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Inter-relações entre produção e demanda da soja e de proteína animal

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL DACEC – DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS, CONTÁBEIS,

ECONÔMICAS E DA COMUNICAÇÃO MBA – GESTÃO EMPRESARIAL

INTER-RELAÇÕES ENTRE PRODUÇÃO E DEMANDA DA SOJA E DE PROTEÍNA ANIMAL

JOSÉ FABIANO DA SILVA

Orientador: Luciano Zamberlan

Resumo

Este artigo analisa a produção e demanda mundial da soja e de proteína animal, verificando seu comportamento e suas inter-relações entre esses dois segmentos, com ênfase na produção, na demanda, no mercado e seus efeitos na dinâmica global do agronegócio. Tem como objetivo buscar melhor entendimento na relação de causa e efeito entre demanda por proteína animal e produção de soja. Aborda histórico de produção de carnes traçando um paralelo com a produção mundial da soja, trata dos fatores os quais estimularam o aumento do consumo de carnes na última década e perspectivas futuras para esse mercado. Partindo da premissa que a demanda mundial por proteína animal é o fator de impulso para a produção da soja, o estudo aborda os aspectos comportamentais de consumo de proteína no mundo. Os procedimentos metodológicos para montagem do estudo exploratório foram usadas fontes de dados como sites especializados, bibliografias sobre o tema, pesquisas documentais e entrevistas com especialistas de mercado. Com a investigação realizada nos mercados de soja e proteína animal foi possível constatar um cenário com certo equilíbrio para o médio e longo prazo, tendo uma demanda crescente por proteína animal e também condições factíveis para expansão da área agrícola e aumento proporcional na produção de soja. É de extrema importância autoridades governamentais entenderem o dinamismo desses dois mercados pela relevância que tem principalmente para as economias emergentes e pela necessidade de politicas ambientais sustentáveis.

Palavras-chave: Mercado – produção – oferta – demanda – global – soja – proteína. Abstract

This article analyze the global production and demand about soy and animal protein, Verifying its behavior and relation between both markets. Emphasis in market, production and the effect on the global agribusiness dynamic. The objective is seek a best comprehension in causes and effect relation between global animal protein demand and soy production. Discuss a historic meat production drawing a parallel with global production of soybean, discusses factors which boosted an increase in meat consumption last decade and feature’s outlook of this market. Understanding the protein global demand such a boost factor in soy production, this work discuss the global consumption’s behavior. The methodological process to build this exploratory study, websites, interview with market specialist, bibliographies and documental explore was used. The investigation applied in the protein and soy market, was

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possible identify certain balance in the medium and long term, with an increasingly demand for animal protein and absolute conditions to expand agriculture area with the same proportion. It’s of absolute importance the understanding from the governmental authorities about de dynamism between both markets, the relevant and the importance principally for emerging markets for the sustainable environmental politics.

Keywords: Market – production – supply – demand – global – soy – protein. 1. Introdução

Com a evolução da produção mundial da soja estimulada principalmente pela demanda mundial por proteína animal, torna essa commodity o core-business das exportações brasileiras no contexto do agronegócio e tem estimativa para colocar pela primeira vez em 2012 o Brasil em primeiro lugar na produção mundial, ultrapassando os Estados Unidos que sempre foi o maior produtor. Os três principais produtores mundiais da oleaginosa no Brasil, EUA e Argentina produzem juntos mais de 80% do total da produção global e são esses três países que fornecem os principais fundamentos para as análises de mercado em termos de oferta e demanda global do grão. A soja é a principal e quase insubstituível fonte de proteína para o mercado de nutrição animal, tendo uma relação direta de sua produção com a produção de carnes no mercado mundial.

A pesar da relevada importância da soja e seus derivados para a economia doméstica e para a balança comercial brasileira e sua amplitude no contexto do agronegócio no Brasil, pouco se sabe ou de maneira muito vaga é conhecida a dinâmica do comportamento histórico de preço dessa commodity e seus derivados assim como também são pouco conhecidas a série de variáveis que podem no longo prazo influenciar de maneira muito significativa o seu preço no mercado mundial.

A abordagem desse estudo visa esclarecer a complexa relação de sustentabilidade da cadeia da soja através da principal variável econômica envolvida, ou seja, o principal fenômeno que contribui para a sustentabilidade e a escalada de produção e preço dessa commodity nos últimos anos, o setor de proteína animal. Com o passar do tempo cada vez mais fatores e variáveis passam a influenciar o sentimento dos investidores e analistas de mercado no mundo todo tornando o mecanismo de preços das commodities cada vez mais complexo e desafiador para os players desse mercado. Quanto ao comportamento de longo prazo, a demanda mundial por proteína animal é que cumpre o papel fundamental na sustentabilidade de preço e na pressão por aumento de área de cultivo assim como também estimula o desenvolvimento e o emprego de alta tecnologia para melhoramento genético e obtenção de maior produtividade da oleaginosa.

Segundo Gonçalves (S.d., p 64), “o mecanismo de formação de preços, nos sistemas econômicos que admitem mercado, é complexo e não pode ser reduzido se não por simplificação, a uma simples preposição ou lei geral, sem nexo de causalidade e traduzindo tão somente a tendência dos fenômenos. Com efeito o mecanismo do mercado não se reduz a três elementos simples, como a oferta, demanda e preços”.

O presente estudo tem como objetivo esclarecer a dinâmica da demanda mundial por proteína animal e seu respectivo impacto na produção e no preço da soja. Aborda o comportamento da demanda mundial por proteína animal na última década e as perspectivas para o longo prazo. Busca estabelecer relação de produção da soja versus necessidade na produção mundial de carnes.

