Universidade Estadual de Campinas
Instituto de F´ısica “Gleb Wataghin”
Disserta¸c˜
ao de Mestrado
Codifica¸
c˜
ao de Bits Quˆ
anticos via Eletrodinˆ
amica
Quˆ
antica de Cavidades em Circuitos
Ol´ımpio Pereira de S´a Neto
Orientador: Prof. Dr. Marcos Cesar de Oliveira
Este exemplar corresponde `a reda¸c˜ao final da Disserta¸c˜ao de Mestrado defendida pelo aluno Ol´ımpio Pereira de S´a Neto e aprovada pela Comiss˜ao Julgadora.
Campinas, 04 de dezembro de 2009.
Dedicado ao meu inesquec´ıvel primo Aldebasto Lima S´a Filho(in memorian).. “Quando a morte vem ceifar em vossas fam´ılias, levando sem distin¸c˜ao jovens antes de velhos, muitas vezes
dizeis: Deus n˜ao ´e justo, j´a que sacrifica o que ´e forte e pleno de futuro para conservar os que viveram longos anos cheios de decep¸c˜oes; j´a que leva os que s˜ao ´uteis, e deixa os que n˜ao servem mais para nada; j´a
que parte o cora¸c˜ao de uma m˜ae, privando-a da inocente criatura que fazia toda sua alegria. (...)
Regozijai-vos, em lugar de vos lamentar, quando apraz a Deus retirar um de seus filhos deste vale de mis´erias. N˜ao h´a ego´ısmo em querer que ele a´ı restasse, para sofrer convosco? Ah! essa dor se concebe
naquele que n˜ao tem f´e, e que vˆe na morte uma separa¸c˜ao eterna. O amor n˜ao morre. Amor se transforma. Amar ´e acreditar que o outro n˜ao morrer´a, jamais!”
Autor desconhecido.
Agradecimentos
Meus pais, Jos´e Raimundo Lima Ferro e Sara Silva S´a Ferro, incentivadores dos meus ideais, a
quem amo muito em quem me espelho na perseveran¸ca, honestidade e sinceridade;
Meus irm˜aos, Mahatma e Venˆancio, a quem como irm˜ao mais velho procuro dar bons exemplos;
Meu orientador, Professor Doutor Marcos C´esar, pelo carisma, aten¸c˜ao, conselhos e apoio; Minha namorada, C´assia, pelo apoio, compreens˜ao, afeto durante a etapa final de meu mestrado;
Meus tios e primos queridos; a quem amo incondicionalmente; Todos os meus amigos que cruzaram pelo meu caminho, sem exce¸c˜ao;
Aos professores que sempre fui e serei admirador e os terei como exemplo, Prof. Dr. Amir Caldeira
e Prof. Dr. Kyoko;
Ao Prof. Dr. Barranco pela contribui¸c˜ao essencial no projeto;
Ao coordenador do curso da p´os do IFGW, aos funcion´arios da secretaria e professores da gradua¸c˜ao (Prof. Dr. Pimentel, Prof. Dr. Paulo Henrique, Prof. Dr. Francisco Barbosa, Prof. Frankin Cruzio, Prof.
Bulamarque e outros) que muito me ajudaram na minha forma¸c˜ao b´asica. `
A FAPESP pelo apoio financeiro.
Resumo
Nesta disserta¸c˜ao de mestrado foi analisada a eficiˆencia de um esquema de codifica¸c˜ao espec´ıfico de bits quˆanticos em estados de campos eletromagn´eticos quˆanticos em linhas de transmiss˜ao coplanares
acopla-das a um dispositivo supercondutor, “o ´Atomo Artificial”, sob a a¸c˜ao de um banho ˆohmico. O objetivo central desta pesquisa ´e estudar a Eletrodinˆamica Quˆantica de Cavidades, bem como aspectos de implementa¸c˜ao de
dispositivos para computa¸c˜ao quˆantica. Neste contexto, nossa proposta de pesquisa consiste em estudar um esquema pr´atico de processamento de informa¸c˜ao eficiente, explorando recursos f´ısicos de um sistema real.
Abstract
In this dissertation we analyse the efficiency of a specific quantum bit encoding in a quantum electromagnetic field state prepared in a coplanar transmission line coupled to a single superconducting
device, “the Artificial Atom”, under action of external noise sources affecting the efficiency of the device. The central objective is to study the circuit cavity quantum electrodynamics and to propose practical aspects
of devices for quantum computation implementation.
Sum´
ario
1 Introdu¸c˜ao 1
2 Eletrodinˆamica Quˆantica de Cavidades em Circuito 6
2.1 Linha de Transmiss˜ao Supercondutora . . . 6
2.1.1 Quantiza¸c˜ao da Voltagem Numa ´Unica Linha de Transmiss˜ao . . . 7
2.1.2 Acoplando a Linha de Transmiss˜ao Capacitivamente `a Fonte e ao Dreno . . . 9
2.1.3 Quantiza¸c˜ao do Sistema Acoplado . . . 11
2.2 “ ´Atomo Artificial” . . . 15
2.2.1 Caixa de Pares de Cooper . . . 16
2.2.2 Energia de Carregamento . . . 17
2.2.3 Tunelamento Josephson (com uma Jun¸c˜ao Josephson) . . . 17
2.2.4 Tunelamento Josephson (com duas Jun¸c˜oes Josephson) . . . 18
2.2.5 Hamiltoniano do “ ´Atomo Artificial” . . . 19
2.3 Acoplamento do “ ´Atomo Artificial” com a Linha de Transmiss˜ao . . . 20
3 Optica Quˆ´ antica em Circuitos El´etricos 24 3.1 O Hamiltoniano . . . 24
3.2 Teoria de Perturba¸c˜ao Dependente do Tempo . . . 26
3.3 Propriedades de Gera¸c˜ao de Estado de Superposi¸c˜ao . . . 27
3.3.1 Gera¸c˜ao do Estado de Superposi¸c˜ao do Estado Coerente . . . 36
3.4 Porta CNOT Quˆantica . . . 37
3.5 Equa¸c˜ao Mestra . . . 38
3.6 O Efeito da Relaxa¸c˜ao do Sistema [12] . . . 39
3.7 O Processo de Medi¸c˜ao Quˆantica . . . 43
4 Conclus˜ao 44
Lista de Figuras
1.1 Esquema de um ´atomo numa cavidade . . . 1
1.2 Esquema de gera¸c˜ao de estado de superposi¸c˜ao em cavidades de microondas [6], onde B ´e um forno que selecionar´a ´atomos de Rydberg com momentos desejados para um tempo de transito ideal nas cavidades; L ´e um laser que ir´a interagir com os ´atomos, de modo que fiquem todos no estado excitado; Rφ1 e Rθ 2 s˜ao as zonas de Ramsay, cavidades de baixa qualidade, ou seja, sua taxa de perda ´e maior que a taxa da alimenta¸c˜ao de radia¸c˜ao do campo, logo elas s˜ao continuamente bombeadas com a radia¸c˜ao do campo cl´assico. Geralmente essas cavidades s˜ao de cobre; C ´e uma cavidade supercondutora com uma radia¸c˜ao de campo quantizado representado pelo estado coerente |αi; D ´e um detector via ioniza¸c˜ao, podendo detectar o ´ atomo no estado excitado De, ou no estado fundamental Dg. . . 2
1.3 Diagrama de espa¸co de parˆametro para eletrodinˆamica Quˆantica de Cavidades [11] . . . 4
1.4 Eletrodinˆamica de Quˆantica Cavidades em Circuitos (modelo do grupo de Yale University) . 4 2.1 Modos de vibra¸c˜oes de densidade de carga numa linha de transmiss˜ao . . . 7
2.2 Acoplamento da linha de transmiss˜ao a mais duas linhas em seus extremos . . . 9
2.3 Coeficiente de transmiss˜ao como fun¸c˜ao do node onda (T (k) versus k). Para L = 1 e c/C 0= 10 11 2.4 Este ´e o gr´afico do deslocamento de fase (ou defesagem) em fun¸c˜ao do no de onda (δk vs k). Para L = 1 e c/C0= 60 . . . 12
2.5 Solu¸c˜ao gr´afica para a (2.28) . . . 13
2.6 Dispositivo que representa o “ ´Atomo Artificial” com uma Jun¸c˜ao Josephson . . . 15
2.7 Modelo esquem´atico para o bit quˆantico de estado s´olido . . . 16
2.8 Circuito com 2 Jun¸c˜oes Josephson . . . 19
2.9 Auto energias em fun¸c˜ao da carga (com a energia de tunelamento nula) . . . 20
2.10 Modelo do acoplamento . . . 21
2.11 N´ıveis de energia x carga de porta . . . 22
2.12 N´ıveis de energia x carga de porta . . . 23
3.1 a) Gr´afico da parte real hα| Re [U−(t)] |αi como fun¸c˜ao de n e t para frequˆencia σ = 8 × 106Hz; b) idem para hα| Re [U+(t)] |αi; c) Gr´afico da parte imagin´aria hα| Im [U−(t)] |αipara frequˆencia σ = 8 × 106Hz; d) idem para hα| Im [U+(t)] |αi . . . . 31
3.2 Varia¸c˜ao da amplitude do estado coerente do campo eRe[θ−] quando o estado atˆomico ´e |−i como fun¸c˜ao do tempo para v´arios valores da frequˆencia do fluxo cl´assico σ . . . 32
3.3 Varia¸c˜ao da amplitude do estado coerente do campo eRe[θ+] quando o estado atˆomico ´e |+i como fun¸c˜ao do tempo para v´arios valores da frequˆencia do fluxo cl´assico σ . . . 33
3.4 Varia¸c˜ao da fase do estado coerente do campo Im[θ−] quando o estado atˆomico ´e |−i como fun¸c˜ao do tempo para v´arios valores da frequˆencia do fluxo cl´assico σ . . . 34
3.5 Varia¸c˜ao da fase do estado coerente do campo Im[θ+] quando o estado atˆomico ´e |+i como fun¸c˜ao do tempo para v´arios valores da frequˆencia do fluxo cl´assico σ . . . 35
Cap´ıtulo 1
Introdu¸
c˜
ao
A Eletrodinˆamica Quˆantica de Cavidades trata da intera¸c˜ao entre campos de radia¸c˜ao quantizados e ´atomos. De acordo com a figura (1.1), temos um esquema de intera¸c˜ao entre um ´atomo de 2 n´ıveis e o
campo em uma cavidade, como demonstrada na referˆencia [1].
