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BEM-ESTAR ANIMAL, GUARDA RESPONSÁVEL E ZOONOSES:
UMA ABORDAGEM PARA CRIANÇAS/ADOLESCENTES E
PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL NA EDUCAÇÃO EM
SAÚDE PÚBLICA.
Área temática: Saúde
Nome dos autores: Adriana Ribeiro de Araujo 1; Rosemary Bastos2; Jaqueline da Silva Menecucci 1; Schayanna Santos Ramos 3 ; Stefany Martins de Almeida1; Camila Andrade de Castro4; Aline Matos Arrais5; Sabina Secchin Scardua6.
1. Estudante do Curso de Medicina Veterinária; Laboratório de Reprodução e Melhoramento Genético Animal do Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA)- UENF
2. Professora de Fisiologia e bem-estar animal; Laboratório de Reprodução e Melhoramento Genético Animal do Centro de Ciências e Tecnologias Agropecuárias (CCTA)- UENF; coordenadora do projeto
3. Médica veterinária – comunidade não acadêmica 4. Zootecnista – comunidade não acadêmica
5. Estudante de mestrado em Medicina Veterinária; Instituto de Veterinária - UFRRJ 6. Doutora em Ciência Animal; Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Rio de Janeiro
Instituição: Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF)
Resumo: O convívio saudável com animais tem resultados benéficos para as crianças/adolescentes. No entanto, apesar do grande número de animais domiciliados cresce também o abandono gerando uma superpopulação de animais errantes e negligenciados, expondo a população a riscos de zoonoses e acidentes. O objetivo do trabalho foi inserir os conceitos de bem-estar animal, guarda responsável e zoonoses para crianças/adolescentes e professores do ensino fundamental através das seguintes atividades: 1) palestras e vídeo educativo para crianças/adolescentes e professores; 2)
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aplicação de questionário sobre os conceitos de bem-estar animal, guarda responsável e zoonoses para crianças/adolescentes (8 a 12 anos); 3) distribuição de folder para crianças/adolescentes e informativo para os professores dos temas abordados. Os dados foram processados através de análise estatística descritiva. O trabalho foi realizado no período de 2010 a 2016 no Município de Campos dos Goytacazes/RJ, em 28 escolas e teve a participação de 1.997 crianças/adolescentes (6 a 16 anos), sendo que 1.389 responderam ao questionário (8 a 12 anos) e 116 professores. Nossos resultados mostram que o conceito: 1) “livre de fome ou de sede”, 85% das crianças apresentaram escore alto; 2) “livre de desconforto”, 93% apresentaram escore alto; 3) “livre de doenças”, 49% das crianças apresentaram escore alto e 49% escore médio; 4) “livre para expressar o comportamento natural”, as crianças apresentaram 39% para escore médio e 58% para escore alto 5). “livre de medo e de estresse”, 82 % apresentaram escore alto e 15 % escore médio; 6) “guarda responsável”, 96 % apresentaram escore alto e 3 % escore médio e 7) “zoonoses”, 34 % apresentaram escore alto e 65 % escore médio. Os resultados indicam que o conceito de guarda responsável e bem-estar animal (para as liberdades livre de fome e sede; desconforto e de medo e de estresse) foram bem sedimentados. Para as liberdades “livre de doenças” e “livre para expressar o comportamento natural” e o conceito de “zoonoses” um número considerado de crianças/adolescentes apresentaram escore médio. Podemos sugerir que estes conceitos, adquirido nesta fase da vida, pode repercutir nas mais diversas melhorias sociais, não somente de forma direta, provendo bem-estar aos animais, mas de forma indireta, gerando futuros cidadãos conscientes e responsáveis.
Palavras-chave: cinco liberdades; doenças; alunos 1. Introdução:
A relação de humanos com animais se dá desde os primórdios, quando os animais eram utilizados, principalmente, como fonte de subsistência e meio de transporte para o homem. Atualmente, os animais também são adquiridos para companhia, conforto emocional, auxílio no tratamento de doenças, prática de esportes, guarda, guias, entre outras finalidades (SILVANO et al, 2010).
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No Brasil, há hoje 52,2 milhões de cães sendo uma média de 1,8 cachorros por domicílio e 22,1 milhões de gatos domiciliados com uma proporção de 1,9 gatos por domicílio segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE (2013) divulgado pelo IBGE.
