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corpo sem órgãos experimentações em devir

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Academic year: 2021

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Corpo sem órgãos –

experimentações em devir

tátia rangel

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© 2020 Tátia Rangel

Este livro segue as normas do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, adotado no Brasil em 2009. Coordenação editorial

Isadora Travassos Jorge Viveiros de Castro Produção editorial João Saboya Julia Roveri Rodrigo Fontoura Sofia Vaz Valeska Torres Ilustrações Tátia Rangel 2020

Viveiros de Castro Editora Ltda.

Rua Visconde de Pirajá, 580 sl. 320 – Ipanema Rio de Janeiro rj – cep 22410-902

Tel. (21) 2540-0076

[email protected] | www.7letras.com.br

cip-brasil. catalogação na publicação sindicato nacional dos editores de livros, rj R156c

Rangel, Tátia

Corpo sem órgãos : experimentações em devir / Tátia Rangel. - 1. ed. - Rio de Janeiro : 7 Letras, 2020.

isbn 978-65-86043-13-6

1. Psicologia. 2. Psicologia e filosofia. 3. Corpo e mente. 4. Linguagem corporal. I. Título.

20-64870 cdd: 153.69

cdu: 159.93/.94

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Sumário

Prefácio – Uma escrita-experimentação na força da delicadeza

9

Bu(R)la 17

Corpo sem órgãos

19

Fruta do querer. o querer de querer. (carta aos amigos)

21

Dobra e desdobramentos no corpo…

23

Carta Zero

25

Escrita-artaud-inspira-pira 29

Fumaça 31

Carta à Serpente

33

Agosto 2008

37

A menina brilhante

41

Abrindo janelas

47

A hora nem acordou

49

Linhas duras

53

Na rua

55

Nômade de mim

57

Bêbada 59

Mergulho 61

Água do rio

67

Travessia 71

Carta da Senhora

75

Retorno 77

Corpo sem órgãos – Experimentações em devir

79

Perigo 83

Posfácio – encontro dos muitos que não somos mais

85

Anexo –

Referências bibliográficas

89

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(9)

9

Uma escrita-experimentação

na força da delicadeza

Ana Monteiro de Abreu

Cecilia Coimbra

Palavras ganham o corpo da insistência.

Em permanente mutação,

uma travessia se desdobra no tempo.

Espaços vazios. Indeterminação.

Pausas. Respiração.

Na passagem,

o convite para apreciar a viagem.

Experimentação. Efeitos e afetos.

Forças em ebulição.

Uma quase dor na espreita,

Acontece.

Ao aceitarmos escrever o prefácio para o livro de Tátia nos

depa-ramos com um imenso desafio de um texto-experimentação que nos

desterritorializa. Trata-se de uma escrita-intensidade que nos convoca

à experimentação do avesso de qualquer juízo. Na contramão de

qual-quer escrita mais convencional, Tátia nos convida a um mergulho no

abismo poético da criação. Transgride as normas acadêmicas: da

conti-nuidade, da clareza metodológica, da separação teoria e prática; enfim,

do paradigma dominante problema-solução.

Sabemos que nestes modelos, tais normas sacralizadas acabam por

fortalecer a reprodução, o adestramento e a enfadonha repetição do

mesmo que aborta os germes da criação. Importante considerar que

neste modo convencional de estar no mundo a falta e o julgamento

são peças chaves no movimento de adequação reprodutiva. Nele a

escrita não é feita para incomodar, para desarrumar, para transgredir,

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10

para pensar, para produzir rupturas, mas para corresponder à lógica

hegemônica na academia. Lógica esta obediente à doutrina do

julga-mento, de um pensar-viver atrelado a uma dívida infinita impagável que

é aceita, naturalizada e até reificada através das aterradoras arguições.

Na doutrina do juízo, as dívidas vão se inscrevendo sem que nos

aper-cebamos. Naturalizando tais processos somos capturados pelo modelo

padrão aprisionante pautado pela lógica da falta, na qual somos

impe-didos de inventar: não podemos fugir aos julgamentos e não podemos

saldar uma dívida que é sempre infinita. Esta ao ser naturalizada, torna-

se até suave na aparência, mas nos condena a uma escravidão sem fim,

a um processo de subjugação que anula a criação e que nos impede

qualquer processo de liberação. Estamos cativos e agrilhoados na lógica

acadêmica, no seu julgamento, no seu deve ser. Dever ser que impede

qualquer Devir.

Tátia explode com isso. Não se rende, não se curva a esses

dita-mes-mandamentos sagrados e inquestionáveis. Com suavidade, com a

Força da delicadeza de sua potente poesia, experimenta e nos faz

experi-mentar a possibilidade de pensar-criar. Nos leva às rupturas afirmando

outros modos de escrever capazes de escapar das forças reativas, criando

belas e potentes narrativas que soam bastante estranhas na academia.

