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Teoria Geral do Processo

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Academic year: 2021

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Referências:

CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Candido Rangel. Teoria geral do processo. 26. ed. rev. e atual. São Paulo : Malheiros, 2010.

GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Novo curso de direito processual civil. 7. ed. São Paulo : Saraiva, 2010. Vol. 1.

Teoria Geral do

Processo

Competência

2011

O presente roteiro destina-se a apontar sucintamente o conteúdo da competência previstas no ordenamento jurídico brasileiro. Utilizado como material de apoio e acompanhamento das aulas da disciplina de Teoria Geral do Processo ministrada pelo Prof. Esp. Hilário Vetore Neto, na Faculdade Estácio de Sá de Ourinhos/SP.

Roteiro de

Estudos

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Competência

Conceito

São inúmeros os processos que podem ser instaurados em decorrência dos conflitos existentes entre as pessoas dentro de um determinado território. Sabemos, por outro lado, que a jurisdição, como função do Estado, é uma, não comportando fragmentações ou divisões – cada juiz ou tribunal é plenamente investido dela.

Contudo, por razões de uniformização do atendimento o exercício da jurisdição é distribuído pela constituição e pela legislação ordinária entre os diversos órgãos jurisdicionais. Por isso, Liebman definiu competência como sendo: quantidade de jurisdição cujo exercício é atribuído a cada órgão jurisdicional.

Distribuição da Competência

Para proceder à divisão, o legislador certamente parte de sua experiência e utiliza-se de três operações lógicas: a) constituição diferenciada de órgãos judiciários; b) elaboração de grupos de causas; c) atribuição dos diversos grupos de causas aos órgãos mais preparados para conhecê-las.

No Brasil a distribuição da competência ocorre em diversos níveis, partindo-se da própria Constituição Federal, passando pela legislação ordinária federal, em seguida a legislação estadual.

Órgãos Judiciários Diferenciados

Cada país tem seus órgãos judiciários organizados de determinada forma, segundo seus próprios critérios e conveniências locais. Para estudarmos a estrutura vigente no Brasil, devemos observar os órgãos judiciários criados, principalmente pela Constituição Federal.

Nesse estudo da organização judiciária devem ser tidos os seguintes pontos fundamentais: a) a existência de órgãos jurisdicionais isolados, no ápice da pirâmide judiciária (STF e STJ); b) existência de diversos organismos jurisdicionais autônomos (as diversas “Justiças”); c) a existência, em cada “Justiça” de órgãos judiciários superiores e inferiores (duplo grau de jurisdição); d) a divisão judiciária, com a distribuição dos órgãos pelo território nacional; e) existência de mais de um órgão judiciário de igual categoria no mesmo lugar (comarcas, seções judiciárias); f) instituição de juízes substitutos com competência reduzida.

Diante desses elementos, surge a proposta de solução e definição da competência a partir de uma lista de questionamentos, tendo como base que a competência deve ser definida partindo-se do órgão mais graduado em direção ao menos graduado, ou seja, de “cima para baixo” e não como costumamos analisar (dos órgãos inferiores para os superiores). Portanto, fica proposto o seguinte esquema:

a) competência internacional (a qual Estado soberano compete julgar a demanda?) b) competência de jurisdição (a qual Justiça compete?)

c) competência originária (compete a órgão superior ou inferior?)

d) competência de foro (qual comarca, ou seção judiciária competente?) e) competência de juízo (qual vara competente?)

f) competência interna (qual o juiz competente?)

g) competência recursal (competente o mesmo órgão ou um superior?)

Competência Absoluta e Competência Relativa

É o interesse público pela perfeita atuação do Poder Judiciário que distribui a competência dentro do território brasileiro. No entanto, o interesse das partes é levado em consideração em

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Nos casos em que a competência fixada pelo interesse público (competência de jurisdição, originária, de juízo , interna), o sistema jurídico-processual como regra não tolera modificações dessa competência, razão pela qual recebe a denominação de competência absoluta, isto é, competência que não pode jamais ser modificada. Somente o processo iniciado perante o órgão competente será tido como válido.

