infância. Cursou seu ensino fundamental na Escola Municipal Francisquinho Caetano e parte do seu ensino médio na Escola Dr. Geraldo de Andrade Teixeira em Caiçara do Rio dos Ventos. Após terminar o seu segundo ano do ensino médio decidiu ir embora de sua cidade, com os planos de passar suas férias de final do ano de 2012 e iniciar 2013 com foco para concluir o terceiro ano do ensino médio na Escola Estadual Winston Churchill em 2013 e no ano seguinte em 2014 ingressar no curso de licenciatura em teatro na UFRN, onde reinicia sua história.

Ao ingressar na universidade, os caminhos da vida começavam a fazer todo sentido. Ter acesso e ingressar na universidade é uma oportunidade única e dever de todos, pois é um espaço que se deve prezar e zelar pelo bem da universidade pública. Para entrar no curso de licenciatura em teatro da UFRN é necessário que faça o teste do (THE) - Teste de Habilidades Específicas, justamente para ter acesso ao ensino superior.

Cursar Licenciatura em teatro foi perceber justamente o quanto esse espaço é provedora dos conhecimentos. Mesmo entrando no curso querendo ser atriz da Tv Globo e ter que se adequar a um curso que não forma atrizes ou atores para Tv, mas sim, professores de teatro, foi justamente perceber o quanto o curso de licenciatura em teatro da UFRN é uma experiência significativa, que fui em busca de diversos conhecimentos.

Foi nesse lugar, percorrendo e caminhando diante dos caminhos metodológicos que vinha a conhecer no curso, que passei a desfrutar das ciências e cravar em meu corpo a arte

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teatral, a arte das Deusas, aquilo que está mais interno e que chama a atenção para o desvendamento. Tornar visível tudo aquilo que toca, vê, observa, sente, pensa, reflete, analisa, visualiza. Tornar aquilo que é invisível ser visível e assim apresentá-lo no espaço a ser definido. Foi caminhando pelos caminhos metodológicos enquanto discente em formação que me percebi enquanto obra de arte no espaço, independente de linguagem estética ou que tipo de arte venha a ser.

A universidade é esse espaço de desconstrução e é um lugar de construção do conhecimento que apresenta ao discente em formação a noção de si e de perceber o seu lugar de fala, mesmo tendo ciência que a universidade forma por exemplo, “professores de teatro” e oferece esse espaço para gerar conhecimento tendo em vista que nós somos apenas frutos de si e que somos provedoras do conhecimento, porque a universidade é esse espaço iluminado e eu sou a obra de arte projetada no ciclorama. Este lugar é meu som de livre expressão exposta na sociedade sem piedade, seja a linguagem oral empregada no discurso numa porcentagem em que a sutileza e sinceridade da palavra, som, seja parte da projeção dessa voz, como também, agir com a ação de manifestar a sutil e pureza dádiva do amor é o que sinto com o teatro, a música, o corpo, o mundo da cenografia, a arquitetura, cultura, a vida, minha arte. Porquê não poetizar? Porquê não problematizar? Isso era o que pensava quando desfrutava da arte teatral, porque arte teatral é é uma linguagem da arte e eu sou a Deusa do Mundo.

Mas não. O teatro tem suas próprias portas a serem descobertas, desvendadas. Dada partida na busca pelo que essa linguagem tem a nos oferecer, ofertar ao discente em formação. Segundo Patrice Pavis,

A origem grega da palavra teatro, o ​theatron​, revela uma propriedade esquecida, porém fundamental, desta arte: é o local de onde o público olha uma ação que lhe é apresentada num outro lugar. O teatro é mesmo na verdade um ponto de vista sobre um acontecimento: um olhar, um ângulo de visão e raios ópticos o constituem. Tão-somente pelo deslocamento da relação entre olhar e objeto olhado é que ocorre a construção onde tem lugar a representação. (​PAVIS; 2008, p. 372​)

Venho a concordar com o autor Patrice Pavis, pois foi no teatro que consegui conhecer o meu corpo no espaço seja ele em movimento ou parado, consegui conhecer cada parte do meu corpo tendo ciência corporal, desde os fios dos cabelos da minha cabeça até os pés. Desfruto da arte da música que me move no espaço, me fazendo ser quem eu sou e agir como é. Vivo a preparação do corpo para a cena. Pois, “O termo cena conhece, ao longo da

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história, uma constante expansão de sentidos: cenário, depois área de atuação, depois o local da ação, o segmento temporal no ato e, finalmente, o sentido metafísico de acontecimento brutal e espetacular (“fazer uma cena para alguém”).”(PAVIS; 2008, p. 42)

A cena é o meu vetor de comunicação. Performo minha vida assim como venha a ser, tendo em vista como ela é, vivo eu a cena, seja real, fictícia, imaginária, eu sou e estou em cena. A arte está pulsante e ardente em minha alma e/ou corpo. Esta performatividade instaurada é a pura tridimensionalidade viva. Eu sou o meu espaço no meio do mundo. sou artista do mundo. A arte da Deusa está cravada em mim e eu sobre ela. Eu sou a pura performance ambulante. Eu sou minha própria voz. Sou uma obra de arte, sou uma tela para me pintarem. Descobri o segredo das arquiteturas históricas em si. Segredo este que não será revelado. Só para mim. Preparei a minha voz vocalmente para isso. Sou a eterna arte que será ouvida e lembrada para todo o sempre. Assim seja.

Descobri outros conhecimentos através do curso de teatro na universidade, como por exemplo: a produção teatral, a direção, atuação, a matemática na cenografia, as estéticas teatrais, a história da artista independente, a dramaturgia, a encenação entre outros conhecimentos que aflorou minha vida seja dentro e/ou fora da universidade. A vida nada mais é do que você viver e cumprir sua vida com amor e prazer, sabendo dividir as coisas, vida pessoal é vida pessoal, ser artista é ser artista, lugar de trabalho é espaço de trabalho, momentos da vida é o deslumbramento e a vida nada mais é do que um ser independente.

A vida é independente. Meu universo independente é minha vida e meu trabalho minha arte. A minha carreira como artista do mundo. Defendo este presente TCC, sob Título, “show! a hibridização das formas espetaculares uma perspectiva a partir da produção independente performática”, por amor à arte no mundo. Sei que estou no curso de licenciatura em teatro e estarei me formando como professora de teatro, mas no momento eu não pretendo exercer a função de professora. Posso sim ser chamada para apresentar um seminário, uma oficina ou um workshop, mas não assumirei a carreira acadêmica. Quem quer atuar nesse espaço, parabéns, me representa, porque eu não quero estar. Meu lugar é no palco, da vida, nos teatros do mundo. Sou independente na arte e na vida, independente de estabelecer relações entre órgãos públicos e/ou órgãos privados. O show da vida é esta história da artista do mundo chamada Patrícia CZ, que defende uma arte transformadora e pura como sua vida.

