TÍTULO: ESPORTE EDUCACIONAL E AS POSSÍVEIS MODIFICAÇÕES COMPORTAMENTAIS EM ADOLESCENTES DE 12 A 18 ANOS
TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:
SUBÁREA: EDUCAÇÃO FÍSICA SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: CENTRO UNIVERSITÁRIO ÍTALO-BRASILEIRO INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): PATRICIA GONÇALVES DA SILVA AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): DANIELA MORAES SCOSS ORIENTADOR(ES):
1. RESUMO
Uma vez que o esporte se encontra atualmente dividido em três dimensões, sendo elas: esporte de rendimento, esporte de lazer e o esporte educacional, a presente pesquisa de caráter qualitativo tem como propósito a descoberta de possíveis mu-danças comportamentais em adolescentes entre 12 a 18 anos por meio do esporte educacional, por meio da revisão de literatura realizada através de banco de dados. Há quem diga que apenas as escolas utilizam o esporte como ferramenta de trans-formação social, onde desenvolvem valores e princípios em grupo, pois os valores e princípios desenvolvidos na sociedade atual estão voltados ao individualismo. Porém neste trabalho é possível verificar que ONGs tem desenvolvido este mesmo trabalho e vem sendo notado tanto pelos alunos/atletas quanto pelos pais, onde ambos in-formam que houve melhoras no convívio com familiares e amigos, através de práti-cas esportivas, que visa o desenvolvimento integral dos praticantes: motor (procedi-mental), cognitivo (conceitual) e sócio-afetivo (atitudinal).
Palavras-Chaves: esporte educacional, treinamento esportivo, mudança de compor-tamento.
2. INTRODUÇÃO
Este trabalho trata sobre a mudança de comportamento individual e social ocasionada em adolescentes de 12 a 18 anos, utilizando o Esporte Educacional co-mo ferramenta.
Esta temática surgiu pela experiência de integrar como aluna uma ONG co-nhecida como Instituto Esporte e Educação, coco-nhecida antigamente como Projeto Social Rexona/Ades de Voleibol, durante oito anos, onde tornou-se possível perce-ber a melhora como pessoa (cidadã) através do trabalho que era desenvolvido pelos professores por meio do Esporte Educacional. Com isso, torna-se aceitável acreditar que através do esporte há possibilidades de desenvolver o ser humano em sua tota-lidade. O que significa dizer que, as habilidades do saber, ser e conviver podem ser desenvolvidas na mesma intensidade que a dimensão do fazer.
3. OBJETIVOS
Verificar se há através do esporte educacional, um desenvolvimento além do esporte (mudança no comportamento social) em turmas de treinamentos esportivos com adolescentes de 12 a 18 anos (jogar bem o esporte – técnica – e saber o que desejo ser – atitudes).
4. METODOLOGIA
Esta pesquisa idealiza o caráter qualitativo (pesquisa de caráter exploratório com a intenção de entender em qual (is) área (s) o esporte educacional consegue intervir em relação à vida dos adolescentes), por meio da revisão de literatura reali-zada através de banco de dados, Biblioteca Dante Alighieri, Biblioteca Digital de Campinas, Biblioteca Prefeito Prestes Maia, Biblioteca Digital Fundação Getúlio Var-gas e Associação Latino-Americana de Estudos Socioculturais de Esporte, Mille-nium-Journal of Education, Technologies, and Health, LILACS, Centro Esportivo Vir-tual, Journal of Physical Education, Scielo, que avaliam, selecionam e apreciam pesquisas consideradas relevantes, para dar suporte teórico-prático para a classifi-cação e análise do referencial bibliográfico. A pesquisa se deu com referencial dos últimos 27 anos. Foram selecionados artigos e livros entre os anos de 1990 a 2017.
5. DESENVOLVIMENTO
Segundo a Lei Pelé (BRASIL, 1998), inspirado nos fundamentos constitucio-nais do Estado Democrático de Direito, o esporte brasileiro abrange práticas formais e não formais. Dentro destas práticas, o esporte divide-se em quatro dimensões, sendo elas: esporte educacional, esporte de participação, esporte de rendimento e por último o esporte de formação incluído na lei no ano de 2015.
Tubino (1992) aponta que o esporte passou a ser compreendido através de três manifestações sociais, que agem como caminhos que se constituem nas efeti-vas dimensões sociais do esporte: o performance ou rendimento, o esporte-participação ou esporte popular, e o esporte-educação.
O esporte de rendimento possui regras previamente estabelecidas pelas or-ganizações internacionais de cada modalidade esportiva, além de ser
responsabili-dade de iniciativas privadas, que visa à vitória sobre os adversários e faz uma seleti-va natural dos chamados talentos esportivos (TUBINO, 1992).
Para a Lei Pelé (BRASIL, 1998), o esporte de participação ou lazer, é prati-cado por voluntários, onde o objetivo é a integração dos praticantes na vida social e na promoção da saúde, educação e preservação do meio-ambiente. É uma dimen-são que proporciona liberdade, a começar pela escolha voluntária de se praticar al-guma atividade.
