COMISSÃO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO CONSELHO E AO PARLAMENTO EUROPEU

Texto

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COMISSÃO DAS COMUNIDADES EUROPEIAS

Bruxelas, 21.2.2001 COM(2001) 96 final

COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO CONSELHO E AO PARLAMENTO EUROPEU

PROGRAMA DE ACÇÃO: aceleração da luta contra o VIH/SIDA, a malária e a tuberculose no contexto da redução da pobreza

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RESUMO

O presente programa de acção da Comissão estabelece o quadro político apresentado na comunicação de Setembro de 2000 relativa à “Aceleração da luta contra as principais

doenças transmissíveis no contexto da redução da pobreza”1. Constitui uma resposta abrangente e coerente da Comunidade para o período 2001-2006 à situação de emergência na luta , a nível mundial, contra as três principais doenças transmissíveis, isto é, o VIH/SIDA, a malária e a tuberculose, que afectam sobretudo as populações mais pobres e ameaçam a saúde em todo o mundo.

No âmbito de um esforço mundial generalizado, o programa elaborará acções destinadas a melhorar a eficácia das iniciativas já existentes, a tornar os medicamentos principais mais abordáveis e a incentivar a investigação e o desenvolvimento de bens públicos mundiais específicos destinados a lutar contra essas doenças nos países em desenvolvimento.

A Comissão concederá prioridade aos investimentos no sector da saúde, da SIDA e da população no contexto da redução da pobreza. Será dedicada uma maior atenção à luta contra as doenças transmissíveis através, nomeadamente, das seguintes acções: reafectação dos recursos não utilizados, orientação das futuras acções de programação e utilização dos fundos regionais. A instituição de procedimentos de gestão da ajuda mais eficazes permitirá acelerar o desembolso dos fundos destinados a melhorar a saúde. A Comissão adoptará uma abordagem global abrangente dirigida ao apoio à melhoria da saúde nos países em desenvolvimento, embora essencialmente centrada na prevenção. O investimento no reforço das políticas farmacêuticas incluirá a avaliação das possibilidades de desenvolvimento das capacidades locais de produção. A Comissão procurará trabalhar em estreita cooperação com as NU, os parceiros do G8, o Banco Mundial, a sociedade civil e os Estados-Membros da UE, a fim de, com base nas vantagens comparativas de cada parceiro, promover a reforma da arquitectura financeira internacional, no sentido de melhorar a coordenação, a complementaridade e a eficácia da afectação dos recursos internacionais.

A Comunidade Europeia procurará tornar os medicamentos essenciais mais abordáveis economicamente, centrando-se para tal em questões relacionadas com os impostos e os direitos aduaneiros nos países em desenvolvimento. Tentará introduzir um sistema de preços diferenciados como regra no que se refere aos países em desenvolvimento mais pobres2, procurando simultaneamente evitar reimportações na UE. Os investimentos reforçarão as capacidades dos países em desenvolvimento nos domínios ligados ao comércio e à saúde, incluindo a execução do acordo TRIPS.

A Comunidade Europeia apoiará novas iniciativas destinadas a incentivar o desenvolvimento de bens públicos mundiais orientados para a luta contra as três principais doenças transmissíveis, graças, nomeadamente, ao reforço do apoio público às actividades de investigação e desenvolvimento, principalmente ensaios clínicos, a medidas de incentivo adequadas para promover o investimento privado nas actividades de investigação e desenvolvimento, a atenção ao diálogo inicial sobre os aspectos regulamentares e à garantia da participação dos países em desenvolvimento na fase inicial do processo de investigação. O

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COM (2000) 585 de 20.9.2000. 2

No âmbito do presente programa de acção, os países em desenvolvimento mais pobres incluem os países menos desenvolvidos (actualmente 48 países - CNUCED 2000) e outros países de baixo rendimento com um produto nacional bruto per capita inferior a 765 dólares americanos (actualmente, 24 países (CAD:2000)).

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aumento da capacidade de investigação nos países em desenvolvimento constituirá uma prioridade.

A Comissão examinará a possibilidade de utilizar toda a gama de instrumentos financeiros existentes na concretização destes objectivos e na execução do presente programa de acção. O quadro apresentado identifica as acções principais, os parceiros potenciais e os instrumentos, e será pormenorizado no âmbito dos planos de acção específicos a desenvolver na sequência da aprovação do presente programa de acção.

Serão instituídos mecanismos, recursos e parcerias adequados para controlar a execução do presente programa de acção e para instituir um sistema de acompanhamento global relativo às iniciativas de todos os parceiros internacionais. O sucesso da execução da presente iniciativa constituirá uma contribuição fundamental para os esforços mundiais na luta contra as doenças transmissíveis.

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ÍNDICE

COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO AO CONSELHO E AO PARLAMENTO EUROPEU PROGRAMA DE ACÇÃO: aceleração da luta contra o VIH/SIDA, a malária e a tuberculose

no contexto da redução da pobreza ... 1

1. CONTEXTO ... 6

2. OBJECTIVOS E RESULTADOS ESPERADOS DO PROGRAMA DE ACÇÃO ... 6

3. O PROGRAMA DE ACÇÃO ... 7

3.1. IMPACTO... 8

3.1.1. Optimização do impacto das intervenções em matéria de saúde, SIDA e população orientadas para a luta contra as principais doenças transmissíveis e para a redução da pobreza... 8

3.1.2. Reforço da política farmacêutica e desenvolvimento das capacidades ... 9

3.1.3. Desenvolvimento das capacidades de produção locais ... 10

3.2. PREÇOS MAIS ACESSÍVEIS... 11

3.2.1. Preços diferenciados... 11

3.2.2. Impostos e direitos aduaneiros ... 11

3.2.3. Legislação em matéria de propriedade intelectual ... 12

3.3. INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO... 12

3.3.1. Reforço do apoio à investigação e ao desenvolvimento... 12

3.3.2. Reforço das capacidades nos países em desenvolvimento ... 12

3.3.3. Incentivos ao desenvolvimento de bens públicos mundiais específicos ... 13

3.4. PARTICIPAÇÃO EM PARCERIAS GLOBAIS: ELABORAÇÃO DE POLÍTICAS E DIÁLOGO POLÍTICO ... 14

4. INSTRUMENTOS ... 15

4.1. Selecção dos instrumentos de acção... 15

4.2. Parceria, apropriação e acompanhamento de uma resposta eficaz por parte da Comunidade Europeia ... 16

5. CONCLUSÃO... 17

Anexo 1: Programa de acção – Matriz ... 18

Anexo 2: Princípios de base aplicáveis às iniciativas em matéria de saúde, de SIDA e de população... 26

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Anexo 3: Definições e precisões terminológicas ... 27

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1. CONTEXTO

Em 20 de Setembro de 2000, a Comissão adoptou um novo quadro de acção política, apresentado na comunicação relativa à "Aceleração da luta contra as principais doenças transmissíveis no contexto da redução da pobreza"1. A política da Comunidade Europeia tem por objectivo responder a uma situação actualmente reconhecida como uma urgência mundial: a morte de cinco milhões de pessoas por ano causada pelas três principais doenças transmissíveis: o VIH/SIDA, a malária e a tuberculose. Cada uma destas doenças provoca a morte de mais de um milhão de pessoas por ano, em especial nos países em desenvolvimento, ameaçando seriamente a saúde a nível mundial.

Este quadro de acção política identifica três objectivos que requerem acções específicas e respostas coerentes às três doenças no que se refere ao impacto das intervenções existentes, à disponibilização de medicamentos essenciais a preços abordáveis e à investigação e desenvolvimento de bens públicos mundiais específicos. Esta abordagem recebeu um grande apoio político por parte dos países em desenvolvimento, dos Estados-Membros da UE, dos parceiros das agências internacionais de ajuda ao desenvolvimento, da sociedade civil e da indústria. Combina de forma única e coerente um conjunto de medidas políticas em matéria de desenvolvimento, de comércio e de investigação, apelando a todas as competências técnicas existentes na Comissão.

