AVALIAÇÃO EXTERNA DAS ESCOLAS

Texto

(1)

Relatório

Agrupamento de Escolas

de António Alves Amorim,

Lourosa

S

ANTA

M

ARIA DA

F

EIRA

A

VALIAÇÃO

E

XTERNA DAS

E

SCOLAS

Área Territorial de Inspeção

do Norte

2013

(2)

1

I

NTRODUÇÃO

A Lei n.º 31/2002, de 20 de dezembro, aprovou o sistema de avaliação dos estabelecimentos de educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, definindo orientações gerais para a autoavaliação e para a avaliação externa. Neste âmbito, foi desenvolvido, desde 2006, um programa nacional de avaliação dos jardins de infância e das escolas básicas e secundárias públicas, tendo-se cumprido o primeiro ciclo de avaliação em junho de 2011.

A então Inspeção-Geral da Educação foi incumbida de dar continuidade ao programa de avaliação externa das escolas, na sequência da proposta de modelo para um novo ciclo de avaliação externa, apresentada pelo Grupo de Trabalho (Despacho n.º 4150/2011, de 4 de março). Assim, apoiando-se no modelo construído e na experimentação realizada em doze escolas e agrupamentos de escolas, a Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) está a desenvolver esta atividade consignada como sua competência no Decreto Regulamentar n.º 15/2012, de 27 de janeiro.

O presente relatório expressa os resultados da avaliação externa do Agrupamento de Escolas de António Alves Amorim, Lourosa – Santa Maria da Feira, realizada pela equipa de avaliação, na sequência da visita efetuada entre 9 e 14 de janeiro de 2014. As conclusões decorrem da análise dos documentos fundamentais do Agrupamento, em especial da sua autoavaliação, dos indicadores de sucesso académico dos alunos, das respostas aos questionários de satisfação da comunidade e da realização de entrevistas.

Espera-se que o processo de avaliação externa fomente e consolide a autoavaliação e resulte numa oportunidade de melhoria para o Agrupamento, constituindo este documento um instrumento de reflexão e de debate. De facto, ao identificar pontos fortes e áreas de melhoria, este relatório oferece elementos para a construção ou o aperfeiçoamento de planos de ação para a melhoria e de desenvolvimento de cada escola, em articulação com a administração educativa e com a comunidade em que se insere. A equipa de avaliação externa visitou a escola-

-sede do Agrupamento e as escolas básicas de Aldeia Nova e Sobral.

A equipa regista a atitude de empenhamento e de mobilização do Agrupamento, bem como a colaboração demonstrada pelas pessoas com quem interagiu na preparação e no decurso da avaliação.

ESCALA DE AVALIAÇÃO

Níveis de classificação dos três domínios

EXCELENTE –A ação da escola tem produzido um impacto

consistente e muito acima dos valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. Os pontos fortes predominam na totalidade dos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais consolidadas, generalizadas e eficazes. A escola distingue-se pelas práticas exemplares em campos relevantes.

MUITO BOM –A ação da escola tem produzido um impacto

consistente e acima dos valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. Os pontos fortes predominam na totalidade dos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais generalizadas e eficazes.

BOM–A ação da escola tem produzido um impacto em linha com os valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. A escola apresenta uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas

organizacionais eficazes.

SUFICIENTE –A ação da escola tem produzido um impacto

aquém dos valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. As ações de aperfeiçoamento são pouco

consistentes ao longo do tempo e envolvem áreas limitadas da escola.

INSUFICIENTE –A ação da escola tem produzido um impacto muito aquém dos valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. Os pontos fracos sobrepõem-se aos pontos fortes na generalidade dos campos em análise. A escola não revela uma prática coerente, positiva e coesa.

O relatório do Agrupamento apresentado no âmbito da

(3)

2

C

ARACTERIZAÇÃO DO

A

GRUPAMENTO

O Agrupamento de Escolas de António Alves Amorim, situado no concelho de Santa Maria da Feira, foi constituído em 1999 e, atualmente, integra oito estabelecimentos de ensino: as escolas básicas de Vergada (apenas com 1.º ciclo), de Casalmeão, de Igreja, de Aldeia Nova, de Fonte Seca, de Prime, de Sobral (com educação pré-escolar e 1.º ciclo) e a de António Alves Amorim (com 2.º e 3.º ciclos), a escola-sede. O Agrupamento, em novembro de 2013, celebrou um contrato de autonomia com o Ministério da Educação e Ciência (2013-2014 a 2015-2016).