Passando á seara do interesse das partes, alcançamos o estudo da competência de foro. Neste caso, o legislados avalia preponderantemente o interesse das partes em defender-se com melhor qualidade. Assim, a intercorrência de diversos fatores, tais como a vontade das partes (como por exemplo um contrato) pode modificar as regras ordinárias de competência territorial. Estamos, aqui, diante da competência relativa, ou seja, aquela modificável no espaço pela vontade das partes. Também é relativa a competência civil que leva em critério o valor.

Prorrogação da Competência e suas Causas

O fenômeno da prorrogação da competência pode ocorrer em momentos distintos. Alguns surgem em razão da disposição da própria lei (prorrogação legal) enquanto outros nascem da vontade das partes (prorrogação voluntária).

Dá-se a prorrogação legal quando entre duas causas existirem elementos semelhantes, ou seja, que haja conexão ou continência (CPC, arts. 102-104; CPP, arts. 76-77). Em ambos os casos, a semelhança entre as causas recomenda sua reunião perante o mesmo juiz para que não haja risco de decisões contraditórias e também em razão do princípio da economia processual.

A prorrogação voluntária tem lugar quando as partes expressamente acordarem na relação jurídica anterior à instauração do processo. Trata-se da cláusula de eleição de foro presente nos mais variados contratos bilaterais. Esta situação também é conhecida pela doutrina como prorrogação voluntária expressa. Estaremos diante da prorrogação voluntária tácita quando, uma vez proposta a demanda, a parte ré não questionar a competência territorial no prazo que dispõe para responder. Neste caso, também haverá a prorrogação da competência (CPC, art. 305).

Competência Internacional

Sabemos que vigora em nosso direito o princípio da territorialidade. Em razão dele, podemos concluir que o juiz brasileiro não tem condições de exercer a jurisdição em outros territórios, pois lá é exercida a jurisdição baseada na soberania do Estado estrangeiro.

A doutrina (dentre os quais leciona Dinamarco) estabelece três razões para essa situação: a) a impossibilidade ou grande dificuldade para cumprir em território estrangeiro certas decisões dos juízes nacionais; b) a irrelevância de muitos conflitos em face dos interesses que ao Estado compete preservar; e c) a conveniência política de manter certos padrões de recíproco respeito em relação a outros Estados.

Podemos resumir que o exercício da jurisdição brasileira em território estrangeiro é limitado pela soberania dos Estados. Porém, essa soberania ocorre no sentido inverso, já que o Brasil tem soberania para exercer a jurisdição em seu território.

Não obstante essa regra, há situações previstas no ordenamento que autorizam a produção de efeitos da decisão proferida pela jurisdição estrangeira dentro do território nacional. É o caso da sentença estrangeira que recebeu o tratamento previsto na CF, art. 105, I, “i”, ou seja, foi homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Como regra, as sentenças estrangeiras não podem ser executadas no Brasil, mas após a devida homologação, dentro dos casos previstos, poderá aqui produzir efeitos. Contudo, observa-se que a soberania nacional quem estabeleceu esta possibilidade e não a legislação estrangeira.

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Competência do Juiz Brasileiro (Frente à Competência Internacional)

A competência do juiz brasileiro é definida por diversas regras legais, dentre as quais se destacam os artigos 88 e 89 do CPC, que cuidam das ações que podem tramitar perante o judiciário brasileiro. O rol apresentado nos dispositivos é taxativo, ou seja, não admite a inclusão de outros casos (em resumo, quando não houver previsão legal, a demanda não pode processar-se no Brasil).

