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O tema das mudanças climáticas em cursos de engenharia ambiental da cidade de Uberaba, MG

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS

KARINA DA COSTA SOUSA

O TEMA DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS EM CURSOS DE ENGENHARIA AMBIENTAL DA CIDADE DE UBERABA, MG

CAMPINAS 2015

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Ficha catalográfica

Universidade Estadual de Campinas Biblioteca do Instituto de Geociências Márcia A. Schenfel Baena - CRB 8/3655

Sousa, Karina da Costa,

So85t SouO tema das mudanças climáticas em cursos de engenharia ambiental da cidade de Uberaba, MG / Karina da Costa Sousa. – Campinas, SP : [s.n.], 2015.

SouOrientador: Denise de la Corte Bacci.

SouDissertação (mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências.

Sou1. Mudanças climáticas. 2. Engenharia ambiental. 3. Geociências. I. Bacci, Denise de la Corte. II. Universidade Estadual de Campinas. Instituto de

Geociências. III. Título.

Informações para Biblioteca Digital

Título em outro idioma: Climate change in environmental engineering courses from Uberaba, MG

Palavras-chave em inglês: Climate change

Environmental engineering Geosciences

Área de concentração: Ensino e História de Ciências da Terra Titulação: Mestra em Ensino História e Ciências da Terra Banca examinadora:

Denise de la Corte Bacci [Orientador] Luana Caetano Rocha de Andrade Pedro Wagner Gonçalves

Data de defesa: 01-07-2015

Programa de Pós-Graduação: Ensino e História de Ciências da Terra

Powered by TCPDF (www.tcpdf.org)

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AGRADECIMENTOS

Gostaria de agradecer a todos que de uma forma ou de outra me ajudaram a desenvolver este trabalho. Em primeiro lugar, à orientadora, professora Denise de la Corte Bacci, pela sua dedicação, que teve início mesmo antes que nos conhecêssemos pessoalmente e que foi fundamental para que este projeto tomasse forma. Muito obrigada pelas sugestões e considerações valiosas; boa parte de meu crescimento durante esta etapa é devido ao conhecimento compartilhado comigo ao longo do trabalho.

Ao professor Pedro Wagner Gonçalves, presente nas bancas de qualificação e defesa, pelas considerações enriquecedoras. À professora Ermelinda Moutinho Pataca, pelos apontamentos que tanto contribuíram para que meu trabalho melhor se delimitasse, durante a qualificação. E à professora Luana Caetano Rocha de Andrade, pelas sugestões durante a defesa.

À Val, pela ajuda em momentos importantes. À CAPES, pela bolsa concedida. Aos coordenadores dos cursos de Engenharia Ambiental da Uniube, da Facthus e da UFTM, André L. T. Fernandes, Renato M. B. Carvalho e Luana C. R. de Andrade, por possibilitarem o desenvolvimento desta pesquisa, assim como todos os outros professores que participaram e contribuíram.

Aos colegas do mestrado e professores do IG que, de uma forma ou de outra, deixaram sua contribuição ao longo desta trajetória.

Aos queridos professores da graduação Aristóteles Teobaldo Neto e Valter Machado da Fonseca, por despertarem em mim o gosto pela pesquisa e, especialmente, pela Educação. Ao meu esposo, por me apoiar e incentivar desde quando este projeto não passava de uma ideia esboçada em papel. Agradeço pela compreensão e paciência nos dias (e nas noites) de dedicação exclusiva à dissertação; pelo apoio quando o desânimo batia à porta e pelo companheirismo, todos os dias!

E, por fim, um agradecimento especial à minha família, especialmente meus pais. Aqui não caberiam palavras para descrever minha gratidão por todo o apoio, amor, paciência e compreensão nos tantos dias em que minha atenção estava quase que completamente voltada ao desenvolvimento deste trabalho. Amo muito vocês e a vocês dedico esta vitória.

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS

O TEMA DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS EM CURSOS DE ENGENHARIA AMBIENTAL DA CIDADE DE UBERABA, MG

RESUMO

Dissertação de Mestrado Karina da Costa Sousa

A evolução da sociedade humana se deu de forma empírica e, inegavelmente, íntima com a natureza. No entanto, à medida que a espécie alcançava estágios mais avançados de conhecimento, maior foi o impacto causado ao ambiente. Hoje, vislumbra-se uma situação de expressiva degradação ambiental, o que resulta em problemas socioambientais. A preocupação com o meio ambiente se tornou intensa, especialmente no meio científico, e uma das consequências disso foi a criação de cursos de formação profissional específicos da área ambiental. Dentre eles, destaca-se o curso de engenharia ambiental, voltado principalmente à prevenção e mitigação de impactos ambientais, bem como ao desenvolvimento de tecnologias para esse fim. No cenário atual, uma das questões de destaque é a das mudanças climáticas e suas consequências para a humanidade. A possibilidade de aquecimento do sistema climático global em decorrência da liberação de gases de efeito estufa pelas atividades antrópicas é uma das questões ambientais mais discutidas atualmente, e para a qual se destinam esforços mundiais. Uma parcela de responsabilidade por sua ocorrência tem sido conferida às consequências de atividades antrópicas; no entanto, esta questão se mostra controversa, já que um grupo de cientistas as admitem como parte das transformações naturais do planeta. O fato é que se trata de uma questão de extrema importância e urgência, que deve ser compreendida de forma crítica e responsável, o que evidencia a importância do campo educacional, especialmente quando se trata da educação profissional neste processo. Fica evidente também a contribuição dos conhecimentos geocientíficos na análise da questão, devido à abordagem interdisciplinar utilizada para o entendimento do planeta. A partir destas considerações, o presente trabalho objetivou investigar como o tema das mudanças climáticas é abordado nos cursos de engenharia ambiental da cidade de Uberaba, MG. Foram aplicados questionários qualitativos aos alunos de disciplinas selecionadas. A metodologia de análise das respostas foi a Análise Textual Discursiva. Os professores de Climatologia foram entrevistados, a fim de que seus depoimentos pudessem complementar a análise das concepções dos alunos. Os resultados mostraram que a maioria dos respondentes considerou a influência das atividades antrópicas no clima global, e, mesmo reconhecendo a influência de processos naturais, o papel das atividades humanas não foi desconsiderado. Nas aulas, o tema foi discutido predominantemente a partir do contexto dos diferentes tópicos estudados nas disciplinas, e as visões sobre a problemática variaram de acordo com eles. Embora a maior parte das aulas tenham sido expositivas, os professores de Climatologia utilizaram propostas mais desafiadoras e chamaram a atenção de seus alunos para a discussão sobre o tema. Sua abordagem valorizou o debate e a pesquisa a respeito da controvérsia. Os estudantes reconheceram relações entre o tema e sua atuação profissional, considerando que o tema deva ser abordado em projetos de trabalho e reconhecendo a competência do engenheiro ambiental para mitigar impactos relacionados às mudanças climáticas. E, apesar reconhecerem as contribuições das geociências para a compreensão deste tema e para sua formação profissional e, eles não foram capazes de desenvolver ideias mais complexas sobre o sistema climático.