A arte independente está localizada na vida da artista ou artistas em geral, que sente seus desejos latentes de produção independente enquanto arte, nas tarefas propostas e

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encaminhadas para produção, na militância onde a luta pela causa se faz presente, na resistência onde a luta unificada é constante e torna verdade absoluta sob tal produção de arte independente, tendo em vista as variadas formas espetaculares que se apresenta na produção performática e como tornar esta produção prazerosa e real a todo custo.

A arte da CZ tem por princípios ideológicos e artísticos, mover a cena potiguar brasileira no mundo, tornando real tudo aquilo que lhe é mais divino e profano, tornar real o invisível visível, tudo que é palpável dentro da produção independente ser real, acreditar na realização e união dos artistas independentes para que haja um diálogo e voz nos direitos e deveres artísticos independentes. Uma prova disto é a própria produtora independente da artista Patrícia CZ.

A PKI - Produtora K Independente é uma empresa de produção cultural dirigida pela artista e produtora independente Patrícia Cezino. A letra K além de ser uma letra do alfabeto, para a produtora, a letra “K”, torna-se um campo de comunicação que reúne a arte cultural e o entretenimento numa diversidade artística e coletiva repleta de produções independentes a serem desenvolvidas. A PKI é uma resposta independente vinda do universo que busca a integração humana, a comunicação artística e a realização da arte no mundo. A produtora contém pilares ultra energéticas que recarrega seu campo magnético e torna seu ponto de partida à base para a criação artística no espaço mundo. A Produtora K Independente surgiu no dia 23 de janeiro de 2018, por Artistas Independentes. Sua produção atua independente, e busca parcerias para a realização do seu fazer artístico cultural no mundo, seja por intermédio de leis de incentivos a cultura, órgão público e/ou privado. A Produtora K Independente tem prazo de existência por período indeterminado e está em vigência com o seu universo artístico.

A PKI, surgiu para cumprir uma demanda de realizar produção cultural independente e levar a arte para o mundo. A minha vida após este período foi uma pura frustração com o teatro. Logo depois de sofrer um golpe por um grupo de teatro, voltei a perceber a minha vida e importância na cena teatral de outra forma. Comecei a enxergar a arte por outro viés. O teatro acabou não sendo mais o que era de tão importante para mim.

Contudo, é importante ressaltar a realidade dessa produção independente performática, mesmo depois de muitas reflexões sobre a vida e o sentido de fazer arte no mundo. Entretanto, irei falar mais adiante sobre este ser independente e falar da minha

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importância na sociedade, pois é importante falar sobre o que é dentro da minha perspectiva ser independente e apresentar algumas características.

O ser independente.

A ​Produtora K Independente levanta uma perspectiva de produção independente e realça a importância de apresentar ao mundo, novas formas de realizar uma produção e performar a vida tal qual como ela é ou como ela possa ser. Nessa perspectiva é de suma importância colocar em evidência esse estado independente e discorrer essa visão do que é ser independente.

Ser independente é ser quem eu sou enquanto espaço de representação. É apresentar meu show enquanto obra final e revelar essa hibridização das formas espetaculares que são estas relações estabelecidas na cena, que parte do objeto de pesquisa que é meu clipe que será lançado no mês de dezembro de 2019 e por meio desta produção se faz presente todo o valor existente nessa hibridização..

Toda a produção nasce do afeto em querer dar a volta por cima em minha vida e perpetuar aquilo que sinto, o que dói dentro de mim, tudo que me toca, mostrar a realidade do ser humano, artista, independente na sociedade, trazendo como contexto histórico, social e/ou político a luta pelos meus direitos. A vida nada mais é do que um encontro consigo mesma, independente do que seja eu e/ou você mesma.

Falar a respeito da produção independente seria antes de mais nada, mencionar o que é esta produção, qual sua importância, buscar compreender e entender a partir das reflexões levantadas, o que seria ser independente e fazer uma retrospectiva histórica dessa cena independente que tem vez e voz a partir deste olhar sobre a produção musical independente no Brasil e visar este período histórico marcada na indústria nos anos 80 ao atual período em que vivemos.

Tendo em vista o contexto histórico que é retratado no artigo de Eduardo Vicente pela universidade de São Paulo, sob título - A vez dos independentes(?): um olhar sobre a produção musical independente do país, diz que,

...arte independente é toda aquela que, partindo de uma nova ordem de valores que contrariam visceralmente os valores comerciais do sistema, pretende transformar aqueles que se dispõem a transformar a sociedade de

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armazém de mercadorias em um ambiente humano, onde as relações entre as pessoas não sejam mais regidas pelos interesses de cima para baixo, mas pelos desejos autênticos dos indivíduos: os que suscitam a arte e a produzem. (VICENTE. 2006. p. 4)

Esta ressalva posta por Vicente em relação às formas de resistência a uma “sociedade industrial totalitária” pensada por Lelo Nazário que tende a reiterar, entender e compreender a importância do momento histórico que são um dos argumentos a reforçar este trabalho. Cabe a acrescentar o que Zinskind busca afirmar, essa desmistificação ao movimento independente, revelando que:

Não se pode dizer que a música veiculada por um disco independente não possa ser registrada por uma gravadora. Como também não se pode dizer que um determinado disco não precisava ser independente. Não há uma relação de necessidade entre música e disco independente… ser independente não é qualidade musical, pode ser apenas uma contingência. (VICENTE. 2006. p. 4)

Ou seja, possibilidade de que algo se realize ou não. Pois, para Lelo Nazário, a significância dos significados das produções independentes são mais intensos e profundos, caminhando justamente pelo viés de obter enquanto mecanismos de produção, formas de atuação enquanto resistência política e cultural desta arte. Considerando que as tecnologias digitais influenciaram grandes inovações e revoluções reivindicadas por artistas durantes todos esses anos, é importante anunciar algumas conquistas realizadas na cena independente, como por exemplo: o surgimento da ABPD - (Associação Brasileira de Produtores de Discos), que teve uma enorme implicância na compreensão dos aspectos envolvidos na produção e comercialização de disco tendo em vista estar bem sucedida sua atuação. A APID - Associação dos Produtores de Músicas Independentes que se encarregava das divulgações, produções e distribuições dos trabalhos produzidas na época.

