Avaliação externa de escolas

Texto

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dezembro 2012

Sandra Cidália Araújo de Freitas

UMinho|20 12 Sandr a Cidália Ar aújo de F reitas

Universidade do Minho

Instituto de Educação

Av aliação e xterna de escolas

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Dissertação de Mestrado

Área de Especialização em Desenvolvimento Curricular

Mestrado em Educação

Trabalho realizado sob a orientação do

Prof. Dr. José Augusto Brito Pacheco

Universidade do Minho

Instituto de Educação

dezembro 2012

Sandra Cidália Araújo de Freitas

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DECLARAÇÃO

Nome: Sandra Cidália Araújo de Freitas

Endereço eletrónico: sandra05freitas@hotmail.com

Telemóvel: +351914669084

Título da Dissertação: Avaliação externa de escolas

Ano da conclusão: 2012

Designação Mestrado: Mestrado em Ciências de educação, especialidade em

Desenvolvimento Curricular

É AUTORIZADA A REPRODUÇÃO PARCIAL DESTA DISSERTAÇÃO PARA EFEITOS DE INVESTIGAÇÃO, MEDIANTE A DECLARAÇÃO ESCRITA DA INTERESSADA, QUE A TAL SE COMPROMETE.

Universidade do Minho, _____________ dezembro de 2012

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Dedicatória

À minha mãe,

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Agradecimentos

Ao concluir este percurso, agradeço a todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram para a conclusão desta jornada.

Primeiro, um agradecimento especial ao Prof. Dr. José Augusto Brito Pacheco que, com sabedoria e muita paciência, me assegurou a orientação científica rigorosa, me ajudando com as suas críticas construtivas a superar as dificuldades e a concluir este percurso com sucesso. Muito obrigada.

Aos meus professores do mestrado, pelos momentos proporcionados e as novas aprendizagens, que tanto contribuíram para ampliar os meus horizontes.

A todos os colegas que contribuíram para o estudo.

A todos os colegas da turma que de forma direta ou indireta contribuíram para o sucesso e conclusão deste longo caminho, que nem sempre foi fácil.

Um agradecimento especial à Mónica e à Lourdes pelos momentos partilhados e pela amizade sincera.

E, finalmente, agradeço à minha mãe que sempre me ensinou a não desistir e correr atrás dos meus sonhos. Ao Ricardo por todo o apoio mesmo nos momentos mais complicados que me repetia incessantemente “ desistir é para os fracos”. Obrigada!

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Resumo

No estudo sobre avaliação externa de escolas, abordamos o problema intitulado “De que modo a avaliação externa de escolas provoca mudanças nas práticas de decisão curricular ao nível da sequencialidade, planificação, metodologia e avaliação?”1. O estudo de investigação tem os seguintes objetivos: relacionar a avaliação externa de escolas com a qualidade da educação; estudar o impacto da avaliação externa de escolas nas práticas curriculares de decisão curricular (articulação e sequencialidade, planificação, metodologia e avaliação); analisar os efeitos da avaliação externa de escolas nas práticas organizacionais (ao nível dos departamentos curriculares, no 1º ciclo do ensino básico).

No quadro teórico, abordamos o conceito de avaliação, os diferentes modelos de avaliação, o papel da IGE na avaliação externa e a avaliação interna e externa.

Na metodologia, focamos a natureza da investigação, fazemos a contextualização do nosso objeto de estudo, o design da investigação e as técnicas de recolha de dados.

O estudo empírico foi realizado tendo como respondentes um grupo de docentes de um agrupamento de escolas situado no Minho.

Por fim, apresentamos os principais resultados do nosso estudo, focalizando os itens com maior correlação e concordância e onde o consenso no desvio padrão é mais elevado. Verificamos que os itens onde a correlação é mais elevada são os que abordam a avaliação interna, o modelo implementado, a forma como está a ser implementado e quais os resultados produzidos. Os itens onde a concordância mais elevada referem-se ao trabalho individual realizado pelos docentes no quotidiano escolar. A divulgação do trabalho desenvolvido, a preocupação com o sucesso dos alunos e em diversificar estratégias e metodologias. Os itens onde o consenso no desvio padrão é mais elevado também se referem ao trabalho realizado pelos docentes na escola/sala de aula diariamente.

A avaliação externa de escolas provoca mudanças nas práticas de decisão curricular ao nível da sequencialidade, planificação, metodologia e avaliação, pois esta avaliação evidencia as falhas ou fragilidades existentes nestas áreas de forma a que possam ser corrigidas e/ou aperfeiçoadas.

Palavras-chave: Avaliação externa, avaliação interna, avaliação institucional, prestação

de contas e qualidade.

1 Este trabalho é financiado por Fundos FEDER através do Programa Operacional Fatores de Competitividade –

COMPETE e por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do projeto PTDC/CPE-CED/116674/2010.

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Abstract

In the study of external evaluation of schools approach the issue titled “How the external evaluation of schools causes changes in the practices of decision-level sequential curriculum, planning, and evaluation methodology?”. General objectives, the present work we intend to understand the following: relate the external evaluation of schools with quality education; study the impact of the external evaluation of schools in curricular decision and curricular practices (articulation and continuity, planning, and evaluation methodology); analyze the effects of the external evaluation of schools in organizational practices (in terms of curricular departments in the first cycle of basic education).

In the theoretical approach the concept of evaluation, different valuation models, the role of IGE in external evaluation and institutional assessment, internal and external.

Methodology focused on the nature of the investigation, we contextualization of our object of study, the research design and data collection techniques.

Finally we present the main results of our study, where we focus on the items with tha highest correlation and agreement and consensus on where the standard deviation is higher. We found that the items the correlation is highest are those that address the internal assessment, the model implemented, how it is being implemented and what results produced. The items where we find the highest concordance refers to the work done by individual teachers in the school everyday. The dissemination of the work, concern for students´ success and diversifying strategies and methodologies. The items where consensus in the standard deviation is higher also refer to work done by teachers in school/classroom daily.

The external evaluation of schools causes changes in the practices of decision-level sequential curriculum, planning, and evaluation methodology, as this review highlights the flaws or weaknesses existing in these areas so that they can be corrected and/ or improved.

Keywords: external evaluation, internal evaluation, institutional evaluation,

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Acrónimos e abreviaturas AAE – Avaliação Externa de Escolas CIIP – Context, Input, Process e Product CNE – Conselho Nacional de Educação GT – Grupo de trabalho

IGE – Inspeção-geral de Educação

IGEC – Inspeção-geral da Educação e Ciência ME – Ministério da Educação

OCDE  Organização para a cooperação e desenvolvimento económico

QA – Quadro de Agrupamento QZP – Quadro de Zona Pedagógica

SPSS – Statiscal Package for the Social Science

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ÍNDICE DE QUADROS

Quadro nº1 – Funções e tipos de avaliação do modelo CIPP Quadro nº2 – Sexo

Quadro nº3 – Situação profissional Quadro nº4 – Idade

Quadro nº5 – Habilitações Quadro nº6 – Tempo de Serviço

Quadro nº7 – Membro da equipa de avaliação Quadro nº8 – Alpha Cronbach´s

Quadro nº9 – Design da Investigação

Quadro nº10 – Análise da média e desvio padrão Quadro nº11 – Itens de indefinição avaliativa Quadro nº12 – Itens com concordância

Quadro nº13 – Itens com moderada/alta concordância Quadro 14 – Itens com moderada/baixa concordância Quadro 15 – Itens com baixa concordância

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ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1 – O triângulo enganador da avaliação

ÍNDICE DE GRÀFICOS

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ÍNDICE Introdução

Capítulo I Problemática da Investigação 15

1.1 Estado da arte 16

1.2 Objeto de estudo e definição do problema e objetivos da investigação 30

Capítulo II Enquadramento teórico 31

2.1 Conceito de avaliação 32 2.2 Modelos de avaliação 36 2.3 O papel da IGE 41 2.4 Avaliação institucional 44 2.5 Avaliação interna 46 2.6 Avaliação externa 51

Capítulo III Metodologia da Investigação 57

3.1 Natureza da investigação 58

3.2 Caraterização dos respondentes 61

3.3 Técnicas de recolha e análise de dados 64

3.4 Design da investigação 66

Capítulo IV Descrição e Análise dos Resultados da Investigação 67 Conclusão

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Introdução

A dissertação tem como tema a Avaliação Externa de Escolas, temática que nos últimos anos tem adquirido uma importância muito significativa em Portugal. O problema que abordamos intitula-se: “De que modo a avaliação externa de escolas provoca mudanças nas práticas de decisão curricular ao nível da sequencialidade, planificação, metodologia e avaliação?”

