WEVERSON DA SILVA OLIVEIRA
CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL DO CÓRREGO MARLENE EM
SINOP – MATO GROSSO
Sinop – MT
2016/1
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO – UNEMAT
WEVERSON DA SILVA OLIVEIRA
CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL DO CÓRREGO MARLENE EM
SINOP – MATO GROSSO
Projeto de Pesquisa apresentado à Banca Examinadora do Curso de Engenharia Civil – UNEMAT, Campus Universitário de Sinop-MT, como pré-requisito para obtenção do título de Bacharel em Engenharia Civil.
Prof.ª Orientadora: Dr.ª Kelli Cristina Aparecida Munhoz Moreira.
Sinop – MT
2016/1
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO
1. Título: Caracterização ambiental do Córrego Marlene em Sinop – Mato
Grosso.
2. Tema: 3.01.00.00-3 - Engenharia Civil
3. Delimitação do Tema: 3.01.04.02-5 – Hidrologia, 3.07.01.00-7 – Recursos Hídricos
4. Proponente(s): Weverson da Silva Oliveira
5. Orientador(a): Dr.ª Kelli Cristina Aparecida Munhoz Moreira
6. Estabelecimento de Ensino: Universidade do Estado de Mato Grosso –
UNEMAT/Sinop.
7. Público Alvo: Sociedade em geral, estudantes de engenharia civil.
8. Localização: Av. dos Ingás nº 3001. Jardim Imperial – Sinop-MT, CEP:
78555-000.
SUMÁRIO
DADOS DE IDENTIFICAÇÃO...3 1 INTRODUÇÃO ... 5 2 PROBLEMATIZAÇÃO ... 6 3 JUSTIFICATIVA... 7 4 OBJETIVOS ... 8 4.1 OBJETIVO GERAL ... 8 4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 8 5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 95.1 MICROBACIA COMO ÁREA DE ESTUDO. ... 9
5.2 QUALIDADE DE ÁGUA. ... 10 5.3 PROPRIEDADES LIMNOLÓGICAS. ... 11 5.3.1 Parâmetros físico-químicos ... 11 5.3.2 Parâmetros Microbiológicos. ... 15 5.4 DEGRADAÇÃO DA ÁGUA. ... 17 6 METODOLOGIA ... 18 6.1 ÁREA DE ESTUDO... 18
6.2 MÉTODOS AMOSTRAIS E MEDIDAS DE CAMPO ... 19
6.2.1 Locais de coleta ... 19
6.2.2 Amostragem ... 19
6.2.3 Métodos Físico-químicos ... 20
6.2.4 Métodos Microbiológicos ... 21
6.2.5 Métodos Hidrográficos e Sociais ... 21
7 CRONOGRAMA ... 23
1 INTRODUÇÃO
A água, bem fundamental para a vida, influencia nossa história, cultura, cotidiano e formas de viver. Ela está dentro de nós, como 70% do nosso corpo, e em toda parte. É um reflexo do que somos (VIEIRA, 2006).
A importância da água para vida é comprovada, bem como sua necessidade de preservação, através da utilização racional e da conservação dos recursos hídricos para que o principal problema do futuro da humanidade não seja o déficit de água doce, como preveem as reflexões de muitos especialistas. Porém, é importante ressaltar que algumas cidades brasileiras, atualmente, já sofrem com problemas relacionados à escassez da água. Portanto, o problema da falta de água e sua qualidade, não é um assunto para ser pensando e tratado no futuro, mas sim no presente.
Uma maneira de avaliar e monitorar os efeitos das atividades antrópicas na microbacia hidrográfica sobre a qualidade da água é observar parâmetros físico-químicos e microbiológicos, os quais sinalizarão as mudanças previsíveis e indesejáveis que estejam ocorrendo no ecossistema, podendo englobar diversas consequências, como exemplo alterações provocadas por reflorestamento ou poluição por dejetos.
