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Análise da equação de difusão não linear com potências fracionárias do laplaciano via grupo de renormalização

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Academic year: 2021

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(1)Universidade Federal de Juiz de Fora Instituto de Ciˆ encias Exatas Programa de P´ os-Gradua¸c˜ ao em Matem´ atica. Nat´ alia Moreira Eleut´ erio Alves. ´ ˜ DE DIFUSAO ˜ NAO ˜ LINEAR ANALISE DA EQUAC ¸ AO ˆ ´ COM POTENCIAS FRACIONARIAS DO ˜ LAPLACIANO VIA GRUPO DE RENORMALIZAC ¸ AO. Juiz de Fora 2016.

(2) Nat´ alia Moreira Eleut´ erio Alves. ´ ˜ DE DIFUSAO ˜ NAO ˜ LINEAR ANALISE DA EQUAC ¸ AO ˆ ´ COM POTENCIAS FRACIONARIAS DO ˜ LAPLACIANO VIA GRUPO DE RENORMALIZAC ¸ AO. Disserta¸ca˜o apresentada ao Programa de P´os-Gradua¸ca˜o em Matem´atica da Universidade Federal de Juiz de Fora, na a´rea de concentra¸c˜ao em An´alise, como requisito parcial para obten¸ca˜o do t´ıtulo de Mestre em Matem´atica.. Orientador: Prof. Dr. Eduard Toon Coorientadora: Prof(a). Dra. Jussara de Matos Moreira. Juiz de Fora 2016.

(3) AGRADECIMENTOS. Agrade¸co primeiramente a Deus, meu ref´ ugio e for¸ca, por estar sempre ao meu lado e por ter colocado pessoas boas em meu caminho, que me ajudaram a concluir mais essa fase em minha vida. Aos professores Eduard e Jussara, pelo incentivo e acompanhamento que tornou poss´ıvel o desenvolvimento desta disserta¸ca˜o de mestrado. Aos professores R´egis, Carl˜ao, Laura, Flaviana e Willian, pela colabora¸c˜ao e conhecimentos transmitidos. Aos meus pais, Geraldo e Raimunda, que em nenhum momento mediram esfor¸cos para realiza¸c˜ao dos meus sonhos, que me guiaram pelos caminhos corretos, me ensinaram a fazer as melhores escolhas, me mostraram que a honestidade e o respeito s˜ao essenciais a` vida, e que devemos sempre lutar pelo que queremos. A eles devo a pessoa que me tornei, sou extremamente feliz e ˆ tenho muito orgulho por cham´a-los de pai e m˜ae. AMO VOCES! Ao meu irm˜ao J´ unior e minha irm˜a Sabrina, pelo carinho, pela ajuda e pela compreens˜ao. Aos amigos da matem´atica, em especial a Talita e o Miguel. Enfim a todos que direta ou indiretamente fazem parte dessa hist´oria. Meu carinho e muito obrigada!.

(4) RESUMO. O principal objetivo deste trabalho consiste em descrever e aplicar as t´ecnicas do Grupo de Renormaliza¸ca˜o (RG), desenvolvida por Bricmont et al em [3], no estudo do comportamento assint´otico da solu¸ca˜o do seguinte problema de valor inicial:  ut = M u − ηuxxx − ρup ux , t > 1, p ∈ N, p ≥ 2, u(x, 1) = f (x), em que f ´e o dado inicial, ρ, η ∈ [0, 1] e M ´e um operador no espa¸co de Fourier definido por M ≡ −(−4)β com 43 < β ≤ 1. O m´etodo do Grupo de Renormaliza¸ca˜o(RG) surgiu no final dos anos 50 em Teoria Quˆantica de Campos [10] sendo em seguida utilizado para estudar Fenˆomenos Cr´ıticos em Mecˆanica Estat´ıstica. No in´ıcio dos anos 90, foi aplicado ainda na an´alise assint´otica de solu¸c˜oes de equa¸co˜es diferenciais [3], atrav´es da utiliza¸ca˜o de conceitos como invariˆancia por escalas e universalidade, na busca por conjuntos de dados iniciais e perturba¸c˜oes de equa¸co˜es cujas solu¸co˜es apresentassem mesmo comportamento assint´otico. Tal m´etodo envolve um problema de escalas m´ ultiplas, cuja ideia ´e procurar por uma solu¸ca˜o que seja invariante por mudan¸ca de escalas, e esta solu¸ca˜o surge ent˜ao como um ponto fixo de um operador. Visando um melhor entendimento do m´etodo, dividimos o estudo da solu¸ca˜o em trˆes casos: caso linear (η = ρ = 0), caso linear com termo dispersivo (ρ = 0) e caso n˜ao linear (η 6= 0 e ρ 6= 0). Em todos os casos, veremos que as solu¸co˜es se comportam da seguinte maneira: u(x, t) ∼. A ∗x f , (t → ∞), tθ tγ. sendo θ e γ expoentes cr´ıticos, A ´e um pr´e-fator que cont´em informa¸co˜es do dado inicial e do termo n˜ao linear ρup ux e f ∗ ´e chamada fun¸c˜ao perfil. O estudo desenvolvido nesse trabalho foi baseado no artigo [1]..

(5) ABSTRACT. The main objective of this study is to describe and apply the techniques of the Renormalization Group (RG) in the study of the asymptotic behavior of the solution to the following initial value problem:  ut = M u − ηuxxx − ρup ux , t > 1, p ∈ N, p ≥ 2, u(x, 1) = f (x), where f is the initial data, ρ, η ∈ [0, 1] and M is an operator in the Fourier space defined by M ≡ −(−4)β with 34 < β ≤ 1. The method of the Renormalization Group (RG) emerged in the late 1950s in Quantum Field Theory [10] and later it was used to study Critical Phenomena in Statistical Mechanics. In the early 1990s, it was applied to the asymptotic analysis of solutions of differential equations [3], through the use of concepts such as scales invariance and universality, in the search for sets of initial data and perturbations of equations whose solutions presented the same asymptotic behavior. This method involves a multi-scale problem, whose idea is to look for a solution that is scales invariant, and this solution then appears as a fixed point of an operator. For a better understanding of the method, this study was divided in three cases: linear case (η = ρ = 0), linear case with dispersive term (ρ = 0) and nonlinear case (η 6= 0 e ρ 6= 0). In all the cases, we see that the solutions behave as follows: u(x, t) ∼. A ∗x f , (t → ∞), tθ tγ. where θ and γ are critical exponents, A is a pre-factor that has the information of the initial data and the nonlinear term ρup ux and f ∗ is the profile function. The study developed in this work was based on Article [1]..

(6) Sum´ ario. 1 Introdu¸c˜ ao. 3. 1.1. Objetivo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 3. 1.2. Descri¸ca˜o da disserta¸c˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 5. 1.3. O M´etodo do Grupo de Renormaliza¸ca˜o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 5. 2 Conceitos Preliminares. 7. 2.1. Transformada de Fourier . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 2.2. O Espa¸co B3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13. 2.3. Teorema do ponto fixo para contra¸c˜oes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17. 3 O Grupo de Renormaliza¸c˜ ao Aplicado ` a Equa¸c˜ ao Linear. 7. 18. 3.1. A Solu¸ca˜o da equa¸ca˜o. 3.2. Solu¸co˜es invariantes por mudan¸ca de escalas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19. 3.3. Defini¸ca˜o do operador RG . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 3.3.1. 3.4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18. Lema da Contra¸ca˜o em B3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23. An´alise assint´otica para o caso linear . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24. 4 O Grupo de Renormaliza¸c˜ ao Aplicado ` a Equa¸c˜ ao Linear com Termo Dispersivo 28 4.1. A Solu¸ca˜o da equa¸ca˜o. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28. 4.2. Defini¸ca˜o do operador RG e suas propriedades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 1.

(7) 4.3. An´alise do comportamento assint´otico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34. 5 O Grupo de Renormaliza¸c˜ ao Aplicado ` a Equa¸c˜ ao N˜ ao Linear 5.1. 38. Existˆencia e unicidade da solu¸c˜ao local . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 5.1.1. Resultados preliminares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40. 5.1.2. Prova do Lema 5.1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46. 5.1.3. Prova do Lema 5.2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50. 5.1.4. Prova do Teorema 5.2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52. 5.2. O Grupo de Renormaliza¸ca˜o para o caso n˜ao linear . . . . . . . . . . . . . . . . . 53. 5.3. An´alise do comportamento assint´otico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 5.3.1. Passo k . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59. 5.3.2. Indu¸c˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 62. 2.

(8) Cap´ıtulo 1 Introdu¸ c˜ ao. 1.1. Objetivo. Nesse trabalho descreveremos e aplicaremos a t´ecnica do Grupo de Renormaliza¸c˜ao, desenvolvida por Bricmont et al em [3], com o objetivo de analisar o comportamento assint´otico da solu¸ca˜o do problema de valor inicial (PVI) abaixo:  ut = M u − ηuxxx − ρup ux , t > 1, p ∈ N, p ≥ 2, (1.1) u(x, 1) = f (x), f ∈ B3 , em que ρ, η ∈ [0, 1] e B3 ´e um espa¸co de Banach definido por. sendo. B3 ≡ {f : R → R | fˆ ∈ C 1 (R) e kf k < ∞},. (1.2). h  i kf k = sup (1 + |w|3 ) |fˆ(w)| + |fˆ0 (w)| .1. (1.3). w∈R. M ´e um operador no espa¸co de Fourier, definido como M ≡ −(−4)β , sendo \β u] = |w|2β uˆ, isto ´e, [−(4) du = −|w|2β uˆ. M. 3 4. < β ≤ 1 e tal que (1.4). Provaremos que, para tempos suficientemente longos e para uma determinada classe de dados iniciais, a solu¸c˜ao do PVI (1.1) se comporta da seguinte forma: x A u(x, t) ∼ θ f ∗ γ , (t → ∞), (1.5) t t Na poderiam ser obtidos no espa¸co Bq ≡ {f : R → R | fˆ ∈ C 1 (R) e kf k = h verdade, todos os resultados i sup (1 + |w|q )|fˆ(w)| + |fˆ0 (w)| < ∞}, com q > 1. A op¸c˜ao por q = 3 foi inspirada em [1] para tornar as 1. w∈R. estimativas independentes de q.. 3.

