DIREITO PROCESSUAL CIVIL
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PONTO 1: Introdução
PONTO 2: Cumprimento de sentença nas execuções que tenham por objeto obrigação para pagamento
PONTO 3: Impugnação
PONTO 4: Títulos Executivos Judiciais – art. 475-N 1. Introdução:
Temos três categorias de obrigações:
1) Obrigações para pagamento:
A obrigação para pagamento corporificada em um título judicial, a execução também chamada de cumprimento de sentença vai se dar de acordo com as regras dos artigos 475-J e seguintes do CPC (procedimento introduzido pela Lei 11.232/05).
Se a obrigação para pagamento estiver corporificada num título extrajudicial a execução vai se dar de acordo com as regras 652 e seguintes do CPC.
No tocante a obrigações para pagamento temos também os procedimentos especiais executórios, como a Lei de execuções fiscais, lei que trata das execuções hipotecárias, as execuções especiais no Código que tem por objeto a obrigação o pagamento em dinheiro (execução alimentos e Fazenda Pública).
2) Obrigações de fazer ou não fazer:
Se a obrigação de fazer ou não fazer tiver corporificada em um título judicial, a execução, também chamada de cumprimento de sentença, se dá de acordo com art 4611
, CPC.
Em contrapartida, se estiver corporificada num título extrajudicial vai seguir as regras dos artigos 632 e seguintes.
Na execução de título extrajudicial dois artigos foram alterados: 634 e 637.
1 Art. 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 3) Obrigações de entrega de coisa:
Se a mesma estiver corporificada num título judicial a execução, também chamada de cumprimento de sentença, vai se dar de acordo com o artigo 461-A2.
Em contrapartida, se estiver corporificada num título extrajudicial vai seguir as regras dos arts. 621 e seguintes.
2. Cumprimento de sentença nas execuções que tenham por objeto obrigação para pagamento – execuções de título judicial:
O procedimento está previsto no livro I, Arts. 475-J e ss. Todavia, faltam regras. Na ausência de regras aplicam-se subsidiariamente as regras do livro II, por força do art 475-R3
.
Para que se aplicam as regras do livro II no livro I devem ser preenchidos dois requisitos:
1) ausência de regra própria;
2) compatibilidade das regras do livro II com as do livro I.
- Natureza: de acordo com o entendimento dominante, via de regra, o cumprimento de sentença não tem natureza de ação, a natureza dele é meramente incidental. Ele nada mais é do que um prolongamento da fase de conhecimento. Ou seja, hoje, ao invés de termos três processos, temos um único processo dividido em três fases: fase de conhecimento, fase de liquidação e fase de execução.
São divididas em três fases devido a três elementos no art. 475-J4 , CPC:
2 Art. 461-A. Na ação que tenha por objeto a entrega de coisa, o juiz, ao conceder a tutela específica, fixará o prazo para o
cumprimento da obrigação.
3 Art. 475-R. Aplicam-se subsidiariamente ao cumprimento da sentença, no que couber, as normas que regem o processo de execução
de título extrajudicial.
4 Art. 475-J. Caso o devedor, condenado ao pagamento de quantia certa ou já fixada em liquidação, não o efetue no prazo de quinze
dias, o montante da condenação será acrescido de multa no percentual de dez por cento e, a requerimento do credor e observado o disposto no art. 614, inciso II, desta Lei, expedir-se-á mandado de penhora e avaliação.
§ 1o Do auto de penhora e de avaliação será de imediato intimado o executado, na pessoa de seu advogado (arts. 236 e 237), ou, na falta deste, o seu representante legal, ou pessoalmente, por mandado ou pelo correio, podendo oferecer impugnação, querendo, no prazo de quinze dias.
§ 2o Caso o oficial de justiça não possa proceder à avaliação, por depender de conhecimentos especializados, o juiz, de imediato, nomeará avaliador, assinando-lhe breve prazo para a entrega do laudo.
§ 3o O exeqüente poderá, em seu requerimento, indicar desde logo os bens a serem penhorados.
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- Porque o cumprimento de sentença é desencadeado por requerimento.
- O devedor é intimado para pagar em 15 dias. Se fosse ação ele seria citado e não intimado.
- O devedor não embarga a execução, mas impugna.