Como objetivos, com o presente trabalho, pretendemos compreender o seguinte: relacionar a avaliação externa de escolas com a qualidade da educação; estudar o impacto da avaliação externa de escolas nas práticas curriculares de decisão curricular (articulação e sequencialidade, planificação, metodologia e avaliação); analisar os efeitos da avaliação externa de escolas nas práticas organizacionais (ao nível dos departamentos curriculares, no 1º ciclo do ensino básico).

Sendo docente da era da avaliação de escolas, pois comecei a exercer a minha prática em 1998, quando a avaliação institucional em Portugal ainda dava os primeiros passos, e sendo hoje um tema tão abordado no sistema educativo, despertou em mim o interesse por aprofundar e compreender o que foi feito até à atualidade sobre a avaliação de escolas em Portugal.

Desde o início da civilização que existe avaliação, a avaliação nasceu com o próprio Homem, pois como refere Vianna (1997:6) “ O homem observa, o homem julga, isto é, avalia”.

Como destaca Hadji (1994:22), avaliar é fazer uma análise de uma situação e uma apreciação das consequências que essa análise pode ter no futuro. Segundo o autor, a avaliação é o instrumento da “ própria ambição do Homem de pesar o presente, para pesar no futuro.”.

A avaliação faz parte das nossas tarefas do quotidiano e mesmo sem darmos por isso, ou seja, de uma forma inconsciente avaliamos tudo o que nos rodeia. Sempre que observamos alguma coisa ou alguém e fazemos uma apreciação, adjetivando o que estamos a observar estamos a avaliar. Nas escolas, a avaliação também acontece diariamente, só que deixa de ser uma avaliação espontânea e inconsciente, passando a ser uma avaliação intencional e sistemática, com uma instrumentação, um sistema e uma lógica.

A avaliação externa de escolas tem tido um interesse crescente e incontornável por parte da sociedade em geral. Nos últimos tempos, políticos, organizações educativas, professores, pais, alunos e público em geral têm dado uma grande importância e mostrado um interesse aprofundado por esta temática.

Vivendo o nosso país um período de recessão económica, há dois fatores que são referenciados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE 2011) como decisivos para uma recuperação: capacitar cada vez mais o capital humano, ou seja, apostar numa formação de qualidade e apostar num sistema educativo eficiente. Sendo a avaliação encarada pelos diferentes autores como uma necessidade para dar respostas a estas necessidades da sociedade atual.

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A escola não é uma simples instituição, tendo uma missão muito bem definida: “ uma missão de serviço público, que consiste em dotar todos e cada um dos cidadãos das competências e conhecimentos que lhes permitem explorar plenamente as suas capacidades, integrar-se ativamente na sociedade e dar um contributo para a vida económica, social e cultural do País” (Decreto-Lei nº 75/2008). Por conseguinte, a avaliação de escolas tem por objetivo contribuir para que esta missão seja bem sucedida.

Têm existido, nos últimos anos, a crescente preocupação não só em Portugal, como também nos restantes países da Europa, de implementar processos e práticas de avaliação nas nossas escolas. Em contraponto a uma crescente autonomia das escolas são introduzidos cada vez mais mecanismos de avaliação externa. Segundo Azevedo (2007), esta avaliação evidencia-se no evidencia-sentido em que o evidencia-seu principal objetivo é regular e governar através da prestação de contas, enquadrando-se numa lógica de responsabilização pública.

No entanto, a avaliação não se deve limitar à avaliação dos resultados obtidos. È importante que nesta avaliação seja tido em conta o contexto em que a própria escola está inserida, tal como é fundamental auscultar todos os intervenientes, nomeadamente, professores, alunos, pessoal não docente, pais e encarregados de educação e outras instituições que participem nas atividades da escola.

A dissertação está organizada em cinco capítulos: no primeiro capítulo apresentamos a problemática da investigação, com a abordagem do estado da arte, do objeto de estudo, da definição do problema e respetivos objetivos gerais.

No segundo capítulo, o enquadramento teórico, apresentamos o conceito de avaliação, os diferentes modelos de avaliação dando ênfase aos modelos defendidos por Stufflebeam e Sanders e Davidson, o papel da Inspeção Geral de Educação (IGE2) na avaliação externa, a avaliação institucional, a avaliação interna e a avaliação externa.

No terceiro capítulo, apresentamos a metodologia da investigação focamos a natureza da investigação, fazemos a contextualização do nosso objeto de estudo, o design da investigação e as técnicas de recolha de dados.

No quarto capítulo, expomos a descrição e análise dos resultados da investigação, onde apresentamos a análise e os resultados dos questionários por inquérito realizados aos docentes do Agrupamento e uma análise do relatório da IGE sobre a avaliação externa efetuada ao Agrupamento.

Por último, apresentamos a conclusão onde fazemos uma reflexão sobre os resultados obtidos neste estudo. Focamos os itens onde encontramos mais concordância, os itens onde o consenso no desvio padrão é mais elevado e os itens onde a correlação entre as variáveis

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dependentes é mais elevada. Apresentamos também as limitações da investigação e sugestões para uma futura investigação sobre o tema.

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CAPÍTULO I

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1.1 Estado da Arte

Avaliar é um procedimento natural do ser humano. De uma forma consciente ou inconsciente, fazemos diariamente juízos de valor sobre o que nos rodeia e mesmo sobre nós próprios. No entanto, a avaliação tem tanto de natural como de polémica ao ser encarada como medida, e cujo principal objetivo é o controlo. Como refere Hadji, (1994:13): “ Avaliar não é pesar um objeto que se teria podido isolar no prato de uma balança; é apreciar um objeto em relação a outra coisa para além dele”.

A avaliação, apesar de estar presente em todos os contextos, é na Escola que assume um papel primordial. Como refere Alves, (2004:11): “O ato de avaliar, apesar de presente em todos os contextos da atividade humana, é no contexto escolar que assume um estatuto privilegiado de desenvolvimento…”. Também Ferreira (2010:12 citando Zabalza 1995 e Sobrinho 2002), destaca o papel da escola no processo de avaliação, salientando que a escola é o mundo da avaliação e que esta faz parte do património da escola, embora abarque outras esferas como a sociedade, a política e o poder.

Em tempos de globalização, a escola é uma instituição que não se limita só à transmissão de conhecimentos, como refere Azevedo, (2008:156), pois “ a Escola está esmagada, sufocada por um excesso de missões”.

Sendo, na atualidade, o cidadão mais exigente com a qualidade dos serviços prestados pelas diferentes instituições, a Escola também é cada vez mais colocada à prova pelos encarregados de educação, e outros atores do sistema educativo, no que concerne à qualidade e sua organização. Como salienta Rocha, (1999:8), “ A sensibilidade das organizações às mudanças e dinâmicas do seu meio, a capacidade de resposta rápida e adequada, a atenção ao fator humano no que ele tem de mais profundo e autêntico (liberdade e criatividade), a construção de atitudes e comportamentos mais pró-ativos do que reativos são algumas das condições básicas para sobrevivência das organizações atuais. As escolas, como importantes organizações do nosso tempo, não fogem a estas exigências. Para que elas possam ser melhor entendidas, é necessário que as escolas se conheçam melhor e, para isso, urge que se proceda à sua análise/avaliação”.

