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Certificação em Manejo Florestal e em Cadeia de Custódia no Brasil / Forest Management and Custody Chain certification in Brazil

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 8, p. 57324-57340 aug. 2020. ISSN 2525-8761

Certificação em Manejo Florestal e em Cadeia de Custódia no Brasil

Forest Management and Custody Chain certification in Brazil

DOI:10.34117/bjdv6n8-223

Recebimento dos originais:08/07/2020 Aceitação para publicação:14/08/2020

Déborah Victória Medici Meijueiro

Graduanda em Engenharia Florestal (UNIPAMPA) Instituição: Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)

Endereço: Rua Aluízio Barros Macedo, s/n. BR 290 - km 423 - São Gabriel (RS) CEP: 97.307-020

E-mail: [email protected]

Carolina de Souza Lopes

Graduanda em Engenharia Florestal (UNIPAMPA) Instituição: Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)

Endereço: Rua Aluízio Barros Macedo, s/n. BR 290 - km 423 - São Gabriel (RS) CEP: 97.307-020

E-mail: [email protected]

Ricardo Ribeiro Alves

Doutor em Ciência Florestal (UFV)

Instituição: Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)

Endereço: Rua Aluízio Barros Macedo, s/n. BR 290 - km 423 - São Gabriel (RS) CEP: 97.307-020

E-mail: [email protected] Bruna Denardin da Silveira Doutora em Engenharia Florestal (UFPR)

Instituição: Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)

Endereço: Rua Aluízio Barros Macedo, s/n. BR 290 - km 423 - São Gabriel (RS) CEP: 97.307-020

E-mail: [email protected]

Cibele Rosa Gracioli

Doutora em Engenharia Florestal (UFSM)

Instituição: Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)

Endereço: Rua Aluízio Barros Macedo, s/n. BR 290 - km 423 - São Gabriel (RS) CEP: 97.307-020

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Silviana Rosso

Doutora em Engenharia Florestal - Tecnologia e Utilização de Produtos Florestais (UFPR) Instituição: Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)

Endereço: Rua Aluízio Barros Macedo, s/n. BR 290 - km 423 - São Gabriel (RS) CEP: 97.307-020

E-mail: [email protected]

RESUMO

A certificação florestal é adotada por empresas que tem como objetivo atestar que sua produção

segue certos padrões de qualidade e de sustentabilidade ambiental na obtenção de produtos florestais. As duas modalidades encontradas na certificação florestal são o Manejo Florestal, que garante o manejo responsável das florestas, e a Cadeia de Custódia, que garante a rastreabilidade do produto de origem florestal até chegar ao consumidor final. Assim, este trabalho teve como objetivos avaliar o número de empresas certificadas em Manejo Florestal e em Cadeia de Custódia por estado brasileiro nos sistemas Forest Stewardship Council e Programa Brasileiro de Certificação Florestal; a área certificada total na categoria de Manejo Florestal em ambos os sistemas; e o levantamento dos principais produtos gerados pelas empresas na modalidade de certificação em Cadeia de Custódia nos dois sistemas de certificação. O presente estudo foi desenvolvido a partir de pesquisas documentais e bibliográficas, onde coletaram-se dados dos relatórios de certificação florestal das empresas atuantes no Brasil nos sistemas FSC e Cerflor. Constatou-se que no total, 333 empresas são certificadas no Brasil pelo sistema FSC e 31 pelo Cerflor na categoria de Manejo Florestal. Nesta modalidade, a região Sul possui o maior número de empresas e área total certificada no sistema FSC. Já pelo sistema Cerflor, a região Sudeste apresenta o maior número de empresas certificadas e área total certificada. Na modalidade Cadeia de Custódia, encontram-se 1363 empresas certificadas pelo sistema FSC e 60 empresas pelo Cerflor. Em ambas, a região Sudeste apresenta o maior número de empresas certificadas nesta categoria. Além de se atestar a ampla variedade de produtos certificados, percebe-se que os principais produtos são da indústria de celulose e papel. Desta forma, conclui-se que FSC possui a maior área certificada total na maioria dos estados brasileiros em relação ao Cerflor; a maioria das empresas certificadas em Manejo Florestal e Cadeia de Custódia estão presentes nas regiões Sul e Sudeste.

