Arquitetura subjacente à via férrea: relações de lugar e poder no espaço urbano de Santa Maria/RS - final do século XIX e início do XX
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(3) Hugo Gomes Blois Filho. Arquitetura subjacente à via férrea: relações de lugar e poder no espaço urbano de Santa Maria/RS - final do século XIX e início do XX. Tese apresentada ao Programa de PósGraduação em História, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS), como requisito parcial para a obtenção do grau de Doutor em História.. Orientador: Prof. Dr. Júlio Ricardo Quevedo dos Santos. Santa Maria, RS 2018.
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(5) Hugo Gomes Blois Filho. Arquitetura subjacente à via férrea: relações de lugar e poder no espaço urbano de Santa Maria/RS - final do século XIX e início do XX. Tese apresentada ao Programa de PósGraduação em História, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS), como requisito parcial para a obtenção do grau de Doutor em História.. Apresentada em 30 de julho de 2018:. ______________________________________ Dr. Júlio Ricardo Quevedo dos Santos (UFSM) (Presidente/Orientador). ______________________________________ Dr. Glaúcia Vieira Ramos Konrad (UFSM). _____________________________________ Dr. Maria Medianeira Padoin (UFSM). _____________________________________ Dr. Ana Lucia Costa de Oliveira (UFPEL). _____________________________________ Dr. Eloisa Helena Capovilla da Luz Ramos (UNISINOS) Santa Maria, RS.
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(9) Gracias a la vida que me há dado tanto Me há dado el sonido y el abecedario Com él, las palabras que pienso y declaro. Violeta Parra.
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(13) AGRADECIMENTOS. A trajetória de um doutorando é repleta de percalços e inquietações. Um texto de tese, só pode estar completo quando, pelo menos, parte deles são superados. Em minha caminhada, enquanto doutorando, agradeço aqueles que, sempre atentos, estiveram comigo na palavra ou no silencio: Ao corpo docente do programa de Pós-Graduação em História, na figura de sua excoordenadora, professora Dr. Maria Medianeira Padoin, por sua incansável atenção e dedicação as demandas pessoais e coletivas dos pós-graduandos. Ao meu orientador, professor Dr. Júlio Ricardo Quevedo dos Santos, por ter a sensibilidade de perceber que a História e a Arquitetura compartilham os mesmos espaços e, por eu ser arquiteto, porque não dizer, o espaço arquitetônico. Ao Júlio, pela parceria, por suas considerações sempre pertinentes, responsáveis pelo direcionamento do trabalho. À imensa família Blois, que tem me mostrado que é possível conviver nas diferenças. Em especial, minha gratidão à minha mãe Maria, pelo esforço em me dar guarida, ajudar a sustentar minhas ideias e pela tradução do texto em francês, que contribuiu para compor este trabalho. Aos meus dez irmãos, em especial ao mano Ricardo que, às vezes, se impõe como o irmão mais velho. À mana Beth, por ter me presenteado com o tuco-tuco. À mana Lúcia, cuja a perda recente e prematura, impediu que acessasse ao texto final. Com sua generosidade, contribuiu na estruturação do projeto de tese e texto preliminar. Lucia, tua presença é sentida na imensa saudade. Ao amigo/irmão Alberto Quintana, pela presença constante em tantos momentos difíceis. Ao amigo Ricardo Rondinel, com quem compartilhei a diretoria da SEDUFSM, grande incentivador para a conclusão do trabalho. À equipe médica e de enfermagem do Instituto de Cardiologia de Porto Alegre, em especial, aos médicos Paulo Eneas Franco Ortiz Junior, Renato Cecin Vaz e Renato Abdala Karam Kalil, pela vida. Aos médicos Claudio Maria da Silva Osório e Carlos Alberto Machado do Nascimento, pela palavra escutada. Às bolsistas Cristina Mendes, em especial, Carolina Orquen, Angelica Cicconet e Sandi Mumbach, pela dedicação e auxílio na construção de um texto histórico..
(14) Aos desenhistas Mauricio Martini, Ana Júlia Socal, Manuela Ilha da Silva, Maurício Dalla Nora, Leonardo Fanfa Pedroso e Henrique Kraus Massafra. Aos colegas do PPGH, Pablo Dobke, Ricardo Kemmerich, Sandi Mumbach e Tamires Soares Xavier, pelo companheirismo. Meu agradecimento especial, ao amigo Jorge Cruz, pela amizade, pelo compartilhamento de ideias e parceria em tantos trabalhos acadêmicos. Ao ANDES-SN por ter me ensinado o verdadeiro sentido da palavra compartilhar. À SEDUFSM, por ter oportunizado minha compreensão de que, o espaço de luta democrática, transcende o campo das ideias e se ancora nas lutas individuais e coletivas, daqueles que, construíram e constroem o nosso sindicato docente. Meu especial agradecimento, às diretorias das gestões 2014-2016 e 2016-2018, por terem entendido minhas ausências, enquanto me dedicava a este trabalho. Ao Luiz Gonzaga Binato de Almeida e Valter Antonio Noal Filho, pela descrição de imagens. Aos colegas do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSM, Caryl Eduardo Jovanovich Lopes e Luiz Fernando da Silva Mello, pelo companheirismo docente e pelas contribuições valiosas..
(15) RESUMO. ARQUITETURA SUBJACENTE À VIA FÉRREA: RELAÇÕES DE LUGAR E PODER NO ESPAÇO URBANO DE SANTA MARIA/RS – FINAL DO SÉCULO XIX E INÍCIO DO XX. AUTOR: Hugo Gomes Blois Filho ORIENTADOR: Dr. Julio Ricardo Quevedo dos Santos (UFSM). Este trabalho intitulado Arquitetura subjacente à via férrea: relações de lugar e poder no espaço urbano de Santa Maria/RS – final do século XIX e início do XX, vinculado à linha de Pesquisa Memória e Patrimônio, do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Santa Maria, objetivou analisar as relações de poder que interagiram/interferiram na constituição do espaço ferroviário na cidade de Santa Maria/RS, cujo processo de ocupação deu-se no final do séc XIX. Para tanto, a análise procede, a partir do fenômeno de lugarização, com a chegada da via férrea e consequente caracterização de três lugares: a Av. Rio Branco – principal eixo de ligação do centro urbano à Estação Ferroviária; a Vila Operária Belga – núcleo habitacional destinado a abrigar aos trabalhadores administrativos da ferrovia e, por último, o Bairro Operária Itararé local onde se instalaram aos trabalhados, chamados de “tucos”, responsáveis pela manutenção da via férrea. A análise se baseia em autores como Loius Cloquet, Michel Foucault e Pierre Bourdieu e no entendimento referente às relações de poder simbólico que se estabelecem entre diferentes grupos sociais. A análise se estrutura em referenciais da iconografia existente, capazes de revelar a arquitetura produzida no período, bem como as suas relações com a forma urbana. Conclui-se que a produção arquitetônica, produzida pelo conjunto de trabalhadores da viação férrea e elite urbana santa-mariense, está subjacente através dos elementos edificados relacionados à implantação da ferrovia. Sua subjacência nos revela que, a ferrovia foi a precursora, não só do desenvolvimento econômico de Santa Maria, como também, resultou na consolidação de uma arquitetura diferenciada em seus pressupostos simbólicos. Palavras-chave: Arquitetura; História; lugar; relações de poder; espaço ferroviário..