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UNIVERSITY OF CAMPINAS INSTITUTE OF GEOSCIENCE

CLIMATE CHANGE IN ENVIRONMENTAL ENGINEERING COURSES FROM UBERABA, MG

ABSTRACT

Masters Degree Karina da Costa Sousa

The evolution of society has an intimate relation with nature. However, as humans developed and got conscious, environment has suffered the impacts of this development. Today, concern about environment has become intense, especially in scientific field, resulting on the creation of specific professional courses on environmental area. Environmental engineering is one of these courses and its major objective is to prevent and mitigate environmental impacts. Nowadays, one of the most relevant environmental concern is about climate change. Global warming and the anthropogenic release dof greenhouse gases is one of the most globally discussed environmental issue. It is a complex subject, which needs to be critically discussed and understood. Because of that, it is evident the importance of education and, specifically, the contribution of Earth Sciences knowledge. Considering this scenario, this work aimed to investigate how climate change is being taught in three environmental engineering courses from Uberaba, MG. It has been used a qualitative questionnaire, that has been answered by the students of the courses and Discursive Textual Analysis. Results have shown that most of the participant consider human’s influence on global climate. During the classes, the theme has been discussed within the context of different topics of the disciplines and the interpretations about climate change depended on the taught subjects. Although classes was predominantly expositive, Climatology teachers used challenging approach, which incited student’s interest. They debated the controversy related to climate change and global warming and incentivized researches about it. Students recognize the relationship between the theme and their future professional activity, considering that the subject must be discussed in work projects, and indicating environmental engineers’ competence in mitigating environmental impacts related to climate change. And although they recognize the contribution of the Earth Sciences knowledge to comprehend the theme and for their professional formation, they could not express complex ideas about climate system.

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 1

1.1 Apresentação: contexto da pesquisa e trajetória pessoal da pesquisadora ... 1

1.2 A Engenharia Ambiental e as mudanças climáticas: considerações iniciais e questionamentos ... 3

1.3 Contribuições das Geociências para o debate das mudanças climáticas nos cursos de Engenharia Ambiental ... 6

1.4 Objetivos da pesquisa... 10

1.5 Contexto do estudo proposto: a cidade de Uberaba e seus cursos de Engenharia Ambiental ... 10

1.5.1 Os cursos de engenharia ambiental da cidade ... 13

1.5.1.1 Faculdade de Talentos Humanos ... 13

1.5.1.2 Universidade de Uberaba ... 14

1.5.1.3 Universidade Federal do Triângulo Mineiro ... 16

2 METODOLOGIA ... 19

2.1 Coleta de dados ... 21

2.1.1 Etapa 1: Contato com as instituições... 21

2.1.2 Etapa 2: Escolha das disciplinas ... 22

2.1.3 Etapa 3: Elaboração dos questionários para os alunos e das entrevistas para os professores ... 26

2.1.4 Etapa 4: Aplicação dos questionários aos alunos ... 30

2.2 Análise das respostas obtidas: A Análise Textual Discursiva (ATD) ... 32

2.3 A estrutura do trabalho e os pressupostos teóricos de análise e interpretação ... 36

3 A CONTROVERSA QUESTÃO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS GLOBAIS ... 39

3.1 Considerações sobre as influências sofridas pelo sistema climático global ... 41

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3.1.2 Fatores terrestres ... 42

3.1.3 Fatores astronômicos ... 51

3.1.4 Fatores extraterrestres ... 53

3.2 Alguns contrapontos às ideias dominantes ... 54

4 ENGENHARIA AMBIENTAL: A PREOCUPAÇÃO AMBIENTAL E A INTERDISCIPLINARIDADE NA ÁREA TECNOLÓGICA ... 65

4.1 O surgimento do curso de Engenharia Ambiental ... 65

4.1.1 O surgimento da Engenharia Ambiental no Brasil ... 68

4.2 Caracterização curricular do curso e campos de atuação do engenheiro ambiental ... 71

4.3 Relações entre o tema das mudanças climáticas e a engenharia ambiental: reflexos na atuação profissional ... 88

4.3.1 A questão das mudanças climáticas em normas brasileiras: alguns exemplos ... 89

5 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS: TENDÊNCIAS GERAIS SOBRE A ABORDAGEM DO TEMA NOS CURSOS E AS CONCEPÇÕES DOS ALUNOS ... 97

5.1 A abordagem do tema das mudanças climáticas nas disciplinas selecionadas ... 97

5.2 Recursos e estratégias didáticas utilizados na discussão sobre mudanças climáticas.... 106

5.3 Concepções dos alunos sobre as relações entre o tema e sua futura atuação profissional ... 110

5.3.1 Mitigação de impactos ambientais relacionados às mudanças climáticas ... 112

5.3.2 Aplicação do conhecimento sobre o clima em projetos ... 116

5.3.3 Educação ambiental e pesquisa ... 122

5.3.4 Respostas não categorizadas ... 123

5.4 Concepções dos alunos sobre o tema das mudanças climáticas ... 123

5.4.1 Comentários sobre as respostas pertencentes à Categoria 1: Mudanças climáticas ocorrem devido a causas naturais, com contribuição antrópica ... 132

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5.4.2 Comentários sobre as respostas pertencentes à Categoria 2: Mudanças climáticas

ocorrem devido a causas naturais ... 140

5.4.3 Comentários sobre as respostas pertencentes à Categoria 3: Mudanças climáticas ocorrem devido às atividades antrópicas ... 147

5.4.4 Respostas não categorizadas ... 153

5.5 Percepções sobre a contribuição das Geociências para a formação profissional e para o entendimento do tema das mudanças climáticas ... 155

5.5.1 Contribuição das Geociências para a formação profissional ... 157

5.5.2 Contribuições para o entendimento do tema das mudanças climáticas ... 161

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 167

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 177

ANEXOS ... 191

APÊNDICES ... 225

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LISTA DE FIGURAS

Figura 5.1 – Fluxograma da análise das respostas à questão que investigou a abordagem do tema das mudanças climáticas nas disciplinas

Figura 5.2 – Recursos/estratégias didáticas utilizados pelos docentes na abordagem do tema das mudanças climáticas

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1.1 - Habilidades e competências específicas esperadas dos egressos dos cursos estudados

Tabela 2.1 – Disciplinas selecionadas nas três instituições para aplicação do questionário Tabela 2.2 – Quantidade de questionários respondidos por turma e instituição

Tabela 4.1 – Possíveis campos de atuação do Engenheiro Ambiental

Tabela 5.1 – Categorias definidas nas disciplinas e correspondência entre categorias semelhantes, que aparecem em cores iguais

Tabela 5.2 – Tópicos no âmbito dos quais se abordou o tema das mudanças climáticas

Tabela 5.3 – Percepção dos alunos sobre as relações entre o tema das mudanças climáticas e sua atuação profissional

Tabela 5.4 – Compreensão dos estudantes sobre o tema das mudanças climáticas Tabela 5.5 – Transcrição das principais ideias expressas pelos alunos

Tabela 5.6 – Percepções dos respondentes sobre a contribuição das geociências para sua formação

Tabela 5.7 – Percepções dos respondentes sobre a contribuição das geociências para a compreensão do tema

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LISTA DE ABREVIATURAS

ANA - Agência Nacional de Águas

ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária APA - Área de Proteção Ambiental

AR5 - Fifth Assessment Report ATD - Análise Textual Discursiva

CONAMA - Conselho Nacional de Meio Ambiente CONFEA - Conselho Federal de Engenharia e Agronomia COP - Conferência das Partes

COPAM - Conselho Estadual de Meio Ambiente

CREA - Conselho Regional de Engenharia e Agronomia EIA - Estudo de Impacto Ambiental

ENOS - El Niño Oscilação Sul

Facthus - Faculdade de Talentos Humanos

FEAM - Fundação Estadual do Meio Ambiente (MG) FUNAI - Fundação Nacional do Índio

GEE - Gás de Efeito Estufa

IBAMA - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

IDHM - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal IEF - Instituto Estadual de Florestas (MG)

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INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária

INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira

IPCC - Intergovernmental Panel on Climate Change (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas)

MDL - Mecanismo de Desenvolvimento Limpo MEC - Ministério da Educação

NOAA - National Oceanic and Atmospheric Administration ODP - Oscilação Decadal do Pacífico

OMM - Organização Meteorológica Mundial ONG - Organização não governamental

PBMC - Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas PIB - Produto Interno Bruto

PLANASA - Plano Nacional de Saneamento

PNMC - Política Nacional sobre Mudança do Clima ppbv - Partes por bilhão em volume

ppmv - Partes por milhão em volume RIMA - Relatório de Impacto Ambiental ROC - Radiação de ondas curtas

ROL - Radiação de ondas longas

TSM - Temperatura da superfície do mar

UFTM - Universidade Federal do Triângulo Mineiro

UNICEF - United Nations Children's Fund (Fundo das Nações Unidas para a Infância) Uniube - Universidade de Ubera

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1 INTRODUÇÃO

1.1 Apresentação: contexto da pesquisa e trajetória pessoal da pesquisadora

Acredito que para desenvolvermos satisfatoriamente qualquer ideia, projeto ou trabalho que nos propomos realizar, precisamos de uma boa dose de motivação pessoal. Especialmente no campo da pesquisa, em que não raras vezes nos deparamos com situações ou circunstancias que podem nos levar ao desânimo, ou até ao abandono da ideia inicial. Por este motivo, conto em breves palavras minha trajetória pessoal, de forma a contextualizar os caminhos que levaram a esta pesquisa.