Palavras-chave: manejo sustentável, hectares certificados, variedade, rastreabilidade, produtos

certificados.

ABSTRACT

Forest certification is adopted by companies whose objective is to certify that their production

follows certain quality and environmental sustainability standards in obtaining forest products. The two modalities found in forest certification are Forest Management, which guarantees responsible management of forests, and the Chain of Custody, which guarantees the traceability of the forest product until it reaches the final consumer. Thus, this work aimed to evaluate the number of companies certified in Forest Management and Chain of Custody by Brazilian state in the Forest Stewardship Council and Brazilian Forest Certification Program systems; the total certified area in the Forest Management category in both systems; and the survey of the main products generated by companies in the Chain of Custody certification modality in the two certification systems. This study was developed from documentary and bibliographic research, where data were collected from the forest certification reports of companies operating in Brazil in the FSC and Cerflor systems. It was found that in total, 333 companies are certified in Brazil by the FSC system and 31 by Cerflor in the Forest Management category. In this modality, the South region has the largest number of companies and the total area certified in the FSC system. In the Cerflor system, the Southeast region

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has the largest number of certified companies and the total certified area. In the Chain of Custody modality, there are 1363 companies certified by the FSC system and 60 companies by Cerflor. In both, the Southeast region has the largest number of certified companies in this category. In addition to attesting to the wide variety of certified products, it is clear that the main products are from the pulp and paper industry. Thus, it is concluded that FSC has the largest total certified area in most Brazilian states in relation to Cerflor; most companies certified in Forest Management and Chain of Custody are present in the South and Southeast regions.

Keyword: sustainable management, certified hectares, variety, traceability, certified products.

1 INTRODUÇÃO

A certificação é adotada por empresas que tem como finalidade assegurar que os produtos florestais certificados são oriundos do “bom manejo” das florestas, seguindo padrões ambientalmente corretos, socialmente benéficos e economicamente viáveis. Além disso, visa garantir a rastreabilidade dos produtos originários desses locais.

Como mecanismo de mercado, a certificação florestal, por intermédio de sistemas de avaliação independentes e de adesão voluntária, permite rotular produtos originários de florestas manejadas de forma sustentável (MOURA, 2016).

Ainda pode-se dizer que a certificação atua como garantia para que consumidores e compradores escolham um produto diferenciado e com valor agregado. Desta forma, não degradando o ambiente, vindo a contribuir para o desenvolvimento socioeconômico das comunidades florestais (WWF, 2018?).

Para as empresas, a certificação, além de atribuir credibilidade ao produto, estabelece diferencial favorável, pois promove a inserção das mesmas em novos mercados. Com isso, a imagem de empresas que se mostram ambientalmente corretas é melhor aceita por acionistas, consumidores, fornecedores e autoridades públicas.

A certificação florestal possui diversos sistemas que podem ser nacionais e/ou internacionais. Em âmbito nacional, o Programa Brasileiro de Certificação Florestal (Cerflor) ganha destaque, e, em entre os sistemas internacionais, os que mais se destacam são o Forest Stewardship

Council (FSC) e o Programme for the Endorsement (PEFC).

O Manejo Florestal (FM) e a Cadeia de Custódia (CoC) são as duas modalidades encontradas na certificação florestal. A primeira garante o manejo responsável das florestas nativas ou plantadas, públicas ou privadas. O manejo florestal consiste na exploração madeireira realizada de forma planejada, ou seja, visa a realização de atividades de planejamento com o objetivo de assegurar a manutenção da floresta para outro ciclo de corte (SABOGAL et al., 2006).