Pensando nesses aspectos, esta pesquisa tem como objetivo analisar as condições físico-químicas e microbiológicas do córrego Marlene, situado no espaço urbano da cidade de Sinop – Mato Grosso. Além disso, propõe expor os aspectos sociais, que tem influenciado para que o córrego venha sofrendo inúmeros impactos ambientais, afetando assim, não somente o meio ambiente, mas também a própria qualidade de vida da população Sinopense.
2 PROBLEMATIZAÇÃO
O córrego Marlene, por ser um córrego que nasce na região central do município de Sinop, passando por área de reserva e áreas residenciais, está sofrendo alterações nos seus parâmetros físico-químico, DBO e coliformes ao longo do seu percurso?
3 JUSTIFICATIVA
Apesar da vasta disponibilidade hídrica disposta no Brasil, é um tanto contraditório a situação de ter que conviver com a baixa disponibilidade de água. O uso excessivo e não planejado somado à poluição dos corpos hídricos, só aceleram cada vez mais a tendência a escassez. No entanto, através de uma estratégia de sustentabilidade a longo prazo, o problema da carência dos recursos hídricos expressa preocupação sobre a quantidade de água, necessária para atender as demandas atuais e futuras, e a qualidade, necessária para consumo, sem o comprometimento das demandas ecossistêmicas.
Contudo, uma maneira de se enquadrar a situação em padrões favoráveis é a de se conhecer a qualidade da água realizando o uso do monitoramento qualitativo e quantitativo para obter informações necessárias ao gerenciamento e ações de intervenções para a recuperação ou preservação destes recursos, garantindo assim, a sustentabilidade dos ecossistemas.
4 OBJETIVOS
4.1 OBJETIVO GERAL
Caracterizar as condições microbiológicas, ambientais e físico-químicas do córrego Marlene no perímetro urbano do município de Sinop – Mato Grosso.
4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Analisar os parâmetros físico-químicos:
pH;
Temperatura do ar e da água;
Transparência da água - Cor e turbidez;
Condutividade elétrica;
Oxigênio Dissolvido (OD);
Demanda bioquímica de oxigênio (DBO). Analisar os parâmetros microbiológicos:
Coliformes totais;
Coliformes fecais (Escherichia coli). Aspectos hidrográficos:
Definir micro bacia do córrego no perímetro urbano;
Crescimento demográfico no perímetro da microbacia do córrego. Aspectos sociais:
Evidenciar os impactos ambientais presentes, devido a antropização nas proximidades do Córrego Marlene.
5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
5.1 MICROBACIA COMO ÁREA DE ESTUDO.
Considerando que, para a formação de um corpo hídrico seja necessária uma área de contribuição que colabore de forma gravitacional para definição do curso de tal afluente, denomina-se assim, bacia ou micro bacia hidrográfica, a qual, de acordo com Tucci (2006), é definida pela topografia da superfície. No entanto, a geologia do subsolo pode fazer com que parte do escoamento que infiltra no solo escoe para fora da área delimitada superficialmente. A bacia hidrográfica pode ser considerada um sistema físico onde a entrada é o volume de água precipitado e a saída é o volume de água escoado pelo exutório (SAGARA, 2001). São características principais de bacia ou microbacia hidrográfica a área de drenagem e a declividade da bacia e o comprimento e declividade do afluente principal, conforme ilustrado na figura 01, que apresenta um modelo de bacia hidrográfica.
Figura 1: Modelo de bacia hidrográfica. Fonte: Mapeando meu rio, (2016).
5.2 QUALIDADE DE ÁGUA.
A qualidade de água é resultante dos inúmeros processos que ocorrem na bacia de drenagem do corpo hídrico. Desta forma, uma série de parâmetros físicos, químicos, biológicos e radiológicos, ligados a diversos fatores de ordem natural e antrópica, devem ser observados conjuntamente, para que haja um monitoramento qualitativo que forneça um leque de informações para decisões de aproveitamento múltiplo e integrado dos recursos hídricos. Isto gera, através de projetos de recuperação e identificação dos níveis de poluição, a possibilidade para que se possa caracterizar, avaliar e classificar a água de determinados sistemas hídricos, visando a minimização de impactos ambientais e a adequação da água conforme seu meio de utilização previsto.