Figura 1.1: Esquema de um ´atomo numa cavidade
Esta intera¸c˜ao pode ser representada pelo seguinte Hamiltoniano
H = ¯hwca†a + ¯hνaσz+ ¯hgσx a†+ a + Hγ+ Hκ, (1.1)
onde, ¯h ´e a constante de Planck dividido por 2π, a(a†) s˜ao operadores bosˆonicos de aniquila¸c˜ao(cria¸c˜ao), νa
´e a frequˆencia de transi¸c˜ao atˆomica, g ´e a constante de acoplamento ´atomo - campo, σz = |gi hg| − |ei he|, σx = |ei hg| + |gi he|, onde |gi ´e o estado fundamental atˆomico, |ei ´e o estado excitado atˆomico, H
γ ´e o
Hamiltoniano de relaxa¸c˜ao do sistema devido ao acoplamento dos modos do ´atomo com os modos do v´acuo
CAP´ITULO 1. INTRODUC¸ ˜AO 2
da cavidade, e Hκ ´e o Hamiltoniano de decaimento do f´oton na cavidade devido `as colis˜oes dos f´otons com
as mol´eculas das paredes da cavidade. Lembrando que neste Hamiltoniano ´e considerado que o ´atomo ´e um dipolo el´etrico e os dois primeiros n´ıveis de energia s˜ao ‘isolados’ dos demais.
Ap´os formula¸c˜oes de Eletrodinˆamica Quˆantica de Cavidades, novos resultados foram obtidos para gera¸c˜ao de estados de superposi¸c˜ao, como o experimento do grupo do Haroche em 1997 [2], com ´atomos de
Rydberg em cavidades de microondas, esquematizado na figura (1.2).
Figura 1.2: Esquema de gera¸c˜ao de estado de superposi¸c˜ao em cavidades de microondas [6], onde B ´e um forno que selecionar´a ´atomos de Rydberg com momentos desejados para um tempo de transito ideal nas
cavidades; L ´e um laser que ir´a interagir com os ´atomos, de modo que fiquem todos no estado excitado; Rφ1 e Rθ
2 s˜ao as zonas de Ramsay, cavidades de baixa qualidade, ou seja, sua taxa de perda ´e maior que a taxa
da alimenta¸c˜ao de radia¸c˜ao do campo, logo elas s˜ao continuamente bombeadas com a radia¸c˜ao do campo cl´assico. Geralmente essas cavidades s˜ao de cobre; C ´e uma cavidade supercondutora com uma radia¸c˜ao de
campo quantizado representado pelo estado coerente |αi; D ´e um detector via ioniza¸c˜ao, podendo detectar o ´
atomo no estado excitado De, ou no estado fundamental Dg.
Os ´atomos s˜ao selecionados com momentos desejados para um certo tempo de trˆansito nas cavidades.
Selecionados, os ´atomos sofrem uma incidˆencia de um laser, de modo que eles ficam excitados, e v˜ao para a primeira cavidade que ´e uma zona de Ramsay, uma cavidade de baixa qualidade que apenas rotaciona o
estado atˆomico da seguinte maneira
|ei → |gi − |ei√
2 , (1.2)
e o ´atomo segue o trˆansito para a segunda cavidade, que ´e uma cavidade supercondutora com estado de
CAP´ITULO 1. INTRODUC¸ ˜AO 3
σ−= |gi he|, de modo que a intera¸c˜ao para wct = π, resulta em
exp 1 i¯hHof ft
|gi − |ei √
2 ⊗ |αi →
|gi ⊗ |αi − |ei ⊗ |−αi √
2 . (1.3)
Finalizando a intera¸c˜ao na segunda cavidade, o ´atomo entra na terceira cavidade, uma outra zona de Ramsay, com mesma propriedades da primeira cavidade rotacionando os estados atˆomicos, |ei → (|gi − |ei) /√2, |gi → (|gi + |ei) /√2, obtendo
1
2{|gi ⊗ (|αi + |−αi) + |ei ⊗ (|αi − |−αi)} . (1.4)
Finalmente o ´atomo ser´a detectado num detector via ioniza¸c˜ao no estado excitado |ei ou fundamental |gi, sendo medido zero ou um l´ogico com probabilidades iguais.
|0iL≡ |αi + |−αi√
2 , (1.5)
e,
|1iL≡ |αi − |−αi√
2 . (1.6)
Fazendo este procedimento pela segunda vez ´e poss´ıvel implementar a opera¸c˜ao l´ogica quˆantica CNOT, como demonstraremos no Cap´ıtulo 3 desta disserta¸c˜ao.
Para gerarmos estados de superposi¸c˜ao, mudan¸cas de popula¸c˜oes s˜ao indesejadas para a realiza¸c˜ao da opera¸c˜ao. Para isso ser satisfeito, apenas em regimes de intera¸c˜ao fortemente dispersivo pode acontecer, e
apenas em experimentos com ´atomos de Rydberg e em Eletrodinˆamica Quˆantica de Cavidades em circuitos (circuit CQED), como mostrado na figura (1.3), o diagrama de parˆametros para Eletrodinˆamica Quˆantica de
Cavidades. Neste diagrama vemos as rela¸c˜oes das contantes de acoplamento e dessintonias de frequˆencias de transi¸c˜oes atˆomicas e frequˆencia do campo da cavidades, e tamb´em os regimes alcan¸c´aveis em cada sistema
f´ısico.
Com grandes vantagens a Eletrodinˆamica de Quˆantica de Cavidades em Circuitos se sobressai.
Com elementos de circuitos supercondutores, temos um tempo de coerˆencia do campo na cavidade muito grande, forte acoplamento ´atomo - campo, favorecendo a troca de informa¸c˜ao, permitindo alcan¸car regimes
praticamente imposs´ıveis com experimentos com ´atomos naturais e em semicondutores (pontos quˆanticos), e outros, sem contarmos que j´a est˜ao sendo compactadosna forma de chip, ou uma esp´ecie de circuito integrado.
CAP´ITULO 1. INTRODUC¸ ˜AO 4
Figura 1.3: Diagrama de espa¸co de parˆametro para eletrodinˆamica Quˆantica de Cavidades [11]
Figura 1.4: Eletrodinˆamica de Quˆantica Cavidades em Circuitos (modelo do grupo de Yale University)
Nosso objetivo central nesta disserta¸c˜ao, primeiro ´e de ter um entendimento da figura (1.4) que se refere a um dispositivo supercondutor acoplado a uma linha de transmiss˜ao, de como ela pode ser interpretada
como um experimento de ´optica quˆantica. Isto ´e o que ser´a feito no Cap´ıtulo 2. Em seguida vem nossa proposta central que ´e a gera¸c˜ao de estados de superposi¸c˜ao. Diferentemente do experimento do grupo do
CAP´ITULO 1. INTRODUC¸ ˜AO 5
campo de radia¸c˜ao quantizada em nenhum momento. Logo teremos que tomar outra forma de tratamento
do problema. Isso ser´a mostrado no Cap´ıtulo 3, incluindo a relaxa¸c˜ao do sistema com seus efeitos, as possibilidades de realiza¸c˜oes experimentais, e poss´ıvel realiza¸c˜oes das portas l´ogicas quˆanticas, Hadamad
Cap´ıtulo 2
Eletrodinˆ
amica Quˆ
antica de
Cavidades em Circuito
Neste cap´ıtulo apresentaremos uma formula¸c˜ao de um esquema de codifica¸c˜ao espec´ıfico de bit quˆantico. Este esquema consiste em uma linha de transmiss˜ao supercondutora acoplada capacitivamente a
uma fonte e um dreno em seus extremos, os quais, alimentam e dissipam modos de radia¸c˜ao eletromagn´etica quantizada. Mostramos como se d´a o acoplamento capacitivo da linha de transmiss˜ao a n´ıveis de carga de um
dispositivo supercondutor. Sob certas condi¸c˜oes podemos considerar apenas 2 n´ıveis de carga do dispositivo, assim constitu´ındo o “ ´Atomo Artificial” de 2 n´ıveis. A intera¸c˜ao da radia¸c˜ao quantizada e do dispositivo
supercondutor, ´e ent˜ao descrita pelo Hamiltoniano de intera¸c˜ao ´Atomo-Campo, t˜ao importante em diversas aplica¸c˜oes em ´optica quˆantica. O conte´udo que ser´a apresentado ´e embasado na referˆencia [3].
2.1
Linha de Transmiss˜
ao Supercondutora
Nesta se¸c˜ao mostraremos uma formula¸c˜ao da eletrodinˆamica quˆantica de cavidades em circuitos,
come¸cando com o estudo do comportamento dos modos eletromagn´eticos quantizados em apenas uma linha de transmiss˜ao supercondutora. Logo ap´os, acoplaremos capacitivamente uma fonte e um dreno aos extremos
da linha de transmiss˜ao, estabelecendo assim um modelo te´orico descrevendo o sistema.
CAP´ITULO 2. ELETRODIN ˆAMICA QU ˆANTICA DE CAVIDADES EM CIRCUITO 7
2.1.1
Quantiza¸
c˜
ao da Voltagem Numa ´
Unica Linha de Transmiss˜
ao
Quando n´os transmitimos um sinal de microondas atrav´es de uma linha de transmiss˜ao de
com-primento L, se o comcom-primento de onda for muito maior do que a dimens˜ao da se¸c˜ao transversal da linha, as cargas sobre na linha de transmiss˜ao podem ser consideradas como se estivessem movendo-se em uma
´
unica dimens˜ao, figura (2.1). Os n modos de radia¸c˜ao comportados nesta linha de transmiss˜ao podem ser modelados por um conjunto de elementos LC discretos e infinitesimais conhecidos como elementos de circuito
concentrados (lumped circuit). O Lagrangeano do sistema ´e:
Figura 2.1: Modos de vibra¸c˜oes de densidade de carga numa linha de transmiss˜ao
` =X n li2 n 2 − q2 n 2c , (2.1)
onde c ´e a capacitˆancia e l ´e a autoindutˆancia da linha do n - ´esimo da linha de transmiss˜ao. Neste caso a
varia¸c˜ao temporal da carga no n´o n do circuito, ´e dada por ˙qn = in−1− in e in = −P n
m=1q˙m´e a corrente
no n´o. Substituindo no Lagrangeano (2.1), temos
` =X n l(Pn m=1q˙m)2 2 − q2 n 2c . (2.2)
CAP´ITULO 2. ELETRODIN ˆAMICA QU ˆANTICA DE CAVIDADES EM CIRCUITO 8
Como ´e usual neste tipo de sistema faremos uso da natureza infinitesimal destes elementos (os graus de
liberdade do sistema) para levar a equa¸c˜ao (2.2) para o cont´ınuo. N´os definimos a vari´avel
Γ(x, t) = Z x
−L 2
dx0q(x0, t) (2.3)
onde q(x) ´e a densidade linear de carga. Fazendo as substitui¸c˜oes: Pm=1
n qm(t) → Γ(x, t), qn(t) → q(x, t) = ∂Γ
∂x, a densidade de Lagrangeano unidimensional se escreve
= = l ˙Γ 2 2 − 1 2c ∂Γ ∂x 2 . (2.4)
Aqui c e l transformam-se em densidade linear de capacitˆancia e indutˆancia da linha de transmiss˜ao, respec-tivamente. Aplicando Euler-Lagrange na (2.4), obtemos
1 c ∂2Γ ∂x2 − l ∂2Γ ∂t2 = 0, (2.5)
com condi¸c˜oes de contorno Γ(−L2, t) = Γ(L2, t) = 0 devido `a neutralidade de carga (linha de transmiss˜ao aberta). Esta equa¸c˜ao pode facilmente ser resolvida por separa¸c˜ao de vari´aveis. A solu¸c˜ao ´e dada por
Γ(x, t) = r 2 L jcorte X j=1 φj(t)
cos jπxL , para j impar, sen jπxL , para j par
(2.6)
com velocidade ν = 1/√lc, e autofrequˆencias wj = jπν/L. O jcorte´e um corte no n´umero de modos impostos
pelo fato da existˆencia de uma estrutura n˜ao exatamente unidimencional.