O esporte educacional, além de ter como finalidade o desenvolvimento inte-gral do aluno em sua totalidade e a formação para o exercício da cidadania, busca evitar a seletividade e a hiper-competitividade entre os praticantes, de forma que esta dimensão é desenvolvida nos sistemas de ensino e em locais que desenvolvam um trabalho voltado para a educação (BRASIL, 1998).
Segundo Tubino (1992, p.32):
A educação, que tem um fim eminentemente social, ao com-preender o esporte como manifestação educacional, tem que exigir do chamado esporte-educação um conteúdo fundamen-talmente educativo [...] onde a prática esportiva como educa-ção social será essencial no desenvolvimento de personalida-des e indispensável no processo de emancipação dos jovens, quando prosseguimos com o argumento de que o esporte é um dos meios mais eficientes na formação dos mesmos.
Para Barbieri (2001 apud PINTO, 2009), o esporte educacional é compreen-dido como uma possibilidade de restauração integral do homem, através da visão “emergente-emancipadora”. Essa concepção valoriza os conceitos de participação, de totalidade, de coeducação, de emancipação, de cooperação, de solidariedade, de integração, de liberdade, de autonomia e de preservação da identidade cultural. Dessa forma é possível atingir o desenvolvimento cognitivo e a relação sócia afetiva, através das vivências práticas. (FREIRE, 2010).
Coelho (2016) defende que para se desenvolver o trabalho acima, o treina-dor deve interagir de forma permanente com os seus atletas deixando seus objetivos esclarecidos, onde irá trabalhar o aperfeiçoamento esportivo, mas também irá se preocupar em desenvolver outras aprendizagens atuando mais de forma pedagógi-ca.
Piaget (2012, apud MIRANDA, ALENCAR, 2017), afirma que cronologica-mente dos 11 aos 20 anos é a fase da adolescência, onde há uma evolução na for-ma de pensar sobre questões como:as possibilidades, as hipóteses, o futuro, tomar decisões. Para Ferreira e Nelas (2016), essa fase de características tidas como dife-renciadoras e significativas se inicia aos 12 anos.
Gallahue (2005) afirma que referente ao aspecto motor, aos 12 anos os ado-lescentes passam pelo amadurecimento e refinamento (estágio de transição) de su-as habilidades fundamentais e começam a aplicá-lsu-as em jogos e esportes. Com isso, os instrutores/técnicos passam a focar no desenvolvimento da performance e da precisão e os adolescentes aprendem a treinar, mas ainda não possuem foco em um esporte específico. Após esta fase, eles passam por outras duas fases que são: estágio de aplicação (estágio de treinar) há um foco para certos esportes e ajustes nos movimentos característicos de certas modalidades em busca de aprimoramento; e estágio de aplicação ao longo da vida (estágio de treinar para competir/participar), o objetivo por ser mais competitivo acaba fazendo com que o adolescente seja mais direto na escolha esportiva, pois há uma maximização no refinamento das habilida-des para se ter performance envolvendo agora a preparação física, psicológica e tática.
Para o homem, a adolescência é uma fase muito importante da vida, tendo em vista que é um momento de desprendimento e início da busca ativa do mundo externo (ABERASTURY, 1990), gerando problemas na identidade pessoal e o rela-cionamento em grupo, pois um ainda depende do outro, além de serem vistos como aliados quando se trata de aspectos e comportamentos negativos (SCOSS, 2003).
6. RESULTADOS
Tani, Bento e Petersen (2006) pressupõe que as pessoas atribuem valores er-rados ao esporte, como conservar e transformar, de forma como se o esporte fosse um remédio para todos os males e o aperfeiçoamento de todas as virtudes. Quando o seu real sentido está em contribuir com o homem no aspecto moral e cultural, coo-perando para que o homem tenha um encontro simples com a sua própria humani-dade, proporcionado por meio de confrontos que surgem nas competições, que tem como função primordial a cooperação.
Almeida e Rosseto Jr (2008) realizaram uma pesquisa no Projeto Social Re-xona/Ades de Voleibol, pertencente ao Instituto Esporte e Educação com 34 alunos de 13 a 18 anos que integravam o projeto no mínimo há seis meses e no máximo três anos, onde constatou-se na análise dos resultados que através do esporte edu-cacional foi possível alcançar mudanças no comportamento social desses alunos: maior responsabilidade, melhor interação social e convívio familiar, diminuição da agressividade e violência nas relações interpessoais e desenvolvimento da autocon-fiança.
Ladentim (2014) executou uma pesquisa com 15 pais que correspondiam aos 70 adolescentes de 12 a 15 anos que eram participantes ativos das atividades es-portivas (futebol) de uma ONG na região da Fazenda Rio Grande – PR. E ao anali-sar os dados coletados, concluiu que o esporte educacional é uma ferramenta de transformação, quando é trabalhado em cima de valores morais e éticos.
Tabela 1. O que levou o aluno a se inscrever no projeto?
Questões Almeida e Rosseto (2008) Landetim (2014)
Interesse pela modalidade 10% 74%
Conhecer novas pessoas 90% 00%
Outros motivos 00% 26%
Tabela 2. Como era o relacionamento com a família antes de entrar no projeto?