Assim sendo, a avaliação é encarada como um processo necessário para o desenvolvimento da escola, de forma a dar resposta às exigências dos alunos, dos pais e da

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sociedade em geral, avaliando as suas metodologias, instrumentos e práticas com o intuito de aumentar a qualidade. Como afirma Azevedo (2005), a avaliação das escolas deve ser definida como elemento essencial para o esforço de melhoria da Educação, e deve ser um processo contínuo.

Em Portugal, os estudos realizados sobre a qualidade das escolas são escassos e a sua avaliação tem um passado muito recente. As primeiras referências à avaliação de escolas surgem em 1987-1991, sendo ministro da educação Roberto Carneiro. Foram realizados alguns estudos de intervenção junto das escolas, dos quais se destacam o Observatório de Qualidade da Escola (1992-1999), o Programa Avaliação Integrada das Escolas (1999-2002), O Projeto Qualidade XXI (1999-2002), o Projeto Melhoria da Qualidade (2000-2004), o programa AVES- Avaliação de Escolas Secundárias (iniciado em 2000), e o Projeto de Aferição da Efetividade da Autoavaliação das Escolas (2004-2006).

Desde então, os diversos governos têm dado seguimento às políticas de avaliação da qualidade educativa. Com a publicação da Lei nº31/2002, de 20 de dezembro, que tem por objeto o sistema de avaliação da educação e do ensino não superior, começa um novo ciclo de avaliação nas nossas escolas. Quatro anos após a publicação desta Lei, ou seja, em 2006, iniciou-se um novo ciclo de avaliação externa com um projeto-piloto que abrangeu vinte e quatro escolas do território continental. No ano letivo 2006/2007, com a dinamização da IGE, a avaliação externa ocorreu em cem escolas. No ano letivo 2007/2008 a IGE avaliou duzentas e setenta e três escolas. Em 2008/2009, A IGE avaliou duzentas e oitenta e sete escolas. No ano letivo 2009/2010 foram submetidas a avaliação as restantes escolas que não tinham sido avaliadas, fechando-se assim o 1º ciclo de avaliação externa. Segundo a IGE o saldo desta avaliação foi positivo e tem contribuído muito para o sucesso e desenvolvimento das nossas escolas em vários níveis.

Desde o governo de Roberto Carneiro que os dois pilares para a qualidade da escola pública são a autonomia das escolas e respetiva avaliação. “ Maior autonomia significa maior responsabilidade, prestação regular de contas e avaliação de desempenho e de resultados.”, de acordo com o relatório, citado por Clímaco (2010:19).

A tão desejada autonomia por parte das escolas para poder tomas iniciativas, implica também deveres, responsabilidade e obrigação de prestar contas. Segundo Lafond (1998), a

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escola autónoma e porque quer tanto ser autónoma deve ser avaliada e aceitar ser avaliada com serenidade.

Encontramos, também, alguns trabalhos sobre a avaliação, por exemplo no Repositório Científico de Acesso Aberto em Portugal, entre os quais, artigos, dissertações e teses, distribuídas pelas seguintes temáticas:

a) Avaliação ( Campos, 1974; Bartolomeis, 1981; Blanco, 1988; Vianna, 1989; Veiga, 1991; Vianna, 1992; Afonso, 1992; Pacheco, 1993; Hadji, 1994; Pacheco, 1994; Pacheco, 1995; Clímaco, 1995; Andrade, 1997; Afonso, 1997; Pacheco, 1998; Sanches, 1998; Braga, 1999; Carvalho, 1999; Rocha, 1999; Ventura, 1999; Costa, 1999; Pacheco, 2001; Maia, 2001; Pais, 2001; Pinto, 2002; Vianna, 2003; Esparteiro, 2003; Mouraz, 2004 Roldão, 2004; Correia, 2004; Alves, 2004; Parente, 2004; Bento, 2004; Vale, 2005; Azevedo, 2005; Rodrigues, 2005; Fernandes, 2005; Paixão, 2005; Marcondes, 2005; Oliveira, 2006; Correia, 2006; Villas Boas, 2006; Azevedo, 2006; Silva, 2006; Rufino, 2006; Simões, 2006; Guedes, 2006; Fernandes, 2007; Maia, 2007; Baptista, 2007; Carvalho, 2007; Silva, 2007; Soares, 2007; Gonçalves, 2007; Brandalise, 2007; Ferro, 2007; Machado, 2007; Azevedo, 2007; Lima, 2007; Sanches, 2007; Lusardo, 2007; Sousa, 2007; Reis, 2007; Bernardo, 2007; Boavida, 2008; Caliço, 2008; Ferreira, 2008; Messias, 2008; Nunes, 2008; Sobrinho, 2008; Sousa, 2008; Coellho, 2008; Marques & Silva, 2008; Grancho, 2008; Sousa & Terrasêca, 2008; Fernandes, 2008; Somera, 2008; Almeida, 2008; Reis, 2008; Neves, 2008; Ferreira, 2009; Dias, 2009; Cardoso, 2009; Leal, 2009; Monteiro, 2009; Santos, 2009; Mourão, 2009; Afonso, 2009; Melo, 2009; Roldão, 2009; Pinheiro, 2009; Dias & Melão, 2009; Fialho, 2009; Andrighetto, 2009; Ferraz, 2009; Barreiro, 2009; Tomé, 2009; Chiste, 2009; Amiano, 2010; Chagas, 2010; Curado, 2010; Gomes, 2010; Gaspar, 2010; Lobo, 2010; Pereira, 2010; Matos, 2010; Neves, 2010; Rebordão, 2010; Reis, 2010; Simões, 2010; Tarrinha, 2010; Pinto, 2010; Pacheco, 2010; Climaco, 2010; Guerreiro, 2010; Alves, 2010; Andriola, 2010; Queiroz, 2010; Major, 2010; Dias, 2010; Carvalhais, 2010; Seabra, 2010; Faria, 2010; Terrasêca, 2010; Afonso, 2011; Calaxa, 2011; Lima, 2011; Maia, 2011; Outeiro, 2011; Andrade, 2011;

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Gomes, 2011; Campos, 2011; Martins, 2011; Gonçalves, 2011; Terrasêca, 2011; Castilho, 2011; Viana, 2011; Leal, 2011; Magueta, 2012).

b) Avaliação externa de escolas (Andrade, 1997; Barroso, 1999; Azevedo, 2006; Silva, 2006; Azevedo, 2007; Sanches, 2007; Campos, 2008; Coelho, 2008; Marques, 2008; Ferreira, 2009; Figueiredo, 2009; Gonçalves, 2009; Henriques, 2009; Tomé, 2009; Domingos, 2010; Fonseca, 2010; Frade, 2010; Lopes, 2010; Pacheco, 2010; Pinto, 2010; Santos, 2010; Terrasêca, 2010; Barreira, 2011).

c) Avaliação institucional (Vianna, 1997; Gadotti, 1999; Antunes, 2006; Polidori, 2007; Martins, 2007; Brasil,2007; Schlickmann, 2008).

Destes, as dissertações de mestrado e teses de doutoramento sobre avaliação de escolas é a seguinte:

a) Avaliação externa: (Andrade, 1997; Barroso, 1999; Silva, 2006; Martins, 2006; Campos, 2008; Figueiredo, 2009; Gonçalves, 2009; Henriques, 2009; Tomé, 2009; Domingos, 2010; Fonseca, 2010; Frade, 2010; Lopes, 2010; Pinto, 2010; Santos, 2010; Pinho, 2011; Silva, 2011).

b) Autoavaliação: (Tavares, 2006; Rufino, 2006; Simões, 2006; Guedes, 2006; Baptista, 2007; Soares, 2007; Sousa, 2007; Reis, 2007; Gonçalves, 2007; Nunes, 2008; Reis, 2008; Neves, 2008; Leal, 2009; Monteiro, 2009; Mourão, 2009; Santos, 2009; Correia, 2009; Henriques, 2009; Rodrigues 2009; Curado, 2010; Matos, 2010; Neves, 2010; Rebordão, 2010; Reis, 2010; Simões, 2010;Calaxa, 2011; Lima, 2011; Maia, 2011; Outeiro, 2011; Andrade, 2011; Cabaço 2011).

