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Educação ambiental e o empoderamento da pessoa com deficiência na universidade

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Academic year: 2021

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(1)

UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS

FACULDADE DE TECNOLOGIA

FATIMA APARECIDA ALVES GUERRA

EDUCAÇÃO AMBIENTAL E O EMPODERAMENTO DA

PESSOA COM DEFICIÊNCIA NA UNIVERSIDADE

LIMEIRA

2016

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EDUCAÇÃO AMBIENTAL E O EMPODERAMENTO DA

PESSOA COM DEFICIÊNCIA NA UNIVERSIDADE

Dissertação apresentada à Faculdade de Tecnologia da Universidade Estadual de Campinas como parte dos requisitos exigidos para a obtenção do título de Mestra em Tecnologia, na Área de Tecnologia e Inovação.

Orientadora: Profa. Dra. Lubienska Cristina Lucas Jaquiê Ribeiro Coorientadora: Profa. Dra. Ivani Rodrigues Silva

ESTE EXEMPLAR CORRESPONDE À VERSÃO FINAL DA DISSERTAÇÃO DEFENDIDA PELA ALUNA FÁTIMA APARECIDA ALVES GUERRA, E ORIENTADA PELA PROFA. DRA. LUBIENSKA CRISTINA LUCAS JAQUIÊ RIBEIRO.

LIMEIRA 2016

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Educação Ambiental e o Empoderamento da Pessoa com Deficiência na Universidade.

Fatima Aparecida Alves Guerra

A Banca Examinadora composta pelos membros abaixo aprovou esta Dissertação:

________________________________________________________________________ Profa. Dra. Lubienska Cristina Lucas Jaquiê Ribeiro

FT-UNICAMP Presidente

_________________________________________________________________________ Profa. Dra. Mônica Cristina Martinez de Moraes

PUC-Campinas

_________________________________________________________________________ Prof. Dr. Rafael Souza de Faria

PUC-Campinas

Ata da defesa com as respectivas assinaturas dos membros encontra-se no no processo de vida acadêmica da aluna.

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Dedico este estudo a todas as pessoas que tem algum tipo de deficiência, pois espero que este possa servir de incentivo para aqueles que não se sentem inseridos na sociedade.

Dedico este estudo a todos que em algum momento queiram compartilhar de idéias inclusivistas e possam se nortear pelo presente estudo.

Dedico este estudo aos amigos que convivem com a falta de cidadania daqueles que se intitulam “normais”.

Dedico este trabalho às pessoas que não sabem o significado da palavra Deficiente, e para ilustrar o que e a deficiência trasncrevo abaixo o trecho de um autor desconhecido.

Se você deixa de ver a pessoa, vendo apenas a deficiência, quem é o cego?

Se você deixa de ouvir o grito do seu irmão para a justiça, quem é o surdo?

Se você não pode comunicar-se com sua irmã e a separa, quem é o mudo?

Se sua mente não permite que seu coração alcance seu vizinho, quem é o deficiente mental?

Se você não se levanta para defender os direitos de todos, quem é o aleijado?

A atitude para com as pessoas deficientes pode ser nossa maior deficiência.

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Sempre deixamos por último o agradecimento, por acreditar ser a parte mais fácil da dissertação. Será? Ao me deparar com a página em branco vem o temor de esquecer alguém que contribuiu para que esta pesquisa fosse realizada. Se caso alguém não for citado aqui, não foi porque sua contribuição foi menos importante e sim pela euforia de conclusão de um objetivo. Antecipadamente me desculpo se você não foi citado neste momento, mas saiba que agradeço tanto quanto aqueles citados.

Inicio meus agradecimentos não por ordem de importância, mas por ordem de desafio, agradeço aqueles que não acreditaram que a tecnologia vai além da criação de um software, pois sem a visão cartesiana desta pessoa incrédula eu não teria ido em busca de demonstrar que tudo esta interligado, que somos todos responsáveis pelo meio em que vivemos para torna-lo socialmente mais justo.

Uma vez trabalhando na secretaria de pós graduação pude perceber a nobre função da pesquisa e que poderia levar novos conhecimentos à população, melhorando a qualidade de vida das pessoas com deficiência que estão e que poderão vir a frequentar a universidade. Agradeço aos gestores da Faculdade de Tecnologia –FT que possibilitaram, com remanejamento de horário de trabalho, para conclusão das disciplinas e da pesquisa.

Tenho a agradecer ao Prof. e sempre Amigo Joaquim Lazari, por acreditar que é possível desenvolver uma pesquisa de tecnologia social, e pelas longas e produtivas conversas sobre a problemática da pessoa com deficiência.

Na área de Ensino, tive a oportunidade de participar de um simpósio sobre inclusão, onde conheci minha co-orientadora Profa. Dra. Ivani Rodrigues, pessoa especial que aceitou juntamente com minha orientadora, Profa. Dra. Lubienska Ribeiro embarcar neste desafio da pesquisa, obrigada as duas pelo apoio, dedicação e valiosa orientação.

Não posso deixar de agradecer também a Profa. Dra. e amiga Elaine Poleti que sempre emprestava seus ouvidos nos meus momentos de desespero e quando solicitada sempre esteve disposta a dar uma última lida em um artigo, obrigada. A Prof. Angêlica Foganholo, que me incentivou a me preparar para a proficiência em inglês e incentivadora da aprendizagem de uma segunda língua. Ao Prof. Dr. e atual coordenador Ivan de Oliveira por me ouvir reclamar da

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Agradeço ao Prof. Dr. Sandro Tonso e seu orientado Wagner Luz, pelas dicas de referências bibliográficas e debates sobre educação ambiental que possibilitaram que eu compreendesse qual corrente de educação ambiental deveria seguir na minha pesquisa.

Aos integrantes da Banca de Qualificação, Prof. Dr. Gustavo Massaro Onusic, Profa. Profa. Dra.Mônica Cristina Martinez de Moraes, Prof. Dr. Vilson Zattera e Profa. Dra Zelia Zilda Lourenço de C. Bittencourt, e aos integrantes da Banca de Dissertaçao: Profa. Dra.Mônica Cristina Martinez de Moraes, Prof. Dr. Vilson Zattera e Prof. Dr. Rafael Souza de Faria pelas sugestões e correções, as quais foram relevantes para a conclusão desta dissertação.

Estendo meus agradecimentos aos amigos e funcionários da DAC, em especial ao Coordenador Antonio Faggiani, aos analistas Silvio Souza e Fabricio Borges que forneceram os dados para a pesquisa. E aos funcionários da Faculdade de Tecnologia – FT que direta ou indiretamente contribuiram para conclusão deste desafio.

Meu agradecimento especial a amiga irmã, Marcia Leal, pela troca de conhecimentos e pela companhia durante a última etapa do mestrado.

Agradeço aos amigos que me tiraram da rotina acadêmica, para uma pizzada, uma viagem ou simplesmente um bom bate papo: Amanda Cunha, Felipe Lima, Felipe Koji, Jade Mourão, Juliana Silva, Laura Beatriz Alves, Luiz Ariovaldo Fabri Junior, Osvaldo Torezan Neto e Vladimir Fazio, obrigada pelas conversas inesquecíveis.

Não posso deixar de destacar um agradecimento especial aos amigos que além da parte lúdica contribuiram na minha pesquisa. Ao amigo Osvaldo com seu jeito espalhafatoso e reclamão dava palpites nos meus gráficos, para que não ficassem parecidos com lona de um circo. Ao amigo Juninho que ficava até de madrugada dando apoio quando algo dava errado. A amiga Laura que tem leitura dinâmica e muito contribuia nas nossas tardes de discussão e finalmente ao amigo Vladimir que e chamado carinhosamente de ancião, e sempre teve uma palavra amiga quando eu estava desanimada e muito contribuiu para minhas reflexões. A todos vocês meu muito obrigada e eu agradeço por permitirem que eu faça parte das suas vidas e sei que nossa amizade sempre será para além da vida acadêmica.

