resumos
Nesta proposta de workshop, apresentam-se três actividades experimentais que têm sido realizadas com alunos do 10º, 11º e 12º ano nas disciplinas de Técnicas Laboratoriais de Química I, Ciências Físico-Químicas e nas disciplinas de formação técnica do Curso Tecnológico de Química. As actividades poderão vir a ser adaptadas em laboratório e/ou sala de aula, para alunos do ensino básico.
Medições de densidade da Coca-Cola
O professor coloca latas de dois tipos de Coca-Cola em água e perante o facto de uma lata ficar mergulhada em água e a outra flutuar, os alunos são levados a propor hipóteses para estas observações e a planificar o trabalho experimental de modo a identificar os diferentes tipos de Coca-Cola através da densidade. Seguidamente, efectuam medições, tratam grafica e analiticamente os valores obtidos, comparam a precisão de instrumentos volumétricos, propõem hipóteses explicativas e tentam identificar fontes de erro.
Exploração de um kit de análise de água
O kit de análise de água, desenvolvido na Escola, permite efectuar medições de parâmetros físico-químicos de qualidade da água de diversas origens. O significado, a exactidão e a reprodutibilidade dos resultados obtidos para os vários parâmetros são discutidos em sala de aula. Este kit tem sido utilizado em visitas de campo e no laboratório para avaliação da qualidade da água.
Ácidos e bases em nossa casa
A actividade envolve duas reacções ácido-base. Na primeira, uma solução de detergente da roupa, em pó, é neutralizada por ácido formado por hidrólise de dióxido de carbono expirado. Utiliza-se como indicador ácido-base, açafrão indiano ou um extracto de couve roxa. Na segunda reacção, adiciona-se vinagre a bicarbonato de sódio comercial, produzindo-se dióxido de carbono. É adicionado detergente em pó, obtendo-se uma espuma. A partir das observações, segue-se uma discussão com os alunos, levando-os a identificar ácidos e bases do quotidiano, a consolidar os conceitos de ácido e de base de Bronsted – Lowry, a estabelecer comparações entre forças relativas de ácidos e bases e a interpretar o funcionamento de indicadores ácido-base corados.
Bibliografia:
Carvalho, A. et al; Acid-Base Reactions with Carbon Dioxide; Journal of Chemical Education 2002, 79, 1464A. S.H. Richard et al, Using Data Pooling to Measure the Density of Sodas – An Introductory Discovery Experiment, Journal of Chemical Education 1999, 76, 10.
ACTIVIDADES EXPERIMENTAIS DE
QUÍMICA E FÍSICA
DO QUOTIDIANO AO LABORATÓRIO
Edite M. P. F. Fiuza
Maria Manuela F. Silva
Escola Secundária de Fonseca Benevides
08 JANEIRO | 14H30
SALA 1.1.06
O OURI E O DESENVOLVIMENTO DO
PENSAMENTO MATEMÁTICO
Ana Fraga
M.ª Teresa Santos
Centro de Competência “Entre Mar e Serra”
08 JANEIRO | 15H30
SALA 3.1.09
Procurando dar um pequeno contributo com um projecto de investigação-acção virado para o estímulo do pensamento matemático ao nível do quotidiano e em contexto lúdicos, recorremos a um jogo milenar de diversas culturas africanas.
O jogo Ouri pertence a uma família de jogos de tabuleiro designados por Mancala. A família do Mancala é muito antiga e a sua origem é incerta, no entanto, admite-se que tenha sido inventado pelos egípcios. Das muitas designações que tivemos acesso, decidimos adoptar a seguinte: “Ouri”.
Estes jogos são, aparentemente, muito simples, mas não basta saber as suas regras para se saber jogar. Requerem cálculo, reflexão e muita prática, pois é necessário saber escolher com segurança, entre as hipóteses possíveis que se oferecem em cada jogada, bem como, prever os ataques do adversário. Por esta razão, são considerados jogos eruditos, de habilidade ou de destreza.
Uma componente essencial da formação matemática é a compreensão de relações entre ideias matemáticas, tanto entre diferentes temas da matemática como no interior de cada tema, e ainda de relações entre ideias matemáticas e outras áreas de aprendizagem. Actividades que permitam evidenciar e explorar estas conexões devem ser proporcionadas a todos os alunos. Um aspecto importante será o tratamento e exploração matemáticos do jogo OURI.
O Projecto tem como linha orientadora a integração e a troca de saberes da cultura africana. Pensamos ser uma mais valia para a Matemática, pois a combinação com outros saberes na compreensão de situações da realidade constitui um património e um modo único de pensar.
