NOTA TÉCNICA Nº 0012_V1_2013 DISTRITO DE INOVAÇÃO DE JARAGUÁ DO SUL
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ALINHAMENTO ESTRATÉGICO
Jaraguá Ativa: Cidade inteligente e sustentável, cidade para pessoas.
Visão: Ser referência internacional na indicação de caminhos estratégicos para o desenvolvimento sustentável da Cidade.
Missão: Ser o indutor das tomadas de decisões do Poder Público e da Sociedade, através de critérios técnicos.
Macro Diretriz: JARAGUÁ ATIVA
Programa: INOVAÇÃO EMPREENDEDORA Iniciativa estratégica: DISTRITO DA INOVAÇÃO
Prefeito: Dieter Janssen
Vice-Prefeito: Jaime Negherbon
Presidente do INSTITUTO JOURDAN: Benyamin Parham Fard
Diretor de Desenvolvimento Econômico, CT&I: Marcio Manoel da Silveira Elaboração:
Benyamin Parham Fard Marcio Manoel da Silveira
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APRESENTAÇÃO
Um dos maiores desafios das cidades no século 21 é o seu alinhamento com as diretrizes da nova economia, na busca pela criação de habitats inovadores e criativos, que sejam capazes de atrair e reter talentos bem como os novos e jovens profissionais da geração “Y”, que gradativamente ingressam o mercado de trabalho.
Com as projeções de diminuição dos índices mundiais e nacionais de nascimento de filhos por casal, diversos estudos apontam para uma futura redução na oferta de mão de obra jovem para trabalhos tidos como “de base”, haja visto que há uma maior disposição da juventude a buscar ofícios ligados à áreas mais globalizadas e horizontalizadas.
Por outro lado, é evidente a migração produtiva do setor industrial para aquelas regiões do Brasil onde há maior oferta de mão de obra, melhor logística para escoamento de produção, bem como maiores incentivos de qualquer ordem e/ou menor burocracia do setor público.
Neste ínterim é imprescindível que todas as cidades que possuem uma alta dependência do setor primário na sua matriz econômica, busquem pela diversificação econômica a fim de multiplicar sua capacidade produtiva, bem como evitar concentração de riscos ou efeitos migratórios não controlados, além de proporcionar aos seus munícipes alternativas de elevar sua renda média com base na oferta de qualificação profissional.
Atualmente Jaraguá do Sul ocupa o posto de 5ª maior economia do estado de Santa Catarina, e tem sua geração de riqueza, renda e emprego fortemente ligada aos setores de indústria e serviços voltados para o setor industrial. A diversificação da matriz econômica de Jaraguá do Sul, que passa por instrumentos como o Distrito de Inovação, deve ser aplicada como uma estratégia chave para o seu processo de desenvolvimento sustentável, na busca pelo conceito de elevar ainda mais os diversos (e positivos) níveis de qualidade, para transformar a cidade no melhor lugar para se viver. Transformar Jaraguá dos Sul numa cidade “para as pessoas”, o objetivo maior do Prefeito Dieter Janssen.
Benyamin Parham Fard Presidente do INSTITUTO JOURDAN
NOTA TÉCNICA Nº 0012_V1_2013 4 SUMÁRIO 1 ANÁLISE ... 5 2 JARAGUÁ ATIVA ... 8 2.1 TRÍPLICE HÉLICE ... 9 2.2 HABITATSDAINOVAÇÃO ... 9 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 19 REFERÊNCIAS ... 20
NOTA TÉCNICA Nº 0012_V1_2013 5 Essa Nota Técnica objetiva apresentar análises, conceitos e modelos de forma a contextualizar a implantação da iniciativa estratégica Distrito da Inovação. A Iniciativa estratégica em questão faz parte do programa Inovação Empreendedora que faz parte dos quatro programas que dão vazão a Macro diretriz JARAGUÁ ATIVA apresentadas por Fard, Henning e Da Silveira (2013)
No item 01 são apresentadas as análises dos dados de Jaraguá do Sul frente às cidades do Vale do Itapocu e principais municípios arrecadadores de Santa Catarina. No Item 02 é apresentado os conceitos que nortearam a criação da Macro Diretriz Jaraguá Ativa, seus programas e a iniciativa estratégica “Distrito da Inovação”.