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Algumas das práticas de manejo decorrentes da certificação florestal tencionam a manutenção da biodiversidade, proteção dos direitos dos trabalhadores, respeito aos direitos das comunidades tradicionais, a produção sustentável de bens e serviços ambientais e o baixo emprego de produtos químicos, entre outros (FAO, 2015).

A Cadeia de Custódia refere-se aos estágios de produção, distribuição e venda de um produto de origem florestal, ou seja, garante a rastreabilidade desde a produção da matéria-prima que sai das florestas até chegar ao consumidor final. Esta modalidade é a aplicada aos produtores que processam a matéria-prima de florestas certificadas, permitindo a utilização dos chamados “selos verdes” no produto final, orientando os consumidores e compradores sobre a origem da matéria-prima florestal (WWF, 2018?).

Quando se identifica o selo da certificação em um produto, entende-se que a floresta que o originou está sendo manejada de acordo com as leis vigentes e de forma sustentável. Isto qualifica o produto quando comparado aos outros, desta forma, agrega valor a toda cadeia de produção e comércio.

Deste modo, este trabalho teve como objetivo avaliar o número de empresas certificadas em Manejo Florestal e em Cadeia de Custódia por estado brasileiro nos sistemas FSC e Cerflor; a área certificada total na categoria de Manejo Florestal em ambos os sistemas; e o levantamento dos principais produtos gerados pelas empresas na modalidade de certificação em Cadeia de Custódia nos dois sistemas de certificação.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 SETOR FLORESTAL BRASILEIRO

O Brasil é o segundo país com a maior área de florestas do mundo, apresentando aproximadamente 493,5 milhões de hectares (58% do seu território total) cobertos por florestas naturais e plantadas (SNIF, 2016).

As florestas são de extrema importância ecológica devido a biodiversidade que apresentam e também pelos serviços ambientais que desempenham. Sabe-se que as maiores fontes de diversidade biológica, uma das maiores riquezas do Brasil, são as florestas nativas (SNIF, 2019).

Segundo Colatto (2020), as florestas nativas geram bens e serviços e são a base de uma cadeia bioeconômica, ou seja, é a produção baseada no conhecimento e no uso de recursos naturais que provêm benefícios socioeconômicos e ambientais, dentro de um sistema de produção que envolve o manejo sustentável.

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Para Lima et al. (2020), aliar o desenvolvimento econômico a preocupação com o meio ambiente, juntamente com as questões sociais, é uma alternativa efetiva para preservação do meio ambiente e o crescimento da economia do País. Desta forma, as florestas plantadas que são manejadas corretamente ganham um papel fundamental na proteção dos recursos naturais.

As florestas plantadas oferecem diversos produtos madeireiros e não madeireiros que contribuem para o abastecimento de diferentes cadeias produtivas de grande importância para o País. A produção de madeira é concentrada nas florestas plantadas abastecendo mais de 91% do parque fabril, apesar de ocupar menos de 1% da área do território nacional (COLATTO, 2020).

As florestas nativas são lar de inúmeras populações indígenas e tradicionais, além de serem instrumentos de inclusão social. Existem estudos já colocados em prática que utilizam como base o manejo sustentável, sendo uma alternativa para que as comunidades tradicionais usufruam economicamente da floresta de forma organizada e sustentável. As atividades de plantio de florestas ou manejo de reservas florestais, também apresentam uma relação estreita com as comunidades rurais e os produtores, muitas vezes sendo uma alternativa para os mesmos (SNIF, 2019).

O Brasil é muito bem representado na competitividade de mercado do setor florestal, seja interno ou externo. A atividade florestal do país caracteriza-se pela diversidade de produtos, compreende atividades e segmentos que incluem todas as etapas de produção, desde o cultivo até a transformação da madeira no seu produto final como, por exemplo, celulose, papel, painéis de madeira, entre outros, além de trabalhar com os produtos não madeireiros. Cada uma das atividades e segmentos possui mercado próprio, e as condições para o desenvolvimento estão ligados à base florestal o que os torna interdependentes e possuidores de uma dinâmica específica, determinada pela oferta de madeira e produtividade das florestas (MOREIRA & OLIVEIRA, 2017).