Meu interesse pelas Geociências remonta ao tempo em que cursava a quinta série (atualmente sexto ano) do ensino fundamental, na Escola Estadual Paulo José Derenusson, em Uberaba/MG, cidade onde nasci, onde resido atualmente e onde a pesquisa foi desenvolvida. Naquela época, graças às aulas de Ciências, interessei-me pela temática dos vulcões, até então pouco conhecida por mim. Minha irmã e uma amiga compartilhavam comigo deste interesse, e tamanha era nossa empolgação com o assunto que passamos a pesquisá-lo e montamos uma pasta que continha os resultados de nossas pesquisas. Aprendemos, fora dos limites da escola, um pouquinho sobre as placas tectônicas, sobre o vulcanismo, a estrutura interna do planeta e sobre os tipos de rochas existentes. Estávamos com onze anos de idade. A pasta existe até hoje, tal qual a deixamos pela última vez. Decidi naquela época que seria vulcanóloga, uma profissão desconhecida por quase todos para quem contava meu desejo! E, para isso, eu estudaria Geologia: na minha concepção, a ciência que estuda as rochas e as montanhas! Eu imagino se todos os professores têm verdadeira noção de quanta diferença podem fazer na vida de uma pessoa, especialmente de uma criança, para o resto de sua vida.

Mas desde a quinta série, até o terceiro ano do Ensino Médio muitas coisas aconteceram, e, embora meu interesse pela Geologia continuasse latente, a vida tomou rumos que não me permitiram seguir esta carreira. Porém, movida por este interesse, escolhi me graduar em Engenharia Ambiental, curso oferecido pela Universidade de Uberaba.

Durante a graduação, envolvi-me intensamente com a Educação Ambiental. Quando cursava o terceiro período, no ano de 2009, fundei, juntamente com minha irmã e uma amiga, ambas também cursando engenharia ambiental, uma organização não governamental,

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objetivando desenvolver projetos de Educação Ambiental para diferentes públicos. Através desta ONG, trabalhamos com crianças e adultos, a partir de projetos que nós mesmas escrevíamos, cujas metodologias consistiam em palestras, oficinas de artesanato reciclável, teatro para crianças, ações de conscientização em comunidades, diagnóstico de áreas degradadas, coleta de resíduos sólidos e promoção de eventos de cunho acadêmico.

Além dos projetos desenvolvidos no âmbito da ONG, participei do projeto de Iniciação Científica intitulado “Educação Ambiental para o produtor rural da APA Rio Uberaba: ações para o desenvolvimento sustentável”. O objetivo era desenvolver uma cartilha contendo informações e esclarecimentos referentes ao licenciamento e à regularização ambiental, à gestão de recursos hídricos, aos resíduos sólidos, à recuperação de áreas de degradadas, e outros temas que pudessem ser importantes aos produtores rurais da Área de Proteção Ambiental do Rio Uberaba. Compreendi, por meio destas experiências, a importância da educação para a construção de uma sociedade mais sustentável, e este pensamento me acompanhou durante todo o curso. Estas experiências também despertaram em mim o desejo de atuar na área acadêmica, especialmente na educação sobre temas ambientais e no desenvolvimento de projetos e pesquisas que possam contribuir para o desenvolvimento sustentável de comunidades e da sociedade em geral. Por este motivo, estabeleci como meta ingressar no mestrado ao final da graduação.

Sobre a questão das mudanças climáticas, a referência que tinha ao ingressar na faculdade era o documentário “Uma verdade inconveniente”, apresentado por Al Gore, o qual assisti durante o terceiro ano do Ensino Médio, em 2007, por solicitação do professor de Biologia. Até o terceiro ano da graduação, as ideias apresentadas por professores de disciplinas como Educação Ambiental, Ecologia Geral, Ecologia Aplicada, etc., eram compatíveis às ideias veiculadas no documentário. Até que tiveram início as aulas de Climatologia, já no sexto período do curso.

Somente neste período fui “apresentada” à controvérsia envolvendo a questão climática – até então desconhecia o posicionamento dos cientistas céticos, e os professores das disciplinas anteriores também não abordaram a controvérsia. O professor de Climatologia realizou um debate, em que ambos os posicionamentos eram confrontados, e solicitou a pesquisa e a leitura sobre a controvérsia. A partir deste período, adquiri grande interesse pelo tema e busquei pesquisar mais sobre ele.

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Estas pesquisas e leituras possibilitaram que eu aprofundasse meus conhecimentos sobre temas referentes à história climática do planeta, o Tempo Geológico, as mudanças pelas quais a Terra passou ao longo de sua história e o papel que as interações entre diferentes esferas e fatores têm nessas mudanças. Tudo isso me levou a refletir sobre a falta da disciplina de Geologia na grade curricular do curso de Engenharia, e como ela pode contribuir para a formação dos engenheiros, por seu caráter histórico e sistêmico, no sentido de compreender a complexidade de processos ambientais que vivenciamos no presente. Conceitos relacionados à Geologia eram abordados em disciplinas como Manejo dos Solos, Topografia e Mensuração, Geotecnia Ambiental, Geoprocessamento e Recuperação de Áreas Degradadas, mas não existia uma disciplina específica de Geologia.

A partir deste contexto, nasceu o projeto de Mestrado. A seguir introduziremos os questionamentos iniciais, a justificativa e os objetivos da pesquisa.

1.2 A Engenharia Ambiental e as mudanças climáticas: considerações iniciais e questionamentos

O curso de Engenharia Ambiental possui uma base bem distinta de outras modalidades da engenharia, aliando conhecimentos básicos em ciências exatas e conhecimentos básicos em ciências naturais, além do conteúdo específico que visa capacitar o egresso para atuar na avaliação, prevenção, mitigação e remediação de impactos ambientais, e no desenvolvimento, aplicação e gestão de tecnologias para estes fins. Tal formação deve, também, conferir ao egresso ampla visão dos processos naturais. Neste sentido, obviamente, as problemáticas ambientais como a questão energética, a degradação de áreas, os recursos hídricos e a questão climática apresentam interfaces com os possíveis campos de atuação profissional deste engenheiro.

A questão climática é uma das mais relevantes no cenário ambiental na atualidade. Não obstante sua relevância, configura-se como uma questão controversa, especialmente nos meios científico e acadêmico. Quanto ao debate do tema por leigos, concordamos com Ramos (2010), que aponta que a controvérsia entre os discursos científicos sobre o tema é silenciada, em maior ou menor medida, pela divulgação da grande mídia. Esta controvérsia está relacionada às influências sofridas pelo sistema climático terrestre – ou, de acordo com o termo técnico, às forçantes climáticas. Galvão e Silva (2013), a respeito do debate sobre

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forçantes que influenciam ou não o clima, informam que os discursos sobre essas influências circulam entre sendo a própria dinâmica interna do planeta, os forçamentos externos e os forçantes antrópicos. Mas, como se define o termo “forçante”?