Assim, o Ouri visa despertar o interesse e mobilizar a actividade do aluno na Matemática, já que este jogo, alia raciocínio, estratégia e reflexão, com desafio e competição de uma forma lúdica.
Ao introduzir o jogo nas nossas escolas pretendemos que os alunos adquiram e desenvolvam em ambiente lúdico e interactivo, e em diferentes contextos um conjunto de competências que pensamos relevantes para o desenvolvimento do pensamento matemático.
Pretendemos com este Workshop promover o contacto com o jogo e as suas regras, organizando entre os participantes uma sessão prática deste jogo.
Nesta “workshop” serão apresentados alguns trabalhos que resultaram de investigações realizadas pelos alunos do Mestrado em Física para o Ensino, da Universidade de Évora, durante o ano lectivo 2002-2003, sobre a utilização da História e Filosofia das Ciências na educação científica: “Uma leitura pedagógica de alguns aspectos dos Diálogos do Galileu”; “Recuperação de um dispositivo experimental, para a demonstração do princípio de Arquimedes, muito utilizado nos princípios do século XX” (nomeadamente por Madame Curie nas suas lições elementares); “O tempo como conceito integrador entre a ciência e a técnica”.
Serão também apresentados trabalhos de projecto realizados no âmbito da disciplina de Experimentação em Física, relacionados com os Novos Programas de Física do 10º e 11º anos, nomeadamente sobre: “A utilização de painéis fotovoltaicos na produção de energia eléctrica”; “Absorção e Emissão de Radiação”; Um guião de utilização do osciloscópio” e “Actividades extra aula para Clubes de Ciência - Jogos da Física” (uma adaptação das Olimpíadas de Física, de 1995 a 2003).
Serão distribuídos aos professores cópias dos materiais produzidos.
A FORMAÇÃO ATRAVÉS DE
PEQUENOS TRABALHOS DE
INVESTIGAÇÃO REALIZADOS NO
ÂMBITO DE ALGUMAS DISCIPLINAS
DO MESTRADO EM FÍSICA PARA O
ENSINO DA UNIVERSIDADE DE
ÉVORA
Anabela Martins
Mariana Valente
09 JANEIRO | 11H00
SALA 3.1.09
CONTRIBUTOS DAS WEBQUESTS
PARA O ENSINO-APRENDIZAGEM
EM CIÊNCIAS E MATEMÁTICA
Jorge Silva de Matos
Luís Silva Santa
Universidade de Évora - CCUE/Nónio
Vicência Maio
Universidade de Évora - Núcleo UE/Minerva
09 JANEIRO | 14H30
SALA 1.1.06
No plano da formação de professores de Ciências e de Matemática, a valorização das ferramentas da sociedade da informação passa, naturalmente, pela sua crescente integração em práticas que privilegiem o desenho, a implementação e a validação de estratégias de integração curricular das múltiplas valências que, no campo instrumental, as Tecnologias de Informação e Comunicação podem assumir.
Ao nível da Internet, o recurso ao “modelo” WebQuest (ou Aventuras na Web), proposto por Bernie Dodge e Tom March (1995), afigura-se-nos como uma estratégia inovadora que vai ao encontro de preocupações e necessidades dos professores, facilitando os processos de desenvolvimento de um conjunto de competências essenciais e transversais definidas no quadro da recente reorganização curricular do Ensino Básico.
Na nossa perspectiva e tendo em conta a experiência dos últimos anos, para além da vertente da exploração e avaliação em contexto curricular (aplicação didáctica) de WebQuests já existentes, é, sobretudo, no plano da construção, publicação e validação de WebQuests que se devem concentrar maiores esforços de formação. Com este Workshop pretendemos confrontar os professores participantes com os fundamentos pedagógicos deste modelo de trabalho e, a partir de exemplos de WebQuets na área das ciências e da matemática, encontrar/discutir possíveis formas e contextos de operacionalização.
Objectivos do Workshop
Discutir potencialidades didácticas da integração da Internet no ensino/aprendizagem das Ciências e da Matemática.
Promover a utilização de WebQuests em contexto educativo na área das Ciências e da Matemática.
Perspectivar o desenvolvimento de competências essenciais e transversais definidas no quadro da recente reorganização curricular do Ensino Básico recorrendo à resolução de WebQuests.
Actividade
Será feito um enquadramento sucinto acerca da utilização da Internet em sala de aula, sendo apresentadas algumas modalidades de trabalho com ênfase nas WebQuests.
Como actividade central deste workshop será proposta a resolução de uma WebQuest sobre a utilização didáctica de WebQuests de ciências e matemática. Tendo como ponto de partida a análise de exemplos seleccionados, os participantes terão como tarefa avaliar as potencialidades didácticas das WebQuests, no âmbito do ensino-aprendizagem das ciências e da matemática identificando possíveis contextos e situações de integração na sala de aula.
