UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA
RAQUEL DA SILVA FERREIRA
ATIVIDADE PSICOMOTORA EM IDOSOS – UMA REVISÃO NARRATIVA
NATAL 2019
RAQUEL DA SILVA FERREIRA
ATIVIDADE PSICOMOTORA EM IDOSOS – UMA REVISÃO NARRATIVA
Trabalho de conclusão de curso apresentado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte, para obtenção do título de Bacharel em Educação Física. Orientador: Patrick Ramon S. Coquerel.
NATAL 2019
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI
Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Central Zila Mamede
Ferreira, Raquel da Silva.
Atividade psicomotora em idosos: uma revisão narrativa / Raquel da Silva Ferreira. - 2019.
17 f.: il.
Monografia (graduação) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciências da Saúde, Curso de Educação Física, Natal,
RN, 2019.
Orientador: Prof. Dr. Patrick Ramon Stafin Coquerel. 1. Psicomotricidade - Monografia. 2. Idosos - Monografia. 3. Envelhecimento - Monografia. 4. Gerontomotricidade - Monografia. I.
Coquerel, Patrick Ramon Stafin. II. Título.
RN/UF/BCZM CDU 159.943
RESUMO
O envelhecimento populacional traz impactos em várias vertentes da sociedade e requer estudos e intervenções que atendam esta realidade para que haja a possibilidade de uma senescência mais saudável. A psicomotricidade vem sido estudada no contexto senil por ser uma ciência que abrange o aspecto motor, afetivo e psíquico, os quais sofrem alterações no processo de envelhecimento. Nesta perspectiva o presente estudo trata-se de uma revisão narrativa que objetivou investigar o que a literatura, dos últimos dez anos, traz a respeito da atividade psicomotora (incluindo a psicomotricidade) e o público idoso no período de 2009 a 2019. Fez-se uma pesquisa bibliográfica nas seguintes bases de dados: Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Eletronic Library (Scielo) e Pub Med todas em periódicos de língua inglesa e portuguesa. Os 12 artigos selecionados na busca eletrônica apontaram diferentes instrumentos metodológicos para avaliar a atividade psicomotora, e foram distribuídos nas seguintes categorias: 1) marcha e velocidade psicomotora, 2) idosos institucionalizados, 3) sistema endócrino e imunológico e 4) retrogênese. A maioria dos estudos encontrados fizeram referência à marcha e velocidade psicomotora, porém nenhum analisou a psicomotricidade em detrimento à qualidade sensório-motora do indivíduo senil nem às desordens no equilíbrio considerando o sistema vestibular por exemplo. Conclui-se que as pesquisas convergem no que diz respeito ao benefício das atividades psicomotoras na melhora da qualidade de vida da pessoa idosa, porém é necessário melhores critérios metodológicos e um maior aprofundamento na relação entre a psicomotricidade, a sociabilidade, afetividade e auto-imagem.
ABSTRACT
Population aging brings impacts to various levels of society and requires studies and interventions that address this reality for the possibility of a healthier senescence. Psychomotricity has been studied in the senile context because it is a science that encompasses the motor, affective and psychic aspects, which undergo changes in the aging process. In this perspective the present study is a narrative review that aimed to investigate what the literature of the last ten years brings about the psychomotor activity (including psychomotor) and the elderly public in the period from 2009 to 2019. It was done a bibliographic search in the following databases: Latin American and Caribbean Literature in Health Sciences (LILACS), Scientific Electronic Library (Scielo) and Pub Med all in English and Portuguese language journals. The 12 articles selected in the electronic search pointed different methodological tools to evaluate psychomotor activity, and were distributed in the following categories: 1) psychomotor gait and speed, 2) institutionalized elderly, 3) endocrine and immune system, and 4) retrogenesis. Most of the studies found were related to gait and psychomotor speed, but neither analyzed the psychomotricity to the sensory-motor quality of the senile individual nor to the disorders in the balance considering the vestibular system for example. It is concluded that the researches converge regarding the benefit of psychomotor activities in the improvement of the quality of life of the elderly person, however, it is necessary to have better methodological criteria and a deeper understanding of the relationship between psychomotricity, sociability, affectivity and self-image.
