RESOLUÇÃO CRM/MS Nº 07/00
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Mato Grosso do Sul no uso das atribuições que lhe confere a Lei n.º 3.268, de 30 de setembro de 1957, regulamentada pelo Decreto n.º 44.045, de 19 de julho de 1958, e
CONSIDERANDO que os Conselhos são os órgãos supervisores e disciplinadores da classe médica e fiscalizadores do exercício profissional, devendo, portanto, zelar pelas condições adequadas dos serviços médicos prestados à população;
CONSIDERANDO que a responsabilidade fundamental da atividade médica é procurar conservar a vida, aliviar o sofrimento e promover a saúde e, em conseqüência, impõe-se melhorar a qualidade e a eficácia do tratamento intensivo;
CONSIDERANDO que os Conselhos devem regulamentar e normalizar as condições necessárias para o pleno e adequado funcionamento dos serviços de tratamento intensivo no atendimento prestado à população, a fim de que neles seja efetivo o desempenho ético- profissional da Medicina;
CONSIDERANDO a necessidade de classificação das Unidades de Tratamento Intensivo, de acordo com a incorporação de tecnologia, a especialização dos recursos humanos e a área física disponível;
CONSIDERANDO a necessária normatização da atividade médica na área de tratamento intensivo;
CONSIDERANDO o disposto na Portaria n.o 3432 MS/SVS de 12 de agosto de 1998;
CONSIDERANDO a proposição da Câmara Técnica de Medicina Intensiva deste Conselho;
CONSIDERANDO, finalmente, o deliberado na Sessão Plenária de 25 de novembro de 2000;
RESOLVE:
Artigo 1º Aprovar as Normas Mínimas de Funcionamento e Classificação para as Unidades de Tratamento Intensivo, em anexo.
Artigo 2º Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Campo Grande, 25 de novembro de 2000.
Roni Marques Presidente
ANEXO À RESOLUÇÃO CRM-MS nº 07/00, DE 25 DE NOVEMBRO DE 2000.
NORMAS MÍNIMAS DE FUNCIONAMENTO E CLASSIFICAÇÃO DAS UNIDADES DE TRATAMENTO INTENSIVO
1. DISPOSIÇÕES GERAIS
1. As Unidades de Tratamento Intensivo serão classificadas em tipo I, II e III.
1. Todas as unidades atualmente existentes, e ainda não vistoriadas pelo Departamento de Fiscalização do CRM-MS e Câmara Técnica de Medicina Intensiva (CTMI) do CRM-MS, a partir da vigência desta Resolução, serão classificadas como tipo I.
2. As unidades serão vistoriadas pelo CRM-MS e classificadas de acordo com o cumprimento das especificações destas Normas.
2. A partir da data de publicação desta resolução, serão autorizadas somente unidades do tipo II ou III.
3. Todas as Unidades de Tratamento Intensivo do Estado serão, por força de Lei, cadastradas no CRM-MS.
4. A Unidade de Tratamento Intensivo somente poderá funcionar se, no mínimo, forem atendidas as presentes Normas.
5. As Unidades de Tratamento Intensivo devem atender às disposições da Portaria GM/MS n.º 1.884, de 11 de novembro de 1994, publicada no D.O n.º 237, de 15 de dezembro de 1994.
6. As Unidades de Tratamento Intensivo são unidades hospitalares destinadas ao atendimento de pacientes graves ou de risco que dispõem de assistência médica e de enfermagem ininterruptas, com equipamentos específicos próprios, recursos humanos especializados e que tenham acesso a outras tecnologias destinadas a diagnóstico e terapêutica.
7. As Unidades de Tratamento Intensivo podem atender grupos etários específicos, a saber:
a. Neonatal – atendem pacientes de 0 a 28 dias;
b. Pediátrico – atendem pacientes de 28 dias a 14 ou 18 anos, de acordo com as rotinas hospitalares internas;
c. Adulto – atendem pacientes maiores de 14 ou 18 anos, de acordo com as rotinas hospitalares internas;
d. Especializada – voltadas para pacientes atendidos por determinada especialidade ou pertencentes a grupo específico de doenças.
8. Todo hospital que atenda gestante de alto risco deve dispor de leitos de tratamento intensivo adulto e neonatal.
9. A UTI realizará avaliação através do APACHE II se for UTI adulto ou especializada; do
PRISM II se UTI Pediátrica e do PSI modificado se UTI neonatal.