Outro momento na história de destaques da cena independente foi nomes como Oswaldo Montenegro e Boca Livre que aceitaram sem pensar, convites extraordinários feitas por gravadoras de grande porte. A cena independente por volta dos anos de 1980 já dava saltos de expansão assumindo um papel fundamental de prospectar novos núcleos de mercado e organizar artistas para as grandes gravadoras. A partir de 1980 ao início do século XXI, houve-se uma revolução na indústria fonográfica, onde artistas independentes vão buscado formas de produzir seus trabalhos e vão se mostrando resistência. A cena independente toma

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proporções na década de 1990. Surgia inúmeros artistas, bandas, produtores e selos independentes que trilharam seus caminhos em função de luta, resistência e unidade. Partindo do que fala o texto, é por meio deste caminho quê,

uma ressurgida cena independente mostra-se vigorosa o suficiente para substituir a grande indústria nas tarefas de prospecção, formação e gravação de novos artistas. Mas não foram apenas os fatores tecnológicos que propiciaram esse ressurgimento: também dessa vez a crise da indústria teve um papel decisivo: privilegiando desde o final dos anos 80 o sertanejo e a música romântica, além de severamente atingida pela recessão de 1990, a indústria demonstrava agora pouco interesse por segmentos como o rock e a MPB. (VICENTE. 2006. p. 9)

Como diz o próprio Eduardo Vicente (2002, p.9 ) em seu artigo, “ser independente é apenas ser dono do próprio negócio”. Sendo assim, tomo como pauta a necessidade de explorar o campo independente da profissionalização dos artistas, das realizações independentes e mercado e da compreensão distribuída entre lógica e realidade. Tendo em vista a crise na indústria fonográfica, o final da década de 90 para o início do século XXI, uma ressurgida lógica e atual realidade em que a cena tomou foi visar novos artistas e irradiar as produções independentes por meio de novos selos criados por artistas e emergir essas distribuições de discos em plataformas digitais de músicas.

Por meio da cena local enquanto produção independente potiguar, tomo como referência base, o livro “DoSol 10 anos de Música” de Anderson Foca (2014), para provar essa importante realidade de produção independente que vem sendo alavancada por diversos artistas da cena na indústria potiguar fonográfica e que coloca em evidência como funciona essas produções.

Logo depois do lançamento do primeiro disco do Selo DoSol, sentimos necessidade de ter um espaço para reunir as ideias do selo. Um estúdio seria a melhor opção para resolver os problemas crônicos que selos independentes sempre enfrentam: falta de capital de giro e poder de investimento nos artistas. (FOCA. 2014 p. p. 21)

Dentro desse contexto real e histórico de produção independente, onde inúmeros artistas lutam em forma de resistência pela causa da cena independente, o ponto de vista que Foca do DoSol fala em seu livro é um vetor significativo como lugar de reflexão: isto que coloco em evidência por exemplo é um posicionamento verídico; “uma prática comum no Brasil em selos independentes é que o artista sempre entra com a gravação e o selo com a distribuição, divulgação e prensagem.” (2014, p.21). É real. Muitos artistas fazem isto.

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Artistas que trabalham, que enfrentam sua luta cotidiana, que acreditam em seus desejos e encontram uma forma de realizar suas produções.

O estúdio DoSol passou a existir no ano de 2002, onde eram combinado entre os artistas uma forma de aluguel pelo o espaço e equipamentos. Dentro da minha realidade é diferente. Eu não tenho espaço para alugar muito menos equipamentos e/ou dinheiro para pagar. Ser independente nessa visão é visualizar bem o projeto, pensar em sua pré produção, produção e pós produção, refletir como como essa cadeia criativa influência nessa produção independente, deixar claro na visualização diversas possibilidades de fugas, caso as cartas iniciais da produção não funcione, contatar artistas que você possa se conectar, dentro de uma lógica objetiva mais cheias de vetores de comunicação é uma boa solução.

O DoSol além ser um espaço e ter seu próprio selo, é referência na cidade de Natal. Atualmente o cena mudou para os que são independentes. Hoje o do DoSol conta com patrocínios, desenvolve seus projetos como festivais, festas, ensaios de bandas, gravações entre outros serviços. O pulso de ser independente é confiar em seu trabalho e nunca desistir, nunca voltar atrás com o que deseja.

Ser independente foi perceber justamente que eu gostaria de realizar minhas produções com a galera do DoSol com o Foca e Ana Morena entre outros que estão lá sempre trabalhando, para que eles pudessem realizar a minha produção, mas me contactar com eles e ser informada que estavam ocupados com suas demandas do festival, gravação, shows, editais entre outras trabalhos me deixou um pouco triste mais não me fez desistir.. Toda esta caminhada foi justamente um ponto a me analisar e encarar como ponto de fuga para tentando outras alternativas de produção. Que se o DoSol estavam ocupados eu precisava ir para um outro plano e seguir em frente visando minha realidade atual.

Falar da incubadora DoSol neste momento é mostrar a realidade da cena potiguar. A incubadora foi lançado em 2011 pelo DoSol como um projeto independente, uma iniciativa realizada com verba direta do DoSol. O projeto seleciona novos artistas potiguares para desenvolver seus novos projetos. É uma forma de iniciativa a cultura. O projeto deste ano de 2019 da incubadora DoSol, tem patrocínio da Oi futuro por meio do programa Lei Câmara Cascudo, Governo do RN e Oi Futuro. Este exemplo, é típico de artistas que têm garra de crescer e fortalecer a arte por amor. Ser independente é pensar sua produção e colocar em prática.

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Falar da realidade sob produção é dizer que não é um trabalho fácil. Ninguém nasce pronta de uma noite pra o dia para realizar uma produção independente. Da mesma forma qualquer tipo de iniciativa enquanto produção. Ter paciência e resolver etapa por etapa é o mais importante a se fazer. Pois, toda produção e o seu processo de criação tem que analisar seus pontos positivos pontos negativos, para então dar-se valor a suas regalias.

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Parte 2

A HIBRIDIZAÇÃO DAS FORMAS ESPETACULARES

Desconstrução dos paradigmas independentes.

A desconstrução dos paradigmas independentes tem como porventura levantar uma ideia que independente de não existir patrocínios para a produção independente, é pensar: como fazer para produzir um show sem recurso financeiro? Como produzir arte independente por este viés e desconstruir esses paradigmas que a sociedade nos faz pensar e refletir que a única forma de realizarmos uma produção tem que ser com dinheiro? Infelizmente vivemos no mundo capitalista, acaba sendo complicado viver sem essa nota de tanto valor.