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(17) ABSTRACT. ARCHITECTURE UNDERLYING TO RAILROAD: PLACE AND POWER RELATIONS IN SANTA MARIA/RS URBAN SPACE – END OF THE XIX’S AND THE START OF XX’S CENTURY. AUTHOR: Hugo Gomes Blois Filho ADVISOR: Dr. Julio Ricardo Quevedo dos Santos. This work entitled Architecture underlying the railroad: place and power relations in the urban space of Santa Maria/RS – end of the XIX’s and the start of XX’s century, was aimed to analyze the power relations that interacted/interfered in the constitution of the railroad space in the city of Santa Maria/RS, whose occupation took place at the end of the 19th century. For that, the analysis proceeds from the localization phenomenon with the arrival of the railroad and consequent characterization of three places: Rio Branco Avenue – main axis connection from the urban center to the Railway Station; the “Vila Operária Belga” – a housing nucleus designed to house the administrative workers of the railroad and, finally, the “Itararé” neighborhood where were installed the workers responsible for maintaining the railroad, called "tucos" . The studies and analysis are based on authors such as Michel Foucault and Pierre Bourdieu and on the understanding of the relations of symbolic power that are established between different social groups. The analysis is structured in reference to the existing iconography, capable of revealing the architecture produced in the period, as well as its relations with the urban form. It is concluded that the architectural production, produced by the railroad workers group and the urban elite of Santa Maria, is underlying through the building elements related to the railroad deployment. Its underlying reveals us that the railroad was the pioneer, not just on Santa Maria economic development, but it also resulted in the consolidation of a differentiated architecture on its symbolic assumption. Keywords: Architecture; History; Place; Power Relations; Railroad Space..
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(19) LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 - Localização dos três recortes: Av. Rio Branco, Vila Belga e Bairro Itararé. .......... 21 Figura 2 - O Panóptico de Jeremy Bentham. A prisão onde o preso está sempre visível, sempre sob a vigilância e o poder do Estado. ........................................................................... 30 Figura 3 - Interior da penitenciária de Stateville, Estados Unidos, século XX. ....................... 30 Figura 4 - Rede Ferroviária no Rio Grande do Sul no ano de 1965. ........................................ 57 Figura 5 - Estação Ferroviária de Santa Maria. ........................................................................ 59 Figura 6 - Malha ferroviária do Estado do Rio Grande do Sul, 1965, dividida por trechos de implantação. .............................................................................................................................. 60 Figura 7 - Desembarque de gado na estação de Santa Maria. Postal datado de 1918. ............. 61 Figura 8 - Foto atual do edifício onde existiu a Cooperativa de Consumo dos Empregados da Viação Férrea do Rio Grande do Sul Limitada – CCEVFRGS................................................ 62 Figura 9 - Vila Belga, início do século XX. ............................................................................. 62 Figura 10 - Tratado de Santo Ildefonso .................................................................................... 64 Figura 11 - Sesmaria do Rincão de Santa Maria (Padre Ambrósio). ....................................... 65 Figura 12 - Estância do Padre Ambrósio Mapa levantado em 1800 por Francisco Chagas Santos, engenheiro da demarcação de limites entre terras de Espanha e Portugal. Copiado por L. Bollick, engenheiro civil. ..................................................................................................... 65 Figura 13 - Mapa topográfico de Santa Maria em 1801, indicando a construção das primeiras ruas. .......................................................................................................................................... 66 Figura 14 - Santa Maria em 1819. ............................................................................................ 68 Figura 15 - Santa Maria em 1835. ............................................................................................ 69 Figura 16 - Santa Maria em 1835. ............................................................................................ 71 Figura 17 - Planta do agrimensor Otto Brinckmann em 1861. ................................................. 72 Figura 18- Santa Maria em 1861. ............................................................................................. 73 Figura 19 - Santa Maria em 1885. ............................................................................................ 75 Figura 20 - Santa Maria em 1914. ............................................................................................ 76 Figura 21 - Localização dos três recortes: Av. Rio Branco (laranja), Vila Belga (azul) e Bairro Itararé (verde). .......................................................................................................................... 84 Figura 22 - Foto aérea de Santa Maria (1940) com alterações do autor. .................................. 86 Figura 23 - Início do século XX – Av. Rio Branco. ................................................................. 86 Figura 24 - 1922 – Av. Rio Branco e Praça Saldanha Marinho. .............................................. 87 Figura 25 - 1914: Av. Rio Branco. ........................................................................................... 87 Figura 26 - 1925: Face Leste da Av. Rio Branco, entre as Ruas Andradas e Vale Machado. . 88 Figura 27 - Anterior a 1937: Av. Rio Branco. .......................................................................... 88 Figura 28 - Vila Belga, início do séc. XX. ............................................................................... 91 Figura 29 - Planta Vila Belga, conforme levantamento de 1920. Manteve-se a orientação da planta para preservar o documento original. ............................................................................ 92 Figura 30 - Foto aérea de Santa Maria, por volta de 1940, com alterações do autor. .............. 93 Figura 31 - Imagens de habitações geminadas da Vila Operária Belga. .................................. 94 Figura 32 - Planta da distribuição das variações tipológicas no conjunto operário Vila Belga (1920). ...................................................................................................................................... 95.
