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VALORES E CIRCUNSTÂNCIAS DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO BRASILEIRO: A GEOGRAFIA TEORÉTICA TRANSITIVA DE ANTONIO CHRISTOFOLETTI

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GEOGRAFI A, Rio Claro, v. 3 4 , n. 1 , p. 5 - 3 2 , j an./ abr. 2 0 0 9 .

ANTONI O CHRI STOFOLETTI

Dante Flávio da Costa REI S JÚNI OR1

Re sum o

Contribuindo a que o m osaico caracterizador do pensam ento geográfico brasileiro ganhe peças adicionais ( em presa que vem sendo executada m ediante pesquisas m esclando historiografia e apreciação epistem ológica) , trazem os m ais um artigo a propósito da escola teorética em sua versão dom éstica. Novam ente, trata- se da análise da obra de um geógrafo brasileiro em especi-al, coordenada ao exam e da influência provável de certos preceitos filosóficos, além do contex-t o ciencontex-t ífico e do am biencontex-t e acadêm ico nos quais escontex-t eve inserido. Exporem os a nacontex-t ureza da produção int elect ual de Ant onio Christ ofolet t i ( 1936- 1999) , que foi um not ável publicit ário da Nova Geografia no Brasil, tendo publicado im portantes artigos esclarecedores de seu im pacto e fecundidade, bem com o centenas de resenhas pelas quais se deduz facilm ente o alinham ento do autor com os pressupostos de um a disciplina reverente à fraseologia naturalista. Enfatizarem os o uso que fez de linguagem m at em át ico- sist êm ica no t rat am ent o de m at érias pert inent es à Geografia Física. E, pondo reparo no papel sobret udo not iciador que j ogou, sublinharem os sua int rigant e insist ência em subscrever a credibilidade de t écnicas e t eorias engendradas j unt o à j urisdição das ciências nat urais. As t ext ualizações “ sint om át icas” dest e aut or foi alvo de nossa Tese de Doutorado, defendida em 2007 – seqüente à ocasião em que o geógrafo teria com pleta-do set ent a anos.

Palavras- chave: Geografia neopositivista. Depuração m etodológica. Antonio Christofoletti

Ré sum é

Des valeurs et des circonst ances de la pensée géographique brésilienne: la géographie t héorique t ransit ionnelle d’Ant onio Christ ofolet t i

Pour avoir par t à l’ent r epr ise de car act ér iser la pensée géogr aphique br ésilienne au m oyen de l’aj outage de “ pièces sur la m osaïque” ( récem m ent effectué à travers la com binaison de recherches hist oriographiques et épist ém ologiques) nous apport ons un deuxièm e art icle à propos de l’école théorique- quantitative nationale. Une fois de plus, il s’agit d’analyser l’oeuvre d’un géographe brésilien en particulier – une étude coordonnée à l’exam en de l’influence apparent de cer t ains pr écept es philosophiques, ainsi que du cont ex t e scient ifique et de l’am biance universit aire dont le géographe a vécu. Nous m et t rons en évidence la product ion int ellect uelle d’Ant onio Christ ofolet t i ( 1936- 1999) , ce qui a ét é un rem arquable publicist e de la Nouvelle Géogr aphie au Br ésil, en ay ant publié des im por t ant s ar t icles ( éclair ant s de son im pact et fécondit é) plus quelques cent aines de not es bibliogr aphiques par lequelles on déduit assez facilem ent l’accord de l’auteur avec les principes d’une discipline affectionnée à la phraséologie nat uralist e. Nous soulignerons l’usage qu’il a fait du langage m at hém at ico- syst ém ique pour t r ait er des suj et s concer nant la Géogr aphie Phy sique. Et , en r elev ant sur t out son r ôle de vecteur de nouveautés, nous attirerons l’attention sur sa fidélité aux techniques et aux théories conçues auprès des sciences naturelles. Les écritures “ sym ptom atiques” de cet auteur- là a été la m ot ivat ion de not re Thèse de Doct orat , sout enue en 20007 – consécut ivem ent à l’occasion de ses virtuels soixante- dix ans.

M o t s- clé : Géogr aph ie n éo- posit iv ist e. Per f ect ion n em en t m ét h odologiqu e. An t on io Christ ofolet t i

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I N TROD U ÇÃO

Os estudos de natureza (conjugada) epistem ológica/ historiográfica, conform e enfoque e realce tem áticos, podem cum prir a notável função de aclarar determ inados episódios no desenvolvim ento das ciências. Costum a- se cham ar “ História do Pensam ento Geográfico” ( HPG) a linha de pesquisa particularm ente consagrada a esse exam e dúplice em Geografia – exam e dos conceit os e dos cont ext os seus prováveis condicionant es, port ant o. No âm bito da Geografia brasileira, em se tratando de literatura especificam ente voltada para a vulgarização das “ escolas de pensam ento”, um a em especial costum a ali m erecer espaço reduzido e/ ou reducionista. A “ Nova Geografia”, por força de um a j á clássica interpretação que lhe im pinge im agem de subserviência ideológica, figura nos registros principalm ente com o perspectiva eivada de senões; a par de constar dos m esm os, ocupando espaço por dem ais abreviado. E é este exato desfalque ( representado, pois, por m inorada publicidade e por sim plism o interpretativo) que torna j ustificável e útil a execução de um estudo m ais detido da Escola.

Alternativa analítica é o trabalho com a obra de um autor seu em issário ou pratican-te. Por esse tipo de entrada investigativa a rarefação bibliográfica atenua- se ... e, suple-m entarsuple-m ente, concedendo condições para usuple-m a dedução interessante. Os indivíduos, cosuple-m sua história profissional, intelectual, podem traduzir (sim bólica, m as não deform adoram ente) a função difusora das instituições desde as quais tenham atuado.

Falarem os sobre um deles. Destarte, sobre um ideário veiculado.

A ROTA DO I N DI VÍ DUO

De professores dedicados e est im uladores recebi a vibração, o ent usiasm o, o gost o pela Geografia, o est ím ulo para pesquisar e ler const ant em ent e, em saber “ o que est ava acont ecendo” na at ividade cient ífica nacional e est rangeira. ( A. C.)

Rot a pr ofissional

Ano de 1955. Antonio Christofoletti torna- se bacharel em Geografia e História. O grau de licenciado obtém três anos depois, em 1958. Sua graduação é feita em instituição particular cam pineira (na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Cam pinas, hoje Pontifícia Universidade Católica) – o que o obrigou a viagens diárias de trem desde Rio Claro, sua cidade natal. Talvez tenha m em orizado, no traj eto, a seqüência de form as ... ( re) explicando-as para si, toda vez, do explicando-assento j unto à j anela.

Certos livros o teriam m arcado nesse período de form ação acadêm ica. Num a lista sem dúvida m aior, figuram obras que com eçariam a com por sua germ inal biblioteca: o

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des Géographes Français, Association Française pour l’Étude du Quaternaire e Société de Géographie de Paris.

No segundo sem estre do ano de 1958 presta concurso para professor do Estado de São Paulo, na cadeira de “ Geografia Geral e do Brasil” e ingressa, assim , no m agistério secundário e norm al. Com eçará a dar aulas no m agistério superior em Abril do ano seguin-te ( com o professor contratado, na Universidade Católica de Cam pinas) , seguin-tendo ficado res-ponsável pela disciplina de “ Geografia do Brasil”, a convite de Aziz N. Ab’Saber. ( Lá ficaria até 1970, acum ulando ainda as cadeiras de “Geografia Física” e de “Elem entos de Petrografia, Geologia e Pedologia”.) . Sete anos depois, em 1966 – convidado agora pelo Professor João Dias da Silveira –, ingressa na então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro, FFCLRC, quando passa a ser instrutor da disciplina de “ Geografia Regional”. ( Paralelam en-te, ele continuaria a ensinar no segundo grau até o início de 1971.) . Este vínculo com a faculdade rio- clarense se m antém por dois anos ... até que, em 1969, Christofoletti a ela se integra j á na condição de Professor Assistente Doutor, m inistrando a m esm a disciplina. Outros dois anos correm e ele se estabiliza na instituição; agora com o Professor Livre Docent e.

Entre 1963 e 1966 especializa- se em Geografia Física na USP, Universidade de São Paulo, num a época em que ainda não havia cursos regulares de pós- graduação. ( Sob orientação de Ab’Saber, Christofoletti escreve um trabalho sobre a fisiografia dos cerra-dos.) . Em Maio do ano de 1968 doutora- se com a Tese intitulada O fenôm eno m orfogenético no m unicípio de Cam pinas ( SP), tendo com o orientador Dias da Silveira; e a Livre Docência se dá em concurso realizado em Agosto de 1971, com a Análise m orfom étrica das bacias hidrográficas do planalto de Poços de Caldas ( MG) – a obtenção destes dois títulos ocorre na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro. Tam bém por concurso, torna- se Adj unto no ano de 1975 e Titular em 1979. ( A titularidade é obtida no então j á criado I GCE, I nstituto de Geociências e Ciências Exatas, quando a FFCLRC converte- se em cam pi da UNESP, Universidade Estadual Paulista.) .