(9) 1 s˜ao expoentes cr´ıticos, A ´e um pr´e-fator que depende do dado inicial e do em que θ = γ = 2β termo n˜ao linear ρup ux e f ∗ ´e chamada fun¸ca˜o perfil dada por 2β fb∗ (w) = e−|w| .. (1.6). Em outras palavras, obteremos o seguinte limite: 1. 1. lim ku(t 2β ·, t) − At− 2β f ∗ (·)k = 0,. t→∞. sendo a norma acima dada por (1.3). O estudo desenvolvido nesse trabalho foi baseado no artigo [1]. Para melhor compreens˜ao do m´etodo do Grupo de Renormaliza¸c˜ao no estudo do comportamento assint´otico de EDP’s, ´e conveniente simplificarmos a equa¸c˜ao (1.1) fazendo η = ρ = 0 (caso linear) e em seguida, ρ = 0 (caso linear com termo dispersivo), e buscar por solu¸co˜es do tipo (1.5). Posteriormente, consideraremos o problema n˜ao linear (1.1) com p ≥ 2. Nesse caso, a solu¸c˜ao pode ser escrita como u(x, t) = uf (x, t) + N (u)(x, t), (1.7) sendo uf (x, t) a solu¸c˜ao da equa¸c˜ao no caso linear com termo dispersivo Z ∞ 2β 3 e−(|w| −iηw )(t−1) eiwx fb(w)dw, uf (x, t) =. (1.8). −∞. e N (u) definido por: Z. t. Z. p. t−1. S(τ + 1)up (x, t − τ )dτ,. S(t − s + 1)u (x, s)ds =. N (u)(x, t) = 1. (1.9). 0. em que, Z. ∞. S(t)f =. e−(|w|. 2β −iηw 3 )(t−1). eiwx fb(w)dw,. −∞. sendo fˆ a transformada de Fourier de f , definida em (2.2). Ap´os essa an´alise, provaremos que o comportamento assint´otico ´e o mesmo em ambos os casos (linear, linear com termo dispersivo e n˜ao linear), exceto pelo pr´e-fator, que no caso n˜ao linear ser´a obtido como o limite de uma determinada sequˆencia. Assim, solu¸co˜es de equa¸co˜es que diferem apenas quanto `a pertuba¸ca˜o podem ser consideradas em uma mesma classe de universalidade, pois possuem mesmos expoentes cr´ıticos e fun¸co˜es perfil. Enfim, ficar´a claro neste trabalho, que a t´ecnica do Grupo de Renormaliza¸c˜ao ´e uma poderosa ferramenta no estudo do comportamento, para tempos longos, de solu¸co˜es de equa¸c˜oes diferenciais parciais.. 4.

(10) 1.2. Descri¸c˜ ao da disserta¸ c˜ ao. A disserta¸c˜ao foi dividida da seguinte forma: na se¸c˜ao 1.3, explicaremos um pouco mais sobre a hist´oria e o m´etodo do Grupo de Renormaliza¸c˜ao, que denotaremos por RG. No Cap´ıtulo 2, daremos defini¸co˜es e enunciaremos teoremas, lemas e proposi¸co˜es que ser˜ao utilizados ao longo do trabalho. No Cap´ıtulo 3, estudaremos o caso linear (η = ρ = 0) da equa¸c˜ao (1.1) e mostraremos que a mesma ´e invariante por mudan¸cas de escalas. Com isso, definiremos o operador RG, provaremos algumas de suas propriedades e obteremos o comportamento assint´otico da equa¸c˜ao linear. Em seguida, no Cap´ıtulo 4, vamos analisar a equa¸c˜ao linear com termo dispersivo (ρ = 0). Novamente, definiremos o operador RG para esse caso e mostraremos que a fun¸ca˜o f ∗ definida em (1.6) n˜ao ser´a ponto fixo do operador como no caso anterior. Entrentanto, veremos que isso n˜ao afetar´a o comportamento assint´otico da equa¸c˜ao linear com termo dispersivo. No Cap´ıtulo 5, provaremos a existˆencia e unicidade de solu¸co˜es do problema de valor inicial (1.1), que ser´a de grande importˆancia no estudo, para tempos longos, do mesmo. Finalmente, obteremos o comportamento assint´otico da solu¸ca˜o do problema n˜ao linear (1.1).. 1.3. O M´ etodo do Grupo de Renormaliza¸ c˜ ao. A t´ecnica do Grupo de Renormaliza¸ca˜o (RG) surgiu no final dos anos 50 em Teoria Quˆantica de Campos (veja [10]). Em seguida, estas id´eias foram utilizadas em teorias cr´ıticas de Mecˆanica Estat´ıstica do Equil´ıbrio. As id´eias consistiam em introduzir um operador, atuando sobre o espa¸co das energias, que implementava a mudan¸ca de escalas. Iterando este operador um n´ umero muito grande de vezes ele convergia para seu ponto fixo e a taxa de tal convergˆencia estava associada aos expoentes cr´ıticos da Mecˆanica Estat´ıstica. A partir de 1960, foram desenvolvidas t´ecnicas para a realiza¸ca˜o de experiˆencias na vizinhan¸ca de pontos cr´ıticos. Observou-se que existia uma classe de universalidade definida por alguns expoentes cr´ıticos diferentes dos expoentes cl´assicos. Com isso, na d´ecada de 1970, essas id´eias foram incorporadas por Kenneth Wilson (veja [20]), que propˆos uma teoria para os fenˆomenos cr´ıticos, baseada numa modifica¸c˜ao de um m´etodo utilizado em F´ısica Te´orica, chamado teoria do Grupo de Renormaliza¸ca˜o. Esse m´etodo permitiu a descri¸ca˜o do comportamento dos sistemas pr´oximos ao ponto cr´ıtico e resultados destes estudos mostraram que quando a escala muda, as equa¸c˜oes que descrevem o sistema mudam de tal forma que no limite termodinˆamico apenas alguns aspectos s˜ao relevantes. Nos anos 90, o RG foi aplicado a`s equa¸co˜es diferenciais na obten¸ca˜o do comportamento assint´otico de solu¸c˜oes de problemas de valor inicial (veja [3]). A ideia nesse caso novamente era relacionar o comportamento assint´otico das solu¸co˜es de EDPs com a existˆencia e estabilidade de pontos fixos de um operador apropriado (o operador Grupo de Renormaliza¸ca˜o) e assim resolver o problema iterativamente, de forma que aplica¸c˜oes sucessivas do operador evoluem progressivamente a solu¸ca˜o no tempo e simultaneamente renormalizam os termos da EDP, transformando o problema 5.

(11) do limite assint´otico em itera¸co˜es de problemas (renormalizados), definidos em intervalos de tempo fixo, seguidas por uma mudan¸ca de escalas. A cada passo da itera¸ca˜o, subtrai-se da condi¸c˜ao inicial a contribui¸c˜ao em uma dire¸ca˜o dita marginal com respeito ao operador, no sentido em que essa componente n˜ao se altera a cada etapa do m´etodo. A diferen¸ca obtida ´e dita ent˜ao irrelevante, pois, a` medida que ´e iterado o procedimento, ela ´e contra´ıda pelo operador. Assim, repete-se esse procedimento at´e que se atinja o regime assint´otico. Escolhendo a escala apropriada, a cada itera¸ca˜o o problema torna-se mais simples, justificando a grande utilidade da t´ecnica do Grupo de Renormaliza¸ca˜o. No in´ıcio dos anos 90, foi tamb´em proposta uma vers˜ao num´erica (veja [5]) para o Grupo de Renormaliza¸ca˜o, tendo sido aplicada a diversas equa¸co˜es, como a equa¸ca˜o dos meios porosos, equa¸ca˜o de Barenblatt, equa¸ca˜o de difus˜ao com coeficiente peri´odico, dentre outras. Embora a t´ecnica do Grupo de Renormaliza¸ca˜o seja um pouco antiga, a mesma ainda ´e muito utilizada na f´ısica (veja [4, 7, 9, 13]). Na a´rea de estudo do comportamento assint´otico de solu¸c˜oes de equa¸c˜oes diferenciais parciais, tamb´em, encontramos trabalhos mais recentes (veja [2, 17]), mostrando assim, a grande aplicabilidade do m´etodo.. 6.

(12) Cap´ıtulo 2 Conceitos Preliminares. Nesse cap´ıtulo, daremos importantes defini¸co˜es, dentre elas, a defini¸ca˜o da Transformada de Fourier para fun¸c˜oes em L1 (R) e provaremos algumas de suas propriedades. Tamb´em enunciaremos alguns resultados que ser˜ao utilizados ao longo do trabalho.. 2.1. Transformada de Fourier. A Transformada de Fourier ´e uma ferramenta de grande importˆancia no estudo de equa¸c˜oes diferenciais parciais, como por exemplo na solu¸ca˜o de problemas de processamento digital de imagens (veja [18]). No contexto de estudo do comportamento assint´otico de solu¸co˜es de EDPs, utilizando a t´ecnica do Grupo de Renormaliza¸ca˜o, ´e preciso analisar o problema no espa¸co de Fourier, uma vez que, o PVI (1.1) ´e definido com operador multiplicador de Fourier dado por (1.4) e o operador Grupo de Renormaliza¸ca˜o (RG) que ser´a definido na Se¸c˜ao 3.3 ´e uma contra¸ca˜o quando age no espa¸co das fun¸co˜es cujas Transformadas de Fourier se anulam na origem. Antes de definirmos a Transformada de Fourier definiremos o espa¸co Lp (R). Defini¸c˜ ao 2.1 (Espa¸co Lp (R)). Seja p tal que 1 ≤ p < ∞. Definimos o espa¸co Lp (R) como sendo o espa¸co das classes de equivalˆencia de fun¸c˜oes reais p-integr´aveis no sentindo de Lebesgue, isto ´e,   Z Lp (R) =. |f (x)|p dx < ∞ ,. f :R→R: R. munido da norma Z kf kp =.  p1 |f (x)|p dx ,. R ∞. e o espa¸co L (R) como sendo o espa¸co das classes de equivalˆencia de fun¸c˜oes reais mensur´ aveis limitadas, isto ´e,   ∞ L (R) = f : R → R : sup |f | < ∞ , 7.