No presente ano letivo, a população escolar é constituída por 1529 alunos e crianças. Destes, 285 (12 grupos) frequentam a educação pré-escolar, 699 (31 turmas) o 1.º ciclo, 208 (oito turmas) o 2.º ciclo, 319 (14 turmas) o 3.º ciclo e 18 (uma turma) o curso vocacional do ensino básico. Do total dos alunos, 2% não têm naturalidade portuguesa, 67% dispõem de computador e ligação à Internet em casa e 63% não beneficiam de auxílios económicos no âmbito da ação social escolar.

A análise das habilitações literárias dos pais e encarregados de educação revela que a percentagem dos pais dos alunos com formação superior é de 11% e com formação secundária e superior é de 26%. Quanto à atividade laboral dos pais e encarregados de educação dos alunos, 21% são profissionais de nível superior e intermédio.

O pessoal docente é constituído por 140 elementos, dos quais 76% são dos quadros. O pessoal não docente é composto por 43 profissionais: uma psicóloga, uma chefe de serviços de administração escolar, uma encarregada operacional, sete assistentes técnicos e 33 assistentes operacionais.

No ano letivo 2011-2012, de acordo com os dados disponibilizados pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, o Agrupamento, ao contrário do que se verificou no ano letivo 2010-2011, apresentou variáveis de contexto desfavoráveis, quando comparados com os das escolas do mesmo grupo de referência (cluster), em particular no que respeita à percentagem de alunos dos 4.º, 6.º e 9.º anos de escolaridade que não beneficiaram dos auxílios económicos da ação social escolar e à média de habilitações dos pais e das mães.

3

A

VALIAÇÃO POR DOMÍNIO

Considerando os campos de análise dos três domínios do quadro de referência da avaliação externa e tendo por base as entrevistas e a análise documental e estatística realizada, a equipa de avaliação formula as seguintes apreciações:

3.1

R

ESULTADOS

RESULTADOS ACADÉMICOS

Na educação pré-escolar, desenvolve-se um processo de observação e de registo de evidências sobre as aprendizagens realizadas pelas crianças e pelos grupos, tendo por referência as áreas de conteúdo das orientações curriculares e os domínios previstos nas metas de aprendizagem. Esta informação, materializada e sintetizada em fichas de registo de observação/avaliação trimestral, onde predominam as menções de revela e de em aquisição, permite monitorizar as aprendizagens realizadas pelas crianças e pelos grupos e os seus progressos.

No ano letivo 2011-2012, tomando como referência as escolas/agrupamentos com valores análogos nas variáveis de contexto, a taxa de conclusão do 4.º ano e as percentagens de positivas nas provas de aferição do 1.º ciclo, à semelhança do ano letivo anterior, ficaram acima dos valores esperados. Por sua

(4)

percentagens de positivas nas provas de avaliação externa ficaram acima dos referidos valores, verificando-se uma melhoria dos resultados em relação a 2010-2011. Ao contrário, no 3.º ciclo, os resultados em 2011-2012, globalmente, não melhoram em relação ao ano letivo anterior, tendo a percentagem de positivas na prova final de Língua Portuguesa ficado em linha com o valor esperado e a taxa de conclusão do 9.º ano e a percentagem de positivas na prova final de Matemática aquém desses valores.

Os referidos resultados do Agrupamento, em 2010-2011 e 2011-2012, quando comparados com aqueles das escolas do mesmo cluster, situaram-se, maioritariamente, próximos da mediana, podendo afirmar-se que revelaram melhoria em 2011-2012. Neste ano letivo, apenas a taxa de conclusão do 6.º ano e a percentagem de positivas na prova final de Matemática, do 3.º ciclo, ficaram aquém da mediana.