Desde 1977/ 78, no início do curso de pós- graduação em Geografia de Rio Claro, Christofoletti m inistrou as disciplinas de “ Metodologia Científica e Geografia”, “Análise de Sistem as Ecológicos Naturais” e “ Geom orfologia Fluvial”. Nestes fins de década tam bém deu cursos j unt o a out ros program as de pós- graduação ( em Zoologia, no I nst it ut o de Biociências da m esm a unidade UNESP, em Geografia Física, na USP, em Geociências, na Universidade Federal de Pernam buco) ; ocasiões em que ensinou tem as de m etodologia científica e geom orfologia aplicada.

Sua experiência adm inistrativa com preendeu secretaria executiva e presidência de associação ( AGETEO) , coordenadoria de curso e depart am ent o ( de Geografia, em Rio Claro) e diretoria de instituto ( I GCE, entre 1985 e 1988) . Prestou assessoria à FAPESP ( Fundação de Am paro à Pesquisa do Estado de São Paulo) , à CAPES ( Coordenação de Aperfeiçoam ento de Pessoal de Nível Superior) , ao CNPq ( Conselho Nacional de Desenvol-vim ento Científico e Tecnológico) e ao Ministério da Educação. Foi, ainda, Secretário do Desenvolvim ento, Planej am ento e Meio Am biente, na Prefeitura de Rio Claro, entre os anos de 1995 e 1996.

De 1958 a 1965 assum e a secret aria do Conselho Edit orial da revist a Not ícia Geom orfológica ( iniciada com Ab’Saber, quem a dirige ent re 1958 e 1962) . Est e foi o prim eiro periódico latino- am ericano voltado especialm ente para o cam po da geom orfologia e o prim eiro brasileiro com singular interesse em setor geográfico. ( Christofoletti assum e sua direção de 1966 até 1981.) . A partir do ano de 1971 coordena as edições do Boletim de Geografia Teorética ( BGT) e a com eçar de 1982 integra o corpo editorial da revista

Geociências, que veio a substituir a Notícia no ano seguinte. De 1976 até 1999 participaria ativam ente do corpo editorial do periódico Geografia.

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inis-trar, no ano de 1971, um curso de Geografia quantitativa. Este curso foi prom ovido pela AGB/ Núcleo Municipal de Rio Claro e contou com um program a que circunscrevia tem as, tais com o noções de geom etria, cálculo e m odelagem , técnicas analíticas diversas (cluster, fatorial) , lógica e teoria dos sistem as gerais.

A questão do ensino o fez pôr reparo nas produções bibliográficas destinadas a transpor à “ m ocidade estudantil” o conhecim ento geográfico. Mas tam bém produziu seus próprios m ateriais didáticos, entre cuj as páginas o professor- leitor encontrava sugestões de at ividade ... enquant o o leit or- int érpret e, indícios sugest ivos: noções de Geografia Física e educação am biental ( tom ando com o exem plo o território brasileiro) , “ funcionam en-to” e uso da natureza, “ elem entos hum anos das organizações espaciais”, a linguagem dos m apas ( sím bolos e escalas) , balanço energét ico e regim e pluviom ét rico at m osféricos, ecossistem as, unidades m orfoestruturais, dom ínios m orfoclim áticos e dinâm ica do m ode-lado. No livro Geografia para o m undo atual ( 1981c) em especial, m esm o em se tratando de um a obra elaborada para uso no ensino m édio, nota- se bem a presença da linguagem sistêm ica.

Rot a int elect ual

Boa parte do acervo que o curso de Geografia de Rio Claro dispõe hoj e é fruto do em penho do Pr ofessor João Dias da Silv eir a ... com pr om isso cuj o pr osseguim ent o Christofoletti pretendeu assum ir: resguardar a im agem de um a biblioteca setorial que era referência no país. Aos seus usuários, proporcionado perm aneceria o contato com cole-ções com pletas de periódicos de im portância internacional. Esforço freqüente, Christofoletti procurava obter livros sem pre atualizados, direto com suas editoras.

Com regularidade, acom panhou o que divulgavam as inglesas Basil Blackwell e Edward Arnold e a norte-am ericana Westprint Press. [ Para que se explique, tal “ acom panham ento” decorria de um a artim anha sua. Christofoletti se apresentava às casas editoriais na quali-dade de review editor ( do BGT ou da Geografia) e esta condição m aquinada lhe em presta-va um a autoridade publicitária que naturalm ente as seduziam ... dada a garantia de propa-ganda e transm issão.] . Tam bém de nacionalidade inglesa, as revistas Progress in Geography

( londrina; iniciada em 1969 e de diversidade tem ática) e Geoforum ( de Oxford; prim eiro núm ero saído em 1970 e dedicada aos novos m étodos) j ogaram papel de aluviões, para onde corriam os conhecim entos recentem ente gerados. Delas, Christofoletti pôde abstrair os sinais da m udança, bem com o as font es bibliográficas que, caso a caso, est avam orient ando os t rabalhos de aplicação ou seu exam e reflexivo. Nout ros periódicos, t ais com o os Annals of the Association of Am erican Geographers ( Washington) , a Econom ic Geography (Worcester), o Journal of Regional Science (Philadelphia), a Geographical Analysis

( Ohio; particularm ente interessada em problem as teóricos) , os Earth Surface Processes

( inglês; sobre est udos geom orfológicos) , e o Geological Societ y of Am erica Bullet in, o geógrafo tam bém passou olhos atentos. Mas particular im pacto lhe causou a descoberta do im portante Progress in geography. Entre dezenas de outros, textos de Chorley, Haggett, Stoddart, Johnston, Lowenthal, propiciaram - lhe entender os efeitos da Nova Geografia a part ir, exat am ent e, de visões part iculares daquilo que, no cont ext o, eram progressos “ recent es”. Nos prim eiros volum es do Progress ( em versão ainda não desm em brada) , Christofoletti se intera sobre um a porção de tem as em ergentes na discussão geográfica acadêm ica; e não estritam ente associados aos progressos em quantificação: aplicação de probabilidades em Geografia Hum ana, perspectiva hum anística, teorias de localização, Ge-ografia m édica, sociedades rurais, etc.

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several ways of explaining our experience” ( ABLER; ADAMS; GOULD, 1971, p. 21) ; “ the m ethod of science is com m on to all sciences” ( idem , p. 25) ; “ neither geographers nor any other factual scientists can operate without the concepts produced by m athem atics and logic” ( p. 26) ; “ no factual science can m ake significant progress in today’s world without intensive use of the fruits of the form al sciences” ( idem ) ; “ it is sim ply im possible to produce good science w it hout t heor y ” ( p. 45) ; “ m et hod cannot be used as a dist inguishing characteristic” ( p. 56) .

Christofoletti ( 1974c) resenha Spatial organization: the geographer’s view of the world t rês anos após publicação de sua prim eira edição. Port ant o, dada a época, não est am os querendo dizer que os grifos t enham sido m arcas lit erais de um a int roj eção. ( Mesm o porque o geógrafo, em m eados dos anos setenta, j á tinha incorporado as noções de “ Mét odo Cient ífico” e m onism o m et odológico.) . De t odo m odo, os m esm os grifos, dando relevo a recortes de frase que se tornam ( é natural) assertivas solenes, indicam o quanto aquelas espécies de colocação não lhe passavam despercebidas – e, possivelm en-te, até se lhe m ostrassem confirm antes.

Maneira típica de se dar a assim ilação do conhecim ento científico, as apropriações conceituais se m anifestam em Christofoletti à m edida que “ conversa” com autores e obras. Assim , Jean Tricart ( 1977) ter utilizado as expressões “ sistem a natural” e “ sistem a sócio-econôm ico” num m odo notavelm ente não- separatista há de lhe ter fortalecido a idéia de int erat ividade. E se Richard J. Hugget t ( 1985) falou em “ bifurcação”, “ neguent ropia” e “ catástrofes” não há de se ter distraído nos m om entos em que o autor sugeria que a m esm a interatividade se deve a um parentesco ( funcional, não- linear) entre os fenôm e-nos.

Não é o caso construir aqui um a genealogia austera dos conceitos e im pressões de que lançou m ão ( deduzindo, através disso, a com unhão de Christofoletti com suas autên-ticas autorias) . Todavia, é im portante salientar, de certas opiniões que sustentaria, suas prováveis fontes.

Victor B. Sotchava ( 1977) , dizendo de existirem “ ram os geográficos” que j á haviam sido isolados/ desviados da Geografia Física ( m et eorológico e hidrológico) e out ros que iniciaram seu isolam ento sem que ainda tivessem delim itado exatam ente seu cam po relati-vo ( geom orfológico, paleogeográfico) , é boa referência se quiserm os m apear o pensam en-to geográfico de Chrisen-tofoletti com específico respeien-to às reflexões acerca da seen-torização da disciplina. Senão vej am os: para o russo, em bora a Geografia Física se valha, fatalm en-t e, dos dados fornecidos pelos vários ram os ( sem , conen-t udo, m odificá- los ou deixar- se m odificar por eles) , ela não é um a “ super- síntese” ... e sobretudo se engloba só alguns setores do que Sotchava cham ou de “ ciências geográficas”.

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clim atology for the tropics, de J. O. Ayoade ( 1983) , publicada em 1986 (I ntrodução à clim atologia para os trópicos, Editora DI FEL) .

