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AS TECNOLOGIAS DIGITAIS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TDICs) NA
PRÁTICA DOCENTE: FORMAÇÃO DE PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS
THE INFORMATION AND COMMUNICATION DIGITAL TECHNOLOGIES (ICDT) IN TEACHING PRACTICE:UNIVERSITY TEACHERS FORMATION
Deyse Mara Romualdo Soares (Universidade Federal do Ceará –[email protected]) Gabriela Teles (Universidade Federal do Ceará – [email protected])
Thayana Brunna Queiroz Lima Sena (Universidade Federal do Ceará – [email protected])
Robson Carlos Loureiro (Universidade Federal do Ceará – [email protected]) Luciana de Lima (Universidade Federal do Ceará – [email protected])
Resumo:
Tem-se por objetivo analisar como os docentes de Instituição Pública de Ensino Superior (IPES) utilizam as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) no contexto da Docência. Em um cenário de avanço tecnológico, verifica-se a demanda por um repensar do modelo de Docência imperante há séculos. Nesse contexto, a integração entre Docência e TDICs aparece como possibilidade no sentido de dinamizar o processo de ensino, aprendizagem e avaliação. A pesquisa apresenta caráter quantitativo com elementos de Survey. São analisadas as respostas enviadas por trezentos e setenta e seis (376) docentes a um questionário disponibilizado na internet entre os anos de 2014 e 2016. Os docentes participaram de uma Formação voltada para a integração entre Docência e TDICs, ofertada anualmente. Os dados são analisados em três fases: classificação, ordenação e categorização das ferramentas digitais utilizadas; comparação dos resultados obtidos em busca de similaridades e regularidades entre as categorias; comparação dos resultados obtidos com o referencial teórico. Verificaram-se dificuldades em relação ao processo de utilização das TDICs nas práticas pedagógicas, tendendo a sua (sub)utilização. Observa-se a demanda por formação docente que forneça os subsídios necessários para que sujeitos integrem Docência e TDICs para a construção do conhecimento. Pretende-se dar prosseguimento à pesquisa em semestres subsequentes.
Palavras-chave: Prática Docente. Tecnologia Digital da Informação e Comunicação. Formação de Professores.
Abstract:
It has become necessary to analyze as tohow teachers of Public Institution of Higher Education (IPES) utilize the Digital Technology of Information (TDICs) in the Teaching context. In a technological advance scenario, there has been the need to rethink of the Teaching methodology that has prevailed for centuries. In this context, the integration between teaching and TDICs has turned out to be a possibility in order to dynamize the teaching, learning and evaluation or assessment process. The research presents quantitative character with elements of Survey. The answers sent by three hundred and
22 seventy six (376) teachers (leceturers) on a questionnaire made available on the internet
between the years 2014 and 2016 are analyzed. The teachers participated in a Formation focused on the integration between teaching and TDICs, offered annually. The data is analyzed in three phases: classification, ordering and categorization of the digital tools used; comparing of the results obtained in search of similarities and regularities between the categories; comparison of the results obtained with the theoretical reference. Some difficulties were found in relation to the process of pedagogical practices using, TDICs tending to their (under)utilization. It was observed that there demand for teacher formation which provides the subsidies needed for subject teaching and integrate TDICs for the construction of knowledge. It is intended to continue the search in subsequent semesters.
Keywords: Teaching Practice. Information and Communication Digital Technology. Teaching Formation.
1. Introdução.
Atualmente, os avanços tecnológicos têm promovido uma mudança no papel do professor diante da incorporação das tecnologias digitais em seu trabalho pedagógico. Essa nova realidade leva o professor a explorar novos ambientes profissionais e virtuais de aprendizagem. Além disso, também exige o domínio quanto à utilização das TDICs, valorizando o processo de aprendizagem coletivo, repensando e reorganizando o processo de avaliação. Essas mudanças no ensino, particularmente na formação em nível superior de futuros professores, exigem novas competências necessárias para a constituição de um inovador papel docente (GARCIA et al., 2011).