Seu texto nos afeta com a força de uma escrita-movimento em

processo de abertura e arrombamento de gargalos estreitos; força que

insiste na liberação de todas as ordens morais que aprisionam o viver.

Um arrombamento que faz com que possamos afirmar que não existe

como pensar um sujeito apartado da experiência de mutação operada

socialmente. Trata-se de uma leitura em que somos envolvidos por uma

escrita-pensamento que ao driblar as teorias, faz dos conceitos

proble-mas de vida. Pensamento-experiência do Fora que se expressa na

cria-ção de um plano de consistência que neste mundo interroga o como

fazer com aquilo que nos Acontece no curso de um viver que insiste

num além do mero sobreviver: uma escrita-intensidade de corpos

vibrantes em contínuo movimento de Devir. Uma atitude que implica

em escolhas ativas e define uma Ética: um pouco como aquilo que os

gregos chamavam de Êthos. Ética como experiência desviante na via

(11)

11

da afirmação do pensar-criar, ou seja, como processo de diferenciação

inerente a qualquer ato de criação-invenção de si e de mundos.

Com esta escrita singular, experimentamos um encontro na defesa

deste texto-dissertação que nos afetou, e continua afetando, na potência

de um Acontecimento. Acontecimento que nos remete ao plano das

for-ças que, ao mesmo tempo, produz ruptura e cria algo. Que nos remete

à uma relação de forças que se inverte, de um poder confiscado, de uma

dominação que se enfraquece e se distende, fazendo advir uma outra

relação que se expressa através da potência de afecção. Nos remete à

inauguração de um outro modo de perceber e enfrentar as políticas de

dominação presentes nos rituais acadêmicos. Enfrentamento que

inau-gura algo na recusa do que nos é dado. Recusa que convoca a invenção

de outros modos de resistir e existir e vê a liberdade não como o fim

da dominação, mas como um contínuo processo de recusa daquilo que

quiseram nos fazer crer que éramos, afim de abrir brechas na

experi-mentação de outros (muitos) modos de existir, pensar e agir – novos

modos de subjetivação.

Ressaltamos aqui o Acontecimento-Defesa que suscitou na

cha-mada banca examinadora, e nos presentes na ocasião de sua

apresen-tação, novas possibilidades de vida através das interrogações poéticas

e experimentações olfativas, jogando por terra o julgamento de Deus,

produzindo um coletivo que se fez no acolhimento de uma questão:

como produzir pra si um corpo sem órgãos?

Este é o desafio apresentado por Tátia, já que o nosso intelecto

imerso nas vias acadêmicas, movido pelo pensamento reprodutivo do

senso comum, passa o tempo todo se protegendo para tentar barrar o

acaso. Com Tátia nos deparamos com os acasos que retornam, insistem

e Acontecem. As forças que se encontram em jogo na história não

obe-decem nem a uma destinação, nem a uma mecânica, mas ao acaso dos

combates entre forças. O Acontecimento aqui destacado é a emergência

da contingência que força o pensamento a pensar. Evento cuja força é

capaz de tirar o pensamento do marasmo em que ele se encontra quando

ele está reduzido ao hábito, à memória; enfim, às infindáveis repetições

do mesmo. Em sendo livre de toda ordem causal normativo-acadêmica,

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12

o Acontecimento produz uma nova normatividade: novas formas de

vida, alterando a estética e a maneira de ser na experiência. Aponta uma

Ética que se distingue de uma Moral: um fenômeno de visão e

percep-ção que exige desdobramentos de abertura e engendramento de novas

possibilidades de vida anunciadas por Tátia no encontro de

transmuta-ção entre a Senhora e a Menina:

“... lá estava a menina, não era mais o mesmo corpo... tornou-se flor,

... um corpo-flor-dança nasceu em movimento, ocupou aquele espaço, a

senhora foi tomada pela beleza do acontecimento, e silenciosamente,

tor-nou-se chão, esvaiu-se de suas intenções, ... e no mesmo instante o corpo

era a menina o corpo era a senhora, não havia mais diferenciações, se

tornaram um só corpo, um plano de consistência,

um corpo sem órgãos.”

Lumiar, verão de 2020.

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(15)

“Sou um guardador de rebanhos.

O rebanho é meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

Penso com os olhos e com os ouvidos

E com as mãos e os pés

E com o nariz e a boca”.

fernando pessoa

“uma

obra onde se sinta todo o sistema nervoso

iluminado como num fotóforo,

com vibrações,

consonâncias

que convidem

o homem

a sair

com

seu corpo”

antonin artaud

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(17)

17

bu(R)la

CORPO SEM ÓRGÃOS  EXPERIMENTAÇÕES EM DEVIR

Dissertação de Mestrado em Psicologia: contém XX páginas, povoadas por XXX caracteres com espaços.