Não obstante as variáveis do contexto do Agrupamento, em 2011-2012, serem desfavoráveis, os resultados observados estão, globalmente, em linha com os valores esperados e próximos da mediana. Contudo, é evidente a possibilidade de melhoria dos resultados, designadamente no 3.º ciclo.

Apesar de não haver monitorização das taxas de transição e conclusão com sucesso a todas as disciplinas, os resultados dos alunos são acompanhados pelos órgãos de direção, administração e gestão e pelas estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica, verificando-se, nos últimos três anos letivos, uma taxa residual de abandono e desistência escolares.

O Agrupamento identifica, essencialmente, os fatores externos que determinam o insucesso que apresenta, mas não foi evidente que seja levada a cabo uma reflexão aprofundada de forma a reconhecer os fatores explicativos internos, designadamente ao nível das práticas de ensino, que possibilite o delinear de estratégias eficazes de melhoria dos resultados em alguns anos de escolaridade.

RESULTADOS SOCIAIS

A educação para a saúde, o desenvolvimento de uma consciência ecológica e a prevenção de comportamentos de risco são áreas de intervenção educativa transversal a todas as escolas do Agrupamento. Os projetos desenvolvidos e as atividades realizadas nestes domínios, muitas vezes em articulação com entidades externas, estão largamente documentadas nos diversos planos de atividades das turmas/grupos e do Agrupamento, são muito valorizadas pela comunidade educativa e concorrem para a formação pessoal e social de crianças e alunos. A implementação da oferta complementar de educação para a cidadania, com uma abordagem planeada desde a educação pré-escolar ao 3.º ciclo, é uma opção coerente com os objetivos definidos pelo Agrupamento.

A participação das crianças e dos alunos na vida escolar, bem como a sua corresponsabilização nas tomadas de decisão, concretiza-se, essencialmente, no âmbito do trabalho desenvolvido nos grupos e nas turmas. Embora as assembleias de delegados de turma reúnam com regularidade e esteja prevista a colaboração pontual dos alunos na equipa de autoavaliação, não foi superado totalmente o ponto fraco identificado na anterior avaliação externa do Agrupamento, realizada em janeiro de 2009, continuando a ser evidente a falta de envolvimento dos alunos na construção dos documentos de planeamento da ação educativa e na procura de estratégias de superação de problemas identificados.

Na visita efetuada ao Agrupamento, a equipa de avaliação externa encontrou, no interior e no exterior das salas de aula, um ambiente calmo e de boa convivência. No entanto, é assumido pela comunidade educativa que, apesar da diminuição significativa da aplicação aos alunos da medida de sancionatória de suspensão (de 44 no ano letivo 2010-2011 para 17 em 2012-2013), existem alunos com atitudes inadequadas, em especial no 3.º ciclo.

As crianças e os alunos são envolvidos em alguns projetos de solidariedade social e os responsáveis educativos estão atentos a dificuldades de integração na escola, no grupo ou na turma, sendo adotadas estratégias eficazes para as minimizar.

(5)

Apesar de a perceção interna de que as aprendizagens proporcionadas têm um impacto positivo no futuro dos alunos, não existe recolha de informação concreta sobre o seu percurso escolar ou profissional, após terminarem a sua escolaridade no Agrupamento.

RECONHECIMENTO DA COMUNIDADE

As respostas aos questionários aplicados no âmbito desta avaliação externa a elementos da comunidade educativa evidenciam bons níveis de satisfação com o desempenho do Agrupamento. Os inquiridos, na generalidade, afirmam gostar da sua escola, assumindo maior expressão a satisfação relativamente a aspetos como a comunicação escola/família, a disponibilidade da direção e dos diretores de turma e a capacidade dos professores em explicarem bem. Pelo contrário, os indicadores que revelam menor satisfação são o funcionamento e a qualidade do refeitório, o conforto e a adequabilidade das instalações da escola-sede e as questões relacionadas com o comportamento dos alunos.

O Agrupamento divulga o trabalho realizado nas mais variadas vertentes, designadamente através da sua página na Internet e da publicação do jornal escolar O Rolhinhas, procurando incentivar alunos e profissionais para a melhoria contínua. Por sua vez, a constituição dos quadros de excelência, de mérito e

de louvor, a realização de uma cerimónia para a entrega dos respetivos diplomas, bem como a

publicação periódica das tabelas TOP +, são também formas de valorizar e reconhecer publicamente o sucesso dos resultados académicos e sociais dos alunos.