(13) munido da norma kf k∞ = sup{|f (x)|}. w p. L ´e um espa¸co vetorial normado e completo. Em particular, kf kp satisfaz as desigualdades de Minkowski, isto ´e, para toda f, g ∈ Lp (R) temos kf + gkp ≤ kf kp + kgkp , e de H¨older kf gk1 ≤ kf kp kgkq , desde que f ∈ Lp (R), g ∈ Lq (R) e. 1 p. +. 1 q. = 1.. Uma consequˆencia imediata da desigualdade de H¨older ´e a desigualdade de Cauchy-Schwarz: kf gk1 ≤ kf k2 kgk2 .. (2.1). Al´em disso, L2 (R) ´e um espa¸co de Hilbert com o produto interno Z ∞ f (x)g(x)dx, < f, g >= −∞. para toda f, g ∈ L2 (R). Defini¸c˜ ao 2.2 (Transformada de Fourier). Seja f : R → R uma fun¸c˜ao de L1 (R). Definimos a Transformada de Fourier de f como Z ∞ ˆ f (w) = F{f (.)}(w) = e−iwx f (x)dx. (2.2) −∞. Defini¸c˜ ao 2.3 (Transformada de Fourier Inversa). Definimos a Transformada de Fourier Inversa de uma fun¸c˜ao f ∈ L1 (R) por Z ∞ 1 −1 d f (x) = F {f (.)}(x) = eiwx fˆ(w)dw. (2.3) 2π −∞ ´ natural fazermos a seguinte pergunta: Quando a fun¸ca˜o f poder ser obtida a partir de fˆ, isto E ´e, f (x) = (F −1 fˆ)(x)? Lema 2.1. Seja f ∈ L1 (R) tal que fˆ ∈ L1 (R). Ent˜ao f (x) = (F −1 fˆ)(x) em todos os pontos x onde f ´e cont´ınua. Veja demonstra¸c˜ao em [8].. 8.

(14) Defini¸c˜ ao 2.4 (Convolu¸c˜ ao). Dadas duas fun¸c˜oes f, g ∈ L1 (R), a convolu¸c˜ao de f com g, denotada por f ∗ g, ´e definida por: Z ∞ (f ∗ g)(x) = f (x − y)g(y)dy. (2.4) −∞. Lema 2.2. Se f, g ∈ L1 (R), ent˜ao (f[ ∗ g)(w) = fˆ(w)ˆ g (w). Prova: Tomando a Transformada de Fourier de (2.4) e pelo Teorema de Mudan¸ca de Vari´aveis, fazendo z = x − y, temos: Z ∞Z ∞ Z ∞Z ∞ −iwx [ f (z)g(y)e−iw(z+y) dzdy. f (x − y)g(y)e dxdy = (f ∗ g)(w) = −∞. −∞. −∞. −∞. Pelo Teorema de Fubini, Z. ∞ −iwz. (f[ ∗ g)(w) =. f (z)e. Z. ∞. g(y)e−iwy dy = fˆ(w)ˆ g (w).. dz. −∞. −∞. Lema 2.3. Seja a > 0 uma constante positiva. Se f ∈ L1 (R), ent˜ao: 1 w . F{f (ax)}(w) = fˆ a a Prova: Pela Defini¸ca˜o 2.2, temos: Z. ∞. eiwx f (ax)dx.. F{f (ax)}(w) = −∞. Fazendo a mudan¸ca de vari´aveis y = ax, temos: Z F{f (y)}(w) =. ∞. 1 iw y e a f (y)dy a. −∞ Z 1 ∞ iw y = e a f (y)dy a −∞ 1ˆw = f ( ). a a. 9. (2.5).

(15) As demonstra¸co˜es do Teorema 2.1 e do Lema 2.4 podem ser encontradas em [8]. Teorema 2.1 (Identidade de Parseval). Para toda f, g ∈ L2 (R), temos < f, g >=. Em particular, kf k22 =. 1 < fˆ, gˆ > . 2π. 1 kfˆk22 . 2π. Lema 2.4. A Transformada de Fourier ´e uma bije¸c˜ao de L2 (R) em L2 (R). Isto ´e, para cada g ∈ L2 (R), existe um u ´nico f ∈ L2 (R) tal que fˆ = g. Uma importante propriedade da Transformada de Fourier que ser´a utilizada no cap´ıtulo 5 ´e a transformada do produto de n fun¸co˜es em L2 (R) ser o produto de n − 1 convolu¸co˜es das transformadas de cada fun¸ca˜o. Lema 2.5. Se f1 , · · ·, fn ∈ L2 (R), ent˜ao: F{f1 · · · fn }(w) =. 1 (fˆ1 ∗ · · · ∗ fˆn )(w). (2π)n−1. Prova: Usaremos indu¸ca˜o para provar esse resultado. Tome f, g ∈ L2 (R), ent˜ao: Z ∞ F{f (·)g(·)}(w) = e−iwx (f · g)(x)dx. −∞. Pela Identidade de Parseval e como g ∈ L2 (R), obtemos: Z ∞ F{f (·)g(·)}(w) = e−iwx (f · g)(x)dx  Z−∞ Z ∞ ∞  1 0 iw0 x 0 = gˆ(w )e dw f (x)e−iwx dx 2π −∞  Z ∞ −∞ Z ∞ 1 −i(w−w0 )x 0 = gˆ(w ) f (x)e dx dw0 2π −∞ −∞ Z ∞ 1 = fˆ(w − w0 )ˆ g (w0 )dw0 2π −∞ 1 ˆ = (f ∗ gˆ)(w). 2π Agora, suponhamos que (2.6) seja verdadeira para n ∈ N. Ent˜ao: 1 (F[f1 · · · fn ] ∗ fd n+1 )(w) 2π   1 1 ˆ ˆ d = f1 ∗ · · · ∗ fn ∗ fn+1 (w) 2π (2π)n−1 1 = (fˆ1 ∗ · · · ∗ fˆn ∗ fd n+1 )(w). (2π)n. F{f1 · · · fn · fn+1 }(w) =. 10. (2.6).

(16) Portanto, a igualdade (2.6) vale para todo n ∈ N.. Uma consequˆencia imediata do Lema anterior ´e fbp (w) =. 1 (fˆ · · · fˆ)(w), (2π)p−1. (2.7). 1, se x ∈ [−1, 1], 0, se x ∈ / [−1, 1].. (2.8). com p − 1 convolu¸co˜es de fˆ. Considere a fun¸c˜ao g : R → R dada por:  g(x) =. Claramente g ∈ L1 (R), e sua Transformada de Fourier ´e dada por:  2 sin θ , se θ 6= 0, θ gˆ(θ) = 2, se θ = 0.. (2.9). Por´em, gˆ(w) n˜ao pertence a L1 (R). Assim, conclu´ımos que, nem sempre f ∈ L1 (R) implica fˆ ∈ L1 (R), ou seja, uma vez conhecida a Transformada de Fourier de uma dada fun¸ca˜o em L1 (R), n˜ao garantimos a existˆencia de uma aplica¸ca˜o que seja a inversa da mesma. Assim, faz-se necess´ario definirmos um espa¸co de fun¸c˜oes na qual garantimos que para toda f que tomarmos nesse espa¸co sua tranformada de Fourier tamb´em perten¸ca a ele. Uma escolha poss´ıvel seria tomar o espa¸co C0∞ das fun¸c˜oes infinitamente diferenci´aveis, de suporte compacto em R. Por´em, nesse espa¸co, podemos tomar fun¸co˜es na qual sua Transformada de Fourier n˜ao tenha suporte compacto. Por exemplo, a fun¸c˜ao  |x| (2.10) g(x) = 1 − a , se x ∈ [−a, a], 0, se x ∈ / [−a, a], , que n˜ao tem suporte compacto. Com isso, sua Transformada de Fourier ´e gˆ(w) = 2(1−cos(aw)) aw2 escolhemos um outro subespa¸co de L1 (R), o espa¸co de Schwartz ou das fun¸c˜oes rapidamente decrescentes, que ´e um pouco maior que C0∞ e que denotaremos por S(R). Defini¸c˜ ao 2.5 (Espa¸co de Schwartz). Uma fun¸c˜ao f : R → R ´e rapidamente decrescente se f ∈ C ∞ (R) e para todo (m, n) ∈ N × N kf km,n = sup |xm Dn f (x)| < ∞. x∈R. Ou seja, f e suas derivadas tendem a zero mais rapidamente que as potˆencias xm v˜ao para o infinito. Toda fun¸ca˜o em S(R) ´e absolutamente integr´avel (veja [8]). Teorema 2.2. Se f ∈ S(R), ent˜ao fˆ ∈ S(R) e, al´em disso, dados m, n ≥ 0,  n  m  d d n m ˆ (ix) f =F [(−ix) f ] . dx dx 11. (2.11).