A prim eira tradução é produzida em 1958, o prim eiro artigo em 1959 e a prim eira resenha em 1960. E até o com eço da década de noventa, Christofoletti havia publicado oito livros ( excetuando coordenações editoriais e contribuições em coletâneas) , as duas Teses, cerca de cento e trinta artigos, algo próxim o àquelas quatrocentas resenhas, qua-renta traduções, um a dezena de artigos em j ornais ... havia proferido quase oitenta pales-tras e conferências, perto de setenta com unicações em congressos ... e fornecido m ais de cinqüenta verbetes a enciclopédias (Enciclopédia Mirador I nternacional, principalm ente) .

FON TE DAS I DÉI AS, PI STAS DE PREDI LEÇÕES ( PAN ORÂMI CA DA OBRA, VI A RESEN HAS)

À prim eira vista, dar relevância a esta m odalidade de produção textual pode parecer inútil, infrutífero. Muda- se de idéia, entretanto, quando se descobre poderem ser as rese-nhas m uito m ais do que m eras paráfrases ou resum os desprovidos de j ulgam ento. Bas-tante ao contrário, as de Christofoletti são, em geral e a bem dizer, com entários prenhes de crítica. Portanto, dado que há nelas j uízos im ersos e destacáveis, reservam os atenção eqüitativa às m esm as ( isto é, tanto quanto aos artigos e livros) .

Estes seus com entários bibliográficos, na m aioria dos casos, se centraram num a só respectiva obra. Mas a partir de m eados dos anos oitenta, Christofoletti passa a produzir o que aqui poderíam os cham ar de “ resenhas tem áticas” ; j á que, em torno de um assunto geral, ele agrupava sob o m esm o título a apreciação de várias ( às vezes m ais de dez) publicações ... associadas, pois, por este tem a- eixo em com um . Resenhas de grupos de livros tratando de teoria e conceitos, ecologia da paisagem , geom orfologia fluvial, filosofia da ciência, ensino de Geografia, estudos regionais, cartografia, clim atologia, sensoriam ento rem oto, am bientalism o e sustentabilidade, planej am ento e tem as de Geografia Hum ana. Christofoletti, em inente sobretudo pelos estudos de geom orfologia, com equivalente ho-nesto rigor, era capaz de dedicar parágrafos a livros sobre a deficiência alim entar na África subsaariana, a história de cidades hispânicas, o gerenciam ento de shopping centers, o ecofem inism o, os j ardins e parques europeus, o progresso econôm ico em Cingapura. [ Em nossa Tese, encontra- se o que seria um a “ tabela- síntese”, elaborada a fim de distribuir as resenhas em classes de assunto. Tratando de “ m acro”, “ m eso” e “ m icro” - tem as, o qua-dro- tríplice circunscreve as espécies de inform ação que as obras inspiradoras veiculavam – noções que, podem os supor, forj aram aos poucos a im pressão do geógrafo sobre o que significa “ dom ínio disciplinar” ( REI S JÚNI OR, 2007, p. 235) .] .

O nort e das obras e seu j ulgam ent o: dét our sist êm ico, m at em at ização, ... m as espírit o anuent e

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espacial. Essas obras o fascinariam pelo obj etivo que tiveram de divulgar aplicabilidades ( a teoria dos j ogos na tom ada de decisão, para exem plificar) e, em últim a análise, de com uni-car depoim ent os confiant es. Trat ava- se, em m uit os casos, de livros- t ext o, organizados no intuito de servirem de base consultiva em cursos de graduação. Mas as fontes sobre as quais ele se debruçava tam bém se organizavam para outros fins. Dois deles, o de reunir cont ribuições apresent adas em sim pósios ou congressos int ernacionais ( a respeit o das m udanças clim áticas, fenôm enos geológicos, etc.) e o de noticiar estudos desenvolvidos por im portantes grupos de pesquisa ( com o o Grupo de Estudos em Métodos Quantitati-vos, da I nglaterra, com sua série Concepts and Techniques in Modern Geography – 1987a) . I m aginam os que por t er est ado conscient e da defasagem ent re a dissem inação internacional da teoria sistêm ica e seu influxo na cena brasileira, Christofoletti tenha assi-m ilado uassi-m pensaassi-m ento holístico j á devidaassi-m ente depurado, acoassi-m panhado de sua avaliação crítica. Desse m odo, com o se depreende, do uso confuso das term inologias ( tanto quanto de suas inadaptabilidades) , deve ter tom ado conhecim ento m esm o antes de sua aplicação prática. Os deslizes j á estavam notificados.

Seguram ente, os fundam entos da análise de sistem as ( em fase j á posterior à sua apreensão) ele procurou sedim ent ar e enriquecer na leit ura de t ext os hist oriográficos, aplicat ivos e didát icos. A pont o da fam iliaridade crescent e aut orizá- lo a exercit ar m ais com entários independentes.

Querem os crer, o grande núm ero de resenhas articuladas com os fenôm enos de interface ( sociedade| natureza) denuncia o desenvolvim ento de um a gradativa noção de reciprocidade causal – algum a sorte de m utualism o, (perceberia) explanável sistem icam ente. As an t r op izações, con d u t as “ m ex ed or as d e v álv u las”, d ig am os assim , en q u an t o m odificadoras da distribuição m aterial e energética, m ostravam - se passíveis de ser exam i-nadas segundo fraseologia sist êm ica. ( Ou sej a, os grupos hum anos, ent rosadam ent e, influenciariam nas form as.) . “ Novidades” a respeito disso podiam ser sentidas:

[ ...] a novidade reside na m aneira de abordagem , na concepção t eórica envolvida e na linguagem ut ilizada. A abordagem reside na análise sist êm ica, a t eoria im plícit a é a do equilíbrio dinâm ico e a linguagem , com o é óbvio, em prega o vocabulário específico de t ais concepções. Ela realiza aquilo que sem pre se procurou fazer, m as cuj as deficiências t écnicas e t eóricas não perm it iam . ( 1973b, p. 76) .

Acum uladas referências às produções textuais dedicadas à teoria sistêm ica ( funda-m entos, aplicações) , perfunda-m itefunda-m supor o engaj afunda-m ento de Christofoletti. Tofunda-m ada de partido que se traduz pelo m apeam ento, em literatura estrangeira, de descobertas e de progres-sos subseqüentes nas m odelagens ( teoria das catástrofes, geom etria fractal, teorias do caos e da auto- organização) . Antes das m etam orfoses, porém , fixam - se nele a relevância da antropização e a idéia de pluricausalidade ... interveniente com o tram a que condiciona os fenôm enos.

A detecção de bibliografia frontalm ente encarando o assunto das técnicas quantita-t ivas m ereceu avaliações num bom conquantita-t ingenquantita-t e de resenhas. Foram exam es de livros apresentadores de conceitos estatísticos e m odalidades analíticas ou revisores de testes m atem áticos clássicos. Num a traj etória de assim ilação teórica, dirá bastante a decorrência de criticar os trabalhos ainda alinhados com a Geografia clássica ou – para a transparente frustração do geógrafo – pouco exploradores da linguagem m atem ática ... quando tudo a favorecia.

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est iv er im buído de out r a for m ação t eór ica, a sist êm ica ou a probabilíst ica, a obra surge com o de pouca im port ância. ( 1973c, p. 79) .

Há m uitos exem plos de resenha que nos tornam clara sua invariável posição de leit or crít ico ( podendo se m ost rar brando ou m ais t axat ivo) . Selecionando um a, m ais contem porânea, a propósito de com entário feito por Antonio C. R. de Moraes ( em seu livro

Meio am bient e e ciências hum anas, 1994) , de que a expressão “ ação ant rópica”, no interesse precípuo de sustentar visão integradora natural- social, em pobreceria as análises de processos de ordem econôm ica e política, vem os um Christofoletti ( 1994b, p. 144) que, não propriam ente desdizendo, prefere aludir subterfúgio m etodológico ( quiçá, o úni-co possível) : a questão tenderia a ser solvida no dom ínio da fraseologia sistêm ica: “ úni- consi-dero essa posição com o sendo polêm ica, podendo ser m elhor esclarecida com a com pre-ensão adequada de abordagem holística e sistem as com plexos.”.

Prova a dem ocracia inclusa no seu nobre ofício de divulgação bibliográfica, o bom núm ero de resenhas sobre livros de autores e linhas teóricas “ contra”. Volum es críticos das heranças ( neo) positivistas em Geografia. Não quer dizer, contudo, que disto se exclu-íam palavras am istosas ( respeito sem ironia aparente) , lançadas à produção científica de algum a personalidade cardeal ou a algum a original proposição interpretativa.

Há set e lust ros que Milt on Sant os const ant em ent e t em cont ribuí-do para a lit erat ura geográfica brasileira, com ribuí-dom inância para os t erm os urbanos e m et odológicos. Considerando o volum e [O

espa-ço do cidadão, 1987] e a qualidade da sua obra, raros são os

geógrafos brasileiros que poderiam alm ej ar obt er posição equiva-lent e. Seria oport uno que alguém se propusesse a analisar o de-senvolvim ento das suas concepções e assinalar a influência exercida nos m eios geográficos brasileiros e lat ino- am ericanos. ( 1988b, p. 192, grifo nosso) .