Em 2005, num estudo sobre avaliação de escolas, do Conselho Nacional de Educação (CNE), realizado por José Azevedo, com o apoio da Fundação Luso Americana de

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Desenvolvimento, o autor salienta que para se avaliar as escolas há fatores que devem ser respeitados:

- A estabilidade e continuidade das equipas docentes; - A autonomia das escolas;

- As escolas devem ter condições básicas (estrutura e equipamento);

Segundo Azevedo (2005), o Ministério da Educação (ME) deve ter o papel de regular e apoiar as escolas, é essencial que forneça em tempo útil todas as informações que as escolas necessitam para desempenhar de uma forma eficaz a sua função.

“• Fornecerem em tempo útil os resultados de testes, exames e provas, bem como dados estatísticos de nível nacional, regional e local, para que cada escola possa situar-se e avaliar o seu percurso;

• Produzirem informação sobre escolas, cruzando os dados que recolhem através dos dispositivos que têm no terreno (estatísticas, exames, provas, auditorias, inspeções, etc.);

• Definirem indicadores comuns e sugerirem outros para seleção da escola;

•Disponibilizarem informação sobre autoavaliação de escolas – métodos, experiências, contactos;

• Fornecerem elementos para a formação em métodos e práticas de autoavaliação e apoiarem a formação;

• Manterem o acompanhamento, de forma sistemática e persistente, através dos serviços regionais e de equipas de profissionais com experiência e competência para desenvolverem uma relação de diálogo e exigência com as escolas;

• Realizarem atividades de meta-avaliação;

• Reconhecerem e estabelecerem complementaridade com outros dispositivos de avaliação externa ou de apoio à autoavaliação;

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O autor salienta, ainda que é importante que a administração educativa, seja ela também avaliada, e que as escolas deveriam ter uma palavra, nesta avaliação. Azevedo (2007:1), na conferência “ As escolas face a novos desafios”, sobre avaliação externa de escolas em Portugal, afirma: “… podemos afirmar que a história da avaliação externa nos últimos 15 anos, em Portugal, é a história de uma acumulação de experiência(s) e de saber fazer, da parte de instituições estatais e privadas, uma história de participação em instituições e projetos de nível internacional, mas, sobretudo do ponto de vista das políticas públicas, é também uma história de falta de continuidade nas instituições e nos programas. Esta descontinuidade não criou condições para consolidar programas e projetos e favoreceu a sua relativização.”

Azevedo salienta que esta é uma área onde ainda temos muito trabalho para fazer, pois até aqui a avaliação pouco contribuiu para a qualidade e melhoria das nossas escolas.

Coelho (2008), num estudo intitulado “Avaliação de Escolas em Portugal que futuro?”, conclui que para uma melhoria da qualidade escolar é sem dúvida essencial uma avaliação perfeita do sistema educativo. Só uma avaliação completa leva à melhoria das escolas e dos elementos constituintes.

A autora salienta ainda que nas últimas décadas não existiram mudanças ou desenvolvimentos significativos nas nossas escolas: “Apesar de todas as experiências de avaliação levadas a cabo em Portugal nas últimas décadas, não parece que estas tenham induzido mecanismos sistemáticos de autoavaliação e melhoria contínua nas escolas.” (ibid: 63)

Marques e Silva (2008), num parecer do CNE sobre avaliação externa de escolas, salientam que é essencial a participação e o empenho de todos os atores educativos, deve haver uma cultura de avaliação nas escolas. A avaliação deve ser encarada como instrumento de desenvolvimento e mobilizador de novas atitudes e práticas.

“ A avaliação das escolas só faz sentido se for entendida como um instrumento político para uma estratégia de reconfiguração e mudança das políticas públicas do Estado para a educação e estiver associada a uma política ativa de promoção de autonomia da gestão e administração escolar. Caso contrário, pode transformar-se num exercício retórico para gerir o status quo. Assim sendo, a avaliação deve tornar-se uma prática regular tendo como fim, a inovação das práticas e o progresso nos resultados atingidos, exigindo por isso que os objetivos das escolas e do sistema estejam muito claramente estabelecidos. Deve, assim, ser assumida como um

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instrumento mobilizador de novas atitudes e práticas, numa lógica de autoavaliação dos indivíduos, dos grupos e das próprias instituições, incrementando uma cultura e praxis de avaliação envolvendo uma participação e o conhecimento coletivo de diferentes atores, com legitimidades reconhecidas.” (Ibid:13)

Os autores também apresentam algumas orientações de caráter recomendatório: - A revisão constante dos modelos de avaliação;

- A importância de avaliar a administração educativa e não só as escolas, pois não são organizações isoladas;

- A avaliação deve existir só se for uma mais-valia e não simplesmente para controlo; - É essencial uma articulação entre a avaliação interna e externa;

- A avaliação não deve ser uma punição ou prémio;

- É fundamental que exista um acompanhamento depois da avaliação e não simplesmente a entrega de um relatório;

- Os avaliadores devem ter formação e preparação específica para o efeito.

Em 2010, num relatório da IGE sobre autoavaliação das escolas, coordenado por Guerreiro, verificamos que, neste momento, já se dão alguns passos consistentes nesta área. Como afirma no relatório: “Este trabalho confirma a diversidade de situações e a pluralidade de caminhos, perspetivas e ritmos e revela que tem ocorrido uma evolução nem sempre sustentada e progressiva, com avanços e recuos, mas de tendência predominantemente positiva (por exemplo: 32 das 33 escolas têm uma equipa de autoavaliação, o que não se verificava há dez ou mesmo há cinco anos). Há que prosseguir o investimento na autoavaliação através do incentivo, do acompanhamento e da avaliação externa.” (Ibid:6). Os autores destacam a importância de evitar o risco de burocratização e do faz de conta.

Concluído o 1º ciclo de avaliação externa de escolas, no relatório apresentado pelo grupo de trabalho (GT) para a avaliação externa de escolas, denominado propostas para um novo ciclo de avaliação externa de escolas, os autores (Valdemar Almeida, Ana Paula Curado, Cláudia Sarrico, João Nunes, José João Azevedo, José Maria Azevedo, Maria Leonor Duarte e Pedro Nuno Teixeira 2011:15) declaram: “ Nos últimos vinte anos, a avaliação externa das escolas constituiu um campo de múltiplas iniciativas de instituições públicas e privadas, por vezes com inserção

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em organizações e projetos de nível europeu. Sendo um tempo de iniciativa, de realização e de acumulação de experiência e conhecimento, é também um tempo marcado pela descontinuidade das políticas públicas e pela falta de consolidação dos programas e de estabilidade das responsabilidades institucionais.”

Desta forma, o GT salienta que nem sempre o processo de avaliação externa foi conduzido da melhor forma. A falta de continuidade das políticas implementadas, a falta de consolidação dos programas e a própria falta de estabilidade nas escolas dificultaram o sucesso deste processo.