(17) Prova: Primeiro, provaremos para todo n ≥ 0 que F[Dn f ](w) = (iw)n fˆ(w).. (2.12). Seja f ∈ S(R) e pela Defini¸ca˜o 2.2 obtemos: fˆ0 (w) = F(f (x))(w) = 0. Z. ∞. e−iwx f 0 (x)dx.. −∞ −iwx. Fazendo u = e. 0. e dv = f (x)dx, e usando integral por partes, temos: Z ∞ 0 ˆ f (w) = e−iwx f 0 (x)dx −∞

(18) ∞ Z ∞

(19) −iwx f (x)(−iw)e−iwx dx − = e f (x)

(20)

(21) −∞

(22) −∞ Z ∞ ∞

(23) −iwx

(24) e−iwx f (x)dx + (iw) = e f (x)

(25) −∞. −∞. = (iw)fˆ(w). Suponhamos que, F[Dn f ](w) = (iw)n fˆ(w) seja verdadeira para todo n ≥ 0. Ent˜ao F(D(n+1)f )(w) = F[D(D(n) )f ](w) = (iw)F(D(n) )(w) = (iw)[(iw)n fˆ](w) = (iw)n+1 fˆ(w), e assim, (2.12) vale para todo n ≥ 0. Agora, provaremos para todo n ≥ 0 que Dn fˆ = F[(−ix)n f ]. Se f ∈ S(R), podemos diferenciar sobre o sinal da integral, obtendo para n=1: Z ∞ ˆ Df = (−ix)e−iwx f (x)dt = F[(−ix)f (x)](w). −∞. Suponha que, Dn fˆ = F[(−ix)n f ] seja v´alida para todo n ≥ 0. Ent˜ao, Dn+1 fˆ = D(Dn fˆ) = D[F{(−ix)n f }] = F{(−ix)(−ix)n f } = F{(−ix)n+1 f }. Logo, (2.13) ´e verdadeira para todo n ≥ 0. E portanto, de (2.12) e (2.13) obtemos (2.11). Finalmente, mostraremos que fˆ ∈ S(R). Considerando f ∈ S(R), m, n ≥ 0 e (2.11), kfˆkm,n = sup |xm Dn fˆ(x)| x∈R

(26)  m 

(27)

(28)

(29) d n = sup

(30)

(31) F [(−ix) f (x)]

(32)

(33) dx x∈R

(34) Z ∞

(35)  m

(36)

(37) d = sup

(38)

(39) e−iwx [(−ix)n f (x)]dx

(40)

(41) dx x∈R −∞

(42)  m Z ∞

(43)

(44) −iwx d

(45) n

(46) ≤ sup e [(−ix) f (x)]dx

(47)

(48)

(49) dx x∈R −∞

(50) Z ∞

(51)  m

(52) d

(53) n

(54) [x f (x)]

(55)

(56) dx < ∞. ≤

(57) dx −∞ j´a que Dm (xn f ) ∈ L1 (R). 12. (2.13). (2.14).

(58) 2.2. O Espa¸co B3. Seja B3 o espa¸co de fun¸c˜oes reais definido por B3 ≡ {f : R → R | fˆ ∈ C 1 (R) e kf k < ∞}, sendo. h i kf k = sup(1 + |w|3 ) |fˆ(w)| + |fˆ0 (w)| . w∈R. Provaremos que o espa¸co B3 ´e um espa¸co de Banach e que se f ∈ B3 ent˜ao f ∈ L1 (R) ∩ L2 (R) ∩ L∞ (R). Al´em disso, mostraremos que dado L > 1 o espa¸co C(1, L2β ; B3 ) ≡ {u(x, t) : u(., t) ∈ B3 , ∀t ∈ [1, L2β ]}. (2.15). kukL = sup ku(., t)k.. (2.16). com a norma t∈[1,L2β ]. tamb´em ´e um espa¸co de Banach. Proposi¸c˜ ao 2.1. B3 ⊂ L1 (R) ∩ L2 (R) ∩ L∞ (R). Prova: Tome f ∈ B3 ent˜ao fˆ ∈ C 1 e kf k < ∞. Pela defini¸ca˜o da norma em B3 (veja equa¸c˜ao (1.3)) C temos |fˆ0 (w)|, |fˆ(w)| ≤ 1+|w| 3 sendo C = kf k. Assim, R R. |fˆ(w)|dw ≤. C dw R 1+|w|3. R. <∞. e. R R. |fˆ0 (w)|dw ≤. C dw R 1+|w|3. R. < ∞.. Logo, fˆ, fˆ0 ∈ L1 (R). Analogamente, temos que fˆ, fˆ0 ∈ L2 (R), e portanto, fˆ, fˆ0 ∈ L1 (R) ∩ L2 (R). Pelo Lema 2.4, como a Transformada de Fourier ´e uma bije¸ca˜o em L2 (R), existe a inversa de fˆ. Assim, F −1 (fˆ) = f ∈ L2 (R). Pelo Teorema 2.2, temos que fˆ0 = F[−ixf ]. Logo, F −1 (fˆ0 ) = F −1 (F[−ixf ]) = −ixf ∈ L2 (R). Portanto, pela Defini¸c˜ao 2.1, temos kf k2 < ∞ e kxf k2 < ∞. Agora, vamos escrever f = (1 + |x|)−1 · (1 + |x|)f . Ent˜ao, pela desigualdade de Cauchy-Schwarz dada por (2.1), temos: kf k1 = ≤ ≤ ≤ <. k(1 + |x|)−1 · (1 + |x|)f k1 k(1 + |x|)−1 k2 · k(1 + |x|)f k2 K1 (k(1 + |x|)f k2 ) K1 (kf k2 + kxf k2 ) ∞. 13.

(59) sendo K1 = k(1 + |x|)−1 k2 . Logo, f ∈ L1 (R) e com isso, f ∈ L1 (R) ∩ L2 (R). Finalmente, falta mostrar que f ∈ L∞ (R). Como f ∈ L2 (R), ent˜ao f (x) = F −1 (fd (.)). Logo, considerando a Defini¸c˜ao 2.3 e que kf k < ∞, obtemos: |f (x)| = |F −1 (fd (.))|

(60) Z

(61)

(62) 1

(63) iwx ˆ =

(64)

(65) e f (w)dw

(66)

(67) 2π R Z 1 ≤ |eiwx ||fˆ(w)|dw 2π R Z 1 kf k ≤ dw 2π R 1 + |w|3 ≤ kf kK2 < ∞ sendo K2 =. 1 2π. R. 1 dw. R 1+|w|3. Pela Defini¸ca˜o 2.1, conclu´ımos que f ∈ L∞ (R).. Proposi¸c˜ ao 2.2. B3 ´e um espa¸co de Banach munido da norma h  i kf k = sup (1 + |w|3 ) |fˆ(w)| + |fˆ0 (w)| . w∈R. Prova: B3 ´e um espa¸co vetorial. De fato, se f, g ∈ B3 e α ∈ R, ent˜ao pela linearidade da Transformada de Fourier e do operador derivada, temos que (f + g) ∈ B3 e αf ∈ B3 . Al´em disso, temos que (1.3) ´e uma norma. De fato, 1. kf k ≥ 0 e kf k = 0 ⇔ f = 0. Claramente kf k ´e n˜ao negativa. Se kf k = 0, ent˜ao sup(1 + |w|3 )[|fˆ(w)| + |fˆ0 (w)|] = 0. w. Logo, (1 + |w|3 )[|fˆ(w)| + |fˆ0 (w)|] ≤ sup(1 + |w|3 )[|fˆ(w)| + |fˆ0 (w)|] = 0, ∀ w. w. Ent˜ao, |fˆ(w)| = |fˆ0 (w)| = 0, ∀ w. Como f ∈ L1 (R) e pela defini¸ca˜o da Transformada Inversa de Fourier de f , temos: Z ∞ 1 −1 d f (x) = F {f (.)}(x) = eiwx fˆ(w)dw = 0 2π −∞ Portanto, f = 0. Por outro lado, se f = 0 ent˜ao fˆ(w) = 0 e fˆ0 (w) = 0. Logo, kf k = 0. 2. kλf k = |λ|kf k. Note que

(68) Z

(69) d |(λf )(w)| =

(70)

(71). ∞. −∞. e. −iwx.

(72)

(73) Z

(74)

(75)

(76) λf (x)dx

(77) = |λ|

(78)

(79). ∞. −∞. 14. −iwx. e.

(80)

(81) f (x)dx

(82)

(83) = |λ||fb(w)|..

(84) d)0 (w)| = |λ||fˆ0 (w)|. Logo, Analogamente, |(λf d)(w)| + |(λf d)0 (w)|] = |λ| sup(1 + |w|3 )[|fˆ(w)| + |fˆ0 (w)|] = |λ|kf k. kλf k = sup(1 + |w|3 )[|(λf w. w. 3. kf + gk ≤ kf k + kgk. Pela linearidade da Transformada de Fourier e da derivada, temos que |(f\ + g)(w)| = |fˆ(w) + gˆ(w)| ≤ |fˆ(w)| + |ˆ g (w)| e. 0. |(f\ + g) (w)| = |fˆ0 (w) + gˆ0 (w)| ≤ |fˆ0 (w)| + |ˆ g 0 (w)|. Logo, h i 0 \ \ kf + gk = sup(1 + |w| ) |(f + g)(w)| + |(f + g) (w)| 3. w. ≤ sup(1 + |w|3 )[(|fˆ(w)| + |ˆ g (w)|) + |fˆ0 (w)| + |ˆ g 0 (w)|] w. ≤ sup(1 + |w|3 )[|fˆ(w)| + |fˆ0 (w)|] + sup(1 + |w|3 )[|ˆ g (w)| + |ˆ g 0 (w)|] w. w. = kf k + kgk. Agora, vamos provar que B3 ´e um espa¸co completo. Para isso, temos que mostrar que toda sequˆencia (fn ) de Cauchy em B3 ´e convergente. Seja (fn ) ∈ B3 uma sequˆencia de Cauchy. Ent˜ao, dado ε > 0 existe n0 ∈ N tal que h i 0 kfn − fm k = sup(1 + |w|3 ) |(fn\ − fm )(w)| + |(fn\ − fm ) (w)| w h i 0 0 3 b c b c = sup(1 + |w| ) |fn (w) − fm (w)| + |fn (w) − fm (w)| w. ε < , ∀n, m ≥ n0 . 2 ε b0 c0 Da´ı, segue que, (1 + |w|3 )|[fbn (w) − fc m (w)| + |fn (w) − fm (w)|] < 2 .. Logo, e.