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INTRODUÇÃO
De acordo com o último censo realizado, nos últimos 10 anos o Brasil ganhou 8,5 milhões de cidadãos acima dos 60 anos (IBGE, 2011). Essa parcela da população deve chegar a 38 milhões em 2027. Este aumento no contingente de idosos implica também em mudanças no perfil epidemiológico da população, com alterações relevantes nos indicadores de morbimortalidade. Durante o processo de envelhecimento há uma diminuição crescente da capacidade funcional com impacto nas atividades de vida diária. Dentre as alterações presentes, estão os déficits cognitivos e do sistema músculo esquelético que alteram a precisão e qualidade do movimento humano, além da mudança na percepção que o indivíduo tem de si mesmo, mudanças no contexto familiar e social que modificam o idoso tanto no psíquico quanto na motricidade e afetividade. Portanto, vê-se a necessidade de integrar abordagens psicomotoras, que envolve tais áreas mencionadas, para a realização dos movimentos funcionais e atividades mais elaboradas (BORGES, 2010).
Nesse contexto pode-se citar a psicomotricidade a qual abrange vertentes motoras e emocionais como referido no artigo intitulado “Psicomotricidade e Envelhecimento” escrito pela psicomotricista Cacilda Gonçalves Velasco, publicado no site da Associação brasileira de Psicomotricidade:
A Psicomotricidade situa a atividade humana como um investimento global da personalidade (da pessoa em ação). As modificações tônicas, as posturas e os movimentos são significantes da sua história pessoal, das suas representações, das suas vivências tônico-emocionais e do seu imaginário. A prática psicomotora é unificadora, porque liga a expressão corporal e a atividade mental, o real e o imaginário e o corpo no espaço e no tempo. (VELASCO, 2018, n.p)
O termo “psicomotricidade” surge no século XX com o neurologista francês Dupré que rompeu com o conceito anátomo-clínico, percebendo que as debilidades motoras não são necessariamente atribuídas a um dano ou lesão extrapiramidal e teceu a noção de psicomotricidade por meio de uma linha filosófica neurológica a qual considerou a psicomotricidade, inteligência e afetividade (LEVIN, 2002, p. 24).
Para Fonseca (1998), a psicomotricidade gera um envelhecimento mais digno por produzir um efeito preventivo ao conservar o tônus funcional, melhorar a imagem que se tem do
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corpo, conservar a mobilidade postural, organização espaço-temporal, integração entre praxias ideomotoras e extensão destas promovendo a funcionalidade e independência do idoso.
Segundo Costa et al. (2012) as atividades psicomotoras têm como meta a manutenção das capacidades funcionais, aperfeiçoar o autoconhecimento, além de proporcionar um melhor desempenho nas atividades de vida diária e eficácia das ações. Embora haja comorbidades comuns à maioria dos idosos é importante considerar a variabilidade na classificação da condição de incapacidade, tanto na parte física, cognitiva quanto na área afetiva/emocional.
Sobre essas transformações comuns ao processo de envelhecimento, Kirkwood (2005) considera que o início da velhice pode ser o ápice do desenvolvimento humano, porém esta fase coincide com a ausência de mecanismos poligenéticos protetores e reparadores que até então estavam presentes. Isso coincide com a teoria da retrogênese. Borges et al. (2009) revisaram o conceito de retrogênese no envelhecimento e na doença de Alzheimer. Sobre isso, Fonseca (1998) destaca no livro Psicomotricidade: filogênese, ontogênese e retrogênese uma teoria cerebroendócrina que diz que a retrogênese é gerenciada por genes que iniciam e conduzem todo o processo. Embora cada tópico contextualizasse a doença de Alzheimer, os autores fizeram várias considerações relevantes para compreensão da temática do envelhecimento e a psicomotricidade, entre elas:
Quando nascem, portanto, os seres são predominantemente “motores”. A partir dessas aquisições motoras e do desenvolvimento, que incluem o desaparecimento dos reflexos primitivos, a normalização do tônus, a aquisição do controle postural (e assim por diante), a cognição vai se desenvolvendo a ponto de, para a realização de atividades motoras mais complexas, torna-se necessário um conhecimento prévio daquela atividade. Essa potencialidade é conseguida por meio da cognição, que também permite o conhecimento do corpo e a noção espaço-temporal, ingredientes necessários para a aquisição das praxias. As praxias correspondem a última aquisição psicomotora a ser amadurecida (BORGES et al., 2010, p.5).