(20) Figura 33 - Tipologia 1. ........................................................................................................... 96 Figura 34 - Tipologia 2. ........................................................................................................... 96 Figura 35 - Tipologia 3. ........................................................................................................... 97 Figura 36 - Tipologia 4. ........................................................................................................... 97 Figura 37 - Tipologia 5. ........................................................................................................... 97 Figura 38 - Tipologia 6. ........................................................................................................... 97 Figura 39 - Tipologia 7. ........................................................................................................... 98 Figura 40 - Tipologia 7 a.......................................................................................................... 98 Figura 41 - Monumento ao Ferroviário, Bairro Itararé (1930). ............................................. 103 Figura 42 - Monumento ao Ferroviário (esboço), Bairro Itararé, data não identificada ........ 103 Figura 43 - Imagem do Monumento ao Ferroviário, Bairro Itararé, data não identificada ... 104 Figura 44 - Igreja Santa Catarina, Bairro Itararé, data não identificadas. .............................. 104 Figura 45 - Igreja Santa Catarina, Bairro Itararé, data não identificadas. .............................. 105 Figura 46 - Bairro Itararé, data não identificadas. ................................................................. 105 Figura 47 - Bairro Itararé, data não identificadas. ................................................................. 106 Figura 48 - Bairro Itararé, ao fundo vê-se o hospital Casa de Saúde, data não identificada. 106 Figura 49 - Bairro Itararé, data não identificada. ................................................................... 106 Figura 50 - Bairro Itararé, datas não identificadas. ................................................................ 107 Figura 51 - Bairro Itararé, data não identificadas. ................................................................. 107 Figura 52 - Desenho do Colégio de Artes e Ofícios Hugo Taylor; foto de 1925, do edifício implantado na Avenida Rio Branco; frontão da fachada principal. ....................................... 116 Figura 53 - Imagens da Escola de Santa Terezinha (1935).................................................... 116 Figura 54 - Chalé ferroviário primitivo.................................................................................. 117 Figura 55 - Chalé ferroviário primitivo 2............................................................................... 118 Figura 56 - Chalé ferroviário com adoção de novos materiais. ............................................. 119 Figura 57 - Chalé ferroviário com subtração. ........................................................................ 119 Figura 58 – Chalé ferroviário com adição. ............................................................................ 120 Figura 59 - Chalé ferroviário com adição e subtração. .......................................................... 121 Figura 60 - Chalé ferroviário com inspiração protomodernista. ............................................ 121 Figura 61 - Linha evolutiva do chalé ferroviário. .................................................................. 122 Figura 62 - Imagens do Bairro Operário Itararé: imagem da Casa de Saúde (data não identificada); Desenho de Iberê Camargo (crayon sobre papel), 1969. ................................. 123 Figura 63 - Elementos referenciais na paisagem urbana do Bairro Operário Itararé. ........... 124 Figura 64 - Acessibilidade do Bairro Operário Itararé. ........................................................ 126 Figura 65 - Dimensões do vagão ferroviário. ........................................................................ 127 Figura 66 - Mapa com destaque Bairro Itararé. ..................................................................... 129 Figura 67 - Traité d’Architecture do engenheiro suíço Louis Cloquet. ................................. 132 Figura 68 - Avenida Rio Branco e Vila Operária Belga. ...................................................... 133 Figura 69 - Vila Belga, data não identificada. ....................................................................... 134 Figura 70 - Perfil das quadras com as diferentes modenaturas das casas geminadas da Vila Operária Belga. ..................................................................................................................... 136 Figura 71 - Perfil das quadras na Vila Operária Belga. Inserção sobre os quarteirões do conjunto. ................................................................................................................................. 137 Figura 72 - Modenaturas das casas geminadas da Vila Operária Belga. .............................. 138.
(21) Figura 73 - Edificações com porões resultantes da topografia irregular do sítio. .................. 139 Figura 74 - Acessibilidade da Vila Operária Belga. .............................................................. 141 Figura 75 - Processo de ocupação da Avenida Rio Branco, primeiro trecho final do século XIX e segundo trecho inicio do século XX. ........................................................................... 143 Figura 76 - Praça Saldanha Marinho, face Sul, ano de 1912.................................................. 145 Figura 77 - Praça Saldanha Marinho, face Oeste, ano de 1914. ............................................. 145 Figura 78 - Largo da Rua do Acampamento e Praça Saldanha Marinho, visual sul-norte, ano de 1914. .................................................................................................................................. 146 Figura 79 - Avenida Rio Branco, Praça Saldanha Marinho e Largo da Rua do Acampamento, visual norte- sul, ano de 1925. ................................................................................................ 146 Figura 80 - Praça Saldanha Marinho e a “Praça de autos”, ano de 1925. .............................. 146 Figura 81 - Praça Saldanha Marinho, face leste, ano de 1925................................................ 147 Figura 82 - Praça Saldanha Marinho, face oeste, ano de 1925. .............................................. 147 Figura 83 - Praça Saldanha Marinho e trechos iniciais da Av. Rio Branco e Rua do Acampamento, ano de 1935. .................................................................................................. 147 Figura 84 - Praça Saldanha Marinho, no final da década de 1930. ........................................ 148 Figura 85 - Fotografia aérea, após concluída a reforma da praça executada pelo prefeito Major João Antônio Edler, ano de 1935............................................................................................ 148 Figura 86 - Praça Saldanha Marinho, ano de 1907. ............................................................... 149 Figura 87 - Primeira igreja de Santa Maria, desenho de Antonio Isaia. ................................. 149 Figura 88 - Busto do Coronel Niederauer, ano de 1922. ........................................................ 149 Figura 89 - Foto da Catedral Diocesana, ano de 1914............................................................ 150 Figura 90 - Catedral Diocesana, ano de 1914. ........................................................................ 150 Figura 91- Chalé sobre vagões. .............................................................................................. 156 Figura 92 - Arquitetura protomodernista residencial da Avenida Rio Branco, do início do século XX. .............................................................................................................................. 157 Figura 93 - Arquitetura protomodernista do chalé ferroviário no Bairro Operário Itararé, do início do século XX. ............................................................................................................... 158 Figura 94 - À esquerda projeto arquitetônico da Escola Feminina de Artes e Ofícios Santa Terezinha. À direita foto da atual da escola Manuel Ribas. ................................................... 158 Figura 95 - Fotografias aéreas tomadas de aeronave sobre a cidade de Santa Maria, onde verifica-se em destaque, ao centro urbano, a avenida Rio Branco, sentido Norte-Sul. .......... 159 Figura 96 - Visão panóptica sobre os três lugares de Santa Maria. ........................................ 160 Figura 97 - Reinterpretação do desenho de Iberê Camargo. .................................................. 162 Figura 98 - Rua Visconde Ferreira Pinto, ano de 2013 (à esquerda), Avenida Rio Branco, ano de 2018 (à direita). .................................................................................................................. 163.
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(23) LISTA DE TABELAS. Tabela 1: Tema e contexto da análise de conteúdo................................................................. 45 Tabela 2 - Tipologia e o número de unidades das Propriedades da Viação Férrea do Rio Grande do Sul em Santa Maria, em 1920................................................................................ 99 Tabela 3: Tema e contexto da análise de conteúdo............................................................... 112.
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(25) LISTA DE ANEXOS. ANEXO I. TRAITÉ D´ARCHITECTURE DE LOUIS CLOQUET (1900). 175. ANEXO II. EVOLUÇÃO DOS CHALÉS FERROVIÁRIOS. 191.
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(27) SUMÁRIO INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 19 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ............................................................................. 25 1.1 PODER ......................................................................................................................... 26 1.1.1 Sistema simbólico de representação e dominação ................................................... 31 1.2 LUGAR ........................................................................................................................ 33 1.2.1. Tipos de Lugar ............................................................................................................ 37 2 METODOLOGIA ...................................................................................................... 41 2.1 ANÁLISE DE CONTEÚDO ........................................................................................ 43 2.1.1 Coleta de dados e preparo das informações. ............................................................ 44 2.1.2 Unitarização ................................................................................................................ 45 2.1.3 Categorização .............................................................................................................. 45 2.1.4 Descrição e interpretação ........................................................................................... 47 3 CONTEXTO HISTÓRICO DE IMPLANTAÇÃO DA FERROVIA E FASES DA EVOLUÇÃO URBANA ......................................................................................................... 51 3.1 A ESTRUTURAÇÃO TERRITORIAL DE SANTA MARIA .................................... 51 3.2 SANTA MARIA E A FERROVIA .............................................................................. 55 3.3 EVOLUÇÃO URBANA .............................................................................................. 63 3.3.1 Primeira fase: ocupação do território ....................................................................... 63 3.3.2 Segunda fase: o advento da ferrovia ......................................................................... 74 4 A FERROVIA E A CONSTITUIÇÃO DOS LUGARES ....................................... 81 4.1 LUGARIZAÇÃO ......................................................................................................... 82 4.2 O LUGAR AVENIDA RIO BRANCO ......................................................................... 85 4.3 O LUGAR VILA OPERÁRIA BELGA ......................................................................... 89 4.4 O LUGAR BAIRRO OPERÁRIO ITARARÉ ............................................................. 100 5 DESCRIÇÃO E INTERPRETAÇÃO ...................................................................... 111 5.1 BAIRRO ITARARÉ .................................................................................................... 113 5.1.1 Estrutura .................................................................................................................... 113 5.1.2 Forma .......................................................................................................................... 116 5.1.3 Função ........................................................................................................................ 122 5.1.4 Processo ...................................................................................................................... 125 5.2 VILA OPERÁRIA BELGA ......................................................................................... 130 5.2.1 Estrutura .................................................................................................................... 130 5.2.2 Forma .......................................................................................................................... 134 5.2.3 Processo ...................................................................................................................... 140 5.3 AVENIDA RIO BRANCO ......................................................................................... 142 5.3.1 Estrutura .................................................................................................................... 142 5.3.2 Forma .......................................................................................................................... 145 5.3.3 Função ........................................................................................................................ 150 5.3.4 Processo ...................................................................................................................... 152 CONCLUSÃO............................................................................................................ 155 REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 165 ANEXOS .................................................................................................................... 175 ANEXO I ..................................................................................................................... 175 ANEXO II .................................................................................................................. 191.