1. O responsável técnico da Unidade de Tratamento Intensivo encaminhará, até o dia 10 de cada mês, os dados estatísticos definidos nas Normas de Controle de Qualidade para as Unidades de Tratamento Intensivo.
10. A UTI desenvolverá e/ou implantará Manual de Rotinas e Procedimentos, sob a responsabilidade do seu responsável técnico.
0. UNIDADES DE TRATAMENTO INTENSIVO TIPO II
As UTIs tipo II, devem contar com equipe básica composta por:
a. um responsável técnico com título de especialista em medicina intensiva para UTI adulto;
ou medicina intensiva pediátrica para UTI pediátrica e/ou neonatal; ou títulos de especialista em medicina intensiva e da especialidade da UTI especializada, devidamente registrado no CRM-MS;
b. um médico diarista com título de especialista em medicina intensiva para UTI adulto; ou medicina intensiva pediátrica para UTI pediátrica e/ou neonatal; ou títulos de especialista em medicina intensiva e da especialidade da UTI especializada para cada dez leitos ou fração, devidamente registrado no CRM-MS, nos turnos da manhã e da tarde;
c. um médico plantonista durante as 24 horas, exclusivo para até dez pacientes ou fração, sendo que pelo menos um terço da equipe deve ter título de especialista em medicina intensiva devidamente registrado no CRM-MS. Os demais plantonistas deverão estar enquadrados nos critérios seguintes:
(1) nas UTIs gerais: especialistas com dois anos de clínica médica ou de clínica cirúrgica geral na formação, com experiência comprovada de no mínimo um ano (600 horas) de atividade em medicina intensiva (excluído o período de residência médica), em instituição idônea, avalizada pela SOSMATI/AMIB;
(2) nas UTIs especializadas: especialistas da mesma área ou especialidade afim, com experiência comprovada de no mínimo um ano (600 horas) na UTI especializada (excluído o período de residência médica), em instituição idônea, avalizada pela Sociedade da Especialidade e SOSMATI/AMIB;
(3) nas UTIs pediátricas / neonatal: especialista em pediatria com experiência comprovada de no mínimo um ano (600 horas) de atividade em medicina intensiva pediátrica / neonatal (excluído o período de residência médica), em instituição idônea, avalizada pela Sociedade de Pediatria de Mato Grosso do Sul (SPMS)/Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e SOSMATI/AMIB;
(4) nas UTIs móveis: especialistas com dois anos de clínica médica ou de clínica cirúrgica geral na formação, com experiência comprovada de no mínimo um ano (600 horas) de atividade em medicina intensiva (excluído o período de residência médica), em instituição idônea, avalizada pela SOSMATI/AMIB;
(5) nas UTIs móveis pediátricas / neonatais: especialista em pediatria com experiência comprovada de no mínimo um ano (600 horas) de atividade em medicina intensiva pediátrica / neonatal (excluído o período de residência médica), em instituição idônea, avalizada pela SPMS/SBP e SOSMATI/AMIB.
a. um enfermeiro coordenador, exclusivo da unidade, responsável pela área de enfermagem;
b. um enfermeiro, exclusivo da unidade, para cada dez leitos ou fração, por turno de trabalho;
c. um fisioterapeuta para cada dez leitos ou fração no turno da manhã e da tarde;
d. um auxiliar ou técnico de enfermagem para cada dois leitos ou fração, por turno de trabalho;
e. um funcionário exclusivo responsável pelo serviço de limpeza;
f. acesso a cirurgião geral (ou pediátrico), torácico, cardiovascular, neuro-cirurgião e ortopedista.
2.2 O hospital com UTI deve contar com:
a. laboratório de análises clínicas disponível nas 24 horas do dia;
b. agência transfusional disponível nas 24 horas do dia;
c. hemogasômetro;
d. ultra-sonógrafo;
e. eco-doppler-cardiógrafo;
f. laboratório de microbiologia;
g. terapia renal substitutiva;
h. aparelho de raios-x móvel;
i. Serviço de Nutrição Parenteral e Enteral;
j. Serviço Social;
k. Serviço de Psicologia.
2.3. O hospital com UTI deve contar com acesso a:
a. estudo hemodinâmico;
b. angiografia seletiva;
c. endoscopia digestiva;
d. fibrobroncoscopia;
e. eletroencefalografia.
