PlanificaSUS
VOLUME 1
GUIA PARA
OFICINAS TUTORIAIS
GUIA PARA
OFICINAS TUTORIAIS
VOLUME 1
© 2020 Ministério da Saúde. Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein
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Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein
PLANIFICASUS: GUIA PARA OFICINA TUTORIAL. / Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. São Paulo: Hospital Israelita Albert Einstein: Ministério da Saúde, 2020.
80 p.: il.
1. Atenção à Saúde 2. Redes de Atenção à Saúde 3. Sistema Único de Saúde I. Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein – SBIBAE.
ELABORAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E INFORMAÇÕES:
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Secretaria de Atenção Primária à Saúde Departamento de Saúde da Família Esplanada dos Ministérios, bloco G Ed. Sede MS – 7º andar
CEP: 70.058-900 – Brasília, DF, Brasil Fone: (61) 3315-9031
Site: aps.saude.gov.br
SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA ALBERT EINSTEIN
Instituto Israelita de Responsabilidade Social Avenida Brigadeiro Faria Lima, 1.188 – 3º andar CEP: 01451-001 – São Paulo, SP, Brasil Fone: (11) 2151-4573
Site: www.einstein.br
EQUIPE DE TRABALHO
Coordenador e Revisor Final:
Marcio Anderson Cardozo Paresque
Elaboração Técnica:
Aline Teles de Andrade
Emanuela Brasileiro de Medeiros Larissa Karollyne de Oliveira Santos Marcio Anderson Cardozo Paresque Marco Antônio Bragança de Matos Priscila Rodrigues Rabelo Lopes Rubia Pereira Barra
Revisão Técnica:
Adriana Paula de Almeida Aline Teles de Andrade
Emanuela Brasileiro de Medeiros Evelyn Lima de Souza
Larissa Karollyne de Oliveira Santos
Apoio Administrativo
Adriane Reis Arcos
Jonny William de Souza Domingos Rebeca Correia Cardoso
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A Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein (SBIBAE) foi fundada em 1955 e tem como missão oferecer
excelência de qualidade no âmbito da saúde, da geração do conhecimento e da responsabilidade social, como forma
de evidenciar a contribuição da comunidade judaica à sociedade brasileira. Apresenta como pilares o Hospital Israelita
Albert Einstein, a Medicina Diagnóstica, o Ensino e Pesquisa, a Consultoria e a Responsabilidade Social.
A Diretoria de Responsabilidade Social desenvolve várias atividades relacionadas ao Sistema Único de Saúde
(SUS). Dentre elas, estão, por exemplo, projetos ligados ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional
do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), desenvolvido pelo Ministério da Saúde para colaborar com o
fortalecimento do SUS.
O projeto A Organização da Atenção Ambulatorial Especializada em Rede com a Atenção Primária à Saúde
(PlanificaSUS) – via PROADI-SUS, executado pela SBIBAE, tem como objetivo geral implantar a metodologia de
Planificação da Atenção à Saúde (PAS), proposta pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), em
Regiões de Saúde das 27 Unidades Federativas (UF), fortalecendo o papel da Atenção Primária à Saúde (APS) e
a organização da Rede de Atenção à Saúde (RAS) no SUS. A SBIBAE é o executante do projeto, solicitado pelo
CONASS e acompanhado e monitorado pelo Departamento de Saúde da Família da Secretaria de Atenção Primária
à Saúde do Ministério da Saúde.
A PAS tem como objetivo apoiar o corpo técnico-gerencial das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, na
organização dos macroprocessos da APS e da Atenção Ambulatorial Especializada (AAE). Permite desenvolver a
competência das equipes para o planejamento e a organização da atenção à saúde, com foco nas necessidades
dos usuários sob sua responsabilidade, baseando-se em diretrizes clínicas, de acordo com o Modelo de Atenção
às Condições Crônicas (MACC). Nesse sentido, as atividades da planificação podem ser compreendidas como
um momento de discussão e mudança no modus operandi das equipes e dos serviços, buscando a correta
operacionalização de uma dada Rede de Atenção.
A fundamentação teórica de referência para o diálogo entre a construção social da APS e o cuidado das condições
crônicas perpassa a edificação do MACC proposto por Eugênio Vilaça Mendes para o SUS, a partir dos modelos da
Pirâmide de Riscos da Kaiser Permanente,
[1]de Cuidados Crônicos
[2]e sobre os Determinantes Sociais da Saúde.
[3]Esses modelos estão descritos nos livros publicados pelo CONASS e pela Organização Pan-Americana da Saúde
(OPAS), com foco na implantação das RAS, a saber: As Redes de Atenção à Saúde,
[4]O Cuidado das Condições
Crônicas na Atenção Primária à Saúde
[5]e A Construção Social da Atenção Primária à Saúde.
[6]O PlanificaSUS – Fase 1 foi operacionalizado por meio de uma etapa preparatória e em quatro etapas operacionais
com ciclos de workshops, oficinas tutoriais, etapa controle e curso curto. O público-alvo foi constituído pelos
profissionais dos serviços de APS e AAE e os profissionais dos demais serviços relacionados à Linha de Cuidado
definida como prioritária, além de profissionais da gestão.
Os
workshops são os momentos de alinhamento teórico, que abordam os conceitos centrais do PlanificaSUS.
São utilizados trabalhos em grupo, estudos dirigidos, estudos de caso, dramatizações, leitura de textos de apoio
e debates, com apresentação e sistematização das discussões em plenária, além de aulas interativas. Os temas
abordados nos workshops têm continuidade nas discussões das oficinas tutoriais.
Nas oficinas tutoriais, acontecem momentos técnicos operacionais de tutoria nos serviços da RAS, em que
os tutores, junto dos trabalhadores, utilizam-se de ferramentas para planejar, executar e monitorar as ações
relacionadas à temática trabalhada do processo de trabalho. Não se trata de um processo de fiscalização ou de
avaliação de desempenho, e nem mesmo de definição sobre o que os profissionais devem fazer. Pelo contrário, é
um “fazer junto”, sem substituir o profissional em suas funções e responsabilidades, ajudando-o na reflexão sobre
a própria prática, na identificação de fragilidades e nas ações corretivas necessárias. O objetivo é o de fortalecer
as competências de conhecimento, habilidade e atitude.
Além dos
workshops e oficinas tutoriais, foi utilizada a estratégia de cursos curtos, abordando o conhecimento
de temas específicos e treinamento de habilidades relativas a processos pertinentes para a organização dos
macroprocessos. Nessa fase, foi desenvolvido e realizado apenas um curso, cujo tema foi a estratificação de
risco, sendo o material elaborado pela Equipe PlanificaSUS, com a execução sob responsabilidade da Secretaria
de Saúde do Estado de cada região. Os cursos sempre devem ser desenvolvidos visando à integração entre as
equipes da APS e AAE.
6
GUIA PARA OFICINA TUTORIALO projeto reúne um conjunto de ações educacionais, baseadas em metodologias ativas, voltadas para o
desenvolvimento de competências (conhecimento, habilidade e atitude) necessárias para a organização e a
qualificação dos processos assistenciais. Baseando-se no princípio da andragogia, são utilizadas práticas de
problematização, que proporcionam ação reflexiva dos participantes. Propõe-se o desenvolvimento de ações
concretas, a partir de um processo de planejamento estratégico e participativo. Além dos eixos de ensino e
tutoria, o PlanificaSUS também possui os eixos de gestão e saúde populacional de dados, gestão de evidências e
administrativo-financeiro. Este primeiro volume do guia apresenta o passo a passo para a realização das oficinas
tutoriais das etapas preparatória, 1, 2.1 e 2.2.
