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CREDITRISK+: Implementação da Modelagem Estatística de Risco de Crédito e Cálculos Alternativos Através da Transformada Rápida de Fourier no R.

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Academic year: 2021

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Estat´ıstica de Risco de Cr´

edito e C´

alculos

Alternativos Atrav´

es da Transformada R´

apida

de Fourier no R.

M. A. S. Sanfins a 1 & T. M. Clark a 2

a Universidade Federal Fluminense, IM, RJ, Brasil

Resumo

Neste trabalho utiliza-se conceitos de fun¸c˜oes geradoras de probabilidade, convolu¸c˜oes e Transformada R´apida de Fourier (em inglˆes Fast Fourier Transform - FFT) para realizar c´alculos de forma alternativa e simplificada para a modelagem do risco de cr´edito. Al´em disso, implementa-se tais c´alculos no R com exemplos de fenˆomenos economicos. Os scripts utilizados ser˜ao p´ublicos, com um objetivo de se criar uma library e ser´a enviada ao R-Project.

Palavras Chaves: CreditRisk+, c´alculo do risco de cr´edito, implementa¸c˜ao no R.

1

Introdu¸

ao

Durante os ´ultimos 15 anos muitos artigos relacionados com o c´alculo do risco de credito foram publicados. Para o c´alculo do risco existem diferentes metodologias, como por exemplo o CreditMetrics (JP Morgan,1997), PortifolioManager(KMV, 1997), Mckinsey’s CreditPort-folioView (Wilson, 1997) e o CreditRisk+ (Credit Suisse Financial Products, 1997).

1Orientador: [email protected] 2Aluno: [email protected]

(2)

O CreditRisk+ ´e o maior representante dos modelos atuariais com metodologia baseada em t´ecnicas aplicadas na industria de seguros. O m´etodo CreditRisk+ tem como objetivo estimar a distribui¸c˜ao de perdas em carteiras de cr´editos. Trata-se de um m´etodo estat´ıstico baseado no risco de default n˜ao assumindo qualquer premissa sobre suas causas ou em qual instante do tempo que poder´a ocorrer. O CreditRisk+ considera as taxas de default como vari´aveis aleat´orias continuas, assumindo a varia¸c˜ao das taxas na an´alise a fim de incorporar a incerteza das vari´aveis. Frequentemente fatores externos, como o estado da economia, torna relacionada a incidˆencia de default. Mesmo assim, n˜ao existe liga¸c˜ao casual entre eles. Os efeitos desses fatores s˜ao incorporados no modelo atrav´es da varia¸c˜ao das taxas de default e an´alise de setores.

O processo de avalia¸c˜ao do risco de cr´edito consiste na frequencia dos default e na severi-dade das perdas. Para estimar a distribui¸c˜ao de perda da carteira, o CreditRisk+ assume que a distribui¸c˜ao de eventos default ´e aproximada `a distribui¸c˜ao de Poisson. O modelo b´asico assume que os eventos de default s˜ao independentes, ou seja, as taxas de default s˜ao fixas. Por´em sabe-se que essa aplica¸c˜ao na realidade ´e muito dif´ıcil, pois estudos anteriores provam que as taxas de default variam ao longo dos anos.

O m´etodo prop˜oe ent˜ao uma forma mais sofisticada, onde a incerteza das taxas de de-fault s˜ao levadas em considera¸c˜ao. As taxas de default, assim, assumem uma distribui¸c˜ao Gama, que ter´a a mesma m´edia da distribui¸c˜ao sem varia¸c˜ao, por´em suas caudas ser˜ao mais ”grossas”. A probabilidade de eventos extremos aumenta, devido `a correla¸c˜ao impl´ıcita na volatilidade, quando incorporado a volatilidade a taxa de default. Como o modelo n˜ao as-sume nenhuma premissa sobre os eventos de default, a rela¸c˜ao ´e explicada pela existˆencia de fatores extremos.

Na analise de setores ´e poss´ıvel agrupar os devedores de acordo com a influencia de fatores extremos, de tal modo que permite medir os benef´ıcios da diversifica¸c˜ao e eventuais concentra¸c˜oes em fatores.

2

Metodologia e An´

alise

Al´em das formas de c´alculo proposta pelo documento t´ecnico do CreditRisk+, conforme referˆencia [3], existem formas alternativas do c´alculo e modelagem do risco de credito. Uma dessas formas ´e pela fun¸c˜ao geradora de probabilidade.