Apesar do grande número de animais domiciliados, a densidade populacional de animais errantes alcança números incalculáveis nas ruas das grandes cidades (SILVEIRA et al, 2012). Perini (2003) indicou que muitos proprietários abandonam seus animais por despreparo ou incompatibilidade, pois antes de adquirir não receberam instruções básicas. A superpopulação de animais errantes é uma preocupação para as autoridades de saúde pública em vários países, já que estes podem se relacionar a transmissão de algumas zoonoses e acidentes por mordedura. Essa problemática é agravada em virtude do acelerado grau de reprodução e proliferação desses animais (GARCIA et al, 2009).
Para diminuir o número de animais abandonados, é necessário que a população seja conscientizada sobre os conceitos de guarda responsável, zoonoses e bem-estar animal.
Segundo Gomes (2013), a necessidade de difundir e praticar a guarda responsável no Brasil é emergencial. A guarda responsável prevê que o tutor deve proporcionar uma vida sadia, atendendo às necessidades psicológicas e fisiológicas do animal, assistindo-o desde o nascimento até a morte (REZENDE et al, 2012). O tutor também é responsável por reduzir o risco de ferimentos ou doenças para os humanos, reduzir o risco de ferimentos ou doenças para outros animais e o risco de poluição/incômodo para a sociedade (WSPA, 2004).
A guarda responsável é fundamental para aumentar o grau de bem-estar de um animal de companhia. Em relação ao conceito mais aceito de bem-estar pode ser definido como o estado de um dado organismo durante as suas tentativas de se ajustar com o seu ambiente (BROOM, 1986). Segundo Broom e Molento (2004) a definição de bem-estar deve permitir uma relação com outros conceitos entre eles: necessidades, liberdades, felicidade, adaptação, controle, capacidade de previsão, sentimentos, sofrimento, dor, ansiedade, medo, tédio, estresse e saúde. Como padrões mínimos de bem-estar foram criadas as cinco liberdades de acordo com o Comitê de Brambell em 1965 e estas foram avaliadas pelo Conselho de Bem-Estar de Animais de Produção (FAWC) do Reino Unido
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em 1993, sendo conhecidas como as novas cinco liberdades, que definem que os animais devem ser: livres de sede, fome e má nutrição; livres do desconforto; livres da dor, injúrias e doenças; livres para expressar seu comportamento normal e livres do medo e estresse (GONYOU, 1994).
Como proposta de mudanças de hábitos e atitudes surge à necessidade de abordar temas como bem-estar animal, zoonoses e guarda responsável nas escolas. As crianças, principalmente de idade escolar, possuem grande potencial de aprender novos conceitos e incorporá-las no seu dia-a-dia,
Uchoa (2004) descreveu que professores e crianças bem informados podem atuar como difusores de temas relacionados ao bem-estar animal e prevenção de zoonoses, propiciando melhorias no âmbito da saúde pública. Junior et al. (2014) concluíram que os professores reconhecem a importância de se trabalhar estes conceitos, porém os temas relacionados aos cuidados com os animais de companhia e zoonoses não são abordados nos livros didáticos das séries iniciais do ensino fundamental e, por este motivo, possuem certa dificuldade em tratar destes temas com seus alunos.
Desta forma, o trabalho teve como principais objetivos a inserção dos conceitos de bem-estar animal, guarda responsável e zoonoses para as crianças/adolescentes e professores do ensino fundamental nas escolas públicas e particulares para que possam ser multiplicadores sobre estes temas com o intuito de promover uma extensão direta sobre toda a população local.
2. Material e Metodologia:
Participaram deste trabalho escolas públicas e particulares do ensino fundamental do Município de Campos dos Goytacazes- RJ no período de 2010 a 2016, totalizando 28 escolas, 1.997 alunos e 116 professores do ensino fundamental. Os alunos que assistiram à palestra e ao vídeo estavam na faixa etária entre 6 e 16 anos, porém os questionários foram respondidos apenas por crianças de 8 a 12 anos de idade, totalizando 1.389.
O termo de autorização para a participação dos alunos no projeto foi assinado pelos diretores/coordenadores pedagógicos das escolas.