A abertura ao meio, a adesão a diversos projetos promovidos pelos parceiros locais e as atividades desenvolvidas pelo Agrupamento, muitas com a participação ativa dos encarregados de educação e de outros elementos da população local, contribuem para o desenvolvimento da comunidade envolvente.

Em conclusão, a ação do Agrupamento tem produzido um impacto em linha com os valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. O Agrupamento apresenta uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais eficazes. Tais fundamentos justificam a atribuição da classificação de BOM no domínio

Resultados.

3.2

P

RESTAÇÃO DO SERVIÇO EDUCATIVO

PLANEAMENTO E ARTICULAÇÃO

A gestão articulada do currículo é assegurada pelas diversas estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica, através do planeamento de longo e médio prazo expresso nos planos de atividades e de estudos, respetivamente, para a educação pré-escolar e para os diferentes ciclos do ensino básico. No 1.º ciclo, este trabalho de planificação realiza-se, fundamentalmente, nas reuniões de articulação pedagógica por ano de escolaridade e, nos 2.º e 3.º ciclos, é feito em sede de reunião dos professores das mesmas disciplinas. Os projetos curriculares das disciplinas e os planos de trabalho das turmas identificam temas e atividades passíveis de um trabalho interdisciplinar.

Verifica-se a existência de práticas consistentes de articulação entre a educação pré-escolar e o 1.º ciclo, nomeadamente planeadas nas reuniões de docentes por escola, que asseguram que as crianças entram no 1.º ciclo com as aprendizagens fundamentais para a continuidade do seu percurso educativo. Já a articulação entre o 1.º e o 2.º ciclo é débil, muito centrada na passagem de informações sobre o percurso escolar dos alunos, aquando da sua transição de ciclo e de escola. Regista-se, no entanto, a realização de alguns projetos e atividades comuns ao Agrupamento, como o projeto de ensino experimental das

(6)

sequencialidade das aprendizagens. Assim, pelo menos ao nível dos dois primeiros ciclos do ensino básico, não foi ultrapassado o ponto fraco identificado na anterior avaliação externa, continuando a não existir um trabalho cooperativo sistemático entre estes professores que facilite a transição entre ciclos e contrarie a descida das taxas de sucesso que se verifica.

O plano anual de atividades, através de projetos que contam com a participação de parceiros educativos locais, como os projetos Eco-Escolas e o Trilhos, promove uma crescente contextualização do currículo à região e às características das diferentes turmas.

O percurso educativo e escolar das crianças e dos alunos, bem como os progressos e os resultados por eles conseguidos, são analisados pelos docentes nas respetivas estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica, bem como no conselho pedagógico, e, a partir dessas análises, são implementadas estratégias que procuram elevar a qualidade das aprendizagens. Para além destes procedimentos, o trabalho colaborativo entre docentes é também percetível na planificação dos conteúdos programáticos, nas atividades inscritas no plano anual e na produção e partilha de materiais de apoio à atividade letiva e nos instrumentos de avaliação.

PRÁTICAS DE ENSINO

Não existem grandes evidências sobre práticas explícitas de diferenciação pedagógica em sala de aula, capazes de adequar o ensino às capacidades e aos ritmos de aprendizagem dos alunos. As formas de diferenciação pedagógica assentam, essencialmente, no maior ou menor apoio que é fornecido pelo professor aos alunos ao longo da realização das atividades letivas. No que se refere à diferenciação no domínio das práticas de avaliação, em algumas situações os instrumentos de avaliação são elaborados com uma linguagem simplificada.

A adequação das respostas educativas às crianças e aos alunos com necessidades educativas especiais é eficazmente concretizada em resultado da articulação dos docentes titulares de grupo ou das turmas com os diretores de turma, o departamento de educação especial, a psicóloga escolar e os parceiros educativos locais, designadamente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira que providencia apoio na terapia da fala, terapia ocupacional, serviços de psicologia e fisioterapia. Por sua vez, as medidas mais genéricas de promoção do sucesso escolar situam-se, essencialmente, nos apoios educativos a nível disciplinar, na sala de estudo, nas tutorias e na canalização dos alunos para os clubes e projetos existentes. No 2.º ciclo, o apoio ao estudo encontra-se organizado por níveis de dificuldade, o que permite rentabilizar os recursos educativos e o tempo dedicado às aprendizagens.