Os sistemas de monitoramento de qualidade de água podem ser definidos como esforços direcionados a obter informações qualitativas, a respeito das características físicas, químicas e biológicas da água, via amostragens dos corpos d’água (MOSCA, 2003).
Assim, é de suma importância a determinação de resoluções que subsidiam o tratamento adequado para os recursos hídricos disponíveis. Sendo assim, foram estabelecidas pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) diretrizes como a Resolução nº 20, de 18 de junho de 1986, atualmente substituída pela Resolução nº 357, de 17 de março de 2005, que recomendam a classificação e manejo dos recursos hídricos de acordo com seu fim de utilização. Classificando a qualidade da água com base em indicadores que expõe fontes de poluição e tipos de contaminação, através de interações entre fontes contaminantes e os condicionantes físicos, químicos e biológicos do próprio sistema. Exemplo disto, são as contaminações de origem orgânica como esgoto doméstico que utilizam
parâmetros como DBO - Demanda Bioquímica de Oxigênio, OD – Oxigênio
Dissolvido que identificam, respectivamente, a demanda por oxigênio e sua
concentração na água, básica para a vida aquática e Coliformes, indicativos bacteriológicos de transmissão de doenças (TUCCI, 2006).
5.3 PROPRIEDADES LIMNOLÓGICAS.
Assim como em qualquer ecossistema, os sistemas hídricos são representados por parâmetros; físicos, químicos, biológicos e radiológicos, definidos como ferramentas caracterizadoras de propriedades especificas do meio, que possibilitam classificar o sistema conforme análise destes parâmetros. As características que descrevem as propriedades em um dado ecossistema aquático são conhecidas por propriedades ou variáveis limnológicas, as quais variam no tempo e no espaço, quer num dado sistema aquático, quer entre sistemas diferentes.
Teza (2005) afirma que nas regiões tropicais os ciclos limnológicos podem apresentar uma grande variação de amplitudes, podendo abranger desde períodos de um ano até períodos de um dia, dependendo da localização geográfica e das características específicas do ambiente apontando assim a importância de se determinar as variáveis que serão analisadas durante a pesquisa através dos parâmetros limnológicos determinados e apresentados a seguir.
5.3.1 Parâmetros físico-químicos
Potencial de hidrogênio (pH)
O potencial hidrogêniônico (pH) parâmetro químico que representa a intensidade das condições ácidas ou alcalinas do meio líquido por meio da medição da presença de íons hidrogênio (H+) influi na distribuição das formas livre e ionizada de diversos compostos químicos, além de contribuir para um maior ou menor grau de solubilidade das substâncias e de definir o potencial de toxicidade de vários elementos (OLIVEIRA, 2013).
Frequentemente expressa em termos de concentração de íons H+, a basicidade ou a acidez de uma solução de determinado pH, propriedade comumente associada como uma das mais importantes na caracterização de substâncias relacionadas a este parâmetro, importância esta, gerida pela diversidade de fatores influenciáveis em seu resultado, tornando um tanto complexa a compreensão nos valores de pH. De acordo com Teza (2005) apud. Esteves (1998), a maioria das
águas naturais têm seu pH influenciado pela dissociação do ácido carbônico, que gera baixos valores de pH, e das reações de íons carbonato e bicarbonato com a molécula de água, que elevam os valores de pH para a faixa alcalina.
As comunidades aquáticas podem interferir nos valores de pH do meio de diferentes maneiras. Por exemplo, através da assimilação do CO2, pois durante o
processo fotossintético, as macrófitas aquáticas e as algas podem elevar o pH do meio. Este fato é especialmente frequente em águas com baixa capacidade em neutralizar ácidos (baixa alcalinidade). Por outro lado, os ambientes aquáticos com alta alcalinidade apresentam baixa de pH, mesmo ocorrendo altas taxas fotossintéticas (ESTEVES, 1998).