Competência Interna

É de conhecimento notório que o Brasil adotou o sistema da tripartição de poderes, fracionando o Poder estatal em três unidades, restando ao Poder Judiciário a função precípua de exercer a jurisdição. A Constituição Federal (arts. 92 a 126) tratou das funções do Judiciário e também criou e distribuiu as funções entre os órgãos de sua estrutura, distinguindo-os entre si. Observando o conteúdo da CF, vemos que a divisão se deu pela definição entre justiça comum e as especiais que são: a trabalhista (CF, art. 111); a eleitoral (CF, art. 118 e s.); a militar (CF, art. 122). No topo de cada uma dessas estruturas, foi posicionado um órgão (dito de cúpula) com funções para exercer a jurisdição em último nível – Tribunal Superior do Trabalho, Tribunal Superior Eleitoral, Superior Tribunal Militar.

No que se refere à justiça comum, a Constituição estabeleceu apenas duas esferas: a estadual e a federal, sendo esta última composta pelos Tribunais Regionais Federais e pelos Juízes Federais. A justiça comum estadual não está organizada na Constituição Federal. Essa função foi transferida para as Constituições Estaduais e para a lei estadual, que pulverizou a função jurisdicional nos mais diversos pontos territoriais de cada Estado-membro, claro que respeitando o disposto na CF.

No entanto, deve-se frisar que a competência da justiça estadual é supletiva (ou por critério residual), já que as causas lhe serão competentes por não serem enumeradas entre as competências das justiças especializadas ou mesmo da justiça comum federal.

Quanto à organização, devemos estabelecer a forma pela qual cada órgão da justiça comum está organizado.

Partindo da justiça federal, observamos que a legislação estabeleceu o território de atuação a partir de regiões. De outro lado, temos que os órgãos de segundo grau de jurisdição (com competência em regra recursal) estão localizados em pontos estratégicos e são em número evidentemente reduzido: são os Tribunais Regionais Federais. Já os órgãos de primeiro grau de jurisdição são divididos em seções, com base territorial menor e em maior quantidade, espalhando os juízes nos mais diversos locais para atendimento das demandas.

Com a justiça estadual o critério é semelhante. Porém, devemos lembrar que o órgão de segundo grau recebe o nome de Tribunal de Justiça enquanto que os juízes pulverizados estão

Código de Processo Civil

Art. 88. É competente a autoridade judiciária brasileira quando:

I - o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil; II - no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação;

III - a ação se originar de fato ocorrido ou de ato praticado no Brasil.

Parágrafo único. Para o fim do disposto no nº I, reputa-se domiciliada no Brasil a pessoa jurídica estrangeira que aqui tiver agência, filial ou sucursal.

Art. 89. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra: I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;

II - proceder a inventário e partilha de bens, situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja estrangeiro e tenha residido fora do território nacional.

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Critérios Para a Fixação da Competência Interna

O CPC utilizou divisão tripartida de critérios para a classificação das competências. São eles: objetivo, territorial, e funcional.

O critério objetivo fixa a competência em razão da matéria e do valor da causa e é delimitado pelas leis de organização judiciária; quando disser respeito ao valor, o critério de competência é absoluto e no que se refere ao valor, é relativo (CPC, art. 111). O territorial, por sua vez, regulamenta a competência relativa referente aos locais. Por fim, o critério funcional diz respeito à competência hierárquica, ou seja, há uma ligação entre dois processos de forma que o segundo deve ser conduzido pelo mesmo juízo.

Foro Competente

Após verificar-se que a competência para tratar de uma determinada questão é da justiça comum estadual ou federal, devemos analisar o foro em que a demanda será proposta. Tomaremos como base para o estudo as disposições do CPC (art. 94 a 100) em que se encontram previstas regras essenciais para a apuração do foro competente.

Apenas para retomar o assunto, o foto competente é o local onde a demanda será proposta, utilizando-se do critério territorial.

O art. 94 do CPC apresenta a regra geral de apuração do foro: as ações pessoais e as reais sobre bens móveis devem ser aforadas no domicílio do réu. Mais adiante, o CPC (arts. 96, 97 e 100) estabelece uma lista de exceções à regra geral, que se aplicam com prevalência.

