008/2016 – DOMINGUEIRA DE 03/04/2016
Qual a agenda...Lenir Santos
Perplexidade e complexidade é a pauta que nos alucina nos dias de hoje. As questões político-sociais nos atropelam sem permitir reflexão, racionalidade e globalidade dos fatos. Ideais sociais eclipsados pela disputa político-partidária que parece ser a única agenda, apartada das dificuldades brasileiras, como a desigualdade e injustiça social. Os meandros são perigosos pelos pensamentos reacionários, sobre o quais não há argumentos nem bons sentimentos.
O respeito à liberdade de pensamento sob risco, ante irracionalidades, presunções e distorções de fatos ao ponto de se romperem relações pessoais e sociais. Criar cizânia e buscar o ódio que nos habita reconditamente – pelos freios sociais sobre desejos e a repressão de pulsões oriundas de nossa natureza animal – não é difícil e a história nos mostra isso.
Nossa natureza terrena é animal; são os processos civilizatórios que nos levam a reprimir instintos; acordá-los mediante oportunistas engrenagens de psicologia de massas pode ser perigoso. Já vimos esse filme muitas vezes em nossa historia civilizatória: guerras, inquisições, fascismos, nazismos e outros ismos que dizimam pessoas e as empobrecem e amortecem a alegria do viver. Arriscar retrocessos dessa natureza custará muito às gerações futuras que terão de reconstruir o destruído.
A corrupção no país – endêmica desde seu nascimento – não será resolvida tão somente pela complexa operação da polícia federal e Poder Judiciário que podem ficar tentados, são tocados por seres humanos, a trocar os sentimentos de imparcialidade, discrição e igualdade pelos seus antônimos. Não se pode exigir muito de um único poder. Eles são três e a sua harmonia é essencial para a saúde social; uma Nação manca pode tropeçar e cair. Quem não é contra a corrupção que rompe os princípios de justiça social? Quem pode não ser contra, exceto quem dela se beneficia?
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Não sejamos ingênuos também em achar que uma operação da polícia federal, que tomou grandes proporções por atuar no topo da corrupção política, a expulsará do país. Seria muito poderosa se pudesse fazer isso sozinha. Do ponto de vista político, infelizmente a corrupção é endêmica e está em todos os municípios, desde algumas lideranças comunitárias, vereadores, prefeitos etc. etc. etc. As estruturas viciadas da nossa democracia representativa não se modificarão sem reforma política e investimentos na educação cívica de seu povo. Estamos pautando e exigindo que isso seja feito pelos governos? A democracia participativa está na agenda? Caso o impeachment aconteça, o programa do PMDB foi aprovado pelo voto da população? Um mandato presidencial é dado pelo povo ao governante e seu vice, associado a um programa de governo sustentado pela Constituição, em especial em suas cláusulas pétreas.
Saúde pública gratuita e de qualidade; educação universal; salário, emprego; transporte coletivo digno; moradia; solidariedade social; programas que permitam o desenvolvimento da civilidade e do civismo; desenvolvimento econômico-social e diminuição das desigualdades sociais estão na agenda? A reforma política que dê conta de atender aos reclamos da sociedade está na agenda? A democracia participativa organizada está na agenda?
Está na mesa a defesa de garantias e direitos sociais e políticas de erradicação da pobreza? São 150 milhões de pessoas que dependem com exclusividade do sistema público de saúde, educação, assistência social e outros. Esses não têm meios de ter renda e trocar o direito constitucional pelo direito de consumir no mercado mediante renda, como alguns defendem.
A sociedade parece capturada pela crença de que basta mudar o governo para mudar as condições de vida das pessoas. Mudar o governo com que pauta? A pauta é a que a sociedade deseja e negociou?
Precisamos de elucidação para que a alucinação não nos confunda. Uma das formas é pela clareza e legitimidade da agenda governamental que respeite a Constituição em suas cláusulas pétreas, que são os direitos e garantias fundamentais; que vise ao alcancem dos objetivos da República, como
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Esse mal endêmico, a desigualdade social, não pode nos anestesiar pelos séculos de existência e precisa ser pauta de todo e qualquer governo sob a égide desta Constituição. Devemos nos perguntar se a raiz das intolerâncias e preconceitos sociais não se assenta na desigualdade social. Nossa pauta deve ser o alcance de justiça social da qual nunca devemos nos afastar por ser o guia do futuro do país. Um dos elementos essenciais nessa agenda é o respeito ao direito à saúde e reais condições de seu funcionamento.