O fundamento constitucional para essa alteração é o art. 5º, LXXVIII5
, CF, que introduziu no nosso sistema o princípio da duração do processo dentro de um prazo razoável como direito fundamental.
Essa nova natureza da execução não se aplica as execuções contra a Fazenda Pública. As execuções contra Fazenda Pública tem rito específico, prevista nos artigos. 7306
, 7317 e 7418
, CPC. Ou seja, as execuções contra Fazenda Pública continuam tendo natureza de ação, são desencadeadas por petição inicial, o devedor continua sendo citado, e a Fazenda continua embargando a execução.
Ou seja, só se aplica essa modificação aos particulares.
Detalhes do art. 475-J:
§ 5o Não sendo requerida a execução no prazo de seis meses, o juiz mandará arquivar os autos, sem prejuízo de seu desarquivamento a pedido da parte.
5 Art. 5º, LXXVIII, a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que
garantam a celeridade de sua tramitação.
6 Art. 730. Na execução por quantia certa contra a Fazenda Pública, citar-se-á a devedora para opor embargos em 10 (dez) dias; se
esta não os opuser, no prazo legal, observar-se-ão as seguintes regras:
I - o juiz requisitará o pagamento por intermédio do presidente do tribunal competente; II - far-se-á o pagamento na ordem de apresentação do precatório e à conta do respectivo crédito.
7 Art. 731. Se o credor for preterido no seu direito de preferência, o presidente do tribunal, que expediu a ordem, poderá, depois de ouvido o chefe do Ministério Público, ordenar o seqüestro da quantia necessária para satisfazer o débito.
8 Art. 741. Na execução contra a Fazenda Pública, os embargos só poderão versar sobre:
I – falta ou nulidade da citação, se o processo correu à revelia; II - inexigibilidade do título;
III - ilegitimidade das partes; IV - cumulação indevida de execuções; V – excesso de execução;
VI – qualquer causa impeditiva, modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que superveniente à sentença;
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No tocante ao cumprimento de sentença, um ponto controvertido é a questão da multa de 10% do art. 475-J.
A posição minoritária é que esta multa tem natureza punitiva, ou seja, ela é para punir o devedor que não pagou. Para esta primeira posição esta multa incide 15 dias após o transito em julgado e independentemente de intimação do devedor para pagar.
Atualmente, a posição dominante do STJ (decisão Corte especial neste sentido) tem entendido que esta multa prevista no art. 475-J tem caráter coercitivo, ou seja, o devedor é intimado para pagar em 15 dias, sob pena de multa.
Outro problema é a intimação para pagar em 15 dias:
Segundo o entendimento do STJ, a intimação para pagar em 15 dias pode ser feita na pessoa do advogado, ela não necessariamente precisa ser pessoal.
Requerimento para o desencadeamento para o cumprimento de sentença: em razão do artigo 475-J falar em requerimento, o entendimento dominante é que o cumprimento de sentença não pode ser desencadeado de ofício, como podem ser as execuções trabalhistas.
Neste requerimento, ainda, o credor já pode, desde logo, nomear bens a penhora. Ou seja, o devedor é intimado apenas para pagar em 15 dias, ele não é intimado para pagar e nomear bens como era antes, sendo o direito da nomeação de bens do credor.
A multa de 10%, segundo o entendimento dominante do STJ, é de que não incide na execução provisória, porque ele atrela a multa a coisa julgada material.
Intimado o devedor para pagar em 15 dias, poderá tomar algumas atitudes:
- a primeira hipótese é pagar, sendo extinta a execução.
- segunda possibilidade: não pagar e o credor ter nomeado bens á penhora.
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Em havendo bens penhoráveis, sejam bens indicados pelo credor ou devedor, vai ser lavrado um auto ou termo de penhora, sendo que o devedor será intimado dessa penhora. Essa intimação pode ser feita na pessoa do advogado, se não tiver advogado será pessoal. E se não for encontrado o devedor poderá ser por qualquer outro meio idôneo, inclusive, o edital.
Essa intimação é importante porque com ela nasce o direito do devedor de apresentar a impugnação à execução.
3. Impugnação:
Natureza: de acordo com o entendimento dominante a impugnação não é ação, ela é meramente incidental porque o CPC não previu para ela um procedimento autônomo.