Ao final do PlanificaSUS, a Região de Saúde deve apresentar as unidades da APS e da AAE com seus macroprocessos
organizados e integrados a partir do MACC, permitindo melhor gestão do cuidado oferecido aos usuários, à família
e à comunidade, além da aptidão para que eles deem continuidade à expansão da metodologia para as demais
regiões de seus estados.
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AAE Atenção Ambulatorial Especializada
APS Atenção Primária à Saúde
eSF equipe de Estratégia da Saúde da Família
ESF Estratégia Saúde da Família
MACC Modelo de Atenção às Condições Crônicas PASA Ponto de Atenção Secundária Ambulatorial PEC Prontuário Eletrônico do Cidadão
PlanificaSUS A Organização da Atenção Ambulatorial Especializada em Rede com a Atenção Primária à Saúde PNAB Política Nacional de Atenção Básica
POP Procedimento Operacional Padrão
RAS Rede de Atenção à Saúde
Remume Relação Municipal de Medicamentos Essenciais Rename Relação Nacional de Medicamentos Essenciais
RUE Rede de Urgência e Emergência
SMS Secretaria Municipal da Saúde
SES Secretaria de Estado da Saúde
SUS Sistema Único de Saúde
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◼ APRESENTAÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
◼ LISTA DE SIGLAS . . . 7
◼ SUMÁRIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
◼ 1. INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
◼ 2. O PROCESSO DE TUTORIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
◼ 3. O CAMPO DE TRABALHO DO TUTOR. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .25
◼ 4. O PROCESSO DE TUTORIA NO PLANIFICASUS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .29 4.1 MATRIZ 5W2H . . . .33 4.2 INSTRUMENTOS DA TUTORIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .33 I. MATRIZ DE GERENCIAMENTO DA TUTORIA . . . .33
II. PLANO DE AÇÃO . . . .34 III. PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS PADRÃO. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .36 IV. FLUXOGRAMA. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .36
◼ 5. A ESTRUTURA DO PLANIFICASUS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 5.1 ETAPA PREPARATÓRIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41 I. OFICINA TUTORIAL PREPARATÓRIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .43 5.2 ETAPA OPERACIONAL 1 . . . 51 I. OFICINA TUTORIAL – ETAPA 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .53 5.2 ETAPA OPERACIONAL 2 . . . .59 I. OFICINA TUTORIAL – ETAPA 2.1. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 II. OFICINA TUTORIAL – ETAPA 2.2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
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O projeto A Organização da Atenção Ambulatorial Especializada em Rede com a Atenção Primária à Saúde
(PlanificaSUS) se propõe como método para fortalecer a Atenção Primária à Saúde (APS) como ordenadora
da Rede de Atenção à Saúde (RAS)
[7]e a Estratégia Saúde da Família (ESF) como um modelo abrangente que
permite o acesso da população, sendo disponível para criar vínculos de corresponsabilidade com as pessoas e
suas famílias e capaz de identificar suas necessidades de saúde, além de oferecer uma resposta de qualidade,
contínua e integral para a maior parte das demandas e de forma integrada aos demais pontos da rede.
Para isso, busca suas fundamentações na proposta da construção social da APS e no modelo Ponto de Atenção
Secundária Ambulatorial (PASA), ambos sistematizados por Mendes
[8]para a implantação das RAS.
O primeiro modelo se desenvolve em momentos ou etapas de organização dos macroprocessos da APS, utilizando
a metáfora da construção de uma casa (Figura 1). Inicialmente, deve-se construir um alicerce, que garante a
solidez da APS. Isso significa implantar mudanças estruturais e de macro e microprocessos da APS. A partir desse
alicerce, edificam-se as paredes, o teto, o telhado, a porta e as janelas.
A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
1
Macroprocessos e microprocessos básicos da
Atenção Primária à Saúde
2
Macroprocessos de atenção aos eventos agudos
3
Macroprocessos de atenção às condições crônicas
não agudizadas, enfermidades e
pessoas hiperutilizadoras
4
Macroprocessos de atenção preventiva
5
Macroprocessos de demandas administrativas
6
Macroprocessos de atenção domiciliar
7
Macroprocessos de autocuidado apoiado
8
Macroprocessos de cuidados paliativos
5
4
3
2
1
6
8
7
Fonte: Mendes et al.[8]
Figura 1. A metáfora da casa na construção social da Atenção Primária à Saúde.
Cada um dos momentos da construção congrega uma parte dos processos que devem ser organizados pela
equipe da APS na unidade de saúde e no território de abrangência, como descrito no quadro 1, e permitir respostas
satisfatórias às diferentes demandas da população.
18
GUIA PARA OFICINA TUTORIALQuadro 1. Macro e microprocessos da Atenção Primária à Saúde. Os macroprocessos básicos são:
●Territorialização
●Cadastramento das famílias ●Classificação de riscos familiares ●Diagnóstico local
●Identificação das subpopulações-alvo por fator de risco ou condições de saúde ●Programação e monitoramento por estratos de riscos
●Agenda de atendimentos
●Organização da carteira de serviço da unidade ●Contratualização das equipes
●Educação permanente dos profissionais de saúde
Os microprocessos básicos são:
●Recepção ●Acolhimento e preparo ●Vacinação ●Curativo ●Farmácia ●Coleta de exames ●Procedimentos terapêuticos ●Higienização das mãos ●Higienização e esterilização ●Gerenciamento de resíduos
Macroprocessos de atenção aos eventos agudos (condições agudas e condições crônicas agudizadas):
●Acolhimento ●Classificação de risco
●Atendimento aos eventos agudos de menor gravidade
●Primeiro atendimento aos eventos agudos de maior gravidade e encaminhamento, se necessário, para pronto atendimento ou pronto-socorro ●Integração vertical com os pontos de urgência da Rede de Atenção
Macroprocessos de atenção às condições crônicas não agudizadas, pessoas hiperutilizadoras e com enfermidades:
●Gestão das condições crônicas de saúde ●Estratificação de risco
●Elaboração e monitoramento dos planos de cuidados ●Autocuidado apoiado
●Gestão de caso das condições de maior complexidade
●Novos formatos da clínica: atenção contínua e atenção compartilhada em grupo ●Integração vertical com a Atenção Ambulatorial Especializada
●Matriciamento com a equipe de Atenção Especializada ●Atenção à distância
●Educação em saúde: grupos operativos e educação popular, mapa de recursos comunitários ●Abordagem das pessoas hiperutilizadoras e com enfermidades
Macroprocessos de atenção preventiva relativos aos principais fatores de risco proximais e aos fatores individuais biopsicológicos:
●Programa de atividade física ●Programa de reeducação alimentar ●Manejo do sobrepeso ou obesidade ●Programa de controle do tabagismo
●Programa de controle do álcool e outras drogas ●Programas de rastreamento
●Vacinação
●Controle das arboviroses
●Prevenção primária, secundária, terciária e quaternária
Macroprocessos de demandas administrativas:
●Assistenciais: atestados médicos, renovação de receitas, análise de resultados de exames e relatórios periciais
●Gestão da unidade: registro sanitário, cadastro nacional de estabelecimentos de saúde, segurança do trabalho, sistemas de informação
e relatórios de gestão, prontuário
●Organização do Núcleo de Qualidade e Segurança
Macroprocessos de atenção domiciliar:
●Visita domiciliar ●Assistência domiciliar ●Internação domiciliar ●Vigilância domiciliar
Macroprocessos de autocuidado apoiado:
●Ações educacionais e intervenções de apoio voltadas para o conhecimento, o desenvolvimento de habilidades e o aumento da confiança
do usuário no gerenciamento da própria situação de saúde
●Plano de autocuidado apoiado
Macroprocessos de cuidados paliativos:
●Abordagens para melhoria da qualidade de vida, visando ao conforto do usuário, à prevenção e ao alívio do sofrimento, à prevenção de
agravos e incapacidades, e à promoção da independência e da autonomia
●Ações de suporte familiar
●Mobilização da rede social de suporte
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O modelo PASA confronta com as ideias de senso comum do modelo vigente dos centros de especialidades médicas,
inovando em vários aspectos: planejamento a partir das necessidades de saúde da população; integração com
os demais pontos da Rede de Atenção, principalmente com a APS, com a qual constitui um único microssistema
clínico de saúde; papel interconsultor, a partir das demandas coordenadas pelas equipes da APS considerando
a estratificação de risco das condições crônicas; atuação por meio de equipe multiprofissional e trabalho em
equipe interprofissional; decisões clínicas ancoradas em diretrizes clínicas e utilização de ferramentas da gestão
da clínica.