Segundo o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas – PBMC (2013, p. 18), “a forçante radioativa devido a um agente climático é definida como a diferença em irradiância líquida na tropopausa, entre um estado de referência e um estado perturbado devido ao agente climático”. “O estado de referência pode ser a ausência do agente climático, ou seu impacto em uma dada situação ou época, como, por exemplo, no início da Revolução Industrial (aproximadamente 1750) adotado pelo IPCC - Intergovernmental Panel on Climate Change” (FORSTER et al., 2007 apud PAINEL BRASILEIRO DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS, 2013, p. 18). Um resumo das informações apresentadas pelo recente Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o AR5, sobre as forçantes climáticas é apresentado na Tabela 2.2 do Anexo 1. Outras discussões sobre os fatores que influenciam o clima serão melhor apresentadas no capítulo 3.

A influência da atividade antrópica no clima é considerada superior à influência dos processos naturais. No entanto, existem cientistas que discordam desta conclusão. Trata-se dos cientistas “céticos” (DURKIN, 2007; MOLION, 2008; SUGUIO, 2010, ONÇA, 2011) em relação a se atribuir as atividades humanas como uma forçante climática.

Segundo Bacci e Martins (2013, p. 276), “dado que as variações naturais de temperatura observadas no passado são da mesma ordem de magnitude que aquelas que ocorreram recentemente, não é absolutamente certo que, qualquer parcela dos aumentos observados nos últimos 100 anos possa ser atribuída à intensificação do efeito estufa”, que se dá, por sua vez, devido ao incremento dos valores dos gases de efeito estufa na atmosfera terrestre, conferido às atividades humanas. Molion (2011) afirma que a variabilidade natural do clima não permite atribuir o aquecimento da superfície terrestre à intensificação do efeito estufa causado por atividades humanas e que a aparente consistência entre registros históricos e as previsões dos modelos não significa que o aquecimento esteja ocorrendo. E dá exemplos de registros que conflitam com a hipótese de um efeito estufa intensificado pelo aumento da concentração de CO2 atmosférico: em determinados períodos, quando o lançamento de CO2 era inferior ao atual, houve aquecimento, e, em momentos de desenvolvimento econômico acelerado, como por exemplo o pós-Segunda Guerra Mundial, observou-se resfriamento. Onça (2011, p.517), nas considerações finais de sua tese dedicada à discussão cética sobre o

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aquecimento global antropogênico e seu significado, afirma que a hipótese “constitui a maior fraude científica e social de nosso tempo”. Suguio (2008) explica que no momento não há testemunhos para se atribuir o aumento de temperatura observado durante o século XX à recuperação natural do clima ou às atividades industriais antrópicas. O autor menciona a possibilidade de recuperação natural do clima considerando que se acredita que durante a Pequena Idade do Gelo (1540 a 1890) a temperatura média do planeta tenha chegado a ser 2º centígrados inferior a atual (SUGUIO, 2008, p. 15).

As informações até este ponto apresentadas caracterizam a divergência entre os posicionamentos de estudiosos do clima global, e deixam evidente a relevância desta questão e a importância de sua discussão. Considerando-se essa controvérsia, ressaltamos o papel da Educação para a formação de cidadãos críticos e reflexivos sobre a realidade ambiental. E, pensando-se no âmbito educacional, como discutir um tema tão complexo nos cursos de Engenharia Ambiental? Qual a visão sobre as mudanças climáticas deve ser abordada nos cursos? Destas preocupações, surgem outros questionamentos.

Nesses cursos a Climatologia é por excelência a disciplina que aborda tais questões e é definida (pela Portaria n.º 1.693, de 05 de dezembro de 1994, que institui o curso) como uma matéria de formação profissional geral. Mas apenas em Climatologia esse tema deveria ser abordado? Em quais outras disciplinas é pertinente a abordagem do debate sobre as mudanças climáticas? E qual a relevância do conhecimento geocientífico para este debate? Buscamos observar e responder estes questionamentos ao longo do trabalho. Sobre o último, especificamente, apresentaremos algumas considerações a seguir.

1.3 Contribuições das geociências para o debate das mudanças climáticas nos cursos de Engenharia Ambiental

Potapova (2008) aborda uma possível crise das Ciências Geológicas com origem na tendência que se observava de classificar as ciências de acordo com seus métodos de investigação e não de acordo com seus objetos de estudo. A autora apresenta a Geologia e suas relações com outras ciências naturais, além de elucidar acerca dos conceitos de objetos de estudo e de investigação próprios. O objeto de estudo da Geologia, de fato, pode ser definido como “o processo histórico-geológico”. “A tarefa da Geologia é estudar a história da

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Terra como um todo e suas várias esferas, camadas ou estratos e o núcleo” (POTAPOVA, 2008, p. 87). E continua:

Obviamente, no estudo de um sistema natural integrado tal como a Terra, deveria haver uma ciência que sintetizasse conhecimentos sobre todas as formas de movimento da matéria que tomam parte na evolução do sistema. Essa ciência é a geologia, tomada no seu sentido mais amplo como a mais geral e ampla ciência do planeta. (POTAPOVA, ibid.)

Sendo o engenheiro ambiental um profissional do qual se exige conhecimento sólido dos processos naturais, evidenciam-se as contribuições da Geologia para a formação destes profissionais. O projeto pedagógico de um dos cursos de Engenharia descreve o seguinte:

A adoção do modelo de desenvolvimento sustentado requer aprofundado conhecimento do meio ambiente (físico, biológico e antrópico) e de sua dinâmica, o que permite avaliar seu potencial de uso, determinar suas suscetibilidades e vocações, propor formas adequadas de apropriação dos recursos em função da capacidade de suporte do meio às atividades que nele se desenvolvem. (UNIVERSIDADE de Uberaba, 2013).

Nesse parágrafo podemos perceber que os conhecimentos geológicos fazem parte da base necessária para a formação do engenheiro, dando condição para que o profissional possa entender o funcionamento e a dinâmica do planeta. A Geologia é uma matéria de formação profissional do currículo do curso, existindo interfaces entre as competências adquiridas pelo engenheiro ambiental que podem ser atribuídas às formas de investigação particular dessa ciência.

Frodeman (2010) explica que os métodos de uma ciência hermenêutica e histórica como a Geologia espelham melhor as complexidades que enfrentamos como seres históricos, e que, provavelmente, este tipo de raciocínio será crucial no próximo século. O autor pontua que muitas das questões atuais, como o aquecimento global, são questões científicas e éticas, e que seu caráter científico é profundamente influenciado pela interpretação e pela incerteza.

Como afirmam Bacci e Pataca (2008), essa contribuição é importante para o desenvolvimento de uma visão sistêmica e integrada do ambiente, que se dá a partir das dimensões espaço e tempo, muitas vezes ausentes no ensino de Ciências Naturais, mesmo sendo fundamentais para a compreensão das questões relativas ao planeta. O ensino de Geociências, por sua natureza interdisciplinar – assim como o é a proposta de formação de

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engenheiros ambientais – e por valorizar as dimensões espaço-tempo no estudo do ambiente, contribui para o estabelecimento de relações dialéticas entre o local e o global, no levantamento e análise de problemas socioambientais (Santos, 2011). Segundo Bacci (2009), o conhecimento geocientífico oferece condições de se pensar a realidade de forma complexa e integrada, em diversas escalas de tempo e espaço, o que contribui para que compreendamos os processos em sua totalidade. Vesilind e Morgan (2013), em sua obra intitulada “Introdução à Engenharia Ambiental”, explicam que problemas ambientais devem ser resolvidos através de abordagem holística a despeito de uma abordagem fragmentada que considere um único poluente, ou um único meio.