No m esm o sent ido de abrir espaço às alt ernat ivas, a avaliação de obras sobre Geografia com portam ental não deixaram de ser executadas. Fala das proposições idealista e fenom enológica sem om itir a crítica que elas fazem ao positivism o; e procede nisso com tom , até certo ponto, crédulo. A vivência do espaço e o reflexo na sua própria construção tinham a dizer no cam po investigativo de setores da Geografia Hum ana. Adem ais, esses trabalhos relacionados com a percepção do m eio am biente, achando lugar nas explana-ções de escala afetiva ( dos valores, das atitudes) , recom punham na literatura geográfica o term o paisagem – para Christofoletti, o registro histórico m ais rico que a disciplina possui-ria ( 1979a, 1983b) .

Acontece, no entanto, que essas alternativas estariam longe de satisfazer a Geo-grafia “ em seu todo”. Teorias m arxistas, por exem plo, ainda tinham de “ superar percalços” ( nos níveis teórico e analítico) , que surgiam toda vez que aplicadas em estudos de proces-so econôm ico gerador de diferenciações areais ( 1986/ 1987) . Coisa que Christofoletti ainda viria a esm iuçar, o conhecim ent o dest es processos propiciava se falar de apenas um a faceta dos estudos geográficos.

Não causou surpresa depararm o- nos com publicações exam inadoras de trabalhos de Richard Peet e dem ais nom es sabidam ente filiados a vertentes crítico- radicais. Assim , sem aplicar golpes baixos, prosseguia seu papel de condescender, inclusive, sentenças de t eor m ais ácido ( senões às t eorias locacionais, cáust ica censura da “ ideologização” do Método Científico e dos problem as que a Nova Geografia colecionou) . Contudo, não sem em paredar seus argum entos.

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aver-são às m esm as classificações que, contraditoriam ente, m antinha os críticos em igual pre-disposição à rotulagem .

Convinha tam bém divergir do j uízo opositor no específico com bate que este quis em preender ao ( suposto) reducionism o. A controvérsia: seria im possível a adoção de um m étodo pelo qual o físico entendesse o social; da m esm a form a com o o geógrafo hum ano estava/ está desarm ado para tratar de tem as da Geografia Física. Christofoletti a abrevia-va: o viés sistêm ico daria conta de qualquer das ( supostas) dificuldades. Em sum a, qual era afinal a contribuição que o radicalism o tinha a oferecer à Geografia? Era definitivam ente recusável a sugestão de fazer contracenarem ( no procedim ento m etodológico) teoria críti-ca e técnicríti-ca positiva?

[ . . . ] d esd e h á m u it o r econ h ece- se q u e o cap it alism o e a m et odologia cient ífica são est rut uras e m odelos ideais, m as que devem ser abandonados. Subst it uí- los pelo socialism o e pela m etodologia do m aterialism o dialético não seria trocar um ideal por out r o? Qual a v ant agem ? No âm bit o do m undo ocident al, a m et odologia cient ífica é am plam ent e debat ida em suas vant agens e d esv an t ag en s. [ . . . ] Ser i a co n v en i en t e su b st i t u í- l a p el a m et odologia propost a pelos m arxist as? Será que ela foi suficient e-m ente debatida ee-m suas vantagens e desvantagens? ( 1980c, p. 80).

Para Christofoletti, os efeitos negativos do sistem a capitalista, longe de serem , é lógico, fatalidades de im possível contorno, não deveriam autorizar proposições, por assim dizer, niilistas. Seu saneam ento bem poderia ser encontrado no seio m esm o do sistem a. Algo que faz lem brar Brian Berry.

Perpassa pela lit erat ura geográfica um a série const ant e de de-núncias sobre as deficiências, m azelas e inj ust iças provocadas pelo sist em a capit alist a, no uso do solo, nas lut as de classe, nas desigualdades sociais, na divisão do t rabalho e em m uit as out ras nuanças. A expansão e hegem onia do sist em a capit alist a int rodu-ziu m odificações profundas, responsabilizando- se pela organiza-ção espacial do m undo at ual. Essas t ransform ações som ent e pro-vocaram conseqüências perniciosas? [ ...] Nenhum sist em a é per-feit o, e conseqüências negat ivas sem pre acont ecerão em m aior ou m enor grau. A superfície t errest re não é o paraíso prom et ido pelas religiões. Há out ra alt ernat iva m elhor? A preocupação revo-lucionária irá consegui- la? No âm bit o do sist em a capit alist a, não se pode propugnar por nuanças e im plantação de estruturas ca-pazes de serem adequadas ao bem estar e m elhoria nas condições de vida das populações em seus diversos segm entos? ( 1987b, p. 202, grifo nosso) .

Porque, entendam os, a anuência das críticas nunca significou deixá- las passar sem revelar- lhes o argum ento lesivo – sobretudo se se direcionassem à Nova Geografia ( e suas cláusulas) as repreensões. [ Endereçam ent o que Christ ofolet t i pensou ver em livros de aut ores, t ais com o Manuel C. de Andrade, Ant onio C. R. de Moraes, Ariovaldo U. de Oliveira, Arm ando C. da Silva, Maria A. de Souza e Wanderley M. da Costa ( 1989b) .] .

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Deve- se [ ...] considerar com reservas vários de seus j ulgam ent os [ de Manuel C. de Andrade, em Geografia, ciência da sociedade:

um a introdução à análise do pensam ento geográfico, 1987] sobre

as proposições posit ivist as e quant ificação e m odelização em Ge-ografia. Nem confundir os enunciados e t em át icas envolvidas no âm bit o da Geografia Hum ana com o sendo, por si m esm as, repre-sent at ivas da Geografia. ( 1989a, p. 157) .

Muito provavelm ente, o Christofoletti epistem ólogo deve suas im pressões quanto à teoria da Geografia, à literatura conexa ao tem ário ( m ais genérico) da filosofia da ciência. Pudem os detectar que esteve a par dos preceitos de escolas filosóficas diferentes, explo-radas pelos geógrafos t eóricos ( posit ivist a, hum aníst ica, est rut uralist a) . I nt eressou- se, por extensão, em divulgar obras ocupadas com a base conceitual dos estudos geográficos ( fossem m odelos norm ativo- m ecanicistas, fossem com portam entais) , com o debate acer-ca do que havia restado da “ revolução teorétiacer-ca” ( e sobre os argum entos utilizados por seus adversários) , com a transform ação das idéias em Geografia ( 1972a, 1979b, 1980a, 1984c) . Mas um a vez que teve igual propensão a se inform ar dos tem as gerais de filosofia e m étodo científico, é possível localizar com entários seus a respeito de edições voltadas para eles: o quantitativo e o qualitativo na pesquisa social, a sociologia do conhecim ento, os lim ites da explicação científica, a teoria unificada em ciências sociais, o m odelo kuhniano, etc. ( 1989c) . [ Nada estranha, aliás, Popper ser visto com sim patia por um Christofoletti ( 1974a, p. 137) inclinado para os novos positivism os: “ os que lhe conhecem a obra são unânim es em reconhecer a im portância da sua contribuição para a m etodologia científi-ca”.] .

SOBREVÔO N A PRODUÇÃO I N TELECTUAL ( PAN ORÂMI CA DA OBRA, VI A PUBLI CAÇÕES ESPESSAS)

Com o a produção científica de Antonio Christofoletti esteve, com nitidez, voltada para os tem as afilhados da Geografia Física, é natural que tenha publicado boa quantia de textos com esta filiação. Por outro lado – detalhe adiantado pela am plitude tem ática cober-ta pelas recém abordadas resenhas –, escober-ta produção, em bora de fato centripecober-tam ente orientada pela fenom enologia do m eio físico, com preende o exam e de questões tangen-tes. Dentre elas, destacam - se seus escritos de ordem epistem ológica. Por efeito, deduz-se que a sust ent ação t eórica dos procedim ent os e conceit os ( coisa a que lhe pareceu inadequado resistir) term ina por inserir Christofoletti no não m uito populoso círculo de geógrafos que m editava sobre os fundam entos filosóficos da disciplina e da própria ativi-dade científica. Mas com ecem os por registro m ais antigo.

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que tratar o fenôm eno enquanto exem plo regional ( o que j á seria am bicioso) , o trabalho quis deixar aos subseqüentes investigadores um bom apanhado prelim inar. (Maiores m inúcias e devidas retificações ficariam a cargo destes continuadores; m esm o porque, vencida o que Christofoletti cham ou “ prim eira etapa” – fornecedora de visão global –, havia ainda o que se explorar pelo instrum ento quantitativo. Geógrafos até produziriam trabalhos pio-neiros; definitivos nunca.) .

Sua Tese de Livre Docência ( 1971b) , a que tam bém j á nos referim os no com eço, é produto resultante de m inuciosa pesquisa regional iniciada em 1969. ( A prim eira visita aos “ contrafortes ocidentais da Mantiqueira” Christofoletti fizera em Junho de 1956, durante excursão didát ica orient ada por Ab’Saber.) . Cont ando com várias t abelas e equações, neste m om ento ( estranho se não fosse) a prioridade é j ustam ente fazer uso do instru-m ent o que pr econizar a: par a nov e bacias, aplica nada instru-m enos que cat or ze índices m orfom étricos. Form as de relevo, processos m orfogenéticos e evolução paleogeográfica – assuntos sobre os quais o autor tinha coletado grande quantidade de m aterial ... m aterial que m erecia tratam ento m etodológico de m aior fôlego científico. Mesm o assim ( pretenden-do, dessa form a, exem plificar a utilidade de determ inadas técnicas quantitativas) , o traba-lho queria era dar realce ao significado geom orfológico dos resultados obtidos. I sto quer dizer que as “ leis de com posição da rede de drenagem ” interessavam no quanto suscitas-sem cogitações de confirm ação em pírica. Cálculo exigia com plem ento! – encam inhado por quadros com parativos, pelo confronto interpretativo.