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(29) 19. INTRODUÇÃO A estruturação do espaço urbano obedece a uma lógica, que pode ser caracterizada, em parte, como sendo resultante da articulação dos grupos econômicos sobre o espaço definindo sua ocupação e sua valorização e, a arquitetura, enquanto produção humana materializa as relações de poder através da atribuição do valor arquitetônico expresso em cada edifício. O produto entre a arquitetura e as relações de poder, expressas no espaço urbano, são elementos constituidores de lugar, entendido como possuidor de significado e percebido como parte distintiva do todo. Os estudos da área que investigam o espaço urbano, enquanto espaço construído, podem ser descritos de duas maneiras: a quantitativa – oriunda da lógica do processo matemático e a qualitativa – ligada a percepção urbana – que entende o espaço como resultante das relações sociais entre indivíduos que ocupam o mesmo território. Esta relação simbiótica estabelece diferentes níveis de benefícios dos quais cada indivíduo possa se valer. Essas proporções diversas de benefícios implicam numa estratificação social, que, dentre outras características, acabam por ser expressas pela arquitetura e pela estrutura do espaço urbano. A estruturação, via de regra, resulta em segregação espacial e social, considerando o poder econômico, status atribuído a diferentes grupos sociais. Este estudo tem como objetivo principal caracterizar como as relações de poder se materializaram na consolidação dos lugares a partir da instalação da ferrovia no espaço urbano de Santa Maria – RS, no final do século XIX. Como objetivos específicos pretende-se definir: Quais características arquitetônicas estavam presentes nas edificações residenciais do entorno da ferrovia e de que maneira essa materialidade reflete os grupos sociais que as ocupavam; de que maneira a lógica locacional indica a relação de poder entre os grupos sociais que ocupavam o entorno da ferrovia; quais características da estrutura urbana estavam expressas no entorno da ferrovia e em que medida elas conotavam a diferenciação social dos grupos que as ocupavam; de que maneira as relações implícitas de poder entre os grupos sociais que ocupavam o entorno da ferrovia podem ser remontadas a partir de uma análise de lugar. A hipótese principal que norteia o trabalho é que as características da arquitetura residencial, da estrutura urbana e dos aspectos locacionais em três sítios ocupados por três grupos sociais distintos economicamente, fixados no em torno da ferrovia de Santa Maria/RS, se diferenciam, materializando as relações de poder existentes, entre os grupos, no final do Séc. XIX e início do Séc. XX..
(30) 20. O recorte conceitual está baseado nas teorias sobre o poder abordadas pelos autores Bourdieu (2012) e Foucault (2012, 2010) e nas teorias sobre lugar tratadas pelos autores Castello (2007), Certeau (1998) e Santos (2006, 1982). Esta tese está estruturada em capítulos, sendo o Capítulo 1 composto pela fundamentação teórica, que busca nos autores referências sobre lugar e poder, e as interrelações decorrentes na estrutura do espaço urbano. O Capítulo 2 aborda a metodologia utilizada no trabalho. No Capítulo 3, contexto histórico e as fases de evolução urbana, referentes ao surgimento do território da cidade de Santa Maria e o processo de transformação que sofreu com a implantação da ferrovia, na segunda metade do século XIX, bem como as transformações que acarretaram no espaço urbano, no início do século XX. O Capítulo 4, trata sobre a ferrovia e a constituição dos lugares. Por último, o Capítulo 5 compõe-se da descrição e interpretação dos objetos de análise. As considerações finais encerram o trabalho. A base físico-espacial e sociopolítica do estudo é a cidade de Santa Maria, cujo território foi desmembrado de Cachoeira do Sul. A estruturação territorial ocorreu a partir de um posto indígena, denominado Guarda de Santa Maria que, na época, pertencia a uma Estância Missioneira, cujos padres influenciaram no nome da cidade. A Guarda de Santa Maria situava-se na região central do Rio Grande do Sul, sendo ponto estratégico e geográfico do Estado. (BELTRÃO, 2013, p.27). Os primeiros registros sobre a cidade estão associados à chegada, na região, em 15 de abril de 1787, do engenheiro e astrônomo José de Saldanha, comandando a Comissão Demarcadora de Limites entre Espanha e Portugal, cuja ação resultou do Tratado de Santo Ildefonso. O acampamento do oficial instalou-se à margem ocidental do passo do Arroio Santa Maria, hoje Passo da Areia, denominando-o como Rincão de Santa Maria. (BELÉM, 2000, p.23). Dentro desta base físico-espacial foram feitos três recortes, no período compreendido entre o final do século XIX e início do século XX, buscando identificar elementos distintivos no espaço urbano conforme a Figura 1:.
(31) 21. Figura 1 - Localização dos três recortes: Av. Rio Branco, Vila Belga e Bairro Itararé.. Fonte: Mapa elaborado por Hugo Gomes Blois Filho, com base na Carta1 da cidade de Santa Maria.. A Avenida Rio Branco, primeiro recorte, assim nominada a partir de 1908, teve como denominações anteriores Rua General Rafael Pinto, Rua Coronel Valença e Avenida Progresso, teve sua atual denominação associada ao Barão do Rio Branco, professor, político, jornalista, diplomata, historiador e biógrafo. A abertura da Avenida estava relacionada à necessidade de criar um eixo Sul-Norte, ligando, o então núcleo urbano à Ferrovia. Inicia-se na Praça Saldanha Marinho, importante espaço geopolítico-cívico, com trajeto Sul-Norte retilíneo e descendente chegando ao Largo da Gare (BELTRÃO, 2013). A Vila Belga, segundo recorte, situada ao Norte da cidade concentra-se em pouco mais de dois quarteirões. O primeiro é compreendido pela Av. Rio Branco e Ruas Manoel Ribas, Dr. Vauthier e Ernesto Becker, e o segundo pelas Ruas Manoel Ribas, André Marques, Ernesto Becker e Dr. Vauthier e, ainda, nos prolongamentos das Ruas André Marques e Dr. Vauthier, tendo como fundos o Largo da Gare da viação férrea. Trata-se de um conjunto horizontal de habitação operária coletiva, destinado a abrigar trabalhadores administrativos da Companhia Belga Compagnie Auxiliare des Chemins de Fer au Brésil e suas famílias, 1. Mapa do Município de Santa Maria. In: Plano Diretor do Município de Santa Maria/RS. Jul. 2004. Disponível em: <http://iplan.santamaria.rs.gov.br/uploads/paginadinamica/17820/anexoBmapasMunicipio.pdf>. Acesso em: 07 abr. 2018..