Temperatura da água.
Segundo Esteves (1998) a temperatura é um parâmetro importante na influência dos processos metabólicos dos microrganismos, pois tem um efeito direto nos processos oxidativos de decomposição biológica da matéria orgânica. Desta forma, o aumento da temperatura otimiza a eficiência metabólica, acelerando os processos de biodegradação da matéria orgânica e consequentemente aumentando o consumo de oxigênio dissolvido (OD) na massa de água.
Segundo Esteves (1998), abaixo do primeiro metro de profundidade dos corpos d’água, deveria ocorrer uma queda brusca de temperatura, devido a absorção de radiação nesta primeira camada. No entanto, com auxílio do vento, que promove turbulência nas camadas d’agua, há uma redistribuição do calor por toda a massa d’agua. Exemplo disso são os ecossistemas aquáticos continentais, onde praticamente toda propagação do calor ocorre por transporte de massa d’água tendo sua eficiência na presença ou ausência de camadas de diferentes densidades.
Oxigênio Dissolvido.
“O oxigênio é um dos mais importantes gases na dinâmica e caracterização de ecossistemas aquáticos, aonde suas principais fontes são a atmosfera e a fotossíntese e suas perdas são para a atmosfera, respiração de organismos aquáticos e oxidação de íons metálicos”. (ESTEVES, 1998).
Dentre os gases dissolvidos na água, o oxigênio é um dos mais importantes na dinâmica e na caracterização dos ecossistemas aquáticos, necessário para manter as condições de vida de alguns organismos na água e para a decomposição aeróbia do despejo poluidor. Quando o despejo é grande e o oxigênio se esgota, inicia-se o processo de decomposição anaeróbia. O oxigênio usado na degradação de matéria orgânica é reposto pelo processo de reaeração. A reaeração é produzida pela atmosfera, a turbulência do rio e a fotossíntese de plantas aquáticas (TUCCI, 2006).
Quando a água recebe uma determinada carga de matéria orgânica, parte do seu oxigênio dissolvido será utilizado na oxidação biológica desta matéria introduzida, reduzindo desta forma a saturação do mesmo na água. Portanto, a concentração de oxigênio dissolvido em um curso d’água pode ser usada como um dos parâmetros de determinação de sua qualidade.
De acordo com Araújo & Oliveira (2001), a dissolução da taxa de oxigênio é causada pela respiração da biota nos processos de biodegradação aeróbia da matéria orgânica, onde o oxigênio dissolvido tem sido utilizado tradicionalmente para a determinação do grau de poluição, caracterizando o ambiente de forma que quanto menos oxigênio presente no meio, maior o nível de poluição ambiental.
Condutividade elétrica.
A área fisiográfica onde se encontra o afluente, assim como a chuva, influenciam diretamente na condutividade elétrica, fornecendo importantes informações sobre a concentração iônica presente no corpo hídrico. Segundo Gonçalves (2011), a condutividade está relacionada com a concentração total de íons dissolvidos na água, com a temperatura, mobilidade dos íons, valência dos íons e com as concentrações real e relativa de cada íon. Considerando-se que a capacidade de uma solução em conduzir a corrente elétrica é função da concentração dos íons presentes, é de se esperar que quanto maior a concentração iônica, maior a condutividade elétrica.
Sendo assim, é através destas diferenças geoquímicas nos afluentes, que a variação diária da condutividade fornece informações a respeito dos processos importantes nos ecossistemas aquáticos, além de ajudar a detectar fontes poluidoras nos ecossistemas aquáticos.
Transparência da água – Turbidez e Cor.