Substituindo Γ na equa¸c˜ao de movimento (2.5), temos:
¨
φj+ wj2φj= 0 (2.7)
com densidade de Lagrangeano:
=j(φj, ˙φj; t) = l 2 ˙ φ2j− 1 2c jφ L 2 φ2j. (2.8)
Com isso podemos obter o Hamiltoniano em fun¸c˜ao de φj e o momentum conjugado canˆonico Pj ≡ ∂=j ∂ ˙φj : <j(Pj, φj; t) = P2 j 2l + 1 2c jπ L 2 φ2j. (2.9)
Agora para a quantiza¸c˜ao do Hamiltoniano, n´os promovemos as vari´aveis para operadores,
CAP´ITULO 2. ELETRODIN ˆAMICA QU ˆANTICA DE CAVIDADES EM CIRCUITO 9
introduzimos os operadores bosˆonicos de cria¸c˜ao e aniquila¸c˜ao que requeremhaj, a†j0
i = δjj0. Ap´os alguma ´ agebra n´os obtemos: φj(t) = r ¯ hwjc 2 L jπ h aj(t) + a†j(t) i (2.10) Pj(t) = −i r ¯ hwjl 2 h aj(t) − a†j(t) i (2.11)
que, se substitu´ıdos no Hamiltoniano da (2.9), d´a o Hamiltoniano diagonalizado an´alogo ao do oscilador harmˆonico <j(t) = ¯hwj a†j(t)aj(t) + 1 2 . (2.12)
Portanto a solu¸c˜ao final para Γ ´e escrita como
Γ(x, t) = jcorte X j=1 r ¯ hwjc L L jπ h aj(t) + a†j(t) i cos jπxL para j ´ımpar sen jπxL para j par (2.13)
e a voltagem na linha de transmiss˜ao:
V (x, t) = 1 c ∂Γ(x, t) ∂x = jcorte X j=1 r ¯ hwj Lc h aj(t) + a†j(t) i −sin jπxL para j ´ımpar cos jπxL para j par (2.14)
2.1.2
Acoplando a Linha de Transmiss˜
ao Capacitivamente `
a Fonte e ao Dreno
Para investigarmos as caracter´ısticas da linha de transmiss˜ao acoplada ao meio externo, n´os
pode-mos colocar uma linha transmiss˜ao semi-infinita em cada extremo dela, figura (2.2). Sabendo que teremos uma certa distˆancia entre as linhas de transmiss˜ao, tamb´em haver´a uma capacitˆancia de acoplamento C0.
Figura 2.2: Acoplamento da linha de transmiss˜ao a mais duas linhas em seus extremos
Por simplicidade, n´os assumimos que as duas linhas de transmiss˜ao semi-infinitas acopladas `a linha
de transmiss˜ao s˜ao todas de mesmas densidades de indutˆancia e capacitˆancia.
Incluindo a energia armazenada no acoplamento capacitivo, a densidade de Lagrangeano fica:
= = l ˙Γ 2 2 − 1 2c ∂Γ ∂x 2 − Γ 2 2C0 δ x −L 2 + δ x + L 2 , (2.15)
CAP´ITULO 2. ELETRODIN ˆAMICA QU ˆANTICA DE CAVIDADES EM CIRCUITO 10
onde C0 ´e a capacitˆancia dos dois acoplamentos nos extremos da linha de transmiss˜ao central que s˜ao
assumidos como idˆenticos. A equa¸c˜ao de Euler-Lagrange ´e:
1 c ∂2Γ ∂x2 − Γ C0 δ x −L 2 + δ x + L 2 − l∂ 2Γ ∂t2 = 0. (2.16)
Aqui n´os podemos ver todo o sistema como comprimido numa linha de transmiss˜ao infinita com
descontinui-dades δ x −L2 e δ x +L
2 devido aos acoplamentos capacitivos. De fato, a equa¸c˜ao ainda ´e a mesma que a
de Euler-Lagrange para uma ´unica linha de transmiss˜ao, mas agora com condi¸c˜oes de contorno determinadas
pela rela¸c˜ao entre os efeitos dos acoplamentos capacitivos e a voltagem ao longo dos extremos da linha de transmiss˜ao. Analisando a descontinuidade na primeira derivada:
1 c Z −L2+ξ −L 2−ξ dx∂ 2Γ ∂x2 − 1 C0 Z −L2+ξ −L 2−ξ dxΓ δ x − L 2 + δ x +L 2 − l Z −L2+ξ −L 2−ξ dx∂ 2Γ ∂t2 = 0, (2.17) 1 c Z L2+ξ L 2−ξ dx∂ 2Γ ∂x2 − 1 C0 Z L2+ξ L 2−ξ dxΓ δ x −L 2 + δ x + L 2 − l Z L2+ξ L 2−ξ dx∂ 2Γ ∂t2 = 0, (2.18) fazendo ξ → 0, teremos: 1 c ∂Γ−L 2d ∂x − ∂Γ−L 2e ∂x = 1 C0 Γ −L 2d = 1 C0 Γ −L 2e (2.19) 1 c ∂Γ2L d ∂x − ∂Γ2L e ∂x = 1 C0 Γ L 2d = 1 C0 Γ L 2e . (2.20)
Aqui d e e s˜ao os lados direito e esquerdo dos capacitores formados devido aos acoplamentos. Este problema ´e
an´alogo ao da equa¸c˜ao de Schrodinger com potencial delta. A solu¸c˜ao da parte espacial com modos sim´etricos ´e da forma Γs(x) = Bcos (kx + δk) para x ≥ L2 Acos (kx) para −L 2 ≤ x ≤ L 2 Bcos (kx − δk) para x ≤ −L2 (2.21)
aqui o deslocamento de fase δk, ´e a diferen¸ca de fase entre o modo de entrada e de sa´ıda da linha de transmiss˜ao
central. Com as condi¸c˜oes de contorno, obtemos o coeficiente de transmiss˜ao T (k) da linha de transmiss˜ao
central, T (k) ≡ A 2 B2 = 1 1 + c2 k2C2 0 cos2 kL 2 − 2c kC0sen kL 2 cos kL 2 . (2.22)
CAP´ITULO 2. ELETRODIN ˆAMICA QU ˆANTICA DE CAVIDADES EM CIRCUITO 11
Figura 2.3: Coeficiente de transmiss˜ao como fun¸c˜ao do node onda (T (k) versus k). Para L = 1 e c/C 0= 10
Na figura (2.3) mostramos o comportamento do coeficiente de transmiss˜ao em fun¸c˜ao do n´umero de onda para modos sim´etricos. Note que temos picos peri´odicos. Esses picos ocorrem em situa¸c˜oes de ressonˆancias
quando k ´e multiplo de π.
A figura (2.4) mostra o deslocamento de fase
δk = tan−1 tan kL 2 − c kC0 −kL 2 , (2.23)
em fun¸c˜ao do n´umero de onda para modos sim´etricos. Note que temos saltos nos mesmos pontos dos picos
do coeficiente de transmiss˜ao. Isso mostra que em situa¸c˜oes de ressonˆancia a diferen¸ca de fase entre o modo de entrada e de sa´ıda da linha de transmiss˜ao zera.
2.1.3
Quantiza¸
c˜
ao do Sistema Acoplado
Para derivar o Hamiltoniano para o sistema incuindo os acoplamentos das linhas de transmiss˜oes,
n´os podemos iniciar reescrevendo o Lagrangeano total
`T L= Z +∞ −∞ dx= ˙ Γ,∂Γ ∂x, Γ (2.24)
CAP´ITULO 2. ELETRODIN ˆAMICA QU ˆANTICA DE CAVIDADES EM CIRCUITO 12
Figura 2.4: Este ´e o gr´afico do deslocamento de fase (ou defesagem) em fun¸c˜ao do node onda (δkvs k). Para
L = 1 e c/C0= 60
substituindo a densidade de Lagrangeano da (eq. 2.15), reescrevemos
`T L= Z +∞ −∞ dx " l 2 ˙ Γ2− 1 2c ∂Γ ∂x 2# − C0 2c2 " ∂Γ(L 2d) ∂x − ∂Γ(2L e) ∂x #2 − C0 2c2 " ∂Γ(−L 2d) ∂x − ∂Γ(−2L e) ∂x #2 . (2.25)
A densidade de lagrangeano em fun¸c˜ao de vari´aveis cont´ınuas Γ, integra¸c˜ao ´e feita em todo espa¸co. Aqui d e e s˜ao os lados direito e esquerdo dos capacitores formados devido aos acoplamentos. Com isso passamos a ter a descontinuidade na primeira derivada nos extremos da linha de transmiss˜ao central da seguinte maneira:
1 c ∂ΓC −L2 ∂x = ΓC −L2 C0 , (2.26) 1 c ∂ΓC L2 ∂x = ΓC L2 C0 . (2.27)
De novo n´os apenas olhamos para o modo sim´etrico fundamental. A equa¸c˜ao produz uma solu¸c˜ao a ser
determinada numericamente, ou graficamente por
tan kL 2 = c C0k . (2.28)
O gr´afico na figura(2.5) representa as fun¸c˜oes da equa¸c˜ao (2.28) em fun¸c˜ao de k, onde a curva cont´ınua ´e a fun¸c˜ao tan kL2 e a pontilhada ´e a fun¸c˜ao c
C0k, isso para L = 1 e c/C0= 60. A primeira solu¸c˜ao n˜ao negativa
CAP´ITULO 2. ELETRODIN ˆAMICA QU ˆANTICA DE CAVIDADES EM CIRCUITO 13
Figura 2.5: Solu¸c˜ao gr´afica para a (2.28)
k ≈ π
L(1 − 2), (2.29)
onde definimos = C0/Lc,
w = νk ≈ πν
L (1 − 2). (2.30)
Agora aplicando o mesmo procedimento que foi usado para apenas uma linha de transmiss˜ao, teremos: ΓC(x, t) r ¯ hwc L L πcos(kx)a †(t) + a(t) (2.31)
e a voltagem nos extremos da linha de transmiss˜ao ser´a
VC ±L 2 =1 c ∂Γ0 ±L2 ∂x = ∓ r ¯ hw Lc(1 − 2) 1 −π 22 2 a†(t) + a(t) . (2.32)
O mesmo pode ser feito nas duas linhas de transmiss˜ao semi-infinitas. Resolvendo a linha de
transmiss˜ao do lado direito, com a condi¸c˜ao de contorno: 1 c ∂ΓR L2 ∂x = ΓR L2 C0 , (2.33) leva ao resultado: ΓR(x, t) = X q s ¯ hwqc Linf 1 qsen q x − L 2 + δq b† q(t) + bq(t) , (2.34)
CAP´ITULO 2. ELETRODIN ˆAMICA QU ˆANTICA DE CAVIDADES EM CIRCUITO 14
onde Linf ´e o comprimento da linha de transmiss˜ao semi-infinita. A frequˆencia wq e o deslocamento de fase
δq s˜ao dado por: wq= νq, (2.35) δq= tan−1 C0q c . (2.36)
Embora pare¸ca que o acoplamento capacitivo n˜ao cause a troca de freq¨uˆencias nas linhas de transmiss˜ao
semi-infinitas, de fato h´a uma pequena mudan¸ca de fase para todos os modos delas. A voltagem na linha de transmiss˜ao do lado direito ser´a
VR( L 2, t) = X q s ¯ hwq Linfc cos (δq)b†q(t) + bq(t) , (2.37) quando C0/Lc << 1, cos(δq) ≈ 1.