(85)

(86) ε

(87)

(88) sup(1 + |w|3 )

(89) fbn (w) − fc m (w)

(90) < , ∀n, m ≥ n0 2 w

(91) 0

(92) ε 0

(93)

(94) sup(1 + |w|3 )

(95) fbn (w) − fc (w)

(96) < , ∀n, m ≥ n0 . m 2 w. (2.17). 0 Pelo Crit´erio de Cauchy (veja cap´ıtulo V em [15]), (fbn (w)) e (fbn (w)) convergem uniformemente 0 em R. Logo, fbn (w) → h(w) ∈ R e fbn (w) → h0 (w) ∈ R. Agora, precisamos mostrar que h(w) ∈ L2 (R). De (2.17), temos que, para todo w ∈ R. |h(w)| = |fbn (w) − h(w) + fbn (w)| ≤ |fbn (w) − h(w)| + |fbn (w)| <. 15. ε (1+|w|3 ). +. C . (1+|w|3 ).

(97) Assim, para todo w ∈ R 2 Z Z  Z ε+C 1 2 2 |h(w)| dw ≤ dw ≤ [ε + C] dw < ∞. 3 3 R R (1 + |w| ) R 1 + |w| Logo, h(w) ∈ L2 (R) e pelo Lema 2.4 existe f (w) ∈ L2 (R) tal que h(w) = fˆ(w). Assim, h i 0 kfn − f k = sup(1 + |w|3 ) |(fbn − fˆ)(w)| + |(fbn − fˆ0 )(w)| w. h i 0 0 b c = sup lim (1 + |w|3 ) |(fbn − fc )(w)| + |( f − f )(w)| m n m w m→∞  h i 0 0 3 b c ≤ sup sup (1 + |w| ) |(fbn − fc m )(w)| + |(fn − fm )(w)| w m≥n     0 0 3 3 b c b c ≤ sup sup (1 + |w| )|(fn − fm )(w)| + sup sup (1 + |w| )|(fn − fm )(w)| w. w. m≥n. m≥n. ε ε + = ε, ∀n ≥ n0 . ≤ 2 2 Logo, fn −→ f . Al´em disso, kf k = kfn − f − fn k ≤ kfn − f k + kfn k < ∞. Portanto f ∈ B3 .. Proposi¸c˜ ao 2.3. Seja L > 1, ent˜ao C(1, L2β ; B3 ) ≡ {u(x, t) : u(., t) ∈ B3 , ∀t ∈ [1, L2β ]}. (2.18). com a norma kukL = sup ku(., t)k, t∈[1,L2β ]. ´e um espa¸co de Banach. Prova: (C(1, L2β ; B3 ), k · kL ) ´e um espa¸co vetorial normado. De fato, tome u1 (x, t), u2 (x, t) ∈ C(1, L2β , B3 ) e considere α ∈ R ent˜ao u1 (., t), u2 (., t) ∈ B3 para todo t ∈ [1, L2β ]. Como B3 ´e um espa¸co vetorial temos u1 (·, t) + u2 (·, t) ∈ B3 e αu1 (·, t) ∈ B3 . Logo, u1 (x, t) + u2 (x, t) ∈ C(1, L2β ; B3 ) e αu1 (x, t) ∈ C(1, L2β ; B3 ). Como k · k ´e uma norma e pelas propriedades do sup temos que k · kL ´e uma norma. Agora, vamos mostrar que C(1, L2β ; B3 ) ´e completo. Para isso, tome (fn ) uma sequˆencia de Cauchy em C(1, L2β ; B3 ). Ent˜ao, dado ε > 0, existe n0 ∈ N, tal que kfn − fm kL < ε ∀n, m ≥ n0 . Mas, kfn − fm kL = sup kfn (·, t) − fm (·, t)k. t∈[1,L2β ]. Logo, kfn (·, t) − fm (·, t)k < ε, e portanto, (fn (·, t)) ´e uma sequˆencia de Cauchy em B3 . Pela proposi¸ca˜o anterior, B3 ´e um espa¸co completo. Logo, a sequˆencia (fn (·, t)) ´e convergente em B3 , isto ´e, fn (·, t) −→ f (·, t) ∈ B3 . Portanto, (fn (x, t)) −→ f (x, t) ∈ C(1, L2β , B3 ), o que finaliza a demonstra¸ca˜o.. 16.

(98) 2.3. Teorema do ponto fixo para contra¸ co ˜es. Defini¸c˜ ao 2.6. Um ponto fixo de uma aplica¸c˜ao T : X → X ´e um elemento de x ∈ X cuja imagem coincide com ele mesmo, isto ´e, T x = x. Defini¸c˜ ao 2.7. Seja (X, d) um espa¸co m´etrico, sendo d a fun¸c˜ao distˆancia. Uma aplica¸c˜ ao f : X → X ´e uma contra¸c˜ao se existir um n´ umero real positivo α < 1 tal que, para todo x, y ∈ X, d(f (x), f (y)) ≤ αd(x, y). (2.19) Enunciaremos, a seguir, um importante resultado que ser´a utilizado na prova da existˆencia e unicidade de solu¸c˜oes do problema de valor inicial (1.1), o Teorema do ponto fixo para contra¸c˜oes em espa¸cos m´etricos completos. A demonstra¸c˜ao desse teorema encontra-se em [14]. Teorema 2.3. Seja (X, d) um espa¸co m´etrico completo. Se f : X → X ´e uma contra¸c˜ao, ent˜ ao f tem um ponto fixo em X.. 17.

(99) Cap´ıtulo 3 O Grupo de Renormaliza¸ c˜ ao Aplicado ` a Equa¸ c˜ ao Linear. Nesse cap´ıtulo, definiremos e aplicaremos o operador Grupo de Renormaliza¸c˜ao (RG) para o seguinte problema de valor inicial:  ut = M u, t > 1, x ∈ R (3.1) u(x, 1) = f (x), f ∈ B3 . Na primeira se¸ca˜o, encontraremos a solu¸c˜ao do PVI (3.1). Na Se¸c˜ao 3.2, motivaremos a defini¸ca˜o do operador Grupo de Renormaliza¸c˜ao, que ser´a definido na Se¸ca˜o 3.3, atrav´es da defini¸ca˜o de solu¸co˜es invariantes por uma mudan¸ca de escala adequada. Tamb´em, na Se¸ca˜o 3.3 provaremos importantes propriedades do operador RG. Finalmente, na Se¸c˜ao 3.4, obteremos o comportamento assint´otico da solu¸ca˜o do PVI (3.1).. 3.1. A Solu¸c˜ ao da equa¸c˜ ao. Iremos obter formalmente uma express˜ao para a solu¸ca˜o do PVI (3.1), atrav´es da Transformada de Fourier (veja Defini¸ca˜o 2.2). Aplicando a Transformada de Fourier em ambos os lados da equa¸ca˜o (3.1) e usando (1.4), obtemos: uˆt = −|w|2β uˆ ⇒. dˆ u = −|w|2β dt. uˆ. Integrando, ln (ˆ u) = −|w|2β t + C. ⇒. uˆ = e−|w|. 2β t+C. Fazendo ec = C0 , uˆ(w, t) = C0 e−|w| 18. 2β t. .. ⇒. uˆ = e−|w|. 2β t. ec ..

(100) Assim, para t = 1 temos, uˆ(w, 1) = C0 e−|w|. 2β. = fˆ(w).. Ent˜ao, C0 =. fˆ(w) . e−|w|2β. Logo, para todo t: 2β uˆ(w, t) = fˆ(w)e−|w| (t−1) .. (3.2). Tomando a Transformada Inversa de Fourier(veja Defini¸ca˜o 2.3) da equa¸ca˜o acima, obtemos: Z ∞ 2β (3.3) e−|w| (t−1) eiwx fb(w)dw. u(x, t) = −∞. 3.2. Solu¸c˜ oes invariantes por mudan¸ ca de escalas. Nas u ´ltimas d´ecadas do s´eculo XX, grupos de f´ısicos passaram a se interessar pela dinˆamica de sistemas ditos complexos, cujas partes se interagem de forma n˜ao linear. Uma das propriedades marcantes de tais sistemas ´e a presen¸ca de leis de escala. A tentativa de se construir um esquema te´orico para esses fenˆomenos deu origem a novos ramos da f´ısica, como a teoria do caos e a f´ısica dos sistemas complexos. Conceitos como criticalidade, autossimilaridade e leis de escala passaram a fazer parte da f´ısica contemporˆanea (veja [10, 20]). Nos anos 90 tais ideias come¸caram a surgir no contexto de EDP, na busca pelo comportamento assint´otico de solu¸co˜es (veja [1, 3]). Apresentaremos nessa se¸ca˜o como a ideia de invariˆancia por escalas se aplica nesse contexto, para o caso particular da solu¸ca˜o de ut = M u. Queremos obter aqui uma mudan¸ca de escalas adequada de maneira que ap´os a mudan¸ca de escalas a fun¸ca˜o ainda seja solu¸ca˜o de tal equa¸ca˜o. Assim, se reescalonarmos a vari´avel espacial por L > 1, gostar´ıamos de determinar qual dever´a ser a mudan¸ca de escalas na vari´avel temporal e na pr´opria solu¸ca˜o de forma que a equa¸ca˜o fique invariante, isto ´e, quais dever˜ao ser os expoentes α e λ de maneira que: v(x, t) = Lα u(Lx, Lλ t) (3.4) seja tamb´em solu¸ca˜o da mesma equa¸ca˜o. Mostraremos que os expoentes λ e α devem ser, respectivamente 2β e 1. Definindo as vari´aveis y = Lx e s = Lλ t e tomando a derivada de v em rela¸ca˜o a t, temos, pela regra da cadeia: vt (x, t) = Lα+λ us (Lx, Lλ t). Como u ´e solu¸c˜ao de (3.1), ent˜ao us = M u e podemos escrever a equa¸c˜ao acima em fun¸ca˜o do operador M , isto ´e, υt (x, t) = Lα+λ M u(Lx, Lλ t). (3.5). 19.