É de suma importância ecológica, para prosseguimento da fotossíntese, o grau de penetrabilidade da luz em um ecossistema aquático, havendo dependência direta da quantidade e qualidade da luz penetrante no afluente, atingindo os organismos fotossintetizantes. Quando a água possui alta concentração de material suspenso, mais dificuldade há na penetração da luz. Isto pode ser provocado por microrganismos, sílica, manganês, assim como vários tipos de sólidos. A turbidez indica uma medida da capacidade de a luz penetrar na água (TUCCI, 2006).
De acordo com Gonçalves (2011), a turbidez corresponde à redução da transparência da água, ocasionada pelo material em suspensão, que dificulta passagem de luz pela solução. De tal forma, a quantidade de luz refletida pelas partículas suspensas, dá uma ordem de grandeza de sólidos em suspensão na amostra. A erosão das margens dos rios em estações chuvosas, resulta no aumento da turbidez das águas, exigindo manobras operacionais, tais como, alterações nas dosagens de coagulantes e auxiliares, nas Estações de Tratamento de Águas. A alta turbidez, reduz a fotossíntese de vegetação enraizada submersa e algas. Esse desenvolvimento reduzido de plantas pode, por sua vez, suprimir a produtividade de peixes. Logo, a turbidez pode influenciar nas comunidades biológicas aquáticas (CETESB, 2009).
A cor de uma amostra de água está associada ao grau de redução de intensidade que a luz sofre ao atravessá-la, devido à presença de sólidos dissolvidos a partir de substâncias naturais resultantes da decomposição parcial de compostos orgânicos e inorgânicos. Assim, os esgotos domésticos se caracterizam por apresentarem predominantemente matéria orgânica em estado coloidal, além de diversos efluentes industriais. Em contrapartida, existem também, compostos inorgânicos capazes de causar cor na água. Os principais são os óxidos de ferro e manganês, abundantes em diversos tipos de solo, assim como outros tipos de metais, presentes em efluentes industriais influentes na coloração da água (CETESB, 2009).
Normalmente considerada como a quantidade de oxigênio consumido durante um determinado período de tempo, numa temperatura de incubação específica. A Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) de uma amostra de água é a quantidade de oxigênio necessária para oxidar a matéria orgânica por decomposição microbiana aeróbia para uma forma inorgânica estável (CETESB, 2009).
Os maiores acréscimos, em termos de DBO, num corpo d’água, são provocados por despejos de origem predominantemente orgânica. A presença de um alto teor de matéria orgânica pode induzir à completa extinção do oxigênio na água, provocando o desaparecimento de peixes e outras formas de vida aquática. Um elevado valor da DBO pode indicar um incremento da microflora presente e interferir no equilíbrio da vida aquática, além de produzir sabores e odores desagradáveis e ainda, poder obstruir os filtros de areia utilizados nas estações de tratamento de água. Pelo fato da DBO somente medir a quantidade de oxigênio consumido num teste padronizado, ela não indica a presença de matéria não biodegradável, nem leva em consideração o efeito tóxico ou inibidor de materiais sobre a atividade microbiana.
No campo do tratamento de esgotos, a DBO é um parâmetro importante no controle das eficiências das estações, tanto de tratamentos biológicos aeróbios e anaeróbios, bem como físico-químicos. A carga de DBO expressa em kg/dia é um parâmetro fundamental no projeto das estações de tratamento biológico de esgotos. Dela resultam as principais características do sistema de tratamento, como áreas e volumes de tanques, potências de aeradores etc. (CETESB, 2009).
5.3.2 Parâmetros Microbiológicos.
Coliformes totais e fecais (Escherichia coli).
Segundo Oliveira at. al. (2013), a atribuição de parâmetros microbiológicos na classificação da água tem um papel destacado no processo de qualificação de sistemas hídricos, baseando-se na diversidade de microrganismos patogênicos que podem ser encontrados no ambiente.