1 ANÁLISE
A tabela 1 apresenta os dados do PIB das cidades do Vale do Itapocu entre os anos de 1999 e 2010. A apresentação executada nesse período pouco convencional ocorreu em virtude de se buscar os dados mais antigos existentes do conjunto de todas as cidades do Vale do Itapocu.
Tabela 1 - Variação do PIB das Cidades do Vale do Itapocu entre 1999 e 2010
Fonte: Silveira e Fard, 2013a.
O Produto Interno Bruto – PIB do Município cresceu 282% de 1999 a 2010. Comparado às cidades do Vale do Itapocu, verifica-se que só superamos a cidade de São João do Itaperiú (223%). A cidade de Barra Velha cresceu no mesmo período 624%. Alguns podem dizer que essas cidades tinham um PIB baixo e crescer sobre ele é mais fácil, já que Jaraguá saiu de R$ 1,3 bilhões para R$ 5,3 e Barra velha de R$ 53 milhões para R$ 385 milhões.
Entretanto, quando se amplia a análise para os maiores municípios de Santa Catarina (tabela 2) verificamos que essa análise é no mínimo simplista, já que há municípios que tiveram uma trajetória diferente.
282% 347% 290% 624% 385% 334% 223% 0% 100% 200% 300% 400% 500% 600% 700%
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Tabela 2 - Variação do PIB das Principais Cidades de Santa Catarina entre 1999 e 2010
Fonte: Silveira e Fard, 2013b.
Joinville teve seu PIB aumentado em 372%, saindo de R$ 3,9 bilhões para R$ 18,4. Itajaí saiu de R$ 1,5 bilhões para R$ 15,2, o que caracteriza um crescimento de quase 900%. São José cresceu no mesmo período 352%, tornando-se a 6ª economia do estado. Seu PIB em 1999 era de um bilhão de reais e passou para R$ 4,8 bilhões em 2010. No período, o PIB do estado de Santa Catarina cresceu 310% ou seja, 28% mais que o de Jaraguá do Sul. O reflexo dessa perda de arrecadação afeta diretamente o índice de participação dos municípios (Tabela 3). Segundo da Silveira (2013) apud Secretaria de Estado da Fazenda (SEFAZ) esse índice é utilizado para calcular o retorno do ICMS da cidade.
O ICMS - Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação é o principal imposto de competência estadual. Vinte e cinco por cento (25%) da arrecadação do ICMS retorna aos municípios de acordo com seu índice de participação. O índice de participação dos municípios no produto da arrecadação do ICMS é formado pelo somatório resultante:
a) Do rateio de 15% (quinze por cento) em partes iguais entre todos os municípios do Estado; e
b) Da participação do município no valor adicionado em relação ao valor adicionado do Estado, considerando-se a média dos dois últimos anos e peso equivalente a 85% (oitenta e cinco por cento).
372% 897% 273% 216% 282% 144% 352% 310% 0% 100% 200% 300% 400% 500% 600% 700% 800% 900% 1000%
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Tabela 3 - Variação do Índice de Participação dos Municípios - Jaraguá do Sul – 1999 a 2011
Fonte: Silveira e Fard, 2013c.
O índice de participação de Jaraguá do Sul caiu de 4,47% para 4,02%. Com o valor menor, nossa cidade perdeu em retorno de ICMS o equivalente ao retorno das cidades de Corupá e Schroeder juntas. Se este desempenho continuar, perderemos a capacidade de investimento frente às maiores necessidades do município e de sua população.
Aliado a isso, verificou-se que as empresas tratoras do município têm seu projeto de expansão fora do município, por conta, principalmente, da logística e do custo da mão de obra. O transporte todo executado pelas rodovias brasileiras elevam o custo de logística, levando as empresas a optarem por estar mais perto do ponto de consumo. Por fim, o próprio município não mais dispõe de grandes áreas para manter o mesmo modelo econômico que deu à cidade a posição de destaque que possui.
A partir da análise econômica fez-se ainda um estudo sobre a situação atual das cidades. A obra Cidades Sustentáveis, Cidades Inteligentes - Desenvolvimento Sustentável Num
Planeta Urbano, de Carlos Leite de Souza e Juliana Di Cesare Marques Awad, aponta a nova
realidade das cidades no mundo e a tabela 4 demonstra o quanto mudou as características da ocupação urbana e rural em pouco mais de um século.