A forma ou fórmula mágica que temos para realizar uma produção é trabalhando. Exemplo de produção independente é o clipe “Me Conectar” gravado nas quatro zonas de Natal/RN, lançado na terça feira às 19h do dia 5 de fevereiro de 2019 no Youtube, com a música distribuída em todas as plataformas digitais, tendo em vista o objetivo de lançar a artista do mundo independente no mercado e tornar real aquilo é mais almejado, seja lutar, representar, performar, inovar, recriar, construir e/ou estabelecer uma conexão ideal entre os extraterrestres deste mundo.

A produção artística foi uma realização independente produzida pela (PKI) - Produtora K Independente da produtora cultural e artista Patrícia CZ, onde ressalta que sua obra de arte audiovisual foi executada com muita ​benevolência, resistência e sem recurso financeiro​. Uma obra de arte que expressa a conexão e a vida real da artista pela sua cidade Natal, onde se encontra sentindo o prazer de dançar vogue e se conectando, pedindo para que a internet colabore. O single pertence a artista Patrícia CZ do seu Segundo Álbum intitulado “Universo Top”, pois mesmo sabendo que a artista vive a vida uma luta para produzir seu primeiro álbum, nada melhor do que adiantar seu single do segundo para tornar a música um hit.

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IMAGEM 1 - ​Fotografia do clipe “Me Conectar” retirada por Nero para compor as imagens do clipe a ser

lançado no dia 5/02/2019.

O clipe de Salinha 3 como outro exemplo de produção independente mostra a diversidade dos artistas existentes que andam pela arte quebrando qualquer paradigma e apresentando aquilo que existe. Que tudo sabe. Que tudo vê. Que tudo sente. Que tudo diz. Diversos sentimentos que entram em combustão e se transformam em luz. A luz do colorido, a luz do preto e branco. A luz do invisível. A luz que sabe de tudo mas não sabe de nada. Uma diversidade até nas sombras.

Ao contrário do clipe "Me conectar", que conecta todas as extraterrestres desse mundo; salinha 3 vem para quebrar com o colorido, vem para inovar com seu teor estético,

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vem para mostrar essa pluralidade ​Transformada em meio a toda obra visual. Uma quebra épica social e política até na estética das cores de um clipe pode transformar qualquer vida em luz. Salinha três é fruto de uma transformação conceitual. Transformação esta que traz uma abordagem significativa a respeito da performance.

IMAGEM 2 -​ Fotografia criada para a capa do single “Salinha 3” - arte de Diógenes Nóbrega e Góis; A performance é uma arte conceitual que vem quebrando paradigmas em qualquer lugar que venha ser falada. Inúmeros pesquisadores espalhados pelo o mundo que pesquisa a performance, apresenta seus questionamentos, levanta dúvidas e mostra o que tem realizado. No meu caso quando vier abordar no terceiro capítulo de TCC como foi o processo de

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construção e criação do show, será apresentado praticamente um show, pois uma arte na escrita e/ou prática não deixa de ser produção independente performática.

A performance e sua abordagem significativa.

A arte da performance age no interior de cada ser existente. É como se fosse o coração pulsando, mas sendo bem realista é uma energia que vai além da pulsação do coração. Do mesmo jeito que o coração não para de bater quando estamos vivos, a performance mesmo estando morta ou viva, está pulsando, latente, pura energia que circula todo espaço ou seu lugar de representação. A performance possui abordagem significativa independente. No caso em que estou escrevendo este memorial e desenvolvendo este projeto teórico prático, não tem como separar uma coisa da outra, muito menos das questões pedagógicas já que estarei me formando como professora de teatro. O termo performance segundo como a Profa. Dra. Naira fala em seu livro.

A palavra performance refere-se a uma forma artística existente. A performance, como a vida e toda a experiência, é complexa. À medida que vamos adquirindo instrumentos para ler a performance, passamos a nos dar conta de que esse fenômeno é múltiplo, polissêmico e misturado. (CIOTTI. 2014, p. 62)

Enquanto artista, percebo a performance como uma linguagem à conhecer e experimentar mais e mais, a se debruçar; da mesma forma que muitas perspectivas podem surgir na performance a partir do que inúmeros pesquisadores registram, também posso desenvolver por meio do que venho pesquisando e conhecendo sob performance relacionando com várias linguagens.

Os clipes que ando produzindo são frutos dessa perspectiva que levanto enquanto produção independente performática. Uma produção altamente independente. Performática porque a cena visual, o trabalho da artista, o processo de criação, os afetos da vida e essas formas espetaculares da cena já fazem parte da composta abordagem significativa transpassada pela performance. Ou seja, já pertence ao lugar da performer.

A abordagem que é expressada no show enquanto resultado final do processo de criação do TCC, é inteiramente performada por um ser independente e cravada ações de uma performance cuidadosamente inteirada de símbolos e significados importantes para vida e obra da artista. Um show enquanto performance é ter voz no espaço e apresentar todas as informações necessárias do que é para ser passado.

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O mundo da cena é inteiramente integrada por seres que se dizem artistas, que se acham serem, que são artistas mas dizem que não são. Artistas que dizem serem bons, ruins, ou não sabem dizer o que são muito menos o que é ser artista; artista que trabalha; artista que acha que vida de artista é um saco ou é ser famosa, mas quando entra no palco e performa sua vida reflete tudo o que pensa e/ou o que faz, se coloca em seu devido lugar e expõe o que a própria performance tem a mostrar. A abordagem significativa que tenho a apresentar neste trabalho é como foi a minha aproximação com a performance e como chegou a ser um show.

A abordagem significativa na cena do show é apresentar essas aproximações entre corpo, voz, espaço, o show como performance, este diálogo com o espectador, tendo em vista todas as cenas de cada música que serão apresentadas para compor o corpo final e o lugar da performance enquanto espaço de produção, à margem para uma iniciativa independente sem recurso financeiro.

O mundo da performance é esse universo onde moram artistas do mundo independentes e que procuram desenvolver suas obras de artes. Artes como performances que cada artista passa por suas dificuldades e seus desafios durante seus dias de produção na busca de encontrar uma solução para aquilo que sua pesquisa caminha e possa vim a desenvolver, são processos de produção que tem que serem vistos e apresentadas. São ações que devem serem colocadas em evidência. São processos de vida que provém da individualidade de cada artista e o que cada um sente.