Contudo, quantificar e indicar a presença de diversos microrganismos acarretaria um procedimento muito complexo e até inviável, pois, envolveria a
disposição de diferentes meios de culturas. Sendo assim, são utilizados organismos de fácil identificação, cuja ocorrência pode ser de origem patogênica. Exemplo destes organismos indicadores são as bactérias coliformes. O Ministério da Saúde em sua obra Vigilância e controle da qualidade da água para consumo humano (2006) a respeito do tema destaca que:
Uma grande vantagem no uso de bactérias coliformes como indicadoras de contaminação fecal é sua presença em grandes quantidades nos esgotos domésticos, já que cada pessoa elimina bilhões dessas bactérias diariamente. Dessa forma, havendo contaminação da água por esgotos domésticos, é muito grande a chance de se encontrar coliformes em qualquer parte e em qualquer amostra de água, o que não acontece, por exemplo, no caso de metais pesados, que se diluem bastante na massa líquida e muitas vezes não são detectados nas análises de laboratório. Além disso, a identificação de coliformes é feita facilmente, já que as bactérias pertencentes a esse grupo fermentam a lactose do meio de cultura, produzindo gases que são observados nos tubos de ensaio.
De acordo com a Fundação Nacional de Saúde (2006), as bactérias do grupo coliforme bacilos gram-negativos, são, em forma de bastonetes, aeróbios ou anaeróbios facultativos que fermentam a lactose a 35-37ºC, produzindo ácido, gás e aldeído em um prazo de 24-48 horas.
A utilização desse grupo bacteriológico como indicador microbiológico, é dado pela sua facilidade de obtenção, pois estão presentes nas fezes de seres humanos e animais de sangue quente, o que estabelece uma relação direta com o grau de contaminação fecal em sistemas hídricos.
Além disso, possuem maior tempo de vida na água que as bactérias patogênicas intestinais, por serem menos exigentes em termos nutricionais e mais resistentes à ação dos agentes desinfetantes do que os germes patogênicos, além de ser incapazes de se multiplicarem no ambiente aquático.
A Contagem Padrão de Bactérias é muito importante durante o processo de tratamento da água, visto que permite avaliar a eficiência das várias etapas do tratamento. É importante, também, conhecer a densidade de bactérias, tendo em vista que um aumento considerável da população bacteriana pode comprometer a detecção de organismos coliformes. Embora a maioria dessas bactérias não seja patogênica, pode representar riscos à saúde, como também deteriorar a qualidade da água, provocando odores e sabores desagradáveis (FUNASA, 2006).
5.4 DEGRADAÇÃO DA ÁGUA.
De acordo com Vieira (2006), o Brasil é o país mais rico do mundo em recursos hídricos. Conta com 13,7% da água doce disponível do planeta, além de abrigar enorme biodiversidade como o Pantanal – a maior área úmida continental do mundo – e a Várzea Amazônica, a mais extensa floresta alagada da Terra. Apesar da privilegiada situação, quanto a quantidade e a qualidade das águas de nossos recursos hídricos, que não vêm sendo utilizados de forma correta e responsável.
Independentemente dessa vasta disponibilidade hídrica, a heterogeneidade de sua distribuição, tanto naturalmente quanto socialmente, somada a antropização desordenada de algumas regiões, que já apresentam carência no abastecimento de água para as mínimas necessidades básicas da população e, também ocasionando drásticas alterações no ecossistema aquático.
De acordo com Braga et al. (2002), essas variações podem produzir uma série de impactos ambientais do tipo; fisiológico, estético, distúrbio no corpo aquático e também impacto ecológico. Impactos que, segundo Tucci (2006), podem ocorrer de maneira difusa como as águas pluviais urbanas e agrotóxicos que se distribuem no espaço sem um local estabelecido de contaminação e inserção no sistema de escoamento do afluente, ou podem ocorrer de modo pontual, como efluentes de esgoto doméstico ou industrial, onde é possível identificar a fonte e a carga de contaminação. Desta maneira, o conceito de poluição tem se tornado cada vez mais amplo, devido à grande exigência com relação à conservação dos recursos hídricos e também do seu uso racional.