Para além da procura de respostas educativas para os alunos com necessidades educativas especiais ou que revelem dificuldades de aprendizagem, o Agrupamento aposta na elevação das aprendizagens de todos os alunos. Neste sentido, foi constituída, a título experimental, uma turma de diferenciação

positiva, no 7.º ano, da qual fazem parte os alunos pertencentes aos quadros de mérito e excelência, com

o objetivo de estimular e incentivar as aprendizagens destes alunos e, através de uma maior homogeneização das restantes turmas de 7.º ano, contribuir também para a melhoria dos resultados de todos os alunos.

Embora se promovam projetos no âmbito do ensino experimental das ciências, abrangendo todas as escolas do Agrupamento, e os alunos refiram a realização de algumas experiências e trabalhos de pesquisa individual e em grupo, a atual utilização de metodologias ativas e experimentais no ensino e nas aprendizagens não se afigura capaz de alterar significativamente as dinâmicas de sala de aula, tornando-as mais criativas e adequadas aos interesses dos alunos. Por sua vez, a valorização da dimensão artística é feita através de projetos e concursos que apelam à criatividade dos alunos.

O Agrupamento criou equipas de supervisão pedagógica que fazem um acompanhamento indireto da prática letiva e os docentes refletem, conjuntamente, sobre boas práticas e formas de tornar a ação

(7)

educativa mais eficaz. Contudo, continuam a não existir mecanismos de supervisão da prática letiva em sala de aula, como forma de desenvolvimento profissional dos docentes, não tendo sido, portanto, superado o ponto fraco identificado na anterior avaliação externa.

MONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO DO ENSINO E DAS APRENDIZAGENS

A avaliação dos progressos e das aprendizagens de crianças e alunos, nas suas diferentes modalidades, guia-se por critérios discutidos no conselho pedagógico e nas estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica. Estes critérios são do conhecimento dos alunos e dos encarregados de educação. A avaliação diagnóstica e a formativa são valorizadas, como fontes de informação reguladora do processo de ensino e de aprendizagem, sendo realizadas de forma contínua. Os docentes utilizam instrumentos de avaliação diversificados e a sua elaboração conjunta promove a aferição de graus de exigência ao nível do Agrupamento.

A monitorização interna do desenvolvimento do currículo é concretizada nas estruturas intermédias e nelas se pondera sobre os resultados escolares e sobre o trabalho pedagógico desenvolvido. Contudo, apesar dos alunos que frequentam os clubes serem avaliados nesse âmbito e de essa apreciação ser tida em conta na avaliação interna das aprendizagens, a avaliação da eficácia das medidas de promoção do sucesso escolar implementadas nem sempre é feita.

A prevenção da desistência e do abandono escolar é uma opção que tem merecido a melhor atenção dos docentes e para a qual têm conseguido congregar vontades de outros elementos da comunidade educativa. A integração de alunos com percursos escolares problemáticos, mesmo vindo de outros agrupamentos, levou à diversificação da oferta formativa, através da implementação de cursos de educação e formação e, agora, da criação de um curso vocacional. A dinamização de clubes e de projetos diferenciados tem conseguido, também, cativar os alunos para a vida escolar. A atuação do Agrupamento, quanto à prevenção do abandono e da desistência escolares, tem construído respostas eficazes para suster as situações de risco.

Em conclusão, a ação do Agrupamento tem produzido um impacto em linha com os valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. O Agrupamento apresenta uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais eficazes o que justifica a atribuição da classificação de BOMno domínio Prestação do

Serviço Educativo.