Logo, esta forte relação da psicomotricidade com a eficácia das ações, da capacidade funcional e do conhecimento de si, somado a todo contexto do processo de envelhecimento, mostra a pertinência do desenvolvimento de estudos que abranjam essa temática e alcancem este público tão crescente. Neste trabalho, este assunto relevante será alicerçado pela pesquisa qualitativa sobre a qual Thomas, Nelson e Silverman (2012, p. 374) abordam no livro Métodos de Pesquisa em Atividade Física:
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A pesquisa qualitativa não tem as hipóteses preconcebidas que caracterizam a quantitativa. O raciocínio indutivo é enfatizado, de forma que o pesquisador busca desenvolver hipóteses a partir de observações. O foco está na “essência” dos fenômenos. O pesquisador deve exibir sensibilidade e boa percepção ao coletar e analisar os dados. (THOMAS; NELSON; SIVERMAN, 2012, p. 374)
Diante desta perspectiva esta revisão tem por objetivo analisar o acervo bibliográfico encontrado em busca eletrônica referente à atividade psicomotora e o envelhecimento, buscando descrever as abordagens de cada estudo e esquematizar considerações relevantes dos trabalhos selecionados. Neste propósito, o que a literatura tem abordado sobre a atividade psicomotora e a psicomotricidade em idosos no período compreendido entre 2009 e 2019?
Segundo Thomas, Nelson e Silverman (2012) as revisões de literatura otimizam o estímulo do raciocínio indutivo, além do acadêmico poder encontrar toda a literatura que aborda determinada temática e ainda desenvolver a síntese de todo acervo relevante sobre o tema pesquisado. Através da revisão pode-se explicar fenômenos e identificar metodologias diferentes sobre o mesmo assunto e comparar os resultados.
METODOLOGIA
Foi realizada uma revisão bibliográfica abrangendo os estudos em português e inglês, nas bases de dados Literatura Latino Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Eletronic Library (Scielo) e Pub Med, que contivessem no título e/ou resumo as seguintes palavras-chave: elderly (idosos); aging (envelhecimento); psychomotricity (psicomotricidade), gerontomotricity (gerontomotricidade) e psychomotor (psicomotor). Tais palavras foram combinadas em pares com o descritor boleano and (e), exceto gerontomotricidade, cuja busca foi pelo termo único, já que o termo agrega em si a junção.
A pesquisa e obtenção dos artigos para leitura e análise foram realizadas entre março e maio de 2019, já a escrita da presente revisão nos meses de março a junho de 2019. A partir dos artigos obtidos, foram avaliados os textos completos dos artigos incluídos no estudo e suas listas de referências bibliográficas foram verificadas de forma independente para identificar prováveis artigos que pudessem ser incluídos até então, não encontrados na busca eletrônica.
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RESULTADOS E DISCUSSÃO
A busca eletrônica resultou em 12 estudos, após a eliminação dos artigos repetidos, sendo 10 da base Pub Med onde inicialmente 101 foram encontrados por combinação entre psychomotor e
elderly, desses, 86 estudos foram excluídos por tratarem de assuntos fora da temática, em sua
maioria fármacos e seus efeitos na cognição de idosos. Já utilizando psychomotor e aging foi encontrado 1 estudo (Era et al., 2011) e em todas as buscas se utilizou o descritor boleano AND. Foram selecionados 9 artigos na base Pub Med com o termo psychomotor, mas apenas os estudos de Mosor et al. (2019) e Rodríguez-Aranda et al. (2011) estavam disponíveis na íntegra em língua inglesa, os demais apresentavam apenas o abstract (resumo). Já a combinação de
pschomotricity e elderly resultou em 1 artigo na Pub Med cujo texto completo estava disponível
em língua portuguesa. Na base da Scielo foi selecionado 1 artigos, na Lilacs 1 artigo. Os resultados dos estudos estão resumidamente expostos na tabela 1.