(32) 22. projetada pelo engenheiro belga Gustave Wauthier. Foi construída entre os anos de 19051909 (BELTRÃO, 2013). O terceiro recorte, abrange o bairro Itararé situado na porção Norte da cidade e limitado, à Sul, pela estrada de ferro; à Norte, pela serra geral; à Leste, pela Rua Euclides da Cunha e, à Oeste, pela Rua Sete de Setembro. A história do Bairro Itararé está intimamente ligada à história da ferrovia, em Santa Maria. Sua origem deu-se paralelamente à implantação da via férrea no final do século XIX, com a fixação dos primeiros obreiros que tinham como ofício a manutenção da estrada. A escolha do sítio para fixação de suas moradias estava relacionada à facilidade de acesso ao seu local de trabalho..
(33) 23.
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(35) 25. 1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Devido ao escopo desta proposta de trabalho, se fez proeminente a busca de aporte teórico específico, ou seja, dentre as diversas correntes existentes e os caminhos possíveis de percorrer, opta-se por autores que podem subsidiar esta pesquisa de maneira consistente, entre eles Tuan (1980), Zevi (2009), Castello (2007), Bourdieu (2012) e Foucault (2012). Para discutir as questões do poder, das representações e manifestações deste, da memória e do lugar, os autores possibilitam que suas conceituações se mantenham atuais e, neste caso, totalmente cabíveis. O poder de que falam Bourdieu (2012) e Foucault (2010, 2011, 2012), somado à ideia de panoptismo e dos elementos de controle deste último que, por sua vez, o conecta as culturas das classes populares de E.P. Thompson (1998), que pode ser observado através da visão sobre o meio ambiente de Yi-Fu Tuan (1980), entre outros, proporcionam um quadro teórico estruturado entre si e que se propõe a cumprir a difícil tarefa de articular História e Arquitetura. A obra de Bourdieu (2012) apresenta, como objetos de análise, as sociedades tribais, os sistemas de ensino, os processos de reprodução, os critérios de classificação e as lógicas de distinção, e, embora se situe na área das Ciências Sociais, tem influenciado os mais diversos campos do saber, incluído a História. Este autor focou os fenômenos da percepção sensorial, da produção simbólica e das relações informais de poder, elucidando conceitos como o de habitus2, reprodução, campo3 e poder simbólico, entre outros, e atestou que a dinâmica das distinções sociais não se restringe ao conflito simbólico, imposto por uma dada representação da sociedade, pois essa representação, num continuum, vê-se associada a novas práticas sociais, abandonando outras que, por sua vez, são apropriadas pelas camadas subalternas (BOURDIEU, 2012). Sendo assim, os objetos de análise de Bourdieu estão impregnados por relações de poder simbólico. Trabalhando com a questão do poder, mas, diferentemente dos demais autores que o enfocam, Foucault analisa o poder pelo seu exercício, e não pelo seu detentor. Nesse caso, o foco do estudo deixa de ser quem possui o poder e se transfigura para quais são os “efeitos de seu exercício”. (CAPELLE, et al., 2005). Segundo Capelle (et al.) o poder não é entendido 2. Habitus: princípio gerador e estruturador das práticas e das representações que podem ser objetivamente ”reguladas” e “regulares” sem o produto da obediência a regras, objetivamente adaptadas a seu fim sem supor a intenção consciente dos fins e o domínio expresso das operações necessárias para atingi-los e coletivamente orquestradas, sem ser o produto da ação organizadora de um regente”. BOURDIEU, Pierre. “Esboço de uma teoria da prática”. ORTIZ, Renato (org.). Pierre Bourdieu: sociologia. São Paulo, Ática, 1983, p. 60-61. 3 Campo, para Bourdieu, é o conjunto de instituições sociais, indivíduos e discursos que se sustentam mutuamente, a sociedade é composta por inúmeros campos que se sobrepõem – ex: campos da educação, da religião, etc. Campo é um universo social com propriedades bem definidas (NOGUEIRA; CATANI, 1998)..
(36) 26 como um “estado mental, mas como um conjunto de práticas sociais e discursos construídos historicamente que disciplinam o corpo e a mente de indivíduos e grupos”. (CAPELLE, et al, 2005). Para além do exercício de poder, o que entra em debate é também a capilaridade deste, “longe das formas regulamentares, centrais e legítimas por meio das quais é normalmente estudado” (CAPELLE, et al), buscando, assim, observar o funcionamento dos micropoderes e como eles se organizam na sociedade, condicionando o indivíduo, o tempo, o espaço, o corpo, os gestos e até as emoções.. 1.1 PODER A definição primária de poder, que consta em dicionários da língua portuguesa é: “Poder (do latim potere), literalmente, o direito de deliberar, agir e, também, a faculdade de exercer a autoridade, a soberania, ou o império de dada circunstância ou a posse do domínio, da influência ou da força”. (FERREIRA, 1988). Epistemologicamente, a definição não diverge da popular e é expressa por Poder: ter a faculdade de, ter a possibilidade de, direito de deliberar, faculdade de potestade 4, poder, autoridade, vigor. (FERREIRA, 1988). Conforme o dicionário de sociologia (PANSANI, 2011), poder é a probabilidade de impor a própria vontade, dentro de uma relação social, qualquer que seja o seu fundamento, eficaz mesmo contra toda resistência de seus destinatários (WEBER, 1991). Imposição por um centro ou núcleo social de padrões de conduta que devem ser obedecidos independentemente dos julgamentos de valor que se façam deles. O foco nas reações de força se justifica, uma vez que “as relações de força objetivas” tendem a se reproduzir nas visões de mundo social que contribuem para a permanência dessas relações. Para tanto, “é necessário reconstruir o trabalho histórico de que são produto as divisões sociais e a vida social dessas divisões” (BOURDIEU, 2012, p.145). Segundo Weber (1991) existe três tipos puros de dominação: legal, carismática e tradicional. A dominação legal está baseada em normas jurídicas, podendo ser criadas e modificadas desde que as mesmas estejam pré-estabelecidas. A dominação tradicional baseiase na crença nos poderes dos senhores, onde há o mandante e o obediente e, diferentemente da dominação legal, ela não é baseada na formalidade. Já a dominação carismática é dada em 4. Potestade: Poder, potência, força. Aquele que manda, tem autoridade..