Para Snif (2019), todos os setores produtivos estão, direta ou indiretamente, ligados aos produtos florestais como, por exemplo, a construção civil na utilização de madeiras e as indústrias que utilizam como base o carvão vegetal como fonte de energia. Segundo a mesma fonte, afere-se que o setor de base florestal, que atua basicamente nas seis cadeias produtivas (Quadro 1), seja responsável por 4% do PIB brasileiro. Além disso, de acordo com o Relatório Anual da Indústria Brasileira de Árvore - Ibá (2019), o setor de florestas plantadas foi responsável por gerar aproximadamente 513 mil empregos diretos em 2018.

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Quadro 1. Origem da matéria-prima utilizada nas seis cadeias produtivas do setor florestal brasileiro.

Cadeias produtivas Origem da matéria-prima

Serviços ambientais Florestas Naturais e Plantadas Produtos não madeireiros Grande maioria de Florestas Naturais

Painéis reconstituídos

Florestas Plantadas

Papel e celulose Lenha e carvão

Florestas Plantadas e Naturais Madeira Sólida

Fonte: SNIF, 2019.

Atualmente, em relação ao enfrentamento da pandemia do covid-19, o setor florestal continua a prestar serviços que são essenciais à toda população, fornecendo matéria-prima para itens fundamentais como papel higiênico, produtos de higiene e embalagens. Ao mesmo tempo, a pandemia aumentou a conscientização relacionada aos perigos do desmatamento e comércio ilegal de animais silvestres (FSC, 2020).

Empresas brasileiras do setor tem movimentado diferentes iniciativas em variados estados do Brasil, buscam contribuir com atividades como a doação de máscaras e aventais até a importação de respiradores mecânicos e auxílio na construção de hospitais de campanha (FSC, 2020). Segundo a mesma fonte, as empresas também disponibilizam apoio financeiro a instituições de saúde e comunidades que necessitam.

2.2 ORIGEM DA CERTIFICAÇÃO FLORESTAL

Com o desmatamento das florestas tropicais no mundo seguindo de forma descontrolada durante os anos 80, a preocupação aumentou em relação ao consumo de madeira e o desflorestamento dos trópicos. Alguns consumidores, em especial norte americanos e europeus, iniciaram um boicote à madeira oriunda de florestas tropicais. Empresas e governos, aliados à lógica de que as florestas tropicais só seriam protegidas e as populações tradicionais respeitadas se os consumidores deixassem de consumir produtos de origem tropical, baniram o uso de madeiras tropicais como uma solução a esses acontecimentos (IMAFLORA, 2005; ALVES et al. 2011).

Para o Imaflora (2005) a consequência desse boicote, além de não reconhecer as iniciativas que visavam a sustentabilidade no manejo florestal, foi a desvalorização da floresta como opção produtiva, fomentando as atividades de agricultura e pecuária como alternativas econômicas.

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Diante do exposto, Alves & Jacovine (2015) relatam que concomitante a isso, houve o aumento da conscientização de pessoas, empresas e governos levando ao surgimento de inúmeros mecanismos, como implantação de políticas ambientais nas organizações e estabelecimento de tratados internacionais, entre outros.

Para o setor florestal, Basso et al. (2011) afirma que a criação de mecanismos de mercados que permitissem rotular produtos originários de florestas manejadas corretamente, destacaria empresas ou produtores que realizassem atividades que respeitassem os aspectos ambientais e sociais nas etapas de produção.

Pensando nisso, após diversos debates com entidades sociais, econômicas, ambientais, governos e organizações não governamentais e os stakeholders ou “partes interessadas”, foi criado um selo, mais conhecido como selo verde, com o objetivo de identificar unidades florestais que adotassem práticas do “bom manejo”. Com o objetivo de verificação dessas práticas, passou-se avaliar o cumprimento de determinados padrões preestabelecidos em comum acordo entre as “partes interessadas”, dando origem a certificação florestal (ALVEZ & JACOVINE, 2015).