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Em todas as bases eletrônicas pesquisadas o número de estudos contendo psychomotor
AND elderly se mostrou muito maior do que ao se utilizar psychomotricity AND elderly. A
palavra “psicomotor” permite um maior número de possibilidades de resultados de busca visto que por ser um adjetivo submete-se a modificar/caracterizar substantivos gerando combinações tais como: velocidade psicomotora, desenvolvimento psicomotor, resposta psicomotora dentre outras. Já “psicomotricidade” diz respeito a um substantivo que se caracteriza por denominar algo em sua totalidade, neste caso um conceito/ciência, que de forma autossuficiente se estabelece sem necessitar de caracterização, principalmente pela área de conhecimento ser de origem francófona, logo uma questão de linguagem.
Embora a psicomotricidade englobe em seu conceito a afetividade, a maioria dos estudos abordaram mais temas relacionados à motricidade, exceto Banzatto et al. (2015) que apresentou em seu estudo um tópico específico sobre a contribuição das atividades psicomotoras para o emocional do paciente, como confirma o estudo de revisão de Costa et al. (2012), o qual relata que otrabalho psicomotor tem a função de permitir a vivência do corpo na integração de três importantes dimensões: a motora-instrumental, a emocional-afetiva e a práxico cognitiva.
A análise dos textos permitiu o agrupamento dos estudos em 4 categorias: 1) marcha e velocidade psicomotora (Era et al. (2011); Costa et al. (2012); Santos et al. (2014); Tabue Teguo et al. (2015); Marivan et al. (2016); Kuate-Tegueu et al. (2017)); 2) idosos institucionalizados (Banzatto et al. (2015); Pereira et al. (2018); Mosor et al. (2019)); 3) sistema endócrino e imunológico (Luthringer et al. (2009); Kao et al. (2011)); 4) retrogênese (Rodríguez-Aranda et al. (2011).
Sobre marcha e velocidade psicomotora, a marcha é um ato motor que envolve vários sistemas os quais no processo de envelhecimento sofrem alterações importantes. Santos et al. (2014) relataram que os princípios da psicomotricidade são facilitadores da execução de movimentos e controle postural, importantes para a marcha, sendo aplicados tanto no solo quanto em meio aquático.
Em um estudo realizado na Clínica Escola de Fisioterapia da Universidade Federal da Paraíba, Santos et al. (2014) avaliaram o desempenho da marcha em 15 idosos praticantes de psicomotricidade os quais além das atividades psicomotoras na água e solo, responderam aos seguintes questionários pré e pós intervenção: Performance Oriented Mobility Assessment I (POMA), o qual avalia o equilíbrio e marcha, e o Miniexame de Estado Mental (MEEM) para rastrear possíveis déficits cognitivos. A média do desempenho de atividades relacionadas à marcha foi de 11,6 na primeira avaliação e de 15,5 na segunda. Depois da prática de atividades
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psicomotoras, foi observada uma melhora significativa no desempenho das atividades relacionadas à marcha, porém irregularidades na altura e continuidade do passo, bem como o desvio da linha média persistiram. Já Costa et al. (2012) investigaram se o nível de qualidade de vida na terceira idade é influenciado pela prática dos exercícios psicomotores e para tal, avaliaram por meio da escala de Berg e o questionário WHOQOL-brev (avaliação do equilíbrio e qualidade de vida respectivamente) um grupo de 40 idosos nos quais 20 eram ativos e 20 inativos. Observaram que os ativos (praticantes das atividades psicomotoras) tiveram um melhor equilíbrio e melhor pontuação em relação à qualidade de vida, os autores também relacionaram a importância da abordagem psicomotora para prevenção de quedas.