Os alunos de hoje são diferentes, pois fazem parte da geração que nasceu na “era da internet”, que têm facilidade para lidar com toda essa tecnologia, são acostumados a receber informações de maneira rápida, preferem hipertextos e a internet. Por isso, a era tecnológica necessita de um sistema educacional reformulado, voltado para esses novos alunos, os “nativos digitais” (PRENSKY, 2001).
Neste cenário, por sua vez, o professor é desafiado a acompanhar o ritmo da atualidade, ou então a aprendizagem sofrerá as consequências da incongruência entre a criança contemporânea e o modelo pedagógico das instituições educativas. Marinho (2002, p. 42) afirma que “o computador deverá desempenhar, na escola, o mesmo papel que tem na sociedade: o de mediador nas relações sociais. Será muito pobre um uso que se restrinja a repassar conteúdos e informações aos alunos”.
A presença das tecnologias recentes na educação deve servir para instigar, fazer o aluno pensar e criar, assumir responsabilidades e novos papéis na busca pela construção do conhecimento, considerando-se que as TDICs devem ser utilizadas, não somente para instruir, mas também para que os aprendizes (docentes e discentes) produzam e reflitam sobre a sua própria produção (VALENTE, 2001).
Diante disso, considera-se pertinente indagar: a partir de um processo de formação que contemple a utilização das TDICs na prática docente do professor universitário, de que forma esses sujeitos utilizam-nas no contexto educacional? O objetivo deste trabalho é analisar como os docentes de Instituição Pública de Ensino Superior (IPES) utilizam as TDICs na docência.
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2. As Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) na docência.
A educação já passou por diversas tendências pedagógicas em função do contexto social que a permeava nos séculos anteriores. Atualmente, juntamente com essas tendências, surgem novas necessidades e recursos. Para tanto, o educador deve estar aberto e flexível a interpretar essas tendências para atuar sobre essa realidade, desfrutando do que ela proporciona sem perder o foco na educação.
É preciso articular o contexto social da geração ao que nela está presente e a ela interessa (SILVA; NETO, 2008). As TDICs são parte da cultura tecnológica contemporânea, com as quais se convive de forma direta ou indireta como objetos concretos ou de desejo. Estas tecnologias ampliam as capacidades físicas e mentais, as possibilidades de comunicação, o desenvolvimento cultural e pode-se afirmar que estão imbricadas no âmbito educativo.
Conforme Kenski (1997), as TDICs reestruturam a consciência e a memória humana, interferindo diretamente nos modos de produção e de compartilhamento de informações e conhecimentos. Conectado a tal processo, observa-se que novas demandas permeiam a Docência e o seu fazer, evidenciando a necessidade de que se esteja “*...+ em permanente estado de aprendizagem e de adaptação ao novo” (KENSKI, 1997, p. 60).
O impacto das TDICs na Docência se fundamenta por meio das características que estas tecnologias proporcionam às formas de expressão e de criação, a um canal de comunicação, a uma forma de processar informações ou como fontes de informações e como artefatos possíveis de facilitar a aproximação com a cognição (GRAELLS, 2012).
Nessa conjuntura, a lógica da sociedade digital atual baseia-se no contínuo gerenciamento a partir da comunicação e informação instantâneas. Os discursos e as práticas sociais são reconstituídos nessa sociedade na qual a universidade está inserida (BASTOS, 2009).
As tecnologias digitais passaram a fazer parte da cultura atual, penetrando também no âmbito da Educação, e, portanto, da Docência, embora nem sempre vivenciadas em sua plenitude. Os jogos eletrônicos; as ferramentas da Web 2.0, preferencialmente as mídias sociais; e, os dispositivos móveis, representados por celulares e computadores portáteis, em geral, são as ferramentas mais utilizadas pelos usuários (ALMEIDA; SILVA, 2011).
Diante dessas diversas opções de recursos, cabe ao professor inteirar-se dessas novas ferramentas, ou seja, dominar o seu uso no que diz respeito à fluência tecnológica agregada ao direcionamento pedagógico do uso desses recursos. Porquanto, é indispensável que o docente, um dos responsáveis pela formação do cidadão produtivo no mundo, utilize as TDICs na Docência, seja para estímulo da aproximação deste sujeito em formação ou para exemplificar a necessidade de apropriação dos processos que envolvem os usos das TDICs no meio profissional e acadêmico.
