Olimpíada Brasileira de Linguística
uma breve introdução
O que é Linguística?
A Linguística é o estudo científico da linguagem humana como fenômeno natural em sua totalidade, em sua realidade multiforme e em suas múltiplas relações. Ela se fundamenta na observação direta e se abstém de toda e qualquer prescrição. Trata de compreender e descrever a linguagem em uso, sem interferir no seu funcionamento e sem estabelecer regras, modelos ou padrões normativos. O linguista, como qualquer cientista, entende que seu objeto de estudo é completo em si mesmo e que ele existe e se desenvolve independentemente da existência do linguista e da própria Linguística. Como a linguagem se manifesta em línguas, a linguística interessa-se por todas as línguas em todos os seus níveis e modalidades.
O que é uma Olimpíada de Linguística?
Assim como as demais Olimpíadas de Conhecimento que têm se popularizado no Brasil, a OBL (Olimpíada Brasileira de Linguística) é um excelente instrumento para motivar estudantes em idade escolar para a empreitada intelectual, a pesquisa científica e a vivência multicultural.
Olimpíadas de Linguística não esperam dos competidores domínio sobre ideias e conteúdos previamente estudados. Ao invés disso, introduzem problemas inteiramente novos, exigem dos estudantes conhecimento de mundo e raciocínio lógico para perceber padrões, montar estruturas implícitas, deduzir princípios e construir explicações. Estes podem envolver diferentes sons, estruturas sintáticas, sistemas conceituais e ligações culturais e históricas entre diferentes línguas e respectivas sociedades.
Dessa forma, olimpíadas de linguística fomentam o plurilinguismo, o interesse por outras culturas do mundo, o raciocínio lógico e metalinguístico. No mundo profissional, essas competências são valorizadas e desempenham um papel decisivo na área de relações públicas, para o intercâmbio de ideias e contato com diferentes grupos de pessoas, na pesquisa acadêmica em Ciências Humanas, em diversos ramos da computação, tecnologias de linguagem e de tradução, assim como qualquer carreira que envolve habilidades analíticas, de resolução de problemas e a habilidade de desenvolver modelos e argumentos lógicos a partir de um corpus de dados.
A Olimpíada Internacional de Linguística acontece anualmente desde 2003, e vem crescendo, atualmente com a participação de 26 países.
Como funciona a Olimpíada Brasileira de Linguística?
A Olimpíada Brasileira de Linguística é promovida todos os anos, em duas fases. Cada edição recebe um sobrenome especial. A próxima edição recebeu o nome de paraplü, palavra em papiamento para guarda-chuva.
A primeira fase consiste em seis desafios envolvendo diferentes línguas e/ou códigos utilizados para comunicação – inclusive variedades do português. Essa fase é realizada nas respectivas escolas em que se encontram os competidores com a ajuda de um professor que inscreva a instituição e que se responsabilize pela aplicação da primeira prova nas dependências da mesma. Elaborada anualmente pela Comissão Acadêmica da OBL, a prova da primeira fase é enviada antecipadamente em formato PDF, por e-mail, para o professor que inscreveu a escola na competição e é aplicada pelo mesmo em data e hora estabelecida pela Comissão Organizadora na própria escola. Em seguida, o professor recebe, mais uma vez via e-mail, o gabarito e os critérios de correção. As provas corrigidas devem ser enviadas de volta à Comissão Organizadora que divulgará, na sequência, o nome dos competidores promovidos para a segunda fase.
A segunda fase é realizada de forma presencial em um local a ser designado pela Comissão Organizadora. Esta consiste em uma semana na qual ocorre a chamada “Escola de Linguística”: uma série de oficinas e atividades envolvendo temas pertinentes ao estudo dos diversos ramos da Linguística e de interesse para a faixa etária dos alunos. Durante esse tempo também são realizadas as provas da segunda fase: uma individual e uma por equipes, de maneira similar ao sistema da Olimpíada Internacional de Linguística (IOL). As equipes são definidas durante o encontro.
Os melhores competidores são premiados com medalhas e menções honrosas. Todos os participantes recebem certificados. Os quatro mais destacados integrarão a equipe que representará o Brasil na IOL 11, que ocorrerá em julho de 2013 na cidade de Manchester, Reino Unido.
Como se preparar para a OBL?