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Meu agradecimeto especial vai para aqueles que fazem parte da minha origem, minha mãe Elisa e meu pai Antonio (in memoriam), que além de sempre zelarem pela minha educação, me deram o sentido da vida e sempre estiveram presentes apesar das dificuldades.

Agradeço as minhas irmãs que sempre entenderam minha ausência nos almoços de domingo e em alguns eventos da familia. Obrigada por mandarem a sobremessa especial que eu perdi por estar dedicada aos estudos.

Agradeço ao meu único e incondicional amor da minha vida, minha filha Thais que é o meu maior e melhor desafio que Deus me enviou. Agradeço a ela que me incentivou em continuar os estudos juntamente com o Delcio, que sempre esteve presente em nossas vidas. Vocês fizeram eu acreditar que sou capaz de concluir esta pesquisa.

Este período me fez refletir o sentido da palavra família. E chego a conclusão que familia não e viver sobre o mesmo teto e sim partilhar momentos de carinho, sorrisos e cumplicidade. Não precisei pesquisar, mas sim sentir que somos uma familia! Sou grata por ter vocês ao meu lado mesmo que distante.

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“Temos o direito de ser iguais sempre que a diferença nos inferiorizar; temos o direito de ser diferentes sempre que a igualdade nos descaracteriza”.

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A inclusão e permanência de alunos com deficiência na universidade é uma batalha que vai além da expectativa de acesso arquitetônico, e cumprimento de leis. A barreira atitudinal e a falta de empoderamento da pessoa com deficiência são obstáculos que devem ser vencidos. Este trabalho teve como objetivo discutir como ações podem ser estimuladas a partir da Educação Ambiental (EA) como metodologia de intervenção para inclusão, permanência e acessibilidade à universidade, cenário de um Meio Ambiente comportamental e popular. Para discutir essas ações foram usados dados da Comissão de Vestibulares (Comvest) e Diretoria Acadêmica (DAC) da Unicamp. A pesquisa pode concluir que algumas ações podem ser tomadas: ações de conscientização com a comunidade acadêmica por meio da EA para vencer as resistências as diferenças, divulgação dos programas existentes, integração com a diretoria acadêmica (DAC) e investimento em programas de permanência na universidade sem o cunho assistencialista. Aponta ainda a importância do empoderamento dos alunos com deficiência para se fazer presente e participativo na construção de condições favoráveis para o exercício da sua independência e autonomia, tudo por meio da EA. Embora os alunos com deficiência ainda sejam considerados minoria, e na interação com eles que a unversidade será desafiada a buscar soluções e debater os rumos que se deve tomar para transformar a universidade cada vez mais em um ambiente inclusivo e despido de pré-conceito frente às diferenças.

Palavras-chave: inclusão, educação ambiental, empoderamento, tecnologia assistiva, acessibilidade.

(11)

Inclusion and retention of students with disabilities at the university is a battle that goes beyond the expectations of architectural access, and compliance with laws. The attitudinal barrier and lack of empowerment of the disabled person are obstacles that must be overcome. This study aimed to discuss how actions can be stimulated from the Environmental Education (EE) as an intervention methodology for inclusion, permanence and accessibility to university setting of a medium behavioral and popular environment. To discuss these actions were used Vestibular Commission data (Comvest) and Academic Board (DAC) of Unicamp. The research may conclude that some actions can be taken: awareness actions with the academic community through EA to overcome resistance differences, dissemination of existing programs, integration with the academic board (DAC) and investment in residence programs at the university without the paternalistic nature. also points out the importance of empowerment of disabled students to be present and participating in the construction of favorable conditions for the exercise of their independence and autonomy, all through the EA. Although students with disabilities are still considered minority, and interaction with them that unversidade will be challenged to find solutions and discuss the direction that should be taken to transform the university increasingly in an inclusive environment and stripped of preconception front of differences.

Keywords: inclusion, environmental education, women's empowerment, assistive technology, accessibility.

(12)

2 OBJETIVO... 3

2.1 Objetivos Específicos... 3

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA... 4

3.1 Evoluções na Terminologia... 4

3.2 Legislação e Políticas Públicas... 11

3.3 Empoderamento... 14

3.4 Tecnologia Assistiva... 17

3.5 Categorias de Tecnologia Assistiva... 21

3.6 Eduacação Ambiental – EA... 27

3.6.1 Novas classificações de EA... 29

3.6.1.1 Educação Ambiental Comportamental... 29

3.6.1.2 Educação Ambiental Popular... 30

4 METODOLOGIA... 33 4.1 Materiais de Métodos... 33 5 ESTUDO DE CASO... 34

5.1 História da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP... 34 5.2 Acessibilidade na UNICAMP... 35 6 RESULTADOS... 39 6.1 A Evasão na UNICAMP... 42

(13)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 51

ANEXO 1... 55

ANEXO 2... 59

LISTA DE FIGURAS

Figura 1. Talher adaptado... 21

Figura 2. Garfo adaptado... 21

Figura 3. Bastão para vestuário... 21

Figura 4. Cadarço elástico para tênis... 21

Figura 5. Tesoura adaptada... 22

Figura 6. Adaptação para canetas... 22

Figura 7. Computador com software específico... 22

Figura 8. Computador com software específico... 22

Figura 9. Computador com lente de aumento... 23

Figura 10. Teclado especial... 23

Figura 11. Banheiro adaptado... 23

Figura 12. Equipamentos eletrônicos de acessibilidade... 23

Figura 13. Ortese... 24

Figura 14. Prótese... 24

Figura 15. Muletas corretivas... 25

Figura 16. Andador para crianças. ... 25

Figura 17. Aparelho de Surdez... 25

Figura 18. Placas em braille. ... 25

Figura 19. Ônibus coletivo adaptado. ... 26

Figura 20. Veículo particular adaptado. ... 26

Figura 21. Cadeira de rodas adaptada para esporte. ... 26

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Tabela 1. Deficiêntes Vistos como Inválidos... 5

Tabela 2. Deficientes Incapacitados... 5

Tabela 3. Os Defeituosos, Deficientes e Excepcionais... 6

Tabela 4. Pessoas Deficientes... 7

Tabela 5. Pessoas Portadoras de Deficiência... 7

Tabela 6. Pessoas com Necessidades Especiais/Pessoas Especiais... 8

Tabela 7. Pessoas Portadoras de Direitos Especiais – PODE... 9

Tabela 8. Pessoas com Deficiência – Terminologia Atual... 9

Tabela 9. Principais Leis que se aplicam a Pessoa com Deficiência... 14

Tabela 10. A Unicamp em Números Ano 2014... 35

Tabela 11. Candidatos com Deficiência que Prestaram o Vestibular no Período de 2005 a 2010... 39

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Gráfico 1. Discentes com Deficiência Matriculado na DAC... 40

Gráfico 2. Tipos de Deficiência no Período de 2005 a 2010... 41

Gráfico 3. Discentes com Deficiência Matriculados na Graduação/Pós-Graduação... 42

Gráfico 4. Evasão dos Discentes com Deficiência no Período de 2005 a 2010... 43

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ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas.

ADA Americans with Disabilities Act. The Americans with Disabilities Act. AINDA Associação Integrada dos Deficientes e Amigos.

ATACP Aplicações da Tecnologia Assistiva. ATDs Assistente Técnico de Direção. ATUs Assistente Técnico de Unidade.

BC Biblioteca Central.

CAA Comunicação Aumentativa e Alternativa.

CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. CAT Comitê de Ajudas Técnicas.

CEDIPOD Centro de Documentação e Informação do Portador de Deficiência. CEPRE Centro de Estudos e Pesquisas em Reabilitação.

CESET Centro Superior de Educação Tecnologica. COMVEST Comissão de Vestibulares.

CORDE Coordenadoria Nacional de Integração da Pessoa Portadora de Deficiência.