Tabela 4 – Ocupação Urbana e Rural no Planeta – 1900 a 2050
NOTA TÉCNICA Nº 0012_V1_2013 8 Enquanto no ano de 1900 apenas 10% da população mundial vivia em cidades, verifica-se que em 2007 esverifica-se índice passou a verifica-ser de 50% dessa população. A projeção para 2030 (daqui a 17 anos) é que esse número aumente para 60% e em 2050, quando os que nasceram hoje terão 37 anos, 75% da população mundial morará nas áreas urbanas dos municípios.
Aliado a estes dados, fontes de pesquisas internacionais como o World Resources Institute (WRI) e nacionais como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam para uma estabilização do crescimento populacional mundial no entorno do ano de 2050, quanto a população de todas as nações do planeta atingirá a marca de ~9,4 bilhões de pessoas. Neste mesmo ano a projeção de estabilização populacional no Brasil deverá ser de ~235 milhões de pessoas, e conforme projeções do IPPLAN (2013) a projeção de estabilização populacional para Jaraguá do Sul em 2050 deverá ser entre ~250 mil e ~300 mil pessoas, com base em seu crescimento natural e desconsiderando fatores migratórios.
2 JARAGUÁ ATIVA
A partir desses cenários e de estudos voltados às projeções da idade da população da cidade para os próximos 40 anos, dos modelos de negócios que irão suportar os empregos para a nova geração e de modelos de cidades sustentáveis com alta concentração urbana, é que se fez a proposta da Política de Desenvolvimento Sustentável de Jaraguá do Sul que denominamos Macro Diretriz Jaraguá Ativa (Fard, Henning e Da Silveira, 2013). Nela são apontados direcionamentos e ações de curto médio e longo prazo para o Município. A Macro Diretriz Jaraguá Ativa é dividida em quatro programas. Cada programa, por sua vez, é dividido em três iniciativas estratégicas e essas em diversas ações. Os quatro programas são denominados, respectivamente, de Inovação Empreendedora, Ambiente Sustentável, Economia Ativa e Cidade Inteligente.
Figura 1 – Macro Diretriz Jaraguá Ativa
NOTA TÉCNICA Nº 0012_V1_2013 9 O Programa Inovação Empreendedora tem por objetivo enfrentar a competitividade global, impulsionando a economia através da diversificação econômica e transformar a nova economia numa oportunidade de negócios para nossas empresas e novos empreendedores. Dentro do Programa Inovação Empreendedora está inserida a iniciativa estratégica Distrito da Inovação. Para apresentar os objetivos dessa iniciativa estratégica é necessário apresentar alguns conceitos, conforme segue.
2.1 TRÍPLICE HÉLICE
A Tríplice Hélice é a ação sinérgica entre governos, universidade e empresas. O Governo é o ator que propicia condições favoráveis à inovação. “Além de indutor da inovação, o Governo possui o papel de manutenção de um ambiente macroeconômico estável, reduzindo riscos econômicos e alavancando financeiramente as empresas. O Estado deve, ainda, promover linhas de financiamento para estimular a inovação nas empresas e nas universidades/institutos de pesquisa e, em uma abordagem mais ampla, mas não menos importante, investir no sistema educacional do país, base da formação do capital intelectual de uma nação” (Magacho, 2010).
As Universidades e os institutos de pesquisa forma recursos humanos qualificados, são os principais responsáveis pelo desenvolvimento do conhecimento científico e tecnológico, da pesquisa básica e aplicada, alicerce da inovação nas empresas.
As “empresas são as principais responsáveis diretas pela inovação, o locus do processo inovativo, pois possuem a missão de captar o conhecimento científico e tecnológico e desenvolver, produzir, comercializar e difundir a tecnologia ou conhecimento dele oriundas, promovendo o desenvolvimento econômico e local. Devem estar preparadas para produzir conhecimento internamente, possuindo ou se associando a laboratórios de pesquisa, organizando as informações necessárias para a criação de uma base de geração de ideias e de novos conhecimentos que suportem esse processo de inovação” (Magacho, 2010).