Operacionalmente, desenvolve quatro macroprocessos ou funções:
1. Função assistencial.
2. Função educacional.
3. Função supervisional.
4. Função de pesquisa.
A figura 2 apresenta um diagrama representativo das funções da Atenção Ambulatorial Especializada (AAE).
Fonte:Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.[9]
APS: Atenção Primária à Saúde; ESF: Estrategia Saúde da Família.
20
GUIA PARA OFICINA TUTORIALA função assistencial é desempenhada por uma equipe multiprofissional, que atua de maneira interdisciplinar,
e interprofissional, aprofundando o manejo clínico dos usuários. A função educacional é desenvolvida para
profissionais da APS e da AAE e para os usuários atendidos no ambulatório. A terceira função supervisional envolve
ações de apoio institucional às equipes da APS e o monitoramento cruzado entre a APS-AAE e o usuário, em
relação aos serviços da APS e AAE. Embora a função de pesquisa clínica e operacional não esteja representada,
ela é de grande relevância, tendo papel transversal junto às outras.
Outro ponto de fundamentação para o PlanificaSUS se refere aos microssistemas clínicos de saúde, definidos
como o lugar em que um pequeno grupo de pessoas trabalha junto e, de forma regular, encontram pessoas
usuárias e prestam a elas cuidados de saúde.
[4]O microssistema clínico é descrito em cinco componentes,
ou “5 Ps” (propósito, pessoas usuárias, profissionais, processos que o microssistema utiliza na prestação dos
cuidados e padrões que caracterizam a funcionalidade do microssistema), como representado na figura 3.
Fonte: Mendes.[4]
Figura 3. Diagrama de um microssistema clínico.
Propósito
Processos
Padrões
Profissionais
Pessoas
Pessoas
Os programas de melhoria dos microssistemas clínicos devem começar por uma análise situacional desses 5
Ps. Tomando-se o exemplo de um microssistema clínico constituído por uma equipe de Estratégia da Saúde da
Família (eSF), a análise do primeiro P, com vistas a organizar o acesso, começaria pela definição da equipe, do
local em que ela atua, do gerente responsável e dos objetivos principais (propósito). A análise do segundo P
faz-se por meio da afirmativa: “Conheça profundamente as pessoas usuárias”. É preciso criar um quadro preciso
da população adstrita àquela equipe. Já a análise do terceiro P se dá pela afirmativa: “Conheça as pessoas que
compõem a equipe de saúde”. É fundamental ter uma visão ampla dos trabalhadores de saúde. O quarto P envolve
o conhecimento dos processos de trabalho, e o quinto P relaciona-se ao conhecimento dos padrões.
Aplicando esse diagrama ao contexto de uma Região de Saúde, o microssistema poderia ser uma Unidade Básica
de Saúde (UBS) ou o território de atuação de uma eSF, ou, ainda, o espaço de atuação unitária entre uma equipe de
APS e uma equipe de AAE. Em qualquer situação, os profissionais interagem entre si e com as pessoas usuárias;
conhecem suas necessidades de saúde; definem propósitos a serem alcançados; organizam processos seguros e
de qualidade para responder a essas necessidades e avaliam a resposta, enquanto satisfação da pessoa usuária
e melhoria de seu estado de saúde.
Na proposta operacionalizada pelo PlanificaSUS, as equipes de APS e AAE constituem um único microssistema
clínico.
A construção social da APS e do PASA, visando à qualidade da resposta à população usuária, utiliza ainda o modelo
de Donabedian,
[10]calcado na tríade estrutura-processos-resultados, e a gestão por processos.
2. O PROCESSO
DE TUTORIA
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A implantação das mudanças nos macroprocessos implica na utilização de uma estratégia educacional
diferenciada, que propicie um aprimoramento das competências profissionais: a atividade de tutoria, na qual o
tutor que tem o domínio do processo interage com as pessoas que o executam no dia a dia, em uma situação
educacional de aprender fazendo junto.
A tutoria não pode ser confundida com um processo de fiscalização, ou avaliação de desempenho, e nem mesmo
de definição sobre o que os profissionais devem fazer. É um “fazer junto”, em que o tutor não substitui o profissional
em suas funções e responsabilidades, mas o apoia na reflexão sobre a própria prática, na identificação de
fragilidades e nas ações corretivas necessárias. O objetivo é o de fortalecer as competências de conhecimento,
habilidade e atitude.
O tutor é um ator muito estratégico nesse processo e, por isso, deve ter interesse e disponibilidade para as
atividades de tutoria; conhecer a metodologia; ter domínio sobre os processos a serem implantados; possuir
atitude crítica e criativa no desenvolvimento de suas atribuições; desenvolver a capacidade de estimular a
resolução de problemas; possibilitar uma aprendizagem dinâmica; ser capaz de abrir caminhos para a expressão
e a comunicação; fundamentar-se na produção de conhecimentos; apresentar atitude pesquisadora; demonstrar
clara concepção de aprendizagem; estabelecer relações empáticas com seus interlocutores; possuir capacidade
de inovação e facilitar a construção de conhecimentos.
[2]Cabe ao tutor apresentar a proposta de trabalho para a equipe, esclarecendo os objetivos, a metodologia, os
produtos e o cronograma de atividades presenciais e a distância, além de pactuar metas e prazos, e apoiá-la
durante todo o período de desenvolvimento.
O processo de tutoria se organiza em três momentos principais:
[8]• Momentos breves e objetivos, de alinhamento conceitual sobre os conteúdos propostos, como encontros
específicos ou inseridos na discussão dos processos, e remetendo ao processo de educação permanente,
quando necessário.
• Momentos de acompanhamento in loco da atividade, em um diálogo com seu responsável direto, para verificar
sua atitude diante da atividade desenvolvida, o conhecimento e a aplicação das normas e recomendações
vigentes, bem como o registro do processo no prontuário e nos sistemas de informação, além de identificar
inconformidades e propor as ações corretivas.
• Momentos de avaliação dos problemas ou inconformidades identificadas, análise de seus fatores causais e
priorização e elaboração de um plano de ação, visando ao processo de melhoria contínua.