Especificamente estaremos explorando esse conhecimento através de três canais de abordagem, ou seja, explorar fatores de estímulo à produção e demanda global de carnes,

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fazer uma abordagem na produção e demanda global da soja e abordar a formação de preço da soja no mercado internacional.

A soja assim como seus derivados possui alta volatilidade de preços nos mercados internacionais, fator que justifica maior conhecimento dos mecanismos de formação de preço e também ter entendimento para qual rumo está direcionado esse mercado, sobretudo buscar clareza do dinamismo da demanda mundial por proteína animal, principal propulsora de produção e valorização da commodity soja.

A soja é a principal oleaginosa produzida e consumida no mundo. Sua importância reside no fato de, ao ser triturado, resulta em farelo e óleo. O primeiro subproduto, por ser rico em proteína e a principal fonte de proteína para nutrição animal, é destinado ao consumo animal através de rações elaboradas. O segundo subproduto, o óleo, se destina especialmente ao consumo humano.

A estrutura desse trabalho está composta em cinco capítulos, sendo no primeiro a introdução, que mostra o cenário que está em estudo assim como a justificativa e os principais objetivos a serem buscados. No segundo capitulo está o referencial teórico, mostrando através de pesquisas bibliográficas a opinião de autores sobre o cenário que está sendo abordado, após as descrições teóricas e conceituais de alguns autores, a terceira parte mostra quais os procedimentos metodológicos estão empregados no estudo e como serão coletados e analisados os dados, a quarta parte do artigo, na análise e apresentação de resultados aprofunda o estudo através de dados e figuras gráficas fazendo correlações e comparativos entre o cenário de proteína animal e proteína vegetal da soja, como ambos se relacionam se comportam no cenário global. Por fim a quinta parte apresenta as conclusões sobre o estudo, relatando sobre a convergência encontrada nos dois cenários em estudo.

2 Referencial Teórico

2.1 Formação de preço da soja

A cotação da soja com maior referencial no mundo se dá na Chicago Board of Trade (CBOT), na Bolsa de Chicago onde ocorrem negociações de contratos de várias outras commodities. A oferta e demanda desses contratos tanto no mercado spot (disponível) como no mercado futuro através do pregão da CBOT é que determina as cotações diárias da soja em todo o mundo. A cotação dos contratos de soja na CBOT é determinado em US$/bushel (27,2kg), sendo o bushel uma unidade de medida americana. Com menor liquidez essas mesmas cotações de preço da soja também ocorrem na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) em São Paulo, porém a Chicago Board of Trade é que é a bolsa de valores a qual dá referência de preço para negociações de exportações e importações no mercado internacional. Para Brum (2002) a formação do preço dos produtos do complexo soja dá-se em função de muitos agregados, ou seja, o preço é uma variável dependente de muitos fatores. Todos os analistas e estudiosos destacam que, entre as principais variáveis, a cotação do produto na Bolsa de Cereais de Chicago dita as tendências do mercado. Destaca-se pelo volume de negócios e caracteriza-se pela essência do livre mercado, negociando não apenas as mercadorias, mas também as expectativas em relação a ela (mercado de opções).

A praça de referência na formação de preço da soja no Brasil são os portos, a partir desta praça o desconto no preço da commodity se dá na medida em que sua localização avança para o interior, sendo este um deságio do custo de frete para escoar o produto até o porto. São três parâmetros que determinam a cotação da soja em R$/saca nos portos brasileiros, a cotação do produto em Chicago, o prêmio e a cotação do dólar. Sobre a cotação da soja em Chicago tem o prêmio que é o spread, que pode ser um ágio ou deságio sobre essa

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cotação na CBOT, sendo este determinado pela pressão de oferta e demanda do produto no mercado.

Margarido et al. (2002) sinaliza, a partir de testes de raiz unitária de Dickey-Fuller Aumentado (ADF) e testes de co-integração de Johansen, a elasticidade da transmissão dos preços da soja entre o porto de Rotterdam e o Brasil no período de julho de 1994 a setembro de 2001 confirmando a Lei do Preço Único, com as variações em Rotterdam sendo transmitidas integralmente para os preços no Brasil, no longo prazo.

Neste sentido Moraes (2002) esclarece que os preços domésticos são determinados em função de uma série de variáveis, como cotações internacionais, prêmios de exportação, custo de transporte, despesas portuárias, armazenamento, carga tributária entre outros. Dá ênfase ao prêmio de exportação, observando que é uma variável pouco conhecida, mas de alta significância, uma vez que pode reduzir o preço FOB recebido pelo exportador em mais de 5% e aumenta-lo em mais de 20%, possuindo um caráter sazonal, com os maiores valores observados nos períodos de entressafra e os menores no período de safra e exportação relata que as variáveis ligadas a disponibilidade do produto e as alternativas de comercialização possuem grande capacidade em explicar o comportamento do prêmio. Conclui que os estoques de soja dos principais produtores mundiais alteram significativamente o valor do prêmio e, consequentemente o valor pago ao produtor nacional.

Ressaltada por Lazzarotto e Figueiredo (2006) em trabalho onde incluiu no modelo o variável preço da soja no mercado externo, taxa de câmbio, prêmio de exportação e despesas líquidas de exportação, tendo concluído, ao final do estudo, pela influência de todas as variáveis explicativas, com destaque para a taxa de câmbio e o preço externo, a partir de testes de estacionaridade, de co-integração e da utilização do mecanismo de correção de erros aplicados a séries de preços pagos aos produtores de soja de estados selecionados (Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, no período de setembro de 1999 a outubro de 2005).