2.2 HABITATS DA INOVAÇÃO
O teórico Americano do Urbanismo Ricardo Florida aponta caminhos para os habitats de inovação:
"Hoje os principais fatores econômicos: talento, inovação e criatividade - não são distribuídos uniformemente no mundo. Se concentram em locais específicos. Na economia criativa de hoje, a verdadeira fonte do crescimento econômico vem da aglomeração e
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concentração de pessoas talentosas e produtivas. Novas ideias são geradas e a produtividade aumenta quando estamos perto uns dos outros nas cidades e regiões. O local continua a ser o eixo central do nosso tempo, mais importante para a economia mundial e as nossas vidas individuais do que nunca"(Fard, Henning e Da Silveira, 2013).
No mesmo sentido Gauthier e Labiak Jr. (2012) afirmam:
“Habitats de Inovação são estruturas onde se desenvolve o empreendedorismo inovador, é um elemento que pode estratificar e promover as oportunidades de integração e desenvolvimento de empreendedores inovadores, estimulados pelo fluxo de conhecimento num ambiente sinérgico e de confiança , gerando empresas inovadoras, sendo considerados como: pré incubadoras, incubadoras, parques científicos e tecnológicos, polos de competitividade, cidades intensivas em conhecimento e o sistema regional de inovação.”
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Tabela 5 – Características comparadas – Pré-Incubadora
CARACTERÍSTICAS COMPARADAS
HABITAT DEFINIÇÃO ABRANGÊNCIA PECULIARIDADE APLICAÇÕES/
OBJETIVOS FLUXOS DE CONHECIMENTO POLÍTICAS DE INCENTIVO Pré-Incubadora Estrutura de apoio ao empreendedorismo onde estão inclusos espaços físico. Suporte de gestão, secretaria, equipamentos de informática e suportes administrativos. Sendo o ponto fundamental é que processo ocorre anteriormente à formalização da empresa, um período de muito risco e principalmente muitas incertezas. Localizadas em ambiente Universitário, ou em estruturas governamentais. Se caracteriza como forte elemento de desenvolvimento da cultura empreendedora em ambiente universitário. *Utilizada para estimular spin-off de laboratórios, estimular o empreendedorismo inovador em ambiente acadêmico. *Estruturação de EVTE, PN e planejamento estratégico, ainda. Capacitação para o mercado e propriedade industrial. Fluxos de conhecimento ocorrem dos laboratórios de pesquisa para as start-ups.
Ocorrem dos pesquisadores aos empreendedores, numa rede interna institucional. E dos empreendedores aos pesquisadores –
conhecimento de mercado. A explicitação do
conhecimento tático acontece de maneira natural num ambiente de confiança interno a organização. As políticas de incentivo normalmente são internas ao ambiente universitário, alinhadas com programas internos de empreendedorismo, inovação e de proteção ao conhecimento. Em alguns países como a França, existe uma politica nacional de incentivos, inclusive contemplando recursos financeiros para execução do P.N.. protótipo e registro de patente.
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Tabela 6 – Características comparadas – Incubadora
CARACTERÍSTICAS COMPARADAS - INCUBADORA
HABITAT DEFINIÇÃO ABRANGÊNCIA PECULIARIDADE APLICAÇÕES/
OBJETIVOS FLUXOS DE CONHECIMENTO POLÍTICAS DE INCENTIVO Incubadora Agente facilitador do processo empresarial e de inovação tecnológica nas micro e pequenas empresas.
Mecanismo que estimula a criação e o desenvolvimento de micro e pequenas empresas industriais ou de prestação de serviços, empresas de base tecnológica ou de manufaturas leves, por meio da formação complementar do empreendedor em seus aspectos técnicos e gerenciais.
Podem ter uma abrangência local, vinculadas a universidades, fundações de apoio, prefeituras, agências de desenvolvimento e parques tecnológicos. Podem ter um caráter regional, com abrangência numa determinada microrregião.
Consideradas como um dos principais habitats de desenvolvimento da cultura empreendedora inovadora. Organismo de grande relevância na interação universidade empresa. Estrutura que proporcionou o nascimento de inúmeras empresas inovadoras.