Um profissional que explore ferramentas síncronas e assíncronas a favor da interação e troca entre educandos, fontes de consulta como hipertextos e enciclopédias virtuais, o uso
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de recursos midiáticos que atraiam a atenção e facilitem o aprendizado do aluno, entre outros. (SILVA; NETO, 2008).
Os recursos digitais são elementos informatizados que permitem que conteúdos sejam abordados em materiais como imagens, vídeos, hipertextos, animações, simulações, páginas web, jogos educativos, dentre outros. Os materiais digitais educacionais são ferramentas que possibilitam novas práticas pedagógicas, pois possibilitam a interatividade entre o aluno e uma determinada atividade com o objetivo de aprendizagem. O planejamento pedagógico em que esses recursos digitais estão inseridos é o grande desafio dos professores na atualidade (TORREZAN; BEHAR, 2009).
Nesse sentido, Tardif (2002) argumenta que a docência não se fundamenta somente em conhecimentos disciplinares e de conteúdo, mas envolve habilidades, como as consideradas pelos contextos sociais em que se insere o profissional docente. Como exemplo do uso proficiente das TDICs em sua profissionalização percebe-se a eminência de se consolidar as formações docentes com o intuito de integrá-las em suas ações de ensino, aprendizagem e avaliação.
Para tanto, Lima Junior (2005) argumenta que o docente precisa remodelar sua postura diante do uso das TDICs em sala de aula, valorizando o protagonismo do discente em seu processo de aprendizagem. Coll (2009) defende que essa mudança depende do contexto de uso desse tipo de tecnologia, proporcionando-se atividades diferentes das habituais, colocando-as a favor dos processos de ensino e de aprendizagem, de professores e alunos.
Ao se reconhecer tal questão, evidencia- se que não basta que o docente faça uso das TDICs para prosseguir instruindo. Faz-se necessário repensar as práticas pedagógicas, de maneira que o potencial dinamizador das TDICs, destacado por Almeida (2008), seja explorado e utilizado.
Nessa acepção, a relação estabelecida entre docentes e discentes é reconfigurada, reconhecendo a Docência como um trabalho que se pauta eminentemente na interação humana, em uma relação de um com o outro (TARDIF; LESSARD, 2011). Assim, as TDICs são utilizadas para construir, sendo integrada e integrando-se à Docência.
Destarte, as TDICs não são entidades autônomas, mas elementos mediadores da aprendizagem e protagonismo do aluno, que permite interação entre ele, conteúdo e professor (MAURI; ONRUBIA, 2010). Os autores consideram ser relevante o docente ser capaz de utilizar criticamente as tecnologias digitais, bem como ser capaz de criar materiais e tarefas pertinentes, relacionando-se com o fenômeno da tecnologia de forma interativa e consciente.
Portanto, o uso das TDICs é uma exigência que tende a unanimidade na sociedade global. Esta exigência não se traduz como mudanças condicionadas à prática docente no ensino superior (ROBLYER; EDWARDS; HAVRILUK, 2000). Isto significa que a utilização das TDICs transcende a vontade dos docentes e discentes e de suas possíveis tecnofobias, bem como do aspecto da imposição da governamentalidade, como enfatizado por Moran (1995).
Nisto, para Loureiro e Lima (2014), ao compreender o ato da docência como um trabalho, com suas características técnicas e artísticas, encontram-se caminhos pragmáticos que possibilitam o uso das tecnologias digitais na docência procurando otimizar o volume de trabalho do professor, estabelecer parcerias com os alunos e dividir as responsabilidades do ato de ensinar, aprender e avaliar com os sujeitos envolvidos nesses processos.
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Evidencia-se, assim, a possibilidade de que as TDICs promovam as modificações consideradas necessárias à Docência nesse novo cenário que se apresenta, assim como a Docência promova as modificações consideradas pertinentes às TDICs, de modo que tais áreas do saber se integrem para a construção do conhecimento.