Fernandes (2003) em trabalho que analisou a relação entre o câmbio real e o preço de commodities em países tidos como exportadores de commodities: Nova Zelândia, Canadá, Austrália e Brasil, no período de março de 1995 a abril de 2002, constatou que, a despeito de ser o Brasil um grande produtor das principais commodities presentes em sua pauta de exportação (minério de ferro, complexo soja, café, celulose suco de laranja e açúcar) não ficou evidenciado poder de mercado no sentido de a variação em sua taxa de câmbio real determinar variações nos preços internacionais dessas commodities.

Como diz Brum (2002, p. 17), no que tange a formação dos preços da soja um dos fatores mais importantes é o rateio do preço da soja em relação ao milho e o rateio dos preços dos diferentes farelos e óleos (em particular soja/palma) entre eles. Ao contrário, a evolução do rateio dos preços óleo/farelo é muito mais incerta, pois ele faz intervir um diferencial entre as velocidades de crescimento da oferta e da demanda sobre mercados diferentes: o humano e o animal.

2.2Soja no contexto do Agribusiness

O conceito de agronegócio que se pretende abordar foi iniciado pela Universidade de Harvard por Davis & Goldberg1 (1957) ao final da década de 1950. Seu diferencial em relação aos tradicionais é a compreensão do sistema de produção desde o campo até o consumidor final. Giordano (1999) destaca que esta forma de análise apresenta vantagens em relação às outras existentes, uma vez que tenta compreender o encadeamento, ou seja, o processo dinâmico no qual todas as partes do sistema estão interligadas. Conforme este conceito, o somatório de todas as operações envolvidas na produção e distribuição de bens agrícolas, “antes, dentro e depois da porteira”, corresponde ao Sistema Agroindustrial.

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A busca por uma agricultura competitiva tem gerado uma sofisticação, à custa de grandes investimentos do Estado, dos circuitos espaciais e dos círculos de cooperação entre as grandes empresas das cadeias produtivas e de distribuição; enclaves de modernização; surgimento de empresas de consultoria especializadas em produção; logística e transporte agrícola; grande demanda por bens científicos; novo perfil do trabalho no campo, e informacionalização da produção agrícola (agricultura de precisão, monitoramento agrícola por sensoriamento remoto orbital), o que estimula o desenvolvimento de outras atividades (CASTILHO; VENCOVSKY, 2004, p. 01).

Este é um conceito cada vez mais presente nos estudos de economia agrícola. Para Araujo,

(....)desponta o fato de que a visão moderna que se deve ter a agricultura ultrapassa o enfoque eminentemente de produção prevalecente no passado, que se limitava as fronteiras internas da unidade produtiva rural. Administradores públicos e privados devem ter agora em mente o conceito do agribusiness, por incorporar i visão interativa das cadeias de alimentos, fibras e biomassa, que mais adequada para o entendimento da complexidade do mundo econômico deste final de século. Dentro do enfoque do agribusiness, é necessário entender o processo sistêmico de adição de valor na cadeia produtiva que une as atividades a montante e a jusante das fazendas. (Pinazza; Araújo, 1993, p.20).

O cenário agrícola internacional dos últimos quinze anos tem sido caracterizado pela ocorrência de acentuadas mudanças nas políticas agrícolas e macroeconômicas no Brasil e nos demais países emergentes (RODRIGUES, 2005, p. 3), as quais visam obter ganhos de eficiência, aumento da produção e crescimento da renda nos países, e provocar uma melhoria no comércio agrícola mundial.

O complexo soja ao longo dos tempos foi se tornando o principal item da pauta de exportações brasileiras. A soja sendo uma commodity, produto de consumo mundial, seu preço no Brasil reflete as tendências do mercado internacional, que, em grande parte, são influenciados pelos indicadores de oferta e demanda. Também é influenciado pela variação cambial, uma vez que os preços internacionais são determinados, na maior parte dos casos, em dólares americanos e logo após convertidos para reais. Sendo assim, visualiza-se relações de oferta, demanda, taxa de câmbio, prêmios/descontos, custos de frete, despesas portuárias, taxas e comissões, corretagem de câmbio como determinantes do preço pago ao produtor de cada região brasileira.

Dessa forma o cultivo da soja está povoando grande parte do território brasileiro e as estatísticas corroboram que o complexo soja apresenta-se como um dos mais importantes componentes para a formação de superávit comercial.

Para Brum (2002, p. 15),

os farelos representam um elemento essencial da rentabilidade das oleaginosas: 30 a 40% do valor dos grãos ricos em óleo como a colza e o girassol, 60 a 80% para a soja. Os farelos de oleaginosas são utilizados para ração animal e incorporados na forma de alimentos como matérias ricas em proteínas.

O autor continua afirmando que nos últimos 50 anos, paralelamente à evolução das técnicas de criação animal e do recurso cada vez mais importante a rações concentradas fornecidas pela indústria, uma demanda específica de matérias-primas com alto teor em proteínas se desenvolveu.

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Dentro desse contexto, no caso agroindustrial brasileiro, que trata especialmente do complexo soja, percebe-se que os acordos comerciais podem representar ganhos para a nação, constituindo-se como um importante meio para alavancar o crescimento econômico do país, uma vez que a classe produtiva goza de uma situação de produção e remuneração dos fatores de produção e as contas nacionais passam a contar com as quantidades vultosas de moeda estrangeira que ajudam na composição das reservas cambiais.

O que pode ser observado são os desequilíbrios do mercado mundial de proteínas devem se acentuar no futuro se nenhuma mudança de grande amplitude não se produzir. Eles são segundo o autor, devido ao crescimento demográfico, ao desengajamento de certos Estados, às pressões internacionais para se obter uma abertura nos diferentes mercados, e o aceite geral de uma certa dependência em relação as ofertas internacionais para a alimentação.

Neste cenário, o agronegócio, liderado pela soja tornou-se um componente capaz de gerar crescimento e desenvolvimento econômico nas regiões em que está inserido.