Estruturas que dão suporte ao desenvolvimento de gestão da empresa. Aproximas empresários do mercado da tecnologia. Preparam a empresa para captação de recursos. Oferecem suporte no desenvolvimento técnico do produto. Facilitam a internacionalização da empresa. Fluxos de conhecimento ocorrem entre parceiros institucionais. Entre pesquisadores e empresários – pela proximidade das universidades e centros de pesquisa. A explicação do conhecimento se dá com bastante frequência pela proximidade de empresários, pesquisadores e consultores. Políticas de incentivos através de programas nacionais e regionais, Sistemas locais de apoio e suporte as incubadoras, vinculadas a prefeituras e agências de desenvolvimento.
Políticas internas nas universidades de suporte as incubadoras.
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Tabela 7 – Características comparadas – Parque Científico e Tecnológico
CARACTERÍSTICAS COMPARADAS – PARQUE CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO
HABITAT DEFINIÇÃO ABRANGÊNCIA PECULIARIDADE APLICAÇÕES/
OBJETIVOS FLUXOS DE CONHECIMENTO POLÍTICAS DE INCENTIVO Parque Científico e Tecnológico Um Parque Científico e Tecnológico é uma organização gerida por profissionais especializados, cujo objetivo fundamental é incrementar a riqueza de sua comunidade promovendo a cultura da inovação e da competitividade das empresas e instituições geradoras de conhecimento instaladas no parque ou associadas ao mesmo.
Possuem uma abrangência regional. Congregam uma rede de parceiros, entre eles as universidades e centros de pesquisa.
No Brasil muitos dos parques são vinculados a universidades, e encontram-se dentro do campus.
Existem parques que as relações com as universidades praticamente inexistem. Desenvolver empresas intensivas em conhecimento, gerar um ambiente sinérgico, concentrar empregos com alto valor agregado. Existem parques integrados no conceito de viver, trabalhar e ter lazer. Atração de empresas e empregos com alto valor agregado.
Parque Científico estimula e fere o fluxo de conhecimento e tecnologia entre universidades, instituições de pesquisa, empresas e mercados; promove a criação e o crescimento de empresas inovadoras mediante mecanismos de incubação e de “spin-off” e proporciona outros serviços de valor agregado assim como instalações de alta qualidade. Geralmente as políticas de incentivo são de âmbito nacional, caracterizando-se como estratégias nacionais de desenvolvimento de empresas intensivas em conhecimento. Existem políticas estaduais de incentivo aos parques que procuram incentivar a geração e atração de empresas estratégicas para cada região.
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Tabela 8 – Características comparadas – Cidade Intensiva de Conhecimento
CARACTERÍSTICAS COMPARADAS – CIDADE INTENSIVA DE CONHECIMENTO
HABITAT DEFINIÇÃO ABRANGÊNCIA PECULIARIDADE APLICAÇÕES/
OBJETIVOS FLUXOS DE CONHECIMENTO POLÍTICAS DE INCENTIVO Cidade Intensiva em Conhecimento Cidades intensivas em conhecimento devem democratizar o conhecimento de forma on-line, a baixo custo através de uma inclusão digital que possibilite os fluxos de conhecimento e tecnologia. A toda sociedade, além de criar espaços de valor agregado, estimular a criatividade e experimentação,
promover as redes sociais e virtuais e presenciais, assim criando uma atmosfera de extração, geração, transmissão, utilização e reutilização do conhecimento.
Abrangência local, muitas vezes exposta na concepção de bairros que possuem todas as características apresentadas na definição (ex22@).
Planejada e conectada para integrar inúmeros ativos presentes ou criados de suporte ao desenvolvimento sustentável de uma sociedade. Desenvolvimento baseado na geração de empresas intensivas em conhecimento. Cidade com estratégia baseada na qualidade de vida e interação social, possibilitando a explicação do conhecimento.. Possuem estrutura de TIC
democratizada para toda a sociedade. Reorganização de espaços urbanos. Geração de um branding. Atração de empresas intensivas em conhecimento.
Valorização das minorias e interação social através de espaços democráticos. Recapacitação da sociedade para a nova era da industrialização baseada no conhecimento. O fluxo de conhecimento está baseado na conectividade – geralmente considerara como a concepção ideal para a interligação da informação, através da comunicação da geração do conhecimento, a criação das redes sociais induzidas regionalmente e com ambientes físicos de interação tem se tornado um “Ba”, nas cidades intensivas em conhecimento, proporcionando a explicação do conhecimento entre empresas e a sociedade. Política de transformação baseada na construção de uma nova economia baseada conhecimento, destacando 5 fatores: Viver e trabalhar próximo; centralidade; branding; aprender brincando e experimentando; conectividade. Política de anos investimentos financeiros, com retorno a médio prazo. Trata-se de uma política local (prefeitura).