De acordo com Baharuddin (200-?), a certificação foi projetada com o objetivo de possibilitar para os participantes a avaliação de suas práticas de manejo florestal em relação aos padrões e demonstrar conformidade com esses padrões. Conforme o mesmo autor afirma, as condutas de gestão assumidas para garantir a sustentabilidade são o foco da avaliação, e para que um programa de certificação seja credível, este deve avaliar a integridade da reivindicação do produtor e autenticidade da origem do produto sendo considerado objetivo e imparcial.

2.3 PRINCÍPIOS E CRITÉRIOS DAS CERTIFICAÇÕES

A fim de atestar que sua produção siga certos padrões de qualidade e de sustentabilidade ambiental na obtenção de produtos florestais, as empresas se submetem ao processo de certificação florestal (MOURA, 2016). Segundo a mesma autora, estes padrões são compostos por um conjunto de regulações privadas, unido ao cumprimento das legislações nacionais vigentes de cada país.

Os Princípios são as regras essenciais para que o manejo florestal ocorra de forma ambientalmente adequada, socialmente benéfica e economicamente viável, enquanto que os critérios são os meios para julgar se um Princípio foi ou não atendido (FSC, 2018?).

Os Princípios e Critérios (P&C) são inalteráveis em âmbito mundial. No entanto, os Indicadores e Verificadores são adaptáveis a realidade de cada país, conforme o Padrão Nacional de Manejo Florestal, sendo utilizados pelas certificadoras para garantir o cumprimento e conformidade aos P&C (Figura1) (FSC, 2018?).

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Figura 1 – Desdobramento dos Princípios e Critérios utilizados pelas Certificadoras nos processos de certificação

florestal.

Fonte: Autora.

3 METODOLOGIA

O presente estudo foi desenvolvido a partir de pesquisas documentais e bibliográficas. Os principais dados foram obtidos por meio de pesquisa documental, ou seja, através da exploração de dados obtidos por fontes registrais podendo ser de primeira ou segunda mão (Gil, 2008). São considerados documentos de primeira mão aqueles que não receberam nenhum tratamento analítico como, por exemplo, reportagens e documentos oficiais. No entanto, documentos de segunda mão são os que de alguma foram analisados como, por exemplo, relatórios de empresas ou de pesquisas (GIL, 2008).

Buscaram-se os dados nos relatórios de certificação florestal das empresas no Brasil nos sistemas FSC e Cerflor. Nesses documentos estão descritos a localização de cada empresa, sua área certificada total e o produto gerado pela mesma.

A primeira análise foi feita em relação ao número de empresas certificadas por estados brasileiros nas categorias de CoC e FM nos sistemas FSC e Cerflor; em relação a área certificada total, a análise foi feita na categoria de Manejo Florestal nos sistemas FSC e Cerflor; e, quanto aos principais produtos gerados pelas empresas, a análise ocorreu na modalidade de Cadeia de Custódia nos dois sistemas FSC e Cerflor.

4 RESULTADOS

4.1 CERTIFICAÇÃO EM MANEJO FLORESTAL

O Brasil, no ano de 2019, possuía a maioria dos estados com pelo menos uma empresa com o selo de certificação em Manejo Florestal (Figura 2) pelos sistemas FSC e Cerflor. Observou-se que dez estados não possuem certificação em FM pelos dois sistemas.

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Figura 2 - Número de empresas brasileiras certificadas por estado nos sistemas Forest Stewardship Council (FSC) e

Programa Brasileiro de Certificação Florestal (Cerflor).