Foro Comum (CPC, art. 94)

A opção do legislador nacional, como já se disse, foi determinar que as demandas sejam propostas no foro comum, sendo este o local do domicílio e residência do réu. Essa escolha é considerada mais adequada pela doutrina, haja vista que o réu está sujeito ao elemento da surpresa, ou seja, o autor tem a seu favor a possibilidade de escolher o momento mais oportuno para aforar sua demanda, estabelecer integralmente o conteúdo dela e também decidir em face de qual ou quais réus irá propor.

A competência do art. 94 do CPC aplica-se às ações fundadas em direito pessoal (sobre bens móveis ou imóveis) e também sobre direitos reais sobre coisas móveis. Tais situações constituem a elevada maioria de demandas propostas no judiciário nacional.

Foros Especiais

Os foros especiais constituem exceções à regra geral de competência territorial e justificam-se das mais diversas formas, ora pelo interesse em proteção a uma das partes, ora pelo interesse público ou mesmo relevância jurídica para a definição dela pelo legislador. Por serem especiais não se subordinam a uma regra específica, sendo possível ao legislador criar outras situações e seus foros especiais, se assim lhe aprouver.

a) Foro da situação da coisa (CPC, art. 95): trata-se de competência territorial baseada na relação advinda de direitos reais sobre bens imóveis, e é em regra inafastável. Contudo, o próprio dispositivo traz em seu bojo situação em que pode ser afastada. É foro especial justificado nas melhores condições de investigação do fato pelo juiz da situação da coisa, inclusive para a realização de perícias, inspeções judiciais.

b) Foro da residência da mulher (CPC, art. 100, I): esta regra especial de foro leva em consideração uma situação corriqueira do passado que pode não mais vir a acontecer no presente, diante da isonomia entre os sexos, que era a hipossuficiência da mulher em relação ao marido. Porém, não há como afastar a incidência do dispositivo, mesmo diante da isonomia, prevalecendo o foro do domicílio da mulher.

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c) Foro do domicílio do alimentando (CPC, art. 100, II): para as ações de alimentos, buscou-se privilegiar o alimentando que necessita de mínimas condições de se alimentar. Por razões evidentes, o alimentando está em condições desvantajosas na condução da demanda, razão pela qual acertadamente recebeu o privilégio.

d) Foro do lugar do cumprimento da obrigação (CPC, art. 100, IV, “d”): compete ao foro especial do lugar do pagamento a demanda que versar sobre a exigência de pagamento de obrigação. O juiz verificará o contrato e determinará onde a obrigação deve ser cumprida e, após isso, será fixado o foro competente. O local dependerá da natureza das obrigações envolvidas.

e) Foro do lugar do ato ou fato (CPC, art. 100, V): o dispositivo enumera as situações referentes às demanda atinentes a ato ou fato. Destaca-se as ações de reparação de danos em geral (demandas pela responsabilidade civil decorrente de ato ilícito) e as ações em que o réu for administrador ou gestor de negócios alheios.

f) Foro do lugar do fato ou do domicílio do autor (CPC, art. 100, parágrafo único): os fatos aqui envolvidos são os decorrentes de acidentes de veículo ou delitos. Trata-se de opção do legislador que prestigia a vítima do acidente ou delito.

g) Foro do domicílio do de cujus: é competência especial para as ações de inventário e partilha e cumprimento das disposições de última vontade.

h) Foro do domicílio do devedor para a ação de anulação de títulos extraviados (CPC, art. 907): a competência especial destina-se às ações de desapossamento injusto ou perda do título. Situações excepcionais em nosso ordenamento.

Modificação da Competência

Introdução

A competência absoluta não pode ser modificada por qualquer razão (nem pela vontade das partes ou por qualquer circunstância processual). Apenas a competência de natureza relativa é passível de modificação. Segundo a doutrina, a modificação da competência relativa pode se dar de quatro maneiras distintas: a prorrogação, derrogação, conexão e continência.