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Tabela 9 – Características comparadas – Polos de Competitividade
CARACTERÍSTICAS COMPARADAS – POLOS DE COMPETITIVIDADE
HABITAT DEFINIÇÃO ABRANGÊNCIA PECULIARIDADE APLICAÇÕES/
OBJETIVOS FLUXOS DE CONHECIMENTO POLÍTICAS DE INCENTIVO Polos de competitividade Se caracterizam como uma combinação de determinada área geográfica, empresas, universidades, centros de pesquisa, organizações públicas e privas conectados em uma parceria sinérgica, voltados a consecução de projetos inovadores formando assim como nas cidades intensivas em conhecimento regiões que criem um branding capaz de atrair conhecimento
principalmente negócios.
São de abrangência regional. Os polos podem ser mundiais, vocação mundial e nacionais.
Possuem diferencial em relação aos Sistemas Locais de Produção – SPL e os Clusters, onde os mesmos são uma evolução dos Clusters, procurando atingir o limiar do conhecimento das universidades, centro de pesquisa e empresas inovadoras envolvidas numa rede focada no limite do conhecimento para o tema em que o polo se enquadra.
Criar expertise interna capaz de competir com qualquer região do mundo, trabalhando com redes internas e ano em redes internacionais, estimulando regiões com potencial competitivo a se posicionarem no mundo consolidando assim polos de atratividade de pessoas, empreendedores e empresas com alto valor agregado. Estimular novas lideranças regionais. Fluxo de conhecimento orientado e em rede, entre centros de pesquisam universidades, empresas e agentes locais – focados e orientados em soluções inovadoras. É um movimento bastante recente principalmente na Europa. A França se destaca a partir da nova Lei de Inovação, mais precisamente depois de 2004. Política nacional de incentivo e animação de regiões. Na França existem editais direcionando as demandas de inovação aos polos.
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Tabela 10 – Características comparadas – Sistema Regional de Inovação
CARACTERÍSTICAS COMPARADAS – SISTEMA REGIONAL DE INOVAÇÃO
HABITAT DEFINIÇÃO ABRANGÊNCIA PECULIARIDADE APLICAÇÕES/
OBJETIVOS FLUXOS DE CONHECIMENTO POLÍTICAS DE INCENTIVO Sistema Regional de Inovação
Define-se como uma série de políticas regionais que
alavanquem a inovação e a competitividade econômica e social. O SRI possui uma dimensão sistêmica, que deriva do caráter associativo das redes de inovação presentes, focadas no desenvolvimento empresarial competitivo. Abrangência regional com capilaridade nacional e internacional. Interação regional entre universidades, centros de pesquisa, instituições governamentais e não governamentais regionais em conjunto empresas inovadoras. As relações sistêmicas, possuem um certo grau de interdependência, nem todas estas relações precisem ser contidas regionalmente, o natural é que exista um “módus operandi” interativo de inovação crescente na região. A estruturação e concepção devem levar em consideração as condições regionais, em relação aos ativos presentes,
características
empreendedoras e cultura local de inovação, são dispares em todas as regiões do mundo. Possuem mais agilidade que os sistemas nacionais.
Gerar uma rede de interação as instituições públicas e privadas, organizações
governamentais e não governamentais. Que tem a função de liderança no arranjo institucional, onde estas trabalham na geração, explicitação, uso e disseminação do conhecimento. Encorajar sistemicamente as empresas pertencentes a região a inovar desenvolvendo ganhos de capital, derivados das relações sociais existentes. Gerar políticas de
incentivo a inovação. Respeitar as características regionais onde está sendo constituído.
Os fluxos de
conhecimento se dão através da estratificação do conhecimento tácito que ocorre com maior naturalidade nas interações presenciais do SRI, beneficiadas por um processo de cooperação e de relações de confiança.