A figura 1 mostra claramente o saldo positivo que o agronegócio proporciona para a balança comercial brasileira, dentro do contexto das exportações do agronegócio, a soja tem representatividade de 34% do total do volume exportado. Enquanto as importações de produtos manufaturados dos demais segmentos da economia causam um impacto significativo sobre os volumes que o Brasil exporta desses mesmos segmentos, o Agronegócio importa um volume não superior a 15% / 18% sobre o total exportado, gerando um saldo expressivo na balança comercial, podendo representar quase dois terços do saldo total.

2.3Crescimento da produção e demanda global de carnes

Impulsionado exclusivamente por ganhos de produção de aves e suíno, a produção mundial de carnes em 2012 foi de aproximadamente 244 milhões de toneladas, somadas a carne bovina, suína e de frango. O crescimento do setor se origina dos países em desenvolvimento, principalmente ocasionado pelo fenômeno mundial da urbanização de países como a China, esse fenômeno afetou de forma positiva os níveis de renda da população, permitindo desta forma uma ascensão das classes para um nível de qualidade de vida mais elevado.

Figura 1:Evolução da balança comercial brasileira e do agronegócio – 1989 a 2012 (em US$ bilhões). Fonte: AgroStat Brasil, a partir de dados da SECEX/MDIC, 2012.

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De acordo com Martinelli, a evolução do mercado de alimentos no último século divide-se em dois períodos. O primeiro se estendeu pelo século XX até os anos 70, caracterizado pelo fenômeno da urbanização e crescimento das atividades industriais e de serviços. O crescimento da demanda urbana favoreceu a especialização de funções, estruturando grandes empresas e cadeias produtivas e criando um grande mercado consumidor. Este período foi marcado por inovações de produtos congelados, desidratados, enlatados, empacotados em embalagens de diferentes tamanhos, favorecendo o estoque e o consumo em qualquer época do ano e maiores distâncias da área de produção agrícola. Criaram-se grandes lojas de varejo, supermercados aumento o consumo desses produtos.

De acordo com a Agroanalysis os quatro maiores consumidores de carne do mundo (China, UE, EUA e Brasil) foram responsáveis por 56,7% de toda a demanda de proteína animal a ser consumida em 2010, sendo que apenas Brasil e China continuaram com taxas de crescimento mais significativas no consumo dessas proteínas. No período compreendido entre 2005 e 2010, a demanda por proteína animal desses dois países cresceu 9%, enquanto a demanda europeia cresceu 2%, e a dos EUA se retraiu em 3%. Para os próximos anos, é esperado um maior crescimento em “novos” mercados, como o consumo da Ásia (oriental e sudeste), América Latina, do Oriente Médio e norte da África.

A Agroanalysis em essa mesma análise aponta para o advento do crescimento da produção de carne em países consumidor, como o caso da Rússia, apesar de ser o maior importador mundial de carne de frango, a produção da Rússia cresce em um ritmo acelerado, com redução nas importações. Em 2006, a produção local era suficiente para atender apenas a 50% da demanda interna; já em 2010, a produção deverá atender a 70% do mercado. Entre os mercados que merecem atenção dos exportadores – pelo crescimento na demanda interna – estão os grandes produtores de petróleo do Oriente Médio e da América Latina. Juntos, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Venezuela e México devem importar dois milhões toneladas de carne de frango em 2010, volume superior ao importado pela Rússia e 35% superior ao importado pelos mesmos países em 2006. Além deles, a Índia também se torna um mercado extremamente atrativo para as indústrias que atuam no setor de frangos, com crescimento da demanda de 10% ao ano.

Na nota de avaliação sobre a tendência mundial de consumo de proteína animal os autores chamam atenção para o comportamento do consumo da carne bovina. Dos quatro maiores consumidores de carne bovina do mundo, o Brasil foi o único a apresentar um crescimento de demanda nos últimos cinco anos. Mesmo a China, que registrava crescimento no consumo de carne bovina, apresentou uma leve queda em 2009. Enquanto os EUA e a UE reduziram sua demanda em 5% desde 2006, o Brasil teve um crescimento de 6%, apontando um consumo de 7,3 milhões de toneladas. A queda na demanda de carne bovina, por parte dos EUA e dos países da UE, está atrelada a uma série de fatores. As variáveis associadas ao envelhecimento da população e a busca por melhor qualidade de vida podem também levar ao entendimento de que o mercado de proteína animal (principalmente de carne bovina), da forma como se encontra hoje, está chegando a um ponto de saturação nesses mercados.

O segundo período compreende as últimas décadas e os dias atuais, caracterizado por um consumidor com maior renda, que quer gastar menos tempo no preparo de alimentos e estão crescentemente mais informado e preocupado com aspectos de nutrição, qualidade e gosto. Frente a isso, essa nova tendência, os alimentos tem sido reestruturados pela indústria ou preparados pelas unidades de serviço de alimentação com vistas a adaptar a oferta de alimentos às diferentes situações em que estes são consumidos ((Statistical Abstract of the US, apud Martinelli Júnior, 1999, p. 45).

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A figura 2 mostra o crescimento da produção mundial de carne de gado, suíno e frango em milhões de toneladas.

Figura 2:Produção mundial de carnes. Fonte: Agrinvet Consultoria 2013.

Pode-se perceber como a produção da carne bovina se manteve estagnada, enquanto cresceu significativamente a produção de suíno e com crescimento mais acentuado por sua vez vem a carne de frango. Numa avaliação de crescimento médio anual, a carne bovina cresceu em média 0,29% ao ano, a carne suína 1,33% e carne de frango crescimento médio de 3,54% ao ano.