(101) Usando o Lema 2.3 e (1.4), temos: 

(102)

(103) w  1

(104) w

(105) 2β λ F{M u(Lx, L t)}(w) = −

(106)

(107) uˆ ,L t L L L w i 1 h 2β λ − |w| u ˆ , L t . = L1+2β L λ. Observe que, aplicando a Transformada de Fourier em (3.4), obtemos novamente do Lema 2.3: F{υ(x, t)}(w) = F{Lα u(Lx, Lλ t)}(w) w  α 1 λ = L · uˆ ,L t L L  w λ ,L t . = Lα−1 uˆ L Assim, λ. . 1. 2β. 1. . −|w| · α−1 vˆ(w, t) L1+2β L 1 d = M v(w). Lα+2β. F{M u(Lx, L t)}(w) =. Tomando a Transformada Inversa de Fourier da equa¸ca˜o acima, obtemos: M u(Lx, Lλ t) =. 1 Lα+2β. M v(x, t).. (3.6). Substituindo (3.6) em (3.5), temos: 1 vt (x, t) = α+2β M v(x, t). α+λ L L Logo, para que a equa¸ca˜o fique invariante, devemos ter: λ = 2β. Observe que, se fizermos β = 1 na equa¸ca˜o (3.1) obtemos a equa¸c˜ao do calor (ut = uxx ). A princ´ıpio, α poderia assumir qualquer valor, por´em, motivados pelos resultados obtidos para a equa¸ca˜o do calor (veja [16]), mostraremos, atrav´es de uma “lei de conserva¸c˜ao” que o expoente α deve ser igual a 1. Seja u(x, t) a solu¸c˜ao da equa¸c˜ao (3.1), ent˜ao, para L > 1: v(x, t) = Lα u(Lx, L2β t), ∀x ∈ R, ∀t > 0. Para a determina¸ca˜o de α, definiremos a massa M de uma fun¸c˜ao f por: Z M≡ f (x)dx. R. Considerando a conserva¸ca˜o da massa para o problema em quest˜ao, obtemos: Z Z M≡ u(x, 1)dx = u(x, t)dx, ∀t ≥ 1, R. R. 20.

(108) em que u(x, t) ´e solu¸ca˜o do PVI (3.1). Assim, Z M=. Z u(x, 1)dx =. R. Z u(x, t)dx =. R. α. 2β. L u(Lx, L t)dx = L. α−1. R. Z. u(x, L2β t)dx.. R. Fazendo t = 1/L2β na u ´ltima integral, obtemos que M = Lα−1 M , e, portanto, α = 1. Logo, a mudan¸ca de escalas que ser´a utilizada ´e v(x, t) = Lu(Lx, L2β t).. 3.3. (3.7). Defini¸c˜ ao do operador RG. Motivados pelo resultado obtido na se¸ca˜o anterior, definiremos o operador RG para a equa¸ca˜o (3.1) e veremos algumas de suas propriedades. Dado L > 1, faremos o seguinte: 1. Integramos a equa¸ca˜o (3.1) e evolu´ımos o dado inicial f (x) = u(x, 1) do tempo t = 1 ao tempo t = L2β , obtendo assim, u(x, L2β ); 2. Reescalonamos, ent˜ao, a vari´avel espacial por L e obtemos, u(Lx, L2β ); 3. Por fim, reescalonamos a solu¸c˜ao u por L, obtendo Lu(Lx, L2β ). Os trˆes passos descritos acima podem ser resumidos pela seguinte express˜ao: RL f (x) ≡ Lu(Lx, L2β ).. (3.8). Observe que a fun¸c˜ao obtida ap´os a realiza¸c˜ao dos trˆes passos descritos acima ´e a imagem do dado inicial do PVI (3.1) pelo operador RL . Assim, RL ´e um operador atuando sobre o espa¸co dos dados iniciais. Ele possui as seguintes propriedades: 1. RL f ∈ B3 , ∀f ∈ B3 ; 2. RL f ´e linear; 3. RL possui a propriedade de semi-grupo, ou seja, RLn ≡ RL ◦ · · · ◦ RL = RLn ; 2β 4. RL f ∗ = f ∗ , sendo fb∗ (w) = e−|w| .. Provaremos essas propriedades a seguir.. 21.

(109) Propriedade 1: Pela Defini¸ca˜o do operador RL em (3.8) e pelo Lema 2.3 w  1  w 2β  2β 2β d c u ˆ , L = u ˆ , L . R f (w) = Lu(Lx, L ) = L · L L L L. (3.9). Al´em disso, da solu¸c˜ao (3.2), w 2β −2β d ˆ RL f (w) = f e−|w| (1−L ) . L De (1.3), definimos a norma de RL f da seguinte maneira: h  i d d0 kRL f k = sup (1 + |w|3 ) |R . L f (w)| + |RL f (w)|. (3.10). (3.11). w∈R. Como f ∈ B3 , temos que fˆ( wL ) ∈ C 1 (R). Logo, derivando a equa¸c˜ao (3.10), encontramos:   1 ˆ0  w  ˆ  w  2β −2β 0 2β−1 −2β d (RL f ) (w) = f +f (−2β|w| )(1 − L ) e−|w| (1−L ) . (3.12) L L L Portanto, da Defini¸ca˜o (3.11), temos: 3. kRL f k ≤ sup 1 + |w| w∈R. . 

(110)  

(111) 

(112)  

(113)

(114)  

(115) 

(116) ˆ w

(117) 1

(118) ˆ0 w

(119) 2β−1 −2β

(120) ˆ w

(121) −|w|2β (1−L−2β ) (1 − L )

(122) f .

(123) f

(124) +

(125) f

(126) + 2β|w|

(127) e L L L L. Usando que L > 1 temos que 1 + w3 ≤ L3 + w3 e, tomando   2β −2β C(β) ≡ sup 1 + 2β|w|2β−1 (1 − L−2β ) e−|w| (1−L ) , w∈R. ent˜ao,  kRL f k ≤ C(β) sup L. 3. w∈R. .

(128) w

(129) 3  

(130)  w 

(131)

(132)  w 

(133) 

(134)

(135) ˆ0

(136)

(137)

(138)

(139) ˆ ≤ L3 C(β)kf k < ∞, 1+

(140)

(141)

(142) +

(143) f

(144)

(145) f L L L. pois f ∈ B3 . Portanto, RL f ∈ B3 .. Propriedade 2: Considere u solu¸c˜ ao da equa¸c˜ao (3.1) tal que u(x, 1) = (cf + g)(x) para fun¸c˜ oes f, g ∈ B3 e c ∈ R. Ent˜ ao aplicando o operador Grupo de Renormaliza¸c˜ao em u, temos RL u(x, 1) = RL (cf + g)(x) = Lu(Lx, L2β ) sendo u dada por (3.3). Reescalonando devidamente a equa¸c˜ao (3.3), temos Z ∞ 2β 2β \ RL (cf + g)(x) = L e−|w| (L −1) eiwLx (cf + g)(w)dw −∞. Como a Transformada de Fourier ´e uma aplica¸c˜ao linear e pela linearidade da integral, temos Z ∞ Z ∞ 2β 2β −|w|2β (L2β −1) iwLx b RL (cf + g)(x) = cL e e f (w)dw + L e−|w| (L −1) eiwLx gb(w)dw −∞. −∞. = cRL f + RL g. Logo, o operador RG ´e linear.. 22.

(146) Propriedade 3: Considere a solu¸c˜ ao u, para 1 ≤ t ≤ L4β e defina v(x, t) = Lu(Lx, L2β t). Ent˜ ao, como j´a provamos, v(x, t) ´e tamb´em solu¸c˜ao da equa¸c˜ao, mas com o dado inicial Lu(Lx, L2β ) e est´ a bem definida, para todo t ∈ [1, L2β ]. Ent˜ ao, por (3.7) e (3.8), obtemos: v(Lx, L2β ) = Lu(LLx, L2β L2β ) = Lu(L2 x, L4β ). Assim, RL2 f = L2 u(L2 x, L4β ) = Lv(Lx, L2β ). Mas, v(x, 1) = Lu(Lx, L2β ) e RL v(x, 1) = Lv(Lx, L2β ). Logo, 2 RL2 f = RL v(x, 1) = RL (Lu(Lx, L2β )) = RL (RL f ) = RL f. n ≡ R ◦ · · · ◦ R = R n. Esse exato procedimento segue para obtermos RL L L L. Propriedade 4: Substituindo 2β fc∗ (w) = e−|w|. em (3.10) obtemos: w 2β −2β ) ∗ (w) = e−|w| (1−L ∗ c \ R f f L L 2β −w2β (1−L−2β ) −( w ) = e e L = e−w. 2β +( w )2β −( w )2β L L 2β. = e−w . ∗ c∗ \ Logo, R L f (w) = f (w) e tomando a Transformada Inversa de Fourier obtemos o resultado.. 3.3.1. Lema da Contra¸ c˜ ao em B3. Outra importante propriedade do operador RL ´e que fun¸c˜oes com certas propriedades podem ser contra´ıdas pela aplica¸c˜ ao do Grupo de Renormaliza¸c˜ao. De fato, para L suficientemente grande, veremos que o operador RL ser´ a uma contra¸c˜ ao no espa¸co das fun¸c˜oes g ∈ B3 tais que gˆ(0) = 0. Lema 3.1. Suponha g ∈ B3 tal que gˆ(0) = 0. Ent˜ ao, dado L0 > 1, existe uma constante C1 (dependente apenas de β) tal que para todo L ≥ L0 : kRL gk ≤. C1 (β) kgk. L. Prova: De (3.2) e (3.9), temos: w  w w 2β −2β 2β −( w )2β (L2β −1) d L , L = g ˆ R g(w) = u ˆ = g ˆ e e−w (1−L ) . L L L L Derivando a equa¸c˜ ao acima, w w 1 0 2β −2β 2β −2β 2β−1 d R (1 − L−2β )e−w (1−L ) gˆ + gˆ0 e−w (1−L ) . L g (w) = −2βw L L L. 23. (3.13).

(147) Como g ∈ B3 , segue que gˆ ∈ C 1 (R). Pelo Teorema Fundamental do C´alculo, gˆ. w L. Z = gˆ(0) +. w L. gˆ0 (t)dt.. 0. Da defini¸c˜ao de norma em B3 temos que |ˆ g 0 (w)| ≤ kgk. Assim, Z w

(148) w

(149)

(150)  w 

(151) Z wL L

(152)

(153)

(154)

(155) kgkdt ≤ kgk dt ≤

(156)

(157) kgk.