USO (CORP)ORAL

... dose livre ... para corpos medicalizados

COMPOSIÇÃO

aqui no lugar que não tem mais espaço, desen-terro o segredo que nos moveu até esse instante. não foi um caso de pesquisa ou fi cção, é um exer-cício, uma experimentação. biológica, política, inquietante, passível de errância. apresenta-se na anarquia, dá-se pelo meio puxando um fi o des-concertante: Como criar para si um corpo sem órgãos? esse convite apresentou-se como urgên-cia, a menina e a senhora se olharam, afi rmaram o esgotamento dos órgãos, a necessidade de des-truir o organismo, a vontade de experimentar, de encontrar o desejo como potência, de compor um plano de imanência consistente e intensivo. esse caminho não está dado, nem poderia ser dado, pois é único, não segue método, afi rma o singu-lar. sua forma anárquica, como nos disse o amigo Auterives,* é composta de diferentes intensidades: diário, contos, cartas, poesias... estados afetivos que compõem uma ética, um corpo sem órgãos. É uma ética, e não uma moral. escrever não tem relação com signifi car, mas sim, com agrimensar,

cartografar regiões ainda por vir, fazer-encontro

com o escrever enquanto uma prática, uma res-piração, um jorrar visceral que se dá como acon-tecimento, a escrita como impressões, marcas que se fazem no papel juntamente com o corpo, é a forma que no momento se faz expressão para as sensações. Desde o encontro com um texto, um livro, um autor, o dia, a chuva, a noite, uma viagem, um amigo, um poema, uma música… encontros que enquanto afetos reverberam no corpo produzindo textos, em diferentes ritmos, intensidades. há linhas de segmentaridade, ter-ritorialidades, mas também, há linhas de fuga, desterritorialização, constituindo agenciamentos, constante movimento que encontra sua expressão em parágrafos, rimas, frases, sem ater-se ao tem

que ser, inventa outros modos de ir sendo, se

des-fazendo do organismo, deixando passar e circular intensidades. criando vasos comunicantes entre os textos e no texto, agenciando a possibilidade de “cantinhos mágicos” singulares, assim nomeado pelo amigo Mário Bruno*, que são vasos comu-nicantes para o leitor, pontos de infl exão, inspi-ração, respiro. um texto que se quer na rebeldia, como disse a amiga Katia*. não seguem uma nar-rativa linear, uma lógica arborescente, eles com-põem uma cartografi a, um rizoma que poderá ser lido de acordo com a vontade do leitor,os textos se comunicam, mas não se fecham em si, carre-gam a intenção de despertar encontros, produzir efeitos, como sinalizou a amiga Aline*, os textos produzem efeitos em quem lê e em quem ouve. são imagéticos, sonoros, são linhas, convites para leituras com as vísceras.1

NECESSÁRIO SABER

esse corpo-escrita como expressão da materiali-dade que se deu pela experimentação, convoca a prudência para não cair em armadilhas nor-mativas. considerando os conceitos como sons, cores, imagens... como intensidades. os conceitos ganham consistência de palavras, expressões, em momentos se traduzindo, em outros se inven-tando nas sensações. Não há nada a compreen-der, nada a interpretar. o texto é desenhado por encontros. Encontrar é achar, é capturar, é rou-bar, mas não há método para achar, nada além de uma longa preparação, como rascunhos que a cada página se inventam em outra. algumas repetições de lugares/coisas (rua, montanha, fl or, janela, cama, etc.) e fi guras estéticas (a menina, a senhora) se expressam em movimentos, repe-tição como potência, sempre outra reperepe-tição; assim também ocorre com as fontes que operam em diferentes formas e tamanhos ao longo do texto, dão corpo às intensidades em diferentes consistências e velocidades. Roubar é o contrário de plagiar, de copiar, de imitar ou de fazer como. A captura é sempre uma dupla-captura, o roubo, um duplo-roubo, e é isso que faz, não algo de mútuo, mas um bloco assimétrico, uma evolução a-paralela, núpcias, sempre “fora” e “entre”. Uma conversa. vamos alinhavando os textos-teóricos em conversas literárias, fl ertando com a fronteira

1 Em núpcias com Deleuze; Guattari (1995, p. 12-22). * Professores-amigos: Aline Nascimento, Auterives Maciel,

Kátia Aguiar, Mário Bruno e suas contribuições na qua-lifi cação, dezembro/2018.