Segundo o GT, a avaliação externa de escolas deverá servir três objetivos fundamentais: a capacitação, a regulação e a participação. È essencial que exista uma interação consistente entre avaliação externa e autoavaliação. Sugerem para a Avaliação Externa de Escolas (AEE) os seguintes objetivos:

“• Promover o progresso das aprendizagens e dos resultados dos alunos, identificando pontos fortes e áreas prioritárias para a melhoria do trabalho das escolas;

• Incrementar a responsabilização a todos os níveis, validando as práticas de autoavaliação de escolas;

• Fomentar a participação na escolas da comunidade educativa e da sociedade local, oferecendo um melhor conhecimento público da qualidade do trabalho das escolas;

• Contribuir para a regulação da educação, dotando os responsáveis pelas políticas educativas e pela administração das escolas de informação pertinente.” (2011:42)

Depois de feita uma análise ao ciclo de AEE 2006-2011, o GT aconselha que sejam feitas sete alterações principais:

I) a redução de cinco para três domínios de análise;

II) a aplicação prévia de questionários de satisfação à comunidade; III) a utilização do valor esperado na análise dos resultados das escolas; IV) a auscultação direta das autarquias;

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VI) a necessidade de produção e aplicação de um plano de melhoria em cada escola avaliada;

VII) a variabilidade dos ciclos de avaliação. (2011:10) O quadro de referência foi organizado em três domínios:

Resultados académicos

Resultados Resultados sociais

Reconhecimento da comunidade

Prestação Planeamento e articulação Do Serviço Práticas de ensino

Educativo Monitorização e avaliação das aprendizagens

Liderança Liderança E Gestão Gestão

Autoavaliação e melhoria

O GT da AEE propõe além dos níveis de classificação existentes, ou seja; Muito Bom, Bom, Suficiente e insuficiente a introdução de um quinto nível, o excelente. O GT defende esta alteração, pois acham importante a existência deste nível em situações excecionais.

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Em relação ao plano de melhoria elaborado pelas escolas, o GT salienta que este deve ser elaborado com o objetivo de dar respostas aos problemas da escola.

Em jeito de conclusão, e como propostas para o novo ciclo de avaliação, o GT salienta a importância da estabilidade e continuidade como princípios orientadores. Desta forma deverá ser dado continuidade ao processo iniciado em 2006, de forma a fazer as reformas necessários, com a experiência adquirida ao longo dos anos pelo CNE, IGE e os especialistas em avaliação. A AEE deve sempre ter em conta os diferentes atores educativos, ou seja, deve ter em conta os alunos e a qualidade das suas aprendizagens, o desempenho dos docentes e não docentes, a eficácia dos programas e a intervenção das instituições que interagem com a escola.

No novo ciclo de AEE, iniciado em 2011-2012, a Inspeção Geral da Educação e Ciência (IGEC) no seu sítio oficial informa que estarão em processo de avaliação externa 231 agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas. No Norte 84; Centro 42, Lisboa e Vale do Tejo 72 e Alentejo e Algarve 33.

A avaliação é considerada hoje essencial para dar resposta a uma sociedade mais exigente e mais informada, pois é vista como um processo que leva à qualidade. Como refere Coelho (2008:58), : “ A crescente autonomia das organizações escolares, a existência de alternativas e os maiores graus de exigência por parte dos alunos, de pais e da sociedade em geral, têm vindo a contribuir decisivamente para a emergência do ensino enquanto setor prioritário para aplicação de instrumentos, metodologias e práticas que visam a qualidade. Neste âmbito, a avaliação surge como um processo necessário para a auscultação e melhoria da qualidade no sistema de ensino e educação.”

“ É inegável o lugar social e, central que a avaliação ocupa nas nossas sociedades e em particular, no quotidiano escolar público ou privado. Identifica-se a problemática da avaliação (a avaliocracia) em todas as perspetivas educacionais, isto é, na avaliação dos sistemas educativos, dos programas curriculares, das escolas (autoavaliação, avaliação interna e externa), dos professores, dos processos de ensino – aprendizagem e dos alunos, de uma forma, constante, sistemática, consistente, de “prestação de contas” e fundamentada quer, pelas políticas educativas e normativos em vigor quer, pela componente social que lhe está atribuída.” (Ferreira, 2009:3831).

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Segundo Dias, (2009:193),: “ As escolas em Portugal encontram-se sob o olhar atento da sociedade devido à crescente importância da sua avaliação como base de trabalho para a tão desejada autonomia.”

A avaliação é fundamental para melhorar os serviços prestados e é essencial para melhorar a qualidade das escolas, sendo este um objetivo que todas as instituições desejam alcançar. Como defende Dias, (2009:194): “ A qualidade é, sem sombra de dúvida, um atributo que a maioria das organizações deseja ver associada a tudo aquilo que faz, e as escolas como instituições que frequentemente pretendem transmitir um ideário de qualidade não fogem à regra. Esta tendência nasceu, por um lado, da necessidade de satisfazer as expetativas crescentes dos alunos, pais, encarregados de educação e cidadãos em geral que encontram na globalização e na sociedade de informação desafios crescentes. Por outro lado, são também as próprias escolas que procuram conhecer-se a si próprias, identificando os seus pontos fortes e fracos, de modo a poderem implementar processos de melhoria contínua com vista à excelência.”

Martins, (2007:211) salienta: “ A avaliação educacional, no seu sentido mais amplo (avaliação dos professores, dos alunos, dos recursos, das escolas, dos sistemas educativos e das políticas educativas), continua a ter hoje uma centralidade política, uma dimensão simbólico-ideológica e uma visibilidade social constatável. As exigências da gestão subordinam-se aos novos valores da produtividade institucional, da performatividade e da prestação de contas, numa estratégia de indução de lógicas de mercado ou “quase-mercado” na educação, além dos modelos negociadores de responsabilização (accountability).”

Thélot (2006, citado por Dias,2009:195), defende que a avaliação tem duas grandes utilidades:

“ • Uma utilidade externa, destinada a informar a sociedade sobre o estado do serviço educativo, nomeadamente sobre a qualidade, sobre os seus resultados, mas também sobre os custos e sobre o seu funcionamento;

• Uma utilidade interna, ou seja, destina-se a informar os atores do sistema sobre os mesmos elementos, destina-se a ajudá-los a refletir sobre as suas ações e sobre a própria organização e, consequentemente, procura obrigá-los a mudar para melhorar a qualidade do

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serviço que prestam à comunidade escolar em que se inserem, e num âmbito mais alargado, a todo o público em geral.”

Marques, (2008:4) enumera algumas razões que explicam a necessidade de avaliação das instituições públicas em geral e das escolas em particular:

“ • O destaque atribuído à avaliação das escolas decorre de duas tendências que marcam a generalidade dos países europeus: descentralização de meios e definição de objetivos nacionais e de patamares de resultados escolares. Assim, a autonomia dos serviços públicos, consubstanciando uma delegação de poder, pressupõe a responsabilização e a transparência, a definição de objetivos e a recolha de informação sobre resultados;

• A avaliação das escolas é um instrumento de política educativa que colabora no esforço global de melhoria da educação, entendida esta melhoria como um processo contínuo de elevação das aprendizagens dos alunos e dos resultados escolares. Neste contexto, a informação gerada pela avaliação das escolas tem que contribuir para a regulação do sistema; • As desmedidas expetativas – numa escola fragilizada – sobre a resposta da escola às múltiplas necessidades e solicitações sociais não se veem suficientemente respondidas. Há que conhecer os fatores que explicam os níveis de eficiência e eficácia apresentados pelas escolas e perceber o que depende da escola ou deriva de fatores externos;

• O reconhecimento, por parte das escolas, cada vez em maior número, da importância da avaliação enquanto instrumento para a melhoria da qualidade dos processos e dos resultados acionando, nesse quadro, processos de autoavaliação;

• A avaliação não se substitui ao debate sobre a escola, antes deve colaborar para suportar e qualificar esse debate;

• A imagem social da escola é pouco favorável, decorrente de uma avaliação mediática, genérica, expressa na ressonância pública dos acontecimentos, problemas ou incidentes e na divulgação de comparações internacionais ou de resultados de exames referentes a escolas e contextos diferentes, sem que se tenha em conta a sua especificidade e o valor acrescentado que incorporam. Uma avaliação séria da escola evidencia a pobreza e os efeitos perversos e nocivos que os rankings e os média, de forma pouco cuidada, potenciam e fornece à sociedade

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civil, que justamente reclama, mais e melhor informação sobre o sistema educativo, uma imagem mais consentânea com a realidade das escolas.”