(158)

(159) ≤ L L 0 0 

(160)

(161) ≤ kgk e 1 − L−2β ≤ 1,

(162)  w 

(163) h

(164)  w 

(165)

(166)

(167) −w2β (1−L−2β )

(168) 2β−1 −2β −w2β (1−L−2β )

(169) kRL gk ≤ sup (1 + |w|3 )

(170) gˆ e + 2β|w| (1 − L )e

(171)

(172)

(173) + L L w∈R 

(174)  w 

(175)

(176)

(177) 1

(178)

(179)

(180)

(181)

(182) −w2β (1−L−2β )

(183) 0 e

(184)

(185) gˆ L

(186) L

(187) 

(188)

(189) 

(190)

(191) 1 3 −w2β (1−L−2β )

(192) w

(193) 2β−1 −2β

(194) w

(195) ≤ sup (1 + |w| )e (1 − L )

(196)

(197) kgk + kgk

(198)

(199) kgk + 2β|w| L L L w∈R h i kgk 2β −2β . ≤ sup (1 + |w|3 )e−w (1−L ) |w| + 2β|w|2β + 1 L w∈R.

(200) Usando ainda que

(201) gˆ0. w L. Definindo, C1 (β) = sup (1 + |w|3 )e−w. 2β (1−L−2β ) 0. h i |w| + 2β|w|2β + 1. w∈R. obtemos, kRL gk ≤ C1 (β)L−1 kgk. que ´e o resultado desejado.1. 3.4. An´ alise assint´ otica para o caso linear. Provaremos, nessa se¸c˜ ao, que atrav´es do operador RG ´e poss´ıvel caracterizar o comportamento assint´otico da solu¸c˜ ao de um problema de valor inicial, desde que este perten¸ca a B3 e seja suficientemente pequeno. A ideia para obten¸c˜ ao do comportamento assint´otico consiste em decompor o dado inicial em duas parcelas, sendo uma delas na dire¸c˜ ao da fun¸c˜ao f ∗ , ou seja, do ponto fixo do operador RG: f (x) = fˆ(0)f ∗ (x) + g0 (x),. (3.14). isto ´e, definiremos uma fun¸c˜ ao g0 ≡ f − fˆ(0)f ∗ de forma a obter a decomposi¸c˜ao acima. Seguindo os passos descritos na Se¸c˜ ao 3.3 encontraremos a solu¸c˜ao reescalonada para o primeiro problema, que ser´a utilizada como condi¸c˜ ao inicial para o pr´oximo PVI, similiar ao anterior. Ent˜ao, o problema de tomar t → ∞ ir´ a se tranformar em itera¸c˜ oes de aplica¸c˜oes do operador RG ao dado inicial e obteremos uma sequˆencia de PVIs em intervalos limitados de tempo fixo. O procedimento se resume portanto em estudar a evolu¸c˜ ao do dado inicial, sendo que em cada itera¸c˜ao, uma das componentes sempre estar´ a na dire¸c˜ao do ponto fixo e a componente restante decair´a para zero quando n tende para infinito. 1. Observe que L0 pode ser qualquer constante maior que um. A imposi¸c˜ao de que L ≥ L0 ´e para que as estimativas sejam uniformes em L de forma que a constante C1 independa de L.. 24.

(202) Teorema 3.1. Sejam u solu¸c˜ ao do PVI (3.1) e f ∗ definida em (1.6). Ent˜ ao, 1. 1. lim kt 2β u(t 2β ·, t) − fˆ(0)f ∗ (·)k = 0.. (3.15). t→∞. Para demonstrar o teorema acima precisaremos do seguinte lema: Lema 3.2. Seja f ∗ o ponto fixo do operador RL . Ent˜ ao existe uma constante C β tal que kf ∗ k ≤ C β . De fato, da defini¸c˜ ao da norma em B3 : h  i 0 kf ∗ k = sup (1 + |w|3 ) |fˆ∗ (w)| + |fˆ∗ (w)| . w∈R 2β Como fc∗ (w) = e−|w| ,.   2β 2β kf ∗ k = sup (1 + |w|3 ) e−|w| + 2β|w|2β−1 e−|w| w∈R   2β 2β 2β 2β = sup e−|w| + 2β|w|2β−1 e−|w| + |w|3 e−|w| + 2β|w|2β+2 e−|w| . w∈R. Encontraremos uma cota superior (independente de w) para cada parcela da equa¸c˜ao acima, encontrando os m´aximos, que ser˜ ao obtidos atrav´es da derivada de cada fun¸c˜ao:. 1. Para a primeira parcela n˜ ao ´e necess´aria a obten¸c˜ao do m´aximo da fun¸c˜ao, visto que obtemos 2β facilmente uma cota superior para a primeira fun¸c˜ao acima: Ω(w) = e−|w| ≤ 1. 2β. 2. ϕ(w) = 2β|w|2β−1 e−|w| . ϕ0 (w). =. (4β 2 |w|2β−2. +. . Ent˜ao, ϕ(w) ≤ 2β 1 −. 2β|w|2β−2 1 2β. 1−. 1 2β. − . e. 2β 4β 2 |w|4β−2 )e−|w|. ⇒. =0. . w = 1−. 1 2β. . 1 2β. .. . 1 −1 2β. .. 2β. 3. ψ(w) = |w|3 e−|w| . ψ 0 (w) = (3|w|2 − 2β|w|2β+2 )e−|w|  3 3 3 2β − 2β Entao, ψ(w) ≤ 2β e .. 2β. =0. ⇒. . w=. . 3 2β. 1 2β. .. 2β. 4. χ(w) = 2β|w|2β+2 e−|w| . χ0 (w) = 4β 2 |w|2β+1 + 4β|w|2β+1 − 4β 2 |w|4β+1 = 0  1+ 1 β − 1 +1 Ent˜ao, χ(w) ≤ 2β 1 + β1 e β .. ⇒.  1 2β w = 1 − β1 .. Logo, kf ∗ k ≤ C β , sendo: ". . 1 C β ≡ 1 + 2β 1 − 2β. 1−. 1 2β. . e. . . 1 −1 2β. +. 3 2β. . 25. 3 2β. 3 − 2β. e.   1  # 1 1+ β − 1+ β1 + 2β 1 + e . β. (3.16).

(203) Prova do Teorema: Como f, f ∗ ∈ B3 e explicitamos uma constante C β , dependente apenas de β tal que kf ∗ k ≤ C β , podemos definir uma fun¸c˜ao g0 ∈ B3 por: g0 (x) ≡ f (x) − fˆ(0)f ∗ (x). Pela defini¸c˜ao da norma em B3 , e como kf ∗ k ≤ C β temos, kg0 k ≤ kf k + |fˆ(0)|kf ∗ k ≤ (1 + C β )kf k.. (3.17). Dado L ≥ L0 > 1, como RL ´e um operador linear, f ∗ ´e ponto fixo do RL e definindo g1 ≡ RL g0 , obtemos: RL f. = RL [fˆ(0)f ∗ ] + RL g0 = fˆ(0)RL f ∗ + g1 = fˆ(0)f ∗ + g1 .. Fazendo A0 = fˆ(0), temos. RL f = A0 f ∗ + g1 ≡ f1 .. Observe que como fc∗ (0) = 1, ent˜ ao gb0 (0) = 0. Logo, pelo Lema da Contra¸c˜ao, kg1 k = kRL g0 k ≤. C1 kg0 k. L. Observe que por (3.10). w −|w|2β (1−L−2β ) [ , gb1 (w) = R gˆ0 L g0 (w) = e L e assim, gb1 (0) = 0. Em seguida, definimos g2 ≡ RL g1 : h i 2 RL f = RL (f1 ) = RL fˆ(0)f ∗ (x) + RL g1 = A0 f ∗ + RL g1 = A0 f ∗ + g2 . Como gb1 (0) = 0, podemos aplicar o Lema da contra¸c˜ao, e obtemos: kg2 k = kRL g1 k ≤. C1 kg1 k. L. Mas, C1 kg1 k ≤ kg0 k L.  ⇒. kg2 k ≤. C1 L. 2 kg0 k.. Al´em disso, mais uma vez, temos:   cL g1 (w) = e−|w|2β (1−L−2β ) gˆ1 w ⇒ gˆ2 (0) = 0. gb2 (w) = R L. 26.

(204) nf = A f∗ + g , Usaremos um racioc´ınio indutivo para provar o teorema. Portanto, suponhamos que RL 0 n com gbn (0) = 0 e  n C1 kg0 k. (3.18) kgn k ≤ L. Assim, n+1 n RL f = RL (RL f ) = RL (A0 f ∗ + gn ) = A0 f ∗ + RL gn .. Agora, seja gn+1 = RL gn . Ent˜ ao, pelo Lema da Contra¸c˜ao, C1 kgn+1 k = kRL gn k ≤ kgn k ≤ L. . C1 L. n+1 kg0 k.. Temos ainda gd n+1 (0) = 0, pois, w −|w|2β (1−L−2β ) [ gd gˆn ⇒ gˆn+1 (0) = 0. n+1 (w) = RL gn (w) = e L n f (x) = Ln u(Ln x, L2nβ ) pela propriedade de Portanto, (3.18) ´e v´ alida, para todo n ∈ N e, como RL semi-grupo do RG,  n C1 n n 2nβ ∗ kg0 k, ∀n ∈ N. kL u(L x, L ) − A0 f (x)k ≤ L. Considerando L > C1 , quando n → ∞ obtemos: lim kLn u(Ln x, L2nβ ) − A0 f ∗ (x)k = 0.. n→∞. Tomando t = L2nβ , obtemos finalmente: 1. 1. lim kt 2β u(t 2β x, t) − fˆ(0)f ∗ (x)k = 0,. t→∞. que ´e o resultado desejado.. 27. (3.19).