(37) 27. virtude da devoção a um herói ou líder carismático, onde quem manda é o líder e o que obedece é o apóstolo. Poder traduz-se como o direito à deliberação e à tomada de decisões. O poder instituído pode ser entendido como uma transferência de soberania individual em favor do coletivo, onde os concessores readquirem parte da soberania outorgada por meio da participação no processo decisório. Por outro lado, o poder constituído ocorre pela imposição do outorgado sobre o outorgante, tirando-lhe o direito de deliberação e participação do processo decisório. Entretanto, conceber que as relações de poder residem unicamente na forma institucionalizada e lícita é um grande erro, pois existem relações de poder constituídas de maneira implícita e estas estão presentes em todas as relações sociais. Assim, pode-se falar que onde existe interação humana existe relação de poder. O poder simbólico de Bourdieu é conceituado como o poder de constituir o dado pela enunciação, de fazer ver e fazer crer, de confirmar ou de transformar a visão do mundo e, deste modo, a acção sobre o mundo, portanto o mundo; poder quase mágico que permite obter o equivalente daquilo que é obtido pela força (física ou econômica), graças ao efeito específico de mobilização, só se exerce se for reconhecido, quer dizer, ignorado como arbitrário. Isso significa que o poder simbólico não reside nos “sistemas simbólicos” em forma de uma “illocutionary force”, mas que se define numa relação determinada – e por meio desta – entre os que exercem o poder e os que lhe estão sujeitos, quer dizer, isto é, na própria estrutura do campo em que se produz e se reproduz a crença. (BOURDIEU, 2012, p.14).. O poder simbólico, por abstrato, só se efetiva se conscientemente aceito. Assim, compreende-se que é necessário saber descobri-lo onde se deixa ver menos, onde ele é mais completamente ignorado, portanto, reconhecido: “o poder simbólico é, com efeito, esse poder invisível o qual só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhe estão sujeitos ou mesmo quem o exerce”. É, portanto, um poder “de fazer ver e crer”, em outras palavras, é um poder que, aquele que está sujeito, dá àquele que o exerce. “Ele existe, porque aquele que lhe está sujeito crê que ele existe” (BOURDIEU, 2012, p. 7, 151 e 188). Segundo Bourdieu (2012, p.15): “[...] o poder simbólico, poder subordinado, é uma forma transformada, quer dizer, irreconhecível, transfigurada e legitimada, das outras formas de poder”. Na concepção de Foucault (2012), todas as formas de poder podem ser expressas no poder simbólico. Com relação ao poder simbólico, que se efetiva nas relações de comunicação Bourdieu registrou: Contra todas as formas do erro interacionista o qual consiste em reduzir as relações de força a relações de comunicação, não basta notar que as relações.
(38) 28. de comunicação são, de modo inseparável, sempre, relações de poder que dependem, na forma e no conteúdo, do poder material ou simbólico acumulado pelos agentes (ou pelas instituições) envolvidos nessas relações e que, como o dom ou o potlatch, podem permitir acumular poder simbólico. (BOURDIEU, 2012, p.11).. Isso, porque, para Bourdieu: Os símbolos são instrumentos por excelência da integração “social”: enquanto instrumentos de conhecimento e de comunicação, eles tornam possível o consensus acerca do sentido do mundo social que contribui fundamentalmente para a reprodução da ordem social: a integração “lógica” é a condição da integração “moral” (BOURDIEU, 2012, p.10).. A ideia de poder simbólico está inserida na noção de Campo de Poder, entendido como: “[...] as relações de força entre as posições sociais que garantem aos seus ocupantes um quantum suficiente de força social – ou de capital – de modo a que estes tenham a possibilidade de entrar nas lutas sociais pelo monopólio do poder”. (BOURDIEU, 2012, p.28). De fato, a noção de campo explica as lutas que têm lugar no campo intelectual, nas quais o que se disputa é a utilização “particular de uma categoria particular de sinais” e, consequentemente, “a visão e o sentido do mundo natural e social”. (BOURDIEU, 2012). Para esse autor, a estrutura de distribuição do capital e dos ganhos próprios dos diferentes campos particulares define a estrutura do campo social. A força simbólica das partes envolvidas na luta que daí decorre depende, de certa maneira, da posição em que os atores sociais se encontram. O mundo social resulta, em boa parte, das ações dos agentes, que somente poderão desfazê-lo ou refazê-lo senão “tomando por base um conhecimento realista do que ele é e das possibilidades de ação sobre ele, em razão da posição que ocupam” (BOURDIEU, 2012, p.150). Assim, não só as relações objetivas entre as diferentes posições no campo social devem ser avaliadas, mas, também, aquelas que foram estabelecidas pela mediação do habitus, ou seja, entre os que ocupam o espaço social e os pontos de vista dos que participam desse espaço. Nesse contexto, a noção de habitus, assim como a de agente, “abrange capacidades criadoras, inventivas e ativas, indicando uma disposição incorporada, um agente em ação” (BOURDIEU, 2012, p.61). Entretanto, Bourdieu admite a possibilidade de “destruição” deste poder, mediante a tomada de consciência da arbitrariedade de sua constituição, pela revelação da verdade objetiva e aniquilamento da crença, evidenciando, assim, o poder potencial daqueles que lhe estão subjugados..
(39) 29. Segundo Bourdieu é através da luta simbólica que se impõe a definição do mundo social: [...] “As diferentes classes e facções de classes estão envolvidas numa luta propriamente simbólica para imporem a definição do mundo social mais conforme aos seus interesses, e imporem o campo das tomadas de posições ideológicas reproduzindo de forma transfigurada o campo das posições sociais” (BOURDIEU, 2012, p.11). Esta luta travada pode ser conduzida pelos conflitos simbólicos da vida cotidiana, por procuração ou pelos especialistas da produção simbólica. Tanto Bourdieu (2012) quanto Foucault (2010, 2011, 2012) apesar das diferenças quanto à dominação (dominação simbólica ou múltiplas dominações), convergem suas ideias no que diz respeito à existência dessa dominação e às relações de poder efetivas na sociedade. Foucault reconheceu na sociedade diversos mecanismos que, pela similitude das influências exercidas sobre determinadas parcelas da sociedade, apresentam algum tipo de parecença com as prisões. Entre eles são mencionados fábricas, casernas, escolas e hospitais. Ao relacionar os mecanismos de controle presentes na sociedade, estabelece a ligação entre panóptico e panoptismo – neologismo criado pelo autor que representa o controle/vigilância presentes em nossa sociedade (Figuras 2 e 3). No final do século XVIII, segundo Foucault (2012), iniciou-se um processo de disseminação de dispositivos disciplinares, a exemplo do panóptico. O filósofo e jurista inglês Jeremy Bentham concebeu pela primeira vez a ideia do panóptico. Para isto Bentham (2008), estudou “racionalmente” o sistema penitenciário. Criou então um projeto de prisão circular, onde um observador central poderia ver todos os locais onde houvesse presos, eis o Panóptico. Foucault também observou que este mesmo projeto de prisão poderia ser utilizado em escolas e no trabalho, como meio de tornar mais eficiente o funcionamento daqueles locais. Tais dispositivos constituiriam um conjunto de sistemas que permitiria uma vigilância e um controle social cada vez mais eficiente, porém, não necessariamente com os mesmos objetivos “racionais” desejados por Bentham, com base num controle físico onde o edifício exercia, através de sua organização espacial, a possibilidade de vigilância total daqueles que deveriam ser vigiados..