COTIL Colegio Técnico de Limeira.

DAC Diretoria Acadêmica.

EA Educação Ambiental.

ENEM Exame Nacional do Ensino Médio. EUA Estados Unidos da América. FCA Faculdade de Ciências Aplicadas. FCM Faculdade de Ciências Médicas. FIES Fundo de Financiamento Estudantil. FOP Faculdade de Odontologia de Piracicaba.

FT Faculdade de Tecnologia.

GR Gabinete do Reitor.

GT Grupo de Trabalho.

(17)

LEPED Laboratório de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira.

MEC Ministério da Educação.

ONG’ s Organização Não-Governamental. ONU Organização das Nações Unidas.

PAAIS Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social. PNEA Política Nacional de Educação Ambiental. PRG Pró Reitoria de Graduação.

PROESP Programa de Apoio a Educação Especial. PROUNI Programa Universidade para Todos. SAE Seviço de Apoio ao Estudante.

SEDH/PR Secretaria Especial Dos Direitos Humanos/Paraná. SEESP Secretaria de Educação Especial.

SISNEA Sistema Nacional de Educação Ambiental.

TA Tecnologia Assistiva.

UNB Universidade de Brasília.

UNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

UNICAMP Universidade Estadual de Campinas.

CDPD Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. PODE Portadores de Direitos Especiais.

(18)

1 INTRODUÇÃO

A inserção do deficiente na sociedade e no campo universitário traz embutidas questões de teor diverso, tais como a estagnação de uma sociedade excludente que vem desde a antiguidade ignorando a existência de grupos de pessoas como os índios, negros e os deficientes.

No trato dessa temática da deficiência se faz necessário aprender particularidades inerentes à pessoa com deficiência que a torna diferente de outras pessoas tidas como normais. Estas particularidades vão desde um simples acesso a um banheiro em um estabelecimento público até sua inclusão em um ambiente escolar, ações simples que são consideradas extremamente significativas e afetam diretamente a integração da pessoa com deficiência no campo social e pessoal. Por estar dissociada do padrão tido como “normal”, em alguns casos, essa pessoa é identificada como anormal pela sociedade.

Na antiguidade as pessoas que nasciam com algum tipo de deficiência eram abandonadas a própria sorte. Existia um culto ao corpo perfeito, e para a sociedae da época a pessoa não tinha valor e sim a sua aparência. Neste período acreditava-se no misticismo e a pessoa com deficiência poderia ser considerado supra-humano ou infra-humano.

Com a influência da igreja católica, na idade média a deficiência passa a ser um fenômeno espiritual e metafísico, ou seja, espiritualmente passa a ser uma benção divina e metafisicamente era uma aberração a imagem do mal, estes ao nasceram eram submetidos à morte ou a maus tratos para purificação dos pecados.

Deve-se destacar que os deficientes viviam uma atitude de omissão de sua própria forma física, pois não tinham apoio da família e nem da sociedade. A situação das pessoas com deficiência pode ser precária em decorrência de alguns fatores: falta de aplicabilidade de leis e políticas públicas, escasses de profissionais capacitados, alto custo de equipamentos de tecnologia assistiva e alienação das pessoas com deficiência quanto à consciência de seus direitos enquanto cidadão.

Ao mesmo tempo, as pessoas com deficiência nem sempre estão cientes de seus direitos, por isso, não exigem que a sociedade, de forma geral, se mobilize para possibilitar o seu empoderamento para que possam ter sua emancipação e resgatar sua dignidade, passando a fazer parte da sociedade como um cidadão com seus direitos plenos.

(19)

Mesmo sem dados oficiais, até o início da década de 80 poucas pessoas com deficiência chegaram à universidade. Entretanto, apesar das dificuldades ainda impostas pela ausência de ações do poder público e pela atitude excludente da sociedade, esta realidade vem se transformando lentamente. De forma tímida, esta transformação tem ocorrido devido às novas facilidades de acesso à informação, aos serviços de reabilitação, à disponibilidade de equipamentos e aparelhos especiais de tecnologia assistiva. Outros fatores importantes são: o transporte coletivo inclusivo e as novas atitudes de amigos e familiares, que incentivam o convívio em sociedade e também o ingresso da pessoa com deficiência na universidade.

O processo de empoderamento e transformação da pessoa com deficiência poderá ganhar força a partir do momento que este adotar um novo estilo de vida, com modos próprios de enxergar o mundo e a si mesmo e sua relação com os outros a sua volta.

Diante deste cenário, esta pesquisa está focada no consequente empoderamento da pessoa com deficiência, através da Educação Ambiental (EA) Popular junto aos programas existentes de inclusão da UNICAMP minimizando as discrepâncias sociais e do contexto acadêmico.

(20)

2 OBJETIVO

O objetivo desta pesquisa é discutir como ações de educação ambiental podem criar as condições para empoderar as pessoas com deficiências a participar dos programas de inclusão na UNICAMP.

2.1 Objetivos Específicos

Identificar o número de alunos com deficiências físicas que ingressaram na universidade no período de 2005 a 2010.

Identificar o número de evasão entre os alunos com deficiências fisicas matriculados no período de 2005 a 2010.

Identificar as deficiências de maior incidência e os projetos de inclusão relacionados. Detectar as fragilidades e potencialidades: políticas, organizacionais, arquitetônicas e

tecnológicas que possibilitem a inclusão permanência e empoderamento da pessoa com deficiência.

(21)

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

3.1 Evoluções na Terminologia

As exclusões e preconceitos diversos em relação às pesssoas com deficiência iniciam na forma de identificá-las. A evolução e alterações das nomenclaturas adotadas pela sociedade variam de acordo com o momento histórico da época.

Segundo a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – CDPD, a lei adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 13 de Dezembro de 2006 define que pessoas com deficiência:

[...] são aquelas que têm impedimentos de natureza física, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade com as demais pessoas (art.1º CDPD, 2006).

De acordo com Sassaki (2003), aproximadamente 14,5% da população brasileira possui algum tipo de deficiência. Ignorar o termo correto quando fala-se e escreve-se não se trata apenas de uma questão semântica, e sim de desrespeito ao ser humano, especialmente quando o assunto abordado tradicionalmente já vem repleto de preconceitos, estigmas e estereótipos, como é o caso das deficiências. Para Judith (2007) as palavras são artefatos sociais, produtos e produtores de sentido social, quando se trata da reconfiguraçao dos termos, pessoa, sujeito e individuo como forma de compreeender o mundo e transforma-lo. As palavras carregam sentidos que a sociedade faz uso na construçao de ideias, contudo a construçao conceitual, na verdade, precisa ser um novo critério para o tratameto adequado à pessoa humana.

Ao longo da história as pessoas com deficiência foram discriminadas e esteriotipadas na sociedade e isso pode ser notado na terminologia usada para identificá-las. Entretanto, é importante avaliar que essa terminologia sofre alterações de acordo com o momento histórico. Aquilo que do ponto de vista atual é prejorativo e preconceituoso teve seu significado compatível com os artefatos sociais vigentes no momento vivido pela sociedade. Enquanto esta sociedade evolui no seu relacionamento, as pessoas que possuem ou não algum tipo de deficiência reconstroem dinamicamente seus valores e artefatos (MAZZOTA, 1995; AMARAL, 1994).

Pelo exposto percebe-se que dificilmente é possível encontrar um termo correto e definitivo para este grupo de pessoas, Para acompanhar esta evolução serão reproduzidos

(22)

algumas tabelas, Sassaki (2003), com algumas adaptações que possam descrever de forma sucinta a evolução da terminologia no Brasil.

Como é possível observar na Tabela 1, durante parte do século XX, era comum identificar a pessoa com deficiência como “inválido”, sem que tivesse a conotação prejorativa e preconceituosa. Porém na visão de Sassaki (2003), esta maneira de referir-se a este grupo de pessoas apenas demonstra como a sociedade brasileira da época enxergava a pessoa com deficiência. Na Tabela 2 é apresentado o período de integração social onde ocorre o surgimento de instituições voltadas para atendimento especifícos as pessoas com deficiência.