Fonte: Autora

No total, 333 empresas são certificadas no Brasil pelo sistema FSC e 31 pelo Cerflor na categoria de Manejo Florestal. Constata-se que a Região Sul possui o maior número de empresas certificadas pelo FSC, apresentando um total de 104 empresas, seguida das regiões Norte com 91 empresas, Nordeste com 65 empresas, Sudeste com 50 empresas e Centro - Oeste com 18 empresas. Pelo sistema Cerflor, a região que apresentou maior número de empresas certificadas foi o Sudeste do Brasil, com 12 empresas no total, seguida das regiões Nordeste com oito empresas, Norte com cinco empresas, Sul com quatro empresas e, por fim, Centro-Oeste com três empresas.

Considera-se área certificada total a soma da área total de florestas plantadas, da área total de florestas protegidas e florestas sem produção, da área total não florestal como, por exemplo, afloramentos rochosos, corpos de água e áreas úmidas e, da área total destinada à infraestrutura e outros.

No ano de 2019, até o mês de julho, o Brasil possuía 7.010.025,64 ha certificados (Tabela1) na modalidade de manejo florestal no sistema FSC.

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Tabela 1 - Área certificada total, em hectares, por estado brasileiro no sistema FSC (Forest Stewardship Council) na

modalidade de Manejo Florestal.

Estado Área certificada (ha) Estado Área certificada (ha)

Mato Grosso do Sul

877.025,17 Espírito Santo 295.438,00

São Paulo 818.521,33 Amazonas 248.058,94

Paraná 782.755,55 Acre 190.201,00

Rio Grande do Sul 681.863,04 Amapá 169.692,06

Minas Gerais 628.644,88 Rondônia 114.571,43

Pará 618.036,30 Tocantins 80.952,87

Santa Catarina 597.967,04 Mato Grosso 36.215,16

Bahia 497.239,82 Goiás 10.694,2

Maranhão 368.148,82

Total 7.010.025,64

Fonte:Autora

A região Sul do Brasil é a que possui a maior área total certificada pelo FSC com 2.056.585,64 ha, seguida da região Sudeste (1.742.604,21 ha), Norte (1.421.512,61ha), Centro-Oeste (923.934,53 ha) e, Nordeste (865.388,64 ha).

O Cerflor dispunha, até a sua última atualização disponibilizada em 2018, a área total de 4.218.827,15 hectares certificados no Brasil (Tabela 2).

Tabela 2 - Área certificada total, em hectares, por estado brasileiro no sistema Cerflor (Programa Brasileiro de

Certificação Florestal) na modalidade de Manejo Florestal.

Estado Área certificada (ha) Estado Área certificada (ha)

Mato Grosso do Sul 646.121,33 Rio Grande do Sul 224.522,00

Bahia 632.269,2 Amazonas 219.137,02

São Paulo 618.360,7 Amapá 166.696,06

Minas Gerais 491.323,23 Tocantins 80.952,87

Paraná 391.871,35 Pará 63.967,55

Espírito Santo 323.869,00 Santa Catarina 54.509,00

Maranhão 305.227,84

Total 4.218.827,15

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A região que possui a maior área certificada total pelo sistema Cerflor é a Sudeste, com 1.433.552,93 ha, seguida da Nordeste com 937.497,04 ha, Sul com 670.902,35 ha, Centro-Oeste com 646.121,33 ha, e da Norte com 530.753,5 ha.

O FSC é a certificadora que possui a maior área certificada total na maioria dos estados brasileiros, sendo que, apenas dois estados possuem a maior área certificada pelo sistema Cerflor e um estado possui área igual em ambos (Figura 3).

Figura 3 – Comparativo das áreas certificadas, em hectare, por estados brasileiros pelos sistemas Forest Stewardship

Council (FSC) e Programa Brasileiro de Certificação Florestal (Cerflor) na modalidade de Manejo Florestal.

Fonte: Autora

Percebe-se que as regiões Sul e Sudeste possuem o maior número de empresas e área certificadas pelos sistemas FSC e Cerflor. Isto pode estar relacionado à distribuição demográfica das empresas e a concentração de florestas plantadas no Brasil. Segundo o IBGE (2018), em 2016 o Brasil possuía 4,5 milhões de empresas ativas nos diversos setores do mercado, onde 50,1% estavam localizados na região Sudeste; 22,5% na região Sul; 15,4% na região nordeste; 8,2% na região Centro-Oeste; e 3,7% na Região Norte.