6 METODOLOGIA
6.1 ÁREA DE ESTUDO
O Córrego Marlene, constituinte da Microbacia do Ribeirão Nilza, o qual é um dos afluentes da margem direita do Rio Curupy que desagua no Rio Teles Pires, localiza-se no perímetro urbano da cidade de Sinop, na região norte do estado de Mato Grosso, a qual se caracteriza geograficamente, por relevo levemente plano, conforme apresentado sua localização e traçado na figura 02.
Segundo a classificação de Köppen, a região apresenta clima quente úmido, com precipitação pluviométrica média anual de 2.264 mm e temperatura mínima de 25°C e máxima de 38°C, com estações climáticas bem definidas, entre maio e agosto o período seco e setembro a abril o período chuvoso.
A figura 02 apresenta o traçado e localização do córrego Marlene na região urbana de Sinop.
Figura 2: Traçado do Córrego Marlene no perimetro urbano da cidade de Sinop – Mato Grosso. Fonte: Google Earth, (2016).
6.2 MÉTODOS AMOSTRAIS E MEDIDAS DE CAMPO
6.2.1 Locais de coleta
A escolha dos pontos de amostragem e dos parâmetros a serem analisados será realizada em função do corpo d'água, do uso benéfico de suas águas, da localização de atividades que possam influenciar na sua qualidade, e da natureza das cargas poluidoras, tais como despejos industriais, esgotos domésticos e águas de drenagem agrícola ou urbana. Os pontos de coleta serão definidos posteriormente. No entanto, uma predefinição dos locais de amostragens dentro do perímetro urbano da cidade de Sinop, considerando amostras da nascente do córrego, do limite do perímetro urbano, e mais alguns pontos ao longo do curso do córrego que atendam a necessidade de coleta; reserva florestal atrás da UNEMAT – Campus Sinop e nas proximidades de alguns bairros cortados pelo afluente.
6.2.2 Amostragem
As coletas serão realizadas, quinzenalmente, no período compreendido entre julho de 2016 e novembro de 2016. A quantidade de amostragens ao longo do córrego, no perímetro urbano de Sinop será definida posteriormente, com base nos pontos de coleta determinados, através de pesquisas de campo.
As amostras serão coletadas manualmente em frascos previamente preparados por esterilização em autoclave, com coletas realizadas de acordo com recomendações da ANVISA, segurando os frascos de coleta pela base e mergulhados abaixo da superfície da água, com a boca para baixo, direcionando a boca do frasco para a corrente de água e elevando ligeiramente, para que a água fique retida. Em locais em que não haja corrente de água, os fracos serão empurrados para frente horizontalmente, no sentido contrário ao da mão.
Os frascos serão devidamente identificados e mantidos em caixa de isopor com gelo para que possam ser transportados respeitando o limite para o prazo de análise microbiológica de no máximo 24 horas (ABNT – NBR 9898).
Para cada ponto serão feitas marcações, registros fotográficos e pontos de GPS. As variáveis a serem analisadas podem ser dividas em físicas, químicas e
microbiológicas. As variáveis físico-químicas analisadas dividem-se em: temperatura, pH, condutividade, oxigênio dissolvido, demanda bioquímica de oxigênio, cor e turbidez. As microbiológicas, se dividem em Coliformes totais e fecais.
6.2.3 Métodos Físico-químicos
Para coleta de dados referente às medidas de pH, oxigênio dissolvido, condutividade, turbidez, cor e temperatura da água e ar, será procedido da seguinte forma: após a preparação das amostras e a devida calibração dos aparelhos, serão medidos os seguintes parâmetros físico-químicos: pH e temperatura da água com medidor portátil Orion, Modelo 290 A; oxigênio dissolvido, com o medidor portátil YSI, modelo 58; condutividade elétrica, com um condutivímetro Amber Science, Modelo 2052; cor da água com um colorímetro e a turbidez com um turbidímetro Quimis. Também, ao longo da amostragem, uma estação meteorológica portátil digital da marca Kestrel, utilizada para medir temperatura do ar.