Considerando as bases conceituais das Geociências, faz-se relevante abordar a questão das mudanças climáticas sob o enfoque geocientífico, que, segundo Galvão e Silva (2013), implica nas visões presentes na sociedade sobre o tema:

(...) no esforço de tratar o planeta como uma entidade única, uma visão de natureza abrangente, histórica, em termos de um sistema complexo, o que permite ter uma imagem dos processos de maneira global podendo ser relacionados a visões parciais, implicando em deslocamentos no modo como significamos as relações entre o homem e a natureza. (GALVÃO E SILVA, 2013, p. 310)

Tal enfoque educativo, em detrimento de uma visão fragmentada, contribuiria expressivamente para a formação dos engenheiros ambientais, na formação de um profissional atue “nos aspectos do relacionamento Sociedade - Meio Ambiente e seus efeitos na cultura, no desenvolvimento socioeconômico e na qualidade de vida” (FACULDADE DE TALENTOS HUMANOS, 2010).

O reconhecimento das Ciências da Terra como base para o desenvolvimento de uma sociedade sustentável é um grande passo e uma grande responsabilidade para os profissionais da área (BACCI, 2009, p. 11). Os conhecimentos em Geologia e Geociências abrem possibilidades para a sociedade tomar decisões e compreender as aplicações dos conhecimentos sobre a dinâmica natural e dos processos naturais na melhoria da qualidade de vida (OLIVEIRA, L, 2012), o que configura uma importante contribuição para a formação e posterior atuação dos engenheiros ambientais. Bacci e Martins (2013) complementam que a falta de entendimento geocientífico compromete a disponibilidade e qualidade de recursos não

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renováveis; aumenta a insegurança habitacional e de vida; gera falsas expectativas em relação à vida no planeta e às mudanças globais, levando à incompleta compreensão do planeta e, como consequência, ao predomínio da visão reducionista e não da sustentabilidade. A visão sustentável é aquela que se espera dos engenheiros ambientais. Jacobi et al. (2011) explicam que a formação da consciência crítica nos remete à reflexão e ação sobre os fatos, para transformar a realidade, ao invés da paralisação diante deles, o que demonstra o papel da educação no entendimento de temas como o das mudanças climáticas.

Considerando tais aspectos, apontamos a contribuição dos conhecimentos geocientíficos para a formação do engenheiro ambiental, bem como a contribuição deste campo para a compreensão do tema estudado.

Expostos os questionamentos e as considerações que embasaram o desenvolvimento desta pesquisa, apresentamos, a seguir, seus objetivos gerais e específicos. Em seguida, o local de estudo será apresentado.

1.4 Objetivos da pesquisa

A pesquisa tem como objetivo geral identificar e descrever como o tema das mudanças climáticas é abordado nos cursos de graduação em Engenharia Ambiental oferecidos na cidade de Uberaba-MG. Os objetivos específicos são:

• Elencar os conhecimentos específicos sobre mudanças climáticas presentes nos cursos de Engenharia Ambiental oferecidos pela Universidade de Uberaba (UNIUBE), Faculdade de Talentos Humanos (Facthus) e Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).

• Levantar as principais metodologias de ensino e os recursos didáticos usados nas disciplinas que abordam as mudanças climáticas.

• Investigar a relação que os alunos constroem sobre o tema e sua atuação profissional. • Identificar qual abordagem científica predomina sobre o tema, considerando as correntes de interpretação das mudanças climáticas: natural ou antropogênica.

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• Identificar a contribuição das Geociências para a elaboração dos conhecimentos sobre a temática pelos alunos do curso, bem como para sua formação profissional.

1.5 Contexto do estudo proposto: a cidade de Uberaba e seus cursos de Engenharia Ambiental

As informações apresentadas até este ponto delimitam a relevância do tema das mudanças climáticas na atualidade e a controvérsia a ele relacionada. A compreensão da problemática do clima global a partir do conhecimento geocientífico pode contribuir para o entendimento dos processos naturais envolvidos, o que, consequentemente, contribui para a formação dos engenheiros ambientais. Neste item apresentaremos o local de desenvolvimento da pesquisa e os cursos de Engenharia Ambiental investigados.

A cidade de Uberaba localiza-se na região do Triângulo Mineiro. Segundo dados do sistema IBGE–Cidades@ (disponíveis no link http://www.cidades.ibge.gov.br), a cidade possuía, no ano de 2010, uma população de 295.988 habitantes, com a estimativa de 318.813 habitantes para o ano de 2014. Compreende uma área 4.523,957 km2, (IBGE, 2010), sendo aproximadamente 256 km2 de área urbana, e o restante abrangendo a área rural. Segundo o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, disponível em ww.atlasbrasil.org.br/2013/pt/perfil/uberaba_mg (consultado em setembro de 2014), o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) passou de 0,692 em 2000 para 0,772, considerado alto, em 2010, o que corresponde a uma taxa de crescimento de 11,56%, ocupando a 210ª posição em relação aos 5.565 municípios brasileiros. No que se refere ao setor econômico, o sistema IBGE-Cidades@ informa que o setor de serviços é responsável por aproximadamente 49,78% do valor adicionado bruto do Produto Interno Bruto (PIB) do município, a indústria por 28,18% e a agropecuária por 7,18%. Embora a agropecuária apresente menor contribuição para o Produto Interno Bruto municipal, se comparado ao setor industrial e ao de serviços, a atividade é tradicional no município, havendo diversas indústrias destinadas a produzir insumos e a beneficiar produtos agropecuários

A história de Uberaba e a formação de engenheiros remonta ao ano de 1895, quando foi inaugurado o Instituto Zootécnico, a primeira instituição de ensino superior da cidade, destinado à formação de engenheiros agrônomos, suprimindo uma necessidade crescente e que era precariamente atendida por alguns técnicos agrimensores (RICCIOPPO FILHO,

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2013). O instituto, no entanto, teve existência efêmera e, em 05 de outubro de 1898, devido a grave situação financeira do estado, foi extinto por ato governamental, como conta Riccioppo Filho (op. cit.). Atualmente, de acordo com o sistema e-MEC, do Ministério da Educação (disponível em http://emec.mec.gov.br/), a cidade conta com 19 instituições de ensino superior, sendo que oito possuem instalações físicas na cidade, e o restante compreende instituições que oferecem cursos à distância. Das instituições presentes na cidade, três oferecem o curso de Engenharia Ambiental: a Universidade de Uberaba (Uniube), a Faculdade de Talentos Humanos (Facthus), ambas instituições particulares, e a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). O primeiro curso ofertado na cidade foi o da Faculdade de Talentos Humanos. Seu início foi autorizado pelo Ministério da Educação através da Portaria Ministerial n.º 623, de 01 de março de 2005, e o nome do curso, conforme consta do relatório do sistema e-MEC é Engenharia Ambiental e Sanitária. O curso de graduação em Engenharia Ambiental da Universidade de Uberaba (Uniube) teve início no ano de 2006. A Uniube possui dois cursos de Engenharia Ambiental cadastrados no sistema e-MEC: o curso do campus de Uberaba e o curso do campus de Uberlândia-MG; e ainda o curso à distância em Engenharia Sanitária e Ambiental. O curso da Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM, é o mais recente da cidade, tendo iniciado no ano de 2010, e ainda não possui turmas diplomadas.