Tabue-Teguo et al. (2015) em um estudo de coorte na França com duração de 7 anos com 1.365 indivíduos (65 a 95 anos), realizaram uma pesquisa peculiar em relação a marcha: investigar a relação entre a caminhada e velocidade psicomotora com a capacidade dessas variáveis predizerem a morte em idosos, avaliando o risco de declínio cognitivo atribuível a fatores de risco vascular. Os participantes fizeram uma bateria de testes cognitivos e o Trail
Making Test A (teste de trilha), neste último foi cronometrado o tempo de realização do teste
fazendo uma correlação com a velocidade psicomotora e o caminhar. O tempo de realização do teste de trilha e o de caminhar relacionou-se com comorbidades clínicas associadas e a velocidade de realização do teste sofreu influência principalmente da função cognitiva. Porém, foi verificado que a velocidade do teste de trilha e o andar são preditores independentes de morte após sete anos de acompanhamento.
Kuate-Tegueu et al. (2017) realizaram um estudo longitudinal de 12 anos com 1.265 participantes para determinar o risco de demência e comprometimento cognitivo atribuível a fatores de risco cardiovascular. Assim como no estudo citado anteriormente foi utilizado uma bateria de testes cognitivos incluindo o tempo para completar o Trail Making Test A, além de um teste de velocidade da caminhada. Os achados mostraram que tanto a diminuição da velocidade da marcha e velocidade psicomotora estavam independentemente associadas ao risco de doença de Alzheimer e demência vascular. Não foi observada nenhuma diferença significativa entre a velocidade da marcha e a velocidade psicomotora.
Era et al. (2011) também avaliaram a velocidade psicomotora em um estudo realizado na Finlândia com uma amostra de 7.979 indivíduos a partir de 30 anos até idosos de 80 anos ou mais. Algo interessante nesta pesquisa foi a avaliação do tempo de reação considerando a idade, o sexo e a escolaridade. Houve um declínio significativo tanto no tempo de reação, quanto na duração do movimento (foi menor nos homens do que nas mulheres em todas as faixas etárias) e,
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quanto à escolaridade, tanto nos grupos mais jovens, quanto nos de meia idade, os indivíduos com maior escolaridade se mostraram mais rápidos que os menos escolarizados.
Através deste estudo observou-se também que durante o envelhecimento o declínio da velocidade psicomotora ocorre em idade bastante jovem e acelera aproximadamente aos 70 anos. Outro fato relevante é que a educação e as diferenças sócioeconômicas , podem modificar o que foi observado entre indivíduos mais jovens e mais velhos. Os resultados confluem para a necessidade da separação do tempo de decisão e do tempo de movimento nos testes de velocidade psicomotora, quando são analisadas as diferenças entre os grupos etários e sexos diferentes.
Marivan et al. (2016) foram mais a diante neste assunto ao avaliarem, em um estudo piloto, o treinamento com realidade virtual para reabilitação de quedas em idosos. Participaram 8 idosos com idade de 75 anos ou mais, os quais realizaram um treinamento com realidade virtual com terapeutas psicomotores. Foram avaliadas a viabilidade e aceitabilidade das sessões com realidade virtual. Os participantes aderiram bem a terapêutiva vivenciada. O trabalho sugere um próximo estudo para mostrar a eficácia desse método no pós-queda.
Acerca de idosos institucionalizados, três estudos abordaram sobre a atividade psicomotora, nesses, dois destacaram a interface afetiva da psicomotricidade, enquanto o outro contemplou a parte cognitiva e motora. Pereira et al (2018) através de uma intervenção psicomotora de 10 semanas em idosos residentes de uma ILP (Instituição de Longa Permanência) realizou exercícios psicomotores multimodais e observou melhora na capacidade de planejamento, atenção seletiva e função física.