2.4. As UTIs devem necessariamente dispor dos seguintes Materiais e Equipamentos:
a. cama de Fawler, com grades laterais e rodízio, uma por paciente;
b. monitor cardíaco de beira de leito com visoscópio, um para cada leito;
c. carro de ressuscitação com monitor, desfibrilador, cardioversor e material para intubação endotraqueal, dois para cada dez leitos ou fração;
d. ventilador pulmonar com misturador tipo blender, um para cada dois leitos, devendo um terço dos mesmos ser do tipo microprocessado;
e. oxímetro de pulso, um para cada dois leitos;
f. capnógrafo, um para cada quatro leitos;
g. bomba de infusão, duas bombas por leito;
h. conjunto de nebulização, em máscara, um para cada leito;
i. conjunto padronizado de beira de leito, contendo: termômetro (eletrônico, portátil, no caso de UTI neonatal), esfigmomanômetro, estetoscópio, ambu com máscara (ressuscitador manual), um para cada leito;
j. bandejas para procedimentos de: diálise peritonal, drenagem torácica, toracotomia, punção pericárdica, curativos, flebotomia, acesso venoso profundo, punção lombar, sondagem vesical e traqueostomia;
k. monitor de pressão invasiva;
l. marcapasso cardíaco externo, eletrodos e gerador na unidade;
m. eletrocardiógrafo portátil, dois de uso exclusivo da unidade;
n. maca para transporte com cilindro de oxigênio, régua tripla com saída para ventilador pulmonar e ventilador pulmonar para transporte;
o. máscaras com venturi que permita diferentes concentrações de gases;
p. aspirador portátil;
q. negatoscópio;
r. oftalmoscópio;
s. otoscópio;
t. pontos de oxigênio e ar comprimido medicinal com válvulas reguladoras de pressão e pontos de vácuo para cada leito;
u. cilindro de oxigênio e ar comprimido, disponíveis no hospital;
v. conjunto CPAP nasal mais umidificador aquecido, um para cada quatro leitos; no caso de UTI neonatal, um para cada dois leitos;
w. capacete para oxigenioterapia para UTI pediátrica e neonatal;
x. fototerapia, um para cada três leitos de UTI neonatal;
y. Incubadora com parede dupla, uma por paciente de UTI neonatal;
z. balança eletrônica, uma para cada dez leitos na UTI neonatal.
2.5 As UTIs devem dispor dos seguintes recursos de humanização:
a. climatização;
b. iluminação natural;
c. nível de ruído limitado ao inevitável para o funcionamento da UTI;
d. divisórias entre os leitos;
e. relógios visíveis para todos os leitos;
f. garantia de visitas diárias dos familiares, à beira do leito;
g. garantia de informações da evolução diária dos pacientes aos familiares por meio de boletins.
3. UNIDADES DE TRATAMENTO INTENSIVO TIPO III
3.1. As UTIs tipo III, além dos requisitos exigidos paras as UTI tipo II, devem contar com:
a. Espaço mínimo individual por leito de 9 m2, sendo para UTI Neonatal o espaço de 6 m2 por leito;
2. Além de equipe básica exigida pela a UTI tipo II, devem contar com:
a. um médico plantonista para cada dez pacientes, sendo que pelo menos metade da equipe deve ter título de especialista em medicina intensiva devidamente registrado no CRM-MS;
b. enfermeiro exclusivo da unidade para cada cinco leitos por turno de trabalho;
c. fisioterapeuta exclusivo da UTI;
d. acesso a serviço de reabilitação;
2. Além dos requisitos exigidos para as UTI tipo II, o hospital deve possuir condição de realizar os exames de:
a. tomografia axial computadorizada;
b. anatomia patológica;
c. estudo hemodinâmico;
d. angiografia seletiva;
e. fibrobroncoscopia;
f. ultra-sonografia portátil.
2. Além dos materiais e equipamentos necessários para as UTI tipo II, o hospital deve contar, no mínimo, com:
a. Metade dos ventiladores do tipo microprocessado, ou um terço, no acaso de UTI neonatal;
b. monitor de pressão invasiva, um para cada cinco leitos;
c. equipamento para ventilação pulmonar não invasiva, um para cada dez leitos;
d. oxímetro de pulso, um por leito;
e. capnógrafo, um para cada treis leitos;
f. equipamento para fototerapia para UTI Neonatal, um para cada dois leitos;
g. marcapasso transcutâneo.