3. Metodologia.
A pesquisa de caráter quantitativo utiliza elementos de Survey (BABBIE, 2003), de levantamento de dados, desenvolvida com trezentos e setenta e seis (376) professores de IPES, participantes de uma formação voltada para a Docência Integrada às Tecnologias da Informação e Comunicação (DTIC) compondo o Projeto do Laboratório Interdisciplinar de Formação de Educadores (LIFE).
Tal formação é subsidiada pela CAPES com apoio da ProGrad. O grupo caracteriza-se pela heterogeneidade: professores de diferentes idades, tempo de serviço na universidade, áreas de conhecimento e de localidades, que participaram da formação nos anos de 2014, 2015 e 2016.
A formação foi pensada, principalmente, para auxiliar o professor a utilizar os recursos da tecnologia digital em sua prática docente. As discussões e as atividades propostas para os momentos presenciais e virtuais visam à integração da prática com a teoria de tal forma que ao final da formação cada docente cria suas próprias condições de trabalho utilizando a internet, Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs), recursos digitais em geral que permitam, ao docente e ao discente, trabalhar com seus saberes específicos. Permitem ainda que o professor utilize uma linguagem mais próxima dos estudantes da universidade.
A formação se subdivide em três (3) módulos: o uso das TDICs na prática docente; o planejamento de aula contemplando as TDICs; a experiência da prática docente com o uso das TDICs. As atividades propostas contemplam a escolha de uma ferramenta digital pelo docente.
São sugeridas as ferramentas mais utilizadas atualmente pelos discentes tais como, Facebook, Twitter, YouTube, Blog, ferramentas de autoria da Web 2.0. Posteriormente, os docentes cursistas são convidados a desenvolverem um planejamento de aula em que devem inserir a ferramenta previamente escolhida e estudada.
Na sequência, esse planejamento é aplicado em sala de aula com os discentes para que possam compreender as dificuldades do processo, bem como, as diferentes possibilidades da integração das TDICs no momento da docência. O docente ao participar da formação deve convidar um discente para acompanhá-lo em todo o processo.
No terceiro dia de encontro presencial do curso de formação apresentado, os conhecimentos prévios dos professores cursistas são coletados por meio de questionário, composto de quatorze (14) questões, desenvolvido no Google Drive e disponibilizado na internet. Dentre as perguntas apresentadas, aquelas que são utilizadas para a análise de dados apresentam os seguintes enunciados:
1. “Quantas vezes por semana você acessa a internet para entrar no seu e-mail?” 2. “Quantas vezes por semana você faz buscas/pesquisas de conteúdos digitais na
internet?”
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4. “Que tipo de ferramenta digital você mais utiliza em sala de aula em sua prática docente?”
Com isso, é possível compreender quais ferramentas os docentes utilizam com mais frequência no seu cotidiano comparativamente às que utilizam em sua prática docente. Além disso, é possível compreender de que forma os docentes fazem uso dessas ferramentas na prática de sala de aula.
A análise de dados acontece em três (3) momentos. No momento 1, as ferramentas digitais utilizadas pelos docentes em seu cotidiano, em sua prática docente e a forma como fazem uso desse tipo de ferramenta são classificadas, ordenadas e categorizadas. No momento 2, os resultados obtidos são comparados entre si em busca de regularidades e similaridades entre as categorias emergentes. No momento 3, os resultados obtidos são interpretados à luz do referencial teórico utilizado.
4. Resultados e discussão.
Os docentes têm o hábito de acessar a internet frequentemente para o acesso ao correio eletrônico: 90,2% dos docentes acessa sua caixa de e-mail diariamente; 4,8% acessam o e-mail três (3) vezes por semana; 3,7 escolheram a opção outros; 1,1%, uma (1) vez por semana e 0,3% duas (2) vezes por semana.
Em relação às pesquisas virtuais, buscas e pesquisas de conteúdos digitais na internet, 67,8% dos docentes realizam-na diariamente; 15,4% três (3) vezes por semana; 6,4% duas (2) vezes por semana; 5,6% escolheram a opção outros; apenas 4,8% dos docentes têm o hábito de buscar informações acadêmicas na internet somente uma (1) vez por semana. Esse aspecto denota que os docentes fazem uso do computador com frequência e conhecem mecanismos de comunicação e de buscas de informações.