Com base nos resultados da "mesa redonda de alto nível"2 internacional relativa à nova política da Comunidade Europeia, e na sequência das conclusões do Conselho3, a Comissão desenvolveu um programa de acção de luta contra as três principais doenças transmissíveis para os próximos cinco anos (2001 - 2006).

2. OBJECTIVOS E RESULTADOS ESPERADOS DO PROGRAMA DE ACÇÃO

O objectivo primordial da política de ajuda ao desenvolvimento da Comunidade Europeia4 é o de promover o desenvolvimento sustentável com vista à erradicação da pobreza nos países em desenvolvimento e à sua integração na economia mundial. No início do século XXI, poucos investimentos se afiguram mais oportunos do que os destinados a melhorar a saúde pública. Os investimentos no sector da saúde podem contribuir significativamente para a redução da pobreza, para o bem-estar e para o crescimento económico: os países com os níveis mais elevados de saúde pública registam um crescimento mais rápido. Nos países em desenvolvimento mais pobres5, as doenças transmissíveis, em especial o VIH/SIDA, a malária e a tuberculose, continuam a limitar o crescimento.

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COM (2000) 585 de 20.9.2000. 2

A fim de assegurar a realização de um processo de consulta abrangente no que se refere à nova comunicação, a CE, em parceria com a OMS e a ONUSIDA, organizou uma mesa redonda de alto nível em Bruxelas, em 28 de Setembro de 2000. Esta mesa redonda reuniu mais de 170 participantes, incluindo 25 países em desenvolvimento (nomeadamente os países ACP), os Estados-Membros da UE, o Parlamento Europeu, as agências internacionais de ajuda ao desenvolvimento, a sociedade civil, os investigadores e os dirigentes das principais empresas farmacêuticas. Os participantes chegaram a um alto nível de consenso no que se refere ao teor da comunicação. Para mais informações, consultar o endereço www.europa.eu.int/comm/development/sector/social/table.

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Resolução do Conselho de 10.11.2000, 2304ª reunião do Conselho. 4

COM (2000) 212 de 26.4.2000. 5

No âmbito do presente programa de acção, os países em desenvolvimento mais pobres incluem os países menos desenvolvidos (actualmente 48 países - CNUCED 2000) e outros países de baixo rendimento com um produto nacional bruto per capita inferior a 765 dólares americanos (actualmente, 24 países - CAD 2000).

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O quadro de acção política da Comunidade Europeia e o presente programa de acção relativo às principais doenças transmissíveis são inteiramente compatíveis com a política de desenvolvimento da Comunidade Europeia, constituindo simultaneamente uma condição necessária à concretização dos seus objectivos. Permitirão à Comunidade Europeia contribuir significativamente para os esforços mundiais e nacionais destinados a fazer face às grandes doenças transmissíveis, bem como participar plenamente nesses esforços. Reconhecendo o papel fundamental desempenhado pelos países em desenvolvimento no que se refere à protecção da saúde das suas populações totais, o presente programa de acção deverá assegurar, nomeadamente, o controlo e a participação desses países nas acções previstas.

Em conformidade com os objectivos do quadro de acção política, os resultados esperados do programa de acção da Comunidade Europeia são os seguintes:

– optimizar o impacto das intervenções, dos serviços e dos produtos já existentes no âmbito da luta contra as principais doenças transmissíveis que afectam as populações mais pobres;

– tornar os preços dos medicamentos essenciais mais acessíveis através de uma abordagem global;

– aumentar o investimento na investigação e desenvolvimento de bens públicos mundiais específicos.

Todos estes aspectos contribuirão de forma significativa para a redução do ónus causado pelas principais doenças transmissíveis, em especial nos países em desenvolvimento mais pobres, e reforçarão os esforços mundiais de luta contra a pobreza.

3. O PROGRAMA DE ACÇÃO

A política da Comunidade Europeia tem em vista estabelecer uma ligação entre as iniciativas nacionais destinadas a melhorar o acesso da população aos bens e serviços existentes e as acções gerais destinadas a tornar os preços dos medicamentos mais acessíveis e a promover o investimento no desenvolvimento de bens públicos mundiais específicos (ver anexo 3). Por conseguinte, os três domínios de acção – impacto, preços mais acessíveis e investigação - são interdependentes e sinergéticos: o desenvolvimento e o financiamento de bens públicos mundiais, tais como as vacinas contra a SIDA e a malária, requerem uma investigação e um financiamento mais eficazes, bem como novas parcerias. Simultaneamente, será necessário um aumento real e suficientemente amplo dos recursos financeiros disponíveis para as vacinas existentes, nomeadamente a nível nacional, a fim de aumentar a confiança no que se refere à utilização futura de novas vacinas. Igualmente, a redução dos preços e eventuais concessões por parte da indústria de investigação e de desenvolvimento requerem a existência de um mercado de dimensão suficiente, parcerias público-privadas sólidas e um aumento significativo da capacidade de produção. A execução do programa de acção da Comunidade Europeia exige uma acção coerente, colectiva e simultânea.

O presente programa de acção tem em conta um determinado número de princípios básicos aplicáveis às iniciativas da Comunidade Europeia no domínio da saúde, da SIDA e da população nos países em desenvolvimento, tal como descrito no anexo 2.

Os progressos realizados serão acompanhados a dois níveis. Os indicadores de alto nível relativos aos resultados e ao impacto serão utilizados no âmbito de um sistema de acompanhamento global, que

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terá em conta as questões relativas à igualdade entre homens e mulheres e as necessidades das populações mais pobres, elaborado conjuntamente com parceiros internacionais. O anexo 1 apresenta um quadro de acompanhamento da execução do presente programa de acção no que se refere às áreas objecto de uma acção directa por parte da Comunidade Europeia. O quadro, que identifica potenciais parceiros e instrumentos, será ulteriormente pormenorizado no âmbito dos planos de trabalho e de instrumentos de controlo específicos, incluindo relatórios de evolução anuais, a elaborar pelos serviços da Comissão após a aprovação do presente programa de acção.

3.1. IMPACTO

3.1.1. Optimização do impacto das intervenções em matéria de saúde, SIDA e população6 orientadas para a luta contra as principais doenças transmissíveis e para a redução da pobreza

(1) No âmbito do orçamento total da cooperação para o desenvolvimento, a Comissão atribuirá a prioridade às intervenções nos sectores da saúde, da SIDA e da população (SSP) nos próximos cinco anos (2000-2006). A percentagem afectada à SSP foi de 8 % em 2000 (cerca de 800 milhões de euros), e aumentará gradualmente em função do aumento da capacidade de execução. No âmbito destas intervenções, os recursos suplementares centrar-se-ão no VIH/SIDA, na malária, na tuberculose e nas acções identificadas no presente programa de acção, de acordo com as necessidades de cada país e região.

(2) O processo de reforma da Comissão Europeia em curso institui processos mais eficazes de gestão da ajuda e esforça-se por eliminar os factores de estrangulamento, a fim de permitir um desembolso mais rápido dos fundos. As autorizações da Comunidade Europeia no que se refere às iniciativas a favor da saúde, SIDA e população ascenderam a um montante total de 4,2 mil milhões de euros no período 1990-1999, dos quais 700 milhões correspondem a 1998. A maior parte destes financiamentos continuarão a apoiar o reforço do sector da saúde. Estão a ser preparadas medidas destinadas a simplificar os pagamentos e os procedimentos contratuais. Além disso, a Comissão convidará os países em desenvolvimento a identificarem as possibilidades de orientação dos recursos autorizados e não utilizados no âmbito dos programas nacionais para a redução do ónus causado pelas doenças transmissíveis.