(40) 30. Figura 2 - O Panóptico de Jeremy Bentham. A prisão onde o preso está sempre visível, sempre sob a vigilância e o poder do Estado.. Referindo-se ao "panóptico" Jeremy Bentham, seu inventor, disse: O principal efeito do Panóptico é induzir no detento um estado de consciência da sua visibilidade permanente que assegura o funcionamento automático do sistema. Portanto, a vigilância é permanente em seus efeitos, mesmo se é descontínua em sua ação; [...] Em suma, os presos devem estar em uma situação de submissão, são eles próprios seus opressores. Não há necessidade de ver o olhar vigilante, apenas supor a sua existência.. Fonte: https://aeradopanoptico2011.wordpress.com/2010/12/05/o-pos-panoptico-chegou/. Figura 3 - Interior da penitenciária de Stateville, Estados Unidos, século XX. A ilustração demonstra o controle sobre o espaço e, por conseguinte dos apenados. Com base em uma planta circular é possível perceber-se, ao centro, a guarita do funcionário responsável pela segurança. A estrutura em aço, que cobre o vão, elimina a presença de qualquer pilar que pudesse obstruir a visão, ao mesmo tempo em que, através da cobertura translúcida, a iluminação natural penetra no interior do espaço, melhorando as condições de controle e vigilância. Fonte: https://aeradopanoptico2011.wordpress.com/2010/12/05/o-pos-panoptico-chegou/. No panoptismo, uma sujeição real surge mecanicamente de uma relação fictícia. De sorte que não é necessário recorrer à força para obrigar o condenado, o louco à calma, o.
(41) 31. operário ao trabalho, o estudante à aplicação, o doente à observação das recomendações. (FOUCAULT, 2011, p. 9). O panoptismo permite experimentar tratamentos médicos, pedagógicos, punitivos, tecnológicos e produzir corpos dóceis. Nietzsche (1997) enfatizou o papel central do poder em toda atividade humana. Foucault sugeriu que o surgimento de qualquer sistema de conhecimento está relacionado com a modificação no poder. A economia, a sociologia e até a própria ciência, em sua totalidade é passível de tal motivação. (FOUCAULT, 2011). Ao considerar a complexa tarefa de analisar e/ou estabelecer relações entre arquitetura e poder, os questionamentos de Yi-Fu Tuan se fazem recontextualizados e necessários para atingir o objetivo proposto.. Quais são nossas visões do meio ambiente físico, natural e humanizado? Como o percebemos, estruturamos e avaliamos? Quais foram, e quais são os nossos ideais ambientais? Como a economia, o estilo de vida e o próprio ambiente físico afetam as atitudes e valores ambientais? Quais são os laços entre meio ambiente e visão do mundo? (TUAN, 1980, p.2).. Tais questões levam a considerar a diversidade e a subjetividade humana implicadas nas relações estabelecidas entre homem e ambiente.. 1.1.1 Sistema simbólico de representação e dominação O conhecimento da representação simbólica de um grupo social, torna-se um meio para compreender o poder de determinado espaço social e, o modo como às representações de signos ou símbolos tornam-se armas de combate entre grupos opostos e concorrentes, pela busca de legitimidade, de modo que estas representações passam a compor o imaginário social de determinado grupo. O homem está intrinsecamente ligado à sua experiência no espaço construído. Considera-se que há uma influência indissociável entre o que indivíduo é e faz, e o meio no qual está inserido. O sentido que o ser humano confere ao ambiente é uma síntese de muitos estímulos associados à sua experiência, ou seja, é por meio de suas experiências passadas, de sua cultura, de suas práticas sociais e de seus sentidos, que o indivíduo atribui significados ao ambiente que o cerca. À luz da compreensão dessa simbiose entre homem e ambiente, faz-se necessário perceber arquitetura e urbanismo pela perspectiva, tanto da materialidade, quanto da psiquê..
(42) 32. A percepção é gerada a partir da experiência, individual ou coletiva, com base na qual a mente agrega valores socioculturais e pessoais ao atribuir significado ao ambiente à sua volta. Por isso, apesar de os seres humanos terem os mesmos órgãos dos sentidos e, por vezes, partilharem o mesmo meio, o modo com que suas capacidades são usadas e desenvolvidas diverge e transforma-se ao longo do tempo, originando diferentes atitudes em relação ao espaço construído. Os símbolos [...] são os instrumentos por excelência da “integração social”, enquanto instrumentos de conhecimento e de comunicação [...], eles tornam possível o consensus acerca do sentido do mundo social, o que contribui, fundamentalmente, para a reprodução da ordem social: a integração “lógica” é a condição da integração “moral”. (BOURDIEU, 2012, p.10).. Isso porque, os símbolos de poder, em geral, entre os quais se incluem a arquitetura e urbanismo são “capital simbólico objetivado”, e suas condições de eficácia estão subordinadas às mesmas condições de eficácia do poder simbólico. Arquitetura e urbanismo têm a capacidade de explicitar, de dar publicidade, de tornar visível o poder, possibilitando que as relações de forças objetivas se reproduzam nas relações de força simbólicas.. Na luta pela imposição da visão legítima do mundo social, em que a própria ciência está inevitavelmente envolvida os agentes detêm um poder à proporção de seu capital, quer dizer, em proporção ao reconhecimento que recebem de um grupo. (BOURDIEU, 2012, p.145).. É como se arquitetura e urbanismo produzissem um discurso performativo, que pretende fazer sobreviver o que ele enuncia no próprio ato de enunciá-lo, cuja eficácia é proporcional à autoridade daquele que o enuncia (BOURDIEU, 2012). A luta simbólica, em que as diferentes classes ou frações de classes estão envolvidas, objetiva o poder de definir o mundo social, conforme os seus interesses e de, em última análise, reproduzir o campo das posições sociais. As tomadas de posição ideológica dos dominantes são estratégias de reprodução que tendem a reforçar, dentro da classe e fora da classe, a crença na legitimidade da dominação de classe. (BOURDIEU, 2012). Elas podem conduzir essa luta quer diretamente nos conflitos simbólicos da vida cotidiana, quer por procuração, por meio da luta travada pelos especialistas da produção simbólica (produtores a tempo inteiro) e na qual está o jogo da violência simbólica legítima (cf. Weber) [...] O campo de produção simbólica é um microcosmo da luta simbólica entre as classes: é ao servirem os seus interesses na luta interna do campo de produção (e só nessa medida) que os produtores servem os interesses dos grupos exteriores ao campo de produção. (BOURDIEU, 2012, p. 11)..