Lembrando que a solu¸c˜ao ´e sim´etrica, podemos afirmar que a solu¸c˜ao da linha da transmiss˜ao do lado esquerdo seja a mesma do lado direito. Agora n´os podemos concluir a constru¸c˜ao do modelo te´orico para
a linha de transmiss˜ao acoplada a duas linhas de transmiss˜ao semi-infinitas em cada extremo, escrevendo abaixo o Hamiltoniano diretamente do Lagrangeano total:
HT L = ¯hwa†a + ¯h X q wqb†q,Lbq,L+ ¯h X q wqb†q,Rbq,R − ¯hX q λq(a†+ a)(b†q,L+ bq,L) + ¯h X q λq(a†+ a)(b†q,R+ bq,R), (2.38)
no qual as frequˆencias w (2.30) e wq (2.34) s˜ao dadas acima, e os novos parˆametros s˜ao
¯ hλq = C0 r ¯ hw Lc s ¯ hwq Linfc (1 − 2) 1 − π 22 2 cos(δq) ≈ C0¯h c r w L r w q Linf . (2.39)
Na representa¸c˜ao de intera¸c˜ao, os termos do Hamiltoniano abq ou a†b†q oscilam rapidamente devido
`
a presen¸ca do termo exp[±i(w + wq)t]. Na maioria dos casos a sua contribui¸c˜ao pode ser desprezada. Fazendo
aproxima¸c˜ao, chamada de aproxima¸c˜ao de onda girante, o Hamiltoniano final fica:
HT L = ¯hwca†a + ¯h X q wqb†q,Lbq,L+ ¯h X q wqb†q,Rbq,R − ¯hX q λq(ab†q,L+ a †b q,L) + ¯h X q λq(ab†q,R+ a †b q,R) (2.40)
Assim vemos que cada modo da cavidade ´e acoplado aos modos q da fonte e do dreno. Note que agora a linha da transmiss˜ao central atua como um ressonador com frequˆencia do campo wc, e os dispositivos acoplados
CAP´ITULO 2. ELETRODIN ˆAMICA QU ˆANTICA DE CAVIDADES EM CIRCUITO 15
Baseando em bombeamento cl´assico de cavidades [5] podemos reescrever o Hamiltoniano da seguinte
maneira: HT L= ¯hwca†a + ¯h X q wqb†qbq+ ¯h X q λq(ab†q+ a †b q) + ¯h Fexp[−iwt]a†+ F∗exp[iwt]a (2.41)
onde wc ´e a frequˆencia do campo na cavidade (ressonador), wq s˜ao as frequˆencias dos modos q do dreno,
w ´e a frequˆencia de oscila¸c˜ao da fonte, λq ´e a constante de acoplamento cavidade-dreno, e F ´e a constante
de acoplamento do bombeamento da fonte do campo cl´assico na cavidade. Os operadores a(a†) e bq(b†q) s˜ao
operadores bosˆonicos de aniquila¸c˜ao (cria¸c˜ao) do modo do campo da cavidade e do dreno.
2.2
“ ´
Atomo Artificial”
Nesta se¸c˜ao apresentaremos o “ ´Atomo Artificial”, que consiste em um dispositivo supercondutor ensanduichando uma jun¸c˜ao conhecida como Jun¸c˜ao Josephson, na qual um lado supercondutor fica com n
Pares de Cooper e o outro fica conectado ao ‘terra’. Montaremos o Hamiltoniano do “ ´Atomo Artificial”. Logo depois o diagonalizaremos e mostraremos que o problema pode ser reduzido para um sistema de dois
n´ıveis.
CAP´ITULO 2. ELETRODIN ˆAMICA QU ˆANTICA DE CAVIDADES EM CIRCUITO 16
2.2.1
Caixa de Pares de Cooper
Uma Caixa de Pares de Cooper ´e basicamente uma ilha supercondutora conectada a um terra via Jun¸c˜ao Josephson composta por n pares de Cooper, veja a figura (2.7). Cada Par de Cooper ´e composto por
2 el´etrons. Para come¸carmos a estudar o Hamiltoniano do “ ´Atomo Artificial”, temos que entender o processo
Figura 2.7: Modelo esquem´atico para o bit quˆantico de estado s´olido
CAP´ITULO 2. ELETRODIN ˆAMICA QU ˆANTICA DE CAVIDADES EM CIRCUITO 17
2.2.2
Energia de Carregamento
Vamos considerar o circuito da figura (2.7). Assumimos que na ilha haja excesso de n pares de Cooper e a diferen¸ca de potencial V (n),
−2ne = Cg(V (n) − Vg) + CjV (n). (2.42)
Isolando a diferen¸ca de potencial obtemos
V (n) = CgVg− 2ne CΣ
, (2.43)
onde CΣ= Cg+ Cj. Note que a diferen¸ca de potencial causar´a o excesso de pares de Cooper. Portanto a
energia necess´aria para deslocar ∆n pares de Cooper na ilha ´e:
E(n + ∆n) − E(n) = −2e Z ∆n 0 V (n + n0)dn0= 2e 2(∆n)2+ 4e2n∆n − 2eC gVg∆n CΣ . (2.44)
Para facilitar o manuseio deste aspecto, usamos:
E(0) = 1 2CΣ
(CgVg) 2
. (2.45)
Ent˜ao para n arbitr´ario, a energia de carga ´e
E(n) = 4EC(n − ng) 2
, (2.46)
onde a energia de carregamento de um ´unico el´etron ´e definido como EC ≡ e2/2CΣ e a carga de porta em
ng≡ CgVg/2e que tem unidade adimensional.
2.2.3
Tunelamento Josephson (com uma Jun¸
c˜
ao Josephson)
O Hamiltoniano que descreve o tunelamento Josephson ´e dado por
HJ = −
Z dϕ1
Z
dϕ2|ϕ1, ϕ2i EJcos (ϕ1− ϕ2) hϕ1, ϕ2| , (2.47)
onde, ϕ1e ϕ2s˜ao as fases nos dois lados das jun¸c˜oes e EJ´e a energia Josephson. Para nossa finalidade ´e mais
´
util transformar este Hamiltoniano para a base de n´umero. Inserindo as completezas das bases de n´umeros, obtemos: HJ = − X n1,n2,n3,n4 Z dϕ1 Z dϕ2|n1, n2i hn1, n2|ϕ1, ϕ2i EJcos (ϕ1− ϕ2) hϕ1, ϕ2| n3, n4i hn3, n4| (2.48)
CAP´ITULO 2. ELETRODIN ˆAMICA QU ˆANTICA DE CAVIDADES EM CIRCUITO 18 HJ = − EJ 8π2 X n1,n2,n3,n4 Z 2π 0 dϕ1exp[−i(n1− n3)ϕ1] Z 2π 0 dϕ2|n1, n2i hn3, n4| × exp[−i(n2− n4)ϕ2] × (exp[i(ϕ1− ϕ2)] + exp[−i(ϕ1− ϕ2)]) , (2.49) obtendo, HJ = − EJ 2 X n1,n2 (|n1, n2i hn1− 1, n2+ 1| + |n1, n2i hn1+ 1, n2− 1|) , (2.50)
aqui o estado de vetores |n1, n2i exibe o n´umero de pares nos dois lados da jun¸c˜ao. O resultado significa
que o tunelamento Josephson ´e simplesmente a passagem de pares de Cooper de uma lado para o outro da
jun¸c˜ao um a um. Um lado da jun¸c˜ao numa Caixa de Pares de Cooper corresponder´a ao n1. O outro lado
supercondutor conectado ao ‘terra’ corresponder´a ao n2. Devido ao car´ater do ‘terra’ que consiste em um
reservat´orio de cargas com capacidade de infinitas cargas, podemos considerar n2 ≈ n2± 1, resultando no
seguinte Hamiltoniano de Josephson
HJ = − EJ 2 X n |ni hn + 1| + |n + 1i hn| . (2.51)
2.2.4
Tunelamento Josephson (com duas Jun¸
c˜
oes Josephson)
De acordo com a referˆecia [12], quando temos o circuito como na figura (2.8), podemos fazer o tratamento de aproxima¸c˜ao de SQUID. Considerando as duas ju¸c˜oes indˆenticas, a diferen¸ca passa a ser s´o na energia de tunelamento: EJ =⇒ 2EJcos πΦx(t) Φ0 , (2.52)
onde EJ ´e o valor m´aximo da energia de tunelemento e Φ0 ´e o fluxo quˆantico [17].