(3) A Comissão aconselhará todos os países em desenvolvimento sobre o problema ligado às doenças transmissíveis, bem como sobre as possibilidades de aceleração da acção no âmbito dos actuais exercícios de programação nacionais, regionais e temáticos7. As Delegações e os países parceiros serão incentivados a abordar o problema das doenças transmissíveis, numa perspectiva de redução da pobreza e de promoção da igualdade de oportunidades, no âmbito dos Documentos de Estratégia Nacionais (DEN) e dos Documentos de Estratégia de Redução da Pobreza (DSRP)8. Os Estados-Membros serão consultados nos comités competentes e coordenar-se-ão com estes. A Comissão manterá uma abordagem abrangente, no âmbito da qual as medidas de prevenção continuarão a beneficiar de uma grande atenção.

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As intervenções da CE em matéria de população encontram-se definidas no Regulamento (CE) nº 1484/97 do Conselho, de 22 de Julho de 1997, relativo à ajuda às políticas e programas demográficos dos países em desenvolvimento. 7

Os diferentes elementos do presente programa de acção serão modulados em função de situações "instáveis", ou sempre que a componente local seja deficiente (ausência de um Ministério da Saúde operacional, ausência de uma estratégia nacional adequada em matéria de saúde, falta de meios para a gestão de um programa).

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(4) A Comissão celebrará acordos de cooperação com a OMS/ONUSIDA, o Banco Mundial e os Estados-Membros, a fim de proporcionar a assistência técnica e normativa necessária às acções nacionais de programação e de identificação.

(5) A CE examinará a possibilidade de utilizar os fundos de todos os ACP e outros fundos regionais9para acelerar as transferências de recursos para os parceiros, a fim de melhorar o acesso às medidas existentes e a sua execução e incentivar o recurso a práticas inovadoras, tais como a comercialização social de mosquiteiros e de preservativos, as medidas de prevenção e o tratamento de mães portadoras do VIH, etc. Sob reserva das condições previstas nos instrumentos aplicáveis e a pedido dos países em desenvolvimento, podem ser transferidos recursos para agências das Nações Unidas/ONG, OBC e parceiros não tradicionais. Antes da sua divulgação, as práticas inovadoras serão analisadas numa perspectiva de redução da pobreza e de promoção da igualdade entre homens e mulheres.

A Comissão continuará a cooperar com os seus parceiros internacionais na elaboração de novas abordagens, através de transferências de recursos mais eficazes e em maior escala para os países em desenvolvimento. Para as acções específicas, ver secção 3.4.

3.1.2. Reforço da política farmacêutica e desenvolvimento das capacidades

(1) A Comissão prestará apoio ao reforço da política e das práticas farmacêuticas através de uma cooperação nacional e regional, do reforço das capacidades e da concessão de assistência financeira e técnica. Sempre que possível, a Comissão basear-se-á nos programas já existentes10. Serão efectuados esforços especiais para melhorar a gestão orçamental e financeira, o planeamento, a garantia da qualidade, as aquisições, os concursos, a distribuição e a optimização da utilização dos medicamentos. O apoio da Comissão facilitará a análise da incidência dos direitos de importação e dos regimes de tributação sobre os preços, dos aspectos regulamentares e das normas éticas e permitirá uma melhoria dos intercâmbios de informações. A Comissão apoiará o desenvolvimento de redes de laboratórios de controlo da qualidade a nível regional/sub-regional, a fim de assegurar um controlo adequado da qualidade dos produtos farmacêuticos. Esta questão reveste-se de uma importância especial no contexto da produção local e da utilização de medicamentos genéricos em conformidade com as normas homologadas da OMS. Os países em desenvolvimento serão apoiados nos seus esforços de identificação de acções e de promoção do diálogo sobre as políticas farmacêuticas.

(2) A Comissão intensificará as parcerias com as redes regionais de recursos técnicos, em especial com a OMS, na sua qualidade de principal agência técnica no domínio da política farmacêutica. A colaboração com a UNICEF, a ONUSIDA, a indústria farmacêutica e com outros parceiros será alargada.

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No que se refere aos instrumentos, ver a secção 4. As contribuições terão por base legal, nomeadamente, a cooperação para o desenvolvimento (artigos 177º e seguintes do Tratado CE), incluindo a cooperação com as organizações internacionais (artigo 181º), a saúde pública (artigo 152º) e a política de investigação (artigos 163º e seguintes). Os instrumentos especiais aplicáveis neste domínio incluem o Regulamento (CE) nº 550/97 do Conselho, de 24 de Março de 1997, relativo às acções no domínio do VIH/SIDA nos países em desenvolvimento e o Regulamento (CE) nº 1484/97 do Conselho, de 22 de Julho de 1997, relativo à ajuda às políticas e programas demográficos dos países em desenvolvimento. As autorizações encontram-se sujeitas ao cumprimento das condições de elegibilidade especificadas nos instrumentos aplicáveis.

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Por exemplo, os programas comunitários ARIVA (Apoio ao Reforço da Independência Vacinal em África) e APPA (Apoio à Política Farmacêutica em África).

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(3) Em comparação com a OMS, a Comunidade Europeia continuará a aperfeiçoar os programas consagrados aos medicamentos essenciais em benefício do países em desenvolvimento. As acções a desenvolver abrangem a inclusão progressiva de medicamentos essenciais (não genéricos) na lista dos medicamentos essenciais, bem como a execução, a nível nacional e regional, de programas adequados e rentáveis. O objectivo consiste em acelerar o registo e a autorização de comercializar os medicamentos essenciais nos países em desenvolvimento, com base nos sistemas de registo existentes nos países desenvolvidos. Além disso, a Comunidade Europeia manterá contactos com a OMS para o desenvolvimento de regras específicas e de dispositivos regulamentares, bem como para a distribuição de medicamentos essenciais em situações de emergência.

(4) A Comunidade Europeia colaborará com países e regiões no sentido do desenvolvimento de sistemas destinados a proteger contra o desvio de produtos com preços diferenciados (ver ponto 3.2).

3.1.3. Desenvolvimento das capacidades de produção locais11

(1) A Comunidade Europeia assistirá os países em desenvolvimento, tanto a nível regional como nacional, no desenvolvimento da produção local de medicamentos essenciais de qualidade, muitos dos quais já não se encontram protegidos por patentes e podem ser produzidos de imediato. Os países candidatos serão seleccionados com base em análises sectoriais e em estudos de mercado, bem como de estudos de viabilidade destinados a identificar e avaliar as oportunidades comerciais existentes. Será ainda incentivado o diálogo entre as empresas farmacêuticas públicas e privadas, tanto nos países em desenvolvimento como nos países desenvolvidos, e simplificadas as relações comerciais entre elas. O apoio à produção local dirigir-se-á aos países que já dispõem das capacidades e das infra-estruturas necessárias, podendo ser alargado a outros países numa fase posterior.

(2) Os projectos viáveis serão apoiados através da promoção de oportunidades comerciais baseadas em planos e estudos comerciais sólidos, centrados nos benefícios para a saúde pública e na rentabilidade. O financiamento poderá ser efectuado através do PROINVEST, o programa de promoção de investimentos para os países ACP, do Regime de Assistência às Empresas CE-ACP (EBAS)12, da facilidade de investimento para o sector privado do acordo de Cotonou (gerida pelo BEI) e de outros mecanismos comunitários de cooperação técnica e financeira (para o ALA-MEDA, ver a secção 4, relativa aos instrumentos).