O processamento dela encontra-se no art. 475-I9
, a impugnação vai se processar nos próprios autos da execução se o magistrado agregar efeito suspensivo a ela. Se o magistrado não agregar efeito suspensivo ela vai se processar em autos separados.
Prazo e contagem:
O prazo é de 15 dias para apresentação de impugnação. Quando a intimação é na pessoa do advogado é tranqüilo que é da data de publicação do edital. Quando a intimação é pessoal, tem duas posições:
- 1ª posição - o prazo conta-se da data da intimação efetiva;
- 2ª posição – o prazo contaria da data da juntada aos autos da execução da prova da intimação da penhora.
Não há posição consolidada, utiliza-se a literalidade da lei, a qual não refere juntada.
9 Art. 475-I. O cumprimento da sentença far-se-á conforme os arts. 461 e 461-A desta Lei ou, tratando-se de obrigação por
DIREITO PROCESSUAL CIVIL Segurança de juízo e impugnação:
A maioria da jurisprudência diz que precisa de segurança de juízo para apresentar a impugnação, porque o prazo para apresentação da impugnação flui com a penhora de bens. Todavia, Marinoni diz que não precisa (posição minoritária).
Segurança do juízo insuficiente:
O devedor tem patrimônio, mas não é o suficiente, mesmo que a penhora seja insuficiente o juízo é considerado seguro para apresentação da impugnação. É considerado seguro o juízo para que o credor possa levantar alguma quantia e após fazer um reforço da penhora.
Penhora de dinheiro:
No caso de penhora de dinheiro, de acordo com a jurisprudência do STJ, o prazo para apresentação da impugnação começa a fluir da data do depósito, e não da intimação do depósito.
Efeito suspensivo na impugnação – art. 475-M10
:
Regra – a impugnação não tem efeito suspensivo.
Exceção – o magistrado pode agregar efeito suspensivo, desde que, sejam preenchidos alguns requisitos, sendo que dois deles estão na lei e um deles é exigido predominantemente na jurisprudência e doutrina:
1) a relevância dos fundamentos da impugnação que é a probabilidade do direito estar ao lado do devedor;
2) o risco de dano irreparável se a execução prosseguir. Toda execução que prossegue tem risco de dano irreparável, sendo o requisito mais fácil.
10 Art. 475-M. A impugnação não terá efeito suspensivo, podendo o juiz atribuir-lhe tal efeito desde que relevantes seus fundamentos
e o prosseguimento da execução seja manifestamente suscetível de causar ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação. § 1o Ainda que atribuído efeito suspensivo à impugnação, é lícito ao exeqüente requerer o prosseguimento da execução, oferecendo e prestando caução suficiente e idônea, arbitrada pelo juiz e prestada nos próprios autos.
§ 2o Deferido efeito suspensivo, a impugnação será instruída e decidida nos próprios autos e, caso contrário, em autos apartados. § 3o A decisão que resolver a impugnação é recorrível mediante agravo de instrumento, salvo quando importar extinção da execução, caso em que caberá apelação.
DIREITO PROCESSUAL CIVIL Esses dois requisitos são cumulados.
3) O requerimento de efeito suspensivo e, conseqüentemente, a maioria entende que o efeito suspensivo não pode ser agregado de ofício.
Exceção da exceção –
Se o Magistrado agregar efeito suspensivo a impugnação, o credor poderá requerer a revogação do mesmo mediante a prestação de caução que poderá ser tanto real quanto fidejussória.
Efeito suspensivo parcial:
O efeito suspensivo parcial ocorre sempre que o devedor deduzir o excesso de execução. Sempre que o devedor afirmar que há excesso de execução não basta dizer que tem excesso, o devedor deverá dizer qual é o valor da dívida e, conseqüentemente, o valor do excesso - art. 475-L, V11
c/c §2º12
, CPC. Ou seja, de acordo com este artigo, o legislador forçou o devedor a reconhecer dívida, forçou o devedor reconhecer parcelas incontroversas. Se o devedor argüiu o excesso e não reconhece parcelas incontroversas a impugnação será rejeitada liminarmente.