Os livros de sua autoria – quase todos ainda em reedição – tiveram um distinto e eficiente papel a cum prir. São didáticos o suficiente para introduzir seus leitores no respec-tivo enfoque: geom orfologia, m etodologia, epistem ologia.

No ano de 1974 é editado o prim eiro de seus livros, Geom orfologia. Em louvável tentativa de “ suprim ir lacuna”, esta obra é organizada em função da falta de livros- texto que, na língua port uguesa especificam ent e, auxiliassem o ensino dest e sub- cam po da Geografia Física. Para o que tam bém foi planej ada, ela acaba expondo ao leitor as preocu-pações dos geom or fólogos n a “ fase con t em por ân ea” da especialidade: oscilações paleoclim áticas, form ações quaternárias, m apeam entos geom orfológicos, evolução de ver-tentes, influências tectônicas, ...

Anos depois, reunindo em livro os conhecim ent os que haviam m odernizado um específico setor do sub- cam po, publica Geom orfologia fluvial. É claro que, no contexto ( a prim eira edição da obra é de 1981) , o “ m oderno” diz respeito a algo além da fase em que a disciplina passa a fazer am plo uso das análises num éricas. Logo, ali se encontra o trata-m ent o est at íst ico de dados cotrata-m posit ores de grandes conj unt os de infortrata-m ação e, nas vezes de tem a entrosado, Christofoletti aborda a própria produção de m odelos de natuza estocástica. Expressões sintom áticas, tais com o “ funções exponenciais”, “ linha de re-gressão”, “ curvas quadráticas em logaritm os”, “ coeficientes nas equações não lineares”, “ m odelo polinom ial logarítm ico”, ... preenchem a obra do com eço ao fim . Bem , o m otivo da carência de bibliografias em língua portuguesa conexas ao tem a se repete e no prefácio deste segundo livro devotado à pesquisa geom orfológica o autor não faz força para es-conder que a resultante term inava por ser um a com pilação ... engenhada desde am plas referências em idiom a estrangeiro.

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É que os m odelos – se bem que Christofoletti faça um a seleção restrita deles – são com entados de form a bastante didática; além do que a própria seqüência de tem as ( os conceitos básicos; a prática da m odelagem ; o “ sistem a am biental” ; a tipologia de m odelos; as espécies de im pacto; as estratégias de planej am ento) dá ao leitor um a excelente idéia do encadeam ento de teoria com prática. Acrescente- se a isso o ( intacto hábito) fato de oferecer- lhe, no rem ate das m ais de duzentas páginas, um a vastíssim a coleção de refe-rências bibliográficas. ( O últim o capítulo traz exatas quarenta páginas com com entários de obras.) .

Porém , o livro que possivelm ente se tornou m ais conhecido j unto aos cursos de graduação foi Perspectivas da geografia, de 1982. Na verdade, trata- se de um a coletânea que Christofoletti organiza a fim de apresentar ao leitor um a m uito boa panorâm ica de linhas t eóricas. Com a devida concordância das edit oras e dos aut ores ainda vivos à ocasião ( entre outros, Yi Fu-Tuan, David Lowenthal e Richard Peet) , m ais o auxílio de nove tradutores, o propósito é “ retraçar as diversas perspectivas”, exem plificando m odos de com preender o que sej a a Geografia. “ Com o praticá- la” deveria ter sido o desígnio de um segundo volum e, que, entretanto, nunca saiu. [ Ainda a respeito desta coletânea, inform e-m os que Christofoletti é o tradutor de cinco dos doze textos estrangeiros reunidos ( arti-gos de David Lowenthal, Anne Buttim er, Leonard Guelke, Richard Peet e Alan R. Pred) .] .

Quanto aos m anuais tem áticos introdutores de fundam entos, cabe citar duas obras que organiza em parceria com outros autores. I ntrodução aos sistem as de inform ação geográfica ( TEI XEI RA; MORETTI ; CHRI STOFOLETTI , 1992) e Sistem as de inform ação ge-ográfica ( dicionário ilustrado) ( TEI XEI RA; CHRI STOFOLETTI , 1997) . Na prim eira, o leitor encontra, além de um a série de conceitos de base ( “ banco de dados”, “ geoprocessam ento”, ...) , tam bém aplicações obj etivas e possibilidades de sim ulação por cruzam ento dos dados ( perfil de t errenos, orient ação de vert ent es, previsão de safras, m elhor localização de culturas, ...) . Quanto ao dicionário, o que se fornecem prioritariam ente são definições de verbetes ( num total de dois m il e quinhentos) relacionados direta ou indiretam ente com a tecnologia dos “ SI G’s”. Assim sendo, encontram os na obra – em m eio a tantos term os associados à inform ática – o “A” de “ abstração” ( o princípio necessário ao entendim ento intelectual do que sej am sistem as e m odelos) , o “ S” de “self- sim ilarit y” ( a repetitividade que indica serem “ versões escalonadas” de um certo padrão geom étrico as representações em diferentes níveis de resolução) , etc. O curioso é que neste dicionário o leitor ainda tom a ciência das principais obras didáticas, coletâneas e periódicos com especial interesse em divulgar o m étodo da análise geográfica que se serve sobretudo de m odelagens estatísti-cas e técniestatísti-cas digitais.

N UM CLAVI CULÁRI O DE REFLEXÕES EPI STEMOLÓGI CAS, AS CHAVES DE SEU PEN SAMEN TO

Nas entrelinhas de publicações com os m ais variados títulos ( com as m ais variadas int enções, port ant o) encont ram os um Christ ofolet t i sem pre às volt as com os t em as-m arco da ciência eas-m geral: a delias-m itação conceitual ( o que é teoria?) , a interdisciplinaridade ( qu an do são v álidas as r eplicações?) , a ev olu ção das sear as ( o qu e din am iza a progressividade em epistem ologia?) , os parâm etros peculiares ( há regulam entos sociais e de instituição?) , ...

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sem pre livraria as disciplinas de criarem , para os m esm os fenôm enos, explicações que, de sim ultâneas, colidem . O entrechoque explicativo ( oriundo de teorias dissociadas) daria a idéia do quant o são m ut áveis os m odelos, ainda que os acont ecim ent os da realidade em pírica “ perm aneçam os m esm os”. Para o específico contexto de oposição das explica-ções geom orfológicas, Christ ofolet t i ( 1981a, p. 121) diz não haver “ dogm at ism o, m as rearranj o e organização diferentes na elucidação dos aspectos observados na superfície terrestre”. Em certa m edida, devido a pouca razoabilidade em se j ulgar as teorias por critérios eleitos num contexto prom otor de outras ( quando, então, a rivalidade passa a ser coisa difícil de evitar) , aum entariam as chances de haver coexistência de teorias de “ bases inteiram ente distintas” – teorias que fazem m esm os fatos adquirirem significações difer ent es ( por ex em plo, o per fil longit udinal dos cur sos d’água na dav isiana e na probabilística) . ( Todavia, é claro, quando a diferenciação filosófica entre elas fosse eviden-te, deixava de ser possível sustentar ou lançar m ão das teorias indistintam ente.) ( 1973a, 1974b) .

Acerca da questão do condicionam ento intelectual pelas épocas, Christofoletti tam -bém em itiu j uízo. O estudo m esm o da história da Geografia exigia o conhecim ento do cont ex t o sócio- econôm ico. Ser ia adequado com pr eender a “ v iv ência am bient al”, o “ aninham ento do pesquisador”, a fim de detectar as influências ideológicas, as pressões sociais a que, m uito provavelm ente, se deixa subm eter. Toda teoria sofreria a interferência de algum a corrente filosófica dela contem porânea ( intuicionism o na teoria davisiana, es-truturalism o na do equilíbrio dinâm ico) . Noções que o levaram ( 1980e, p. 145) a distanci-ar- se da tese positivista da neutralidade dos hom ens de ciência, j á que, por exem plo, “ as posições filosóficas e as polít icas est ão sem pre im plícit as na análise desses sist em as [ am bientais] ”.

Ou sej a, nem por isso, no ent ant o, o pesquisador figurará com o elem ent o de pensam ento passivam ente m oldável. E o que arrefeceria o caráter determ inístico de um a relação desta natureza – entre cenário social e form as de pensam ento – é j ustam ente a capacidade que o próprio pesquisador teria de com preender as épocas e os m odelos que nelas vigem ; por decorrência, sua aptidão a transform ar ( com batendo ou am pliando) co-nhecim entos vigorantes ( 1983c) . É que, explícita ou veladam ente, as teorias, sofrendo de fat o a influência das dout rinas filosóficas da época, com int ensidade igual ou próxim a tam bém contribuiriam na explicação dela própria ( 1976a) .