Tabela1. Deficientes Vistos como Inválidos.

Época Termos e Significados Valor da Pessoa

No século XX Romances, nomes de instituições, leis, mídia e outros

meios mencionavam “os inválidos”. Exemplos: “A reabilitação profissional visa a proporcionar aos beneficiários inválidos...” (Decreto federal nº 60.501, de 14/3/67, dando nova redação ao Decreto nº 48.959-A, de

19/9/60).

“Os inválidos”.

O termo significava “indivíduos sem valor”. Em pleno século 20, ainda se utilizava este termo, embora já sem

nenhum sentido pejorativo. Outro exemplo:

“Inválidos insatisfeitos com lei relativa aos ambulantes” (Diário Popular,

21/4/76).

Aquele que tinha deficiência era tido como socialmente inútil, um peso morto para a sociedade, um fardo para a família, alguém sem

valor profissional. Outros exemplos: “Servidor inválido pode voltar”

(Folha de S. Paulo, 20/7/82). “Os cegos e o inválido” (IstoÉ,

7/7/99).

Fonte: adaptado de Sassaki (2003).

Tabela 2. Deficientes Incapacitados.

Época Termos e Significados Valor da Pessoa

Século XX até ± 1960. “Derivativo para incapacitados”

(Shopping News, Coluna Radioamadorismo, 1973). “Escolas para crianças incapazes”

(Shopping News, 13/12/64). Após a I e a II Guerra Mundial, a mídia usava o termo assim: “A guerra

produziu incapacitados”, “Os incapacitados agora exigem

reabilitação física”.

“Os incapacitados”. O termo significava, de início, “indivíduo sem

capacidade” e, mais tarde, evoluiu e passou a significar “indivíduo com capacidade residual”. Durante várias décadas, era comum o uso deste termo para designar pessoas com deficiência de qualquer idade. Uma variação foi o termo “os incapazes”, que significava “indivíduo que não são capazes” de

fazer alguma coisa por causa da deficiência que tinha.

Foi um avanço a sociedade reconhecer que a pessoa com deficiência poderia

ter capacidade residual, mesmo que reduzida. Mas, ao mesmo tempo, considerava- se que a deficiência, qualquer que fosse o tipo, eliminava ou

reduzia a capacidade da pessoa em todos os aspectos: físico, psicológico,

social, profissional entre outros.

Fonte: adaptado de Sassaki (2003).

Percebe-se neste período mencionado que as pessoas com deficiência estão em evidência, pois os soldados sobreviventes da I e II Guerras Mundiais, na sua maioria, voltaram com algum

(23)

tipo de deficiência, o que os levou a, eventualmente, serem chamados de incapacitados. Posteriormente conforme citado no item 3.2, (Legislação e Políticas Públicas), criou-se a Declaração de Direitos Humanos, mesmo assim, conforme demonstra a Tabela 3 a terminologia ainda não era a mais apropriada.

Nota-se que, no período representado na Tabela 3, os termos utilizados para identificar o indivíduo não o relaciona com a pessoa e sim com sua condição física. Não existe para a sociedade a percepção de que o deficiente é uma pessoa com limitações.

Tabela 3. Os Defeituosos, Deficientes e Excepcionais.

Época Termos e Significados Valor da Pessoa

Século XX até ± 1980. “Crianças defeituosas na Grã-Bretanha tem educação especial”

(Shopping News, 31/8/65). No final da década de 50, foi

fundada a Associação de Assistência à Criança Defeituosa

– AACD (hoje denominada Associação de Assistência à

Criança Deficiente). Na década de 50 surgiram as primeiras unidades da Associação

de Pais e Amigos dos Excepcionais - APAE.

“os defeituosos”. O termo significava “indivíduos com deformidade” (principalmente

física).

“os deficientes”. Este termo significava “indivíduos com deficiência” física, intelectual, auditiva, visual ou múltipla, que os levava a executar as funções básicas

de vida (andar, sentar-se, correr, escrever, tomar banho, entre outras)

de uma forma diferente daquela como as pessoas sem deficiência faziam. E isto começou a ser aceito

pela sociedade. “os excepcionais”. O termo significava “indivíduos com

deficiência intelectual”.

A sociedade passou a utilizar estes três termos, que focalizam as deficiências em

si, não as pessoas. Simultaneamente, difundia-se o movimento em defesa dos direitos das

pessoas superdotadas (expressão substituída por “pessoas com altas habilidades” ou “pessoas com indícios de

altas habilidades”). O movimento mostrou que o termo “os excepcionais”

não poderia referir-se exclusivamente aos que tinham deficiência intelectual, pois as pessoas com superdotação também são excepcionais por estarem na

outra ponta da curva da inteligência humana.

Fonte: adaptado de Sassaki (2003).

A Tabela 4 demonstra o início da mudança de percepção da sociedade em relação a pessoa com deficiência que passa a enxergar o ser humano, ou seja a pessoa antes da deficiencia. Esta mudança só foi possível com a pressão das organizações de pessoas com deficiência. O que mostra que com o empoderamento é possível atingir seus objetivos. Entretanto algumas organizações e movimentos das pessoas com deficiência não estavam totalmente satisfeitos com a nomenclatura, como pode-se ver na Tabela 5.

(24)

Época Termos e Significados Valor da Pessoa

De ±1981 até ± 1987. Por pressão das organizações de pessoas com deficiência, a ONU deu o nome de “Ano

Internacional das Pessoas Deficientes” ao ano de 1981.

E o mundo achou difícil começar a dizer ou escrever

“pessoas deficientes”. O impacto desta terminologia foi profundo e ajudou a melhorar a

imagem destas pessoas.

Pessoas Deficientes. Pela primeira vez em todo o mundo, o substantivo

“deficientes” (como em “os deficientes”) passou a ser utilizado

como adjetivo, sendo-lhe acrescentado o substantivo “pessoas”.

A partir de 1981, não se usa mais a palavra “indivíduos” para se referir às

pessoas com deficiência.

Foi atribuído o valor “pessoas” àqueles que tinham deficiência, igualando-os em

direitos e dignidade à maioria dos membros de qualquer sociedade ou país. A Organização Mundial de Saúde (OMS)

lançou em 1980 a Classificação Internacional de Impedimentos, Deficiências e Incapacidades, mostrando que estas três dimensões existem simultaneamente em

cada pessoa com deficiência.

Fonte: adaptado de Sassaki (2003).

Tabela 5. Pessoas Portadoras de Deficiência.

Época Termos e Significados Valor da Pessoa

De ±1988 até 1993. Alguns líderes de organizações

de pessoas com deficiência contestaram o termo “pessoa deficiente” alegando que ele sinaliza que a pessoa inteira é

deficiente, o que era inaceitável para eles.

“pessoas portadoras de deficiência”. Termo que, utilizado somente em países

de língua portuguesa, foi proposto para substituir o termo “pessoa deficiente”.

Logo reduziram este termo para “portadores de deficiência”.

O “portar uma deficiência” passou a ser um valor agregado à pessoa. A deficiência passou a ser um detalhe da

pessoa. O termo foi adotado na Constituição Federal e em todas as leis

e políticas pertinentes ao campo das deficiências. Conselhos, coordenadorias

e associações passaram a incluir o termo em seus nomes oficiais.

Fonte: adaptado de Sassaki (2003).

Para líderes de organizações de pessoas com deficiencia usar a o termo “Pessoa Portadora de Deficiência”, ainda não é o termo mais apropriado, pois ter uma deficiência faz parte da pessoa e esta pessoa não porta sua deficiência. Ela tem uma deficiência. A evolução da terminologia segue conforme Tabela 6.

Tabela 6. Pessoas com Necessidades Especiais/Pessoas Especiais.