O treinamento para as olimpíadas de linguística pode ser realizado de forma autônoma pelos alunos competidores ou ser coordenado por um professor como atividade opcional ou extraclasse na instituição de ensino. Reflexões a respeito da estrutura e do funcionamento da língua portuguesa, comparações entre diferentes idiomas, análise de ambiguidades, traduções reflexivas e exercícios de lógica são apropriados para esse trabalho. Uma referência bibliográfica introdutória é o Pequeno Tratado sobre a Linguagem Humana, de David Crystal (Ed. Saraiva, 2012). No site da OBL (sites.google.com/site/olimpiadalinguistica) é possível ver algumas sugestões mais específicas. Além disso, é interessante conhecer outras questões de linguística. No site da OBL estão à disposição as provas das duas edições anteriores, bem como suas soluções comentadas. Outras fontes ricas em material são os sites de outras olimpíadas nacionais – em particular, da Olimpíada Norte-Americana de Linguística Computacional (NACLO) (www.naclo.cs.cmu.edu) e da Olimpíada Internacional de Linguística (IOL) (http://www.ioling.org). Neste último, é possível encontrar também links para as páginas das olimpíadas de todos os países participantes.
Por último, o Comitê Acadêmico da OBL está sempre trabalhando para produzir materiais didáticos e textos de apoio. Verifique sempre o nosso site para saber das últimas novidades.
Como são os desafios concretamente? Me dá um exemplo.
Um só, não. Dois.Ambos os seguintes desafios foram retirados da primeira fase da prova Kytã, a OBL de 2011, e estão acompanhados de suas respectivas resoluções comentadas.
Exemplo 1: Adjetivos
Ler é uma forma muito eficiente de ganhar vocabulário, talvez mais do que buscar verbetes aleatórios em um dicionário. Isso porque somos capazes de aprender significados das palavras atentando para o contexto em que elas são empregadas. Por exemplo, imagine que você se depare com as seguintes sentenças:
“Que cabriocárica menina!” exclamei para meu companheiro que também admirava. “Como deve ser mediováigel a alma que mora naquele rosto esteno!”
Quem imaginaria que naquele tirano lídel de aparência estrogonófica escondia-se um coração mediováigel de sentimentos aericoptelizados?
Cravava nos moços um olhar lídel, estrogonófico.
E o devo, porque um fidalgo que mata uma criatura rélpis e mediováigel comete uma ação estrogonófica.
Baseado nas frases acima, sublinhe, dentre as alternativas fornecidas, qual a palavra que mais
provavelmente pertence a cada frase abaixo.20 pt cada
Tinha o temperamento estrogonófico de um [ lídel – mediováigel ] .
Catilina é, antes de tudo, um lídel. Não tem a mediovaigelidade [ rélpica – estrogonófica ] do governante aericoptelizado que descreves.
— Sois estrogonófico, senhor.
— Não diria tanto de mim. Sou no máximo [ lídel – cabriocárico ] .
Tudo era aericoptelizado no cenário que a natureza, artista [ cabriocárica – lídel ] , tinha decorado para os dramas estenos dos elementos, em que o homem é apenas um rélpis. Naquela individualidade singular entrechocavam-se, antinômicas, tendências
[ estrogonóficas – aericoptelizadas ] e qualidades estenas, umas e outras no máximo grau de intensidade.
Solução
As palavras aericoptelizado, cabriocárico, esteno, estrogonófico, lídel, mediováigel, rélpis e suas derivadas não fazem parte do português padrão, e estão empregadas com sentidos ad hoc nesta questão. O aluno deveria perceber as relações semânticas entre elas em cada frase, além de derivações como mediováigel mediovaigelidade.
Para responder corretamente os itens, era suficiente notar que lídel e estrogonófico tinham sentidos negativos, enquanto aericoptelizado, cabriocárico, esteno, mediováigel e rélpis tinham sentidos positivos. Em edições posteriores, relações semânticas mais complexas serão exploradas.
Vamos ver, caso a caso, como isto poderia ser deduzido das frases:
“Que cabriocárica menina!” exclamei para meu companheiro que também admirava. “Como deve ser mediováigel a alma que mora naquele rosto esteno!”
Aqui está explicito que a exclamação parte de alguém que admira a menina. Os adjetivos cabriocárica, mediováigel, e esteno estão portanto empregados como elogios.
Quem imaginaria que naquele tirano lídel de aparência estrogonófica escondia-se um coração mediováigel de sentimentos aericoptelizados?
As expressões “tirano lídel de aparência estrogonófica” e “coração mediováigel de sentimentos aericoptelizados” demonstram aproximações semânticas entre tirano, lídel e estrogonófico, por um lado, e entre mediováigel e aericoptelizado, por outro. Além disso, a frase sugere que é surpreendente que um “tirano lídel de aparência estrogonófica” tenha “um coração mediováigel de sentimentos aericoptelizados”, opondo os dois grupos. No primeiro grupo, tirano é uma palavra conhecida e de sentido negativo; no segundo, sabe-se, da Sentença 1, que mediováigel tem uma conotação positiva.
Cravava nos moços um olhar lídel, estrogonófico.
Nesta sentença, fica evidente apenas uma proximidade semântica ente lídel e estrogonófico, mas o julgamento (bom ou ruim) é ambíguo. Note, entretanto, que estes adjetivos estão empregados como numa gradação. Não era fundamental para a questão, mas estrogonófico deve ser mais intenso que lídel. Sabemos do sentido negativo de ambos os adjetivos por causa da Sentença 2.