As dificuldades inerentes à m odelagem e à m atem atização não são ignoradas. Apraz saber que ele m oderou im pulsos, conteve afobações. Ao com entar o envolvim ento do ato m ental na abstração da realidade, diz que depende da “ percepção am biental” do pesquisa-dor, bem com o da form ação de seu intelecto, este processo de abstrair e construir siste-m as análogos – os quais, esiste-m t ese, guardasiste-m do siste-m undo usiste-m suficient e regist ro ( 1978, 1979c) . Total conhecim ento dele j am ais é possível. Assim , se variáveis em caixa preta sem pre há, resta contornar os problem as ( realm ente m anifestos) na confecção de m ode-los: o da acuidade preditiva e o da identificação dos parâm etros seus construtores com aqueles que, “ reais”, sej am fisicam ente possíveis de m ensurar. A verossim ilhança, enten-da- se bem , estaria ancorada na dedução de que se o m odelo é elaborado em função do que dizem as prem issas da teoria optada – e esta se form ula à base de algum em pirism o – , então certo parentesco entre os “ eventos do m undo real” e seu m odelo se vê im plicado por via indireta. Toda teoria se vale de algum a sim bologia abstrata; decorre ter sucesso se esbanj a destreza em relacionar esta sim bologia com aquele m undo. Modelagens são abs-trações da realidade, m as pretendem orientar experiências em píricas. Daí se depreendendo que, um a vez os m odelos não se deixando testar, perdem m uito da credibilidade; um a reputação criada pelo que pretendem ser: com unicadores de conceitos e previdentes a curt o prazo ( 1974b) .

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m ais aptas a detectar falsidade nos enunciados. Palavras apenas, não deteriam esta espé-cie de seletividade. De fato, quanto m aior fosse a abstração, m ais evidente seria o perigo dos analogism os incorretos. Entretanto, evidência relativam ente em patada com os riscos inerentes aos m odelos não- m atem áticos ( 1999) .

A m odelagem em si, não se confinando no cam po da reaplicação cíclica, tam bém cum pria a tarefa de, digam os, se auto- avaliar ( num a perspectiva ao estilo popperiano) . Porque os t est es, no propósit o de est abelecer lim iares at é os quais se adequavam as hipóteses e se m antinham válidos os parâm etros, davam um a idéia bastante explícita de processo de refutação/ falsificação ( 1999) .

Aquilo que Christofoletti entendeu por “ perspectiva científica” em purrava, necessa-riam ente, a Geografia ( se o adj etivo ela quisesse incorporar) a querer conhecer funciona-m entos pela detecção de leis que os explicassefunciona-m ... e predissessefunciona-m seus efeitos. No caso geográfico – incorporado, então, este paradigm a positivista –, interessariam , adicional-m ente, os processos geradores de adicional-m udança e a velocidade coadicional-m que atuaadicional-m . Beadicional-m , para atingir este com plicado obj etivo era preciso, prim eiro, entender Física e Quím ica. ( No m íni-m o, princípios eleíni-m entares de hidrodinâíni-m ica ... a fiíni-m de explanar, coíni-m correção, sobre escoam ento fluvial e os fatores capacidade/ com petência dos rios, denudação, granulom etria, solubilidade, t urbulência, abrasividade, et c.) . E saber usar um a linguagem descrit iva e expressiva dos conhecim ent os operat órios: nat ureza da m at éria, conceit o de energia, reações quím icas, trigonom etria, noção de vetor, funções lineares e não- lineares, cálculo m atricial, probabilidades, séries e progressões, cálculos diferencial e integral. Estava con-vencido ( e nos deixa claro) : a m atem ática é, por excelência, o idiom a!

Em 1971, publica em parceria com a colega, Professora Lívia de Oliveira, o artigo

Geografia teorética, no qual os autores traçam um a panorâm ica sobre o m ovim ento reno-vador, priorizando a exposição do acervo lit erário disponível ( livros e revist as) . Nest e trabalho em particular, nos cham am a atenção ( por serem sintom áticas) expressões que asseveravam ser irreversível o “ m ovim ent o int elect ual e cient ífico”. Out ra im port ant e sintom atologia que se destaca quando o lem os é a resposta negativa que os autores dão à pergunta ( ainda insistente) sobre se a form a idiográfica de explanar ( assinalando peculi-aridades, recorrendo à pesquisa histórica, retrospectiva) se m antinha cientificam ente útil. Bem , a m esm a negativa term inava por, naturalm ente, induzi- los a pensar ser “ profícuo” o contato m etodológico com dem ais disciplinas – proxim idade a se dar pela com unhão de teorias “ contem porâneas” ( estruturalism o, cibernética, teoria da inform ação, dos sistem as gerais).

Esta dedicação a acentuar e fazer ver o fim utilitário ( inescapável) de se trabalhar com teorias correspondia ao entendim ento delas, que se sedim entava; entendim ento que as est abelecia com o crit ério para dem arcar a at uação dos fenôm enos. Nest e sent ido, propalar os conceitos fundam entais da teoria dos sistem as ( e suas respectivas enunciações) significava tam bém destacar os recursos anexos que ela com preendia a fim de se perm itir visualizar na m anifest ação daquilo que fosse obj et o de est udo. Mais do que isso, a preconização da obj etividade, colocada em term os de um favorecim ento da linguagem sim bólica, legalizava, por exem plo, a teoria dos grafos e a topologia no tratam ento “ m ais obj etivo” das redes ( 1972b) .

Em A teoria dos sistem as, artigo publicado no BGT ( 1971a) , ali j á aparecem os enunciados gerais, as tipologias, as noções de distribuição energética e eqüifinalização, o devido esclarecim ento do que quer dizer energia livre e entropia – além de com o este par evolui ao longo do processo sistêm ico ( criador de form as, no caso da Geografia) – e todo o elenco de categorias essenciais da teoria. I nstruções que são com entadas no evidente intuito de transm itir a idéia de que sistem as de vários tipos poderiam , no final das contas, ser abordados segundo o em prego de m odelos sem elhantes.

Da condensação ( inédit a at é os anos sessent a) de um a general syst em t heory

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portuguesa, do livro que sintetiza o em preendim ento de Ludwig von Bertalanffy ( 1968; 1973) . Por conseguint e, isso indica que os rudim ent os da t eoria sist êm ica t eriam sido apreendidos pelo geógrafo j unto a outras fontes. E bem m enos em blem áticas, inclusive, se com paradas à obra que de fato veio a dar m aior publicidade a todo o potencial aplicativo do ideário sistêm ico. O que ocorre é que, no supracitado artigo ( aparecido logo no segun-do fascículo segun-do Boletim, e com provante da j á ciência do autor, de que converter o ideário em instrum ento teórico era algo exeqüível) , as fontes de que Christofoletti se serve perm i-tem deduzir um a influência apenas indireta da “ teoria geral” proposta pelo austríaco. [ “ I n-direta” em virtude de ter recorrido a obras cuj os autores, estes sim , possivelm ente tive-ram acesso m ais im ediato à edição original ( tais com o C. Ollier, 1968, D. Harvey, 1969, e A. Mabogunj e, 1970) .] . Ou, talvez até m elhor descrevendo, a influência m aior sobre seus est udos, pelo m enos nesse m om ent o, t eria sido exercida principalm ent e por t rabalhos escritos num m ote análogo àquele que guia a iniciativa ( de fato enfática, por sua inovação) de Bertalanffy. Seria o caso das leituras de Richard Chorley ( 1962) , Alan Howard ( 1965) , Michael Chisholm ( 1967) ... todos esses, por sua vez, leitores prováveis de C. Foster, A. Rapoport e E. Trucco ( 1957) , de W. Ashby ( 1958) , de W. Langbein e L. Leopold ( 1964) e de um von Bertalanffy ainda confabulando a obra- síntese de 1968 ( 1950; 1956) .

Alguns problem as de natureza operacional, tendo a ver com o uso da teoria sistêm ica, são tratados neste artigo de 1971. As questões da escala do sistem a e da identificação do que viriam a ser considerados os seus elem entos constituintes ( bem com o o discernim ento dos fluxos entre estes) m ereciam com entário. Da m esm a m aneira, o fato ( não m inim izável) de se t er de conviver com a não m ais que parcial cobert ura da realidade – j á que o geógrafo não podia escapar à escolha de um nível interessante de generalização – surtia observações pert inent es.

A const rução de m odelos, de im port ância fundam ent al na explica-ção geográfica, é facilit ada pela t eoria dos sist em as. Mas a análi-se dos sist em as só pode análi-se realizar análi-se houver abst ração e fecha-m ent o do problefecha-m a focalizado. [ ...] Assifecha-m , a ut ilização da análise at ravés da t eoria dos sist em as est á m ais relacionada com a abs-t ração que com a realidade. ( 1971a, p. 58) .

[ ...] ao se analisar a realidade sem pre há discrepâncias ent re o

caso e o m odelo, pois ocorrem variações que dist anciam , em m ai-or ou m enai-or grau, o exem plo est udado no t ocant e ao previst o pela

norm a. ( 1976a, p. 23, grifo do aut or) .