Em contrapartida, se ele reconhece parcelas incontroversas é feita a seguinte indagação. Será que se for agregado efeito suspensivo, o efeito suspensivo vai atingir toda a execução ou será que o efeito suspensivo vai atingir apenas as parcelas controvertidas? Neste caso, apenas as parcelas controvertidas serão atingidas. No tocante as parcelas incontroversas, a execução irá prosseguir como execução definitiva.
Obs:
Nos embargos e execução contra a fazenda pública, a fazenda também pode argüir o excesso, previsto no art. 741, CPC. Todavia, o art. 741 não contém disposição similar ao do art. 475-L, §2º, no sentido de que a fazenda deva reconhecer parcela incontroversa.
11 Art. 475-L. A impugnação somente poderá versar sobre:
V – excesso de execução.
12 Art. 475-L, § 2o Quando o executado alegar que o exeqüente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior à resultante da
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Nota-se que apesar do princípio da indisponibilidade do interesse da fazenda pública, a disposição do art. 475-L, §2º não deveria se aplicar aos embargos de execução contra a fazenda pública, não precisando reconhecer divida quando embargar. Porém, o STJ afirma que se aplica, subsidiariamente, as disposições contempladas no art. 475-L, §2º.
Responsabilidade civil do credor na execução definitiva de títulos judiciais: Credor executa uma sentença transitada em julgado no valor de R$ 100.000,00 e consegue uma penhora on-line. Devedor impugna, mas não consegue efeito suspensivo. A execução é definitiva, portanto, o credor levanta a quantia em dinheiro e não presta caução. Após, o magistrado julga a impugnação acolhendo a mesma e extingue a execução. O credor levantou o valor indevidamente, pode o devedor buscar de volta o dinheiro? Como busca e qual a natureza da responsabilidade civil do credor? Este tema não foi tratado no livro I, mas está no livro II, mas precisamente no art. 57413
, CPC.
Evidentemente, que o devedor poderá buscar de volta eventual o que pagou indevidamente ao credor. Imaginar o contrário acarretaria o enriquecimento injustificado.
De acordo com o entendimento dominante, o devedor não precisa ajuizar uma ação contra o credor, mas sim liquidará os prejuízos sofridos nos próprios autos da execução.
Trata-se de responsabilidade civil de natureza objetiva do credor, porque fundada no risco. O credor que levanta dinheiro, que promove a venda de bens quando ainda há uma impugnação pendente de julgamento assume o risco de causar prejuízo ao devedor.
Matérias deduzíveis em sede de impugnação – art. 475-L14:
Uma primeira indagação é se o elenco contemplado no art. 475-L seria um elenco taxativo ou exemplificativo:
13 Art. 574. O credor ressarcirá ao devedor os danos que este sofreu, quando a sentença, passada em julgado, declarar inexistente, no
todo ou em parte, a obrigação, que deu lugar à execução.
14 Art. 475-L. A impugnação somente poderá versar sobre:
I – falta ou nulidade da citação, se o processo correu à revelia; II – inexigibilidade do título;
III – penhora incorreta ou avaliação errônea;
IV – ilegitimidade das partes; V – excesso de execução;
VI – qualquer causa impeditiva, modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que superveniente à sentença.
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1ª posição – Araken de Assis – entende que se trata de elenco taxativo em razão da palavra somente.
2ª posição – Ministro Teori Zavascki não concorda. Afirma que, em que pese a palavra somente, outras matérias também podem ser arguidas que não estão elencadas no art. 475-L. Teori refere as questões de ordem pública que por serem pronunciáveis de oficio, evidentemente, também podem ser argüidas. Refere os pressupostos processuais e demais condições da ação.
Teori refere a sentença arbitral nos termos da Lei 9.307/96, o devedor pode arguir, em sede de execução, vícios formais do procedimento arbitral.
Em razão da restrição de matérias contempladas no artigo 475-L afirma-se que a cognição é sumária e não plenária.
O inciso I trata da nulidade ou inexistência de citação se o processo correu a revelia do devedor. Este inciso I contempla o que a doutrina costuma chamar de sobrevivência da querella nullitatis no direito brasileiro, a doutrina paulista utiliza o termo vício transrescisório. A inexistência ou nulidade de citação é um vício tão sério e grave que compromete a formação regular da relação processual. Ou seja, a relação processual nasce com vício. Sentenças prolatadas nesses processos, nos quais faltou citação ou é nula, não transitam em julgado materialmente nunca.