(205) Cap´ıtulo 4 O Grupo de Renormaliza¸ c˜ ao Aplicado ` a Equa¸ c˜ ao Linear com Termo Dispersivo. Nesse cap´ıtulo, obteremos o comportamento assint´otico do seguinte problema de valor inicial:  ut = M u − ηuxxx , t > 1, x ∈ R u(x, 1) = f (x), f ∈ B3 ,. (4.1). sendo η ∈ [0, 1]. Para esse estudo seguiremos as mesmas ideias usadas no cap´ıtulo anterior, isto ´e, na Se¸c˜ao 4.1 encontraremos a solu¸c˜ ao do PVI (4.1). Na Se¸c˜ao 4.2 definiremos o operador RG que possui as mesmas propriedades definidas na Se¸ca˜o 3.3, exceto a propriedade 4. Mostraremos, na Se¸c˜ ao 4.2, ∗ que para o caso linear com termo dispersivo, a fun¸c˜ao f n˜ao ser´a ponto fixo do operador como no caso linear. No entanto, isso n˜ ao afetar´ a a caracteriza¸c˜ao do comportamento assint´otico do PVI acima que ser´a obtido na Se¸c˜ ao 4.3.. 4.1. A Solu¸c˜ ao da equa¸c˜ ao. Para obtermos uma solu¸c˜ ao para o PVI acima utilizaremos o Teorema 2.2 que relaciona a transformada de Fourier de uma fun¸c˜ ao com sua derivada. Para n = 0 e m = 1,  (ix). d dx. 0. fˆ = F. ". d dx. #. 1. 0. [(−ix) f ]. →. u ˆx = iwˆ u.. Para n = 0 e m = 2, (ix)2. . d dx. 0. fˆ = F. ". d dx. 2. # [(−ix)0 f ]. 28. →. u ˆxx = −w2 u ˆ..

(206) Para n = 0 e m = 3, (ix). 3. . d dx. 0. fˆ = F. ". d dx. #. 3. 0. u ˆxxx = −iw3 u ˆ.. →. [(−ix) f ]. Aplicando a Transformada de Fourier em ambos os lados da equa¸c˜ao (4.1), obtemos: u ˆt = −|w|2β u ˆ + iηw3 u ˆ.. (4.2). Integrando, ln (ˆ u) = −(|w|2β − iηw3 )t + C. u ˆ = e−(|w|. ⇒. 2β −iηw 3 )t+C. ⇒. u ˆ = e−(|w|. 2β −iηw 3 )t. ec. Fazendo ec = C, u ˆ(w, t) = Ce−(|w|. 2β −iηw 3 )t. Temos que: u ˆ(w, 1) = Ce−(|w|. 2β −iηw 3 ). = fˆ(w). Logo, para todo t: u ˆ(w, t) = fˆ(w)e−(|w|. 2β −iηw 3 )(t−1). .. (4.3). Tomando a Transformada Inversa de Fourier (veja defini¸c˜ao (2.3)) da equa¸c˜ao acima, obtemos: Z ∞ 2β 3 u(x, t) = e−(|w| −iηw )(t−1) eiwx fb(w)dw. −∞. 4.2. Defini¸c˜ ao do operador RG e suas propriedades. Seja u a solu¸c˜ao de (4.1) e defina, para L > 1, u1 (x, t) = Lu(Lx, L2β t). Gostar´ıamos de mostrar que u1 tamb´em ´e solu¸c˜ao da mesma equa¸c˜ao (4.1), com u1 (x, 1) = Lu(Lx, L2β ). Para isso, definimos y = Lx e s = L2β t e tomemos a derivada de u1 em rela¸c˜ao a t, e pela regra da cadeia, (u1 )t = L2β+1 us . Tomando agora a derivada em rela¸c˜ ao a x, temos que (u1 )x = L2 uy , e com isso, (u1 )xxx = L4 uyyy . Na Se¸c˜ao 3.2 mostramos que M u = us = M u − ηuyyy. ⇒. 1 M u1 L1+2β. (veja (3.6) e como u ´e solu¸c˜ao de (4.1), temos:. (u1 )t 1 (u1 )xxx = 1+2β M u1 − η L4 L1+2β L. ⇒. Logo, u1 satisfaz o seguinte problema de valor inicial:  (u1 )t = M u1 − ηL2β−3 (u1 )xxx , u1 (x, 1) = Lu(Lx, L2β ) ≡ f1 (x).. 29. (u1 )t = M u1 − ηL2β−3 (u1 )xxx .. (4.4).

(207) Agora, iteramos esse procedimento, considerando u1 solu¸c˜ao de (4.4) e definindo u2 (x, t) = Lu1 (Lx, L2β t). Novamente, usando que M u1 =. 1 M u2 , L1+2β 2β+1. (u2 )t = L. . temos 1. 2β−3. L1+2β. . M u2 − ηL. (u2 )xxx L4.  .. Logo, u2 satisfaz o PVI: . (u2 )t = M u2 − ηL4β−6 (u2 )xxx , u2 (x, 1) = Lu1 (Lx, L2β ) = L2 u(L2 x, L4β ) ≡ f2 (x).. (4.5). Assim, para obter a sequˆencia de PVIs, procederemos indutivamente. Ent˜ao, suponha uk solu¸c˜ao de:  (uk )t = M uk − ηLk(2β−3) (uk )xxx , (4.6) uk (x, 1) = Luk−1 (Lx, L2β ) = Lk u(Lk x, L2kβ ) ≡ fk (x) e seja uk+1 definida por uk+1 (x, t) = Luk (Lx, L2β t). Ent˜ao, (uk+1 )t = L2β+1 us = L2β+1 (M uk − ηLk(2β−3) (uk )yyy ). Novamente temos, M uk =. 1 M uk+1 . L1+2β. Assim, 2β+1. (uk+1 )t = L. . 1 L1+2β. k(2β−3). M uk+1 − ηL. . (uk+1 )xxx L4.  .. Logo, uk+1 satisfaz: o novo PVI:  (uk+1 )t = M uk+1 − ηL(k+1)(2β−3) (uk+1 )xxx , uk+1 (x, 1) = Luk (Lx, L2β ) = Lk+1 u(Lk+1 x, L2(k+1)β ) ≡ fk+1 (x).. (4.7). Vimos que, definindo a sequˆencia de fun¸c˜oes renormalizados uk (x, t) = Lk u(Lk x, L2kβ t), em que u ´e solu¸c˜ao de (4.1), ent˜ ao uk satisfaz, para cada k o PVI (4.7). Assim, somos motivados a definir o operador RG para o problema (4.1). Considerando η ∈ [0, 1] e fk o dado inicial do problema (4.6), ent˜ao, RL,ηk fk (x) ≡ Luk (Lx, L2β ),. (4.8). sendo ηk = ηL(2β−3)k com k = 0, 1, 2, ... . O segundo ´ındice na defini¸c˜ao do operador RG diz respeito ao coeficiente do termo dispersivo uxxx . Al´em disso, como L > 1, η ∈ [0, 1] e 2β − 3 ≤ −1 ent˜ ao |ηk | ≤ |η| ≤ 1. Considerando a solu¸c˜ ao do problema (4.1) dada por (4.3) ´e f´acil ver que as propriedades 1, 2 e 3 da se¸c˜ao 3.3 s˜ ao verdadeiras para o operador RL,ηk . Al´em disso, veremos, mais adiante, que o operador RL,ηk tamb´em satisfaz o Lema da Contra¸c˜ao (Lema 4.3). Para o problema (3.1) vimos que a fun¸c˜ ao f ∗ dado por (1.6) ´e ponto fixo do operador RL definido em (3.8). O mesmo n˜ ao ocorre no caso linear com termo dispersivo, isto ´e, f ∗ n˜ao ´e ponto fixo do operador RL,ηk . Entretanto, mostraremos que assintoticamente ele ser´a. Para isto, considere o seguinte lema:. 30.

(208) Lema 4.1 (Ponto fixo assint´ otico). Suponha que:. 3 4. kRL,ηk f ∗ − f ∗ k ≤. < β ≤ 1. Ent˜ ao, existem constantes L0 (β) e Cβ tais Cβ , ∀L ≥ L0 (β). Lk+1. (4.9). Prova: Pela defini¸c˜ ao (1.3) temos: i h ∗ (w) − f ∗ (w))0 | . ∗ (w) − f ∗ (w)| + |(R\ c c f f kRL,ηk f ∗ − f ∗ k = sup (1 + |w|3 ) |R\ L,ηk L,ηk w∈R. Al´em disso, a transformada de Fourier de f ∗ ´e dada por: 2β fc∗ (w) = e−|w| .. Observe que RL,ηk f ∗ = Luk (Lx, L2β ), em que uk ´e solu¸c˜ao do problema (4.6) com dado inicial f ∗ . Assim, analogamente ao que foi feito na an´alise do problema (3.1), obtemos portanto   2β (2β−3)k L(2β−3) |w|3 )(1−L−2β ) −| w |2β −(| w |2β −iηL(2β−3)k (| w |3 )(L2β −1) ˆ∗ w ∗ L L R\ f = e−(|w| −iηL e L . L,ηk f (w) = e L Como ηk = ηL(2β−3)k , podemos escrever: 2β 2β 3 −2β −(|w|2β −iηk+1 |w|3 )(1−L−2β ) −| w ∗ R\ e L | = e−|w| +iηk+1 |w| (1−L ) . L,ηk f (w) = e. Assim, −|w|2β iηk+1 |w|3 (1−L−2β ) ∗ c∗ R\ (e − 1). L,ηk f (w) − f (w) = e. (4.10) i 2−2β ∗ c∗ Para estimar o termo sup (1 + |w|3 )|R\ L,ηk f (w) − f (w)|, analisaremos dois casos. Fixado µ ∈ 0, 3−2β , . w∈R. consideraremos inicialmente que w, L e k s˜ao tais que |w|3 < L−(2β−3)(k+1)µ . Caso 1: |w|3 < L−(2β−3)(k+1)µ . (2β−3)(k+1) |w|3 (1−L−2β ). Defina ϕ ≡ |eiηL. − 1|, α = L(2β−3) e x = ηαk+1 |w|3 (1 − L−2β ).. Assim, ϕ(x) = |eix − 1|. Temos: Z 0. x.

(209) x eit

(210)

(211) 1 e dt =

(212) = (eix − 1). i

Referências

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