Φ0=
hc
2e = 2.07 × 10
−7G/cm2. (2.53)
Agora a energia de tunelamento do “ ´Atomo Artificial” passa a depender de um fluxo do campo magn´etico
CAP´ITULO 2. ELETRODIN ˆAMICA QU ˆANTICA DE CAVIDADES EM CIRCUITO 19
Figura 2.8: Circuito com 2 Jun¸c˜oes Josephson
2.2.5
Hamiltoniano do “ ´
Atomo Artificial”
Juntando as contribui¸c˜oes da energia de cada valor de n (2.46), e a contribui¸c˜ao de tunelamento (2.51) levando - se em conta o fluxo vari´avel (2.52), temos:
HCP C = X n 4EC(n − ng)2|ni hn| − EJcos πΦx(t) Φ0 (|ni hn + 1| + |n + 1i hn|) (2.54)
Em experimentos reais, EC e EJ tem que ser bem maior que a energia t´ermica kBT . Assim desprezamos
as flutua¸c˜oes t´ermicas e EC deve ser menor do que o gap de energia supercondutora pera evitar indesejadas
excita¸c˜oes. Tamb´em n´os escolhemos trabalhar no limite de carga, que corresponde a EC > EJ, de modo
que a energia de carga ´e dominante [12]. A figura (2.9), representa a energia dos dois primeiros n´ıveis de
autoenergias do Hamiltoniano em fun¸c˜ao da carga de porta para energia de tunelamento nula (Φx= Φ0/2),
sendo mostrada a degenerescˆencia quando ng = 0.5. Veremos mais adiante a figura (2.11) que representa
a energia dos dois primeiros n´ıveis de autoenergias do Hamiltoniano em fun¸c˜ao da carga de porta quando temos a energia de tunelamento n˜ao nula. Note que a energia de tunelamento quebra a degenerescˆencia em
CAP´ITULO 2. ELETRODIN ˆAMICA QU ˆANTICA DE CAVIDADES EM CIRCUITO 20
Figura 2.9: Auto energias em fun¸c˜ao da carga (com a energia de tunelamento nula)
2.3
Acoplamento do “ ´
Atomo Artificial” com a Linha de
Trans-miss˜
ao
Este modelo de acoplamento foi demonstrado teoricamente e experimentalmente em 2004 [3] e [4]. Neste acoplamento como mostra a figura (2.10), notamos que a linha de transmiss˜ao central ´e o ressonador,
as outras duas acopladas, s˜ao a fonte e o dreno de radia¸c˜ao. O ´atomo ´e o dispositivo composto por 2 jun¸c˜oes Josephson, uma ilha de pares de Cooper acoplada capacitivamente `a linha de transmiss˜ao, e um
loop conectado ao ‘terra’ servindo como um reservat´orio de carga com capacidade de infinitas cargas. Neste sistema ser´a considerado apenas dois n´ıveis, devido ao gap que existe para os demais n´ıveis de energias do
supercondutor estar fora de sintonia com qualquer frequˆencia dos modos do campo de radia¸c˜ao, que ser˜ao considerados posteriormente.
Iniciando o argumento te´orico do acoplamento “ ´Atomo Artificial”-Campo, o Hamiltoniano da Caixa de Pares de Cooper (2.54) em nota¸c˜ao de bit quˆantico, ´e escrito como
Hqb= (E1− E0)σz− EJcos πΦx(t) Φ0 σx, (2.55)
σx= |1i h0| + |0i h1| e σz= |0i h0| − |1i h1|.
CAP´ITULO 2. ELETRODIN ˆAMICA QU ˆANTICA DE CAVIDADES EM CIRCUITO 21
Figura 2.10: Modelo do acoplamento
enegias de carga:
En+1− En= 2EC(n + 1 − ng)2− (n − ng)2 ,
para n = 0
E1− E0= 2EC(1 − 2ng).
A voltagem de carga passa a ser a diferen¸ca de potencial da linha de transmiss˜ao (2.14). Devido ao primeiro
modo ser nulo no centro do ressonador, onde ´e posicionado o “ ´Atomo”, o modo de acoplamento ser´a o segundo modo do ressonador. Sendo assim o acoplamento “ ´Atomo Artificial” e o campo do ressonador fica:
HA−C= −4ECngσz= − 2ECCg e σ z r ¯ hw2 Lc a†2+ a2 cos (π) = eCg CΣ σz r ¯ hw2 Lc a†2+ a2 . (2.56)
O Hamiltoniano completo do sistema para o caso especial para o bit quˆantico com apenas um modo acoplado ao “ ´Atomo artificial” no centro da linha de transmiss˜ao ´e:
H|0i,|1i = −EJcos
πΦx(t) Φ0 σx+ ¯hgσz a†+ a + ¯hwca†a + ¯hX q wqb†qbq+ ¯h X q
CAP´ITULO 2. ELETRODIN ˆAMICA QU ˆANTICA DE CAVIDADES EM CIRCUITO 22 onde ¯ hg = eCg cΣ r ¯ hw Lc. (2.58)
O Hamiltoniano H|0i,|1i est´a expresso na base dos Pares de Cooper, demonstrados na figura (2.11), σx =
|1i h0| + |0i h1| e σz= |0i h0| − |1i h1|.
Figura 2.11: N´ıveis de energia x carga de porta
Mudando a base atˆomica para uma nova representa¸c˜ao, figura (2.12):
σz→ σx, σx→ −σz. (2.59)
Assim os trˆes primeiros termos do Hamiltoniano H|0i,|1i tornam-se:
EJcos πΦx(t) Φ0 σz+ ¯hwca†a + ¯hgσx a†+ a (2.60)
com σx= |+i h−| + |−i h+| e σz= |−i h−| − |+i h+|, representado numa nova base, (2.60) torna-se o famoso
Hamiltoniano de intera¸c˜ao `atomo-campo para dois n´ıveis, justificando o motivo do ‘apelido’ do dispositivo.
A figura (2.10), representa um sistema similar ao que pode ser encontrado em eletrodinˆamica quˆantica de cavidades, onde um ´atomo de dois n´ıveis passa atrav´es de uma cavidade ressonante. Os parˆametros
importantes s˜ao a intera¸c˜ao ´atomo - campo com constante g, a taxa de decaimento κ do f´oton (devido ao acoplamento de cada modo do campo com os modos da parede da cavidade), e a taxa de decaimento γ do
CAP´ITULO 2. ELETRODIN ˆAMICA QU ˆANTICA DE CAVIDADES EM CIRCUITO 23
Figura 2.12: N´ıveis de energia x carga de porta
´
atomo (devido ao acoplamento do modos do ´atomo com o v´acuo). Em seguida vemos um comportamento
quˆantico mais interessante, no limite de forte acoplamento no sistema, quando g >> γ, κ.
O dreno est´a relacionado `a dissipa¸c˜ao dos modos do campo da cavidade e ao acoplamento do
modo do ´atomo com os modos do v´acuo. Neste modelo espec´ıfico a dissipa¸c˜ao se deve ao car´ater indutivo do “ ´Atomo Artificial” com o ressonador, resultando a mesma relaxa¸c˜ao do sistema. Devido aos efeitos
t´ermicos de um sistema real, poderemos inverter os estados em qualquer situa¸c˜ao (excitado-fundamental ou fundamental-excitado). O Hamiltoniano de intera¸c˜ao na dissipa¸c˜ao no ´atomo HA−R est´a descrito na base de
|0i e |1i
H(“ ´AtomoArtif icial00−Reservat´orio)= HA−R= σz⊗ χreservat´orio= ¯h
X k λkσz a†k+ ak , (2.61)
onde λk ´e a constante de acoplamento dos modos atˆomicos com os modos da dissipa¸c˜ao.
Foi mostrado uma analogia do circuito supercondutor espec´ıfico com Eletrodinˆamica Quˆantica de
Cavidades, respeitando todas as propriedades f´ısicas existentes no sistemas, onde podemos fazer diversas propostas de experimentos de ´Optica Quˆantica.
Cap´ıtulo 3
´
Optica Quˆ
antica em Circuitos
El´
etricos
Neste cap´ıtulo apresentaremos uma formula¸c˜ao de gera¸c˜ao de estado de superposi¸c˜ao do campo coerente numa cavidade ressonante unidimensional. Esta gera¸c˜ao se deve `a intera¸c˜ao entre o campo com
o “ ´Atomo Artificial”. Devido `a manipula¸c˜ao temporal na frequˆencia de transi¸c˜ao atˆomica com um fluxo magn´etico cl´assico aplicado sobre o ´atomo, diferentes fases e amplitudes ser˜ao alteradas no campo de acordo
com o dado estado atˆomico. Com o modelo te´orico apresentado, faremos a proposta experimental para gera¸c˜ao de estados de superposi¸c˜ao do campo coerente do ressonador e poss´ıvel realiza¸c˜ao da opera¸c˜ao da
porta l´ogica quˆantica, Hadamad para um bit quˆantico, e N˜ao - Controlada (CNOT) para dois bits quˆanticos em Eletrodinˆamica Quˆantica de Cavidades em Circuito Supercondutor no regime fortemente dispersivo.
3.1
O Hamiltoniano
Nesta se¸c˜ao partiremos do Hamiltoniano (2.60). Faremos uma mudan¸ca de base nos operadores
deste Hamiltoniano, para um melhor estudo do sistema.
H = ¯hwca†a + EJcos πΦx(t) Φ0 σz+ ¯hg a†σ−+ aσ++ aσ−+ a†σ+ . (3.1) 24
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 25
Respeitando a equa¸c˜ao de Schr¨odinger
H |ψi = i¯h∂
∂t|ψi , (3.2)
na qual substituindo o Hamiltoniano (3.1), e rotacionando com o campo da cavidade, temos:
expiwca†at Hexp −iwca†at exp iwca†at |ψi = i¯hexp iwca†at
∂
∂texp−iwca
†at exp iw
ca†at |ψi ,
onde definimos:
expiwca†at |ψi =
˜
ψE. (3.3)
Com a representa¸c˜ao da equa¸c˜ao de Schr¨odinger nesta nova base:
EJcos πΦx(t) Φ0 σz ˜
ψE + ¯hg a†exp [iwct] σ−+ aexp [−iwct] σ−+ aexp [−iwct] σ++ a†exp [iwct] σ+
˜ ψE = i¯h∂ ∂t ˜ ψE.
Agora rotacionaremos os estados atˆomicos para uma nova base:
exp [iwcσzt] × × EJcos πΦx(t) Φ0
σz+ ¯hgσx a†exp [iwct] + aexp [−iwct]
× exp [−iwcσzt] exp [iwcσzt]
˜ ψE
= i¯hexp [iwcσzt]
∂ ∂texp [−iwcσ zt] exp [iw cσzt] ˜ ψE, sendo, exp [iwcσzt] ˜ ψE=ψ´ . (3.4) Isto resulta em σz EJcos πΦ0(t) Φ0 − ¯hwc + ¯hg ˜a†˜σ−+ ˜a˜σ++ ˜a†σ˜++ ˜a˜σ− ψ´ = i¯h∂ ∂t ψ´ ,
onde, ˜a† = a†exp [iwct], ˜a = aexp [−iwct], ˜σ+ = σ+exp [2iwct] e ˜σ− = σ−exp [−2iwct] respectvamente.