Segundo a Empresa Brasil de Comunicação – EBC (2018), existem 9,85 milhões de hectares de florestas plantadas no Brasil, onde a maior concentração está localizada nas regiões Sul e Sudeste, correspondendo respectivamente, por 36,1% e 25,4% do valor da produção total.

Segundo Basso (2015), as oportunidades de negócios ou manutenção de mercados são as principais motivações das organizações brasileiras aderirem os padrões da certificação. Além de procurarem por um diferencial, conforme o mesmo autor, empresas de grande porte fortalecem a sua imagem e a busca de um mecanismo para melhorar suas relações com o campo organizacional.

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A certificação tornou-se um meio de demonstrar que as organizações se preocupam com questões ambientais e sociais, buscando implantar técnicas e programas para minimizar os impactos negativos de suas operações sobre o ambiente e a comunidade onde está inserida (BASSO, 2015).

Borin (2017) destaca que as empresas que possuem algum tipo de certificação florestal e apresentam esse diferencial no mercado, conseguem estabelecer uma ligação com a produtividade e a redução de impactos ambientais negativos.

No entanto, percebe-se que ainda existem estados que possuem um número pouco expressivo ou nenhuma empresa certificada. Desta forma, faz-se necessário a maior divulgação e incentivo a certificação. Expor para produtores os benefícios decorrentes da certificação como, por exemplo, o baixo impacto negativo no ambiente, melhora na produção decorrente de florestas bem manejadas e a inserção em novos mercados. Para os consumidores, é necessária a conscientização, ressaltando a importância de adquirir produtos oriundos de florestas bem manejadas.

Como relatado por Perera & Vlosky (2006), embora a certificação tenha um papel importante como mecanismo baseado no mercado no apoio florestal sustentável, percebe-se que ainda há muitas questões a serem abordadas para que a certificação ganhe força real.

4.2 CERTIFICAÇÃO DE CADEIA DE CUSTÓDIA

No Brasil, até julho de 2019, 1.363 empresas encontram-se certificadas na modalidade de Cadeia de Custódia pelo sistema FSC e até o ano de 2018, 60 empresas foram certificadas pelo sistema Cerflor. A maioria dos estados brasileiros (22 e o Distrito Federal) possui, pelo menos, uma empresa com o selo de certificação em Cadeia de Custódia e cinco estados sem certificação em CoC, considerando os sistemas FSC e Cerflor (Figura 4).

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Figura 4 - Número de empresas certificadas por estado brasileiro em Cadeia de Custódia (CoC) nos sistemas FSC

(Forest Stewardship Council) e Cerflor (Programa Brasileiro de Certificação Florestal).

Fonte: Autora

A região que apresenta o maior número de empresas certificadas pelo sistema FSC é a Sudeste com 824 empresas, seguida da Sul com 435 empresas, Norte com 61 empresas, e Centro-Oeste e Nordeste com 43 empresas.

No sistema Cerflor, a região que apresenta o maior número de empresas certificadas é a Sudeste com 34 empresas, seguida da Sul com 16 empresas, Centro-Oeste e Nordeste com quatro empresas, e, por fim, a Norte com duas empresas.

As regiões Sudeste e Sul ganham destaque no que se refere ao maior número de empresas certificadas pelos sistemas FSC e Cerflor. Isto pode estar relacionado a distribuição demográfica das empresas ativas e a concentração de florestas plantadas no Brasil.

Os principais produtos provenientes da cadeia de custódia (Tabela 3) são materiais de celulose e papel como, por exemplo, papéis, cadernos, envelopes, jornais, guardanapos e etc; mobiliário de interior como, por exemplo, mesas, cadeiras, sofás, armários, bancada de cozinha, guarda-roupas, entre outros; e madeira maciça como as utilizadas para construção de dormentes, pranchas, vigas, postes, etc.