(3) Os fabricantes de produtos genéricos e os laboratórios de investigação da EU e de países terceiros serão incentivados a celebrar acordos de licença e a criar empresas comuns com parceiros adequados dos países em desenvolvimento. Para este efeito, será necessário criar incentivos apropriados, nomeadamente, a garantia de um alto nível de protecção dos direitos de propriedade intelectual, a obtenção de acesso aos mercados dos países em desenvolvimento mediante o reconhecimento mútuo das autorizações de comercialização, e a garantia de que os produtos destinados aos países em desenvolvimento não serão exportados para a Comunidade ou para outros mercados de países desenvolvidos.

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Ver anexo 3: Definições e precisões terminológicas. 12

Programa em curso para as empresas dos países ACP, que concede apoio às empresas individuais ou às associações de produtores neste sector.

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3.2. PREÇOS MAIS ACESSÍVEIS

3.2.1. Preços diferenciados13

(1) A Comunidade Europeia encontra-se na vanguarda dos esforços internacionais no sentido da instituição de um sistema global de preços diferenciados para os medicamentas essenciais destinados aos países em desenvolvimento mais pobres. A CE considera que um compromisso firme e de longo prazo por parte dos fabricantes no sentido do abastecimento destes produtos ao preço mais baixo possível contribuirá significativamente para a resolução do problema da redução dos preços dos medicamentos. Assim, serão prosseguidas as discussões com a indústria farmacêutica e com as autoridades públicas nos países em desenvolvimento mais pobres, a fim de instituir o referido sistema o mais brevemente possível. No futuro, o sistema de preços diferenciados deverá constituir a regra, e não a excepção, no que se refere aos países em desenvolvimento mais pobres.

(2) Um sistema de preços diferenciados bem sucedido, orientado para os países em

desenvolvimento mais pobres, deverá igualmente conseguir evitar o desvio dos produtos para outros mercados, e a consequente desvalorização dos seus preços. É essencial, a fim de preservar a confiança nesse sistema, instituir mecanismos de salvaguarda adequados, que permitam garantir que todos os produtos farmacêuticos com preços reduzidos destinados a mercados específicos são distribuídos, e permanecem, nesses mercados. Tais mecanismos de salvaguarda incluem medidas técnicas (etiquetagem, embalagem e marcas diferenciadas) que permitem identificar os produtos objecto de preços preferenciais, procedimentos especiais de execução a aplicar no país de importação e/ou exportação, bem como regimes contratuais entre os exportadores, os importadores e os distribuidores dos medicamentos14.

(3) Será necessária uma concertação internacional (por exemplo, sob os auspícios das NU ou da OMC), a fim de conter o risco de desvio dos produtos. De qualquer forma, também será necessária uma participação e uma cooperação integrais dos governos dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, dos sectores público e privado e das ONG. A Comunidade Europeia prosseguirá as discussões com os seus principais parceiros comerciais, a fim de fazer progredir este debate.

3.2.2. Impostos e direitos aduaneiros

A Comunidade Europeia continuará a analisar os efeitos dos outros factores, para além do preço líquido de importação, sobre os preços de venda ao público nos países em desenvolvimento. Tais factores, que incluem os direitos aduaneiros, os impostos, as taxas de importação e de distribuição e os direitos de registo local, são susceptíveis de aumentar os preços de forma significativa. Assim, sempre que necessário, os países importadores devem ser incentivados a reduzir ou a abolir esses factores.

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O sistema de preços diferenciados caracteriza-se pela prática de preços distintos em mercados diferentes. No âmbito do presente programa de acção, consiste num sistema de preços pelo qual os produtores dos principais produtos farmacêuticos, incluindo medicamentos com e sem patente, disponibilizam os produtos em questão aos países mais pobres a preços significativamente reduzidos.

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3.2.3. Legislação em matéria de propriedade intelectual

(1) A Comunidade Europeia está empenhada em apoiar os países em desenvolvimento membros da OMC na execução do acordo TRIPS. A ajuda prevista inclui a realização de acções de formação, a assistência à elaboração de legislação e a criação de estruturas institucionais e administrativas adequadas.

(2) A CE reconhece que, no âmbito do acordo TRIPS, existe uma certa flexibilidade que permite aos países signatários emitirem, em certas circunstâncias, licenças obrigatórias15, a fim de resolver problemas urgentes em matéria de saúde pública.

No que lhe diz respeito, a CE promoverá discussões no âmbito da OMC, da OMPI ou da OMS no que diz respeito à relação entre o acordo TRIPS e as questões relativas à protecção da saúde pública, a fim de alcançar um consenso internacional na matéria.

3.3. INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

3.3.1. Reforço do apoio à investigação e ao desenvolvimento

No âmbito do novo 5º programa-quadro, a Comissão deverá afectar 130 milhões de euros à investigação em matéria de VIH/SIDA, malária e tuberculose. No âmbito do 4º programa-quadro (1994-1998), foram afectados mais de 80 milhões de euros a este domínio. As iniciativas recentes concederam uma prioridade cada vez maior ao combate às doenças transmissíveis nos países em desenvolvimento. O espaço europeu de investigação16 fornece um quadro de desenvolvimento de estratégias concertadas de investigação e de desenvolvimento na Europa. Na linha dos actuais investimentos em matéria de investigação sanitária consagrada às três principais doenças transmissíveis, está prevista uma nova iniciativa importante destinada a apoiar e acelerar o desenvolvimento clínico de novas intervenções. Neste contexto, a Comissão irá preparar no primeiro semestre de 2001, em cooperação com todos os interessados, uma estratégia europeia de investigação dos bens globais de luta contra o VIH/SIDA, a malária e a tuberculose. Com base em planos de acção específicos para as três doenças, a Comunidade orientará a sua ajuda em duas direcções:

(1) prossecução e reforço do apoio à investigação de base e estratégica, com uma maior coordenação a nível europeu e internacional;

(2) criação de uma plataforma de ensaios clínicos europeia destinada a aumentar o número, a eficácia e a coerência dos ensaios clínicos realizados pelos sectores público e privado, em que participam os países em desenvolvimento. Esta plataforma funcionará ainda como interface de investigação e desenvolvimento com outras iniciativas mundiais, incluindo as dos parceiros do G8.

3.3.2. Reforço das capacidades nos países em desenvolvimento

Os países em desenvolvimento participarão em todas as etapas do processo de investigação e de desenvolvimento de novos bens públicos. Prevê-se um efeito duradouro tanto no que se refere à

15

A concessão de uma licença sem o consentimento do proprietário da patente, contra uma remuneração adequada, por motivos vários de interesse público. Ver também o documento COM(2000) 585, de 20 de Setembro de 2000, ponto 4.2.

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formação profissional de base como à formação avançada em matéria de investigação relativa aos conhecimentos científicos e tecnológicos, bem como sobre o desempenho dos serviços de saúde. (1) O aumento do apoio às actividades de investigação incluirá, nomeadamente, uma cooperação

no que se refere aos estudos de biologia molecular, epidemiológicos, operacionais, sociais e à investigação clínica, que reforcem a base das actividades de investigação no domínio da saúde. Será igualmente concedida uma atenção especial às questões relacionadas com a igualdade entre homens e mulheres e com a redução da pobreza. Será ainda concedido um apoio destinado a assegurar a aplicação de normas deontológicas e de sistemas de avaliação adequados.

(2) Será concedido apoio ao reforço das capacidades nos países em desenvolvimento, destinado a permitir-lhes realizar ensaios em grande escala sobre a população humana. Poderão ser coordenadas três actividades principais através da plataforma dos ensaios clínicos: a) desenvolvimento dos recursos humanos; b) mobilização social e delegação de poderes às comunidades como medida de apoio aos ensaios sobre a população; e c) melhoria das instalações e dos serviços dos organismos de investigação e dos estabelecimentos clínicos nos países em desenvolvimento.