3 Procedimentos Metodológicos

A metodologia do presente trabalho, bem como a definição das técnicas de pesquisa, foi elaborada de acordo com a conceituação proposta por Gil (1999). Como a abordagem desse estudo se deu em um cenário de mercado em franca expansão (agronegócio) e com significativa evolução e mudanças em suas teorias e conceitos, pouco bibliografia se tem com referência direta do problema, desta forma as pesquisas documentais são as fontes de conhecimento para a exploração mais aprofundada deste assunto.

A análise documental constitui uma técnica importante na pesquisa qualitativa, seja complementando informações obtidas por outras técnicas, seja desvelando aspectos novos de um tema ou problema (LUDKE e ANDRÉ, 1986).

Este estudo tem cunho exploratório, com intuito de explorar um cenário de mercado e promover critérios de compreensão, formulando um problema para defini-lo com maior precisão, dando ao leitor maior clareza das variáveis relacionadas ao assunto abordado. As pesquisas exploratórias, segundo Gil (1999, p. 43) visa proporcionar uma visão geral de um determinado fato, do tipo aproximativo.

O trabalho explora a demanda mundial do mercado de proteína animal, a trajetória da última década, cenário atual e as perspectiva de cresimento para os próximos anos, assim como o respectivo impacto na produção mundial da soja e na sustentabilidade do preço desssa commmodity.

O objetivo de uma pesquisa exploratória é familiarizar-se com um assunto ainda pouco conhecido, pouco explorado. Ao final de uma pesquisa exploratória, você conhecerá mais sobre aquele assunto, e estará apto a construir hipóteses. Como qualquer exploração, a

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pesquisa exploratória depende da intuição do explorador (neste caso, da intuição do pesquisador). Por ser um tipo de pesquisa muito específica, quase sempre ela assume a forma de um estudo de caso (GIL, 2008).

A pesquisa exploratória através de meios documentais buscou informações e dados através da internet, em livros, e em sites de órgãos relacionados assim como em outros artigos relacionados ao tema. Os dados buscados se tratam de números e taxas de consumo de carne no mundo, suas tendências para os próximos anos, também se levantou dados sobre o comportamento do mercado da soja nesse mesmo período, sua produção, consumo e preços. Esses instrumentos como geradores de dados dão subsidio para converter os mesmos em informação e posteriormente em conhecimento mais aprofundado sobre esses dois setores e a correlação entre ambos dentro do cenário econômico mundial. Alguns dados coletados também em entrevistas com especialistas e analistas de mercado proporcionando além de dados, análises mais complexas sobre o problema abordado.

A análise tem como objetivo organizar e sumariar os dados de forma tal que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto. A interpretação fundamenta-se num fundamenta-sentido mais amplo em que as respostas fundamenta-se relacionam com outros acontecimentos anteriormente obtidos.

Os dados obtidos por meio empírico ou teórico referentes à demanda global por proteína animal e o aumento na demanda por soja foram analisados a luz do conhecimento dos principais analistas e agentes do mercado do agronegócio. Dados e informações obtidas de sites especializados no monitoramento e avaliação do comportamento do mercado mundial do agronegócio foram utilizados para fins de prover critérios e fundamentos necessários para observar a relação comportamental da produção de soja com o movimento na demanda mundial por proteína animal. Os dados levantados foram submetidos a análise de correlações entre produção de carne e produção soja, as respectivas tendências do mercado de carne e reais possibilidades de suporte na produção da soja, levantado também as hipóteses de alavancagem de produção da soja para dar esse suporte para a demanda de proteína animal, sendo pelo aumento de produtividade via recursos tecnológicos ou por expansão de áreas de produção, atualmente já um tanto limitada em países produtores.

4 Apresentação e Análise dos Resultados

A partir de dados, informações avaliações das teorias e literaturas consultadas acerca da abordagem desse trabalho estabelecem-se neste capitulo conclusões e resultados sobre o tema abordado. Todas as teorias, literaturas e documentos consultados estão direcionados para itens que tangem o consumo global de proteína animal e respectiva correlação com a produção global da soja como fonte de proteína para a nutrição animal. Avaliado aspectos de produção e demanda de ambas as commodities, histórico de consumo da carne no mundo e de produção de soja, assim como perspectivas de produção para os próximos anos, respectivas fontes de fomento a demanda e suas limitações. Consiste em verificar quais os aspectos dentro do contexto global do consumo de proteína animal venham garantir a sustentabilidade da produção da soja e respectivamente a sustentabilidade em patamares rentáveis de preço.

A resposta ao problema estabelecido consiste em analisar os principais movimentos que aconteceram nas cadeias de carnes nos últimos anos e os possíveis efeitos para o longo prazo, estabelecendo desta forma uma relação paralela com a análise do mercado produtor de soja, o qual sustenta a cadeia produtiva das três principais carnes consumidas no mundo, buscando constatação de possíveis gargalos em oferta ou demanda dessa commodity.

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A título de exemplo e para fundamentação das constatações observadas no trabalho de investigação do mercado de proteína animal e soja vamos usar dados dos últimos 9 anos, Ilustrando os movimentos de convergência na produção e consumo de proteína animal e soja.

4.1Aumento do consumo de carne através do fast food

A princípio, parece contraditório: a Índia, o país dos vegetarianos, registra um rápido aumento do consumo de carne. Estatísticas afirmam que 40% dos indianos não comem carne. Em nenhum outro país a parcela de vegetarianos é tão alta quanto na Índia. No entanto, nos últimos dez anos, o consumo de carne no país duplicou. Em 2009, a média era de 5,5 quilos por pessoa, segundo a Organização Mundial da Saúde. Um índice ainda baixo se comparado com o da Alemanha, de 61 quilos de carne bovina, porco e aves ingeridas por cada cidadão por ano, de acordo com dados do Departamento Federal de Estatísticas.