Conseqüência disso: essas sentenças não são rescindíveis, não são atacadas através de uma ação rescisória. Rescisórias ajuizadas por nulidade ou ausência de citação a inicial, via de regra, é indeferida liminarmente.
O devedor, em se tratando de sentença condenatória, tem dois caminhos:
1ª- o devedor poderá assumir uma postura ativa, ajuizando uma ação para desconstituir essa sentença. De acordo com o entendimento dominante trata-se da ação anulatória, sem prazo para ser ajuizada, pois o vício nunca é sanado.
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Tereza Arruda Alvim Wambier tem outro entendimento. Afirma que a ação que deve ser ajuizada é ação declaratória de inexistência de relação processual, porque, segundo ela, a citação é pressuposto processual de existência, e se há algum vício nela, a relação processual não se formou.
2ª - O devedor poderá adotar uma atitude passiva. Fica calado, aguardado a execução, sem ajuizamento de ação. Pois esse vício não irá sanar nunca. Argui na execução em sede de impugnação.
O inciso II trata da inexigibilidade do título. Este inciso já encontra um problema, uma vez que desatualizado, pois, hoje, as características da certeza, liquidez e da exigibilidade não são mais características do título, mas sim da obrigação nela contemplada. Ou seja, hoje, o título deverá corporificar uma obrigação líquida, certa e exigível, sob pena de nulidade (art. 61815, CPC). Obrigação liquida é aquela que é determinada quanto ao objeto da prestação. A prestação certa é aquela corporificada num título executivo previsto em lei como tal. E a obrigação exigível não está sujeita a termo ou condição, ou seja, não esteja vencida.
O §1º16 do art. 475-L contempla a hipótese de inexigibilidade de obrigação contemplada no título diante de inconstitucionalidades. Essa idéia do §1º existe no art. 741, parágrafo único17, CPC. Essa idéia nasceu com a MP 2180/2000.
A tese da relativização da coisa julgada está positivada na execução, nestes dois dispositivos legais.
15 Art. 618. É nula a execução:
I - se o título executivo extrajudicial não corresponder a obrigação certa, líquida e exigível (art. 586); II - se o devedor não for regularmente citado;
III - se instaurada antes de se verificar a condição ou de ocorrido o termo, nos casos do art. 572.
16 475-L, § 1o Para efeito do disposto no inciso II do caput deste artigo, considera-se também inexigível o título judicial fundado em
lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal.
17 Art. 741. Parágrafo único. Para efeito do disposto no inciso II do caput deste artigo, considera-se também inexigível o título
judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal.
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Controle concentrado x Art. 475-L, §1º (art. 741, parágrafo único):
Em sede de controle concentrado a regra é de que os efeitos se dão erga omnes, com caráter ex tunc. Ou seja, a norma é retirada do sistema desde a sua origem. Logo, em ocorrendo essa hipótese, o devedor poderá impugnar, se valer da previsão do §1º.
Em sede de controle concentrado é possível que o STF module os efeitos. Ou seja, o STF, por 2/3 de votos dos seus membros, pode dizer que os efeitos que se dão em caráter erga omnes, mas em caráter ex nunc. Ou seja, a norma é retirada do sistema a partir da declaração de inconstitucionalidade ou, eventualmente, a partir de determinada data. Portanto, se o STF, se a norma é retirada do sistema a partir da declaração de inconstitucionalidade, o devedor não poderá se valer da previsão do §1º.
Em sede de controle difuso, os efeitos são inter partes, o que, em tese, afasta a possibilidade do devedor se valer desse §1º. Todavia, há decisões do STF, agregando o efeito erga omnes no efeito difuso. A primeira decisão foi a Reclamação 4335, relator Gilmar Mendes, denominado pela doutrina o fenômeno de mutação constitucional.
O inciso III trata da penhora indevida (penhora bem impenhorável, excesso de penhora) ou do erro de avaliação (avaliação que não externa a realidade do valor de mercado do bem).
O inciso IV trata da ilegitimidade de parte. Além disso, poderá ser arguida a falta de interesse de agir e a falta de possibilidade jurídica.
O inciso V trata do excesso à execução já visto.