4. UNIDADES DE TRATAMENTO INTENSIVO MÓVEIS
4.1. Requisitos Gerais:
Todo e qualquer serviço de transporte de pacientes somente pode receber a denominação de Unidade de Tratamento Intensivo Móvel, Unidade de Terapia Intensiva Móvel, UTI Móvel, ou qualquer denominação correlata, ou ainda realizar qualquer tipo de divulgação utilizando-se destes termos se estiver de acordo com os requisitos previstos nestas Normas Mínimas.
4.2. Recursos Humanos:
a. Todo Serviço de Tratamento Intensivo Móvel deve estar sob Responsabilidade Técnica de um médico com título de especialista em Medicina Intensiva, devidamente registrado no CRM-MS.
b. Quando o Serviço de Tratamento Intensivo Móvel for do próprio hospital, o Responsável Técnico pode ser o mesmo da UTI.
c. Para os prestadores autônomos de Serviços de Tratamento Intensivo Móvel, o Responsável Técnico deve ser próprio do serviço, e assinar o Termo de Responsabilidade Técnica perante a autoridade sanitária local, no processo de liberação do alvará sanitário.
d. Toda UTI-Móvel deve ser tripulada, no mínimo, por uma equipe profissional constando de:
Um condutor de veículos.
Um auxiliar de enfermagem.
Um Médico, com especialidade em Medicina Intensiva na mesma modalidade de atuação da UTI-Móvel (Adulto, Pediátrica ou Neonatal) ou, especialistas de uma das áreas seguintes: anestesiologia, cardiologia, cirurgia cardio-torácica, cirurgia geral, clínica médica, endocrinologia, nefrologia, neurologia, pneumologia, com experiência comprovada de no mínimo um ano de atividade em medicina intensiva, em instituição idônea, avalizada pela SOSMATI/AMIB.
4.3. Procedimentos:
a. O Serviço de Tratamento Intensivo Móvel deve estabelecer, por escrito, um manual de rotinas de procedimentos, assinada pelo Responsável Técnico, compatível com os requisitos técnicos e exigências previstas nestas Normas Mínimas, e demais instrumentos legais pertinentes, e que contemple, no mínimo:
Procedimentos médicos.
Processamento de artigos e superfícies.
Controle de manutenção dos veículos e equipamentos Procedimentos de biossegurança.
Transporte intra-hospitalar e de emergência pré-hospitalar
a. Para cada paciente transportado deve ser providenciado um prontuário médico, com o registro de todas as informações relativas às patologias, procedimentos e evolução durante o transporte, com cópia que será entregue no local de destino do paciente.
b. Ao receber um paciente para transporte inter-hospitalar, deve ser exigido do hospital de origem do paciente um relatório médico, com cópia, sobre a sua história clínica, assim como, todos os dados relevantes para o transporte do paciente (dosagens das drogas vasoativas, intervalos de doses de outros fármacos, necessidade de sedação/analgesia/bloqueio neuro-muscular, arritmias, convulsões, perfil de monitorização hemodinâmica e respiratória, equilíbrio ácido-básico e sinais vitais). O original deste documento constitui parte obrigatória do prontuário médico e a cópia deve ser entregue ao hospital de destino.
c. Todos os originais dos prontuários médicos de pacientes transportados pelas UTI's-Móveis devem ser guardados em arquivos próprios, atendendo às mesmas exigências legais previstas para os arquivos hospitalares.
4.4. Infra-estrutura Física:
a) Os Serviços de Tratamento Intensivo Móvel devem obedecer os requisitos quanto à estrutura física previstos nestas Normas Mínimas, além de estar em conformidade com os critérios de circulações internas e externas, de instalações prediais ordinárias e especiais, de condições ambientais de conforto, de condições de controle de infecções e de condições de segurança contra incêndio, determinados na Portaria GM/MS nº 1.884 de 11.11.1994 - Normas para Projetos Físicos de Estabelecimentos
Assistenciais de Saúde, ou a que vier a substituí-la.
4.5. Ambientes do Serviço de Tratamento Intensivo Móvel:
a. Todo Serviço de Tratamento Intensivo Móvel deve possuir, no mínimo, os seguintes ambientes para o desenvolvimento de suas atividades:
Sala de Utilidades.