Prorrogação

A incompetência relativa não pode ser conhecida de ofício pelo juiz da causa; ele deve aguardar ser provocado pelo réu (por meio da exceção de incompetência) para que possa reconhecer a própria incompetência territorial. Caso o réu não alegue a situação de incompetência pela via adequada, haverá a prorrogação, tornando o foro anteriormente incompetente em foro competente.

Derrogação

É o fenômeno verificado quando as partes, por meio de um contrato, elegem o foro competente para o julgamento de eventual litígio. Contudo, a eleição de foro apenas é válida quando tratar de direitos obrigacionais (ficam, portanto, afastadas quaisquer possibilidades de eleição de foro para casos envolvendo direitos reais ou interesses indisponíveis).

Mesmo com o foro eleito, ainda devemos observar que será possível a prorrogação de competência, para o caso de o autor mover a demanda em foro distinto do eleito e o réu não alegar a incompetência relativa. Portanto, a prorrogação ainda permanece viável em casos de derrogação de foro.

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Conexão

Dá-se a conexão quando se estabelece entre duas demandas uma relação. Segundo o CPC, art. 103, duas demandas serão consideradas conexas quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Diante disso e também da redação do próprio dispositivo, a doutrina entende que havendo o mesmo objeto ou a mesma causa de pedir (não se exige a presença de ambos).

Por óbvio que as demandas possuem três traços identificadores: as partes, o pedido e a causa de pedir. E por isso a doutrina apenas não reconhece a conexão se houver apenas as mesmas partes envolvidas.

O julgamento das demandas conexas será realizado em conjunto, pelo mesmo juízo (CPC, art. 105), para evitar-se o risco de decisões conflitantes e também por questões de economia processual.

Continência

O assunto é tratado pelo CPC no art. 104: “Dá-se a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras”.

Assim como a conexão, a continência estabelece um vínculo entre as demandas. Porém, a continência é mais forte, e exige as mesmas partes e a mesma causa de pedir. Além disso, também exige que os pedidos sejam diferentes nas demandas, com um elemento extra: o de uma demanda deve englobar o da outra.

São raros os exemplos de ações que mantenham uma relação de continência. Porém, podemos observá-la em casos em que, havendo um mesmo contrato, uma das partes move a ação para anular uma das cláusulas, enquanto que a outra move a ação para anular o contrato todo.

Prevenção

A prevenção recebe atenção quando for necessário determinar a competência diante de vários juízos, todos igualmente competentes para a causa.

A distribuição da demanda é um caso de fixar-se a competência pela prevenção, pois quando da distribuição vários dos juízos de uma mesma comarca são competentes, sendo um deles escolhido pelo sorteio e excluindo-se os demais.

A fim de observarmos qual o juízo prevento em cada caso, o CPC estabeleceu regras e considera prevendo aquele juízo que despachou em primeiro lugar (CPC, art. 106). Há ainda a causa de prevenção relativa à citação válida, tornando prevento o juízo que realizou a citação válida em primeiro lugar (CPC, art. 219).

Como a finalidade da conexão é evitar decisões conflitantes, tem-se decidido que não cabe reunião de processos se um deles já estiver julgado por sentença.

STJ, 4ª Turma, REsp 193.766-SP, rel. Min. Ruy Rosado

Se os pedidos forem absolutamente iguais, não haverá a continência, mas sim litispendência. A litispendência é a repetição de demanda ainda em andamento, na qual estão coincidentes todos os elementos: mesmas partes, mesmo pedido e mesma causa de pedir. São, portanto, ações iguais.

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Além disso, ainda estabelece o art. 253 do CPC que haverá distribuição por dependência (distribuição dirigida e não por sorteio) ao juízo prevento quando as forem ajuizadas ações idênticas (CPC, art. 253, III).

O fenômeno da prevenção também ocorre em segunda instância, cabendo ao regimento interno de cada tribunal estabelecer os recursos aos quais se estenderá a competência para o juiz ou desembargador prevento.

Referências

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