A performance mexeu comigo quando percebi que eu era a própria performance. Quando abri os olhos para enxergar que a minha vida é uma performance. Compreender que a minha vida e o meu processo de criação, seja ela, estado de desconstrução social para uma construção artística ativa, era a pura abertura para saber e desenvolver as facetas de toda esta produção. Quando falo produção não me refiro só a produção de TCC, pelo contrário, a produção do meu projeto de vida. Projeto este que é sair formada como professora artista e ter o meu emprego enquanto performance nas margens deste universo chamado mundo.

Entrar na universidade não é fácil, muito menos sair dela. O segredo é estudar e está atenta a todas as informações dadas. É ter desejo de estudar e aprender diversos tipos de conhecimentos. Durante este processo de criação dessa produção independente, muitas coisas vieram a se manifestar e interferir em meu processo de produção. Fenômenos como mudanças de espaço em relação ao clipe que está sendo produzida para ser lançada antes da

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defesa deste presente trabalho; dias, horários, contar artistas, gravação, escrita de TCC, entre outros fatores.

Por outro lado, essas interferências que vieram ocorrendo durante a produção, fez o processo ser mais objetivo, seja mais claro para o espectador e/ou caro leitor. O processo de produção toma coragem pra si, quando para, respira, sente o que o universo quer dizer, alcança a determinação e segue em frente sem medo, preparando-se para qualquer interferência e/ou qualquer tipo de manifestação.

Os afetos da vida e a hibridização das formas espetaculares.

O como estou sendo afetada no processo de criação vai além de uma interferência ou qualquer tipo de manifestação. Estou sendo afetada neste processo, pelo afeto da vida mesmo. Por adquirir novos conhecimentos, conhecer novos caminhos, novas estéticas, culturas, fenômenos, mundos, universos… a vida é o próprio afeto dos afetos da vida. A vida só é vida quando é vida, corpo, alma, mente, sentidos, entre outros demais vetores a serem descobertos. Sendo assim, afetos da vida.

Os afetos, estão muito além de um corpo, voz, espaço, lugar ou até mesmo da vida. Os afetos para ser mais franca estão sendo postas na cena. Estão sendo vividas na vida e transformadas em cena. Estes afetos estão sendo hibridizadas enquanto manifestação e/ou formas espetaculares na cena. São essas relações estabelecidas entre todas as linguagens envolvidas numa cena. Relações estas que se estabelecem a partir de um ponto de fuga enquanto estratégia de comunicação, mas também como um fenômeno a ser construído.

Ser o corpo na cena e tomar o espaço para si procurando entender o que está querendo criar ou agir com tal determinada ação, é simplesmente perceber que o corpo ele é um instrumento da performance como qualquer tipo de arte, seja dança, artes visuais, teatro, entre outros. Cada arte ou esfera de criação tem o seu sentido, o seu espaço de desenvolvimento criativo e deliberar determinadas ações. É justamente híbrido os afetos que um corpo tem. É pura transformação quando um corpo no espaço transpassa energia com determinada clareza e/ou razão. É com total significância que um corpo da mesma forma que organiza um show enquanto defesa de TCC, produz músicas, realiza a produção independente, compõem esse lugar da performatividade, luta pelos seus direitos, é corpo que reage independente de produções ou demandas pessoais. Mas, quando pensa no corpo que tem seus afetos, que

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busca novos sentidos, cria arte ou performa enquanto sente, traz para a cena os afetos da vida, de certa forma é um corpo vivo, corpo que já entende essa relação, corpo este na cena ou não, transpassa algum significado.

Os afetos híbridos da vida em relação às formas espetaculares da cena performática independente é o que aprendemos e desenvolvemos o que sentimos e desejamos fazer, tendo em vista o valor que tem e o retorno que possa gerar, e visando a real importância das relações que vem a desenrolar durante a performance. Os afetos estabelecidas nestas relações estão localizadas nas profundezas de um determinado fenômeno.

A palavra performance está presente em paradigmas muito diferentes. Nas poéticas verbais, a performance, a voz da performance está relacionada com questões da voz do poema, da voz do poeta e de seus intérpretes. Nas poéticas sonoras, a performance é o acontecimento da execução musical. Performance relaciona-se também aos movimentos corporais ou à velocidade de máquinas, como automóveis ou computadores. Mas é no espaço que a performance tem nos levado a pensar. (CIOTTI. 2014, p. 38)

Na produção independente no qual consiste no show enquanto objeto final, a voz, corpo, espaço, espectador e a vida, tem total ligação quando tratamos de relações, afetos ou lugar de fala. as relações na cena, apresenta uma corporeidade mais inteirada, progenitora de determinadas ações. As relações vão acontecendo de uma naturalidade a uma expressividade momentânea. O corpo que é revelado na produção trata-se de um corpo enraizado e/ou tombado por energias ocultas. Qualquer número, som, palavra, código, símbolo e/ou performatividade no espaço que esteja sendo informado, preste bem atenção, o que mais se ouve no espaço é o som e as relações que vem de baixo para cima ou de dentro para fora.

No show da produção independente, as relações são totalmente integradas. A voz é o afeto principal para a obra, o corpo é instrumento que conduz o movimento, o espaço é a localização que a informação deve ser passada, o lugar é o ponto chave para a reflexão, análise e comunicação após a relação e o espectador é o público que concede a obra espetacular, pois estas relações apresentadas enquanto hibridização na cena de uma produção performática é a chave para uma total integração performática.

O clipe independente que se encontra em fase de edição, apresenta um total exemplo do que é estas relações estabelecidas na cena. A performance vai além de estar cantando uma música e dançando em frente a uma câmera e/ou gravando uma música. A performance está além das imagens que estão cravadas no clipe e projetada enquanto obra única na plataforma Youtube. A performance e toda sua relação está presente na voz, está presente nas

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extremidades, está se transformando dentro da performance, pois segundo o que Naira coloca, a voz vai se relacionar numa determinada forma.

A maneira como o trabalho vai operar com os espectadores é a forma do diálogo e a categoria da voz permite que o corpo possa comunicar-se. A voz, aqui, mais do que fala, é interlocução. É música e silêncio, partes integrantes do meio ambiente. (CIOTTI. 2014, p. 18)

Importante ressaltar o que a professora destaca em seu livro, pois a voz, nessa perspectiva de interlocução, é um vetor de comunicação como qualquer elemento que está envolvido no espaço e que é preenchido por um corpo em determinado lugar. A voz antes de estar sendo colocada em cena pela performer, merece o mínimo de preparação enquanto ser que projeta som no espaço. O corpo mais uma vez é o exemplo de preparação para que esta voz em cena seja altamente bem colocada.