3.3.3. Incentivos ao desenvolvimento de bens públicos mundiais específicos

(1) A UE estudará e analisará um conjunto de incentivos destinados a encorajar os

investimentos privados da indústria de investigação e desenvolvimento (I&D) em novos produtos destinados a fazer face às principais doenças transmissíveis nos países em desenvolvimento. Na sequência da adopção do novo quadro de acção política da Comunidade Europeia, o gabinete do Primeiro-Ministro do Reino Unido instituiu um grupo de trabalho destinado a examinar eventuais medidas de incentivo. Este grupo trabalhará em estreita cooperação com a Comissão e os outros Estados-Membros da UE. Esta iniciativa contribuirá significativamente para o exame por parte da UE de medidas de incentivo, tais como a extensão dos direitos de comercialização, capitais de risco, empréstimos bonificados, benefícios fiscais, mercados garantidos, etc.

(2) A Comissão incentivará e apoiará iniciativas destinadas a estabelecer um diálogo, na fase inicial, sobre os aspectos regulamentares relativos aos novos produtos destinados a lutar contra as três principais doenças transmissíveis. Esta medida será essencial para evitar atrasos a nível da autorização de novos produtos. A Comissão assegurará a participação neste diálogo dos organismos regulamentares dos países em desenvolvimento onde se realizam, ou está previsto realizar, os ensaios clínicos.

(3) A Comissão aumentará o seu apoio à análise económica da procura de bens públicos mundiais específicos nos países em desenvolvimento. A Comissão já colabora com o Banco Mundial no estudo da procura e da aceitação pública em pagar uma vacina contra a SIDA. Neste contexto, concede apoio a estudos destinados a melhorar o conhecimento do mercado e a avaliar o potencial impacto sobre a saúde, bem como a acessibilidade do preço, de uma vacina contra o VIH. Os resultados destas actividades de investigação proporcionarão muitas das informações necessárias aos responsáveis políticos nos países em desenvolvimento, bem como aos doadores.

(4) A Comissão participará no desenvolvimento de mecanismos de financiamento dos bens públicos mundiais específicos e garantirá que estes sejam postos à disposição da população dos

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países em desenvolvimento o mais rapidamente possível (em especial as vacinas contra a SIDA e a malária, o diagnóstico da tuberculose e os produtos de combate a estas doenças).

(5) Serão prosseguidas e reforçadas as actividade da equipa da Comissão de investigação para uma vacina contra a SIDA, bem como a cooperação com os Estados-Membros e outros parceiros, tais como a ONUSIDA, a IAVI e a GAVI. Essa equipa é responsável pelas diversas acções acima referidas, com o objectivo de acelerar o desenvolvimento e a disponibilização de uma vacina contra a SIDA nos países em desenvolvimento17.

(6) A plataforma de ensaios clínicos europeia funcionará como um incentivo e permitirá eliminar as importantes dificuldades científicas, tecnológicas e operacionais que se levantam ao desenvolvimento de produtos. Está previsto alargar a plataforma aos países em desenvolvimento.

3.4. PARTICIPAÇÃO EM PARCERIAS GLOBAIS: ELABORAÇÃO DE POLÍTICAS E

DIÁLOGO POLÍTICO

A Comunidade Europeia continuará a participar em iniciativas globais de luta contra as principais doenças transmissíveis no contexto da redução da pobreza. Para tal, a Comunidade Europeia:

(1) Promoverá a reforma da arquitectura financeira internacional, a fim de aumentar a disponibilidade e o desenvolvimento de bens públicos mundiais específicos (ver anexo 3) e de apoiar uma maior coordenação e eficácia do financiamento a nível internacional. A Comunidade Europeia concederá uma atenção especial no sentido de o apoio global permitir conjugar abordagens abrangentes em matéria de saúde a nível nacional e ser baseado na participação integral dos países em desenvolvimento e no seu controlo das iniciativas. Para tal, a Comissão continuará a participar activamente no grupo de trabalho dos membros do G8, que examinará a melhor forma de organizar o aumento das despesas e orientar os recursos globais para as três doenças transmissíveis. No âmbito da preparação da reunião do G8 em Génova (Julho de 2001), o grupo fará um balanço sobre as experiências realizadas com os mecanismos internacionais actualmente em vigor. Esta abordagem contribuirá de forma significativa para a avaliação pela própria Comissão das possibilidades de financiamento dos mecanismos globais;

(2) Reforçará as parcerias existentes com as organizações das NU, em especial com a OMS18 e a ONUSIDA. Os objectivos concretos consistem na coordenação mais eficaz dos esforços mundiais e no acompanhamento da aceleração da resposta, através dos fluxos de recursos e dos resultados em matéria sanitária;

(3) Manterá uma estreita cooperação com os EUA e o Japão, a fim de recolher apoio para uma repartição adequada dos encargos a nível mundial, a instituição de mecanismos de financiamento e o desenvolvimento de um sistema internacional de preços diferenciados para os medicamentos essenciais destinados aos países em desenvolvimento mais pobres (ver secção 3.2.1.). No caso dos Estados Unidos, tal deverá inscrever-se no âmbito da cooperação instituída

17

O BEI e a AEAM já fazem parte da equipa; por seu turno, os Estados-Membros e os participantes na IAVI, manifestaram um grande interesse a esse respeito.

18

A CE e a OMS intensificaram a sua cooperação no decurso do último ano. Em Dezembro de 2000, por meio de uma troca de cartas, foi assinado um memorando que define um quadro de cooperação. O memorando enuncia princípios e objectivos, identifica áreas para cooperação, estabelece procedimentos e define domínios prioritários de acção, incluindo aqueles que se encontram relacionados com as três principais doenças transmissíveis.

(15)

pela Cimeira UE-EUA sobre as três doenças transmissíveis, e realizar-se-á no âmbito da Nova Agenda Transatlântica19e das discussões do G8.

(4) Esta abordagem beneficiará a Comunidade Europeia, a comunidade internacional e os países beneficiários. Permitirá ainda facilitar um apoio técnico mais dinâmico por parte das NU e de outros doadores importantes, estabelecer um mecanismo financeiro mais eficaz para acelerar a concessão de recursos e reduzir os custos das transacções para os doadores e para os beneficiários. Paralelamente, contribuirá para reforçar o papel da Comunidade Europeia a nível da elaboração da política mundial.

4. INSTRUMENTOS

4.1. Selecção dos instrumentos de acção

A Comissão Europeia dispõe de uma vasta gama de instrumentos políticos, legislativos, regulamentares e financeiros susceptíveis de apoiar o programa de acção20. A selecção dos instrumentos a utilizar em relação a cada acção dependerá do nível de intervenção (nacional, regional e mundial), devendo ser precisada de acordo com os procedimentos previstos nos instrumentos correspondentes. Serão utilizados os seguintes instrumentos de ajuda ao desenvolvimento:

a) Reservas não utilizadas do 8º FED e recursos das rubricas orçamentais geográficas (ALA-MEDA). i) Acções específicas em apoio de iniciativas com parceiros novos ou habituais. Para este fim, estão a ser desenvolvidas linhas directrizes de programação específicas em matéria de saúde, de população e de SIDA.

ii) Neste contexto, as intervenções seguintes serão igualmente consideradas para efeitos de apoio financeiro:

– concessão de apoio técnico às reformas fiscais e instituição de outras medidas de incentivo financeiro para os países que aceitem suprimir os direitos aduaneiros sobre as importações de medicamentos;

– apoio técnico à execução do acordo TRIPS.

b) Recursos do 9º FED21, programa ALA-MEDA e rubricas orçamentais temáticas.

i) Propõe-se a afectação de uma parte substancial dos recursos a parcerias não tradicionais, por exemplo com o sector privado local nos países em desenvolvimento, a fim de utilizar abordagens inovadoras no domínio da comercialização social a nível nacional (ver 3.1.1).