(43) 33. No grupo dominante é perceptível uma luta pela hierarquia dos princípios de hierarquização, as frações dominantes, cujo poder se assenta no capital econômico. Estas têm em vista impor a legitimidade da sua dominação, quer por meio da própria produção simbólica, quer por intermédio dos ideólogos conservadores, os quais só verdadeiramente servem aos interesses dos dominantes por acréscimo, ameaçando sempre desviar, em seu proveito, o poder de definição do mundo social que detêm por delegação. “[...] A fração dominada (letrados ou intelectuais e artistas, segundo a época) tende sempre a colocar o capital específico a que ela deve a sua disposição, no topo da hierarquia dos princípios de hierarquização”. (BOURDIEU, 2012, p.11). Os sistemas ideológicos, configurados como poder simbólico, que os especialistas produzem para a luta pelo monopólio da produção ideológica legítima, são instrumentos de dominação estruturantes, pois que estão estruturados, reproduzem sob forma irreconhecível, por intermédio da homologia entre o campo da produção ideológica e o campo das classes sociais, “a estrutura do campo das classes sociais”. (BOURDIEU, 2012, p.12). O reconhecimento do poder simbólico só ocorre [...] na condição de se descreverem as leis de transformação que regem a transmutação das diferentes espécies de capital em capital simbólico e, em especial, o trabalho de dissimulação e de transfiguração (numa palavra, de eufemização) que garante uma verdadeira transubstanciação das relações de força fazendo ignorar-reconhecer a violência que elas encerram objetivamente e transformando-as, assim, em poder simbólico, capaz de produzir efeitos reais sem dispêndio aparente de energia. (BOURDIEU, 2012, p.15).. O autor reconheceu a existência de um sistema de dominação que, embora de difícil reconhecimento, pois se apropria de elementos invisíveis, não físicos. Mas, uma vez apropriados, esses elementos produzem a transformação ou o uso da ideologia como transfiguradora e estruturadora de um poder invisível – o poder simbólico.. 1.2 LUGAR Definir conceito de lugar de forma abrangente é uma difícil tarefa, uma vez que lugar pode ser apresentado como uma parte do todo. O conjunto de ciências que analisam e definem questões relativas a lugar têm de considerar, para além das condições mais específicas que lhes são pertinentes, características morfológicas espaciais concretas e as várias concepções.
(44) 34. sobre o termo que nos obrigam a, no mínimo, abordar questões de ordem sociológica e filosófica na definição de lugar. Mesmo quando consideramos conceitos de ordem sócio filosófica, para identificar a existência de lugar, não podemos desconsiderar a presença de uma base físico espacial que identifica um lugar. Portanto, o conceito de lugar não é abstrato, está estruturado em elementos concretos associados aqueles que de forma mais abstrata lhe dão suporte teórico na sua identificação. Lugar pode ser definido como a porção que adquire características que a distinguem do todo. É o conjunto simbólico dos elementos do lugar que o torna distintivo. Assim, o lugar é expressivo e possuidor de aura5, espírito e tempo. O que começa como espaço indiferenciado transforma-se em lugar à medida que o conhecemos melhor e o dotamos de valor. O espaço passa a ser identificado como lugar quando adquire definição e significado. Castello (2007, p.2), em relação ao conceito de “lugar”, afirma que “[...] não há uma definição única com a qual definir lugar: lugar é daqueles conceitos que, como paixão, têm sua definição prejudicada quando posto em palavras”. Isso se deve, principalmente, às várias áreas de conhecimento a que se vinculam os pesquisadores que trabalham com esse conceito e pelas quais se orientam. Entretanto, há um consenso entre eles de que o estudo do lugar requer contribuições interdisciplinares com implicações transdisciplinares. O significado de lugar, mesmo ancorado em atividades e configurações físicas, não é propriedade dessas características, mas, das intenções e experiências humanas (RELPH, 1976). Reforçando tais posições, Castello afirmou: Na verdade, é um conceito que opera num cruzamento multidisciplinar, tocando em interfaces que o conectam a fatores humanos, sociais e econômicos. Deste modo, é usual encontrar as várias disciplinas envolvidas no campo abordando o tema de lugar de acordo com o rationale individual inerente a cada disciplina. Pode-se dizer, assim, que há uma interpretação psicológica do conceito, uma interpretação arquitetônico-urbanística, uma interpretação antropológica, e assim sucessivamente. As interpretações, quando individualizadas em suas respectivas disciplinas, não são, entretanto, suficientemente abrangentes como o conceito exige. (CASTELLO, 2007, p.5).. Yu-Fu Tuan (1980) como geógrafo, referindo-se à importância da contribuição de enfoques da geografia, nas abordagens interdisciplinares dos estudos relativos a lugar, tais como percepção ambiental, análise da paisagem, simbolização, cultura e aculturação, 5. Pode-se partir por registrar um lugar da aura natural, onde predomina a afloração do genius loci natural; e seguir, progressivamente, ao longo de uma gradação que nos irá conduzir a um lugar da aura cultural, onde claramente predominam as marcas deixadas por uma ação humana. (CASTELLO, 2007. p. 20)..
(45) 35. empregou o termo topofilia, relacionando-o a diversos conceitos pertinentes à percepção ambiental, no sentido de caracterizar o apego ao lugar. Tratou do amor e de laços do indivíduo com determinado lugar e a influência desses sentimentos na percepção, estruturação e avaliação do ambiente. O enfoque humanista e seu conceito de topofilia fazem-se úteis porque possibilitam que aspectos da percepção de lugar sejam considerados, sem preterir o rigor e a objetividade científicos, proporcionando uma visão das implicações subjetivas, possivelmente, neles contidas. O lugar representa o compartilhamento do cotidiano entre as mais diversas pessoas, firmas e instituições. Cooperação e conflito são a base da vida em comum, afirma Milton Santos (2006). Cada indivíduo exerce uma ação própria, a vida social se individualiza; e a contiguidade é criadora de comunhão. O lugar é o quadro de uma referência pragmática do mundo, do qual lhe vêm solicitações e ordens precisas de ações condicionadas, mas é também o teatro insubstituível das paixões humanas, responsáveis, através da ação comunicativa, pelas mais diversas manifestações de espontaneidade e da criatividade. (SANTOS, 2006, p. 322).. Nesse sentido, tendo como enfoque o papel que pode representar o lugar na vida humana, deve-se associá-lo a características que contribuem para a ordem e o bem estar social. Para Castello (2007, p.56), “Lugar é um componente crítico para o bem estar humano por diversas razões: (1) Provê uma base para a congregação humana; (2) localiza o desenvolvimento econômico e o consumo; (3) é o lócus da representação política; e (4) é o palco onde as políticas públicas atuam sobre as pessoas”. E acrescenta:. Lugar em Arquitetura-Urbanismo pode ser entendido como um conceito que se expressa através da percepção de lugar, que as pessoas sentem nos ambientes aos quais conhecem por suas experiências de vida. Ao fim e ao cabo, lugar é um conceito entendido em seu sentido de denotar uma qualificação que se atribui a um espaço através da percepção de suas potencialidades, objetivas e subjetivas (físicas e psicológicas) para a realização de experiências existenciais. Ou, como gostamos de ensaiar, em termos gerais, pode-se dizer que lugar, na teoria arquitetônico-urbanística, é uma criação morfológica ambiental, imbuída de significado simbólico para seus usuários. (CASTELLO, 2007, p.116).. Há que se considerar, portanto, as inter-relações estabelecidas entre ser humano e lugar, as quais representam concretude, acolhimento e bem-estar, o que, numa dimensão particularizada, difere das ideias que se tem a respeito de espaço..
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