(25)

De ±1990 até hoje.

O art. 5º da Resolução CNE/CEB nº 2, de 11/9/01, explica que as necessidades especiais decorrem de

três situações, uma das quais envolvendo dificuldades vinculadas

a deficiências e dificuldades não-vinculadas a uma causa orgânica.

Surgiram expressões como “crianças especiais”, “alunos especiais”, “pacientes especiais” e assim por diante numa tentativa de amenizar a

contundência da palavra “deficiente”.

“pessoas com necessidades especiais”. O termo surgiu primeiramente para substituir “deficiência” por “necessidades

especiais”. Daí a expressão “portadores de necessidades especiais”. Depois, esse termo passou

a ter significado próprio sem substituir o nome “pessoas com

deficiência”. “Pessoas Especiais”. O termo apareceu como uma forma reduzida

da expressão “pessoa com necessidades especiais”, constituindo um eufemismo dificilmente aceitável

para designar um segmento populacional.

De início, “necessidades especiais” representava apenas um novo termo.

Depois, com a vigência da Resolução nº 2, “necessidades especiais” passou a ser um valor

agregado tanto à pessoa com deficiência quanto a outras pessoas.

O adjetivo “especiais” permanece como uma simples palavra, sem

agregar valor diferenciado às pessoas com deficiência. O “especial” não é qualificativo exclusivo das pessoas que têm deficiência, pois ele se aplica a

aplica a qualquer pessoa. Fonte: adaptado de Sassaki (2003).

A resolução citada na Tabela 6 reflete o movimento de acadêmicos, políticos e pessoas ativistas preocupadas com a inclusão no contexto escolar. Esta Resolução é aplicada a todas as pessoas que precisam de algum tipo de recurso educacional independente de sua condição física. Com o objetivo de amenizar a condição de deficiência das pessoas a sociedade passou a identificá-los como especiais, quando na verdade qualquer pessoa pode ser especial desde que tenha algo de especial. O termo “Pessoas Especiais” é simplesmente o eufemismo que a sociedade encontrou para não encarar que existe a pessoa antes da deficiência, e a forma de amenizar a condição física da pessoa que pode ou não ser especial. E como dizer que todo deficiente é “bonzinho” e definir seu caráter simplesmente porque tem limitações físicas.

A Declaração de Salamanca é um dos principais documentos mundiais que visam à inclusão social. O termo Portadores de Direitos Especiais com a sigla “PODE”, como citado na Tabela 6 retrata com exemplos claros a dificuldade de utilizar este termo, que além da dificuldade ortográfica, existe o perfil contraditório que coloca a pessoa com deficiência em uma situação de favorecimento, quando na verdade é necessário haver condições de igualdade social, político e econômico a todo e qualquer cidadão independente de sua condição física (SASSAKI, 2003). A Tabela 7 demonstra a terminologia atual que valoriza a pessoa antes da deficiência.

Tabela 7. Pessoas Portadoras de Direitos Especiais – PODE.

(26)

Em maio de 2002. Frei Betto escreveu no jornal O Estado de S.Paulo um artigo em que propõe o termo “portadores de

direitos especiais” e a sigla PODE. Alega o proponente

que o substantivo “deficientes” e o adjetivo

“deficientes” encerram o significado de falha ou imperfeição enquanto que a

sigla PODE exprime capacidade. O artigo, ou parte

dele, foi reproduzido em revistas especializadas em

assuntos de deficiência.

“Portadores de direitos especiais”. O termo e a sigla apresentam problemas

que inviabilizam a sua adoção em substituição a qualquer outro termo

para designar pessoas que têm deficiência. O termo “portadores” já

vem sendo questionado por sua alusão a “carregadores”, pessoas que “portam” (levam) uma deficiência. O

termo “direitos especiais” é contraditório porque as pessoas com

deficiência exigem equiparação de direitos e não direitos especiais. E mesmo que defendessem direitos especiais, o nome “portadores de direitos especiais” não poderia ser

exclusivo das pessoas com deficiência, pois qualquer outro grupo vulnerável pode reivindicar

direitos especiais.

Não há valor a ser agregado com a adoção deste termo, por motivos expostos na coluna ao lado e nesta.

A sigla PODE, apesar de lembrar “capacidade”, apresenta problemas

de uso:

1) Imaginem a mídia e outros autores escrevendo ou falando assim: “Os Podes de Osasco terão

audiência com o Prefeito...”, “A Pode Maria de Souza manifestou-se

a favor...”, “A sugestão de José Maurício, que é um Pode, pode ser

aprovada hoje...” 2) Pelas normas brasileiras de ortografia, a sigla PODE precisa ser

grafada “Pode”. Norma: Toda sigla com mais de 3

letras pronunciada como uma palavra deve ser grafada em caixa baixa com exceção da letra inicial.

Fonte: adaptado de Sassaki (2003).

Tabela 8. Pessoas com Deficiência – Terminologia Atual.

Época Termos e Significados Valor da Pessoa

De ±1990 até hoje A década de 90 e a primeira década do século 21 e do Terceiro Milênio estão sendo marcadas por eventos mundiais, liderados por

organizações de pessoas com deficiência.

“pessoas com deficiência” passa a ser o termo preferido por um

número cada vez maior de adeptos, boa parte dos quais é

constituída por pessoas com deficiência que, no maior evento (“Encontrão”) das organizações de pessoas com deficiência, realizado no Recife em 2000, conclamaram o público a adotar este termo. Elas

esclareceram que não são “portadoras de deficiência” e que não querem ser chamadas com tal

nome.

Os valores agregados às pessoas com deficiência são: 1) o do empoderamento [uso do poder pessoal para fazer escolhas,

tomar decisões e assumir o controle da situação de cada um] e

2) o da responsabilidade de contribuir com seus talentos para

mudar a sociedade rumo à inclusão de todas as pessoas, com

ou sem deficiência.

Fonte: adaptado de Sassaki (2003).

Nas tabelas apresentadas percebe-se a evolução da terminologia para identificar este grupo de pessoas.

(27)

Os movimentos mundiais de pessoas com deficiência, incluindo os do Brasil, estão debatendo o nome pelo qual elas desejam ser chamadas. Mundialmente, já fecharam a questão: querem ser chamadas de “pessoas com deficiência” em todos os idiomas. E esse termo faz parte do texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, adotado pela ONU em 13/12/06 e a ser ratificado posteriormente através de lei nacional de todos os Países-Membros. No Brasil, este tratado foi ratificado, com equivalência de emenda constitucional, através do Decreto Legislativo n. 186, de 9/7/08, do Congresso Nacional (SASSAKI, 2003, p.15).

A terminologia atual reflete a evolução no decorrer do tempo, e como já mencionado os termos são utilizados de acordo com os valores vigentes em cada época e as mudanças ocorrem de acordo com a percepção das pessoas envolvidas no contexto.

Os princípios básicos para os movimentos terem chegado ao nome “pessoas com deficiência” podem ser demonstrados a seguir:

Não esconder ou camuflar a deficiência;

Não aceitar o consolo da falsa idéia de que todo mundo tem deficiência; Mostrar com dignidade a realidade da deficiência;

Valorizar as diferenças e necessidades decorrentes da deficiência;

Combater neologismos que tentam diluir as diferenças, tais como “pessoas com capacidades especiais”, “pessoas com eficiências diferentes”, “pessoas com habilidades diferenciadas”, “pessoas deficientes”, “pessoas especiais”, “é desnecessário discutir a questão das deficiências porque todos nós somos imperfeitos”,

Defender a igualdade entre as pessoas com deficiência e as demais e necessidades especiais, que não devem ser ignoradas;

Identificar nas diferenças todos os direitos que lhes são pertinentes e a partir daí encontrar medidas específicas para o Estado e a sociedade diminuírem ou eliminarem as “restrições de participação” (dificuldades ou incapacidades causadas pelos ambientes humano e físico contra as pessoas com deficiência).