É fundamental que o tutor identifique também as boas práticas das equipes, e elas sejam consideradas no
processo. Ao longo das oficinas tutoriais, a cada atividade proposta, deve-se sempre se perguntar onde estamos e
aonde queremos chegar, pois a unidade já pode ter experiências exitosas que precisem de um simples ajuste ou de
estratégias para consolidação da prática na unidade. Por exemplo, uma das atividades propostas será identificar
se a unidade realiza pesquisa de satisfação do profissional e utiliza esse resultado no planejamento gerencial do
serviço. Apresentamos um instrumento específico para tal, porém, se a unidade já apresenta esse processo como
uma prática e tem um instrumento próprio padronizado pelo município, no plano de ação, deve-se considerar que,
nesse serviço especificamente, a atividade não partirá do zero.
A tutoria deve ser realizada tanto presencialmente como a distância. A modalidade presencial se desenvolve
na própria unidade de saúde, possibilitando a experiência de “chão de fábrica”, nas em unidades de APS.
Essa
expressão tem origem no termo japonês “gemba”, que significa algo como “lugar onde as coisas acontecem”, ou
“local em que é gerado valor”,
[3]demonstrando o papel estratégico que as equipes desempenham nas unidades de
saúde. A modalidade a distância utiliza as várias Tecnologias de Informação e comunicação disponíveis: e-mail,
aplicativos de mensagens de texto, plataformas de videoconferência, chats de discussão e outras.
É necessário dedicar tempo à tutoria, já que a mudança de processos implica em mudança da cultura organizacional –
muitas vezes com costumes já bem estabelecidos. O tutor deve ter dedicação exclusiva para essa tarefa, onde for
possível, ou carga horária mínima estabelecida.
Os encontros devem ser definidos com periodicidade. Normalmente, no início o processo de tutoria, requerem
mais dedicação, mas, conforme os processos são organizados, e os resultados se tornam palpáveis, a presença
do tutor pode ser menos frequente, desde que a equipe garanta a continuidade dos ciclos de melhoria. Para que
as oficinas tutoriais alcancem seus objetivos é fundamental que a unidade de saúde conte com uma gestão
participativa e organize o seu colegiado gestor. Este dispositivo apoiará o desenvolvimento dos processos na
24
GUIA PARA OFICINA TUTORIALunidade e auxiliará nas tomadas de decisão junto às instâncias competentes, além de promover mudanças na
gestão e no modelo de atenção com participação da equipe.
[11]As equipes devem ter horários protegidos na agenda para os encontros de tutoria, e todos os profissionais devem
estar envolvidos. O conhecimento geral e compartilhado permite “falar a mesma língua”, favorecendo a qualidade
do processo.
É importante uma decisão institucional, que apresente e dê respaldo ao tutor em sua interlocução com as equipes,
além do apoio direto dos gestores, para a tomada de providências necessárias para correção dos problemas
identificados.
3. O CAMPO DE
TRABALHO DO TUTOR
27
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A metodologia propõe um primeiro campo de trabalho do tutor, que corresponde às “unidades-laboratório”. Cada
tutor terá “sua” unidade-laboratório, seja na APS ou na AAE. Porém, as demais unidades podem ser campo de
trabalho a partir do momento que se tome a decisão de expandir o processo para outras unidades, havendo a
necessidade, em algumas situações, de se ter mais de um tutor.
Na APS, a UBS-laboratório do município-sede é denominada unidade central para o desenvolvimento da
planificação e é referência para os demais municípios. Os demais municípios da região terão uma unidade
laboratório referência para as demais UBS dos mesmos.
Os critérios recomendados para definição das UBS-laboratórios são:
• Atuar com a ESF.
• Ter eSF (Agentes Comunitários de Saúde, agentes de controles de endemias, auxiliar/técnico em enfermagem,
enfermeiro e médico) e, minimamente, uma Equipe de Saúde Bucal (auxiliar/técnico de saúde bucal e
cirurgião-dentista), ambas completas, com cumprimento da carga horária preconizada de 40 horas semanais e atuando
no mesmo território.
• Dispor de um assistente administrativo por equipe.
• Dispor de equipe multidisciplinar vinculada à APS.
• Responsabilizar-se por população adscrita dentro dos parâmetros estabelecidos pela Política Nacional de
Atenção Básica (PNAB).
• Acolher, no máximo, quatro eSF.
• Dispor de estrutura física em boas condições.
• Ter e-SUS implantado, preferencialmente a versão Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), ou sistema
equivalente.
• Garantir abastecimento regular de materiais, insumos e medicamentos padronizados na Relação Municipal de
Medicamentos Essenciais (Remume).
• Oferecer espaço para reunião com capacidade para 20 pessoas, ou algum local dentro do território, e recursos
audiovisuais, para realização das atividades, presenciais ou a distância.
• Definir carga horária protegida na agenda dos profissionais para realização de matriciamento com a AAE.
• Garantir carga horária protegida para a equipe da unidade implantar ações do PlanificaSUS.
O ambulatório da AAE também é considerado como unidade-laboratório, tornando-se referência para a expansão
da planificação para outras regiões do estado e sendo definida por:
• Equipe multiprofissional, de acordo com a carteira de serviços pactuada.
• Equipamentos para exames especializados, de acordo com a carteira de serviços pactuada.
• Equipe multiprofissional contratada com carga horária fixa.
• Cobertura populacional, qualidade de atendimento, estabilização dos usuários e apoio às equipes da APS em
consonância com o modelo proposto.
• Equipe com matriciadores com disponibilidade de agenda e perfil para dar suporte às equipes.
• Estrutura física em boas condições de trabalho.
• Fluxo adequado de abastecimento de material de expediente, médico-hospitalar e medicamentos padronizados
na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename), adaptados ao perfil epidemiológico do estado.
• Dimensionamento dos serviços do ambulatório com base populacional, segundo modelo proposto.
• Espaço de reunião com capacidade para 20 pessoas.
• Recursos audiovisuais para realização das atividades.
• Ser referência para os demais municípios da região.
As UBS-laboratório são assim definidas pelo fato de ali se desenvolverem as primeiras atividades da tutoria. Ser
“laboratório” remete a um espaço de construção com a equipe local, customização das ferramentas utilizadas e
proposição criativa no enfrentamento dos problemas. Elas cumprem duas funções principais:
[2]gerar, a partir da
metodologia proposta, um padrão para os processos desenvolvidos, customizados para a realidade do local, e ser
um ponto de referência e colaboração para as demais unidades, com caráter demonstrativo sobre a viabilidade
(“é possível fazer”) e para o aprendizado (“como fazer”).
A UBS-laboratório é o ponto de referência para a expansão da proposta de organização dos macroprocessos
nas demais unidades do município. Assim, tanto o tutor como os demais profissionais podem apoiar as outras
equipes em suas unidades, replicando o processo de tutoria de que foram beneficiados ou recebendo-as na
unidade-laboratório.
4. O PROCESSO
DE TUTORIA NO
PLANIFICASUS
31
GUIA PARA OFICINA TUTORIAL
A Equipe PlanificaSUS é constituída por um consultor regional e dois analistas de tutoria, responsáveis por
apoiar a Secretaria de Estado da Saúde (SES) na implantação do PlanificaSUS na Região de Saúde. A SES tem a
responsabilidade executiva do projeto e a Equipe PlanificaSUS, a responsabilidade metodológica.