(3)

Defini¸c˜ao 2.1. Seja X uma vari´avel aleat´oria discreta. Note que E[tx] = j=0

tj· P [X = j]. Consequentemente, E[tx] ´e a fun¸c˜ao geradora de probabilidade de X.

Outro conceito estat´ıstico utilizado ´e a convolu¸c˜ao das fun¸c˜oes geradoras de probabilidade adaptado ao nosso caso.

Defini¸c˜ao 2.2. Sejam N e K vari´aveis aleat´orias independentes. Ent˜ao, Pn+k(t) = E[tn+k] = E[tn· tk] = E[tn]· E[tk] = Pn(t)· Pk(t).

Portanto, atrav´es das defini¸c˜oes 2.1 e 2.2 podemos calcular a perda de uma carta de cr´edito.

Defini¸c˜ao 2.3. Seja i o valor que desejamos calcular de perda em uma carta de cr´edito. Ent˜ao o resultado de ( d dt )i · Pn(t)· Pk(t) i! ,

implica na probabilidade da carta de cr´edito sofrer uma perda i durante um dado per´ıodo de tempo.

Outros m´etodos de c´alculo do risco podem ser obtidos atrav´es da FFT. Introduzir´a, a seguir, o algoritimo que ser´a utilizado no c´alculo do risco de cr´edito.

Algoritimo 2.1. Se f = [f0, f1, . . . , fm−1] e g = [g0, g1, . . . , gk−1] representam dois vetores de probabilidade ent˜ao, o algoritmo de convolu¸c˜ao da FFT consiste em:

Completar os vetores f e g com 0 para que cada um tenha tamanho n≥ m + k .

Aplicar a FFT para cada vetor ˜f = F F T (f ) e ˜g = F F T (g) .

Calcular o produto de ˜h = ˜f· ˜g, elemento por elemento.

•Para recuperar o vetor de probabilidade como uma convolu¸c˜ao de f e g devemos aplicar a Inversa da FFT, definida por IFFT,em ˜h.

(4)

Quando analisa-se perdas em carta de cr´editos de, por exemplo seguradoras, a metodolo-gia chamada de frequˆencia e severidade (frequency/severity) ´e mais um m´etodo alternativo, onde defini-se frequencia como o numero de defaults em uma carta de cr´edito dado um per´ıodo de tempo e severidade como a quantidade, em unidade monet´aria, para cada default individ-ual, ou seja, a perda expressada em unidades monet´arias no evento. (Loss Given Default -LGD).

Neste m´etodo a frequˆencia m´edia de perda e a serveridade m´edia de perda s˜ao utilizadas para calcular a m´edia esperada da perda acumulada, ´e necess´ario saber n˜ao s´o a m´edia mas, tamb´em, a distribui¸c˜ao acumulada de perda para quantificar a variabilidade de perda. Al´em de estimar a frequˆencia e severidade m´edia, distribui¸c˜oes probabil´ısticas s˜ao usadas para descrever, qualquer poss´ıvel, varia¸c˜ao no n´umero de contingˆencias e n˜ao certeza sobre as perdas. A distribui¸c˜ao acumulada de perda combina os efeitos da frequˆencia/severidade das perdas.

As perdas acumuladas s˜ao representadas como a soma Z, de um n´umero aleat´orio N, de um empr´estimo(ou bandas (x1, x2, x3, ..., xn)) n˜ao pago. Portanto, considere-se a fun¸c˜ao caracter´ıstica

ΦZ(t) = E[eit(Z)] = EN[E[e

it(x1,x2,x3,...,xn)

N ]] = ENX(t)N] = PNX(t)),

onde PN ´e a fun¸c˜ao geratriz de probabilidade de N. Esta rela¸c˜ao sugere que em termos da fun¸c˜ao caracter´ısticas pode-se calcular a distribui¸c˜ao acumulada de perda com o seguinte algoritimo.

Algoritimo 2.2. Os passos s˜ao:

Transformar as distribui¸c˜ao de probabilidade de severidade em uma distribui¸c˜ao disc-reta. Chegaremos nisso dividindo a carta de cr´edito em bandas(x1, x2, x3, ..., xn) de exposi¸c˜ao tal que cada banda ´e composta por devedores que sua exposi¸c˜ao corresponde ao tipo da banda. Se f = [f0, f1, . . . , fm−1] representa o vetor de severidade, ent˜ao o termo fi deve ser calculado considerando que eles representem o quociente do valor esperado de defaults de cada banda, e o valor esperado de defaults na carta de cr´edito.