Agora temos uma base ´otima para estudarmos o sistema no regime fortemente dispersivo, que veremos na
pr´oxima se¸c˜ao, ou seja, o Hamiltoniano transformado se escreve
H0 = σz EJcos πΦ0(t) Φ0 − ¯hwc + ¯hg ˜a†σ˜−+ ˜a˜σ++ ˜a†σ˜++ ˜a˜σ− . (3.5) Vale lembrar que fases nos autoestados devido `as rota¸c˜oes de base, s˜ao fases globais. Na solu¸c˜ao da equa¸c˜ao de Schr¨odinger temos que o termo dependente do tempo dificulta o processo, vamos para isso
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 26
3.2
Teoria de Perturba¸
c˜
ao Dependente do Tempo
Nesta se¸c˜ao faremos uma breve revis˜ao de teoria de perturba¸c˜ao dependente do tempo [13].Se tivemos um Hamiltoniano escrito como
HS= H0S(t) + VS, (3.6)
dados pelo Hamiltoniano de intera¸c˜ao VS, e por HS
0(t) que ´e dependente explicitamente do tempo, tal que
H0S(t) >> VS. Como auto estado temos
|ψS(t)i = U0(t, t0) |ψI(t)i . (3.7)
o que leva `a equa¸c˜ao:
i¯h∂U0 ∂t = H S 0(t)U0, (3.8) com U0(t, t0) = exp −i ¯ h Z t t0 h H0S(t0)idt0 (3.9)
s´o ´e valido seH(t), H(t‘) = 0, tal que
U0†= U0−1, (3.10)
implicando em
U0(t0, t0) = 1. (3.11)
Analisando com a perturba¸c˜ao temos que
i¯h∂ ∂t|ψSi =H S 0(t) + V S |ψ Si (3.12) i¯h ∂U0 ∂t |ψIi + U0 ∂ |ψIi ∂t =HS 0 + V S U 0|ψIi (3.13) i¯h∂ ∂t|ψI(t)i = V I(t) |ψ I(t)i , (3.14) onde, VI(t) = U† 0V SU
0 e hV i = hψI(t)| VI(t) |ψI(t)i. Continuando a an´alise da perturba¸c˜ao:
i¯h∂V I ∂t = U0V Si¯h∂U0 ∂t + i¯h ∂U0† ∂t V SU 0+ U0†i¯h ∂VS ∂t U0= U † 0V SHS 0U0− U0†H S 0V SU 0+ U0i¯h ∂VS ∂t U0. (3.15)
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 27
Respeitando a rela¸c˜ao [H0, U0] = 0, tal que H0S = H0I, temos
i¯h∂V I ∂t =V I, HI 0 + U † 0i¯h ∂VS ∂t U0=V I, HS 0 + U † 0i¯h ∂VS ∂t U0. (3.16) Se ∂VS
∂t = 0 a equa¸c˜ao se reduz `a equa¸c˜ao de Heisenberg de movimento. Com o autoestado da representa¸c˜ao
de intera¸c˜ao podemos fazer um estudo da influˆencia devido `a perturba¸c˜ao com um novo operador unit´ario
|ψI(t)i = U (t, t0) |ψS(t0)i , (3.17) |ψI(t0)i = |ψS(t0, t0)i , (3.18) i¯h∂U ∂t = V I(t)U, (3.19) obtendo U (t, t0) = 1 + 1 i¯h Z t t0 h VI(t0)U (t0, t0) i dt0 (3.20) U (t0, t0) = 1 (3.21) U (t0, t0) = 1 + 1 i¯h Z t t0 h VI(t00)U (t00, t0) i dt00 (3.22)
Substituindo a equa¸c˜ao (3.22) na (3.20), obtemos:
U (t, t0) = 1 + 1 i¯h Z t t0 VI (t1) dt1+ 1 (i¯h)2 Z t t0 VI (t1) dt1 Z t1 t0 VI (t2) dt2U (t2, t0). (3.23)
Fazendo este procedimento n vezes, interativamente obtemos a s´erie de Dyson
U = 1 + ∞ X n=1 1 (i¯h)n Z t t0 dt1 Z t1 t0 dt2. . . Z tn−1 t0 dtnVI(t1)VI(t2) . . . VI(tn). (3.24)
Daqui em diante analisaremos os efeitos da perturba¸c˜ao em um sistema fortemente dispersivo num sistema
de Eletrodinˆamica Quˆantica de Cavidades em Circuitos.
3.3
Propriedades de Gera¸
c˜
ao de Estado de Superposi¸
c˜
ao
Nesta se¸c˜ao faremos um tratamento perturbativo dependente do tempo no Hamiltoniano (3.5), no
qual trabalharemos num regime fortemente dispersivo com uma dessintonia entre a frequˆencia da cavidade e a frequˆencia de transi¸c˜ao atˆomica bem maior que a constante de acoplamento, ao mesmo tempo, menor que qualquer transi¸c˜ao energ´etica de n´ıveis atˆomicos
r 8ECEJcos h πΦx(t) Φ0 i >> EJcos h πΦx(t) Φ0 i − ¯hwc >> ¯hg.
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 28
Consideramos (3.5) como sendo da forma (3.6) onde HS 0 = σz EJcos h πΦx(t) Φ0 i − ¯hwc , U0(t, t0) = exp iσzRt t0 wc− EJcos πΦx(t 0 ) Φ0 dt0
, e VS = ¯hg ˜a†σ˜−+ ˜a˜σ++ ˜a†˜σ++ ˜a˜σ−, demonstrados
teorica-mente na se¸c˜ao anterior.
Aqui adotaremos a fun¸c˜ao temporal do pulso de fluxo magn´etico na seguinte forma:
Φx(t) = A
Φ0
2 exp [iσt] , (3.25)
onde A ´e um parˆametro adimensional, σ ´e a frequˆencia do pulso, e Φ0´e o fluxo quˆatico. Tomando t0= 0, os
termos de primeira ordem da equa¸c˜ao (3.24), para , s˜ao dados por
σ+a Z t 0 dt1exp " −2i Z t1 0 dt0 " wc− EJ ¯ h cos " πΦx(t 0 ) Φ0 ##! + iwct1 # + σ−a† Z t 0 dt1exp " 2i Z t1 0 dt0 " wc− EJ ¯ h cos " πΦx(t 0 ) Φ0 ##! − iwct1 # + σ+a† Z t 0 dt1exp " −2i Z t1 0 dt0 " wc− EJ ¯ h cos " πΦx(t 0 ) Φ0 ##! + 3iwct1 # + σ−a Z t 0 dt1exp " 2i Z t1 0 dt0 " wc− EJ ¯ h cos " πΦx(t 0 ) Φ0 ##! − 3iwct1 # (3.26)
Para uma fun¸c˜ao de U (t) com t pequeno (at´e o primeiro meio per´ıodo de oscila¸c˜ao), podemos desprezar o termo de primeira ordem e considerar apenas o termo de segunda ordem da equa¸c˜ao (3.24).
Vamos dar in´ıcio ao estudo da mudan¸ca no comportamento do campo coerente devido ao acoplamento com um “ ´Atomo Artificial” de dois n´ıveis sujeito ao pulso de fluxo magn´etico.
U (t) |ψ(0)i = U (t) ψ“ ´AtomoArtif icial00 E ⊗ |αi |{z} CampodoRessonador. , (3.27)
onde, atuando U (t) nos estados atˆomicos nas bases |+i e |−i teremos
U (t) |−i |αi = −g2a†σ−aσ+F (t) + aσ−a†σ+G(t) |−i |αi , (3.28)
U (t) |+i |αi = −g2nσ+aa†σ−F0(t) + a†σ+aσ−G0(t)o|+i |αi (3.29)
onde, F (t) = Z t 0 dt1exp " 2i Z t1 0 dt0 " wc− EJ ¯ h cos " πΦx(t 0 ) Φ0 ##! + iwct1 # × Z t1 0 dt2exp " −2i Z t2 0 dt00 " wc− EJ ¯ h cos " πΦx(t 00 ) Φ0 ##! − iwct2 # , (3.30)
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 29 G(t) = Z t 0 dt1exp " 2i Z t1 0 dt0 " wc− EJ ¯ h cos " πΦx(t 0 ) Φ0 ##! − iwct1 # × Z t1 0 dt2exp " −2i Z t2 0 dt00 " wc− EJ ¯ h cos " πΦx(t 00 ) Φ0 ##! + iwct2 # , (3.31) F0(t) = Z t 0 dt1exp " −2i Z t1 0 dt0 " wc− EJ ¯ h cos " πΦx(t 0 ) Φ0 ##! − iwct1 # × Z t1 0 dt2exp " 2i Z t2 0 dt00 " wc− EJ ¯ h cos " πΦx(t 00 ) Φ0 ##! + iwct2 # , (3.32) e G0(t) = Z t 0 dt1exp " −2i Z t1 0 dt0 " wc− EJ ¯ h cos " πΦx(t 0 ) Φ0 ##! + iwct1 # × Z t1 0 dt2exp " 2i Z t2 0 dt00 " wc− EJ ¯ h cos " πΦx(t 00 ) Φ0 ##! − iwct2 # . (3.33)
Podemos reescrever as equa¸c˜oes (3.28) e (3.29):
U (t) |−i |αi = −g2G(t) + (F (t) + G(t)) aa† |−i |αi , (3.34)
U (t) |+i |αi = −g2nF0(t) +F0(t) + G0(t)aa†o|+i |αi . (3.35)
Fazendo a seguinte aproxima¸c˜ao nas equa¸c˜oes (3.34) e (3.35), tal que o n´umero m´edio de f´otons seja pequeno, obtemos
− g 2 G(t) | {z } F aseGlobal 1 + 1 + F (t) G(t) a†a | {z } ≈exp 1+F (t)G(t)a†a
|−i |αi −→ |−i |αexp [θ−(t)]i , (3.36)
− g 2 F0 (t) | {z } F aseGlobal ( 1 + 1 + G 0 (t) F0 (t) ! a†a ) | {z } ≈exp h 1+G 0 (t) F0(t) a†a i
|+i |αi −→ |+i |αexp [θ+(t)]i . (3.37)
Portanto esta intera¸c˜ao permitiu que uma fase condiocionada ao estado atˆomico fosse impressa ao
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 30
EJ << EC << ∆, T ≈ 30mK, KBT ≈ 3µeV , EJ/¯h ≈ 15, 9 × 1010Hz, EC = 250µeV e ∆ ≈ 458, 3µeV .