O processo de tutoria inicia-se com a capacitação dos tutores da unidade-laboratório central do município-sede,
das unidades-laboratório dos outros municípios da região pelo consultor e da própria secretarial estadual (nível
central e/ou regional), para replicação posterior, seguindo-se da realização da oficina tutorial na UBS-laboratório
central, sendo apoiado pelo analista de tutoria, e também nas unidades-laboratório dos outros municípios da
região.
Os tutores designados pela SES e os coordenadores municipais da APS devem acompanhar esses momentos
na UBS-laboratório central, tendo em vista a fase de expansão, na qual serão, eles mesmos, tutores das demais
equipes de profissionais.
As oficinas tutoriais acontecem a cada nova etapa, podendo ocorrer em até três momentos, segundo cronograma
definido na fase preparatória, na semana de atividades do PlanificaSUS. Os profissionais envolvidos em cada
atividade devem ter a agenda protegida para isso. O local das atividades é a própria unidade, sendo necessário
local para atividades de concentração com capacidade para acomodar todos os participantes, na unidade ou em
ponto de apoio na comunidade.
Os tutores municipais das demais UBS-laboratório, após serem capacitados pelos consultores regionais, replicam
o processo na própria unidade, compartilhando todo o conteúdo de aprendizado com a equipe e conduzindo os
ciclos de melhoria. Serão apoiados pelo coordenador municipal e pelos técnicos da SES (nível regional e/ou
central).
A oficina tutorial na APS na UBS-laboratório se dá em dois períodos totalizando 8 horas, preferencialmente no
mesmo dia, da seguinte forma:
Período 1 (4 horas) Giro pela unidade durante o funcionamento, para verificar a organização dos processos e a responsabilidade dos profissionais em seus respectivos setores de atuação, apoiar na utilização das ferramentas e reforçar a lógica de melhoria contínua
Período 2 (4 horas) Realização da oficina tutorial, com a participação do maior número possível de profissionais ou de um colegiado ou grupo de trabalho nas unidades grandes (com mais de três equipes)
As UBS-laboratório dos demais municípios, à semelhança daquela central, podem ser um ponto de referência
para capacitação de profissionais de outras unidades do município, favorecendo o processo de expansão.
O cronograma de atividades pode ser concentrado em 1 ou 2 dias de atividades, ou distribuído ao longo do período
que se segue à tutoria central. Em qualquer dos casos, as atividades previstas devem ser totalmente cumpridas
antes do momento subsequente.
Quadro 2. Organização das oficinas tutoriais.
UBS-laboratório central UBS-laboratório dos demais municípios
Responsável Tutor da SES Coordenador municipal da APS
Condução Analista de tutoria e tutor da UBS Tutores das UBS
Corresponsabilidade na condução Tutor da regional SES Técnicos da regional SES
Local Unidade-laboratório Unidade-laboratório
Público Equipe de saúde da UBS-laboratório
Técnicos da SMS Coordenadores municipais da APS
Equipe de saúde da UBS-laboratório
Periodicidade Mensal Contínua
Fonte: PlanificaSUS. Guia para a Formação dos Tutores, 2019.
UBS: Unidade Básica de Saúde; SES: Secretaria de Estado da Saúde; APS: Atenção Primária à Saúde; SMS: Secretaria Municipal da Saúde.
Todos os tutores devem:
• Ter domínio sobre os processos do PlanificaSUS a serem implantados.
• Participar de todos os momentos formativos previstos no PlanificaSUS.
• Conduzir os momentos de tutoria na própria UBS-laboratório.
32
GUIA PARA OFICINA TUTORIAL• Mobilizar e apoiar a equipe da própria unidade na apropriação do conteúdo das tutorias e na realização das
atividades propostas.
• Organizar e conduzir os ciclos de melhoria dos macroprocessos da APS na própria unidade.
• Elaborar e monitorar o plano de ação junto da equipe.
• Participar dos momentos de monitoramento geral do PlanificaSUS.
É importante que os tutores tenham um momento prévio de formação, para que tenham domínio sobre os
processos a serem implantados, abordando os referenciais teóricos da Construção Social da APS e o Modelo de
Atenção às Condições Crônicas (MACC).
[6]A figura 4 apresenta a dinâmica do processo de tutoria na APS, no desenvolvimento de cada um dos momentos
sequenciais.
APS: Atenção Primária à Saúde; SES: Secretaria de Estado da Saúde; UBS: Unidade Básica de Saúde.
Figura 4. Dinâmica do processo de tutoria na Atenção Primária à Saúde.
O processo de tutoria na AAE é concentrado em uma única unidade: o ambulatório de Atenção Especializada. É
necessário designar o tutor da AAE, que, juntamente do coordenador assistencial do ambulatório, é responsável
por manter toda a equipe de profissionais mobilizada e garantir a execução das ações planejadas, podendo o
próprio coordenador ser o tutor. As equipes do nível central e regional da SES devem acompanhar todo o processo,
designando, entre as referências regionais, um responsável para todo o desenvolvimento da planificação na AAE.
A oficina tutorial na AAE na unidade-laboratório se dá em dois períodos, totalizando 8 horas, preferencialmente no
mesmo dia, da seguinte forma:
Período 1 (4 horas) Fase de implantação: organização da estrutura física, equipamentos, fluxos de referência, treinamento introdutório dos profissionais
Período 2 (4 horas) Oficina tutorial: verificar a organização dos processos e a responsabilidade dos profissionais em seus respectivos setores de atuação, apoiar na utilização das ferramentas e reforçar a lógica de melhoria contínua
A figura 5 apresenta a dinâmica do processo de tutoria na AAE, simultâneo e integrado àquele da APS, de modo a
favorecer a integração dos macroprocessos.
33
GUIA PARA OFICINA TUTORIAL
APS: Atenção Primária à Saúde; AAE: Atenção Ambulatorial Especializada; SES: Secretaria de Estado da Saúde; UBS: Unidade Básica de Saúde.
Figura 5. Diagrama do processo de tutoria na Atenção Ambulatorial Especializada simultâneo e integrado à Atenção Primária à Saúde.
O processo de tutoria é fortemente ancorado no modelo de melhoria contínua, de acordo com o qual são
desenvolvidos ciclos sequenciais de melhoria, baseados no PDSA (plan, do, study, act, que, em português, significa
“planejar, fazer, estudar, agir”)
[5]e em planilhas de ação 5W2H.
4.1 Matriz 5W2H
A matriz 5W2H
[6]é uma ferramenta de gestão que pode ser utilizada por qualquer equipe para registrar, de maneira
organizada e planejada, como são efetuadas as ações: what (o que), who (quem), when (quando), where (onde),
why (por que), how (como) e how much (quanto) (Quadro 3).
Quadro 3. Significado dos 5W e 2H.
What? (o que?) O que será feito? É o objetivo que você deseja alcançar
Who? (quem?) Quem irá fazer? Para chegar lá é necessária a elaboração de diversos processos e ações; quem ficará responsável
por cada ação?
When? (quando?) Quando será feito? Qual a data para se realizar?
Where? (onde?) Em que local será feito? É importante detalhar ainda mais o lugar onde será executada a ação
Why? (por que?) Por que será feito? Quais os motivos que justificam o que será feito
How? (como?) Como será feito? Detalhamento de qual processo será feito para atingir seu objetivo, buscando ser o mais
específico possível
How much? (quanto?) Quanto custa? Qual o valor que será gasto?
Fonte: Mendes.[6]
4.2 Instrumentos da tutoria
i. Matriz de gerenciamento da tutoria
A matriz de gerenciamento da tutoria nada mais é que um passo a passo a ser seguido em cada tutoria. Trata-se
de um método simples, objetivo, ágil e eficaz, o qual requer uma apropriação prévia e adequada pelo tutor.