Sala Administrativa.
Copa.
Rouparia.
Sala de Preparo de Equipamentos/Material.
Depósito de Equipamentos/Material.
Sanitário com Vestiário para Funcionários.
Depósito de Material de Limpeza.
Sala de Reuniões/Entrevista.
Quarto de Plantão, com Banheiro.
Área de Estar para a equipe de saúde.
Garagem, com área para lavagem e desinfecção de veículos.
a. Em se tratando de Serviço de Tratamento Intensivo Móvel do próprio hospital, os ambientes podem ser compartilhados com outros setores do hospital, desde que sejam dimensionados de forma a atender, também a esta demanda.
b. O prestador autônomo de Serviço de Tratamento Intensivo Móvel deve dispor de todos os ambientes citados no item anterior, além de:
Local adequado para arquivo dos prontuários dos pacientes transportados e dos contratos com os hospitais.
Ambiente, instalações e equipamentos adequados para o armazenamento e reprocessamento de artigos e equipamentos de uso nas UTI-Móveis.
a. É permitido ao prestador autônomo de Serviço de Tratamento Intensivo Móvel, a terceirização do reprocessamento de artigos de uso múltiplo, caso não seja possível o uso exclusivo de artigos de uso único e/ou o reprocessamento, em condições de segurança, no próprio Serviço.
4.6. Requisitos para os veículos:
a. Compartimento de pacientes:
O compartimento de pacientes de qualquer UTI-Móvel deve possuir dimensões físicas suficientes para permitir a assistência médica aos pacientes durante o transporte, compreendendo, no mínimo, por paciente adulto ou pediátrico:
1. Veículo Terrestre — Altura mínima de 1,50 m, medida do assoalho ao teto, largura mínima de 1,60 m, medida 30 cm acima do assoalho do veículo, e comprimento mínimo de 2,10 m medido da porta traseira à divisória da cabina do condutor.
2. Veículo Aéreo — O local destinado à maca e/ou prancha rígida deve possuir um comprimento mínimo de 1,70 m e largura mínima de 45 cm. Devem ser previstos ainda, dois lugares para acomodação da equipe de saúde.
3. Veículo Hidroviário — Altura mínima de 1,85 m, largura mínima de 1,70 m e 3,00m de comprimento.
Compartimento de pacientes de UTI-Móvel Neonatal deve possuir dimensões físicas suficientes para permitir a assistência médica aos pacientes durante o transporte, com altura mínima de 1,50 m, medida do assoalho ao teto, assim como, uma área mínima de 1,20 m2 por incubadora, e dois lugares para a acomodação da equipe de saúde.
Todo compartimento de pacientes de UTI's Móveis deve possuir as seguintes características:
1. Iluminação interna compatível com os procedimentos médicos, constando de luzes frias de alta luminosidade em quantidade suficiente para uma boa visibilidade, igual ou superior a 150 Watts.
2. Dotado de rádio-comunicação que, alternativamente, pode ser instalado na cabina do condutor.
3. Acomodação para o Médico e Auxiliar de Enfermagem.
4. Espaços específicos para acomodação de materiais e medicamentos, tais como armários, gavetas e/ou maletas.
5. Superfícies internas forradas de materiais laváveis, que permitam fácil limpeza e desinfecção, dotadas de cantos arredondados.
6. Sistema de ventilação forçada capaz de manter uma temperatura confortável, entre 20 e 25o C, no compartimento destinado aos pacientes.
7. Piso revestido de material antiderrapante.
8. Janelas de vidro jateado, permitindo-se a inclusão de linhas não jateadas, exceto nas aeronaves.
9. Portas que proporcionem abertura suficiente para o embarque e desembarque dos pacientes em posição horizontal.
4.7. Requisitos de Segurança:
a) São considerados requisitos obrigatórios de segurança nas UTI's Móveis : Sinalizador ótico-acústico externo.
Sistema de travas de fixação das macas e incubadoras ao assoalho.
Cintos de segurança para pacientes e demais ocupantes do veículo.
Divisórias fixas entre a cabina do condutor e o compartimento dos pacientes, com comunicação obrigatória entre estes dois ambientes, nos veículos terrestres e barcos.