Para a caracterização da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), antes de coletar a amostra para a análise, o frasco deve ser lavado com a própria água do rio. Em seguida, coleta-se a amostra cuidadosamente, de modo que não provoque borbulhamento e nem formação de bolhas de ar.
Serão coletadas 10 amostras de água. As amostras de numeração de 1 a 5 serão fixadas em campo, com 250 µL de MnSO4 e 250 µL de NaOH+KI, com a fixação, a amostra reage e forma um precipitado de hidróxido manganoso no fundo do frasco de aproximadamente 1/3 do seu volume. Quando o precipitado se estabilizar no fundo do frasco, deve-se agitar mais uma vez. Espera-se que o precipitado se estabilize novamente e posteriormente se acrescenta 0,5 mL de ácido sulfúrico (H2SO4) a 50% e armazenar em caixa escura. As amostras de numeração de 6 a 10 serão armazenadas in natura em caixa escura. Todas as amostras serão armazenadas por um período entre 23 e 25 horas. As amostras armazenadas in natura serão fixadas posteriormente em laboratório.
Em laboratório, as amostras devem ser tituladas sem que se ultrapasse o período de 25 horas de incubação.
As amostras que não foram fixadas em campo, ou seja, aquelas que foram guardadas in natura deverão ser fixadas em laboratório após serem submetidas a um período de incubação, conforme os procedimentos descritos anteriormente.
Após o período de incubação, as amostras coletadas em campo e fixadas em laboratório deverão ser tituladas com tiossulfato de sódio (NaS2O3) a 0,0125 N
utilizando-se um titulador digital.
Retira-se uma alíquota de 50 mL de amostra com o auxílio de uma pipeta volumétrica e transfere-se para um erlenmeyer de 125 mL, tomando cuidado para não formar bolhas durante a transferência.
6.2.4 Métodos Microbiológicos
As avaliações microbiológicas serão realizadas através da contagem de coliformes totais e coliformes fecais (Echerichia coli). Analises em laboratório equipado e preparado para obtenção de melhores resultados, portanto, as amostras coletadas in loco, serão enviadas para o Laboratório de Análises Microbiológicas da Universidade do Estado Mato Grosso – Unemat campus de Alta Floresta .
6.2.5 Métodos Hidrográficos e Sociais
Para definição da microbacia do córrego Marlene no perímetro urbano de Sinop, será utilizado estudos relacionados a curvas de nível dispostas na região do córrego, assim como estudos referentes ao tipo de solo e ciclo hidrológico, aspectos influentes na formação fisiográfica das áreas de contribuição do afluente, para delimitação da microbacia.
Desta forma, de acordo com a delimitação da microbacia determinada, baseando-se em estimativas demográficas censitárias, e pesquisas expositivas da expansão urbana e antropização nas proximidades do córrego (ilustrada na Figura 03), pode-se avaliar o crescimento demográfico no perímetro da microbacia, assim como evidenciar os impactos ambientais presentes, devido a ascensão populacional no local.
Figura 03: Bairros vizinhos do Córrego Marlene no perimetro urbano de Sinop – Mato Grosso. Fonte: Google Earth, (2016).
7 CRONOGRAMA
ATIVIDADES
2016
AGO SET OUT NOV DEZ JAN FEV
Revisão bibliográfica complementar X X X X X Definição dos pontos de coleta X Realização dos ensaios X X X X X Análise dos resultados X X X X Coleta de dados complementares X X Redação da monografia X X X Revisão e entrega oficial do trabalho X X Apresentação do trabalho em banca X X
8 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO
ARAUJO, R. C. da S. & OLIVEIRA, F. H. P. C. de. Análise de parâmetros
limnológicos da água dos açudes do prata e do meio (Pernambuco-brasil). in
XIX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos. Recife – PE. 2001.
BRAGA, B.; PORTO, M.; TUCCI, E. M. Monitoramento de quantidade e qualidade
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CETESB – Companhia Ambiental do Estado de Mato Grosso. Significado
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