O corpo quando estamos afetado, percebemos diversas mudanças. Mudanças de humor no dia a dia, mudanças físicas, mudanças psicológicas, mudanças de clima natural que afeta o nosso próprio corpo, e tendo em vista que estamos em cena, o corpo quando executa determinadas ações em cena que envolva sua corporeidade vocal, adquire diversos conhecimentos tanto na prática que está sendo executada como na manipulação e domínio da voz.

Quando falamos em corpo, não nos referimos apenas ao corpo do performer e do público, mas também ao corpo de conhecimentos teóricos necessários para poder performatizar, e não representar como um ator faz com seu texto. (CIOTTI. 2014, p. 18)

Nessa perspectiva, podemos compreender o corpo, como um vetor de comunicação. Um corpo que transforma o espaço, um corpo que brinca, um corpo que age, um corpo que interpreta, um instrumento, corpóreo vocal, performático: que busca valores para si, um corpo que tem ciência de suas capacidades e valores a serem alcançados, um corpo que se movimenta e interage em seu próprio espaço, se colocando em cena ocupando seu determinado sua forma de organização, para então, você e seu corpo e/ou o corpo e você, sendo auto trabalhado, podem-se intitular corpos que se conhecem. Conceito o qual posso afirmar que dentro do lugar da performance, um corpo performando o que sente e passando o que vive em seu processo de pesquisa, é um corpo que entende suas próprias questões e individualidade, tornando real sua performance independente.

O lugar da performance e o espaço como vetores de comunicação, são facetas que podem ser manifestadas, trazendo à tona uma variedade de diversas possibilidades que um

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espaço pode receber enquanto performatividade. O lugar da performance caminha justamente por este lugar em que a artista sente se a vontade para performar o que está pensando a partir do que está sentindo e executando enquanto ação. Na performance, as possibilidades que esta linguagem nos oferece, é o espaço de comunicação e politização que vem nos apresentando.

A performance tem a mobilidade que outras linguagens das artes visuais não possuem: atua sobre o espaço de maneira evidente, alterando suas funções. (CIOTTI. 2014, p. 19)

É por este sentido que cada elemento neste meio das artes tem suas próprias relações a serem consideradas. Relações que são vistas e estabelecidas a partir de pontos altamente a serem considerados. Relações estas que ao serem estabelecidas suas determinadas relações, torna-se capaz de pensar e refletir a partir de cada relação que se é estabelecida no espaço do lugar da performance e/ou podemos dizer, lugar de fala.

O espectador vai ver todas estas relações que são apresentadas a partir de uma perspectiva que é justamente aquilo que está sendo performada. Uma visão que é levantada em torno do que se é pensado, enquanto ser humano na sociedade, e que tem sua vida como aquilo que lhe mais é importante. Verdade em pensar em si mesma confiando e aceitando aquilo que lhe é mais real. Entregando o corpo para uma composição independente. Evocando sentidos para movimentos que são apresentadas e oportunizando novas perspectivas e novos olhares para produções que são completamente performáticas e independentes. Mas, quando tratamos de um projeto que parte de uma investigação pessoal e que tem a ciência da importância de falar seus afetos e sua hibridização das formas espetaculares, é defender a ideia que estabelecemos relações com variáveis iniciativas de arte, seja as variáveis linguagens, e/ou diferentes formas e processos de iniciar uma relação performática. Sendo mais clara: Esta hibridização das formas espetaculares e seus afetos são culminantes pontos de partida que influenciam performers a ter iniciativas de produção independente de suas relações estabelecidas.

A vida aqui nestas escrituras tem por afeto o amor de realizar uma obra de arte, seja, videoclipe, músicas, teatro, dança, vídeo dança, entre outras linguagens que venham a ser notificadas. Estas relações que são hibridizadas, são encontradas a partir das relações espetaculares na cena. Relações que acontecem entre as próprias linguagens, ou até

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mesmo nos signos e códigos apresentadas enquanto relações de comunicação, pois cada relação e/ou algum tipo de diálogo que seja realizado é um forma de comunicação.

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UMA PERSPECTIVA A PARTIR DA PRODUÇÃO INDEPENDENTE PERFORMÁTICA.

Meu corpo, meu show: uma pluralidade transformada.

Meu corpo é meu instrumento único de trabalho situada no mundo da produção de arte performática independente, seja atuando, representando, performando, produzindo, aderindo valores pela arte enquanto vetor de comunicação, seja pautando a unidade, veiculando o que for preciso para agir com atitude. Meu corpo é o ponto de partida para cada movimento, sou um ser que faz decupagem no espaço, que entra nos focos de luz, que explora as ideias de produção como uma iniciativa produtiva e não uma atitude que não tenha firmeza no que está propondo. Sou a energia dada em meu próprio corpo, sou a mesma que acaba sendo partículas de energia no universo. Não sou o centro do mundo mais sou o meu centro do mundo, sou o altar que foi feito e criado através desta produção independente performática para ser iluminada. Porque eu sou a minha luz que brilha no espaço.

Meu show sou eu, um corpo único, ideal, em transe, em constante iminência pelos os espaços que posso caminhar. Sou a performance ambulante que caminha pelo espaço, que recebe eu mesma, que me dar espaço para falar no mínimo meu nome e que me convida para tomar um chá se for possível. Sacrifiquei a minha alma pela arte porque isto é o mínimo que ela merece. Minha alma merece todos os sentidos do corpo, merece toda moral por existência, merece o sangue, os ossos, o típico reconhecimento corporal. O meu corpo no meu show neste espaço que fala e tudo diz é meu processo artístico independente performático, é o meu memorial que defendo enquanto trabalho de conclusão de curso, trabalho este que é escrito e performático; é independente, é ​artwork. ​É meu processo artístico de criação.

O papel de um corpo no processo artístico é semelhante ao papel de um corpo em qualquer outro processo. É no corpo onde se sintetizam todos os conhecimentos e experiências da cultura. Inscrito no corpo, estão os sinais de nossa civilização, o estágio em que nossos sistemas comunicacionais se encontram. (CIOTTI. 2014, p. 28)

Meu espaço além de ser um ponto de fuga e espaço de criação é lugar fala, de comunicação. É o lugar que me coloco em estado de prontidão e começo a treinar devidas ações referente ao processo de criação. É deste processo que falarei neste capítulo e detalharei sobre esse corpo no espaço que performa, sob este espaço que é lugar de fala e toma posicionamentos e/ou argumentos importância enquanto militância apresentando a real e crua

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realidade de uma fala. Porém é nesse lugar que é abordada de fato como funciona ou executa levantando uma perspectiva enquanto produção independente performática. Minha vida é arte em meio ao espaço da cena. Meu lugar de fala é um vetor de comunicação, dentro da arte, na cultura, na sociedade opressora em que vivemos; meu lugar de fala é o posicionamento no qual me coloco para culminar discussões e gerar novas reflexões tendo em vista um espaço que gere e movimente esse lugar de discussão e entretenimento dentro de uma perspectiva de produção independente.