As cadeias de fast food se espalham rapidamente por todas as cidades da Índia. Elas atraem principalmente a clientela mais jovem e ficam lotadas, sobretudo, nos fins de semana. Nas grandes cidades, como Déli, Mumbai, Chennai ou Kolkata (a antiga Calcutá), famílias passam o tempo livre em encontros regados a refrigerantes, batatas fritas e hambúrgueres em lanchonetes do McDonalds ou consomem frangos empanados fritos na rede Kentucky Fried Chicken.

4.2Evolução e perspectivas do consumo de carne no mundo

O consumo mundial de carnes continua crescendo e estimulando a produção das principais commodities agrícolas. O crescimento nos países em desenvolvimento capturará 82% do consumo global durante o período projetado. O consumo per capita aumentará em 3,2 quilos por ano, com a carne de frango representando 70% desse aumento. Até 2021, os consumidores nos países desenvolvidos comerão 3,6 quilos de carne a mais per capita com relação ao período base, o que também será principalmente para carne de frango, exceto no Leste Europeu, onde o consumo de carnes vermelhas ainda tem um substancial potencial de crescimento.

Figura 3:Evolução e projeção da demanda mundial de carnes (em milhões de tonaledas). Fonte: COGO, Carlos Cogo. Consultoria em Agribusiness, 2012.

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Apesar dos fortes preços das carnes durante a projeção, as importações de carnes em países em desenvolvimento deverão aumentar direcionadas por um crescimento na população e na renda e na alta elasticidade da renda da demanda. Da mesma maneira, os fortes preços resultarão em lucros de exportação sustentados, que encorajarão os grandes países exportadores de carne a investir nos mercados internacionais de carne, apesar da alta incidência prevalente de barreiras de importação relacionadas a questões sanitárias e de segurança alimentar.

Figura 4: Consumo mundial de carnes nos últimos 50 anos em milhões de toneladas

Fonte: USDA – Disponível no site:

No contexto global do mercado de proteína animal pode-se notar uma particularidade quanto ao perfil de consumo das proteínas, a alavancagem do consumo está potencialmente na carne de frango e em segundo lugar na carne suína, isso obviamente pelo fator custo, sendo a carne de frango a proteína animal de produção em escala mais barata que o mercado pode oferecer, a carne suína que é a proteína mais consumida atualmente no mundo concentra 50% do seu consumo na China, sendo esse perfil de consumo chinês o que eleva a média e põe a carne suína como proteína mais consumida no mundo, tendo um crescimento expressivo também no Brasil o qual por fatores culturais tem taxa de consumo de carne suína bastante baixo comparado a países como EUA e Argentina, praticamente 50% do consumo médio per capita destes países. A carne bovina se mostra com crescimento estagnado principalmente pelas perdas de áreas de pastagem no mundo para a produção agrícola e consequentemente um encarecimento na produção que tende a se concentrar no sistema de engorda por confinamento. Com essa tendência de produção confinada aliada a novos patamares de preços das commodities agrícolas fará com que a carne bovina seja uma fonte de proteína cada vez mais cara para o consumo de escala.

O maior fenômeno na atualidade que está ocorrendo na cadeia produtiva de carnes é a concentração da produção em poder de poucos grupos empresariais, de certa forma isso permitiu com que aumentasse a eficiência produtiva através da produção de escala, é o caso de empresas como Brasil Foods, Marfrig, JBS, Minerva, Tyson Foods, empresas que tem abrangencia global na produção de carnes. A perda de competitividade na venda de carne no mercado internacional, principalmente na carne de frango e carne suína na qual o Brasil é exportador fez com que o setor ficasse concentrado na mão de grandes grupos focando tecnologia e larga escala de produção para competir com a produtividade americana no mesmo setor. A dependência de mão de obra no setor produtivo de carnes é o principal fator

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de competitividade, e nesse aspecto o Brasil tem visto suas margens apertarem nos últimos anos pelo aumento de renda dos trabalhadores e a dificuldade de contratação de mão de obra para setores opercionais de suas indústrias frigoríficas.

4.3Comportamento da produção na China

Como pode ser observado na figura 5, a China é o exemplo do aumento do consumo de carnes. Em 1980, cada chinês consumia por ano 20 quilos de carnes. Atualmente a média per capita está acima de 50 quilos, significa que teve um grande aumento no consumo da carne. O volume por pessoa não é alto, mas faz diferença assim como a Índia devido ao tamanho de sua população. Já os Estados Unidos é o maior consumidor per capita de carne do mundo, o volume total é mais do que o dobro.

Figura 5: Comportamento da produção na China. Fonte: Agrinvest Consultoria.

Dados divulgados pela FAO, em 2007, diz que a China consumiu 85 milhões de toneladas de carne, enquanto que os Estados Unidos consumiram 38 milhões e o Brasil 16,7 milhões. O aumento do consumo de carne também se reflete no aumento do consumo de grãos, segundo a média mundial, a produção de um quilo de carne suína, que é a mais consumida na China, demanda pelo menos quatro quilos de grãos, segundo a FAO, até 70% da ração dos suínos criados na China é composta de milho, a soja entra nessa formulação em torno de 25% sendo esta a fonte de proteína. Outro fator, que leva a um consumo maior de carne é o enriquecimento da classe média emergente, onde a demanda cresce rapidamente.

Segundo a FAO o efeito na importação de soja que a demanda por ração animal causará até 2022, praticamente dobrará a necessidade de importação demandado pelo setor de carnes, o qual vem num efeito crescente bastante acentuado na última década. Na figura 6 pode-se observar essa projeção de importação pela China até o ano de 2022.