Utiliza uma versão adaptada da matriz 5W2H, mantendo as perguntas o que, como, quando e quem (responsável
e participantes) e modificando/agregando um material de apoio, para listar documentos de referência (diretrizes
34
GUIA PARA OFICINA TUTORIALclínicas, Procedimentos Operacionais Padrão – POPs e normativas), arquivos úteis (fluxogramas, planilhas e guia
de oficinas) e equipamentos necessários para a realização das ações sugeridas, além de realizar a verificação
(checklist), para indicar a modalidade de demonstração do cumprimento da ação.
A figura 6 apresenta a matriz de gerenciamento da tutoria.
Figura 6. Matriz de gerenciamento da tutoria. Título
Objetivo:
Resultado esperado:
O que? Como? Quem? Onde? Material de apoio? Verificação (checklist)
ii.
Plano de ação
Esse instrumento tem como base a Planilha de Gerenciamento de Processos das Oficinas Tutoriais. A elaboração
do plano de ação e seu monitoramento mensal são dois grandes diferenciais para a implantação de todos os
processos relacionados à tutoria. É uma ferramenta que permite a construção progressiva e integrada do conjunto
de macroprocessos.
É importante que o gerente da unidade fique responsável pela condução e pelo monitoramento do plano de ação.
Na sua ausência, o tutor exerce essa função. O plano de ação deve ser discutido e elaborado com a participação de
toda equipe, registrando a ação, o responsável, outros profissionais corresponsáveis, as atividades secundárias de
operacionalização da ação e os prazos e recursos necessários, além de contar com um campo para observações,
caso necessário (Figura 7).
Plano de ação para organização dos processos da unidade-laboratório
Unidade de saúde: Data:
Ação Responsável Quem participa Como Prazo Recursos/observações
Figura 7. Modelo de plano de ação.
O plano de ação deve ser elaborado na primeira tutoria e monitorado em cada tutoria subsequente, como primeira
atividade. A equipe deve apresentar o status de cada ação planejada, demonstrando seu cumprimento de acordo
com o definido (item de verificação) ou justificando o não cumprimento. Cada ação não realizada dentro do prazo
pactuado deve ser discutida, com rápida investigação de possíveis fatores causais, reformulação caso necessária
e pactuação de novo prazo (Figura 8).
35
GUIA PARA OFICINA TUTORIAL
Para o preenchimento do plano de ação, é importante que o responsável seja definido com o nome da pessoa.
O responsável é a pessoa que cumprirá todas as ações e apresentará os resultados alcançados para a equipe,
o analista de tutoria e a gestão. Da mesma forma, o prazo tem que ser definido obrigatoriamente. Quando o
responsável e os prazos não são definidos, corre-se o risco de que a ação não aconteça.
O término da tutoria se dá com a atualização do plano de ação, acrescentando as novas ações referentes à
próxima oficina tutorial (Quadro 4).
Quadro 4. Exemplo de plano de ação referente ao momento de tutoria 1.
Plano de ação para organização dos processos da unidade-laboratório
Unidade de saúde: Data:
Ação Responsável Quem participa Como Prazo Observações
Apresentar a unidade de saúde
Gerente da unidade
Equipe de saúde Elaborar uma apresentação em
PowerPoint
Data: próxima
tutoria
Usar como referência o Anexo – Roteiro para apresentação da unidade de saúde Apresentar a
cobertura da população da UBS por equipe e microárea
Gerente da
unidade Enfermeiro e ACS Apresentação de PowerPoint próxima Data: tutoria
Usar como referência o Anexo – Matriz para elaboração da cobertura populacional da equipe
Apresentar os resultados das atividades do mapa de pessoal Gerente da unidade Apresentação de PowerPoint Data: próxima tutoria
A atividade de educação permanente: existência, horário protegido na agenda dos profissionais,
descrição das atividades e metodologia Pessoal necessário para composição da
equipe de saúde e encaminhar para a Secretaria de Saúde
Atividades de reunião de equipe: existência, periodicidade, participantes, descrição das
atividades e metodologia Apresentar o consolidado de satisfação do trabalhador da unidade de saúde Gerente da
unidade Apresentação de PowerPoint próxima Data: tutoria
Usar como referência o Anexo – Instrumento de autoavaliação da
satisfação do trabalhador
Fonte: PlanificaSUS.[12]
UBS: Unidade Básica de Saúde; ACS: Agente Comunitário de Saúde.
Figura 8. Passo a passo para elaboração e monitoramento do plano de ação. Primeiro
momento de tutoria
Realizado de acordo com as ações propostas pela matriz de gerenciamento da etapa preparatória
Será elaborado de acordo com as ações propostas pela matriz de gerenciamento da etapa preparatória
Realizado de acordo com as ações propostas pela matriz de gerenciamento da tutoria, introduzindo
novos referenciais teóricos e processos
Será elaborado de acordo com as novas ações propostas pela matriz de gerenciamento do momento de tutoria
Inicia com o monitoramento do plano de ação Equipe apresenta o que foi pactuado no plano de ação
No caso de alguma ação, não ter sido alcançada, deve-se discutir o motivo e o tutor auxilia a equipe
no que for necessário e repactua o prazo Primeiro plano de ação Próxima tutoria Sequência do momento de tutoria Atualização do plano de ação
36
GUIA PARA OFICINA TUTORIALiii. Procedimentos Operacionais Padrão
O objetivo primário de estabelecer um POP é fazer com que pessoas que executam a mesma tarefa o façam
de maneira uniforme. É uma descrição detalhada de todas as operações necessárias para a realização de uma
tarefa, ou seja, é um roteiro padronizado para realizar uma atividade.
O POP busca fazer com que um processo possa ser realizado sempre de uma mesma forma, permitindo a verificação
de cada uma de suas etapas e o rastreio das operações. É muito importante, pois, dentro de qualquer processo de
trabalho, o objetivo básico é rastrear operações, mediante uma padronização e os resultados esperados a cada
tarefa executada. A elaboração de um POP fundamenta-se basicamente em fazer o mapeamento de um processo
específico, contemplando todos os passos para sua realização. Deve-se analisar cada passo, a fim de verificar
qual é o mais eficiente.
As pessoas que executarão as tarefas devem participar da elaboração do POP. Antes da implantação do POP,
todas as pessoas envolvidas devem ser treinadas, e qualquer alteração no POP deve ser solicitada ao responsável
do setor, que, por sua vez, deve reunir a equipe e verificar se a alteração proposta não cria impacto negativo no
processo em geral. A responsabilidade pela confecção dos POP, pela manutenção das pastas, pelo treinamento
da equipe e pelo cumprimento de toda rotina estabelecida é do líder de cada setor.
iv. Fluxograma
É uma representação esquemática de um processo, muitas vezes feita por meio de gráficos que ilustram, de
forma descomplicada, a transição de informações entre os elementos que o compõem, ou seja, é a sequência
operacional do desenvolvimento de um processo, o qual caracteriza o trabalho que está sendo realizado, o tempo
necessário para sua realização, a distância percorrida pelos documentos, quem está realizando o trabalho e como
ele flui entre os participantes desse processo (Figura 9).
Fonte: Secretaria Municipal de Saúde de Uberlândia.[13]
UBS: Unidade Básica de Saúde; CNS: Conselho Nacional de Saúde; EAPV: Eventos Adversos Pós-Vacinação;
PEC: Prontuário Eletrônico do Cidadão; e-SUS APS: e-SUS Atenção Primária; CRIE: Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais.