19

Conclusões das Cimeiras UE-EUA realizadas em Queluz (Maio de 2000) e em Washington (Dezembro de 2000). 20

Ver a nota de pé de página 9. Os instrumentos de assistência ao desenvolvimento cuja utilização se propõe em apoio do programa de acção incluem: PIN-PIR e outros instrumentos do FED, tais como os Acordos de Parceria Económica Regional (APER) ou a nova facilidade de investimento do acordo de Cotonou. Deverão também ser utilizados os protocolos de cooperação técnica e financeira para a Ásia, a América Latina e o Mediterrâneo, as rubricas orçamentais temáticas e a ajuda humanitária gerida pelo ECHO. As autorizações encontram-se sujeitas aos critérios de elegibilidade especificados nos instrumentos aplicáveis. Para além dos instrumentos de assistência ao desenvolvimento, serão utilizados em apoio das medidas previstas o espaço europeu de investigação e os programas-quadro em matéria de investigação.

21

(16)

ii) Propõe-se ainda a afectação de um montante significativo à criação de uma parceria com a OMS para a concretização das acções destinadas a reforçar as políticas farmacêuticas a nível regional e nacional (ver 3.1.2).

iii) Embora preconize uma repartição internacional equitativa dos custos e a procura de um consenso coerente com a política da Comunidade Europeia definida no presente programa de acção, a Comissão considerará a possibilidade de contribuir, em cooperação com outros parceiros (ver 3.4), para um mecanismo global que permita a transferência de conhecimentos técnicos e de produtos.

c) Poderão ser realizadas diversas acções de apoio, tais como estudos de viabilidade, para reforçar a capacidade de produção dos países em desenvolvimento22. O programa ESIP, que terá início em 2001, em cooperação com o Banco Europeu de Investimento, poderá dar origem a relações comerciais.

d) No que se refere ao debate actual sobre a desvinculação da ajuda, com vista ao aumento das capacidades locais e à disponibilização de medicamentos a preços acessíveis, a Comissão propõe reproduzir o regime ACP nas regiões não ACP, o que permitirá às empresas dos países parceiros, bem como às empresas da UE, participarem em concursos. Além disso, a Comissão está a analisar a possibilidade de lançar, em todos os países em desenvolvimento, concursos para a adjudicação de contratos relativos a determinados serviços ou produtos (por exemplo, medicamentos contra o VIH/SIDA, a malária e a tuberculose). O objectivo é o de incentivar a produção e a acessibilidade desses bens ou serviços nos países ou regiões em desenvolvimento, bem como disponibilizá-los, com ou sem o apoio financeiro dos parceiros exteriores, a um preço acessível em todos os países em desenvolvimento.

Para além dos instrumentos de assistência ao desenvolvimento, serão utilizados em apoio das medidas previstas na secção 3.3 programas-quadro de investigação, de acordo com os objectivos do espaço europeu de investigação.

A plataforma de ensaios clínicos europeia (ver secção 3.3.1) procurará utilizar, para além dos fundos afectados à investigação e, sempre que possível, os recursos financeiros dos fundos de desenvolvimento da Comunidade, das parcerias entre os sectores público e privado ou outras. Esses recursos financeiros necessários para a realização de ensaios em grande escala sobre a população.

4.2. Parceria, apropriação e acompanhamento de uma resposta eficaz por parte da Comunidade Europeia

Deve assinalar-se que a maior parte dos instrumentos e recursos para o desenvolvimento referidos apenas serão "activados" a pedido dos parceiros internacionais ou dos países em desenvolvimento. Muitos destes parceiros manifestaram interesse nas acções previstas no presente programa de acção. Este interesse em colaborar com a Comunidade Europeia é acompanhado de um pedido claro de utilização de instrumentos e acordos de parceria "favoráveis ao utilizador" e "orientados para a acção". A fim de assegurar uma apropriação integral a nível dos países, é essencial que os parceiros dos países em desenvolvimento continuem a participar na identificação de acções específicas.

Até à data, a Comissão não conseguiu elaborar instrumentos financeiros eficazes para investir em iniciativas globais. A utilização de rubricas orçamentais temáticas de pequena dimensão permitiu superar este desequilíbrio, embora apenas de forma parcial. Os mecanismos globais poderão permitir à

22

(17)

Comissão aumentar as suas despesas no domínio da ajuda ao desenvolvimento e reduzir os custos de funcionamento graças à cooperação com as actividades dos Estados-Membros.

Para além da necessidade de dispor de instrumentos de financiamento flexíveis, é ainda necessário efectuar um trabalho considerável para garantir a abertura de um "diálogo político" e a utilização dos instrumentos necessários à sua promoção. A adequação dos regimes institucionais e dos recursos constituirá uma questão central no âmbito da execução e do controlo do presente programa de acção.

5. CONCLUSÃO

A execução bem sucedida do presente programa de acção no decurso dos próximos cinco anos (2002-2006) contribuirá significativamente para os esforços globais no sentido da resolução da crise de desenvolvimento suscitada pelo VIH/SIDA, pela malária e pela tuberculose. A Comissão propõe um quadro político coerente para orientar a acção acelerada da Comunidade, tendo assumido a direcção dos trabalhos tendentes a coordenar mais eficazmente as reacções dos países e da comunidade internacional. Os países em desenvolvimento e as populações desfavorecidas mais afectados necessitam de um apoio coordenado numa escala sem precedentes. Tal exige um forte empenho da parte dos países, dos Estados-Membros e dos doadores bilaterais e multilaterais.

(18)

Anexo 1: Programa de acção – Matriz IMPACTO (1/2)

ACTIVIDADES INCIDÊNCIA GEOGRÁFICA

CALENDÁRIO PARCERIAS ACOMPANHAMENTO/RESULTADOS III. 1.1 - Optimização do impacto das

intervenções SSP dirigidas às principais doenças transmissíveis e à redução da pobreza.

Desembolso rápido. A Comissão identificará as oportunidades de orientar os recursos não utilizados para as principais doenças transmissíveis.

1. Os serviços da Comissão prestarão uma orientação específica às Delegações da CE. Os países parceiros serão incentivados a lutar contra as doenças transmissíveis no âmbito de documentos de estratégia nacionais sensíveis à questão da igualdade entre homens e mulheres e orientados para as necessidades das populações mais pobres.

2. A Comissão celebrará acordos de cooperação para efeitos de programação.

3. A Comissão facilitará o financiamento de parcerias inovadoras.

4. A Comissão concederá a prioridade às intervenções SSP no âmbito da ajuda global ao desenvolvimento.

5. A Comunidade Europeia esforçar-se-á por melhorar a articulação entre os mecanismos globais existentes e os esforços desenvolvidos

1) Todos os países em desenvolvimento. 2) Todos os países em desenvolvimento. 3) Todos os países em desenvolvimento. 4) Em especial, África subsariana e Sul da Ásia. 5) Todos os países em desenvolvimento. Ver 3.4 1) Março de 2001-Dezembro de 2001 2) Março de 2001 3) Fevereiro de 2001 – Julho de 2001 4) Permanente a partir de Março de 2001 5) Março de 2001-2006 1) Todos os países em desenvolvimento. 2) Todos os países em desenvolvimento, outros doadores. 3)OMS-ONUSIDA-Esta-dos-Membros.

4) Sociedade civil, sector privado, agências das NU.

5) Todos os países em desenvolvimento, outros doadores.

Ver 3.4

1.1 Aumento dos desembolsos SSP em 50 % até ao final de 2001.

1.2 Encerramento ou reorientação dos programas inactivos (20) até ao final de 2001.

2.1 Estabelecimento e aplicação de linhas directrizes de programação.

2.2. Aumento dos DEN sensíveis à questão da igualdade entre homens e mulheres e orientados para as necessidades das populações mais pobres que incluem intervenções SSP.