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Primeiramente, foram apresentadas palestras para os alunos e professores sobre cuidados básicos para animais de companhia e conceitos de bem-estar animal, guarda responsável e zoonoses (Figura 1 A, B e C). As palestras possuem informações como: tipos de animais de companhia e como escolhê-los; noções de guarda responsável; noções de bem-estar animal; exemplos de brincadeiras com os animais, cuidados com a alimentação; conceito de zoonoses e abordagem das principais delas; cuidados com higiene; vacinação e everminação; doenças e parasitas; indicação da esterilização cirúrgica (castração); legislação de proteção animal; informações dos serviços prestados no Hospital Veterinário/UENF. Após a palestra foi apresentado o vídeo “Criando um amigo” (2004) do Instituto Nina Rosa, que reforça alguns assuntos abordados na palestra e passa noções de como evitar agressões de animais.
A)
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B)
Fonte: Arquivo pessoal C)
Fonte: Arquivo pessoal
Figura 1: Apresentações das palestras para as crianças/adolescentes de escolas que participaram do projeto (A e B) e material utilizado nas palestras (C).
Os questionários foram aplicados, após a apresentação da palestra e do vídeo, aos alunos na faixa etária entre 8 a 12 anos, em sala de aula, onde elas puderam responder as questões de múltipla escolha, com supervisão das bolsistas.
O questionário continha 16 questões e foi dividido em sete partes referentes ao conhecimento do conceito do bem-estar animal através das cinco liberdades: livre de fome e de sede; livre de desconforto; livre de doenças; livre para expressar seu comportamento
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natural, e; livre de estresse ou medo, o conhecimento do conceito de guarda responsável e conhecimento do conceito de zoonoses.
Para avaliação do questionário, as alternativas respostas (três para cada questão) receberão um escore de 1 a 3, sendo o escore 1, 2 e 3 indicativo de baixo, médio e alto conhecimento sobre a questão, respectivamente. Cada indivíduo recebeu um escore para cada questão e através de somatório, um escore referente ao conceito, sendo estes: de 1 a 3 considerados baixo conhecimento sobre o tema; de 4 a 5 considerados médio; e 6 considerado alto conhecimento sobre o conceito avaliado, com exceção do escore em relação ao conceito “zoonose” que 9 era considerado alto. Os dados provenientes do questionário foram processados através de análise estatística descritiva
Após a aplicação do questionário, foram distribuídos folder sobre cuidados básicos e conceitos de bem-estar animal para melhor fixação dos conhecimentos apresentados na palestra e vídeo para os alunos. Informativos sobre os temas abordados foram distribuídos para os professores, para que os mesmos possam abordar o assunto com seus alunos.
3. Resultados e discussão
Nossos resultados mostram que o conceito de “livre de fome ou de sede” avaliado pelo questionário teve 85% das respostas associadas ao escore alto, o que significa um domínio relativamente bom das crianças sobre esta liberdade (Tabela 1). Quanto ao conceito “livre de desconforto”, 93% apresentaram alto escore, mostrando que as crianças possuem um bom domínio sobre esse assunto (Tabela 1). Em relação ao conceito “livre de doenças”, 49% das crianças apresentaram escore alto, 49% apresentaram escore médio e 2 % para escore baixo, o que significa que o assunto possui um conceito mediano pelas crianças (Tabela 1) No conceito “livre para expressar o comportamento natural”, as crianças forneceram os seguintes resultados: 39% para escore médio e, 58% para escore alto. Neste conceito, as crianças possuem um domínio mediano em relação ao assunto, mostrando uma porcentagem relevante para o escore médio (Tabela 1). Em relação ao conceito “ livre de medo e de estresse”, os resultados obtidos foram: 82 % para escore alto,
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15 % para escore médio e 3 % para escore baixo. A maior parte das crianças mostrou uma boa percepção desta liberdade (Tabela 1)
Tabela 1: Escore avaliado das crianças/adolescentes em relação aos conceitos de bem-estar animal referente as cinco liberdades (Livre de fome e sede; Livre de desconforto; Livre de doenças; Livre de medo e estresse; Livre para expressar o comportamento), guarda responsável e zoonoses.