Seguindo a linha de pensamento de Sassaki (2003) a trajetória da terminologia mostra que a sociedade aos poucos tem percebido que antes da deficiência tem a pessoa. A deficiência não deve ser um complemento para identificação.

(28)

Neste contexto falar do reconhecimento como pessoas antes da deficiência, não significa esconder as deficiências e limitações que sua condição fisica impõe, e sim retratar que todos têm direitos e deveres iguais enquanto cidadãos. Sem nunca se esquecer das diferenças de natureza fisica, sensorial ou cognitiva que devem ser respeitadas. Para que isto ocorra se faz necessário debater as políticas públicas e a legislação vigente garantindo as pessoas com deficiência a inclusão na sociedade.

3.2 Legislação e Políticas Públicas

O reconhecimento e a proteção dos direitos do cidadão estão na base das constituições democráticas e modernas. A paz é a mola propulsora para a proteção efetiva dos direitos dos homens em cada Estado e no sistema internacional. A democracia é a sociedade dos cidadãos, e as pessoas e ou grupos menos favorecidos se tornam cidadãos a partir do reconhecimento de alguns direitos fundamentais. Ou seja, a democracia será alcançada com a exclusão de qualquer tipo de guerra, onde se perpetue a paz passando a existir apenas cidadãos, sem qualquer tipo de distinção não se importando com que parte do mundo se encontre deve prevalecer o Direito do homem. O Direito do homem, democracia e a paz são três momentos essenciais do mesmo movimento histórico: sem direitos do homem, não há democracia, sem democracia, não existem condições para solução pacífica de conflitos (BOBBIO, 2001).

Os direitos dos cidadãos estão amparados, na maioria das vezes, por legislações nacionais e internacionais que foram criadas democraticamente por representantes políticos. A preocupação com a paz entre os povos gera leis que favorecem a todos independente de raça, sexo, ou religião. Esta preocupação fica clara no primeiro artigo da Organização das Nações Unidas – ONU, criada em 1945:

[...] desenvolver relações amistosas entre as nações, baseadas no respeito, princípio de igualdade de direitos e de autodeterminação dos povos, e de tomar outras medidas apropriadas ao fortalecimento da paz universal e promover e estimular o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça, sexo, língua ou religião (ONUBR, 2013).

No contexto Internacional destaca-se a Declaração Universal de Direitos Humanos, promulgada pela ONU em 10 de dezembro de 1948, que inaugurou uma concepção contemporânea de direitos humanos, já que integrou os direitos civis e políticos, gestados desde o

(29)

século XVIII. Essa declaração foi promovida por governos internacionais teve o objetivo de amenizar as atrocidades ocorridas na Segunda Guerra Mundial. Com ela fica estabelecida pela primeira vez, a proteção universal dos direitos humanos (BOBBIO, 2004).

No contexto nacional, após um período de ditadura militar, a redemocratização só seria efetivada no Brasil com uma nova constituição federal, e assim em 1988 foi promulgada a Constituição da República Federativa do Brasil. A exemplo da Declaraçao Universal dos Direitos Humanos, a Constituição Federal tem como um dos fundamentos exercer a cidadania onde, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (Constituiçao Federal Art. 5º).

Ampliando o caminho aberto pela Constituição de 1988, o Brasil vem se desenvolvendo em termos de legislação específica. Implementando Leis, Portarias e Decretos que regulamentam e asseguram os direitos das pessoas com deficiência:

Portaria do MEC 1679/99 - Art. 1º Determinar que sejam incluídos nos instrumentos destinados a avaliar as condições de oferta de cursos superiores, para fins de sua autorização e reconhecimento e para fins de credenciamento de instituições de ensino superior, bem como para sua renovação, conforme as normas em vigor, requisitos de acessibilidade de pessoas portadoras de necessidades especiais.

Art. 2º A Secretaria de Educação Superior deste Ministério, com o apoio técnico da Secretaria de Educação Especial, estabelecerá os requisitos, tendo como referência a Norma Brasil 9050, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, que trata da Acessibilidade de Pessoas Portadoras de Deficiências e Edificações, Espaço, Mobiliário e Equipamentos Urbanos (BRASIL, 1999).

Decreto 5.296/04 - Regulamenta a Leis Nº 10.048, de 8/11/2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e a Lei Nº 10.098, de 19/12/2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências.

2006 – Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos Lançado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, pelo Ministério da Educação, pelo Ministério da Justiça e pela UNESCO. Objetiva, dentre as suas ações, fomentar, no currículo da educação básica,

(30)

as temáticas relativas às pessoas com deficiência e desenvolver ações afirmativas que possibilitem inclusão, acesso e permanência na educação superior.

2009 – Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência Aprovada pela ONU e da qual o Brasil é signatário. Estabelece que os Estados devem assegurar um sistema de educação inclusiva em todos os níveis de ensino. Determina que as pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral e que as crianças com deficiência não sejam excluídas do ensino fundamental gratuito e compulsório; e que elas tenham acesso ao ensino fundamental inclusivo, de qualidade e gratuito, em igualdade de condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem (Art.24).

2011 – Viver sem Limites – Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Decreto nº 7.612), tem por objetivo implementar novas iniciativas e intensificar ações que, atualmente, já são desenvolvidas pelo governo em benefício das pessoas com deficiência.

O Programa de cotas nas universidades paulistas não englobam as pessoas com deficiência, se estes não se enquadrarem no perfil de afrodescentes e oriundos de escolas públicas. Diferentemente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, que adota um sistema de cota para deficientes desde 2003 com a Lei nº 4151, promulgada em 4 de setembro de 2003. De acordo com dados divulgados no sitio da universidade, com esta lei o percentual passou a ser de 45% distribuido da seguinte forma: 20% (vinte por cento) para estudantes oriundos da rede pública de ensino; 20% para negros e 5% (cinco por cento) para pessoas com deficiência e integrantes de minorias étnicas e, com a publicação da Lei nº 5074/2007, foram incluídos ainda neste tipo de cota os filhos de policiais civis, militares, bombeiros militares e de inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço.

A menção das leis que são apresentadas na Tabela 9 busca enfatizar os principais dispositivos de leis implementados na tentativa de uma sociedade mais justa e inclusiva das pessoas com deficiência.

(31)

Tabela 9. Principais Leis que se aplicam a Pessoa com Deficiência. Ano Lei

1948 Declaração Universal dos Direitos Humanos 1988 Constituição Federal nos artigos 208 e 209

1989 Lei nº 7.853/89 CORDE –Apoio às pessoas portadoras de deficiência 1990 Declaração Mundial de Educaçao para todos

1994 Declaração de Salamanca

1996 Lei de Diretrizes e Bases da Educaçao Nacional – Lei nº 9.394/96 1999 Decreto 13.298/1999 - Acesso à educação superior

2001 Convençao de Guatemala (1999) promulgada no Brasil pelo Decreto nº 3.956/2001 2004 Decreto 5.296/2004 - Decreto da Acessibilidade

2006 Plano Nacional de Educaçao em Direitos Humanos

2008 Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva 2009 Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência

2011 Plano Nacional de Educação (PNE)

2012 Lei nº 12.764 - Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com transtorno do Espectro Autista; e altera o § 3º do art. 98 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990

2015 Lei 13.146 de 6 de julho de 2015 Estatuto da Pessoa com Deficiência

Fonte: adaptada de Inclusao Já (2015).

Percebe-se que a partir da Declaração de Direitos Humanos muito se tem feito em termos de tratados, convenções e leis nacionais e internacionais, porém nem sempre as leis e tratados definidos nestas convenções brasileiras e internacionais são respeitadas na prática, mas servem de amparo para se lutar por uma sociedade mais justa e inclusiva.