È essencial que a avaliação seja encarada como um processo de desenvolvimento, e não um mero processo de prestação de contas e racionalizar custos. As avaliações, interna e externa devem-se complementar, de modo a que este processo de desenvolvimento obtenha sucesso. Como defende Ferreira, (2008:5), :“ Cada uma das avaliações (interna e externa) tem as suas virtudes e os seus limites, pelo que não há razão para escolhas exclusivas. A avaliação da escola é um elemento fundamental e básico dos sistemas educativos e reporta-nos para a complexidade e as suas divergências existentes no campo da avaliação, mas também, a existência de procedimentos capazes de melhorar a ação, de permitir aos diferentes atores e à organização escolar uma possibilidade de olharem para si própria através da sua autoavaliação e de aproveitar e rentabilizar o olhar externo, caso assim o entendam, como desencadeador de (re)construção ou (des)construção de práticas, e de certo modo, assegurar uma prática reflexiva na comunidade capaz de, no limite, possibilitar uma nova autonomia da escola.”

“A avaliação das instituições requer a interação de diversos componentes: avaliação de professores (funções e desempenho profissional), avaliação da aprendizagem dos alunos, dos recursos didáticos e recursos financeiros e das organizações, devendo fornecer a professores, e alunos, aos responsáveis das instituições, à comunidade educativa e aos poderes políticos, instrumentos para a realização de melhorias nas práticas educativas, na organização, na gestão, nos currículos etc. Pretende-se promover a qualidade (educação/ensino) envolvendo todos os atores.” (Martins, 2007:212).

Sendo hoje a escola vista não unicamente como uma instituição onde se transmite conhecimento, mas cada vez mais tem um número infindável de papéis, aos quais tem que dar resposta, desta forma, é primordial que ela se conheça muito bem e que se desenvolva, tendo aqui a avaliação uma função indispensável. Como diz Grancho, (2008:241),:“ Os desafios que a escola enfrenta em Portugal, à semelhança de tantos outros países, não se compadecem com alinhamentos outros que não sejam os que visem o reforço da qualidade do serviço público da educação e, com ele, o reconhecimento da importância que a escola ocupa no plano do desenvolvimento cultural, social e económico do país.”

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Sendo a avaliação um tema que tem sido debatido há algumas décadas, verificamos que em Portugal, só a partir de 2000 é que os estudos e trabalhos sobre o tema se intensificaram. Como refere Oliveira, (2006): “A avaliação de processos educacionais emerge, desde a metade da década de 1980, como uma tendência mundial, sobretudo pela exigência de imprimir qualidade à gestão de sistemas educacionais, quando instituída nos Estados Unidos, França, Holanda, Suécia e Inglaterra e foram implementados, ao longo do tempo, mecanismos diversos de avaliação com múltiplas finalidades e fundamentações conceituais diferenciadas. Na década de 1990, a avaliação institucional estendeu-se para diversos países em desenvolvimento, desta feita como forma de complementar as reformas instauradas pelo globalismo, entre elas a descentralização do estado”.

Em suma, salienta-se que em Portugal o processo da avaliação externa de escolas tem dado passos fundamentais e firmes, estando neste momento implementado em todas as escolas.

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1.2 Objeto do Estudo e Definição do Problema e Objetivos da Investigação

A dissertação de mestrado que se tem como área temática a avaliação, incidindo a sua problemática na avaliação externa de escolas. O problema da investigação direciona-se para a compreensão das mudanças que a avaliação externa tem produzido nas nossas escolas. Após se ter concluído o 1º ciclo de avaliação externa (2006-2011), procuramos perceber quais as mudanças significativas que esta avaliação acarreta, assim como o parecer dos principais atores da comunidade educativa, ou seja, os professores.

O tema avaliação externa de escolas é um tema muito atual, que surge com a publicação da Lei nº31/2002, de 20 de Dezembro e que finalizou o seu 1ºciclo em 2011. Tentamos através da literatura, pareceres e estudos existentes sobre o tema aprofundar aquilo que tem sido feito nesta área. É uma temática que tem sido abordada em todo o mundo e por diversos autores, no entanto em Portugal ainda é uma temática pouco aprofundada.

Depois de definido o problema e respetivos objetivos, selecionámos um Agrupamento de Escolas para fazer a nossa investigação. O Agrupamento encontra-se na zona Norte do país, mais concretamente no Minho. Este Agrupamento foi submetido à avaliação externa de escolas no ano 2010.

Problema:

De que modo a avaliação externa de escolas provoca mudanças nas práticas de decisão curricular ao nível da sequencialidade, planificação, metodologia e avaliação?

Objetivos:

• Relacionar a avaliação externa de escolas com a qualidade da educação.

• Estudar o impacto da avaliação externa de escolas nas práticas curriculares de decisão curricular (articulação e sequencialidade, planificação, metodologia e avaliação).

• Analisar os efeitos da avaliação externa de escolas nas práticas organizacionais (ao nível dos departamentos curriculares, no 1º ciclo do ensino básico).

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CAPÍTULO II

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2.1 Conceito de Avaliação

A avaliação tornou-se, nos últimos anos, um dos temas mais abordados, quer pelos profissionais da educação, quer pela sociedade, em geral, sendo mesmo um assunto muito explorado pela comunicação social, pela falta de consenso existente quanto aos seus inúmeros significados.

Como refere Vianna (1999:100), “ O assunto costuma ser objeto de controvérsias, sobretudo pela carência de uma teoria geral da avaliação”.

No dia-a-dia, o ser humano está constantemente a avaliar, em todos os seus atos existe uma avaliação, numa simples compra nós avaliamos os diferentes produtos para fazer uma escolha. Fazemos diariamente de uma forma inconsciente juízos de valor acerca daqueles que nos rodeiam.

Embora nem sempre tenha ocorrido de uma forma pacífica, nos últimos anos tem-se verificado progressos na implementação e concretização da avaliação das nossas escolas. A avaliação de escolas tem como atividade fundamental recolher informações e dados, que nos conduzam à excelência tão desejada.

Esta avaliação deve ter o empenho de todos, pois todos são responsáveis e interessados numa evolução de qualidade. Só com a participação ativa de todos os atores da comunidade educativo será possível fazer uma avaliação bem sucedida e que contribua para a tão desejada excelência.

Mas o que é a avaliação? Será que existe consenso na sua definição? Há uma diversidade de definições de avaliação. Melo (2009:10), citando (Guerra 2002; Figari 1996 e Scriven 1994), declara: “ O conceito de avaliação é plurissignificativo. Pode até dizer-se que em torno do conceito reina a confusão. A avaliação é o processo de determinação do mérito ou valor de uma realidade. E em termos epistemológicos, é uma transdisciplina”.

Alves (2010:14) argumenta que: “Avaliar consiste em recolher um conjunto de informações pertinentes, válidas e fiáveis e em confrontar este conjunto de informações com um conjunto de critérios, o qual deve ser coerente com um referencial pertinente para fundamentar uma tomada de decisão adequada à função visada”.

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Stufflebeam (2003 citado por Melo 2009:12) define avaliação como “ o processo pelo qual se delimitam, obtêm e fornecem informações úteis que permitam julgar as decisões possíveis”.

Cardinet (1986 citado por Melo 2009:12) define avaliação como “um processo de observação e de interpretação dos efeitos do ensino que visa orientar as decisões necessárias ao bom funcionamento da escola”.

Guerra (2003, citado por Melo 2009:12), define avaliação como “ um processo de reflexão sistemática sobre a atividade da escola, de modo a compreender ao pormenor aquilo que se está a fazer e os seus resultados por forma a tomar decisões que facilitem a melhoria institucional”. Ainda na opinião deste autor, a avaliação contribui para a aprendizagem de toda a comunidade educativa.

Para Alaiz (2003), avaliar consiste em “ examinar o grau de adequação entre um conjunto de informações e um conjunto de critérios adequados ao objeto, com vista a tomar uma decisão”. (citado por Melo 2009:12)

Gonçalves (2009:18), define avaliação como a produção de um discurso constituído por juízos que relacionam um referido e um referente, ou seja, algo que é observado e algo que se expõe como um ideal ou uma norma.