E o devo, porque um fidalgo que mata uma criatura rélpis e mediováigel comete uma ação estrogonófica.
Aqui, rélpis e mediováigel estão empregados em sentido aditivo. Da Sentença 1, sabemos que mediováigel tem sentido positivo, logo rélpis também deve ter, e matar “uma criatura rélpis e mediováigel” não deve ser algo bonito, reforçando a negatividade de estrogonófico.
As frases corretas eram, portanto:
Tinha o temperamento estrogonófico de um lídel.
Catilina é, antes de tudo, um lídel. Não tem a mediovaigelidade rélpica do governante aericoptelizado que descreves.
— Sois estrogonófico, senhor.
— Não diria tanto de mim. Sou no máximo lídel.
Tudo era aericoptelizado no cenário que a natureza, artista cabriocárica, tinha decorado para os dramas estenos dos elementos, em que o homem e apenas um rélpis.
Naquela individualidade singular entrechocavam-se, antinômicas, tendências
estrogonóficas e qualidades estenas, umas e outras no máximo grau de intensidade.
Para saber mais
A questão foi inspirada em um featured problem que aparece no site da UKLO (Olimpíada de Linguística do Reino Unido), edição de 2007, cujo link segue abaixo. Para o vocabulário da nossa versão, nos inspiramos em um clássico do YouTube: o radialista Carro Velho, o Rei do Elogio, de
Quixeramobim, CE. Mas os sentidos que demos aos elogios dele foram de nossa livre criação. http://www.uklo.org/test%20material/2007/eng-molistic.pdf
http://www.youtube.com/watch?v=K6lO1rfW6F8
Exemplo 2: Alfabeto Cirílico
Nem todas as línguas são escritas com as mesmas letras. Nosso alfabeto, o chamado alfabeto latino, é predominante na maioria das línguas europeias, mas mesmo na Europa existem alfabetos diferentes, como o grego e o cirílico.
O alfabeto cirílico é usado por muitas das línguas do leste europeu, incluindo russo, búlgaro e sérvio. A maior parte das letras do alfabeto latino possui correspondentes nas letras cirílicas. Algumas letras são bastante parecidas, outras podem confundir. Existem, contudo, alguns sons cirílicos para os quais não possuímos letra no nosso alfabeto. Por exemplo, pronunciaríamos o nome da cidade de Балашиха como "Baláchikha"; já o rio Щугор, o chamaríamos de "Chtchugor".
O contrário também vale: certos sons do português são difíceis de representar em cirílico. Por exemplo, veja como os russos escrevem alguns nomes conhecidos no Brasil:
Agora é sua vez: como você escreveria o nome dos seguintes lugares da Rússia? 70 pt
Владивосток, Нижний Новгород, Волга река, Махачкала, Благовещенск, Майкоп, Брянск.
Algumas cidades, mais famosas, têm nome aportuguesado. Identifique os nomes em português das seguintes cidades: 30 pt
Москва, Санкт-Петербург, Београд.
Pontuação
10 pontos para cada item correto.
Solução
Essa questão pretendia chamar a atenção para sistemas de escritas diferentes do nosso e, em particular, familiarizar o estudante com o alfabeto cirílico. Em edições posteriores, outros alfabetos aparecerão.
Como em outras questões, há nesta uma "chave de conversão", que são os nomes brasileiros, escritos no alfabeto cirílico. A partir dele, é possível deduzir a maior parte das letras. As vogais são iguais às latinas, com exceção de и (i), у (u) e я (iá) . As consoantes que aparecem são: р (r), д (d), ж (j), н (n), с (s), п (p), л (l), з (z), ф (f), ш (ch), в (v), ч (tch). Algumas consoantes são especialmente perigosas, como р, que parece o nosso p, ou в, que parece o nosso B, ou ainda я, que parece um R
Rio de Janeiro São Paulo Brasília Recife Rio Paraguai Vitória da Conquista Xique-Xique Tchau! Рио-де-Жанейро Сан-Пaулу Бразилия Ресифи Парагвай река Витория-да-Конкиста Шики-Шики Чао!
ao contrário. Aqui a mensagem é que os mesmos símbolos podem representar sons diferentes, em códigos diferentes.
Era importante, ainda, o aluno não se distrair com a forma escrita das palavras, mas perceber como elas são de fato pronunciadas. Assim, em Brasília aparece um з (z), embora representemos, neste caso, tal som com a letra “s”. O mesmo ocorre com o som de у (u) no fim da palavra Paulo e com o som de и (i) no fim da palavra Xique.