Completar o vetor de probabilidade de severidade com zero para que tenha tamanho n.

Aplicar a FFT para o vetor de probabilidade de severidade ˜fx= F F T (fx).

Aplicar a fun¸c˜ao geratriz de probabilidade da frequencia para a FFT do vetor de sev-eridade: ˜fz = Pn( ˜fx).

(5)

Aplicar a IFFT para recuperar a distribui¸c˜ao de perda acumulada: ˜fz = IF F T ( ˜fx). Em situa¸c˜oes que os riscos individuais s˜ao sujeitos a mesma influˆencia de default utiliza-se uma distribui¸c˜ao composta secundaria. A perda agregada da carta de cr´edito pode ser calculada em dois passos:

O controle de default do parˆametro externo ´e retirado de uma fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao, neste caso a distribui¸c˜ao Gama;

A gravidade de cada parˆametro externo ´e obtida na realiza¸c˜ao da fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao condicional, condicionada na realiza¸c˜ao do parˆametro externo escolhido no primeiro passo, que assumi-se ter a distribui¸c˜ao de Poisson.

O modelo ´e chamado de processo de Possion Misto (Mixed Poisson), onde o parˆametro µ tem distribui¸c˜ao Gama com parˆametros α e β.O qual pode ser aproximado `a distribui¸c˜ao Binomial Negativa com parˆametros µ e σ. Neste caso a distribui¸c˜ao eventos default ser´a

PN = P (N = n) = Γ(α + n) Γ(α)n! · ( 1 1 + β )α · ( β 1 + β )n , onde α = µσ22 e β = σ 2

µ. E a fun¸c˜ao geradora de probabilidade ´e dada por

PN(t) = [1− β(t − 1)]−α

Para a an´alise de v´arios setores considera-se que cada setor da carta de cr´edito ´e inde-pendente, de tal forma que seja possivel dividir a carta de cr´edito em sub cartas de cr´editos atendendo a cada setor. Assim, cada setor ter;a um peso aik correspondente ao seu pr´oprio risco.

Ap´os ser calculada a distribui¸c˜ao de cada sub carta de cr´edito ser´a ent˜ao poss´ıvel calcular a distribui¸c˜ao de perda da carta inteira, pelo algoritimo 2.1.

O risco de mercado ´e originado pela volatilidade nos pre¸cos dos ativos financeiros. Ele ´e geralmente mensurado atrav´es da metodologia Value-at-Risk(VaR), que fornece uma medida de perda durante um determinado per´ıodo e intervalo de confian¸ca. A metodologia intro-duzida a cima ´e muito ´util n˜ao s´o para o c´aculo, de forma alternativa, das distribui¸c˜oes de perda de qualquer carta de cr´edito, mas tamb´em para o c´alculo do VaR.

Para maior detalhes sobre o esposto acima o leitor poder´a consultar as seguintes re-ferˆencias.

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Referˆ

encias

[1] SILVEIRA, M. A. M., Avalia¸c˜ao do Risco de Cr´edito Agregado: Aplica¸c˜oes do CRED-ITRISK+ Em Institui¸c˜oes N ˜AO-Financeiras, Escola de P´os Gradua¸c˜ao em Economia da Funda¸c˜ao Getulio Vargas, Tese de Mestrado, (2007).

[2] MELCHIORI, M. R., CreditRisk+ by Fast Fourier Transform, Universidade Nacional del Litoral, (2004).

[3] WILDE, T., CreditRisk+ A Credit Risk management Framework, Credit Suisse First Boston, CreditRisk+ Technical document, (1997)

[4] BLUHM, C., OVERBECK, L., WAGNER, C., An Introduction to Credit Risk Modeling, Chapman & Hall/CRC, (2002).

[5] WANG, S. S., Aggregation of Correlated Risk Portfolios: Models & Algorithms, CAS Committee on Theory of Risk. Working Paper, (1999)

[6] GORDY, M. B., Saddlepoint Approximation of CreditRisk+,Published in Journal of Banking and Finance, 26(7):1337-1355, (2002)

[7] GORDY, M. B., A comparative anatomy of credit risk models, Journal of Banking and Finance, 24:119-149, (2000).

Referências

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