Política de estruturação de SRI mais presente na comunidade Europeia. Política de incentivos fiscais e de incentivo a inovação e interação. Aparece como uma política regional nos EUA, na Itália e na região do país Basco. No Brasil tem sido observado como política de desenvolvimento regional capitaneada por instituições não governamentais. Em 2008 a CNI e BID, iniciaram uma proposta de política de incentivo a SRI no Brasil.
NOTA TÉCNICA Nº 0012_v1/2013 17 As tabelas de características comparadas de cada um dos Habitats apresentados por Gauthier e Labiak Jr. (2012) mostram a importância de se estar num ambiente universitário, pois, desse ambiente é que saem os recursos humanos e a pesquisa básica e aplicada. Em Jaraguá do Sul observa-se esse ambiente na região onde está a Católica SC, IF-SC, Faculdade de Tecnologia SENAC e Incubadora JaraguáTec.
Além desse ambiente acadêmico, naquela região existe uma iniciativa da prefeitura municipal de Jaraguá do Sul, criada no ano de 2003. Trata-se de uma área industrial com 268.000 m² onde existem seis empresas instaladas e área remanescente para a instalação de novos empreendimentos. Outro fator decisivo para as futuras ações na região foi apontado a partir do Plano Diretor 2007 (LEI COMPLEMENTAR 65/07, DE 01/06/07) que determinou “zoneamento industrial com restrição para efluentes líquidos potencialmente poluidores no bairro Três Rios do Norte e em faixa ao longo da BR-280, a montante da ETA central do SAMAE” - Serviço Autônomo Municipal de Água e esgoto.
Aliado a esses fatores, desde 2010 a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico Sustentável vem empreendendo no sentido de criar uma política de inovação e tecnologia para o estado de Santa Catarina.
Diante desse contexto, a Macro Diretriz Jaraguá Ativa apresentou as premissas para o planejamento socioeconômico, quais sejam: Encurtar distâncias através da tecnologia, formar cidadãos e profissionais criativos & inovadores com visão para a nova economia e nova realidade global, atrair novos investimentos que exijam baixa utilização de mão de obra (baixo impacto social), utilizem mão de obra altamente qualificada, porém local, necessitem de pouco espaço físico e sejam “verdes” (baixo impacto ambiental), possuam alto valor adicionado e maior retorno sobre os impostos pagos (alto impacto econômico), e estejam em cadeias produtivas com altas taxas de crescimento.
A partir dessas premissas, do ambiente acadêmico e empresarial e das condições pré-existente, é que se criou a iniciativa estratégica Distrito da Inovação, que tem por objetivo ligar, ampliar e desenvolver o Habitat existente para gerar novas empresas e negócios e, consequentemente, emprego, renda e riqueza para Jaraguá do Sul. Para atrair novos modelos de negócios de baixo impacto ambiental é necessário ampliar os ativos educacionais no nível técnico de nível médio e superior. As empresas apostarão em Jaraguá do Sul e farão investimentos aqui se ela for capaz de gerar pessoas formadas na nova economia.
Para que essas empresas possam estar no Habitat da inovação foi indicado como epicentro do Distrito da Inovação dois locais. O primeiro fica onde está a Católica de Santa Catarina, a unidade do IF-SC a Faculdade de Tecnologia SENAC e a Incubadora JaraguáTec. O Segundo local fica exatamente onde esta a área industrial do Bairro Três Rios do Sul. A figura 2 apresenta a localização dos dois locais.
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Figura 2 – Área do Distrito da Inovação
Fonte: FARD, SILVEIRA e HENNING, 2013
O Projeto do Distrito da Inovação prevê um novo desenvolvimento daquela região. Para isso “é necessário foco em novas premissas urbanísticas baseadas nas necessidades da economia criativa” (Fard, Silveira e Henning, 2013).
Além dos investimentos já relacionados naquela região em Abril de 2013, o Governo do estado confirmou a instalação de um Centro de Inovação em Jaraguá do Sul. “O Edifício do Centro de Inovação servirá o desenvolvimento da região, criando assim um ambiente favorável para a promoção da inovação tecnológica e cultura empresarial” (Oliveira, 2011) (http://www.slideshare.net/SustentavelSC/inovasc).