3.3

L

IDERANÇA E GESTÃO

LIDERANÇA

A visão estratégica do Agrupamento encontra-se vertida no projeto educativo que terminou a sua vigência no ano letivo 2012-2013. Neste documento, embora sem estarem hierarquizados, são definidos objetivos e estratégias focados na promoção do sucesso académico, no desenvolvimento integral das crianças e dos alunos, na participação ativa dos vários membros da comunidade educativa no processo educativo e na formação dos profissionais. As metas estabelecidas para cada um dos objetivos enunciados, pela falta de clareza da formulação de algumas delas, nem sempre permitem a sua monitorização. No âmbito do contrato de autonomia assinado com o Ministério da Educação e Ciência, o Agrupamento comprometeu-se a desenvolver um plano de ação estratégico calendarizado.

(8)

O plano anual de atividades é um documento que apresenta um conjunto de ações e projetos que, efetivamente, operacionalizam a estratégia definida no projeto educativo, mostrando coerência entre si e criando oportunidades de formação para os vários elementos da comunidade escolar.

A atuação da diretora pauta-se pela disponibilidade para ouvir a comunidade educativa, encontrando soluções para os problemas que surgem, o que contribui para a motivação da generalidade dos atores educativos. Os diversos responsáveis escolares revelam conhecer as suas competências, embora as assumam com um empenhamento diferenciado, impulsionam o trabalho cooperativo entre pares e fomentam o bom relacionamento interpessoal entre os diversos profissionais.

A relação com as autarquias é muito proveitosa no que diz respeito à análise de problemas e à sua resolução, designadamente na disponibilização de equipamentos e no desenvolvimento de projetos que beneficiam a dinâmica pedagógica do Agrupamento. São, também, estabelecidas ligações profícuas com diversas entidades locais, públicas e privadas, que favorecem o incremento de iniciativas e facilitam a formação profissional e vocacional dos alunos. Por sua vez, é crescente a participação dos pais e encarregados de educação na vida escolar. Todos estes fatores têm um impacto positivo nas aprendizagens dos alunos e na sua mobilização para a melhoria contínua.

GESTÃO

A gestão dos recursos materiais e humanos é feita, criteriosamente, tendo em atenção as necessidades educativas e de funcionamento do Agrupamento, o perfil pessoal dos profissionais e as suas competências específicas, com vista a um desempenho eficiente e à satisfação dos envolvidos. No que se refere ao pessoal docente, o princípio da continuidade pedagógica é respeitado, dando prioridade à atribuição do cargo de direção de turma e à lecionação de turmas com características particulares (p. ex., a turma de diferenciação positiva do 7.º ano e a turma do curso vocacional).

Verifica-se a existência de princípios orientadores e de critérios explícitos relativamente à constituição de turmas, designadamente dos 2.º e 3.º ciclos, e à elaboração dos horários das crianças e dos alunos. Estes critérios encontram-se formalizados em documentos próprios e são aplicados com a necessária flexibilidade.

Decorrente da avaliação de desempenho dos profissionais e da sua auscultação, são identificadas necessidades de formação contínua, tendo o plano anual de atividades contemplado um conjunto de iniciativas formativas para o pessoal docente. O plano de formação 2013-2014 do Agrupamento inclui os não docentes.

A informação e a comunicação interna e externa circulam com eficácia relativa, não existindo uma estratégia de divulgação dos documentos estruturantes na comunidade educativa, com exceção do regulamento interno. Os pais e encarregados de educação são informados sobre o percurso escolar dos seus filhos e educandos e são incentivados a apoiar as aprendizagens dos mesmos.

AUTOAVALIAÇÃO E MELHORIA

A anterior avaliação externa do Agrupamento considerou não existir uma autoavaliação que suportasse a implementação e a avaliação de planos de melhoria.

Neste momento, o Agrupamento dispõe de uma equipa de autoavaliação constituída por um docente de cada nível ou ciclo de ensino e um professor da educação especial. Colaboram com esta equipa uma representante da diretora, dos alunos, dos assistentes operacionais e dos pais e encarregados de educação.