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Figura 6: CHINA: Pojeção das importações de soja até 2022 (milhões de toneladas). Fonte: COGO, Carlos. Consultoria Dez. 2012

O efeito na importação de soja que a demanda por ração animal causará até 2022, praticamente dobrará a necessidade de importação demandado pelo setor de carnes, o qual vem num efeito crescente bastante acentuado na última década.

Embora os estudos tenham sido efetuados antes de o mundo perceber o dramático impacto na inclusão social gerada pelo abandono das teses comunistas e a adesão ao capitalismo pelo governo chinês, as previsões efetuadas pelo IFPRI (International Food Policy Research Institute) já apontavam para uma demanda acelerada de alimentos, no período, conforme pode ser observada. A figura 7 mostra o comportamento de consumo dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, ficando claro o impacto da ascensão social e melhora da qualidade de vida e da alimentação nos países em desenvolvimento no consumo de cereais.

Figura 7: Consumo de proteína animal em países desenvolvidos e em desenvolvimento Fonte: IFRI, 2006.

4.4 Efeitos que impactam diretamente no consumo

A figura 8 e 9 dão uma clara noção do cresimento mundial no consumo de proteína animal assim como mostra também o fenômeno da urbanização, sendo este o principal causador no aumento de consumo no mundo. Com a população se deslocando para as áreas urbanas há uma geração maior de renda, provocando uma ascensão social das classes em

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países emergentes e em desenvolvimento, tendo como efeito a melhora da alimentação e qualidade de vida, ou seja, mais proteina na mesa.

Figura 8: Movimento de urbanização no mundo e na China. Fonte: Carlos Cogo Consultoria em Agribusiness, 2012.

A figura 9 mostra o aumento no consumo de carne na China na ultima década, somada as três fontes de proteína, bovina, suína e frango.

Figura 9: Consumo per capita de carne no mundo e na China. Fonte: Carlos Cogo Consultoria em Agribusiness, 2012.

4.5Produção e principais importadores de soja

Neste item está exposto o comportamento dos principais produtores de soja nos últimos cinco anos e respectivo comportamento dos principais importadores. Pode-se observar a dependência de importação de cereais para a produção de proteína animal como o caso da China, o bloco da união europeia não mostra numero expressivos de importações devido a opção dos principais países do bloco na importação do produto acabado, ou seja, importam o farelo de soja já industrializado. A China é o maior drive na importação de grão in natura, como conta com custos de industrialização menores é viável que importe o grão e processe internamente. Um comportamento que está sendo adotado pelo governo Chinês nos últimos anos vem sendo o acumulo de estoque, a cada ano a China aumenta seus estoques interno, podendo ter desta forma menos dependência da matéria prima de fora no mercado disponível.

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Figura 10: Principais países produtores de soja e histórico dos últimos 5 anos. Fonte:USDA, (outubro de 2011).

Figura 11:Principais Importadores de soja.

Fonte: USDA, disponível no site:http://www.usda.gov

Nas figuras 10 e 11 podemos notar um grande salto recente na produção da soja, produção a qual foi absorvida principalmente pelo aumento significativo das importações chinesas. É muito clara nas informações a relevância que a China teve nos últimos anos como sustentador de preços para a soja com seu crescente consumo de carnes impactando diretamente na soja como fonte de suprimento para nutrição animal.

4.6Aspectos críticos no incremento de produção

A expansão da produção de soja para atender à crescente demanda pelo produto tende a acontecer em maior medida por meio de expansão em área do que de produtividade. A expansão da soja, bem como de outros produtos agrícolas, tem sido alvo de críticas principalmente relacionadas à sua conexão com desmatamento e consequentes impactos ambientais como emissão de gases de efeito estufa e perda de biodiversidade. Tanto no Brasil, quanto na Argentina, há uma forte preocupação para que a expansão da soja aconteça de forma responsável e conforme as leis nacionais.

Para a obtenção de ganhos de produtividade, sem a derrubada adicional de florestas e sem depleção maior do capital natural do mundo, é indispensável o auxílio de processos modernos e sustentáveis de produção. Desta forma é possível aumentar a oferta de alimentos,

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fibras e serviços ambientais sem comprometimento maior do meio ambiente, preservando novos ecossistemas da destruição.

As necessidades de produção de cereais são de 3,14 bilhões de t, o que significa uma produção adicional de 921 milhões de t (aumento de 41,5%). Se não houver acréscimos na produtividade atual de 3,255 t/ha será necessário colocar em produção mais 282,9 milhões de hectares, em um prazo de vinte anos, elevando a área mundial a ser colhida para 964,8 milhões de hectares, muito acima da área máxima colhida em 1985 de 765,8 milhões de hectares.

Percebe-se que a demanda por carnes apresenta uma taxa de incremento alta, o que significa também maior consumo de cereais. Qualquer agrônomo bem informado sabe que, em média, a produção de um quilo de carne nos sistemas confinados exige o consumo de 7 kg de grãos. Logo, comer mais e melhor significa que a agricultura terá que aumentar em muito sua produtividade e, até certo ponto, a área ocupada; caso contrário, os ganhos de renda per capita, nos países pobres, terão sido em vão, porque os alimentos vão subir acima dos demais preços da economia.

4.7Síntese de dados

Figura 15: Produção mundial de carnes em milhões de toneladas (gado, suíno e frango). Fonte: Agrinvest Consultoria

A produção mundial de carnes teve incremento de 15%, crescimento médio anual de tem sido na ordem de 1,7%, reflexo da crescente demanda mundial conforme exemplificado em comentários anteriores.

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6,4 6,5 6,6 6,7 6,8 6,8 6,9 7,0 7,1 0,0 1,0 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 7,0 8,0

Figura 16: Crescimento da população mundial em bilhões de pessoas. Fonte: Agrinvest Consultoria

A população mundial aumentou 600 milhões de pessoas nos últimos 9 anos, crescimento de 9,5%, com um crescimento médio anual de 1,14%.