5. A ESTRUTURA DO
PLANIFICASUS
39
GUIA PARA OFICINA TUTORIAL
Na fase 1 do PlanificaSUS, a operacionalização ocorre por meio de uma etapa preparatória e por quatro etapas
operacionais com ciclos de workshops, oficinas tutoriais, etapa controle e curso curto.
As oficinas tutoriais estão organizadas do seguinte modo: uma oficina tutorial na etapa preparatória, oito
momentos nas etapas operacionais e uma última na etapa controle (Quadro 5).
Quadro 5. Estrutura do PlanificaSUS_ Trienio 2018-2020.
Etapa Tema Workshop Oficina tutorial APS Oficina tutorial AAE
Preparatória A Planificação da atenção à saúde 1 momento 1 momento 1 momento
Operacional 1 A integração entre a Atenção Primária e a Atenção Especializada na RAS
1 momento 1 momento 1 momento
Operacional 2 Território e Gestão com Base Populacional 1 momento 2 momentos (2.1 e 2.2)
2 momentos (2.1 e 2.2)
Operacional 3 O Acesso à RAS 1 momento 2 momentos
(3.1 e 3.2)
2 momentos (3.1 e 3.2)
Operacional 4 Gestão do Cuidado 1 momento 3 momentos
(4.1, 4.2 E 4.3)
3 momentos (4.1, 4.2 E 4.3)
Controle Elaboração do Plano controle X 1 momento 1 momento
Fonte: Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.[14]
APS: Atenção Primária à Saúde; AAE: Atenção Ambulatorial Especializada.
O objetivo das oficinas tutoriais é implantar os macros e microprocessos da APS e da AAE. Desenvolvem também
atividades a distância, devendo o consultor regional/analista de tutoria e tutores estaduais manter contato com
os tutores das unidades-laboratório durante todo o período de dispersão.
5.1 ETAPA
PREPARATÓRIA
43
GUIA PARA OFICINA TUTORIAL
A etapa preparatória tem como tema a planificação da atenção à saúde e visa apresentá-la como uma metodologia
para organização da RAS e seus principais referenciais teóricos.
Por meio do workshop de abertura, vamos:
• Apresentar o PlanificaSUS como metodologia para organização da RAS.
• Definir o conceito de RAS.
• Definir o MACC.
• Apresentar a organização dos macros e microprocessos, conforme a construção social da APS.
• Discutir como ocorre a integração entre APS e AAE, a partir do MACC.
Em relação às oficinas tutoriais, nessa etapa preparatória, deve ocorrer uma nas UBS-laboratórios e uma na
AAE-laboratório, conforme abaixo.
i. Oficina Tutorial Preparatória
A Oficina Tutorial Preparatória é a atividade para pactuação com as equipes sobre os compromissos e a organização
geral na unidade para o desenvolvimento da tutoria.
Nas UBS-laboratórios, trata-se do momento do primeiro contato do tutor com a equipe da unidade de saúde onde
serão implantados os macros e microprocessos da construção social da APS, quando ele reforça a decisão do
município acerca da implantação do PlanificaSUS e o compromisso pelo fortalecimento da APS no município e da
escolha da unidade como unidade-laboratório – pactuações realizadas com o gestor municipal.
Também apresenta os objetivos da construção social da APS, a descrição dos macroprocessos, a metodologia do
modelo de melhoria contínua e o desenvolvimento da tutoria, por meio de encontros para supervisão, organização
dos processos e monitoramento do plano de ação.
A Oficina Tutorial Preparatória na APS é composta por seis macroatividades, diretamente relacionadas à
organização dos macros e microprocessos básicos, que correspondem ao alicerce da casa.
Da mesma maneira, na AAE, é fundamental esse esclarecimento inicial sobre a decisão dos gestores das
Secretarias Municipais da Saúde (SMS) e da SES, congregados na Comissão Intergestora Regional, de implantar
o novo modelo de atenção ambulatorial especializada, com todo o desafio que essa inovação comporta, sendo a
Oficina Tutorial Preparatória na AAE composta por quatro macroatividades.
A nova forma de relação entre a APS e a AAE exige mudanças profundas na forma de organização das unidades
de cuidados ambulatoriais especializados, para as quais é importante uma boa compreensão sobre as quatro
funções – assistencial, educacional, supervisional e de pesquisa.
Nos quadros 6 e 7, pode-se ver a matriz de gerenciamento da tutoria para a etapa preparatória, respectivamente,
na APS e na AAE, contendo os objetivos, os resultados esperados e a relação de atividades propostas. Todo
material de apoio necessário está disponível pelo link: https://kidopilabs.com.br/planificasus/etapa-guiatutoria.
php?idEtapa=0
44
GUIA PARA OFICINA TUTORIALQuadro 6. Matriz de gerenciamento da tutoria para a etapa preparatória - Atenção Primária à Saúde
Matriz de gerenciamento da tutoria para a etapa preparatória – APS Pactuação de compromissos com as equipes e organização geral para a tutoria
Objetivo Conhecer a situação local, com foco na equipe de profissionais e na unidade de saúde
Iniciar a tutoria para organização dos macroprocessos da APS
5 4 3 2 1 6 8 7 1 Resultado esperado
Equipe apropriada, mobilizada e com adesão à planificação da atenção à saúde Estrutura e ambiência da unidade avaliada
Apresentar os instrumentos mapa de pessoal, avaliação de satisfação do trabalhador e matriz de análise de cobertura da UBS por área e microárea
Primeiro plano de ação elaborado
O que? Como? Quem? Participantes Onde? Material de apoio Verificação(checklist)
Atividade 1 – momento preparatório que antecede a oficina tutorial
Preparar a primeira tutoria na unidade-laboratório Contatar com antecedência o coordenador da APS do município Consultora regional Referência técnica do PlanificaSUS no estado Coordenador da APS no município-sede Município Anexo 1 – Roteiro para efetivar a primeira tutoria no município Contato realizado
Dia da oficina tutorial – período manhã
Atividade 2 – conhecer a UBS
Conhecer a situação da
UBS
Realizar giro na unidade para conhecimento
dos setores, fluxos de atendimento e condições de ambiência Importante: serviço funciona normalmente Consultora regional Referência técnica do PlanificaSUS no estado Tutores da SES Coordenador municipal da APS no município-sede Tutor da UBS Analista de tutoria
Unidade de saúde Anexo 2 – Instrumento para avaliação da estrutura e da ambiência Instrumento preenchido‡
Dia da oficina tutorial – período da tarde
Atividade 3 – conhecer, apresentar e pactuar compromissos
Conhecer a proposta do PlanificaSUS Realizar a apresentação dos participantes Consultora regional Referência técnica do PlanificaSUS no estado Tutores da SES Coordenador municipal da APS no município-sede Tutor da UBS Analista de tutoria Equipe da unidade Sala de reunião da unidade de saúde ou de apoio na comunidade Ata padrão de atividades continua...