AGORA, É HORA DE LUTAR PELA APROVAÇÃO DA PEC 01/2015 NO 2º TURNO DE VOTAÇÃO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS
Francisco R. Funcia
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 01/2015 foi aprovada na noite do dia 22 de março de 2016 em 1º turno de votação na Câmara dos Deputados por 402 votos a favor e 1 contra. Mas, a luta continua: agora, é preciso lutar para sua aprovação em 2º turno na Câmara dos Deputados na votação que deverá ocorrer no próximo dia 05 de abril.
A aprovação desta PEC 01/2015 é muito importante para reduzir o subfinanciamento do SUS: ela revoga alguns dispositivos da Emenda Constitucional nº 86/2015 (EC 86/2015) e aumenta os percentuais da Receita Corrente Líquida (RCL) para o cálculo da aplicação mínima em ações e serviços públicos de saúde (ASPS) no período 2017-2023 em comparação à regra vigente da EC 86/2015 (veja a tabela a seguir). Além disso, as despesas oriundas de emendas parlamentares não poderão mais fazer parte do cálculo da aplicação mínima em ASPS.
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ANO 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 PEC 01/2015 APROVADA 1º TURNO 14,8% 15,5% 16,2% 16,9% 17,6% 18,3% 19,4% EMPENHADO 2015 E EC 86/2015 APÓS 2016 14,8% 13,2% 13,7% 14,1% 14,5% 15,0% 15,0% 15,0% 15,0%A aprovação em 1º turno da PEC 01/2015 por 402 votos a um na Câmara dos Deputados respeitou a vontade popular, ao resgatar com modificações os termos do Projeto de Lei de Iniciativa Popular nº 321/2013, conhecido como “Saúde +10”, que não foi aprovado anteriormente pelo Congresso Nacional apesar das 2,2 milhões de assinaturas recebidas.
Contudo, ainda será preciso a confirmação deste resultado nas seguintes votações em segundo turno na Câmara dos Deputados; e, depois, em dois turnos do Senado Federal, o que ampliará as condições necessárias para o cumprimento do princípio constitucional de que “a saúde é direito de todos e dever do Estado”.
Portanto, deve permanecer a luta unitária em defesa do fortalecimento do processo de financiamento do SUS, como parte da luta pela defesa intransigente dos direitos inscritos na Constituição Federal e pelo Estado Democrático de Direito diante das ameaças concretas à democracia e aos direitos sociais atualmente empreendidas pelos setores conservadores da sociedade.
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Cardoso, Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Roussef), que mantiveram estagnadas as aplicações de recursos federais para as ações e serviços públicos de saúde em torno de 1,7% do PIB, é muito diferente e oposta a um apoio a propostas políticas de rompimento com a ordem constitucional e ao Estado Democrático de Direito.
É exatamente por isto que sou contra à abertura de processo de impeachment sem nenhuma das condições previstas para esse fim na legislação que rege a matéria, pois a simples tentativa em curso na Câmara Federal representa um “golpe” contra a Presidente da República Dilma Roussef, eleita democraticamente para governar o Brasil no período de 2015-2018 e, sobre quem, não paira nenhuma investigação ou condenação na esfera judicial. Não se pode transformar a disputa político-partidária pelo poder fora do período eleitoral num “vale tudo” que chega até ao desrespeito à Constituição Federal.
É preciso ficar claro que: somente temos a liberdade de criticar os aspectos do financiamento inadequado da política de saúde que está em curso no Brasil, porque a sociedade conquistou a retomada do Estado Democrático de Direito após uma grande luta que resultou na promulgação da Constituição Federal de 1988 (CF-88). A perda de muitos direitos sociais como o SUS, inscritos na CF-88, está sendo pregada abertamente por aqueles que estão liderando as manifestações favoráveis ao impeachment da Presidente Dilma Roussef ao arrepio da CF e da lei. Uma vez aberto o precedente de desrespeitar a CF e as leis, qual será a segurança jurídica deste país? Conforme o dito popular: “por onde passa um boi, passa uma boiada”.
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ANEXOS:
LEGISLAÇÃO BÁSICA EM SAÚDE PÚBLICA – SUS – SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE – VERSÃO 31.3.2016 por José Adalberto Dazzi
Texto anexo de terceiro é de estrita responsabilidade de seu autor.
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