2.3 Reforço e formação do pessoal das Delegações. 3) Estabelecimento de parcerias e/ou de acordos de financiamento.

4) Programação dos recursos, identificação dos parceiros.

5) Aumento das autorizações SSP dos actuais 8% para um nível adequado ao aumento da capacidade de execução.

(19)

pelos países terceiros. Ver 3.4

(20)

Programa de acção – IMPACTO (2/2) ACTIVIDADES INCIDÊNCIA GEOGRÁFICA CALENDÁ-RIO PARCERIAS CE, países em desenvolvimento ACOMPANHAMENTO/RESULTA-DOS

III.1.2 Reforço das políticas em matéria farmacêutica.

1. Cooperação regional, reforço das capacidades, assistência financeira e técnica. 2. Melhoria e reforço da política relativa aos medicamentos essenciais e dos regimes regulamentares

3. Aperfeiçoamento da política global relativa aos medicamentos essenciais em benefício dos países em desenvolvimento mais pobres. 4. Desenvolvimento de sistemas destinados a impedir o desvio de produtos que beneficiam de preços diferenciados.

As acções serão essencialmente

executadas a nível regional e visarão a África e o Sul da Ásia, tendo em conta os efeitos devastadores das três doenças nas duas regiões, bem como os factores de

pobreza que as caracterizam. Ver 3.2.3. Junho de 2001-Junho de 2002. Ver 3.2.3.

Para todas as acções: OMS

UNICEF, ONUSIDA, indústria.

Ver 3.2.3.

1. Estabelecimento de parcerias. 2.1. Conclusão de um acordo com a OMS. 2.2. Revisão da LME pela OMS até ao final de 2002.

3. Identificação de parcerias com a UNICEF, a ONUSIDA e a indústria.

4. Ver 3.2.3.

III.1.3 Desenvolvimento da capacidade de produção local.

1. Apoio à realização de análises sectoriais e de estudos de mercado; diálogo e identificação das oportunidades comerciais existentes.

2. Apoio ao desenvolvimento de planos comerciais sólidos.

As acções serão executadas a nível regional, com uma orientação geográfica específica para os países com em que já existe uma capacidade local de produção (quer no sector privado, quer no sector público). Para todas as acções: Março de 2002 a Janeiro de 2006 As parcerias associarão simultaneamente a indústria de genéricos, a indústria baseada na investigação (da UE ou de países terceiros), os organismos regionais pertinentes, a Comissão, os Estados-Membros da UE, o Banco Europeu

1. Finalização dos estudos de viabilidade prévia.

2.1 Identificação dos países para os planos comerciais.

(21)

3. Promoção de acordos de licença e de empresas comuns através da concessão de incentivos adequados. de Investimentos (BEI) e as outras instituições financeiras. Parceiros industriais.

2.2 Aprovação dos planos comerciais. 3. Promoção de acordos de licença e de empresas comuns.

(22)

Programa de acção – ACESSIBILIDADE DOS PREÇOS (1/1) ACTIVIDADES INCIDÊNCIA

GEOGRÁFICA

CALENDÁRIO PARCERIAS ACOMPANHAMENTO/ RESULTADOS III.2.1 Preços diferenciados.

1. Liderar os esforços internacionais no sentido da instituição de um sistema mundial de preços diferenciados.

2. Instituir salvaguardas adequadas contra o desvio dos produtos.

III.2.2 Impostos e direitos aduaneiros.

1. Análise do impacto.

III.2.3 Legislação relativa à propriedade intelectual.

1. Apoio à execução do TRIPS.

2. Discussão das relações entre o acordo TRIPS e a protecção da saúde pública.

Acções a nível mundial em benefício dos países em desenvolvimento. 1. UE, OCDE e países do G8. 2. Países importadores e exportadores. Países em desenvolvimento. 1. Início em Setembro de 2000; em curso. 2. A partir de Março de 2001. A partir de Março de 2001. A partir de Março de 2001. A partir de Novembro de 2001. 1. UE, indústria de genéricos e indústria baseada na investigação, G8, OCDE e países em desenvolvimento. 2. UE, indústria, OCDE,

G8 e países em

desenvolvimento.

UE, organizações internacionais, países em desenvolvimento. OMC, OMPI e países em desenvolvimento. Quarta Conferência Ministerial da OMC, OMS, OMPI, sociedade civil, indústria, UE.

1. Compromissos por parte da indústria e das autoridades dos países em desenvolvimento.

Redução dos preços ao público.

Concessão de AT sempre que necessário.

(23)

Programa de acção – INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO (1/2)

ACTIVIDADES INCIDÊNCIA

GEOGRÁFICA

CALENDÁRIO PARCERIAS

ACOMPANHAMEN-TO/RESULTADOS III.3.1 – Reforço do apoio à investigação e ao

desenvolvimento.

1. Aumento do apoio à investigação de base e estratégica.

2. Criação de uma plataforma de ensaios clínicos europeia.

III.3.2 – Reforço da capacidade nos países em desenvolvimento.

1. Apoio às actividades de investigação sensíveis à questão da igualdade entre homens e mulheres e orientadas para as necessidades das populações mais pobres.

2. Reforço das capacidades (igualdade de oportunidades entre homens e mulheres).

III.3.3 – Apoio ao desenvolvimento de bens públicos mundiais específicos.

1. A CE examinará e desenvolverá um conjunto de medidas de incentivo.

2. Diálogo na fase inicial sobre aspectos regulamentares.

3. Análise económica da procura.

Todas as acções beneficiarão o conjunto da população, em especial a dos países em desenvolvimento mais pobres.

Em curso e com continuação até Março de 2001 – Março de 2003. 1) Preparação a partir de 2001, com incentivos em vigor a partir de 2002. 2) Início em Janeiro de 2001, devendo a reunião de Fevereiro da OMS ser tomada em conta.

3) 1-6 meses a partir de Fevereiro de 2001.

Estados-Membros da UE,

Comunidade Europeia, G8, países em desenvolvimento, OMS, ONUSIDA, de acordo com os objectivos do espaço europeu de investigação.

1) Parceria com os Estados-Membros, os países em desenvolvimento, a OMS e outros.

2) Diversas parcerias financeiras.

3) Grupo de trabalho do gabinete do Primeiro-Ministro do RU, em estreita

cooperação com outros

Estados-Membros da UE. 4) Idem.

Todas as actividades de I&D serão avaliadas através de uma revisão externa, de acordo com critérios pré-definidos.

(24)

4. Desenvolvimento de mecanismos de financiamento conjuntos.

5. Reforço da equipa especial para a vacina contra a SIDA.

4) Início em Janeiro de 2001, devendo a reunião de Fevereiro da OMS ser tomada em conta.

5) A partir de Janeiro de 2001.

5) Nova parceria operacional em apoio ao desenvolvimento de uma nova vacina contra a SIDA, em especial com a IAVI e a ONUSIDA.

(25)

Programa de acção – MECANISMOS GLOBAIS (1/1) ACTIVIDADES INCIDÊNCIA

GEOGRÁFICA

CALENDÁRIO PARCERIAS ACOMPANHAMEN-TO/RESULTADOS III.4. Participação em parcerias mundiais.

1. A CE promoverá a reforma da arquitectura financeira internacional, a fim de incentivar o desenvolvimento e a disponibilização de bens públicos mundiais.

2. A CE reforçará a sua parceria com as organizações das NU.

3. A CE prosseguirá a sua cooperação com os EUA e o Japão, em especial no que se refere à questão dos preços diferenciados.

Para todas as acções. Acções mundiais em favor das populações mais pobres e mais afectadas pelas três principais doenças transmissíveis.