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entre o literário e a experiência conceitual, cap-turando estados afetivos sem o compromisso com a exegese conceitual. Um encontro é talvez a mesma coisa que um devir, que é jamais imitar, nem fazer como, nem se ajustar a um modelo, seja ele de justiça ou de verdade. Não é um termo que se torna outro, mas cada um encontra o outro, um único devir que não é comum aos dois, já que eles nada têm a ver um com o outro, mas está entre os dois, tem sua própria direção, um bloco de devir, uma evolução a-paralela, é a dupla-captura. Algo que estaria em um, ou alguma coisa que estaria no outro, ainda que houvesse uma troca, uma mistura, mas alguma coisa que está entre os dois, fora dos dois, e que corre em outra direção. Os devires são os mais imperceptíveis, são atos que só podem estar contidos em uma vida e expressos em um estilo. o encontro “corpo sem órgãos – experimentações em devir”, opera no desfazer do organismo-escrita-acadêmica, conversando em núpcias com órgãos-conceitos-autores.2

MODOS DE USO

atenção esquizo – um modo de trabalhar que acontece de acordo com as intensidades, cada olhar que se dirige para um texto é um encontro, uma experimentação. cada parágrafo é um flerte, cada página é uma multiplicidade de afetos, e ponto final, outro encontro já está por aconte-cer. um modo de leitura que habita o corpo, um movimento constante. os afetos atravessam, reverberam e se vão, deixam rastros, pistas para outras linhas... alguns fluxos contagiam as vísce-ras, que se colocam em comunicação, um desas-sossego constante, estão lá e cá ao mesmo tempo, movimento não fixado, mas sempre atento, à espreita. Tudo em mim é a tendência para se tor-nar a seguir outra coisa; uma impaciência consigo mesma, parecendo uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente.3 “Tudo me

inte-ressa e nada me prende.”4 Essa maneira esquizo

é semelhante ao nômade. Um esquizo está pre-sente e aupre-sente simultaneamente, ele está à sua frente e ao mesmo tempo lhe escapa, sempre está dentro e fora, da família, da cidade, da cultura, da linguagem, ele ocupa um território, mas ao mesmo tempo o desmancha, dificilmente entra em confronto direto com aquilo que recusa, não aceita a dialética da oposição, que sabe submetida

2 Em núpcias com Deleuze; Parnet (1998, p. 9-18). 3 Operar roubo em Pessoa (2011, p. 55). 4 Operar roubo direto em Pessoa (2011, p. 56).

de antemão ao campo do adversário, por isso ele desliza, escorrega, recusa o jogo ou subverte-lhe o sentido, corrói o próprio campo, desterritoria-liza-o. O esquizo, como o nômade, é o desterri-torializado por excelência, aquele que faz dessa mesma desterritorialização um território subje-tivo. movimento constante, mesmo que imper-ceptível para outros que observa, são micromo-vimentos, microrregulações que possibilitam o entre, o acontecimento que escapa ao sujeito estruturado na noção de Eu, que na atenção-es-quizo se experimenta no corpo sem órgãos, sem mais obedecer ao organismo, funciona no e pelo anarquismo de seus órgãos.5

INDICAÇÕES

Onde cheira a merda cheira a ser.

homem podia muito bem não cagar, teria que consentir em

não ser,

mas ele não foi capaz de se decidir a perder o ser, (…)

Para existir basta abandonar-se ao ser mas para viver

é preciso ser alguém e para ser alguém é preciso ter um OSSO,

é preciso não ter medo de mostrar o osso e arris-car- se a perder a carne.

(...) basta espremer o pâncreas, a língua, o ânus,

ou a glande.

E deus, o próprio deus espremeu o movimento. É deus um ser?

aceitou viver sem corpo quando uma multidão (...) avançava desafiando o Invisível

para acabar com o JULGAMENTO DE DEUS6

ADVERTÊNCIAS

há risco de encontrar nas experimentações, os corpos lúgubres, esvaziados, catatonizados, mesmo que o corpo sem órgãos seja pleno de ale-gria, os maus encontros podem acontecer. reco-mendamos prudência como doses. injeções de prudência. é necessário guardar o suficiente do organismo para que ele se recomponha, peque-nas provisões de significância e de interpretação, também são necessárias; conservar o suficiente para responder à realidade dominante.7

5 Em núpcias com Peter Pál Pelbart (2001). 6 Em núpcias com Artaud (1948).

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corpo sem órgãos é um banho desnudo, um

encontro da água com a pele rompendo com a lógica da moral,

carregando em si a liberdade de ser carne. sem mais um deus

que comande a criação, ou a manutenção da dívida eterna, é a

liberdade de não ter mais herança. tornar o instante sua própria

origem, seu início e sua morte, sem antes ou depois, sua

inten-sidade se compondo com a vida. esquivar-se dos julgamentos e

mergulhar na avaliação de seus encontros, seus possíveis. corpo

sem órgãos não cabe em definições, se aproxima das

experi-mentações. é o corpo correndo riscos de viver, de estar na vida,

afirmando o instante na intensidade que pulsa em seu corpo.

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Referências

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