Uberaba situa-se em uma área privilegiada, distando aproximadamente 500 Km de importantes cidades brasileiras, tais como São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF), estando próxima também de Campo Grande (MS), Cuiabá (MT) e Goiânia (GO). Como informam Riberio et al. (2012) neste raio de 500 Km ao entorno de Uberaba estão cerca de 2.100 municípios que juntos detém mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Segundo o projeto pedagógico do curso de Engenharia Ambiental da Facthus, Uberaba é uma das principais cidades de uma região com cerca de setenta municípios em sua área de abrangência, incluindo o Triângulo Mineiro, o Alto Paranaíba, o Noroeste Paulista e o Sudoeste Goiano. Conta com grande diversidade de empresas com atuação na agropecuária, tradicional na região, na área tecnológica e comercial. Destacam-se os setores sucroalcooleiro, alimentício, de mineração e de produção de fertilizantes agrícolas, sendo seu Parque Agroindustrial responsável por 30% da produção nacional de fertilizantes e primeiro produtor de adubos fosfatados da América Latina (RIBEIRO et al., 2012). Além disso, o município também se destaca pela produção de grãos e pela zebuínocultura (idem).

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Pode-se dizer que o fato de a cidade possuir três cursos presenciais de engenharia ambiental é peculiar. Estes cursos, no entanto, abrangem uma região considerável, suprindo suas necessidades por mão de obra especializada na área ambiental. Como informa o projeto pedagógico do curso da UFTM, existem na região escolas de Engenharia de tradição, como as instituições presentes na cidade de São Carlos-SP e de Uberlândia-MG, mas estas não conseguem suprir a demanda pela formação em Engenharia Ambiental (UFTM, 2013). No caso desta instituição, informa-se que cerca de 85% dos alunos matriculados no curso de Engenharia Ambiental são oriundos de cidades que estão a menos de 300 km de distância de Uberaba.

Fatores como este, e as características socioeconômicas mencionadas, evidenciam a viabilidade e a importância dos cursos de Engenharia Ambiental na região, uma vez que suprirão a demanda por profissionais qualificados que atuem na minimização dos impactos ambientais gerados pelas atividades do agronegócio, tradicional na região, e industriais, além de outros tipos de atividades, como o setor de construção civil. Neste contexto, o bacharel em Engenharia Ambiental trabalhará pelo desenvolvimento socioeconômico e ambiental da região, garantindo o bem-estar da comunidade e a conservação dos recursos naturais. Por isso, julgamos que a importância regional destes cursos justifica o desenvolvimento desta pesquisa, que busca investigar a abordagem de importante temática ambiental da atualidade, promovendo reflexões sobre a formação destes profissionais.

1.5.1 Os cursos de engenharia ambiental da cidade

1.5.1.1 Faculdade de Talentos Humanos - Facthus

O primeiro curso de Engenharia Ambiental ofertado na cidade foi o da Facthus. Segundo informações do sistema e-MEC, o título conferido ao egresso do curso é o de bacharel. Seu regime é semestral, sendo oferecido no período noturno, modalidade presencial e com duração mínima de 5 anos. A carga horária mínima deste curso corresponde a 4330 horas. O atual Conceito de Curso, obtido em avaliação do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), no ano de 2010, é 4, de acordo com o referido sistema.

Segundo o projeto pedagógico do curso, seu objetivo é preparar profissionais na área da Engenharia Ambiental com conhecimentos técnico-científicos e capacidade de absorver e

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desenvolver novas tecnologias, estimulando a sua atuação crítica e criativa na identificação e resolução de problemas ambientais, com visão ética e humanística, para o atendimento às demandas da sociedade (FACUDADE DE TALENTOS HUMANOS, 2010, p.9). Os campos de atuação profissionais são aqueles dispostos na Resolução Confea n.º 447, de 22 de setembro de 2000.

1.5.1.2 Universidade de Uberaba - Uniube

Segundo informações disponibilizadas no sistema e-MEC, este curso é ofertado nos períodos noturno e integral, na modalidade presencial, e o tempo mínimo de integralização curricular é de 10 semestres. O título conferido ao egresso do curso é o de bacharel. A carga horária mínima corresponde a 5061 horas. O atual Conceito de Curso, obtido na última avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), realizada em 2012, é 4, de acordo com o sistema e-MEC.

Segundo seu projeto pedagógico, o curso tem como finalidade responder às exigências da sociedade, com o compromisso de elevar a qualidade de vida com sustentabilidade, com os seguintes objetivos:

 Formar profissionais com visão global, crítica e humanística, com potencial criativo de raciocínio, aptos a tomarem decisões em um mundo diversificado e interdependente e capazes de avaliar a dimensão das alterações ambientais causadas pelas atividades do Homem;

 qualificar profissionais em Engenharia Ambiental e Sanitária conscientes e aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira;

 estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo;

 estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, além de prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade;

 promover a identificação dos processos de degradação ambiental para elaboração de propostas de recuperação do ambiente, respeitando a condição social, cultural e econômica da comunidade envolvida, estimulando a adoção dos princípios da sustentabilidade;

 possibilitar a aquisição de conhecimentos técnicos suficientes para adotar procedimentos capazes de minimizar os impactos ambientais indesejáveis, qualquer que seja a escala em que ocorram (local, regional e global);

 incentivar a pesquisa e a investigação científica, visando ao desenvolvimento sustentável da ciência e da tecnologia bem como à difusão da cultura e, desse modo, desenvolver o entendimento do

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homem e do meio em que vive, como componentes integrados de um mesmo sistema;

 promover a divulgação de conhecimentos técnicos, científicos e culturais - e propiciar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação;

 promover a extensão, aberta à participação da comunidade, visando a difusão das conquistas e benefícios resultantes da pesquisa científica e tecnológica e da criação cultural geradas na Instituição;

 promover a divulgação de conhecimentos técnicos, científicos e culturais e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação;

 suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento profissional continuado, integrando os conhecimentos adquiridos de forma crítica e criativa. (UNIUBE, 2013, p.60)

O documento informa que o campo de atuação do Engenheiro Ambiental:

Está vinculado às áreas de preservação e controle ambiental através do planejamento e gerenciamento de programas de caráter local, municipal, regional, estadual, interestadual e internacional, junto a setores que demandam um profissional com formação em Engenharia Ambiental e Sanitária, como:

• órgãos governamentais federais, como: IBAMA; ANA; Ministério do Meio Ambiente; Ministério da Agricultura; Ministério do Desenvolvimento Agrário; INCRA; FUNAI; Ministério Público Federal; ANVISA;

• órgãos governamentais estaduais, como: Ministério Público Estadual; FEAM; IEF; IGAM; Secretarias Estaduais do Meio Ambiente, da Educação e da Saúde;

• órgãos governamentais municipais, como: Secretarias Municipais de Meio Ambiente, Serviços Urbanos, Educação, Desenvolvimento Social, Saúde e Turismo;

• empresas de consultoria ambiental;

• centros de pesquisas em nível federal, estadual e municipal; • Universidades, Faculdades e Centros de Ensino;

• agências de financiamento de projetos;

• empresas públicas e privadas de saneamento ambiental; • organizações empresariais e industriais;

• Organizações Não-Governamentais – ONGs. (UNIUBE, p. 53) 1.5.1.3 Universidade Federal do Triângulo Mineiro - UFTM

O curso de engenharia ambiental da UFTM é presencial, ofertado em período integral e com regime semestral, sendo que o tempo mínimo de integralização curricular é de 10 semestres. Sua carga horária mínima é de 3925 horas. O título conferido ao egresso é o de bacharel. Tais dados estão disponíveis no sistema e-MEC.