Desse modo, espera-se a conscientização e engajamento da sociedade para que as pessoas com deficiência possam ser inseridas no meio acadêmico com dignidade e superação de uma condição de dependência assumindo o controle de suas próprias vidas e fazer valer seu direito de cidadão por meio do empoderamento.

3.3 Empoderamento

O conceito empowerment ou empoderamento como tem sido traduzido no Brasil, não tem um caráter universal, pode ser um processo de mobilizações de grupos ou comunidades com o intuito de crescimento, autonomia e melhora gradativa de suas vidas. Para exemplificar pode-se

(32)

citar os movimentos feministas e grupo de comunidades rurais que conseguem por meio do empoderamento obter uma visão crítica da realidade social. Outro processo de empoderamento pode estar ligado a ações que promovam a integração dos excluídos, ONGs e grupo de pessoas que sofrem com a ausência de serviços públicos. O poder público e as ONGs não sao responsáveis em empoderar a pessoa, mas são responsáveis em oferecer condições para que as pessoas com deficiência se tornem sujeitos participativos, assumindo assim, seu papel na sociedade, por meio da ampliaçao dos recursos e possibilidades (GOHN, 2004).

O conceito empoderamento vem sendo usado de forma corriqueira, e que de certa forma passou a ser trivial falar de empoderamento. Talvez muitos o utilizam sem analisar a desafiante tarefa e as possíveis consequencias das ações que se propõem. O empoderamento atualmente é muito evidente nas políticas e nos programas das ONGs nacionais e internacionais. Indo também para agências de desenvolvimentos bilaterais e multilaterais. Mesmo com esta visibilidade, ainda é um termo complexo que não se define facilmente, pois possui uma variedade de interpretações, como pode ser visto na profusão da literatura que muitas vezes apresenta conceitos polissêmicos (OAKELEY; CLAYTON, 2003).

A definição de empoderamento é próxima da noção de autonomia, pois se refere à capacidade de os indivíduos e grupos poderem decidir sobre as questões que lhes dizem respeito, escolher, enfim entre cursos de ação alternativos em múltiplas esferas política, econômica, cultural, psicológica, entre outras. Desse modo, trata-se de um atributo, mas também de um processo pelo qual se ganha poder e liberdades negativas e positivas. Pode-se, então, pensar o empoderamento como resultante de processos políticos no âmbito dos indivíduos e grupos (HOROCHOVSKI, 2006).

Segundo Sassaki (1997), o termo empowerment foi adotado e difundido em outras áreas, tais como programas corporativos de desenvolvimento de recursos humanos. Empoderamento, trata-se de uma palavra nova, cuja raiz está em "poder". Pode ser chamado de um conceito inclusivista, onde a pessoa assume o controle da situação.

Pode-se dizer que para as pessoas com deficiência, tomar decisões por si só e ser independente nem sempre é possível. Uma pessoa cadeirante pode ser autônoma, mas não totalmente independente. Ele pode depender de terceiros para algumas atividades, como por exemplo, subir em um ônibus, ainda que possa escolher aonde quer ir e qual o melhor meio de chegar a seu destino dependerá de ajuda. A pessoa com deficiência é capaz de ter total

(33)

autonomia, mas pode ser prejudicada em sua independência por barreiras ambientais, atitudinais, arquitetônicas e até mesmo por seus familiares que podem, equivocadamente, como forma de proteção impedi-la de ser independente.

Autonomia é a condição de domínio no ambiente físico e social, preservando ao máximo a privacidade e a dignidade da pessoa que a exerce. [...] Ter maior ou menor autonomia significa que a pessoa com deficiência tem maior ou menor controle nos vários ambientes físicos e sociais que ela queira e/ou necessite frequentar para atingir seus objetivos (SASSAKI, 1997, p 36).

Tendo como referência esses princípios chega-se a definição que autonomia só é possível com ambientes acessíveis e programas inclusivos. Geralmente é por intermédio de ONG’s que muitas pessoas com deficiência conseguem se integrar e interagir. Tendo uma visão maior de mundo é possível cobrar do poder público ações que possam incluir a todos dentro do processo de cidadania. Tem-se como exemplo a Associação Integrada de Deficientes e Amigos – AINDA, localizada na cidade de Limeira, mesmo com um quadro pequeno de conselheiros e funcionários, realiza serviço de suporte entre pares, em especial nos casos onde a pessoa adquire a deficiência e se vê colocada numa realidade de vida totalmente distinta, individual.

As instituições em sua maioria promovem o fortalecimento da autoestima das pessoas com deficiência proporcionando condições para tornarem-se profissionais qualificados, através do desenvolvimento de suas potencialidades e do aprimoramento prático. Visam também aproximar a sociedade de modo e desmistificar o preconceito e a descriminação da pessoas com deficiência junto à comunidade.

O poder público e as organizações voltadas para as pessoas com deficiência surgem como mediadores importantes para minimizar as desigualdades e fragilidades que este grupo de pessoas enfrentam em seu cotidiano. O investimento de recursos e tecnologias assistivas fornecida pelo governo e ONGs fazem com que as possibilidades de inclusão se tornem viáveis, e deste modo, possam melhorar suas condiçoes de vida de forma autônoma e futuramente viverem sem recorrer de forma passiva e dependente do governo. Para ocorrer o empoderameno além dos recursos e investimentos que o poder público deve fornecer e necessário que a pessoa tenha uma relação de poder existente em seu intimo. A junção destes dois fatores poderá facilitar o processo de empoderamento (VIEIRA et al., 2009).

(34)

Pode-se constatar que o trabalho de ONGs, Instituições e a Educação Ambiental (EA) são essenciais para integração das pessoas com algum tipo de deficiência e sua independencia se dá em especial, por meio das Tecnologias Assistivas que segundo Radabaugh (1993), para as pessoas sem deficiência, a tecnologia torna as coisas mais fáceis. Para as pessoas com deficiência, a tecnologia torna as coisas possíveis.

3.4 Tecnologia Assistiva

Na atualidade a tecnologia está em constante processo de aperfeiçoamento e vem conquistando mercado cada vez mais exigente e sofisticado. Os recursos tecnológicos estão intrínsecos em nossas vidas. Entretanto toda esta facilidade por meio da tecnologia pode não estar ao alcance de toda a população. As facilidades tecnológicas nem sempre atendem as pessoas com deficiência. Investimentos estão sendo aplicados para produzir produtos específicos para este grupo de pessoas (ROCHA; CASTIGLIONI, 2005).

Nos EUA, Tecnologia Assistiva foi definida em 1988, através da lei (Technology-Related

Assistance for Individuals with Disabilities Act - Public 100-407), esta lei composta por outras

leis, o ADA - American with Disabilities Act. . Este conjunto de leis regula os direitos dos cidadãos com deficiência nos EUA, além de prover a base legal dos fundos públicos para compra dos recursos que estes necessitam. Houve a necessidade de regulamentação legal deste tipo de tecnologia, a TA, e a partir desta definição e do suporte legal, a população norte-americana, de pessoas com deficiência, passa a ter o benefício de serviços especializados e o acesso a todo o arsenal de recursos que necessitam e que venham favorecer uma vida mais independente, produtiva e incluída no contexto social geral (BERSCH, 2008).

O conceito de Recurso e Serviço em TA é o de:

[...] todo e qualquer item, equipamento ou parte dele, produto ou sistema fabricado em série ou sob-medida utilizado para aumentar, manter ou melhorar as capacidades funcionais das pessoas com deficiência. Serviços são definidos como aqueles que auxiliam diretamente uma pessoa com deficiência a selecionar, comprar ou usar os recursos”(ADA - American with Disabilities ACT, 1994).