Banzatto et al. (2015) analisaram em idosos de uma instituição a percepção deles sobre as atividades psicomotoras realizadas, benefícios, sensação percebida após as atividades, importância da fisioterapia e contribuição da psicomotricidade para o emocional. O estudo foi de natureza descritiva por meio de entrevista e, de acordo com os dados coletados, foi dividido em temas: “percepção dos benefícios das atividades psicomotoras”, “sensação percebida após as atividades psicomotoras”, “percebendo a importância da fisioterapia” e “contribuição das atividades psicomotoras para o emocional do paciente”. No geral a amostra de 18 indivíduos relatou que a prática dos exercícios psicomotores melhora o estado emocional, aumenta o prazer ao exercício, melhora a qualidade de vida, autonomia e condição para enfrentar as limitações além de ser para muitos, revigorante.
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A atividade psicomotora no estudo de Mosor et al (2019) tratou a parte afetiva através de uma abordagem intergeracional. Idosos institucionalizados (54 a 96 anos) e crianças de um jardim de infância (2 a 7 anos) interagiram através de atividades psicomotoras, as quais incluíam materiais de diferentes texturas, formas e cores para estimular a criatividade, priorizando o contato mútuo entre os participantes. Foram observadas as expressões faciais durante as atividades e iniciativa do contato intergeracional. No geral, foi percebida uma boa interação entre os participantes e muitas habilidades foram desenvolvidas.
Um idoso institucionalizado pode estar mais susceptível a alterações emocionais e a psicomotricidade e interação psicomotora alcança essa necessidade. As tomadas de decisão que levam a uma ação motora (não automatizada) não são isentas de uma interpretação psíquica prévia guiada por determinado sentimento ou emoção. É relevante considerar a importância da atividade psicomotora no âmbito emocional como disseram Costa et al. (2012):
Ressalta-se que, do ponto de vista psicomotor, deve-se considerar que essa propriedade motora do movimento não traduz fielmente a intencionalidade do movimento humano. Como se sabe, toda atividade humana está impregnada de afetividade e outorga sentido prático a qualquer realização motora. Nesse sentido, o objetivo do trabalho psicomotor é assegurar a vivência do corpo na integração de três importantes dimensões: a motora-instrumental, a emocional-afetiva e a práxico-cognitiva (SANTOS et al., 2014, p. 620). Quanto aos sistemas endócrino e imunológico, as pesquisas sobre a atividade psicomotora em idosos não se restringem a tríade motora-comportamental-afetiva, estudos vêm mostrando relações com outros sistemas. Kao et al. (2011) estudaram a relação dos efeitos da liberação da melatonina no desempenho psicomotor de idosos. Foram administrados 2 mg de melatonina em idosos diagnosticados com insônia primária com idade igual ou superior a 55 anos. O desempenho psicomotor foi avaliado pelo Leeds Psychomotor Test e houve uma melhora significativa na latência do sono e no desempenho psicomotor comparado ao grupo placebo.
Já Luthringer et al. (2009) examinaram a associação entre a contagem de leucócitos com o desempenho cognitivo psicomotor em idosos, o qual foi avaliado pelo teste de substituição de símbolos por dígito, que consiste em converter símbolos em forma de figura geométrica por números. O número de glóbulos brancos está associado a muitas doenças inflamatórias, como doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão. Foi concluído que contagens de leucócitos mais altas, mesmo dentro da faixa normal, foram associadas a baixo desempenho cognitivo psicomotor em idosos. É importante pesquisar esta relação do envelhecimento e a imunidade, pois há uma redução na capacidade fagocitária e oxidativa de neutrófilos na “imunosenescência” conforme descreveu Chan et al. (2009).
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A respeito da retrogênese, segundo Fonseca (1998), no decorrer do processo de envelhecimento ocorre uma regressão psicomotora na qual acontece a deterioração das propriedades e funções dos fatores psicomotores. É relevante destacar que essa fase pode ser melhor aproveitada quando se adota, desde as outras fases da vida, hábitos saudáveis os quais não se resumem apenas a prática de atividade física e/ou uma boa alimentação: bons relacionamentos, manter uma boa visão de si mesmo, o bem-estar social, e o modo como o indivíduo interage com o mundo, também são questões a serem observadas para uma boa condição de saúde.