Balaustre pega-mão fixado no teto e farol de embarque no acesso do paciente.
Nas aeronaves, o posto de comando do piloto deve permitir uma operação segura, sem que haja interferência da equipe ou do paciente sobre os controles de vôo.
4.8. Materiais e Equipamentos Obrigatórios nas UTI's-Móveis
a. Toda UTI-Móvel deve dispor, no mínimo, de uma unidade dos seguintes equipamentos médicos obrigatórios:
01. Maca com rodízios
02. Prancha longa para imobilização da coluna 03. Suportes para soluções parenterais
04. Cadeira de rodas dobrável
05. Cilindro de oxigênio com capacidade mínima de 115 pés cúbicos (3,0 3,2 m3) com válvulas de segurança e manômetro, devidamente acondicionados 06. Instalação de oxigênio com régua tripla: 1 para respirador, 1 fluxômetro com umidificador e um para aspiração (venturi)
07. Cilindro portátil de oxigênio como descrito no item anterior 08. Respirador ciclado a pressão ou volume.
09. Monitor / desfibrilador portátil, com sincronismo e bateria interna recarregável
10. Aparelho portátil de Eletrocardiograma de 12 derivações, com bateria recarregável.
11. Marcapasso transcutâneo
12. Gerador de marcapasso e eletrodo para uso transvenoso 13. 2 Bomba de infusão, com bateria interna recarregável 14. Oxímetro de pulso, com probes adulto e pediátrico 15. Estetoscópio
16. Esfigmomanômetro aneróide adulto e pediátrico 17. Kit de vias aéreas, composto por:
Laringoscópio adulto, com lâminas curvas 1, 2, 3 e 4, e baterias de reserva Laringoscópio pediátrico, com lâminas retas 0 e 1, e baterias de reserva Jogo de cânulas endotraqueais para uso adulto (com cuff) e pediátrico (sem cuff), pelo menos uma de cada número, com adaptadores.
Jogo de cânulas de traqueostomia, pelo menos uma de cada número.
Fio guia para intubação Pinça de Maguil
Bisturi descartável
Kit de drenagem torácica (dreno, conexões e recipientes) adulto e pediátrico Ressuscitadores manuais adulto e pediátrico com reservatório de oxigênio (ambú)
Máscaras para ressuscitadores adulto e pediátrica, pequenas, médias e grandes
Jogo de mascaras venturi, de diversas concentrações Cateteres nasal de O2
Cânulas orofaríngeas,de diversos números
Jogo de cânulas nasofaríngeas, adulto e pediátricas Sondas para aspiração traqueal de vários números
Cateteres de aspiração
Luvas cirúrgicas e de procedimento Xylocaína geleia
Cadarços para fixação de cânula traqueais
a. Toda UTI-Móvel deve dispor, no mínimo, dos seguintes artigos obrigatórios:
1 Kit de acesso venoso, composto por:
· Recipiente contendo algodão com anti-séptico, esparadrapo, compressas de gaze estéreis
· 2 Polifix de 04 vias
· 2 Bolsas de pressurização para soluções
· Agulhas de vários tamanhos e calibres e Seringas de insulina, e seringas de 03, 05, 10 e 20 ml com agulha, 5 de cada
· Butterflys de vários números, pelo menos 6 de cada
· Cateteres para punção venosa profunda: pelo menos 2 adultos e 2 pediátricos.
· Equipos de macrogotas e de microgotas, pelo menos 6 de cada
· Equipos para a bomba de infusão, pelo menos 2
· Garrote, tesoura e tala para fixação de braços
· Bandeja para dissecção venosa 2 caixas de pequena cirurgia
2 Jogos de cânulas para punção venosa tipo "jelco"
4 Torneiras de três vias
1 Jogo de sondas vesicais de Foley e de Nelaton 2 Coletores de urina com sistema fechado
1 Jogo de sondas nasogástricas
6 Jogos de eletrodos descartáveis para monitorização cardíaca
2 Jogos de eletrodos para marca-passo transcutâneo 2 Jogos estéril, completo, de circuito para respirador 2 Almotolias de anti-sépticos
1 Jogo de colares cervicais, adulto e pediátrico
Cobertores ou filme metálico para conservação de calor no corpo
6 Campos cirúrgicos fenestrados de tamanho médio, embalados individualmente
Pacotes de compressas estéreis
6 Jogos de ataduras de crepom de 15 cm e 30 cm de largura Lençóis
1 Pacote de absorventes higiênicos 4 Garrotes fortes de borracha
10 Pares de luvas cirúrgicas de números variados (7,5/8,0/8,5/9,0) 1 Caixa de luvas de procedimento
6 Jogos de fios de sutura, de algodão, nylon, monofilamento, categut simples e cromado, com agulhas, números 2-0 e 3-0
6 Fios de algodão sem agulha número 2-0 1 Pacote de fita cardíaca
3 Óculos de proteção biológico
1 Caixa de máscaras descartáveis para os tripulantes 2 Frascos de trombolítico
Kit de medicamentos necessários para o atendimento de emergência
b. Todo Serviço de Tratamento Intensivo Móvel deve possuir pelo menos uma unidade dos seguintes equipamentos de reserva:
Respirador.