Observa-se que as tecnologias digitais fazem parte da vida dos docentes. Nessa perspectiva, a respeito das tecnologias digitais estarem presentes no cotidiano dos indivíduos na sociedade contemporânea, o sociólogo Kerckhove (1997), em sua teoria do Tecnocentrismo, afirma que no mundo contemporâneo a tecnologia constitui-se no novo totem, ocupando agora o lugar central, criando novos parâmetros definidores do próprio ser humano.
Para o referido autor, na transposição para a sociedade tecnológica dos dias de hoje, o conceito de Tecnocentrismo se traduz em um continuum entre a mente humana e a máquina, cujo resultado é uma profunda e decisiva alteração nas formas como se constituem e se constroem as novas identidades, sociabilidades e sensibilidades dos indivíduos na atualidade.
Quando os docentes são interrogados para especificar quais ferramentas digitais da internet mais fazem uso em seu cotidiano, os resultados apontam que os docentes preferem utilizar as ferramentas de busca Google (44,4%). Ressalta-se, no entanto, o fato de os docentes destacarem o uso de redes sociais como Facebook (24,7%). Alguns docentes preferem realizar buscas de livros e periódicos digitais (20,7%). Observa-se, portanto, que os docentes estão inseridos em um contexto digital e utilizam comumente as ferramentas digitais.
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Com relação ao uso de ferramentas digitais na docência, os resultados convergem para alguns aspectos e divergem para outros. Dentre as opções listadas, eles escolheram a opção “outros” (30,6%) e listaram as ferramentas que usam na prática docente: a maioria desses docentes prefere apresentação em slides (5%), destacando que eles afirmaram usar de forma expositiva.
Nisto, Valente (1995, p. 41) a associa ao instrucionismo, onde a tecnologia digital aparece como “meio de passar a informação ao aluno, *...+, informatizando o processo instrucional”. O autor salienta que as TDICs aparecem como meios de informatizar os métodos de ensino tradicionais, limitando-se ao transmitir, não existindo uma mudança nas práticas didático-metodológicas (VALENTE, 2001).
Os docentes utilizam o Ambiente Virtual de Aprendizagem da IPES denominado SIGAA (4%), da própria universidade onde trabalham, em sua prática docente, seguido do uso de YouTube (3%), arquivos de Acrobat PDF (2%), Moodle (2%) e vídeos (2%). Poucos docentes (2%) usam outros programas específicos de suas áreas como GeoGebra, AutoCad, SIPPA, entre outros.
Sobre o uso de softwares específicos, Paiva e Freitas (2005) afirmam que a utilização desses recursos motiva os alunos, tornando o processo de ensino e de aprendizagem significativo. Podem ser aplicados em um contexto digital, mediante a utilização de softwares gratuitos específicos para seu uso pedagógico. Outros docentes utilizam livros e/ou periódicos digitais (26,3%).
No entanto, 18,4% dos docentes não fazem uso de nenhuma ferramenta digital em sala de aula. 16,8% dos docentes utilizam as ferramentas de busca Google. Esse fato parece estar condizente com o tipo de atividade que realizam habitualmente na internet vinculado às pesquisas virtuais.
Em relação ao uso do Facebook e outras redes sociais (7,4%), verificou-se que são pouco utilizadas para finalidades específicas da docência, uma vez que os docentes as utilizam com maior frequência em seu cotidiano, contudo, não as utilizam na sua prática docente. Destaca-se que, quando eles as utilizam, fazem-no para comunicação e envio de arquivos para os alunos, tendo, assim, o Facebook e essas redes sociais, a mesma função do e-mail.
Nesse aspecto, observa-se que essas ferramentas anteriormente citadas para uso pessoal, não são contempladas na ação docente, como o caso do Facebook e Ferramentas Google. Desse modo, as propostas de Tardif (2002) requerem uma discussão mais ampla nas formações dos professores em exercício e dos licenciandos buscando integrar a utilização das TDICs na prática cotidiana da profissão docente.