Pode-se entender segundo a Legislaçao Norte Americana a Public Law 108-364 que os serviços em TA vão além de equipamentos e ferramentas, podendo ser entendidas como a

(35)

avaliação das necessidades de uma TA do indivíduo com uma deficiência, incluindo uma avaliação funcional do impacto da provisão de uma TA apropriada e de serviços apropriados para o indivíduo no seu contexto comum. Pode ser (PUBLIC LAW 108-364, 2004):

Um serviço que consiste na compra, leasing ou de outra forma provê a aquisição de recursos de TA para pessoas com deficiências;

Um serviço que consiste na seleção, desenvolvimento, experimentação, customização, adaptação, aplicação, manutenção, reparo, substituição ou doação de recursos de TA; Coordenação e uso das terapias necessárias, intervenções e serviços associados com

educação e planos e programas de reabilitação;

Treinamento ou assistência técnica para um indivíduo com uma deficiência ou, quando apropriado, aos membros da família, cuidadores, responsáveis ou representantes autorizados de tal indivíduo;

Treinamento ou assistência técnica para profissionais (incluindo indivíduos que provêem serviços de educação e reabilitação e entidades que fabricam ou vendem recursos de TA), empregadores, serviços provedores de emprego e treinamento, ou outros indivíduos que provêem serviços para empregar, ou estão de outra forma, substancialmente envolvidos nas principais funções de vida de indivíduos com deficiência;

Um serviço que consiste na expansão da disponibilidade de acesso à tecnologia, incluindo tecnologia eletrônica e de informação para indivíduos com deficiências.

No Brasil, segundo Galvão Filho (2009) Tecnologia Assistiva é um termo ainda mais novo que nos EUA, muitas vezes é conhecida e utilizada com a terminologia de “Ajudas Técnicas” e “Tecnologia de Apoio”, e frequentemente são consideradas como sinônimos, como pode-se ver na legislação brasileira é utilizada a expressão “Ajudas Técnicas” no decreto 3298 de 1999 e no Decreto de 5296 de 2004, o qual regulamenta as leis n.10.048 de 08 de novembro de 2000 e 10.098 de 19 de dezembro de 2000.

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O Decreto nº. 3298/1999 define Ajudas Técnicas, no seu artigo 19, como:

[...] elementos que permitem compensar uma ou mais limitações funcionais motoras, sensoriais ou mentais da pessoa portadora de deficiência, com o objetivo de superar as barreiras de comunicação e da mobilidade e de possibilitar sua plena inclusão social (CEDIPOD, 2007).

Já o Decreto nº. 5296/2004 utiliza a seguinte definição, no seu artigo 61:

Para fim deste Decreto, consideram-se ajudas técnicas os produtos, instrumentos, equipamentos ou tecnologia adaptados ou especialmente projetados para melhorar a funcionalidade da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida, favorecendo a autonomia pessoal, total ou assistida (BRASIL, 2004).

O Decreto nº. 5296 nesse Decreto, Desenho Universal é considerado como uma

[...] concepção de espaços, artefatos e produtos que visam atender simultaneamente todas as pessoas, com diferentes características antropométricas e sensoriais, de forma autônoma, segura e confortável, constituindo-se nos elementos ou soluções que compõem a acessibilidade (BRASIL, 2004).

O Decreto nº. 5296, define-se Acessibilidade como

as condições para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida (BRASIL, 2004).

Com o objetivo de qualificar os profissionais que trabalham com pessoas com deficiência e disseminar os recursos e serviços em TAs existentes, em 16 de novembro de 2006, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República - SEDH/PR, por meio da portaria nº 142, instituiu o Comitê de Ajudas Técnicas - CAT, que reúne um grupo de especialistas brasileiros e representantes de órgãos governamentais, em uma agenda de trabalho.

(37)

A partir de referênciais internacionais o CAT - aprovou, em 14 de dezembro de 2007, um conceito que pudesse subsidiar as políticas públicas brasileiras. Afirma este conceito:

Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação, de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social" (BRASIL - SDHPR. – Comitê de Ajudas Técnicas – ATA VII).

O Comitê de Ajudas Técnicas - CAT tem como objetivos principais apresentar propostas de políticas governamentais e parcerias entre a sociedade civil e órgãos públicos referentes à área de tecnologia assistiva; estruturar as diretrizes da área de conhecimento; realizar levantamento dos recursos humanos que atualmente trabalham com o tema; detectar os centros regionais de referência, objetivando a formação de rede nacional integrada; estimular nas esferas federal, estadual, municipal, a criação de centros de referência; propor a criação de cursos na área de tecnologia assistiva, bem como o desenvolvimento de outras ações com o objetivo de formar recursos humanos qualificados e propor a elaboração de estudos e pesquisas, relacionados com o tema da tecnologia assistiva (MINISTÉRIO DA JUSTIÇA, 2013).

A TA é um recurso e serviço que deve ser utilizada por todos aqueles que de forma passageira ou permanente apresentem alguma dificuldade de orientação, de locomoção e localização no espaço, provenientes de uma deficiência motora, visual, auditiva, mental ou outra dificuldade. Para atender este grupo de pessoas existem vários tipos de recursos que não possui uma classificaçao única e definitiva. Em 1998 a autora Bersch (2013) classificou os recursos em Tecnologias Assistivas usando como base bancos de dados de Tecnologia Assitiva - TA e a partir da formação dos autores no Programa de Certificação em Aplicações da Tecnologia Assistiva – ATACP da California State University Northridge, College of Extended Learning and Center on Disabilities.

O Ministério da Fazenda, Ciência, Tecnologia e Inovação e pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, usou esta classificação para criar a Portaria Interministerial Nº 362, de 24 de Outubro de 2012, que subsidia linha de crédito para aquisição de bens e serviços de Tecnologia Assistiva destinados à pessoa com deficência.

(38)

3.5 Categorias de Tecnologia Assistiva

Auxílios para a vida diária e vida prática

Trata-se de produtos que permitem autonômia e independência nas atividades simples e rotineiras. Que envolvem, como por exemplo, alimentação (Figuras 1 e 2), vestuário (Figuras 3 e 4) e material escolar (Figuras 5 e 6).

A) Alimentação

Figura 1. Talher adaptado. Figura 2. Garfo adaptado.

Fonte: Informativo IFC1. Fonte: Vivere Tecnologia Assistiva2.

B) Vestuário

Figura 3. Bastão para vestuário. Figura 4. Cadarço elástico para tênis.

Fonte: MN Suprimentos3. Fonte: MN Suprimentos3.

1

Disponível em: <http://informativo.ifc.edu.br/napne-informa-o-que-e-tecnologia-assistiva/>. Acesso em ago. 2015. 2

Disponível em: < http://www.vivereta.com.br/?pg=produtos&acao=ver&cat=29&id=175>. Acesso em ago. 2015. 3

(39)

C) Material Escolar

Figura 5. Tesoura adaptada. Figura 6. Adaptação para canetas.

Fonte: Blog Práticas Pedagógicas4. Fonte: Diversidade na Rua5.

CAA - Comunicação Aumentativa e Alternativa

Equipamentos para atender as pessoas com dificuldade de comunicação oral e ou escrita. Recursos como prancha de comunicação faz com que seus usuários consiguam demonstrar seus sentimentos e desejos (Figuras 7 e 8). Prancha de comunicação impressa; vocalizadores de mensagens gravadas; prancha de comunicação gerada com o software Boardmaker SDP no equipamento EyeMax símbolos são selecionados pelo movimento ocular e a mensagem é ativada pelo piscar.

Figura 7. Computador com software específico.

Figura 8. Computador com software específico.

Fonte: Observatório de Reabilitação e Tecnologia Assistiva6.

Fonte: Página do Site Dennysson7.

4

Disponível em: <https://praticaspedagogicasdf.wordpress.com/2011/12/05/ta-tecnologia-assistiva/>. Acesso em ago. 2015.

5

Disponível em:

<http://www.diversidadenarua.cc/mundoinclusao/ler/175/entrevista-sobre-atendimento-educacional-especializado---assistiva>. Acesso em ago. 2015. 6

Disponível em: <http://projeto.fipe.org.br/obtec/>. Acesso em ago. 2015. 7

Referências

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