Discu ssão sobr e m u dan ças con ceit u ais especialm en t e em Geogr af ia Física Christ ofolet t i faria a part ir da década de oit ent a; por exem plo, no BGT ( 1981b) e na

Revista Brasileira de Geografia ( 1990a) . E na Geografia, em seu núm ero inaugural, falaria, de m odo am plo, sobre o que havia sido a NewGeography: a história do m ovim ento, sua contraposição aos velhos procedim entos, o relativo encaixe do ritm o das transform ações no m odelo kuhniano de revolução científica ( 1976a) . É bastante esclarecedora, aliás, a atitude que o autor teve de desm istificar um pouco o significado que tendem os a associar à adj etivação “ nova”. Ela, em verdade, não revelaria um a ( correntem ente im aginada) per-feita sucessão dos m odelos de abordagem em Geografia. Noutras palavras, os trabalhos cient íficos, em pleno cont ext o no qual do próprio m ovim ent o só rest avam rescaldos e alguns diásporos, continuavam a ser produzidos sob m uitas perspectivas ( incluindo- se, pois, as m ais tradicionais) .

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expla-nações m atem áticas, bem ou m al, deixara a Geografia nas cercanias de outras disciplinas ( igual ou talvez m ais) exploradoras dos m esm os recursos de abstração. Para Christofoletti, os influxos conseqüentes disto seria puro enriquecim ento; ou sej a, a interação dos cam -pos científicos, se explicando pela perm eabilidade dos perím etros setoriais, não causava só transform ação pura e sim ples: ela em geral queria( quer) dizer ganho de força conceitual, profundidade analítica e relevância em m eio às disciplinas que j á têm um a história fértil no dom ínio do conhecim ent o cient ífico aplicado. Em seus dizeres dat ando do com eço da década de oitenta, Christofoletti m anifesta a im pressão de que estes influxos term inaram por requalificar a Geografia e m uniciá- la para que viesse a ter condições de lidar com unidades com plexas, em vários níveis de hierarquia.

De evident e enfoque epist em ológico, o art igo Definição e obj et o da geografia, publicado na Geografia em 1983, cont ém um a m uit o elucidat iva discussão acerca das diversas proposições para qual sej a, caracteristicam ente, o papel do cam po. Nas prim eiras páginas j á assevera: para ser “ geográfico” não basta que o estudo em preendido m encione algo sobre espaço, contribua ao planej am ento ou se ufane por se crer m ovido pela social relevância de seu intento.

Evident em ent e, não. É preciso part ir da definição e do obj et o propost o para a ciência geográfica. No cont ext o do conhecim ent o reinant e no m undo at ual, o neo- posit ivism o e a m et odologia cien-t ífica são os cam pos que fornecem os cricien-t érios m ais razoáveis para se encont rar a solução. ( 1983a, p. 2, grifo nosso) .

Tanto m elhor se o cam po, autonom am ente, esculpisse sua própria estrutura teóri-ca – fiteóri-car à espera dos lam pej os geniais das disciplinas suas históriteóri-cas fiadoras, queria dizer evolução a reboque; um sem pre atraso. Só que este dinam ism o autárquico, para o qual geógrafos teriam de se em penhar, não excluía incursões pelo dom ínio fraseológico de outras ciências. Aliás, m uito ao contrário, o trabalho haveria de se dar conj untam ente; e sobretudo se, para efeito de determ inadas dúvidas verem - se clareadas ( elas m esm as não sendo exatam ente um a preocupação exclusiva da Geografia) , se m ostrava irresistível son-dar nesses outros cam pos, respostas ou dicas úteis ( 1976b) .

Estudar as relações entre os elem entos do “ geossistem a” ou entre os da “ organi-zação sócio- econôm ica” presum ia um procedim ento m etodológico de conotação ecológica. Daí, espontaneam ente, o profissional- geógrafo ser estim ulado a absorver ensinam entos das ciências que fazem freqüentar em suas preocupações a m esm a espécie de conotação ( 1984b) . É que, além do m ais, o próprio estudo de ecossistem as ( digam os, o efeito que nestes decorre em função de m udanças am bientais) levaria os investigadores a renderem atenção aos repercussivos com portam entos m igratório e dispersivo; no final de contas, nada m ais do que o inquérito sobre com o os organism os se distribuem geograficam ente – evidente contigüidade entre Ecologia e Geografia.

N A CON FLUÊN CI A LI N GÜÍ STI CA DE TEORI A ( SI STEMA) E TÉCN I CA ( CI FRA) , O ESPERAN TO DOS FEN ÔMEN OS

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“ padrão” e “ processo” espaciais. Um tal reducionism o, portanto, se m ostrava infiel aos seus reais predicados.

A t ransform ação ocorrida na Geografia, a part ir da década de cinqüent a, m ost rou t endências procurando orient ar as m et as e a m elhor m aneira de se prat icar essa ciência. A prim eira t endência m aior foi denom inada de “ Nova Geografia”, relacionada com o m o-v im ent o de ut ilizar int ensam ent e os pr incípios e cr it ér ios da m et odologia cient ífica baseada no posit ivism o lógico, visando in-t egrar a Geografia sob os m esm os esquem as e procedim enin-t os m et odológicos da ciência em geral. Ent re as diversas caract eríst i-cas da Nova Geografia, t ornaram - se m ais evident es o uso da quant ificação, a aplicação da t eoria dos sist em as, a const rução de m odelos e a preocupação com o desenvolvim ent o t eórico para a m elhor fundam ent ação explicat iva e predit iva. ( 1980c, p. 78, grifo nosso) .

Fatores externos fornecendo m atéria e energia, parâm etros regulando processos, aj ust agens alt er ando valor es das var iáveis fr ent e à int ensidade dest es par âm et r os, hom eostase arrefecendo abalos iniciais por um circuito de retroalim entação negativa, ... Pelo viés sistêm ico, aparentavam - se as fenom enologias física e hum ana: se havia no inte-rior de t odo sist em a um “ regulador” a repart ir input s, est e personagem ocult o est aria atuando em am bas ( induzindo o arm azenam ento de parte do que entrou ou patrocinando seu direto transporte até que abandone a interioridade e torne- se output) .

O pensam ento sistêm ico incorporado à abordagem espacial tinha suas utilidades: dem onstrava a unidade da natureza, da ciência e da disciplina geográfica, perm itia o racio-cínio dedutivo, percebia a com plem entaridade das análises ( não haveria, por isso, um a única e exclusiva respost a aos problem as – o m undo é m ult ifacet ado! ) , sim plificava o conhecim ento, oferecia padrão de clareza e atingia o que o geógrafo entendeu ser o nível m ais alto da explicação científica: a habilidade para predizer.

A alteração fraseológica era óbvia, Christofoletti sente. “ Espacialidade” tom ada com o fenôm eno alinhavado por fluxos em redes distributivas ( im agem bem destoante das ver-sões factuais clássicas) se aj ustava ao paradigm a interessante à época: o de visualizar os fatos do m undo ( m ontanhas, florestas, solo; auto- estradas, m unicípios, telecom unicação) com o que arranj ados segundo processos entre os quais se poderia traçar algum a sorte de analogia ... e a despeito das suas ( prováveis) distintas localizações! ( Enterrava- se aqui o pseudo- problem a da uniqueness regionalista.) .

O conceito de retroalim entação liberava as previsões e sim ulações. Pressupondo m argem de estabilidade e um a espécie de “ circuito causal fechado”, ele conseguia estim ar relação de direta e inversa proporcionalidade entre a prim eira e, respectivam ente, a veloci-dade de recuperação do sist em a e as flut uações int ernas. Associado ao fenôm eno de

feedback, o de resiliência encontrava igual correspondência no dom ínio da Geografia – o que, Christofoletti pôde se dar conta, punha a disciplina a dialogar com a Física ( 1979c) . No enquadram ento desta ciência, a resiliência falava da capacidade recuperatória dos cor-pos que, subm et idos a um a t ensão de int ensidade abaixo do lim it e por eles t olerado, persistem com suas propriedades originais.

Analogism o fora em preendido e a idéia acabou t ranspost a para os “ sist em as am bientais”. Resultava: o que persistia nestes eram as relações internas, as quais teceri-am um a m alha absorvedora de im pact os; ou sej a, o funcionteceri-am ent o de t ais sist em as subentenderia processos de recuperação que adm item certo grau de flutuação em torno de coordenadas iniciais. Daí, m ensurações que se possam fazer antes e depois, m uito possivelm ente, dem onstrariam atributos com valores alterados ( 1993) .

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digital, bem com o o uso dos sistem as de inform ação geográfica, é o que ele tom a por bom exem plo ... visto se tratar de duas am pliações enriquecedoras, nos anos oitenta, daquela difusão de procedim ent os quant it at ivos, ocorrida na década de sessent a) , se obriga a reconhecer o m enos satisfatório desenvolvim ento do edro “ teorético” ( 1992) – fato de se lam entar ... m as não para sem pre.

A ciência de que, na cena internacional, o procedim ento quantitativo j á se instalara sem m aiores celeum as, estim ula Christofoletti a insistir num papel incentivador. O bom cientista persistiria; transform aria eventuais tropeços ( ou descuidos) em episódios a não serem repetidos. I sto é, o abandono do cam inho não estava em pauta. Ele prosseguira acionado. Provava isso, o diagnóstico de que as técnicas de quantificação tinham se espa-lhado por vários setores da Geografia. Ou sej a, a tendência não teria se instalado num a área específica da disciplina. ( O caso inglês lhe figurou expressivo, pois via os autores as aplicando em clim atologia, geom orfologia, biogeografia, Geografia econôm ica, urbana e da população.) .