Onde ∆ ´e o gap de energia supercondutora. A fun¸c˜ao temporal do pulso de fluxo magn´etico ´e a que foi mencionada na equa¸c˜ao (3.25), com os parˆametros A = 0, 7, wc= 70, 7 × 1010Hz e σ vari´avel para um estudo
melhor ( mais amplo) do modelo. Lembrando que para nossas contas usaremos
cos πΦx(t) Φ0 = 1 − 1 2! πΦx(t) Φ0 2 + . . . |{z} truncado . (3.38) Sendo θ+(t) = 1 +F (t)G(t) e θ−(t) = 1 + G 0 (t)
F0(t), tem contribui¸c˜ao na dinˆamica do estado coerente de
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 31
Figura 3.1: a) Gr´afico da parte real hα| Re [U−(t)] |αi como fun¸c˜ao de n e t para frequˆencia σ = 8 × 106Hz; b)
idem para hα| Re [U+(t)] |αi; c) Gr´afico da parte imagin´aria hα| Im [U−(t)] |αipara frequˆencia σ = 8 × 106Hz;
d) idem para hα| Im [U+(t)] |αi
Os graficos da figura (3.1) representam a parte real e imagin´aria do valor m´edio hα, ±| U (t) |α, ±i = hα| U±(t) |αi no estado coerente de campo com o operador evolu¸c˜ao em fun¸c˜ao do tempo e do n´umero m´edio
de f´otons, para ua frequˆencia do fluxo magn´etico cl´assico σ = 8 × 106Hz. As superf´ıcies quase lineares s˜ao
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 32
e um numero m´edio de f´otons aproximadamente ¯n = 0.3, temos uma boa aproxima¸c˜ao.
Figura 3.2: Varia¸c˜ao da amplitude do estado coerente do campo eRe[θ−] quando o estado atˆomico ´e |−i como
fun¸c˜ao do tempo para v´arios valores da frequˆencia do fluxo cl´assico σ
As figuras (3.2) e (3.3) mostram a varia¸c˜ao da amplitude eRe[θ±] como fun¸c˜ao do tempo para
v´arios valores da frequˆencia do fluxo magn´etico cl´assico σ aplicado no “ ´Atomo Artificial”. Outros valores de frequˆencia σ do fluxo magn´etico cl´assico Φx(t) podem ser estudados dentro da validade da aproxima¸c˜ao, mas
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 33
Figura 3.3: Varia¸c˜ao da amplitude do estado coerente do campo eRe[θ+] quando o estado atˆomico ´e |+i como
fun¸c˜ao do tempo para v´arios valores da frequˆencia do fluxo cl´assico σ
A amplitude eRe[θ−], e que ocorre decaimento oscilante com o tempo cuja frequˆencia de oscila¸c˜ao ´e
menor para todo menor σ e a tempos longos estabiliza em torno de um valor de um valor que diminui com
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 34
Figura 3.4: Varia¸c˜ao da fase do estado coerente do campo Im[θ−] quando o estado atˆomico ´e |−i como fun¸c˜ao
do tempo para v´arios valores da frequˆencia do fluxo cl´assico σ
As figuras (3.4) e (3.5) mostram a varia¸c˜ao da frequˆencia Im[θ±] como fun¸c˜ao do tempo para
v´arios valores da frequˆencia do fluxo magn´etico cl´assico σ aplicado no “ ´Atomo Artificial”. Note para σ = 0 a frequˆencia acumulada est´a longe da frequˆencia A.C. Stark [11] devido a grande desintonia entre a frequˆencia
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 35
Figura 3.5: Varia¸c˜ao da fase do estado coerente do campo Im[θ+] quando o estado atˆomico ´e |+i como fun¸c˜ao
do tempo para v´arios valores da frequˆencia do fluxo cl´assico σ
A cada meio periodo de fluxo magn´etico cl´assico aplicado sobre o ´atomo ´e acumulada uma fase de
valor π para fase Im[θ−]. J´a no caso da fase Im[θ+], n˜ao temos nenum acumulo na mesma situa¸c˜ao. Isso ´e
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 36
3.3.1
Gera¸
c˜
ao do Estado de Superposi¸
c˜
ao do Estado Coerente
Para nosso problema, o Φx(t) equa¸c˜ao (3.25) ser´a ligado com uma frequˆencia no valor σ = 16π ×
106Hz durante a um intervalo de tempo de T = 62, 5ns (meio per´ıodo), isso para gerar uma fase atuando
apenas em um certo estado atˆomico. Antes, preparamos o “ ´Atomo Artificial” no estado fundamental na base |0i devido `a baixa temperatura do sistema, logo representaremos na base |+i e |−i e o campo como sendo
coerente
|ψ(0)i = |0i |αi = (|−i + |+i)√
2 |αi . (3.39)
Note que as fases alteradas do campo est˜ao relacionadas aos estados de base |−i e |+i,
|ψ(T )i = U (T ) |−i |αi + U (T ) |+i |αi√
2 =
(|−i |−αi + |+i |αi) √
2 , (3.40)
Esta a¸c˜ao do operador unit´ario nos autoestados ´e devido `a intera¸c˜ao ´atomo campo que foi descrita nesta se¸c˜ao. Finalmente para fazermos a medida do sistema, voltamos para antiga base |0i e |1i,
|ψ(T )i = ((|0i + |1i) |−αi + (|0i − |1i) |αi
2 =
|0i (|αi + |−αi)
2 +
|1i (|−αi − |αi)
2 . (3.41)
Se o ´atomo ´e detectado em |0i, teremos a informa¸c˜ao do estados de superposi¸c˜ao par do campo
coerente (|αi + |−αi); se o ´atomo ´e detectado em |1i, teremos a informa¸c˜ao do estados de superposi¸c˜ao ´ımpar do campo coerente (|−αi − |αi). Assim fica demonstrado a gera¸c˜ao de estado de superposi¸c˜ao do campo
coerente devido a um ´unico pulso do fluxo magn´etico no “ ´Atomo Artificial” com frequˆencia σ = 16π × 106Hz num intervalo de T = 62, 5ns. Outras frequˆencias podem ser aplicadas resultando em tempos diferentes na
gera¸c˜ao desses estados de superposi¸c˜ao. A medi¸c˜ao pode ser feito por um transistor de um el´etron [12], e a detec¸c˜ao ´e totalmente probabil´ıstica nos estados |0i ou |1i, assim mostrado um esquema e uma formula¸c˜ao
te´orica da demonstra¸c˜ao de uma opera¸c˜ao l´ogica quˆantica Hadamad para um bit quˆantico. Agora operador densidade para t = 0, ´e descrito da seguinte maneira:
ρAC(0) = |0i h0| ⊗ |αi hα| , (3.42)
logo ap´os o pulso em um certo instante, ficar´a:
ρAC(t) = |ψAC(t)i hψAC(t)| , (3.43)
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 37
|0i (|αexp [Im[θ−(t)]i + |αexp [Im[θ+(t)]i])
2 +
|1i (|αexp [Im[θ−(t)]i − |αexp [Im[θ+(t)]i])
2 . (3.44)
Detetando o estado atˆomico, temos informa¸c˜ao do estado do campo
ρ(|0i)C (t) = h0 |ρAC(t) |0i ,
ρ(|1i)C (t) = h1 |ρAC(t) |1i ,
logo sendo medido (antes da relaxa¸c˜ao do sistema):
ρ(|0i,|1i)C (t) =1
4[|αexp [θ−(t)]i hαexp [θ−(t)] |+ |αexp [θ+(t)]i hαexp [θ+(t)] |
± (|αexp [θ+(t)]i hαexp [θ−(t)] |+ |αexp [θ−(t)]i hαexp [θ+(t)] |]) (3.45)
3.4
Porta CNOT Quˆ
antica
Nesta se¸c˜ao mostraremos a opera¸c˜ao CNOT quˆantica para dois bits quˆanticos sem a relaxa¸c˜ao do sistema.
Na se¸c˜ao anterior foi demonstrada a gera¸c˜ao de estados de superposi¸c˜ao do estados coerentes que corresponde a uma raiz de uma porta l´ogica quˆantica CNOT ou porta l´ogica quˆantica Hadamad para um
bit quˆantico, isso foi devido a um ´unico pulso de fluxo magn´etico cl´assico dependente do tempo com car´ater oscilat´orio aplicado no “ ´Atomo Artificial”.
Aqui os estados de superposi¸c˜ao ser˜ao definidos como
|0iL≡ √1
2(|αi + |−αi) , (3.46)
|1iL≡ √1
2(|−αi − |αi) . (3.47)
Uma vez aplicada o primeiro pulso de fluxo magn´etico cl´assico no “ ´Atomo Artificial”, podemos detectar o estado zero ou um l´ogico com probabilidades iguais. Aplicando o segundo pulso, teremos a
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 38
|0i ⊗ |0iL
| {z }
entrada
−→ U (T )√
2 (|−i + |+i) ⊗ |0iL−→ |0i ⊗ |0i| {z L}
sa´ıda.
|1i ⊗ |0iL
| {z }
entrada
−→ U (T )√
2 (|−i − |+i) ⊗ |0iL−→ |1i ⊗ |0i| {z L}
sa´ıda.
|0i ⊗ |1iL
| {z }
entrada
−→ U (T )√
2 (|−i + |+i) ⊗ |1iL−→ |1i ⊗ |1i| {z L}
sa´ıda.
|1i ⊗ |1iL
| {z }
entrada
−→ U (T )√
2 (|−i − |+i) ⊗ |1iL−→ |0i ⊗ |1i| {z L}
sa´ıda.
Se no primeiro pulso detectamos o estado 0 l´ogico e aplicamos o segundo pulso, n˜ao teremos troca
neste estado atˆomico quando aplicarmos o segundo pulso, diferente do estado 1 l´ogico. Isso mostra que o estado 1 l´ogico ´e o estado de troca. Logo, verificamos a opera¸c˜ao da porta l´ogica quˆantica CNOT. Esta ´e
uma representa¸c˜ao computacional deste esquema de Eletrodinˆamica Quˆantica de Cavidades.