O conceito de bem-estar animal envolve o estado físico, mental e natural do animal, podendo ser inseridos nos conceitos das cinco liberdades. Desta forma, através dos questionários nossos resultados mostram que as liberdades “livre de fome e sede”, “livre de
desconforto e “livre de medo e estresse” foram as mais compreendidas pelos alunos”. No entanto, as liberdades “livre de doenças e feridas” e “livre para expressar seu
comportamento natural”, 49% e 39% dos indivíduos respectivamente obtiveram escore médio, o que demonstra que alguns ainda possuem certa dificuldade de entender estes conceitos. Para os educadores segundo Júnior et al. (2014) os temas bem-estar animal, guarda responsável e zoonoses é de extrema importância na construção de futuros cidadãos, no entanto estes mesmos temas não se encontram nas ementas dos livros didáticos.
Conceitos/Porcentagem Escore alto Escore
médio
Escore baixo %
“Livre de fome e sede” 85 14 2
“Livre de desconforto” 93 6 1
“Livre de doenças” 49 49 2
“Livre de medo e estresse” 82 15 3
“Livre para expressar o comportamento”
58 39 3
“Guarda responsável” 96 3 1
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De acordo com KIDD e KIDD (1996) atitudes positivas ou negativas futuras para com os animais são estabelecidas na infância do indivíduo. Martins (2006) destaca a importância dos animais em estudos acadêmicos nos diferentes níveis de ensino e ressalta a importância das crianças, Quanto à influência nas gerações futuras, podendo ajudar também a geração presente, quando dotadas de informações e soluções que despertam o interesse da população.
Em relação ao conceito “guarda responsável”, os resultados obtidos foram: 96 % para escore alto, 3 % para escore médio e 1 % para escore baixo, o que demonstra a alta compreensão do conceito por parte da grande maioria das crianças (Tabela 1).
Em relação ao conceito “zoonoses”, os resultados obtidos foram: 34 % para escore alto, 65 % para escore médio e 1% para escore baixo. Isso demonstra que uma parte significativa dos alunos não obteve uma boa compreensão do assunto, que é de grande importância (Tabela 1).
Sabe-se que muitos animais são descartados por seus proprietários por despreparo ou incompatibilidade, pois não tem o censo crítico de se informar a respeito da aquisição de um animal de estimação (ARCA BRASIL, 2011). Além disso, nota-se o grande número de animais errantes que perambulam pelas ruas sem nenhum tipo de cuidados básicos e profiláticos, como vacinações e esterilização cirúrgica, servindo de hospedeiros para zoonose e crescimento da população de rua, muitas vezes, estes animais foram abandonados porque seus donos não souberam dos cuidados necessários para se criar um animal ou simplesmente não os querem mais e veem o abandono como uma solução (PERINI, 2003).
De acordo com Lima et al. (2010) é de suma importância que as autoridades vinculadas a saúde alcance a comunidade, em especial a mais carente por meio de campanhas de conscientização sobre o risco de zoonoses e como combatê-las. Uma vez que esta parcela da população não tem fácil acesso a tais informações. Segundo Silva et al. (2009) há a necessidade de campanhas regulares para divulgar guarda responsável, sendo essas promovidas por entidades beneficentes ou instituições públicas, na tentativa de minimizar o abandono de animais. Reforçando a questão da guarda responsável, Joffily et al. (2013) observaram a desorganização ou a falta de uma política pública eficaz, para
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tratar da questão dos animais errantes. O que resulta a um problema de saúde pública, além da divergência com os conceitos de bem-estar animal. Em um trabalho que avaliou a guarda responsável através de entrevistas com proprietários de animais, Silva et al. (2009) constataram que as pessoas não consideram importante consultar um médico veterinário para criar o cão ou não tem condições financeiras para isso, sugerindo que as pessoas entrevistadas não praticam este conceito.
Lima et al. (2010) confirmaram que em Araçatuba - SP 69,4% dos animais tinham acesso à rua sem a companhia de seus donos. Carvalho et al.(2011) avaliaram o nível de conhecimento das pessoas sobre zoonoses e guarda responsável, encontram que 13% dos entrevistados levam seu animal periodicamente ao veterinário, 57% levam apenas quando adoecem e 30% nunca os levam, demonstrando falha no cuidado com os animais. Langoni et al. (2011) relataram que em Botucatu-SP 53,7% dos proprietários admitiram que seus cães têm acesso à rua, sendo que, destes, 69,4% têm livre acesso, enquanto 30,6% saem com coleira, acompanhados por seus donos. A maioria destes proprietários acha cômodo que seus animais saiam às ruas fazer suas necessidades fisiológicas, e para que possam “passear”.