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Tabela 3 - Principais produtos oriundos da certificação em Cadeia de Custódia (CoC) nos sistemas FSC (Forest

Stewardship Council) e Cerflor (Programa Brasileiro de Certificação Florestal) no Brasil.

Produto* N° de empresas Produto* N° de empresas

Celulose e papel 670 Produtos de madeira

bruta

52

Mobiliário de interior 133 Madeira plainada 52

Produtos de madeira maciça

110 Madeira em lascas 51

Produtos de madeira para construção

96 Pastas químicas para

papel

51

Painéis 84 Madeira folheada 35

Mobiliário de exterior e jardim 52 Produtos de madeira engenheirados 26 Outros 207

*Uma empresa pode fabricar mais de um produto.

Fonte: Autora

Por meio desse estudo, pode-se constatar a variedade de produtos certificados como, chás, pastilhas, xaropes, fórmulas específicas, aromatizador de ambientes, tinturas, produtos fitoterápicos e fitocosméticos (cremes, pomadas, shampoos, condicionadores, filtros solar, sabonetes líquido e em barras, gel, repelentes de insetos, etc), temperos específicos, polpa in natura de açaí, instrumentos musicais, isqueiros, carvão vegetal, entre outros.

O mercado tem se tornado cada vez mais exigente no que se refere a origem dos produtos e operações de produção das empresas. A busca por produtos que geram baixo impacto negativo no ambiente, seguindo padrões ambientais e sociais corretos e a legislação vigente, tem sido crescente. Perera & Vlosky (2006) afirmam que os varejistas e comerciantes desempenham um papel fundamental no desenvolvimento futuro dos mercados de produtos certificados.

Desta forma, os consumidores podem, por meio da certificação florestal, escolher um produto diferenciado com atestado de origem garantida e, em termos de benefícios sociais, ambientais e econômicos, que contribui para a sustentabilidade (VILAR, 2019).

Para as empresas, a certificação assegura o seu compromisso ambiental, atribui credibilidade ao produto e estabelece diferencial benéfico, pois promove a inserção das mesmas em novos mercados. Com a certificação, além dos produtos possuírem maior valor de mercado, agências de seguro, financiadoras e investidores consideram positiva a obtenção da certificação (SARTORI & BACHA, 2007).

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Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 8, p. 57324-57340 aug. 2020. ISSN 2525-8761

5 CONCLUSÃO

Conclui-se que, como poucos estados apresentem alto número de empresas certificadas na categoria de Manejo Florestal, a certificação ainda é pouco expressiva, sendo totalmente ausente em dez estados brasileiros. Depreende-se também que o FSC possui a maior área certificada total na maioria dos estados brasileiros em relação ao Cerflor.

Infere-se que a maioria das empresas certificadas em Manejo Florestal e Cadeia de Custódia estão presentes nas regiões Sul e Sudeste, o que pode estar relacionado ao abastecimento de grandes empresas florestais situadas nessas regiões.

Ainda, constata-se que existe uma grande variedade em produtos certificados no Brasil, sendo os principais produtos, proveniente da certificação em Cadeia de Custódia, são da indústria de celulose e papel.

REFERÊNCIAS

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Figura  1  –  Desdobramento  dos  Princípios  e  Critérios  utilizados  pelas  Certificadoras  nos  processos  de  certificação  florestal
Figura 2 - Número de empresas brasileiras certificadas por estado nos sistemas Forest Stewardship Council (FSC) e  Programa Brasileiro de Certificação Florestal (Cerflor)
Tabela 1 - Área certificada total, em hectares, por estado brasileiro no sistema FSC (Forest Stewardship Council) na  modalidade de Manejo Florestal
Figura 3 – Comparativo das áreas certificadas, em hectare, por estados brasileiros pelos sistemas Forest Stewardship  Council (FSC) e Programa Brasileiro de Certificação Florestal (Cerflor) na modalidade de Manejo Florestal
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