Destarte, mostra que os professores utilizam frequentemente as TDICs em seu cotidiano, mas não a incorporam – ou não conseguem incorporá-las – em sua prática profissional na mesma intensidade. Para Ponte (2000), mais complexo do que aprender a usar este ou aquele programa, é encontrar formas produtivas e viáveis de integrar as TDICs no processo de ensino, aprendizagem e avaliação, no quadro dos currículos atuais e dentro dos condicionalismos existentes em cada escola.
Observa-se que, apesar de a totalidade dos sujeitos acessarem a internet semanalmente para pesquisas e comunicação virtual, os docentes preferem não fazer uso desse tipo de ferramenta em sua prática educativa, integrando-as no ensino dos conteúdos de suas áreas. Na perspectiva de Santaella (2003), sobre a presença das tecnologias digitais
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no cotidiano dos sujeitos, os professores estão ainda iniciando o uso das TDICs na prática docente de forma tímida e pouco integrada.
A respeito dessa não incorporação das TDICs na prática docente, Kenski (2013) ressalta a importância da formação dos professores na atualidade:
[...] formar professores com qualidade e conhecimento teórico e prático para atuar em múltiplas frentes, além dos espaços tradicionais da educação regular – como educação a distância; educação mediada pelas tecnologias; educação cooperativa, empreendedora inclusiva etc. -, é uma necessidade que a nova cultura e a nova sociedade exigem (KENSKI, 2013, p. 91).
Nesse sentido, a formação inicial de professores que não acompanhar as mudanças expostas pela entrada das TDICs nos processos formativos estará em descompasso com a realidade contemporânea, ou seja, estará formando professores em defasagem com as culturas juvenis, as necessidades e as demandas sociais de hoje, corroborando com o cenário de desalinhamento e antagonismo existente entre docentes e discentes, conforme destacado por Lima e Loureiro (2016).
5. Considerações finais.
A partir do desenvolvimento da presente pesquisa, cujo objetivo foi analisar como os docentes de Instituição Pública de Ensino Superior (IPES) utilizam as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) no contexto da Docência, verificaram-se elementos considerados significativos no que tange ao processo de integração entre Docência e TDICs por parte dos professores universitários.
Evidenciou-se o fato de que os docentes utilizam as TDICs, com diferentes finalidades, em suas práticas informativas e comunicativas sociais. Entretanto, no âmbito profissional, como professores em exercício, as dificuldades dessa utilização tornam-se latentes.
Dessa forma, diante da solicitação advinda da própria governamentalidade, em um processo impositivo, os docentes, mesmo sem ter acesso a uma formação que lhes forneça subsídios teóricos e práticos para integrarem às TDICs ao seu fazer, utilizam-nas, mas de maneira fundamentada nas mesmas práticas didático-metodológicas.
Tal fato é perceptível, quando se verifica que a ferramenta mais utilizada pelos docentes, em seus exercícios profissionais, são os slides, que aparecem como substitutos digitais da lousa e do pincel. Observa-se, assim, um possível contexto de (sub)utilização das TDICs, de modo que o modelo de instrução é informatizado, conforme ressaltado por Valente (2001).
Nesse sentido, verifica-se a demanda por uma formação docente (inicial e continuada) que forneça as bases teóricas e práticas consideradas necessárias para que os docentes sejam mobilizados a perceberem e efetivarem outras formas de Docência, de maneira contextualizada e, portanto, conectada ao cenário que se apresenta na dita sociedade da informação.
Perceber, refletir e utilizar outros modos de fazer Docência aparece como aspecto basilar para que os professores, dos diferentes níveis de ensino, desconstruam a concepção
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de Docência, apontada por Sibilia (2012) como fadada ao fracasso, ampliando as possibilidades, inquietando e desequilibrando os sujeitos envolvidos no processo de ensino, aprendizagem e avaliação.
Diante disso, pretende-se, a partir dos resultados obtidos com o desenvolvimento da presente pesquisa, mobilizar reflexões relativas à questão da integração entre Docência e TDICs no processo de formação dos professores no âmbito da IPES. Ressalta-se a intenção em dar prosseguimento à pesquisa, diante da oferta da disciplina Tecnodocência em semestres subsequentes.
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