3.5
Equa¸
c˜
ao Mestra
Neste sistema poderiamos fazer um estudo da dissipa¸c˜ao no dreno do ressonador, mas o tempo de vida do f´oton na cavidade ´e bem maior que o tempo de relaxa¸c˜ao do sistema (praticamente s´o haver´a
dissipa¸c˜ao no ´atomo). Nesta se¸c˜ao apresentaremos a equa¸c˜ao mestra do sistema com um banho de osciladores harmˆonicos como forma de dissipa¸c˜ao. Considerando o sistema + reservat´orio, temos
H = HS+ HAR+ HR, (3.48) onde, HS = EJcos πΦx(t) Φ0 σx+ ¯hgσz(a†+ a), (3.49) HAR= ¯h X k λkσz(a†k+ ak), (3.50)
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 39
HR= ¯h
X
k
wka†kak. (3.51)
O auto estado do Hamiltoniano H ´e |ψACR(t)i. Logo a equa¸c˜ao de evolu¸c˜ao do operador densidade ρACR(t) =
|ψACR(t)i hψACR(t)| se escreve como
∂ ∂tρACR(t) = ∂ ∂t|ψACR(t)i | {z } 1
i¯hH|ψACR(t)i
hψACR(t)| + |ψACR(t)i
∂ ∂thψACR(t)| | {z } −1 i¯hhψACR(t)|H , (3.52) ou ∂ ∂tρACR(t) = 1 i¯h[H, ρACR(t)] . (3.53)
A solu¸c˜ao formal dessa equa¸c˜ao de van Neuman leva
ρACR(t) = ρACR(0) − i ¯ h Z t 0 dt1[H(t1), ρACR(t1)] , (3.54) ρACR(t1) = ρACR(0) − i ¯ h Z t1 0 dt2[H(t2), ρACR(t2)] , (3.55) substituindo a equa¸c˜ao (3.55) na (3.54): ρACR(t) = ρACR(0) − i ¯ h Z t 0 dt1[H(t1), ρACR(0)] − 1 ¯ h2 Z t 0 dt1 Z t1 0 dt2[H(t1), [H(t2), ρACR(t2)]] . (3.56)
Para eliminarmos as informa¸c˜oes do banho ´e s´o tra¸carmos a equa¸c˜ao mestra no reservat´orio ρAC(t) =
T rR{ρACR(t)}. Sabendo que: ρACR(0) = ρAC(0) ⊗ ρR e ρR =
exp HR
KB T
Z para reservat´orio t´ermico, Z ´e o
fator normaliza¸c˜ao. Substituindo a equa¸c˜ao (3.56) na (3.53) e depois tra¸cando no reservat´orio, teremos: ∂ ∂tρAC= − i ¯ h[HS, ρAC] − 1 ¯ h2 Z t 0 dt1T rR{[HAR(t), [HAR(t1), ρAC(t) ⊗ ρR]]} . (3.57)
Mais informa¸c˜oes da evolu¸c˜ao do sistema com intera¸c˜oes naturais (ru´ıdo de cargas, temperatura, etc...) ser˜ao apresentados na pr´oxima se¸c˜ao.
3.6
O Efeito da Relaxa¸
c˜
ao do Sistema [12]
Nesta se¸c˜ao vamos descrever um modelo devido a dissipa¸c˜ao no “ ´Atomo Artificial”, este modelo
te´orico j´a ´e bem estabelecido (por Leggett et al.,1987 e Weiss, 1999)1. O ambiente ´e modelado com um banho de osciladores acoplados a um sistema de dois n´ıveis.
1Leggett, A. J., S. Chakravarty, A. T. Dorsey, M. P. A. Fisher,A. Garg, and W. Zwerger, 1987, “Dynamics of the dissipative
two-state system”, Rev. Mod. Phys. 59, 1.; Weiss, U., 1999, Quantum Dissipative Systems, 2nd ed. (World Scientific, Singapore).
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 40
O Hamiltoniano total ´e da forma:
H = HS+ HAR+ HR, (3.58)
onde a parte controlada do Hamiltoniano ´e
HS = −EJcos πΦx(t) Φ0 σx+ ¯hg a†+ a σz = − ∆E 2 (cos [η] σz+ sen [η] σx) , (3.59)
sendo os estados atˆomicos |0i e |1i dados por
|0i = coshη 2 i |+i + senhη 2 i |−i , (3.60) |1i = −senhη 2 i |+i + coshη 2 i |−i , (3.61) e HR= ¯h X k wka†kak, (3.62)
´e o Hamiltoniano do banho. O operador banho χ =P
kλkxkacopla a σz, dando o Hamiltoniano de intera¸c˜ao:
HAR= ¯hσz
X
k
λkxk. (3.63)
No equil´ıbrio t´ermico a transformada de Fourier simetrizada do operador correla¸c˜ao ´e dada por:
hχwi 2 = 1 2 Dn χ(t), χ(t0)oE w = ¯hJ (w)coth w 2KBT , (3.64)
onde a densidade espectral do banho ´e definida por
J (w) = π
2β¯hw (3.65)
a qual ´e linear a baixas frequˆencias. O parˆametro dimensional β reflete a for¸ca de dissipa¸c˜ao. Aqui n´os concentraremos em uma for¸ca fraca β << 1, e somente este regime ´e relevante para a engenharia
de estados quˆanticos. Mas o termo dominante s˜ao ambos poss´ıveis desde a rela¸c˜ao na escala de energia ∆E = r (2¯hg(a†+ a))2+2E Jcos h πΦx(t) Φ0 i2
, caracterizando a evolu¸c˜ao coerente e a taxa de defasagem. O termo do Hamiltoniano dominante ´e realizado quando ∆E >> βKBT . Neste regime ´e natural
descrever a evolu¸c˜ao do sistema na autobase (3.60) e (3.61), a qual diagonaliza HS:
H = −1
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 41
onde ρz= |0i h0| − |1i h1| e ρx= |1i h0| + |0i h1|.
A evolu¸c˜ao temporal ´e caracterizada por duas escalas distintas (Gorlich et al., 1989; Weiss and Wollensak,1989; Weiss, 1999)2. Na primeira, defasando na escala de tempo τ
ϕ os elementos da matriz
densidade. Os termos fora da diagonal decaem para zero. Eles s˜ao representados pelos valores esperados dos operadores ρ±≡12(ρx± ρy). Onde a dependˆencia temporal para longos tempos ´e dado por
hρ±(t)i = hρ±(0)i exp [∓i∆Et] exp
− t
τϕ
. (3.67)
A segunda escala ´e o tempo de relaxa¸c˜ao τrelaxonde os termos diagonais tendem aos seus valores de equil´ıbrio
t´ermico: hρz(t)i = ρz(∞) + [ρz(0) − ρz(∞)] exp − t τrelax , (3.68) onde ρz(∞) = tanh ∆E 2KBT .
As taxas s˜ao (Leggett et al.,1987; Weiss, 1999):
τrelax−1 = πβsin2[η]∆E ¯ h coth ∆E 2KBT , (3.69) τϕ−1= 1 2τ −1 relax+ πβcos 2 [η]2KBT ¯ h . (3.70)
A componente longitudinal do campo flutuando, proporcional ao cos [η], n˜ao induz processo de
relaxa¸c˜ao. No entanto, contribui nas flutua¸c˜oes das autoenergias e assim para uma fase relativa para os dois estados.
O operador unit´ario
U ≡ exp −iσzΦ 2 , (3.71) com Φ =P kλk a
†+ a, com a rota¸c˜ao das bases (Leggett et al., 1987):
˜ H = U HU−1= −1 2∆Ecos [η] σ z −1 2∆Esin [η] σ +exp [−iΦ + H.c.] + H R. (3.72)
Agora, recome¸camos no limite η = 0, onde o sistema e o banho s˜ao desacoplados, o qual requer um tratamento espec´ıfico. A evolu¸c˜ao temporal ´e trivial para o operador, σ±(t) = exp [∓i∆Et] σ±(0), que nos tr´az:
σ±(t) = exp [∓iΦ(t)] exp [±iΦ(0)] exp [∓i∆Et] σ±(0). (3.73)
2Gorlich, R., M. Sassetti, and U. Weiss, 1989, “Lowtemperature properties of biased two-level systems: effects of
frequency-dependent damping”, Europhys. Lett. 10, 507.; Weiss, U., and M. Wollensak, 1989, “Dynamics of the biased two-level system in metals”, Phys. Rev. Lett. 62, 1663.; Weiss, U., 1999, Quantum Dissipative Systems, 2nd ed. (World Scientific, Singapore).
CAP´ITULO 3. OPTICA QU ˆ´ ANTICA EM CIRCUITOS EL ´ETRICOS 42
A m´edia sobre o banho nos traz a correla¸c˜ao
P (t) ≡ hexp [iΦ(t)] exp [−iΦ(0)]i = hexp [−iΦ(t)] exp [iΦ(0)]i , (3.74)
o qual foi estudado extensivamente por muitos autores (Leggett et al., 1987; Odintov, 1988; Panyukov and Zaikin, 1988; Nazarov, 1989; Devoret et al., 1990)3. Isto pode ser expresso como P (t) = exp [K(t)], onde
K(t) = 4 π¯h Z ∞ 0 dwJ (w) w2 coth ¯hw 2KBT (cos[wt] − 1) − isin[wt] . (3.75)
Para um banho ˆOhmico (3.65) com t > ¯h/2KBT resulta em Re [K(t)] ≈ − 2K¯hBT πβt. Assim,
n´os reproduzimos a equa¸c˜ao (3.67) com τϕdado pela equa¸c˜ao (3.70) no limite η = 0.
No regime que ∆E << βKBT , o Hamiltoniano do bit quˆantico ´e fraco para a base fixa, logo o
banho fica sendo predominante no Hamiltoniano total. Consequentemente deve-se tratar o problema na auto base do observ´avel σz do acoplamento com o banho. A base de |±i pode tunelar incoerentemente nos dois
autoestados de σz. Para encontrar a taxa de tunelamento, podemos outra vez usar a transformada unit´aria (3.71) resultando no Hamiltoniano (3.72). Na aproxima¸c˜ao na regra de ouro de Fermi obtemos (Leggett et
al., 1987) a seguinte rela¸c˜ao no limite ∆E << βKBT :
τrelax−1 =2π ¯ h ∆E2sin2[η] 4 h ˜P (∆Econ[η]) + ˜P (−∆Econ[η])i ≈∆E 2sin2[η] 2π¯hβKBT , (3.76)
onde ˜P (· · ·) ´e a transformada de Fourier de P (t). Para encontrar a taxa de defasamento outra vez usamos a equa¸c˜ao (eq.3.73) e obtemos
τϕ−1=
2πβKBT
¯
h . (3.77)
Neste regime o defasamento ´e bem mais r´apido que a relaxa¸c˜ao do sistema. Al´em disso, n´os observamos que
τrelax−1 ∝ (βKBT )−1 quando τϕ−1∝ βKBT . Isto implica que ´e mais r´apido o defasamento e a relaxa¸c˜ao mais
lenta. Tais comportamentos s˜ao devidos ao efeito (Harris and Stodolsky, 1982)4Zeno: a frequˆencia ambiente
“observa” o estado de spin, assim impedindo o tunelamento.
3Odintsov, A. A., 1988, “Effect of dissipation on the characteristics of small-area tunnel junctions: application of the polaron
model”, Sov. Phys. JETP 67, 1265.; Panyukov, S. V., and A. D. Zaikin, 1988, “Quantum fluctuations and quantum dynamics of small Josephson junctions”, J. Low Temp. Phys. 73, 1.; Nazarov, Y. V., 1989, “Anomalous current-voltage characteristics of tunnel junctions”, Sov. Phys. JETP 68, 561.; Devoret, M. H., D. Esteve, H. Grabert, G. L. Ingold, and H. Pothier, 1990, “Effect of the electromagnetic environment on the Coulomb blockade in ultrasmall tunnel junctions”, Phys. Rev. Lett. 64, 1824.