Duas consoantes, deixadas de propósito sem tradução, podem ser compreendidas porque são quase idênticas às suas versões latinas, como т (t) e к (k). Ambas aparecem no primeiro nome a ser traduzido, que é um nome conhecido: Vladivostok. Essa palavra pode dar certa segurança para a tradução das demais.
Propositalmente, a letra i aparece às vezes na sua versão simples, и e outras na sua versão com diacrítico, й. O aluno deveria perceber que a primeira refere-se à vogal i, enquanto a segunda, à semivogal i. Outra vogal especial era я, que representa o ditongo "iá". Isso destaca uma percepção diferente sobre algumas palavras comuns em português, como Brasília, que está na chave, ou Criança (que, transliterada, ficaria Криянса).
Por fim, há uma palavra que precisa ser traduzida, e não somente transliterada. Trata-se de река (rio), que aparece na chave de transcrição. Isso vem da percepção de que não basta ler cegamente os nomes, quando se trata de reconhecer um lugar estrangeiro. É importante saber se o nome se refere a um rio, uma montanha, uma rua ou uma cidade, se o nome traz essa informação. Assim, traduzir Волга река como “Volga Reka” e não “Rio Volga” é tão ruim quanto traduzir, do português para o inglês, Rua dos Pinhais para Rua dos Pinhais Street.
Resumindo, o resultado das transcrições fica:
Владивосток Vladivostok / Vladivostoque
Нижний Новгород Nijni / Nijnii / Nijniy Novgorod
Волга река Rio Volga [não vale "Volga Reka"]
Махачкала Makhatchkala / Marratshkala / Marratxcala
Благовещенск Blagovechtchensk / Blagoveshtshensk
Майкоп Maikop
Брянск Briansk / Bransk
Algumas variações são aceitáveis, como intercambiar ch, sh e x, transcrever k como q ou qu, ou qualquer outra que preserve aproximadamente o som. A acentuação ou indicação da sílaba tônica não são necessárias, então não devem descontar ou adicionar pontos.
A segunda parte da questão é ligeiramente mais difícil, exigindo que o participante não apenas tenha entendido o alfabeto, mas consiga aproximar a pronúncia russa de suas versões portuguesas. Os nomes são (as respostas precisam conter os nomes da terceira coluna, mas não necessariamente os da segunda):
Москва Moskva Moscou
Санкт-Петербург Sankt-Peterburg São Petersburgo
Београд Beograd Belgrado
Para saber mais
Pode-se aprender o alfabeto cirílico completo na wikipédia ou em qualquer curso de russo, sérvio, etc., na internet ou em livro. O cirílico é bastante inspirado no alfabeto grego, e isso não é uma
coincidência; o alfabeto foi criado por monges bizantinos (um deles, que deu o nome à língua, chamava-se Cirilo), para traduzir a Bíblia Sagrada para a língua falada pelos povos eslavos.
Para uma discussão mais geral sobre alfabetos e outos sistemas de escrita (silabários, abjads, escrita ideogramática, etc.), veja o artigo da wikipédia em inglês sobre sistemas de escrita. Para um mapa genealógico de todos os sistemas de escrita “naturais”, ver site da Promotora Espanhola de Linguística (link abaixo).
Um alfabeto especial é o International Phonetic Alphabet, que se pretende uma representação sem ambiguidade de todos os fonemas existentes em todos os alfabetos. Há um aplicativo interessante, com os sons de cada fonema, na página de Paul Meier.
Todos os lugares citados na questão possuem artigos nas wikipédias em inglês e em russo. Algumas delas são bastante interessantes.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alfabeto_cir%C3%ADlico http://aprender-russo-online.blogspot.com/ http://en.wikipedia.org/wiki/Writing_System http://www.proel.org/index.php?pagina=alfabetos http://www.paulmeier.com/ipa/ http://en.wikipedia.org/wiki/Nizhny_Novgorod
Como inscrever sua escola para a OBL?
Para inscrever uma escola, é necessário apenas que um professor, coordenador, diretor, etc. da escola se ofereça como o representante daquela escola na OBL. Suas obrigações são a divulgação e a aplicação da primeira fase nas dependências da escola, a correção (sozinho ou com ajuda) das provas realizadas na mesma e, quando possível, a promoção de atividades pedagógicas de caráter linguístico.
Para efetivar a inscrição, basta enviar um e-mail para [email protected] com nome, endereço e telefone da escola, além do nome e endereço de e-mail do professor representante. Não existe número mínimo nem máximo de alunos participantes por escola. A olimpíada é voltada para estudantes do Ensino Médio, porém são aceitas participações de alunos provenientes das últimas séries do Ensino Fundamental.
A primeira fase da Edição Paraplü acontecerá no dia 20 de Outubro de 2012. Desejamos boa sorte a todos os participantes e que sejam bem vindos à comunidade da OBL!
Olimpíada Brasileira de Linguística Comissão Organizadora