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O objetivo deste curso, segundo seu projeto pedagógico, é:

Formar engenheiros na área de engenharia ambiental, com sólida base de conhecimentos científicos, dotado de consciência ética, política, com visão crítica e global da conjuntura econômica, social, política e cultural da região onde atua. O profissional formado deverá estar apto a compreender e traduzir as necessidades de indivíduos, grupos sociais e comunidade com relação aos problemas tecnológicos, socioeconômicos, gerenciais e organizativos, utilizando racionalmente os recursos disponíveis e conservando o equilíbrio ambiental. (UFTM, 2013, p. 50)

As competências e habilidades relacionadas nos projetos pedagógicos dos três cursos são, em sua maioria, aquelas dispostas na Resolução n.º 11, de 11 de março de 2002, do Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Superior. Estas habilidades podem ser resumidas em:

 Aplicar conhecimentos matemáticos, físicos, químicos, biológicos, científicos, tecnológicos e instrumentais à engenharia para oferecer soluções às questões ambientais;

 Projetar e conduzir experimentos e interpretar resultados;  Desenvolver a criatividade, iniciativa e sociabilidade;

 Planejar, supervisionar, elaborar e coordenar projetos e serviços de Engenharia;  Identificar, formular e resolver problemas de Engenharia Ambiental;

 Desenvolver e/ou utilizar novas ferramentas e técnicas;  Comunicar-se eficientemente

 Atuar em equipes multidisciplinares;

 Avaliar a viabilidade econômica de projetos

 Avaliar o impacto das atividades da engenharia no contexto social e ambiental;  Compreender e aplicar a ética e responsabilidade profissional;

 Assumir a postura de permanente busca de atualização profissional.

Além destas habilidades comuns, a Tabela 1.1 mostra as habilidades específicas descritas nos projetos pedagógicos dos três cursos.

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Tabela 1.1 - Habilidades e competências específicas esperadas dos egressos dos cursos estudados

HABILIDADES E COMPETÊNCIAS

FACTHUS UNIUBE UFTM

Conhecer os principais aspectos jurídicos relacionados às questões ambientais

Implantar programas de conscientização da comunidade, incentivando o trabalho de pesquisa e investigação científica que contribuam para a compreensão da questão ambiental.

Adquirir conhecimentos sólidos das ciências fundamentais de base para a engenharia, das ciências ambientais e das tecnologias de controle ambiental.

Avaliar o impacto das atividades antrópicas no contexto socioambiental e realizar ações que proporcionem a prevenção da poluição e/ou reparação da degradação ambiental garantindo uma melhor qualidade de vida à população.

Ter capacidade de diálogo técnico-científico, inclusive no que respeita aos paradigmas e aos jargões setoriais, com quem tradicionalmente atua na área ambiental, com os profissionais da geografia, da geologia, da biologia, da economia, das ciências humanas, das ciências agrárias e das ciências da saúde.

Atuar na resolução de problemas considerando seus aspectos políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.

Possuir visão crítica da política ambiental e atualizar-se no que diz respeito aos movimentos sociais que tratam da temática ambiental.

Supervisionar e avaliar a operação e a manutenção de sistemas.

Ter conhecimento dos fundamentos da metodologia científica.

Ter conhecimento de recursos de informática.

Possuir visão crítica da atuação social e política da

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engenharia.

Outros dados dos projetos pedagógicos destes cursos serão explorados na discussão dos resultados obtidos. Uma caracterização mais geral e abrangente do curso de Engenharia Ambiental será apresentada no capítulo 4. A seguir, os procedimentos metodológicos realizados ao longo da pesquisa, bem como a forma de análise e interpretação dos dados serão descritos.

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2 METODOLOGIA

Expor um procedimento científico, de acordo com Pereira e Costa (2008), baseia-se em descrever os princípios fundamentais postos em prática em um trabalho de pesquisa. As autoras explicam que, conforme consideram Quivy e Campenhoudt (1995), fazer pesquisa em educação inclui um percurso constituído por um conjunto de procedimentos assentados em elementos norteadores. Estes procedimentos, segundo os autores, referem-se ao como proceder, excluindo-se a ideia de uma sucessão imutável de métodos e técnicas estereotipadas, uma vez que, frequentemente, o quadro estabelecido vai se ajustando ao percurso investigativo em desenvolvimento. A prática comprovou a assertiva das autoras e, de fato, nossos métodos, sem prejuízo das ideias iniciais e norteadoras do estudo, foram se ajustando às situações vivenciadas em decorrência da pesquisa. Neste capítulo descrevemos os métodos de coleta e análise de dados definidos e empregados, explicitando os percursos percorridos em nosso estudo.

De início, esclarecemos que o objetivo da pesquisa e suas especificidades nos remeteram a um estudo de natureza qualitativa. Os principais recursos definidos para se alcançar o objetivo geral do estudo foram a aplicação de um questionário qualitativo aos estudantes dos cursos investigados e a realização de entrevista com os professores das disciplinas de Climatologia destes cursos. Segundo Bogdan e Biklen (1994 apud Pereira e Costa, op. cit., p.172), a pesquisa qualitativa apresenta algumas características essenciais, destacando-se as descritas a seguir, que se aplicam adequadamente à presente pesquisa:

 a fonte de dados é o ambiente natural e o investigador assume um papel principal na recolha deles;

 é descritiva e interpretativa, os investigadores interessam-se mais pelos processos e pela sua descrição e interpretação do que pelos produtos;  os investigadores tendem a analisar os dados de forma mais indutiva do

que dedutiva. (BOGDAN E BIKLEN, 1994 apud PEREIRA E COSTA, 2008, p. 172)

A escolha pelo questionário se deu principalmente pelo fato de que este instrumento permite inquirir vários sujeitos em curto intervalo de tempo. Além do questionário, outros documentos foram importantes em diferentes etapas da pesquisa, sendo eles os projetos pedagógicos dos cursos e as ementas das disciplinas – documentos internos produzidos pelas

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instituições de ensino superior investigadas; e a legislação e normas relacionadas ao curso de engenharia ambiental – documentos de origem externa às instituições.

O trabalho teve início com uma revisão de bibliografia que abarcou não somente a legislação e as normas referentes ao curso de graduação em engenharia ambiental, mas os temas de mudanças climáticas, e o ensino de geociências. Além da revisão bibliográfica, foi necessário realizar a análise dos documentos internos dos cursos investigados – os projetos político-pedagógico dos cursos de engenharia ambiental da Universidade de Uberaba, da Faculdade de Talentos Humanos e da Universidade Federal do Triângulo Mineiro.

Através dos projetos pedagógicos, analisamos as ementas das disciplinas (apenas as ementas estavam disponíveis no documento) e selecionamos aquelas cujos tópicos apresentavam relação com o tema das mudanças climáticas. Com isso, os questionários foram elaborados e aplicados aos alunos das turmas (disciplinas) selecionadas. Os roteiros para as entrevistas com os professores também foram elaborados a partir das ementas das disciplinas. Os passos que sucederam a elaboração dos questionários e entrevistas serão detalhados no item 2.1, a seguir, que mostrará como os procedimentos metodológicos e de análise dos resultados foram se ajustando à pesquisa.

A metodologia que guiou a análise dos resultados obtidos com os questionários foi a Análise Textual Discursiva. Assim como Patton (2002), acreditamos que a natureza interpretativa do questionário demandou uma abordagem indutiva; ou seja, ao invés de buscarmos padrões pré-determinados, permitimos que as ideias emergissem (PATTON, 2002 apud SHEPARDSON et al., 2008). Tanto esta abordagem indutiva quanto a análise de dados que valoriza a emersão das ideias a despeito de sua categorização em padrões pré-determinados foram possibilitados pela metodologia de análise utilizada, que será descrita no item 2.2. Os pressupostos teóricos que nortearam a discussão dos resultados serão apresentados no item 2.3.

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2.1 Coleta de dados

Os principais instrumentos utilizados para coletar os dados que nos permitiriam compreender a abordagem do tema das mudanças climáticas nos cursos investigados foram a aplicação de questionários aos alunos e a realização de entrevistas com professores de Climatologia. As etapas que se sucederam desde a concepção destes instrumentos até sua aplicação serão descritas nesta seção.