Como meu corpo reage a esse espaço de lugar de fala no qual é político, crítico, ideal, que por sua vez, cabe ao posicionamento de fala, apresentar as devidas verdades; é perceber esse espaço como uma pluralidade transformada. É ter ciência do processo de identidade de gênero e a minha realidade enquanto mulher trans durante este processo de produção independente que não é uma produção recente, pelo contrário, a um tempo já vem sendo pensada, justamente em prosseguir nesse caminho da música e performance paralelo a vida e processo de existência, luta e resistência nesta cena.

O show da performer.

Tendo em vista todo este processo de criação performática pertencente a este presente trabalho de conclusão de curso, é por este projeto de arte independente que apresento o processo desse show, que porventura, tem como base inicial, o clipe salinha 3 que é puro exemplo de produção independente performática, e a partir deste ponto tratamos a respeito de falar desta hibridização das formas espetaculares tendo em vista essa perspectiva de produção independente que levantamos e falamos sobre o processo de criação e execução da arte.

Patrícia CZ no Altar é um evento cultural independente, produzido pela artista Patrícia CZ, com o viés de realizar a defesa de TCC - Trabalho de Conclusão de Curso de Licenciatura em Teatro pela UFRN, no La Luna Bar, dia 15 de novembro às 22h, orientada pela Profa. Dr. Naira Neide Ciotti. O show! Fruto da vida e pesquisa da artista, apresenta uma perspectiva a partir da produção independente performática que consiste, como resultado final, o show: completamente autoral e com diversos valores a serem revelados.

Ser som no espaço, é provar do meu Fruto proibido, para ser uma Deusa, subir no altar, fazer amor, sendo bem e mal, pedindo o que eu quero é você e trazendo Revolution. Reconhecendo o valor cultural do evento gratuito, que promove o show como defesa de TCC da artista independente, é de suma significância que convidamos todas as Deusas nesta cidade

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Natal, para apreciar-se deste advento cultural. É com muito prazer que convido você, caro leitor, para acompanhar um pouco mais sobre este processo de criação do show da performer Patrícia CZ no Altar​.

Falar sobre a importância deste evento cultural e todo este processo performático é apresentar para o mundo, tendo em vista a cena potiguar brasileira, uma perspectiva de produção, mas não uma produção qualquer, pelo contrário, apresentar uma obra performática que além de romper com os paradigmas independentes, marca com a cena potiguar e apresenta uma real história de resistência social política e cultural. Ser uma mulher trans, negra e pansexual é se posicionar e realçar este processo de criação que é justamente repaginar o que foi falado aqui neste trabalho e dizer o quanto o contexto de produção independente tem uma importância significante e tem que ser colocada em evidência na cena desta produção, passando a existir um total valor a ser prezado nesta cena e tornar real uma pura pluralidade transformada.

Tanto no processo do show como no processo de escrita de TCC, ambos tiveram toda uma construção de base, uma unidade a serem desenvolvidas, partindo das referências levantadas para a construção deste trabalho, análises e reflexões para então prosseguir com a pré produção, produção, e pós produção, levando em consideração a idealização do projeto e sua execução que é colocada em prática tudo o que foi planejado.

Falar deste processo de criação tendo em vista toda a prática desta produção, é colocar em evidência todo este projeto que está sendo executado. Após idealizar e planejar toda esta produção, o show ele também foi pensado e construído a partir do livro escrito por Renato Cohen, intitulado work in progress na cena contemporânea, que por sua vez, dado o conceito de storyboard, o processo de criação caminha por uma compreensão e sincronicidade levando em consideração esta hibridização das formas espetaculares na cena que segundo o conceito dado por Renato Cohen em seu livro, a hibridização tem como porventura dar início a uma forma de produção.

Procedimento principal da textualização/encenação, a hibridização, resulta da intersecção de significações/cenas formando um corpo único sem característica de collage. Essa operação, chave do work in progress, enquanto encadeamento de leitmotive e estruturas, envolve fechamento cênico, gestualidade, movimento e trabalho expressivo dos performers. (COHEN. 1998, p. 44)

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Tendo em vista esta relação com o conceito de storyboard pesquisado por Renato Cohen, tornando-se fundamentação teórica para este presente trabalho caminhando por meio da criação e elaboração do roteiro do show a ideia de construção do roteiro se encaminha por uma sequência de performances tendo em vista cada música autoral da cantora que é cantada no show. No show, houve uma superprodução em volta dando todo suporte para tudo acontecer. Tive o apoio de Wanilson Paixão no qual contribuiu com o roteiro do show. Pedro Silvan que colaborou com a montagem da cenografia, direção do show, e na execução desta produção. Geisla Blanco que fez minha maquiagem para o show e emprestou roupa juntamente com Franco para compor o meu figurino. E tive o prazer de está cantando ao lado de músicos importantes como Neto, Patrick e Matheus, onde tive a honra de dividir o palco e performar essa história independente inclusive com o público que não parava um minuto de curtir o som.

O roteiro do show, tem como sequência as músicas; ● Abertura.

● Salinha 3.

● Trance Revolution. ● O que eu quero é você. ● Bem e Mal.

● Fazer Amor. ● Altar.

● Seja só uma Deusa. ● Me conectar.

● Meu Fruto Proibido.

A ideia do clipe como proposta que além do show também apresenta uma hibridização das formas espetaculares na cena performática, tem como porventura ser o ponto chave inicial desta pesquisa, pois dentro de uma perspectiva que comprova mais uma produção independente performática que por sua vez, também traz como resultado final o show enquanto produção independente, o clipe ele vem para apresentar e gravar como registro na rede digital através da plataforma de stream do Youtube que acaba funcionando como uma forma de registrar a arte enquanto produto. O clipe de salinha por sua vez, teve todo o seu processo de idealização, pré produção, e ainda se encontra em processo de

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execução na constante parte em que a edição é trunfo final para obra está pronta e ser divulgada na plataforma de destino.