O inciso VI trata de causas extintivas da obrigação, desde que supervenientes a sentença, como, por exemplo, o pagamento, a novação, a compensação, a prescrição.
Se essas causas extintivas forem anteriores a sentença e a parte não as tiver argüido é caso de preclusão consumativa, não tendo como argüir a causa posteriormente.
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- A natureza do provimento que julgar uma impugnação e o recurso cabível – Art. 475-M18:
Há três situações:
- impugnação acolhida para que a execução seja extinta. Neste caso, o provimento tem natureza de sentença. Logo, o recurso cabível é a apelação.
- Impugnação é rejeitada. Nesta hipótese, tem natureza de decisão interlocutória. Logo é cabível o agravo de instrumento.
- Impugnação parcialmente acolhida (hipótese não consta no artigo). Neste caso, tem natureza também de interlocutória, sendo atacada, portanto, através do agravo de instrumento.
4. Títulos Executivos Judiciais – art. 475-N19
: Inciso I: trata de três categorias de sentença:
1) Sentenças que reconheçam a obrigação para pagamento.
2) Sentenças que reconheçam o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer – são cumpridas de acordo com o art. 46120.
3) Sentenças que reconheçam a obrigação para entrega de coisa certa ou incerta. – são cumpridas de acordo com o art. 461-A21
.
18 Art. 475-M. A impugnação não terá efeito suspensivo, podendo o juiz atribuir-lhe tal efeito desde que relevantes seus fundamentos
e o prosseguimento da execução seja manifestamente suscetível de causar ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação.
19 Art. 475-N. São títulos executivos judiciais:
I – a sentença proferida no processo civil que reconheça a existência de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia; II – a sentença penal condenatória transitada em julgado;
III – a sentença homologatória de conciliação ou de transação, ainda que inclua matéria não posta em juízo; IV – a sentença arbitral;
V – o acordo extrajudicial, de qualquer natureza, homologado judicialmente; VI – a sentença estrangeira, homologada pelo Superior Tribunal de Justiça;
VII – o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal.
Parágrafo único. Nos casos dos incisos II, IV e VI, o mandado inicial (art. 475-J) incluirá a ordem de citação do devedor, no juízo cível, para liquidação ou execução, conforme o caso.
20 Art. 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da
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1) Sentenças que reconheçam a obrigação para pagamento.
O CPC, no inciso I do art. 475-N, deixou de usar o verbo condenar. Todavia, evidentemente, mesmo que o verbo condenar não esteja expresso no inciso I, as sentenças continuam sendo título.
A grande discussão é se o CPC teria positivado e execução de sentenças declaratórias. A finalidade do ajuizamento de uma ação declaratória e, conseqüentemente, de uma sentença declaratória é trazer certeza ao mundo jurídico. Nestas há o reconhecimento da existência ou inexistência de uma relação jurídica ou falsidade de um documento.
A partir de 2005, muitos começaram afirmar que positivamos a execução de sentença declaratória por causa do verbo reconhecer. Porém, esta tese não é nova, é do Ministro Teori Zavascki, dizendo que é possível execução de declaração. Há muitos exemplos no âmbito de direito bancário e tributário que o STJ adota essa tese.
Exemplo: nas ações envolvendo direito bancário - ações revisionais, o devedor menciona que deve 30 e não 100 que o Banco está cobrando. O Magistrado reconhece que ele deve 30, esse 30 que a sentença reconhece será que o Banco deve ajuizar uma ação de cobrança ou executa a quantia? Há três posicionamentos:
1ª posição: STJ tem admitido a execução de declaração, devido a celeridade do processo e economia processual.
2ª posição: não é possível execução de declaração porque as sentenças declaratórias não precisam ser executadas, tem a finalidade apenas de trazer certeza ao mundo jurídico Ou seja, a relação jurídica existe ou não existe.
3ª posição: diz que é possível a execução dessas sentenças, mas o que se está executando não é propriamente a declaração, mas sim efeito anexo condenatório. Ou seja, a sentença que reconhece a obrigação para pagamento gera o efeito anexo condenatório de pagamento da dívida.
21 Art. 461-A. Na ação que tenha por objeto a entrega de coisa, o juiz, ao conceder a tutela específica, fixará o prazo para o