Na Prática o governo do Estado repassará os recursos para a prefeitura que construirá o prédio e fará a sua gestão. O Edifício do Centro de Inovação de Jaraguá do Sul terá 2.000m² de área construída e será edificado nos lotes Nº 2 e 3 (rua Cessare Valentini s/n) da área industrial e tem sua previsão de início de construção para o segundo semestre de 2013. O público alvo beneficiário do projeto compreende vários segmentos, dentre eles empreendedores, micro e pequenas empresas, investidores, pesquisadores e estudantes, extrapolando o contexto da inovação, incluindo toda a comunidade jaraguaense. A tabela 11 apresenta a proposta de como será a ocupação do prédio do Centro de inovação.
Tabela 11 – Proposta de ocupação do Centro de Inovação de Jaraguá do Sul
PAVIMENTO ÁREA TOTAL m² OCUPAÇÃO 1.989,41
Outros 62,96 Reservatório Superior (Água)
2º 721,40 EMPREENDEDORISMO: incubadora (Automatização de cidades e Design + projetos de empreendedorismo + empresas)
NOTA TÉCNICA Nº 0012_v1/2013 19 Mezanino 262,03 INSTITUIÇÕES: Administração do Distrito e Representações:
Inova@SC/Sebrae/Instituto Municipal + Espaço para co-working
TÉRREO 824,02 CONVENIÊNCIA: recepção + café + espaço de convivência + treinamento + sala de reuniões + auditório + unidade de apoio ao empreendedor Fonte: Da Silveira., 2012 – Plano de Gestão do Centro de Inovação e do Distrito de Inovação de Jaraguá do Sul
O Centro de inovação em conjunto com o habitat já existente será o catalizador para a implantação do Distrito da Inovação e como consequência a ampliação da matriz econômica da cidade de Jaraguá do Sul.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O inicio desta nota técnica apresentou as análises dos dados de Jaraguá do Sul frente as cidades do Vale do Itapocu e principais municípios arrecadadores de Santa Catarina. Ficou evidente que a cidade precisa de uma política pública que a leve ao caminho do desenvolvimento sustentável. A cidade iniciou a década de 2010 como o 5ª PIB do Estado de Santa Catarina e cresceu no período pesquisado abaixo da média do estado. Resultado desse crescimento menor fez com que a cidade perdesse 10% de participação no índice de participação dos Municípios. Consequência disso o retorno do ICMS gerado foi menor e a cidade vem aos poucos perdendo sua capacidade de investimento.
A Macro Diretriz Jaraguá Ativa é resultado do planejamento estratégico executado nos primeiros meses do ano de 2013. Seus programas e iniciativas estratégicas desencadeiam uma série de ações que tem por objetivo tornar Jaraguá do Sul uma “Cidade inteligente e sustentável, melhor lugar para se viver”. O Programa Inovação Empreendedora apresenta a iniciativa estratégica Distrito da Inovação que tem por objetivo ligar, ampliar e desenvolver o Habitat existente para gerar novas empresas e negócios e, consequentemente, emprego, renda e riqueza para Jaraguá do Sul.
A visão superior é Jaraguá ser uma cidade inteligente e sustentável e assim se tornar o melhor lugar para se viver para quem nela vive.
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REFERÊNCIAS
FARD, Benyamin Parham; SILVEIRA, Marcio Manoel da; HENNING, Thais Liane. Nota Técnica 0004_v0/2013 A Macro Diretriz Jaraguá Ativa – Jaraguá do Sul, 2013
GAUTHIER, Fernando; LABIAK JR, Silvestre. Habitats de Inovação e Sistemas de Inovação. Florianópolis; 2012 [Apostila do curso Gestão de Polos de Inovação e Clusters, UFSC/EGC, Florianópolis].
LEITE, Carlos; MARQUES AWAD, Juliana Di Cesare. Cidades Sustentáveis, Cidades Inteligentes: Desenvolvimento Sustentável num planeta Urbano – Porto Alegre: Bookman, 2012
SILVEIRA, Marcio Manoel da; FARD, Benyamin Parham. Nota Técnica 0001_v0/2013 Análise do PIB Vale do Itapocu – Jaraguá do Sul, 2013a
SILVEIRA, Marcio Manoel da; FARD, Benyamin Parham. Nota Técnica 0002_v0/2013 Análise do PIB Maiores Municípios de Santa Catarina – Jaraguá do Sul, 2013a
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