Para esta produção do clipe salinha 3 contei com a Direção e Produção: Diógenes Nóbrega; Direção de Fotografia: Gois; Fotografia: Giulia Campos; Assistente de Produção: Yury Kenned; Roteiro: Diógenes Nóbrega, Gois; Giulia Campos; Patrícia CZ; Artista Performer: Patrícia CZ; Compositoras: Helena Saltoris; Jonas Araújo; Patrícia CZ; Pedro Silvan; Gravadora: Sblackestudio produções; Cabelo: Aisha Lemos; Coreografia: Tato Takai; Edição e Montagem: Gois; Giulia Campos; Styling: Produção Coletiva; Maquiagem: Salésia Paulino; Bailarinos: Helton Farias; Patrícia CZ; Rodrigo Carlos; Saulo de Sousa; Yorran Jordy;

O primeiro dia de gravação do clipe aconteceu na escadaria do Ginásio Poliesportivo do Departamento de Educação Física no dia 2 de novembro em pleno feriado de finados entre 14h às 17h, pois durante estas horas de gravação as cenas que eram gravadas e tiradas imagens para compor o corpo do registro do videoclipe salinha 3, as interações que iam se estabelecendo entre a própria produção é resultado de uma importante obra de arte. Por questão de tempo e tempo e paciência são fatores essenciais em uma produção, a produção de gravação, direção e filmagens entraram em acordo para lançar o clipe no final do mês de novembro, onde o olhar crítico sobre a obra visual deve ser bem observada e enquanto obra de arte, o produto tem que transparecer uma verdadeira obra de fixação.

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IMAGEM 3 - ​Fotografia retirada na escadaria do ginásio da UFRN no primeiro dia de gravação do clipe

“Salinha 3;

Como o primeiro dia de gravação se concebeu no sábado de finados, o segundo dia de gravação aconteceu no dia 3 de novembro, em pleno domingo onde nos encaminhamos para o bairro de Ponta Negra, praia de Natal, onde nos encontrávamos na casa de uma das pessoas da produção para nos organizar para se arrumar e nos direcionarmos para a casa do nosso amigo Saulo onde foi gravado e representada visualmente as cenas da salinha 3, onde consecutivamente as cenas principal do história do enredo do vídeo clipe conta.

Como jogo de marketing era lançar o videoclipe antes do evento Patrícia CZ no altar que aconteceu dia 15 de novembro no La Luna Bar, e se tivesse terminado a tempo, todo o planejamento do presente trabalho estaria vivo frente às mídias e plataformas digitais. Nem sempre as atividades funcionam como planejamos. Às vezes nos preocupamos demais e martirizamos demais os nossos pensamentos por algo ou determinada coisa que você imaginamos e/ou deduzimos que não vai dar certo, porém, mesmo as formas não dando certo ou não funcionando como o planejado, a melhor resposta ou caminho a tomar, é analisando o meio de produção e encaminhando suas devidas ações com atitude.

Dada as gravações do clipe finalizadas, a edição fica sob fase de execução e o clipe sob espera pra lançamento. A performance final tanto enquanto obra artística como parte final de trabalho escrito de conclusão de curso se encaminham para um fim onde o resultado final desta investigação é o próprio prazer pelo processo de criar e desenvolver a parte artística de Tcc.

Neste show pude contar com o próprio La Luna bar onde se encarregaram de contribuir o máximo possível para que esta produção acontecesse. Dada vista para o projeto que se concretiza no próprio espaço do La Luna, as donas do Bar, se encarregaram de encaminhar os ofícios do evento para a FUNCARTE, SEMSUR, SEMURB, corpo de bombeiros, polícia, urbana, entre outros setores que ficam encarregados de receber ofícios para que se regularizem as devidas burocracias dadas para liberação de espaço para realização da festa. Nessa perspectiva, tendo vistas todas demandas entregues, Shirley, encarregada do espaço, se prontificou de contratar banheiros para acomodação do público e pegar na SEMURB a autorização que concede o espaço liberado para realização do evento.

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IMAGEM 4 - ​Fotografia criada por Alessandro Silva para o evento “Patrícia CZ no Altar”;

Em relação aos ensaios para o show, um dos ensaios aconteceu na sala C, do Departamento de Artes, e os outros consecutivamente passaram a acontecer no DCE, por questões de confusão por sala no departamento de artes, os ensaios passaram a fluir melhor neste outro espaço. O DCE foi umas das melhores soluções já pensada e realizadas para ensaiar o show da performer.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Todavia, chegar até este momento em que levanto uma perspectiva a respeito sobre produção independente performática apresentando toda pesquisa e deixando por escrito enquanto registro final, um material coberto de informações e fontes em que a arte apresenta seu verdadeiro valor, é compreender o quanto uma discente em formação pode mostrar sua arte e performar sua vida tal qual como ela é.

Defender este trabalho é honrar com a arte por um caminho em que nos vemos artistas, porém nos formamos professores de teatro, vivemos e/ou estudamos. Se deixarmos de cuidar de nós mesmas, adoecemos e as produções não são as melhores, e se as mesmas não significam nada, o que é a artista e suas meras obras de artes? Ser artista é dar valor a si, é perceber a si mesma e saber a artista que é. Enxergar sua própria obra de arte é deslumbrar de suas vivências e aprendizagens adquiridas na universidade. É ver enquanto produto a arte se eclodindo no espaço e tomando uma proporção de expansão.

Ter que enfrentar todas as dificuldades da vida e acabar atrasando o curso por questão de lógica foi a melhor saída. O teatro me fez perceber um mundo artístico diferente, complexo e imerso. Um universo que a artista se vê, olha para seu reflexo, para, pensa e percebe que no momento a carreira acadêmica na minha perspectiva não é o melhor lugar de representação. O palco é o lugar mais propício para este lugar da performatividade onde venho encaminhando minhas pesquisas e descobertas.

Ser artista do mundo, é compreender que o meu lugar é o palco, é este espaço onde abro para o diálogo e apresento todas as facetas que venho desenvolvendo. Caminho pela performance porque eu sou a própria. Sinto o corpo como potencializador da produção. Enxergo a autonomia como uma forma de atitude dada a ação que venha a ser desenvolvida diante toda a produção.

Realizar todo este show, contextualizar toda esta produção, alavancar toda esta escrita, evidenciar todos os caminhos tomados para a realização da produção, verificar o acarretamento de todo evento Patrícia CZ no altar, e proliferar toda energia da Deusa para dádiva e composta obra de arte que venha ser desenvolvida, é afirmar que apenas um segredo é a chave para toda esta e qualquer outra história de artista independente performática.

O segredo é seguir o fio da meada e entregar para a alma a potência que carregamos quando pensamos em realizar uma produção e trabalhamos para acontecer. Independente da formação que sairei, através desta conclusão de curso, a arte que carrego em minha alma e

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