A “involução” que ocorre na retrogênese pode ser observada também em alterações na fala como foi observado por Rodríguez-Aranda et al. (2011) que analisaram em que medida as alterações psicomotoras e cognitivas influenciam a lentidão relacionada à idade na geração da fala em idosos saudáveis. Foi demonstrado que as diferenças relacionadas à idade no vocabulário e na execução psicomotora influenciam significativamente na desaceleração da produção da fala. É interessante observar a confluência/similaridade da teoria da retrogênese com a psicomotricidade, pois ambas consideram a cognição, funcionalidade e o comportamento emocional.
Embora vários estudos dentre os selecionados tenham citado a marcha e equilíbrio, nenhum deles contemplaram a atividade psicomotora ou abordaram o conceito de psicomotricidade considerando uma avaliação sensório-motora (SOUZA et al., 2005) ou do sistema vestibular (o estudo de Mosor et al. (2019) abordou na metodologia atividades psicomotoras sensoriais, mas não as destacou na discussão).
O envelhecimento pode comprometer a habilidade do sistema nervoso central em processar os sinais vestibulares, visuais e proprioceptivos responsáveis pela manutenção do equilíbrio corporal, diminuindo a capacidade de modificações dos reflexos adaptativos. Tal processo degenerativo é responsável pela ocorrência de vertigem e/ou tontura e de desequilíbrio na população geriátrica, sendo este um dos principais fatores que limitam a vida do indivíduo idoso (RUWER et al., 2005, p. 299).
Como limitação dessa pesquisa pode-se citar o baixo número de estudos encontrados com o termo psychomotricity, talvez devido a uma questão linguística: a base Pub Med por exemplo, é de origem inglesa e a palavra psicomotricidade de origem francesa, psicomotricité. Daí a discrepância entre o número de artigos, a escola behaviorista não usa linguagem européia, sendo apenas 1 estudo com o termo psychomotricity e 101 com o termo psychomotor. Outra limitação foi a não disponibilidade de um número considerável de textos completos, pois dos 11 estudos
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encontrados na Pub Med apenas 3 continham o texto na íntegra os demais foram incluídos pela leitura do abstract.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base nesta revisão, conclui-se que a atividade psicomotora e a senilidade, contribuem positivamente em áreas relevantes que são fragilizadas pelo processo de envelhecimento: motora, psíquica e afetiva. Além disso, outras linhas de pesquisas vêm sendo estudadas como os estudos que relacionaram o desempenho das atividades psicomotoras com a regulação do sistema endócrino através da administração de melatonina, e a relação com o sistema imunológico pela contagem de leucócitos, o que é relevante devido as mudanças no ciclo do sono de muitos idosos, e por estes estarem mais sujeitos a indicadores inflamatórios pela baixa imunidade e comorbidades associadas (CHEN et al., 2009; LUTHRINGER et al., 2009). A psicomotricidade como ciência foi pouco comentada pela carência de acervo para a busca eletrônica com este termo devido possivelmente ao aspecto francófono. Embora grande parte dos estudos tenham relacionado a psicomotricidade com o equilíbrio, nenhum deles consideraram as alterações vestibulares ou sensitivas que tem grande influência no equilíbrio, aspecto social e emocional do idoso. Diante disso, sugere-se estudos que relacionem a psicomotricidade com a avaliação sensório-motora e vestibular com uma abordagem psicomotora para este fim.
O presente estudo identificou uma barreira na busca eletrônica devido a questões de linguística importante de ser considerada em uma análise bibliográfica, apontou áreas de pesquisas diversificadas no que diz respeito a atividade psicomotora, identificou a necessidade de mais pesquisas serem realizadas contemplando de maneira uniforme os benefícios da psicomotricidade, principalmente no que se refere ao aspecto emocional e sensitivo. Nesse sentido, tendo em vista a importância da psicomotricidade na melhora da qualidade de vida da população idosa, torna-se necessária a ampliação de estudos cuja metodologia considere as necessidades do idoso de forma mais específica como também precocemente, a fim de que este idoso envelheça com uma maior qualidade possível no âmbito cognitivo, motor e emocional.
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REFERÊNCIAS
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