Os resultados obtidos no município de Alegre-ES por Loss et al. (2012) sobre guarda responsável demonstram que de acordo com relato dos proprietários, 30,0% dos cães estavam adequadamente vacinados, 39,0% vermifugados, apesar de 73,0% dos cães terem acompanhamento médico veterinário. Dentre os proprietários, 59,0% afirmaram recolher as fezes de seus cães em vias públicas e 83,0% consideram a presença de animais errantes um problema. Os autores afirmam que o baixo nível de conhecimento, por parte dos proprietários de animais, sobre questões relacionadas à guarda responsável, tem como consequência a falta de cuidados com a saúde animal e com a prevenção por parte dos proprietários de cães, tais como vacinação, vermifugação adequada e recolhimento das fezes de seus animais na rua, colocando, portanto tanto o proprietário, quanto a saúde coletiva da região de estudo em risco frente às zoonoses parasitárias que envolvem o cão e o homem (LOSS et al., 2012).
Segato et al. (2013) realizaram um trabalho com adolescentes do ensino fundamental no qual após a apresentação do trabalho, 98,11% dos alunos consideraram
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deveres: a alimentação, a vacinação, a castração e a dedicação. Uma pesquisa realizada com pais de alunos sobre a percepção sobre zoonoses e guarda responsável concluíram que existe um desconhecimento significativo em relação ao significado do termo zoonoses entre os entrevistados (LIMA et al., 2010).
De Acordo com Dias et al. (2012), embora o tema: zoonoses, apesar de não serem reconhecidas pelos alunos num primeiro instante, encontravam-se presentes no dia a dia das comunidades, e que as atividades extensionistas que foram realizadas possuem grande relevância assimilação por parte das crianças. Segundo Silveira et al. (2012), as visitas nas escolas demonstram que a conscientização sobre guarda responsável é uma atividade eficiente, uma vez que as crianças podem adquirir informações necessárias à garantia do bem-estar dos animais de estimação. Considerando que as crianças são curiosas e comunicativas, elas também são um bom meio de transmitir as informações aos familiares e amigos, aumentando o público-alvo do projeto e ajudando na conscientização (SILVEIRA et al., 2012).
Desta forma, trabalhos com enfoque de temas como bem-estar animal guarda responsável e zoonoses desenvolvidos com alunos na escola fundamental são de alta relevância, visto que os mesmos encontram-se em fase de desenvolvimento e aprendizado o que facilita a introdução de novos conceitos, bem como uma visão mais crítica sobre cidadania.
4. Conclusões
A exposição de palestras e vídeo educativo teve uma participação ativa dos alunos, visto que os mesmos relataram suas experiências mostrando a importância da conscientização dos conceitos de bem-estar animal e guarda responsável, além da prevenção das principais zoonoses.
Os questionários aplicados mostram que as crianças/adolescentes apresentaram domínio na maioria das liberdades avaliadas a que se refere ao conceito de bem-estar animal e o conceito de guarda responsável, mas para alguns conceitos como as liberdades “livre de doenças”; “livre para expressar o comportamento natural” e “zoonoses” um número considerado de crianças/adolescentes apresentaram escore médio, o que mostra a
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importância da inclusão destes temas no currículo escolar dando uma maior visibilidade à questão da saúde pública. Estes conceitos, adquiridos na fase escolar, podem repercutir nas mais diversas melhorias sociais, não somente de forma direta, provendo bem-estar aos animais, mas de forma indireta, gerando futuros cidadãos conscientes e responsáveis.
Em relação aos professores a participação foi de grande relevância durante a realização do trabalho nas escolas, espera-se que os mesmos se tornem multiplicadores em sala de aula dos temas propostos.
Além disso, o trabalho contribuiu na formação dos acadêmicos e demais pessoas envolvidas pela inserção de conhecimentos em relação aos temas abordados, despertando interesse sobre a área e contribuindo de forma efetiva com a interação Universidade e comunidade.
5. Referências
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