2.1.1 Etapa 1: Contato com as instituições

O contato inicial com os coordenadores dos cursos de engenharia ambiental das universidades uberabenses foi realizado no mês de abril de 2013, via e-mail. O objetivo deste primeiro contato era agendar uma reunião com cada coordenador de curso para apresentar o projeto e solicitar anuência para o seu desenvolvimento na instituição. Com isso, o primeiro documento de que necessitaríamos seria o projeto pedagógico de cada curso, porque a partir dele analisaríamos as ementas das disciplinas e selecionaríamos aquelas para as quais aplicaríamos o questionário. Este documento só está disponível no endereço eletrônico da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM); as outras duas instituições pesquisadas não o disponibilizavam nas páginas virtuais de seus cursos.

Neste primeiro contato, obtivemos sucesso apenas na Universidade de Uberaba (Uniube). O coordenador do curso de engenharia ambiental desta instituição era também o professor da disciplina de Climatologia. Ao autorizar que a pesquisa fosse desenvolvida na universidade, o coordenador nos forneceu o projeto pedagógico do curso. Os contatos com os coordenadores das outras instituições de ensino superior (IES) foram feitos novamente no segundo semestre do ano mencionado. No caso do coordenador da Faculdade de Talentos Humanos (Facthus), o contato foi feito no mês de setembro e a reunião para apresentação do projeto aconteceu em outubro. E no caso da UFTM, que passava por alteração na coordenação do curso (um dos motivos que dificultaram o contato no primeiro semestre), a reunião aconteceu em outubro. Após estas reuniões e às autorizações dos coordenadores, os projetos pedagógicos dos cursos foram fornecidos e assim pudemos selecionar as disciplinas e elaborar

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os questionários que seriam aplicados aos alunos bem como os roteiros das entrevistas com os professores.

2.1.2 Etapa 2: Escolha das disciplinas

A escolha das disciplinas baseou-se na leitura de suas ementas e na literatura. Buscamos identificar as disciplinas que se relacionam ou que potencialmente abordam temas relacionados às Mudanças Climáticas, a fim de verificar as possíveis abordagens do tema.

Diversos exemplos de estudos que tratam do tema das mudanças climáticas no âmbito de diferentes disciplinas dos cursos de engenharia ambiental, como é o caso da Análise de Riscos, do Direito Ambiental, da Gestão de Recursos Energéticos, da Valoração e Contabilidade Ambiental, da Saúde Pública e do Planejamento Urbano, áreas que compõem o currículo dos cursos de engenharia ambiental (MARTINS et al., 2010; OJIMA E MARANDOLA JR., 2010; RODRIGUES, 2012; SILVA et al., 2010; LUCENA et al.; 2009).

Algumas disciplinas guardam relações mais estreitas com o tema. Podemos citar como exemplo as disciplinas de Climatologia, Geologia Ambiental, Poluição Atmosférica, Biologia, Ecologia, Química Ambiental, Geologia Geral, Hidrologia, Recursos Hídricos e Educação Ambiental. Em seu conjunto, estas matérias fornecem conhecimentos fundamentais para a formação básica do Engenheiro Ambiental, abordando conceitos sobre o ambiente e as relações existentes entre sociedade e natureza. No caso da Química Ambiental, por exemplo, os autores Ometto e Martinelli (2008) explicam:

As trocas entre a superfície terrestre e a atmosfera são componentes cruciais nos ciclos de praticamente todos os elementos biogeoquimicamente ativos, incluindo a água, carbono, nitrogênio, metano, compostos orgânicos voláteis, entre outros. À medida que essas trocas ocorrem, as concentrações desses elementos na atmosfera são alteradas, tanto espacialmente quanto temporalmente, culminando com uma situação transiente tanto em magnitude quanto na distribuição de suas fontes e sorvedouros na superfície terrestre. Podemos, dessa forma, associar os processos que determinam mudanças nas condições climáticas às possíveis alterações na composição dos biomas e, consequentemente, na ciclagem dos elementos a eles associados. (Ometto e Martinelli, 2008, p.30)

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Outro exemplo é a Geologia:

A geologia está em uma posição chave ao se discutir sobre as mudanças climáticas. (...) porque a geologia é a ciência que pesquisa, entre outros temas, o passado da Terra. (...) Os acontecimentos do nosso planeta foram gravados em camadas de rochas sedimentares, que são lidas e interpretadas pelos geólogos. Os processos e as mudanças geológicas relacionadas cobrem milhares, milhões ou até bilhões de anos. Por isto, é necessário se considerar uma perspectiva de tempo mais ampla quando pesquisamos diferentes ciclos, p.ex. em relação às mudanças climáticas. (EEROLA, 2003)

E o autor ainda orienta: “(...)contar sobre as mudanças climáticas do passado ao público e aos administradores pode trazer novas perspectivas ao debate atual. Isto deve ser feito por geólogos” (EEROLA, 2003, p.04). Quanto à problemática atual dos recursos hídricos, relacionada à sua disponibilidade e gestão, outra disciplina apontada anteriormente, os autores Marengo et al. (2011) ressaltam que o impacto das mudanças climáticas sobre os recursos hídricos não pode ser tratado isoladamente dos usos atuais do recurso, mas, certamente, essas mudanças poderão exacerbar e acentuar todos os problemas antes assinalados (os autores citaram problemas como intensa urbanização, aumento da demanda por água, infraestrutura precária, estresse e escassez do recurso, dentre outros). A Climatologia discute este tema ao tratar do sistema climático e de suas variações.

Enfim, inúmeros são os exemplos de pesquisas que relacionam as mudanças climáticas às diversas áreas de estudo abordadas na Engenharia Ambiental. A Tabela 2.1 apresenta as disciplinas selecionadas para a análise. As ementas de cada disciplina selecionada são apresentadas no anexo 3. Destacamos em negrito nas ementas os tópicos que consideramos guardar relação com o tema das mudanças climáticas.

Não foi possível aplicar os questionários em todas as disciplinas selecionadas, porque algumas delas não foram ofertadas no segundo semestre de 2013. Solicitamos aos professores a autorização para aplicar os questionários durantes suas aulas e passamos à etapa de elaboração dos questionários.

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Tabela 2.1 - Disciplinas selecionadas nas três instituições para aplicação do questionário

Disciplinas selecionadas Período Situação

FA C U L D A D E D E T A L E N T O S H U MAN O S

Ecologia 5º Não ofertada no semestre

Geologia para Engenharia 7º Questionário aplicado Hidrologia e Climatologia 8º Questionário aplicado Recursos Naturais 8º Questionário aplicado Poluição Atmosférica 10º Não ofertada no semestre Geoquímica ambiental 7º Questionário aplicado

U N IVE R SID A D E D E U B E R A B A

Sistemas e métodos em solos e

geotecnia I 3º

Ofertada no semestre – questionários não aplicados Ecologia de ecossistemas 3º Questionários aplicados

Climatologia 4º Questionários aplicados Controle da poluição ambiental I

(Ecotoxicologia) 6º Questionários aplicados Controle da poluição ambiental III

(Poluição Sonora e Atmosférica) 8º Não ofertada no semestre Saúde pública e educação ambiental 9º Não ofertada no semestre

Controle da poluição ambiental IV

(Monitoramento ambiental) 9º Questionários aplicados Preservação, conservação e

recuperação de recursos naturais IV 9º Não ofertada no semestre

U

FT

M

Química analítica aplicada à

engenharia ambiental 3º Não ofertada no semestre Geologia geral II 4º Questionários aplicados Química ambiental 4º Questionários aplicados Legislação, direito ambiental e ética

profissional 5º Não ofertada no semestre Climatologia 6º Questionários aplicados Hidrologia ambiental II 6º Questionários aplicados

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