45
GUIA PARA OFICINA TUTORIAL
Apresentar a decisão do município sobre a PlanificaSUS, o compromisso pelo fortalecimento da APS no município e a escolha da unidade como unidade-laboratório Referência técnica da SES Secretário Municipal da Saúde Referência técnica do PlanificaSUS no estado - Tutores SES - Coordenador municipal da APS no município-sede Tutor da UBS Analista de tutoria Equipe da unidade Realizar apresentação breve e objetiva, em PowerPoint, contendo
justificativa (por que organizar os processos da APS), objetivos (“casa
da APS” e descrição dos macroprocessos), metodologia (modelo de melhoria, processos e PDSA) e desenvolvimento da tutoria (encontros para supervisão, organização dos processos e monitoramento do plano de ação) Consultora regional Referência técnica do PlanificaSUS no estado Tutores da SES Coordenador municipal da APS no município-sede Tutor da UBS Analista de tutoria Equipe da unidade Anexo 3 – Apresentação: proposta de trabalho da planificação da Atenção à Saúde Computador Datashow Conhecer a equipe Realizar roda de conversa para escuta livre dos profissionais
sobre atividades desenvolvidas no cuidado da população, organização do trabalho na unidade e em cada equipe, preocupações e dificuldades encontradas Consultora regional Referência técnica do PlanificaSUS no estado Tutores da SES Coordenador municipal da APS no município-sede Tutor da UBS Analista de tutoria Equipe da unidade Sala de reunião da unidade de saúde ou de apoio na comunidade Consolidado das potencialidades e desafios Ata da constituição do colegiado gestor e relação dos integrantes, se houver§ Identificar os problemas que, na percepção dos profissionais, são
os mais relevantes e prioritários Avaliar a existência de colegiado gestor na unidade e outros espaços de diálogo e gestão compartilhada, criando ou reativando esses espaços, se necessário continua...
46
GUIA PARA OFICINA TUTORIAL Pactuar o compromisso da equipe Apresentar o resumo dos objetivos da planificação e manifestação da equipe de concordância com a planificação na unidade Consultora regional Referência técnica do PlanificaSUS no estado Tutores da SES Coordenador municipal da APS no município-sede Tutor da UBS Analista de tutoria Equipe da unidade Sala de reunião da unidade de saúde ou de apoio na comunidade Refletir sobre o propósito da equipe comrelação à população da área de abrangência, ou seja, o que se espera
alcançar no próximo período de trabalho que
melhore a condição de saúde da população
Pactuar os compromissos com relação à participação nas atividades de tutoria
e produtos a serem elaborados Definir o cronograma da tutoria, nos vários
momentos
Atividade 4 – incentivo ao controle social
Apresentar a proposta do PlanificaSUS Apresentar a proposta do PlanificaSUS para o conselho municipal e local de saúde Coordenador municipal da APS Conselheiros de saúde
Sala de reunião Ata da Reunião
do Conselho Municipal de Saúde (enviar de acordo com o prazo do plano de ação)
Atividade 5 – conhecer a equipe
Elaborar o mapa de
pessoal
Relacionar os profissionais que compõem a ESF, ESF-SB, NASF e equipes de apoio, com dados sobre
categoria profissional, formação específica em saúde da família, tempo de atuação na APS e na UBS, tipo de contrato, carga horária semanal e
horário de atendimento
Gerente da unidade
Coordenador da APS Unidade de saúde Anexo 4 – Mapa de pessoal da unidade de saúde Mapa de pessoal elaborado e com necessidade de profissionais atualizada (enviar de acordo com o prazo do plano de ação) Levantar pessoal necessário e encaminhar para a secretaria de saúde, para o planejamento de curto e médio prazo, com vistas à recomposição ou à expansão das equipes Conhecer a satisfação do trabalhador Apresentar o instrumento de autoavaliação da satisfação do trabalhador Consultora regional Profissionais da unidade de saúde Sala de reunião da unidade de saúde ou de apoio na comunidade Anexo 5 – Instrumento de autoavaliação da satisfação do trabalhador Instrumentos aplicados para os trabalhadores da unidade de saúde¶ Aplicar o instrumento de autoavaliação da satisfação do trabalhador Profissionais da unidade de saúde Unidade de saúde Elaborar o consolidado da unidade, para posterior análise comparativa Gerente da unidade Unidade de saúde continua...
47
GUIA PARA OFICINA TUTORIAL
Atividade 6 – elaborar o plano de ação
Elaborar o plano de ação Discutir: ●A importância do plano de ação ●A realização da atividade planejada ●O cumprimento do prazo ●A conformidade com o planejado ●A avaliação do resultado ou produto elaborado ●O registro/ a documentação Consultora regional Referência técnica do PlanificaSUS no estado Tutores da SES Coordenador municipal da APS no município-sede Tutor da UBS Analista de tutoria Equipe da unidade Anexo 8 – Matriz para elaboração do plano de ação Plano de ação elaborado
Incluir no plano de ação:
●Apresentação a proposta do PlanificaSUS para o conselho municipal de saúde ●Apresentação da unidade de saúde na tutoria seguinte ●Apresentação da matriz de análise da cobertura da UBS por
equipe e microárea ●Apresentação do consolidado de satisfação do trabalhador da unidade de saúde ●Informações do mapa de pessoal Consultora regional Referência técnica do PlanificaSUS no estado Tutores da SES Coordenador municipal da APS no município-sede Tutor da UBS Analista de tutoria Equipe da unidade Usar como referências o Anexo 6a – Roteiro para apresentação da unidade laboratório; o Anexo 6b – Apresentação: Unidade Básica de Saúde e o Anexo 7 – Matriz para análise
de cobertura populacional da
equipe
* Serviço funciona normalmente; ‡ discutir no momento com o grupo condutor; § caso não haja a ata, deve-se inserir sua criação no plano de açã; ¶ análise
consolidada do resultado a ser apresentado na oficina tutorial 1.
APS: Atenção Primária à Saúde; SES: Secretaria de Estado da Saúde; UBS: Unidade Básica de Saúde; ESF: Estratégia Saúde da Família; ESF-SB: Estratégia Saúde da Família-Saúde Bucal; NASF: Núcleo de Apoio à Saúde da Família.
Quadro 7. Matriz de gerenciamento da tutoria para a etapa preparatória - Atenção Ambulatorial Especializada
Matriz de gerenciamento para etapa preparatória – AAE
Objetivos Conhecer o ambulatório de Atenção Especializada definido para implantação do modelo
Avaliar a carteira de serviços do ambulatório: equipe de profissionais, estrutura física e equipamentos e processos Planejar os passos de organização dos processos e o desenvolvimento das oficinas tutoriais
Resultado esperados
Diagnóstico situacional com foco na carteira de serviços Primeiro plano de ação elaborado
O que? Como? Quem? Participantes Onde? Material de apoio Verificação(checklist)
Atividade 1 – primeira reunião com a equipe de coordenação do ambulatório
Apresentar a proposta do PlanificaSUS
Reunião inicial com a equipe de coordenação da unidade Consultora regional Referência técnica do PlanificaSUS no estado Tutores da SES Coordenador municipal da APS no município-sede Tutor do AAE Analista de tutoria Equipe da unidade (gerentes, coordenadores e referências técnicas do ambulatório) AAE-laboratório Anexo 1 – Apresentação do PlanificaSUS Computador e datashow Ata padrão de atividades Apresentação breve do
PlanificaSUS, com foco na AAE, em
PowerPoint, contendo justificativa
(por que organizar os processos da AAE: RAS e MACC), integração com a APS (continuidade do cuidado, diretrizes clínicas, microssistema
clínico), objetivos (descrição dos macroprocessos), foco nas
quatro funções (assistencial, educacional, supervisional e de pesquisa), metodologia (modelo de
melhoria contínua de processos) e desenvolvimento da tutoria
(encontros para supervisão, organização dos processos, monitoramento do plano de ação)