Questões Almeida e Rosseto (2008) Landetim (2014)
Bom 76% 40%
Normal 02% 00%
Tabela 3. Como era o relacionamento com os amigos antes de entrar no proje-to?
Questões Almeida e Rosseto (2008) Landetim (2014)
Bom ou normal 79% 46,7%
Poucos amigos 20% 53,3%
Tabela 4. O relacionamento com a família e amigos mudou após a entrada no projeto?
Questões Almeida e Rosseto (2008) Landetim (2014)
Mudou muito 80% 67%
Fez novas amizades 97% 33%
Continuou normal 2,9% 00%
Não mudou 14% 00%
De acordo com Nogueira (2013), se faz fundamental a utilização do esporte como ferramenta na formação da dimensão social, pois o esporte possibilita diversas experiências, por meio de alegrias e diversões, mas também através de dificuldades e problemas onde os indivíduos precisam interagir e se comunicar para chegarem a uma determinada conclusão, além de proporcionar uma compreensão melhorada da realidade social em que se encontram. Porém é um desafio garantir que a tática e a técnica dialoguem com o papel do esporte na sociedade propiciando a formação de novas habilidades como ser, pensar e agir.
Paes e Balbino (2001 apud SCAGLIA, REVERDITO, 2009), compreendem que se deve utilizar de uma pedagogia que além de se preocupar com o desenvol-vimento motor, utilize pilares como a diversidade, a inclusão, a cooperação e a auto-nomia, que sustentam o processo de ensino-aprendizagem sobre o movimento hu-mano, inteligências múltiplas, aspectos psicológicos, filosóficos e sociais, possibili-tando a formação esportiva consciente, crítica e reflexiva do sujeito.
Para Paes (2005), devido à complexidade do esporte, faz-se necessário a uti-lização de múltiplas inteligências do jogador, não focando apenas em sua qualidade técnica.
A teoria das múltiplas inteligências, segundo Gardner e Veronese (1995), di-vide-se em sete, sendo elas: inteligência linguística/verbal, inteligência lógico-matemática, inteligência espacial/visual, inteligência musical/rítmica, inteligência cor-poral-sinestésica, inteligência pessoal e inteligência interpessoal, porém Passarelli (2003) reduz as inteligências a seis, onde ela diz que a sexta inteligência é a pessoal e que está subdividida em duas: inteligência interpessoal e inteligência intrapessoal.
Korsakas e De Rose Jr.(2002), acreditam que o esporte educacional exerce um papel fundamental, contribuindo na formação técnica do jogador e no seu de-sempenho moral, onde Bueno (2008) conclui que o esporte educacional tem como finalidade o desenvolvimento mental, moral e físico.
Dessa forma, o indivíduo se prepara fisicamente para o meio esportivo e para-lelo a isto, ocorrem os ajustes voltados para a autonomia por meio da coeducação, promovendo o compromisso com o próximo e a sociedade juntamente com o desen-volvimento individual.
7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Quando se utiliza o esporte educacional como ferramenta de aprendizagem em turmas de treinamento a partir dos 12 anos, não há uma preocupação com a es-pecialização precoce como ocorre no esporte de alto rendimento, pois inicialmente o esporte educacional se preocupará em desenvolver o lado cidadão do aluno/atleta por meio do esporte.
Dessa forma, sabemos então que o esporte-educação respeita as fases do desenvolvimento motor de acordo com suas respectivas faixas etárias e trabalha com o foco da formação do indivíduo enquanto cidadão (papel que deve ser exerci-do na sociedade em que habita), promovenexerci-do o respeito a si mesmo e ao próximo, a cooperação e deixando esclarecido que todos tem o direito de participar de forma igualitária, onde o que prevalece não é a área do fazer (técnica e tática), onde parti-cipam apenas aqueles que jogam bem e exclui aqueles que ainda não possuem as habilidades fundamentais refinadas.
Com isso, pode-se concluir que o esporte educacional ensinará as habilida-des fundamentais que o adolescente necessita para habilida-desenvolver bem as suas ativi-dades diárias e esportivas e auxiliará na descoberta e na compreensão do “quem sou eu?”, “o que devo fazer?”, “como devo lidar com os meus limites?”, “como devo
lidar com os limites daqueles que estão ao redor?”, “como lidar com as diversas per-sonalidades e respeitá-las em suas individualidades?”, ou seja, o esporte educacio-nal sempre irá trabalhar as questões atitudinais e sócio afetivas independentemente da idade. Porém quando se trata da questão do fazer (técnicas e táticas exigidas), a cobrança ocorrerá de acordo com a idade e o nível motor em que o sujeito se encon-tra (do fácil para o difícil e do simples para o complexo), permitindo o desempenho de performance para a competição e promovendo a construção de uma bagagem motora fundamental e refinada e inclusive especializada de um esporte especifico, para que futuramente, caso o aluno/atleta tenha interesse, possa ingressar no mun-do mun-do esporte de alto rendimento.
8. FONTES CONSULTADAS
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