(9)

Apesar de ter elaborado um relatório muito genérico sobre a concretização do projeto educativo, o trabalho da referida equipa está orientado, essencialmente, para a análise dos resultados escolares nos últimos quatro anos e suporta-se em informação pertinente e bem trabalhada. No relatório apresentado em 2012-2013, é realizado um estudo sobre o impacto, na diminuição do sucesso na transição do 1.º para o 2.º ciclo, da não continuação dos alunos das escolas básicas de Prime e Sobral no Agrupamento. A informação trabalhada, embora seja divulgada nos órgãos de direção, administração e gestão e nas estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica, só debilmente parece ter influência na definição de estratégias mobilizadoras e na reorganização escolar.

O Agrupamento produz informação de cariz autoavaliativo, designadamente elaborada pelos responsáveis das estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica, bem como das atividades e projetos implementados. Contudo, não é evidente que esta informação seja intencionalmente aproveitada para a melhoria das práticas profissionais e da prestação do serviço educativo, bem como para o aumento do sucesso escolar.

As práticas de avaliação interna implementadas ainda apresentam limitações em termos de abrangência, consistência e sistematicidade que dificultam a estruturação e implementação de planos de melhoria sustentados. Assim, o ponto fraco identificado na anterior avaliação externa do Agrupamento não foi superado.

Em conclusão, a ação do Agrupamento tem produzido um impacto em linha com os valores esperados na melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. O Agrupamento apresenta uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas organizacionais eficazes. Tais fundamentos justificam a atribuição da classificação deBOM no domínio

Liderança e Gestão.

4

P

ONTOS FORTES E ÁREAS DE MELHORIA

A equipa de avaliação realça os seguintes pontos fortes no desempenho do Agrupamento:

O trabalho desenvolvido no âmbito da educação para a saúde, do desenvolvimento da consciência ecológica e da prevenção de comportamentos de risco que concorre para a formação pessoal e social de crianças e alunos;

A articulação entre os diversos profissionais do Agrupamento e destes com parceiros educativos locais para responder às especificidades das crianças e dos alunos com necessidades educativas especiais;

A diversificação da oferta educativa e formativa, bem como a dinamização de clubes e projetos diferenciados, com resultados positivos na integração escolar dos alunos e na prevenção da desistência e do abandono escolares;

A relação com as entidades públicas e privadas locais, bem como a crescente intervenção dos encarregados de educação na vida escolar, com impacto positivo nas aprendizagens dos alunos e na sua mobilização para a melhoria contínua;

A gestão criteriosa dos recursos materiais e humanos com vista a um desempenho eficiente e à satisfação dos envolvidos.

(10)

A equipa de avaliação entende que as áreas onde o Agrupamento deve incidir prioritariamente os seus esforços para a melhoria são as seguintes:

A identificação dos fatores explicativos internos, designadamente ao nível das práticas de ensino, que possibilite o delinear de estratégias eficazes de melhoria dos resultados em alguns anos de escolaridade;

A gestão articulada do currículo, designadamente entre o 1.º e o 2.º ciclo, de modo a facilitar a transição entre estas etapas educativas e contrariar a descida das taxas sucesso que se verifica;

A implementação de mecanismos de supervisão da prática letiva em sala de aula, como forma de desenvolvimento profissional dos docentes;

A abrangência, a consistência e a sistematicidade das práticas de autoavaliação implementadas, com vista à estruturação e implementação de planos de melhoria mais sustentados.

01-04-2014

A Equipa de Avaliação Externa: Jorge Silva Teixeira Mota, Maria Ilídia de Meireles Cabral da Rocha Vieira e Vítor Manuel Ventura Cardoso Rosa

Concordo. À consideração do Senhor Secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, para homologação.

A Subinspetora-Geral da Educação e Ciência

Homologo.

O Secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar

Maria Leonor

Venâncio

Estevens Duarte

Digitally signed by Maria Leonor Venâncio Estevens Duarte DN: c=PT, o=Ministério da Educação e Ciência, ou=Inspeção-Geral da Educação e Ciência, cn=Maria Leonor Venâncio Estevens Duarte Date: 2014.05.02 15:24:48 +01'00'

João

Casanova de

Almeida

Assinado de forma digital por João Casanova de Almeida DN: c=PT, o=Ministério da Educação e Ciência, ou=Gabinete do Secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, cn=João Casanova de Almeida Dados: 2014.05.06 11:13:55 +01'00'

Imagem

temas relacionados :