Para Scriven (1991), “ avaliação refere-se à determinação do mérito, ou valor, de um dado processo ou do que dele resultou”

Para Clímaco, (2005) a avaliação não é somente o resultado final de um percurso ou processo. Devem ser tidos em conta os resultados intermédios de forma a fazer as alterações necessárias que levem ao sucesso ou resultado inicialmente pretendido.

Pacheco, (2010:79, citando Sobrinho 2002) “refere a “plurirreferencialidade e a complexidade como elementos centrais, não só porque a avaliação é um campo cujo domínio é disputado por diversas disciplinas e práticas sociais de distintos lugares académicos, políticos e sociais, como também a avaliação é um fenómeno social, tendo que ver com ações, atitudes e valores dos indivíduos em diversas dimensões”.

Também Ferreira (2010:1, citando Sobrinho, 2002) a propósito da plurirreferencialidade da avaliação explica que a avaliação é plurirreferencial porque “ necessita

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de uma pluralidade de enfoques e a cooperação ou a concorrência de diversos ramos de conhecimentos e metodologias de várias áreas, não somente para que seja minimamente entendida ou reconhecida intelectualmente, mas também para poder ela própria se exercitar concretamente de modo fundamentado”.

A avaliação, além de ser um tema que tem adquirido grande importância e destaque ao longo dos últimos anos, também tem obtido, como verificamos na literatura existente, uma grande variedade de significados. Referindo a esta variedade de significados Alves (2004) salienta que esta variedade surge devido à evolução da própria sociedade, cujas alterações sociais, económicas, culturais e políticas influenciam e originam esta variedade de significados e alteram a própria maneira de encarar a Educação.

A propósito do conceito de avaliação e da sua evolução, Santos (2008: 44), citando Alaiz, Góis e Gonçalves, (2003) caracteriza a evolução do conceito de avaliação em quatro gerações distintas: “ Na primeira geração, enfatiza-se a medição, entendendo-se os conceitos de avaliar e de medir como sinónimos; na segunda geração, a centralidade atribuída à medição dá lugar à avaliação centrada nos objetivos, a finalidade da avaliação traduz-se na descrição de pontos fortes e fracos do que é avaliado; na terceira geração, o ato de avaliar tem como finalidade emitir um juízo acerca do mérito ou valor de um objeto; na quarta geração, enquadrada no paradigma construtivista, procura-se o consenso sobre o objeto da avaliação”.

Sobrinho (2006:183) afirma: “…a avaliação é essencialmente qualitativa e subjetiva; interpreta e valora os fenómenos tomados como objeto. Mas, ela também é objetiva e quantitativa; utiliza-se de instrumentos e técnicas próprias dos trabalhos científicos para fins de análises explicativas dos dados selecionados. Esta forma objetiva e quantitativa corresponderia à necessidade de sustentar os juízos de valor, facilitar e tornar confiável a informação e a prestação de contas ao público…”

Na opinião de Machado (1999:7), a avaliação: “…envolve objetivos ambíguos, lógicas diferenciadas e envolvimentos diversos que constituem um desafio para os agentes educativos, porquanto tanto pode ser uma estratégia de desenvolvimento organizacional como tornar-se num ritual simbólico de legitimação quer da escola enquanto instituição quer de práticas arreigadas e de poderes instalados”.

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Bolivar (2003) defende a importância da avaliação, como um meio de promover o desenvolvimento da escola, do currículo mas também dos próprios professores. Segundo o autor só através da avaliação poderá haver desenvolvimento. Para que este desenvolvimento aconteça é necessário que se mudem mentalidades e que se implemente nas nossas escolas uma cultura de avaliação séria e participada por todos. A este propósito Alaiz (2003), salienta que é urgente restituir aos professores parte da confiança perdida ao longo dos anos e que a avaliação deve ser exibida como um selo de garantia da qualidade do ensino.

Em síntese, não existe consenso no conceito de avaliação, que se tem alterado ao longo dos anos acompanhando as próprias mudanças da sociedade. No entanto podemos salientar que em todos os casos a avaliação é encarada como uma forma de melhorar a qualidade do ensino.

Se a avaliação pode ter diferentes sentidos e ser aplicada no dia-a-dia em diversas situações, também na educação pode ter finalidades e funções distintas. A este propósito, Pacheco (1996:128) destaca “… a avaliação é um termo complexo, e também controverso, que deve ser estudada nas dimensões científico-técnica e sociopolítica, porque avaliar envolve processos técnicos, que se justificam teoricamente, e prende-se com raízes políticas que a determinam.”

A propósito das funções da avaliação, Alves (2010:14) salienta que as mais importantes no domínio do ensino, da formação e da educação são: a função de orientação; a função de regulação e a função de certificação.

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2.2 Modelos de avaliação

A avaliação de escolas tem o propósito de recolher informação, com o intuito de melhorar os seus resultados e melhorar o seu modo de funcionamento.

A finalidade principal da escola é a de responder às necessidades da sua comunidade, devendo, por isso, ter em conta os diversos atores. Como salientam Sanders e Davidson (2003:807), “ a avaliação da escola pode ser definida como a investigação sistemática da qualidade da escola e do modo como bem pode servir as necessidades da comunidade.” Stufflebeam (2003:783), defende que: “a avaliação é tanto uma responsabilidade individual como uma responsabilidade coletiva de todas as pessoas encarregadas do trabalho da escola para benefício dos alunos e da comunidade.”

Stufflebeam (Ibid) defende que todos os aspetos da escola devem ser avaliados, os alunos, o pessoal docente e não docente e os programas, incluído o currículo. Sanders & Davidson (2003), defendem que além dos aspetos apresentados por Stufflebeam (2003), a avaliação de escolas também deve englobar a performance dos alunos, as instalações, as finanças, o clima escolar, as políticas da escola e os arquivos da escola.

Rocha (1999:51) aponta quatro grandes finalidades da avaliação da escola: a informação e o diagnóstico; a melhoria; o controlo e a investigação científica.

Sendo a avaliação tão complexa e subjetiva, sendo imensos os modelos e diferentes as práticas de avaliação tornando-se assim um estudo inacabado, em constante reconstrução. Como defende Stufflebeam (2003: 804), “ a avaliação da escola é uma tarefa monumental que necessita constantemente de ser melhorada.”

Enquanto Stufflebeam (Ibid), defende um modelo onde os diferentes intervenientes da comunidade têm um papel fundamental, Sanders e Davidson (2003) defendem um papel ativo da inspeção, que terá a função de recolher informação e dados. Uma avaliação centrada na visita, onde serão avaliados três aspetos fundamentais: os resultados dos alunos; iniciativa local e a relação com a comunidade.

Como refere Dominguez (1978), ao longo dos anos foram vários os modelos de avaliação apresentados e defendidos por diferentes autores, entre os quais se destacam:

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• Modelo de Tyler: avaliação por objetivos;

•Modelo de House : avaliação baseada na análise de sistemas; • Modelo de Schuman: método científico de avaliação;

• Modelo de Cronbach: planificação avaliativa;

• Modelo de Stufflebeam: avaliação orientada para o aperfeiçoamento; •Modelo de Eisner: dimensão artística da avaliação;

• Modelo de Stenhouse, McDonald e Elliot: avaliação democrática; • Modelo de Stake: avaliação baseada na congruência-contingência; • Modelo de Owens e Wolf: um método contraposto de avaliação; • Modelo de Provus: avaliação baseada na discrepância.

Entre os diferentes autores que desenvolveram pesquisas e modelos sobre a avaliação, destacamos Tyler que foi o primeiro a desenvolver um método sistemático de avaliação. Foi na década de 30 do século XX, que inseriu a designação “ avaliação educacional” (Mouraz 2004:78). Tyler defendeu uma avaliação centrada em objetivos definidos e nos resultados obtidos.