Monitor / Desfibrilador cardíaco.
a. Todos os materiais, artigos e equipamentos para uso na UTI-Móvel devem ser mantidos em condições adequadas de limpeza, conservação e funcionamento, controle de prazo de
validade, segurança e organização.
4.9. Requisitos Adicionais para UTI-Móvel Neonatal
a. As UTI-Móveis para transporte Neonatal, além das demais exigências estabelecidas neste Capítulo, devem dispor de:
Incubadora de transporte para recém-nascido com bateria, suporte em seu próprio pedestal para cilindro de oxigênio e ar comprimido, controle de temperatura com alarme. A incubadora deve apoiar-se sobre carro próprio, com rodas devidamente fixadas quando dentro da UTI-Móvel.
Respirador com blender para mistura gasosa e controle de pressão expiratória final, possibilidade de ventilação controlada e assistida, de preferência não eletrônico.
Todos os demais equipamentos e materiais citados nas tabelas, devem ser atender às especificações para uso neonatal.
Surfactante CPAP nasal.
4.10. Requisitos Adicionais para Aeronaves - UTI-Móvel Aérea
a. A instalação dos equipamentos em UTI-Móvel Aérea deve seguir as normas aeronáuticas em vigor. Todos os materiais e equipamentos utilizados devem ser obrigatoriamente homologados para uso aeromédico, devendo em casos omissos, possuir certificação do fabricante do equipamento habilitando seu uso em aeronaves.
b. As instalações elétricas devem atender às necessidades de alimentação dos equipamentos médicos, constando de conversor 28/115v (volts) – 60Hz (hertz) – 250w (watts), bem como dispor das tomadas necessárias e iluminação adequada, ou seja lâmpadas de 115 vac – 25watts.
5. DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS
5. Todo serviço de Tratamento Intensivo informará à CTMI do CRM-MS, obrigatoriamente até 30 (trinta) dias após a publicação desta resolução, a relação dos médicos que atuam na referida unidade, com atualização anual durante o mês de outubro.
1. Todos os integrantes da UTI deverão estar com suas especialidades registradas no CRM-MS
2. Todos os não intensivistas necessitam comprovação documental de experiência em medicina intensiva perante a CTMI.
3. É obrigatória a comunicação de qualquer alteração ocorrida por entrada ou saída de profissionais na UTI.
2. Estas Normas Mínimas deverão ser atendidas com a maior brevidade possível, não
ultrapassando porém, os prazos aqui estabelecidos, contados a partir da data de publicação desta Resolução:
1. Período de 24 (vinte e quatro) horas para o plantonista presente durante as 24 horas, para cada dez leitos ou fração.
2. Período de 90 (noventa) dias para implantação e implementação do Manual de Rotinas de Procedimentos.
3. Período de 180 (cento e oitenta) dias para:
a. atendimento das exigências referentes à enfermagem.
b. atendimento das exigências referentes à fisioterapia c. aquisição e ou adequações de equipamentos.
d. adequação dos Serviços de Tratamento Intensivo Móvel a esta Resolução ou, caso contrário, mudem sua denominação, seja na razão social, nome comercial (ou nome fantasia), publicidade, letreiros e qualquer outro modo de divulgação.
1. Período de 2 (dois) anos para que sejam atendidas as exigências referentes à qualificação profissional dos médicos plantonistas, inclusive quanto à Chefia de serviço e diarista.
Campo Grande, 25 de novembro de 2000.
Roni Marques Presidente