Se m uit os erros foram com et idos no uso da quant ificação, e m ui-t os ainda deverão ser com eui-t idos, isso não im pede nem deve desestim ular o desenvolvim ento do uso das técnicas quantificativas na Geografia. ( 1982b, p. 172, grifo nosso) .

A Geografia ganhara m uito com a quantificação, não havia dúvida. E a conquista precisava ser proclam ada para não se fazer esquecer. “ Cifrar os problem as m orfológicos” era im portante, pois que substituíam a descrição verbal, m iseravelm ente dependente da habilidade do geógrafo em redigir considerações e acordá- las com os conceitos filiados à nom enclatura que deu de utilizar ( 1970) . Estudar, por exem plo, form as de vertente pelo auxílio de perfis m odelados m atem aticam ente, na j usta precondição de recheá- los com variáveis de im plicação plausível, levava à conseqüência de se conseguir predizer steady states m ais prováveis, bem com o m aneiras possíveis delas os atingirem . Além do m ais, o exercício da análise m orfom étrica term inava por contornar o problem a de m uitas regiões ainda não terem seu aspecto m orfológico devidam ente estudado.

Mas a fatal circunscrição de toda ciência ao dom ínio vasto do conhecim ento, torna-va torna-vago e redutor este exercício de m eram ente ( sic) colher- filtrar- com binar dados infor-m ativos. Sendo igualinfor-m ente ciência ( coinfor-m ungando coinfor-m as deinfor-m ais, de uinfor-m patriinfor-m ônio de teorias e procedim entos) , a Geografia teria de ser m adura o suficiente e discutir a validade, para si, das filosofias e m ét odos à disposição. Técnicas quant it at ivas eram út eis, m as Christofoletti ( 1980b, p. 112) sabia que do geógrafo tam bém se podia ( devia) exigir m ais, pois que “ cada ciência insere- se num corpo m aior, que é o próprio conhecim ento científico com o um t odo.”. E est e exigir m ais passava, ent re out ras coisas, pela prudência dos exercícios pacientes.

Todos os em pecilhos, t odas as dúv idas, eram coisas espor ádicas, pont uais. Christofoletti sabia dos m aus- usos, dos lapsos com etidos durante pesquisas em polgadas. Mas nada podia pôr abaixo, nos tem pos recentes, o edifício da quantificação ... m elhor acabado graças a técnicas perform áticas. No lugar do desprezo dogm ático, das renúncias pré- estabelecidas, havia de se ponderar as circunstâncias favoráveis; e, na rotunda au-sência destas, de se tentar ( que fosse) ligeiras adequações ... dando às técnicas algum a particular serventia.

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plexi-dade de tantas variáveis im plicadas não autorizava pensar, para descrever a inter- relação delas, em m odelos determ inísticos. No entanto, a m escla aditiva da observação, das expe-rim entações e de um a robusta diretriz teórica haveria de propiciar, com o tem po, análises m enos cingidas.

[ ...] não se deve [ ...] confundir a deficiência do geógrafo com a incapacidade da Nova Geografia. [ ...] Se por ignorância ou por m era facilidade prát ica o geógrafo escolhe inadequadam ent e a t écnica a usar, esse procedim ent o corresponde ao fat o de um m édico receit ar ao pacient e rem édio im próprio à sua doença, pois é o que ele conhece e dispõe. Deve- se, por isso, est igm at izar a Medicina? Há m uit a celeum a em t orno da quant ificação em Geo-grafia – é conseqüência da confusão que se faz ent re a escolha e o uso das t écnicas, com a própria ciência. ( 1982a, p. 18- 19) .

A adoção ent usiást ica e a rej eição com pulsiva são duas at it udes em ocionalm ente t om adas, em bora não adequadas ao bom senso e à visão cient ífica. Pelas duas caract eríst icas, a quant ificação des-pert ou paixões em am bos os ext rem os. Na at ualidade, o desenvol-vim ent o m ost rou a ut ilidade na t ecnologia analít ica do geógrafo e as vant agens da quant ificação são aceit as com o óbvias para a Geografia. Os est udos disponíveis são capazes de salient ar a plausibilidade das t écnicas específicas, nom ear o seu pot encial analít ico e relacionar as rest rições para o seu uso. Dessa m aneira, o pesquisador encont ra condições para, considerando os obj et i-vos de sua pesquisa, selecionar as t écnicas adequadas e conhe-cer o quadro avaliativo a respeito das inferências possíveis. ( 1990b, p. 69- 70, grifo nosso) .

A TAREFA OBSTI N ADA DE RASTREAR, N AS N OVI DADES TEÓRI CAS, OS DESPOJOS DA TEORÉTI CA

Christofoletti nos sugere que o m ovim ento de renovação m etodológica em Geogra-fia, rebento intradisciplinar do positivism o lógico, por m ais que tenha dado m argem natural ao levante de posturas suas questionadoras, sobreviveu às provações da história. Daí – feit o espécie selecionada –, part e daquilo que t rouxe por caract eres, t eria cum prido a tarefa de preservá- lo ... e a despeito da outra parte, que, apontada com o fragilidade, foi j ustam ente o que m otivou questionam entos.

Aproxim adam ent e cinco lust ros j á decorreram desde os prim órdios da cham ada “ revolução t eorét ica e quant it at iva” [ ...] , e at ual-m ent e o uso de procediual-m ent os ual-m at eual-m át icos e est at íst icos foi ple-nam ent e absorvido nos m ais diversos set ores da Geografia. Em bo-ra ainda haj a crít icas cont bo-ra a “ quant ificação”, as pondebo-rações em anadas serviram para se at ingir m aior consciência das suas vant agens e lim it ações, [ ...] ( 1986, p. 155- 156) .

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que, com tim bre pró- holism o, tinham potencialidade explanatória garantida ( quer dizer, pelo m enos na análise dos geossistem as) .

Para ele, o arej am ento na cena científica em geral, bastando que fosse m inim am en-te insinuada sua entrada na Geografia, j á era prova de que a prim eira grande renovação t écnica por que passara est ava sendo subst it uída por out ra ( na verdade, o segundo estágio de um processo inacabado) . Novas abordagens sobre sistem as dinâm icos teriam sido verificadas, prim eiram ente, em Geografia Física ( 1990a) .

No t ranscurso das duas últ im as décadas, a análise e a t eoria geral dos sistem as ganharam expressão m uito grande no setor das pes-quisas geográficas. Já passou a fase do debate sobre se a teoria dos sist em as represent aria paradigm a revolucionário e unificador para a Geografia, ou se seria apenas um a proposição irrelevant e. O que se absorveu com o sendo relevant e foi o fat o de que ela represent a inst rum ent o, o im port ant e é desenvolver a t écnica de uso e aplica- la. ( 1984a, p. 115, grifo nosso) .

[ ...] pode- se afirm ar que essa “ onda revolucionária” [ Christ ofolet t i fala aqui das inspirações que a t eoria dos sist em as gerais de Bert alanffy t inha produzido no cam po da geom orfologia] ainda não at ingiu seu ápice [ ! ] . Mesclando cont ribuições com essa visão biológica dos sist em as, a lit erat ura geom orfológica com eça a m os-t rar sinais visando aplicar perspecos-t ivas oriundas da Física no os-t o-cant e aos sist em as dinâm icos, a fim de com preender m ais ade-quadam ent e a com plexidade da organização espacial dos sist em as do m eio físico. ( 1988a, p. 268, grifo nosso) .

A Geografia Física beneficiou- se significat ivam ent e com a aplica-ção das abordagens em sist em as. Nos anos at uais, novas con-cepções est ão surgindo e apresent ando desafios à com unidade dos geógrafos. Praticam ente, encontram o- nos perante nova eta-pa [ ! ] que surge no desenvolvim ent o dos est udos geográficos. Há necessidade de conhecer esses conceitos e os seus procedim en-t os analíen-t icos e inen-t erpreen-t aen-t ivos, aen-t ien-t ude aliada obviam enen-t e à avali-ação das suas pot encialidades e aj ust agens operacionais adequa-das às caract eríst icas dos fenôm enos que const it uem o cam po de ação da ciência geográfica. ( 1990a, p. 32, grifo nosso) .

Há, port ant o, um a efervescência cient ífica a desafiar o pesquisa-dor criando condições propícias à m udança epist em ológica. Ao lado das abordagens conceit uais há, inclusive, t odo o desenvolvi-m ent o relacionado codesenvolvi-m os sist edesenvolvi-m as de infordesenvolvi-m ação geográfica. Edesenvolvi-m sua aplicabilidade, esse conj unt o de procedim ent os sist em at iza-dos para a análise iza-dos daiza-dos com conot ação espacial represent a out ra et apa na t em át ica da quant ificação em Geografia. [ ...] De-verá fazer [ a com unidade dos geógrafos brasileiros] esforços para apreender, ut ilizar e avaliar t ais proposições, conceit uais e t écni-cas. Os desafios não são pequenos nem fáceis. Mas não se deve, usando da analogia com o com port am ent o da avest ruz, enterrar a cabeça na areia e ignorar o que est á acont ecendo. Com o discipli-na, inserida no cont ext o cient ífico global, a Geografia não pode ficar alheia [ ! ] . ( 1992, p. 115, grifo nosso) .

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Figura 1  –  Evolução do pensam ent o geográfico em  Christ ofolet t i ( as prát icas e os ideários)

Referências

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