Cronbach desenvolveu um modelo de avaliação centrado na planificação avaliativa, aponta dois pontos essenciais para uma avaliação eficaz, consciência política e uma boa comunicação entre o avaliador e os restantes atores de forma a incentivar ao trabalho de equipa. Como nos relata (Mouraz 2004:106), em 1965, Stufflebeam foi nomeado para desenvolver um projeto que leva-se à promoção da melhoria da educação, promovido pela Universidade de Ohio. A Stufflebeam incumbia organizar e coordenar um centro que desenvolve-se o projeto. Este projeto tinha desenvolve-seis objetivos fundamentais: i) proporcionar desenvolve-serviços avaliativos às escolas; ii) investigar as experiências educativas e avaliativas dessas escolas; iii) conceptualizar modos/modelos de avaliação aperfeiçoados; iv) apontar instrumentos e estratégias para desenvolver novas ideias acerca da prática da avaliação; v) preparar/formar os

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educadores/professores na utilização desses novos instrumentos e estratégias de avaliação; vi) difundir a informação acerca do trabalho desenvolvido pelo centro.

Em 1960, surge então o modelo CIPP (context, input, process e product), apresentadopor stufflebeam. Catalán (1993:39) salienta a propósito deste modelo “ Parte da conceção que a avaliação é o processo de identificar, obter e proporcionar informação útil e descritiva acerca do valor e do mérito dos objetivos, da planificação, da realização e do impacto provocado, com a finalidade de servir de guia para a tomada de decisões, solucionar problemas e promover a compreensão dos fenómenos iniciados.”

Stufflebeam (2003) defende quatro fases antecedentes à atividade avaliativa, o planeamento, a estruturação, a implementação e a revisão. A cada uma destas fases stufflebeam corresponde um tipo de avaliação diferente.

Na avaliação do contexto insere-se a fase do planeamento das atividades, o objetivo é identificar os problemas e as características do contexto de forma a conceber objetivos e metas. Na segunda fase é essencial fazer um estudo das características dos recursos disponíveis, sejam estes humanos e materiais, pois estes serão fundamentais para alcançar os objetivos e metas definidas. Na terceira fase, avaliação do processo o objetivo é recolher informações e fornecer essas mesmas informações aos diferentes atores, desta forma será possível encontrar falhas ou imperfeições e fazer as respetivas correções. Na última fase, avaliação do produto será feito um balanço sobre os objetivos propostos inicialmente e o resultado final.

O modelo CIPP, também conhecido como modelo das quatro variáveis, é considerado por diversos autores particularmente bem desenvolvido, por isso tem sido muito usado em vários tipos de avaliação, ou seja, avaliação de projetos, de programas e de organizações.

Mouraz (2004:109) apresenta algumas características que evidenciam a importância de modelo de avaliação:

“ a) é um modelo que considera a avaliação como uma parte integrante de qualquer programa educacional, não se tratando de uma mera atividade especializada e pontual relacionada com projetos de renovação institucional;

b) a avaliação desempenha um papel fundamental na estimulação, promoção e planificação das mudanças, em particular, na educação;

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c) as várias classes de avaliação introduzidas pelo modelo CIPP valem-se a si próprias pela necessidade que existe da informação que proporcionam. Se se verificar que a informação existente é pouco necessária, o valor intrínseco de cada uma dessas classes de avaliação é relevado para segundo plano, visto não adiantar em nada ao progresso do programa em avaliação;

d) o desenvolvimento de novos programas educativos deve incluir uma previsão acerca da utilização prática do modelo de avaliação a que deverá ser sujeito, dado que a avaliação é planeada, construída e desenvolvida face à promoção e realização de um qualquer programa educativo. Condição necessária para se falar num processo de retroalimentação facultado, então, pelo processo avaliativo. Ou seja, qualquer processo de avaliação é precedido por um programa educativo e não o contrário;

e) para além de dar contribuições para a resolução de problemas e necessidades de ordem institucional, a avaliação deve, também, contribuir para a construção de uma base que suporte a tomada de decisões acerca do fracasso ou institucionalização bem sucedida de um qualquer programa educativo, em que tais decisões são tomadas a partir de posicionamentos justificados;

f) as decisões sobre a manutenção, aplicação e aperfeiçoamento de programas educativos refletem forças dinâmicas e interações sociais racionais e/ou irracionais que ultrapassam, por vezes, a reduzida esfera de influência da racionalidade investigativa e avaliativa do avaliador.”

Stufflebeam, (2003 citado por Correia, 2004:16) sustenta que o “ O propósito mais importante da avaliação não é demonstrar, mas aperfeiçoar. Não podemos garantir que as nossas metas e objetivos são válidos, se não os confrontarmos com as necessidades daqueles que pretendemos servir.”

Stufflebeam (citado por Andrighetto e Richter 2009:1542) defende que: “ Avaliar se refere a qualquer processo por meio do qual alguma ou várias características de um aluno/a, de um grupo de estudantes, de um ambiente educativo, de objetivos educativos, de materiais, professores/as, programas, etc…, recebem a atenção de quem avalia, analisam-se e valorizam-se suas características e condições em função de alguns critérios ou pontos de referência para emitir um julgamento que seja relevante para a educação”.

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Desta forma, podemos salientar que Stufflebeam (2003) encara a avaliação como uma forma de melhorar o sistema educativo, ou seja, através da avaliação e do modelo por si proposto, avaliamos o contexto em que se faz essa avaliação, definir objetivos e metas para esse contexto, recolher as diversas informações que serão fundamentais para avaliar o processo e verificar se esse mesmo processo precisa ser reformulado à medida que vai decorrendo, por fim será feita uma avaliação dos resultados. Só assim segundo Stufflebeam a avaliação contribuirá para a qualidade e eficiência na educação, ou seja, a avaliação deve ter um único objetivo, aperfeiçoar o ensino.

O modelo CIPP, resume-se a quatro tipos de avaliação com duas funções específicas:

Quadro nº1

Funções e tipos de avaliação do modelo CIPP

Contexto Entrada Processo Produto

Fun çõ es d a av al ia çã

o Tomada de decisão Avaliação Proactiva

Verificação de produtividade Avaliação retroativa

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2.3 A Inspeção Geral da Educação – IGE

A IGE é uma instituição que tem como função a fiscalização e respetiva avaliação do funcionamento do sistema educativo, desde a educação pré-escolar até ao ensino secundário. Como está definido no artigo 10º da Lei Orgânica do ME, a sua missão inclui: “ a auditoria e a fiscalização do funcionamento do sistema educativo no âmbito da educação pré-escolar, dos ensinos básicos e secundários e da educação extraescolar, bem como dos serviços e organismos do ME, bem como assegurar o serviço jurídico-contencioso decorrente da prossecução da sua missão”.

A IGE tem, assim, os seguintes objetivos:

• “Assegurar a qualidade do sistema educativo, designadamente através de ações de controlo, acompanhamento e avaliação”

• “Zelar pela equidade do sistema educativo”

• “Apreciar a conformidade legal e regulamentar dos atos, serviços e organismos do Ministério da Educação e avaliar o seu desempenho e gestão”

• “Auditar os sistemas e procedimentos de controlo interno dos serviços e organismos do Ministério da Educação”

• “Exercer o controlo técnico sobre todos os serviços e organismos do Ministério da Educação”

• “Propor medidas que visem a melhoria do sistema educativo”

• “Participar no processo de avaliação das escolas” (Decreto Regulamentar nº81-B/2007).

Será importante salientar que a existência desta instituição remonta ao ano de 1771, ou seja, mais de 200 anos de existência, e que ao longo destes anos tem sofrido alterações em relação às funções que lhe foram atribuídas. (Pinto 2010:24)

Em 1771 a inspeção era realizada pela Real Mesa Censória, que tinham como função fazer o exame de habilitações dos professores a sua respetiva colocação nas escolas e analisar os relatórios finais que cada docente era obrigado a fazer.

Imagem

Figura 1: O Triângulo enganador da avaliação

Figura 1:

O Triângulo enganador da avaliação p.48
Gráfico nº 1   Itens com concordância

Gráfico nº

1 Itens com concordância p.76

Referências