Figura 17: Produção mundial de soja em milhões de toneladas Fonte: Agrinvest Consultoria

O Crescimento da produção mundial de soja nos últimos 9 anos teve incremento de 52 milhões de toneladas, ou seja, 24% de aumento, representando um crescimento médio anual de 3,4% ao ano. Deve esse incremento a expansão de área de produção e também a produtividade que tem melhorado muito pelos avanços da tecnologia genética.

O crescimento da produção global da soja segundo avaliações tem crescido em ritmo mais acelerado que o mercado de carnes, o crescimento médio anual nos últimos 9 anos tem sido na ordem de 3,4% ao ano enquanto no mercado de proteína animal foi somente a metade, na ordem de 1,7% ao ano. A diferença de incremento na oferta de soja em relação a produção mundial de carnes não impactou em excedente por três aspectos cruciais, um deles é que a produção de carne bovina permaneceu estagnada nos últimos anos, tendo crescimento de apenas 0,3% ao ano, já a carne suína 1,33% e carne de frango 3,54%, como a produção de carne bovina tem consumo mínimo de proteína de soja, isso gerou uma distorção na média final de consumo, considerando somente carne suína e de frango o ritmo de crescimento aumenta para 2,4%. Outro aspecto é a mudança na dieta alimentar para a nutrição animal, migrando para a formulação uma inclusão maior de proteína oriunda da soja e menos de

215,75 220,44 237,44 221,21 211,95 261,08 263,59 238,73 268 0 50 100 150 200 250 300

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outras fontes como canola, girassol e outras fontes dos próprios subprodutos da carne. O terceiro aspecto importante é o aumento do armazenamento a nível global, principalmente a postura do governo Chinês que passou a ter um estoque interno de passagem muito maior e vem aumentando essa reserva a cada ano assim como as importações. O aumento acumulado dos estoques mundiais de passagem foram de 24% no mesmo período de 9 anos, esse aumento é de 123% se estendermos a avaliação para um período de 15 anos.

5 Conclusão

Todos os aspectos avaliados com relação à produção e demanda mundial por proteína animal indicam para uma sustentabilidade no consumo no médio e longo prazo, os abalos econômicos de ordem global e principalmente em países ricos não tem impactado significativamente o consumo e ritmo de crescimento do segmento na última década. Todas as variáveis econômicas com relevância para o segmento foram avaliadas, tais como crescimento populacional, urbanização, dieta alimentar, aspectos culturais, renda e a pujança econômica dos países emergentes, isso permite afirmar que o crescimento do consumo será sustentável a ritmo ainda maior para os próximos anos. De acordo com o estudo pode-se afirmar dentro de uma perspectiva futura que o mercado de proteína animal continuará pujante, com crescimento significativo para as próximas décadas, estimulando desta forma o crescimento da produção mundial da soja, o aumento de produção do grão poderá acontecer dentro de duas perspectivas, do avanço da tecnologia genética, criando espécies de plantas mais imunes a intempéries climáticas e pragas assim como mais produtivas, pode se dar também pelo rompimento da fronteira agrícola, aumentando a área de plantio, condição a qual países como Brasil e Argentina estão aptos a fazer, convertendo mais campos de pastagens em lavouras.

Deste modo o estudo contribuiu para a busca do principal objetivo previamente relacionado na introdução do trabalho que é elencar e mapear todas as condições da cadeia produtiva de proteína animal e quais suas perspectivas para a sustentabilidade da produção e dos patamares de preço para a cadeia da soja. Pode-se afirmar desta forma que a cadeia produtiva de proteína animal dentro das perspectivas avaliadas deverá dar suporte para que a produção de soja aumente ainda mais e também se mantenha com níveis de preço como se vê atualmente, em patamares muito diferentes da década de noventa ou de décadas anteriores, proporcionando rentabilidade diferenciada. É importante ressaltar que a inter-relação econômica que existe entre ambas as cadeias não se reflete em preços em tempo real ou em curto prazo, mas sim pode estimular que os preços se mantenham em patamares superiores considerando médias de preços em médio e longo prazo, impactos econômicos na cadeia de carnes não são refletidos imediatamente em preços de commodities agrícolas se outros fatores econômicos estão interferindo para que os preços sigam outra direção.

O fato bastante relevante constatado em relação a produção de soja e proteína animal é a proporção que a produção da soja cresceu na última década em relação a produção de proteína animal, 1,7% de crescimento anual da produção de proteína animal contra 3,4% de crescimento anual da produção da oleaginosa. A investigação contribuiu muito para o fato de direcionar investidores da cadeia agrícola e de carnes para uma realidade mais palpável com relação a oferta e demanda desses dois setores da economia mundial, fomentando com dados históricos de produção e demanda e principalmente alertando sobre as tendências dos mercados.

Estudos complementares podem ser desenvolvidos dentro de um contexto mais restrito para que se possa obter mais profundidade nas análises e obter mais precisão nos reais

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reflexos que os movimentos de produção e demanda poderão causar no ambiente econômico interno ou para a economia doméstica, pode-se elencar estudos individualmente direcionados para cada segmento de proteína animal, buscar mais acurácia na avaliação que cada segmento pode refletir para o mercado da soja. Da mesma forma os estudos voltados para a produção agrícola da soja podem ser estendidos para varias áreas relacionadas a esta, como os reais impactos ambientais que o crescimento da produção deverá causar, o mapeamento das potencialidades de desenvolvimento agrícola no mundo, onde se encontram condições de crescimento com menores impactos ambientais e quais os limites de produção.

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Referências

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