1. De forma contínua a partir de Janeiro de 2001.

2. Até Julho de 2001.

3. De forma contínua a partir de Novembro de 2000.

1. G8 e Estados europeus.

2. Com as organizações das NU, em especial a OMS e a ONUSIDA. 3. UE/EUA e Japão.

1.1 Instituição de uma repartição equitativa dos encargos.

1.2 Política coerente entre os parceiros globais. 2. Estabelecimento de parcerias com as NU. 3. Elaboração de uma posição comum

UE/EUA/Japão em matéria de preços diferenciados.

(26)

Anexo 2: Princípios de base aplicáveis às iniciativas em matéria de saúde, de SIDA e de população

(1) O apoio aos programas SSP baseia-se na estratégia de desenvolvimento estabelecida por cada país no sentido da redução da pobreza e da promoção da igualdade entre homens e mulheres, independentemente da forma como estes objectivos de manifestam e de se encontrarem ou não incluídos num quadro global de desenvolvimento, numa estratégia de redução da pobreza, ou num plano nacional de desenvolvimento. A apropriação dos participantes nacionais é essencial.

(2) A abordagem adoptada para lidar eficazmente com o problema das doenças

transmissíveis a nível nacional será contextualizada. A forma mais adequada de desenvolvimento da acção acelerada deverá partir dos elementos existentes e empregar toda uma gama de intervenções, mecanismos de financiamento e parceiros.

(3) Os países em que já existem políticas e instituições efectivas, bem como uma coordenação orçamental permanente ou não, serão apoiados através do mecanismo da sua escolha. Nos países caracterizados pela ausência de políticas coerentes e pela debilidade dos mecanismos e/ou instituições, ou nos países em crise, a ajuda será concedida através de parcerias com as ONG e/ou as agências das NU.

(4) As políticas e as práticas existentes em matéria de saúde, SIDA e população determinarão os eventuais instrumentos e redes de apoio.

(5) Deverão ser apoiadas as iniciativas destinadas a reforçar os sistemas de saúde e a desenvolver as capacidades nacionais. A prestação de um apoio efectivo permitirá obter resultados sanitários, que serão objecto de um acompanhamento.

(6) Uma acção coerente apoiará um quadro comum, em parceria com todos os

participantes - entidades estatais e privadas, sectores público e privado, doadores e agências internacionais.

(7) A concessão de um apoio eficaz orientado para o combate à pobreza deverá contribuir para outros resultados importantes em matéria de desenvolvimento, tais como a promoção dos direitos humanos, a igualdade entre homens e mulheres, os direitos das crianças e a dimensão ambiental.

(8) Os parceiros deverão recorrer a abordagens imaginativas que proporcionem resultados equitativos em matéria de saúde, sejam razoáveis de um ponto de vista financeiro, respondam às necessidades da população e reunam os recursos de todos os eventuais participantes.

(9) A Comissão convidará os Estados-Membros interessados na cooperação em

actividades susceptíveis de proporcionar resultados a curto prazo a desenvolverem mecanismos flexíveis de apoio aos países parceiros interessados (co-financiamento, observadores, assistência técnica, etc.).

(27)

Anexo 3: Definições e precisões terminológicas a) Bens públicos mundiais

"Bens públicos" são bens que beneficiam o conjunto da sociedade. O conceito de "bens públicos nacionais", tais como a manutenção da lei e da ordem, não é novo. Contudo, num mundo cada vez mais interligado e interdependente, cada vez é maior a atenção prestada aos "bens públicos mundiais". Os exemplos vão do controlo das doenças transmissíveis ao estabelecimento de uma estabilidade financeira global, à protecção do ambiente e à prevenção de conflitos1.

Os conhecimentos técnicos necessários para apoiar os "bens públicos mundiais" serão benéficos para todas as populações, independentemente de quem financia o seu desenvolvimento. Tal cria um problema de "aproveitamento", situação em que tanto os cidadãos como as autoridades estatais procuram pagar menos do que o valor dos benefícios de que auferem. Em especial no que se refere ao exemplo das vacinas contra o VIH/SIDA e a malária, é pouco provável que o sector privado recupere os custos de investigação e de desenvolvimento em tecnologias sanitárias que beneficiarão essencialmente os países e as populações de menores recursos financeiros.

Em última análise, a solução implica que os países, os doadores e o sector privado assumam uma responsabilidade comum e partilhem os custos relacionados com o desenvolvimento e a disponibilização de "bens públicos mundiais". Assim, a melhor resposta ao problema poderá consistir numa abordagem coordenada através de um instrumento público de responsabilidade comum.

b) Produção local

A produção local refere-se ao fabrico de medicamentos essenciais (incluindo bens mundiais, tais como novas vacinas) de acordo com a legislação nacional e com as obrigações internacionais aplicáveis, se for caso disso. Inclui a produção local de produtos sob patente ao abrigo de acordos de licença e no âmbito de empresas comuns, bem como outras actividades, tais como a re-etiquetagem e a re-embalagem.

No âmbito do presente programa de acção, a concessão de apoio à produção local de medicamentos essenciais de baixo custo implica mais do que o simples aumento da capacidade de produção local. Trata-se, antes do mais e essencialmente, de uma questão de desenvolvimento industrial que implica uma transferência de tecnologia entre a indústria europeia e a indústria dos países em desenvolvimento, a promoção da cooperação Sul-Sul e a ajuda à integração dos países em desenvolvimento na economia mundial. De facto, os países relativamente avançados em termos de capacidade local de produção e cujas empresas beneficiam de apoio no âmbito do presente programa, devem estar preparados para prestar assistência técnica e participar em empresas comuns para a transferência de tecnologia em benefício dos países mais pobres.

1

"Eliminating World Poverty: Making Globalisation Work for the Poor", Livro Branco sobre o

(28)

Anexo 4: Acrónimos

ACP África, Caraíbas e Pacífico

AEAM Agência Europeia de Avaliação dos

Medicamentos

ALA Programa de cooperação para o

desenvolvimento com a Ásia e a América Latina

APER Acordo de Parceria Económica Regional

BEI Banco Europeu de Investimento

CAD Comité de Ajuda ao Desenvolvimento

CE Comunidade Europeia

CNUCED Conferência das Nações Unidas sobre o

Comércio e o Desenvolvimento

DEN Documento de estratégia nacional

DERP Documento de Estratégia de Redução da

Pobreza

DG Direcção-Geral

EBAS Regime de assistência às empresas UE-ACP

ECHO Serviço Humanitário da Comunidade

Europeia

ESIP Programa de promoção do investimento EU

SADC

FED Fundo Europeu de Desenvolvimento

GAVI Aliança mundial para as vacinas e a

imunização

G8 Grupo dos sete países mais industrializados

(G7) e da Rússia

I&D Investigação e desenvolvimento

IAVI Iniciativa internacional relativa à vacina

contra a SIDA

LME Lista dos medicamentos essenciais

MEDA Programa de cooperação para o

desenvolvimento com os países terceiros mediterrânicos

NU Nações Unidas

OBC Organização de base comunitária

OCDE Organização de Cooperação e de

Desenvolvimento Económicos

OMC Organização Mundial do Comércio

OMPI Organização Mundial da Propriedade

Intelectual

OMS Organização Mundial da Saúde

ONG Organização não governamental

ONUSIDA Programa conjunto das Nações Unidas sobre

o VIH/SIDA

PIN Programa indicativo nacional

PIR Programa Indicativo Regional

PMD Países menos desenvolvidos

(29)

Austral

SIDA Síndroma de imunodeficiência adquirida

SSP Saúde, SIDA e População

TRIPS Acordo sobre os aspectos dos direitos de

propriedade intelectual relacionados com o comércio

UE União Europeia

UNICEF Fundo das Nações Unidas para a Infância

Imagem

Referências