Nº máximo de participantes
A Lei de Bases do Sistema Educativo (1986) apresenta, entre outros, os seguintes objectivos:
“ (...) promover o desenvolvimento do espírito democrático e pluralista, respeitador dos outros e das suas ideias” “ (...) proporcionar aos alunos experiências que favoreçam a sua maturidade cívica e sócio-afectiva, criando neles atitudes e hábitos positivos de relação e cooperação”
“ (...) criar hábitos de trabalho, individual e em grupo, e favorecer o desenvolvimento de atitudes de reflexão metódica e de abertura de espírito”
No documento das Orientações Curriculares do Ensino Básico para as Ciências Físicas e Naturais, há uma clara alusão à Ciência como produto da actividade humana e, no documento das Competências Essenciais do Currículo Nacional do Ensino Básico, refere-se a importância da dimensão epistemológica do conhecimento científico. Parece-nos que uma perspectiva, clara e realista, do processo de construção do conhecimento científico é fundamental para que se atinjam os objectivos. A educação de cidadãos democráticos e pluralistas com uma maturidade cívica, com hábitos positivos de cooperação e sobretudo com atitudes de reflexão metódica e de abertura de espírito passam pela percepção do carácter transitório dos paradigmas científicos e da sua adequação limitada a determinadas porções de uma realidade mais vasta que é o mundo físico.
A presente oficina de trabalho tem como finalidade a realização e discussão de uma actividade de sala de aula em que se explora a natureza e construção do conhecimento científico, usando como tema de estudo a Revolução Coperniciana.
Considerando a importância de dar, aos professores, a oportunidade de discutirem e reflectirem sobre as suas práticas, “ (...) ajudando-os a desenvolver uma progressiva consciencialização das suas próprias concepções epistemológicas (...)” (Praia, 1998), decidimos elaborar esta actividade interactiva envolvendo os professores de uma forma idêntica à que os alunos são envolvidos na sala de aula. A proposta desta oficina de trabalho passa por levar os professores a executar uma actividade de sala de aula, construída a pensar nos alunos, que permita abordar, de uma forma simples, a Revolução Coperniciana segundo as perspectivas popperiana e kuhniana da natureza e construção do conhecimento científico.
Os critérios presentes na escolha do tema prendem-se com o impacto que esta revolução teve nas mundividências das sociedades ocidentais, em particular a sociedade europeia, dos séculos XVI ao XIX. Outra razão que nos levou a escolher este tema, prende-se com o facto de que a exploração, na sala de aula, de teorias científicas refutadas, é, muitas vezes feita de forma inexacta quando não são mesmo apresentadas como formas insensatas, que os nossos antepassados tinham, de ver o mundo (Almeida, 2000). A grande difusão do heliocentrismo que transformou a teoria científica em senso comum torna particularmente visíveis os aspectos referidos anteriormente no que concerne à abordagem do geocentrismo na sala de aula.
O CONHECIMENTO
EPISTEMOLÓGICO E O ENSINO DAS
CIÊNCIAS FÍSICAS E NATURAIS
UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA
Orlando Figueiredo
Faculdade de Ciências
Universidade de Lisboa
10 JANEIRO | 11H00
SALA 3.1.09
A actividade inclui um texto sobre a Revolução Coperniciana, com questões de interpretação que pretendem esclarecer eventuais dúvidas surgidas na leitura do texto. Seguem-se dois blocos de questões para reflexão em grupos diferentes. Um dos blocos aborda o tema numa perspectiva popperiana e o outro numa perspectiva kuhniana. Para discussão final, são apresentadas, quatro afirmações onde as duas perspectivas são confrontadas e discutidas.
Após a realização da actividade, procede-se a uma discussão e reflexão sobre o interesse e potencialidades de trabalhos desta natureza, em termos de formação de professores e da aprendizagem dos alunos.
Referências bibliográficas
ALMEIDA, António (2000). A controversa aceitação da teoria de tectónica de placas à luz das ideias de Kuhn. Revista de Educação. Vol. IX, n.º 2, 29-39.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (1986). Lei n.º 46/86: Lei de bases do sistema educativo. Diário da República, I série, n.º 237.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (2001). Currículo nacional do ensino básico. Lisboa: Departamento do Ensino Básico
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (2002). Orientações curriculares para o ensino básico: Ciências físicas e naturais. Lisboa: Departamento do Ensino Básico
PRAIA, João & Cachapuz, António (1998). Concepções epistemológicas dos professores portugueses sobre o trabalho experimental. Revista Portuguesa de Educação. 11(1), 71-85