Regulamento Passatempo Flashes Literários 2.º, 3.º Ciclos do Ensino Básico e Secundário
Passatempo Flashes Literários Regulamento
Secção I – Disposições gerais
1 – Definição e âmbito
A Direção Regional de Educação (DRE) promove o passatempo de fotografia denominado “Flashes Literários”, apoiado pela FNAC-Madeira, que surge no âmbito do Projeto
Baú de Leitura, cujos destinatários são os alunosdas escolas dos 2.º, e 3.º Ciclos do Ensino Básico e Ensino Secundário da Região Autónoma da Madeira (RAM) inscritas no projeto.
Os pais, encarregados de educação dos alunos, pessoal docente e não docente dos estabelecimentos de ensino suprarreferidos podem igualmente participar no presente passatempo na categoria adulto.
A participação no concurso implica:
a) que cada concorrente (aluno ou adulto) faça uma seleção de um excerto literário ao qual se associa a produção de um registo fotográfico alusivo ao conteúdo do excerto;
b) a submissão da candidatura de acordo com as definições que constam da secção dedicada à "estrutura e funcionamento".
2 – Objetivos
I – Divulgar obras e escritores portugueses;
II – Promover a leitura de obras de referência;
III – Contribuir para a melhoria da capacidade de leitura expressiva e de leitura compreensiva de excertos literários;
IV – Estimular a capacidade de articulação/fusão entre texto e imagem;
V – Incentivar os alunos a desenvolver e a valorizar competências
técnicas e de criatividade, no âmbito da fotografia.
Regulamento Passatempo Flashes Literários 2.º, 3.º Ciclos do Ensino Básico e Secundário
3 – Concorrentes
Os concorrentes subdividem-se nas seguintes categorias (idade até 17 de março) :
a) Categoria 1 – 9 a 12 anos (inclusive);
b) Categoria 2 – 13 a 15 anos (inclusive);
c) Categoria 3 – mais de 16 anos;
d) Categoria 4 – adultos (pais, encarregados de educação, pessoal docente e pessoal não docente).
Secção II – Estrutura e funcionamento
4 - Excertos literários
Os excertos literários foram selecionados pela equipa coordenadora do projeto, tendo em conta a qualidade literária dos mesmos e o facto de estes serem textos de autores ou temáticas madeirenses (Ver Anexo 3).
5 – Trabalhos
a) Cada concorrente poderá apresentar duas fotografias que incidam sobre um dos excertos propostos ou de dois distintos;
b) As fotografias não podem ter qualquer texto inscrito nas mesmas (título da foto, nome do autor, …);
c) Os concorrentes, ao enviar os trabalhos, garantem que os mesmos são da sua autoria e que não estão a infringir as regras dos direitos de autor;
d) Os trabalhos copiados da internet serão desclassificados;
e) As fotografias devem ser enviadas com um dos seguintes formatos: tiff, jpg, jpeg;
f) As fotos vencedoras e melhor classificadas serão expostas.
6 – Temática
Regulamento Passatempo Flashes Literários 2.º, 3.º Ciclos do Ensino Básico e Secundário
Os trabalhos fotográficos deverão incidir sobre o conteúdo do excerto selecionado pelo concorrente.
7 – Modalidade
A fotografia poderá ser clássica ou convencional, em formato digital (cor ou preto e branco). Assim, será aceite qualquer foto obtida, quer por processos analógicos, quer por processos digitais, que não tenha sofrido intervenção ao nível do seu conteúdo formal suscetível de modificar a imagem original de tal forma que lhe confira uma nova leitura/interpretação.
Nota: Não é considerada manipulação qualquer correção de contraste, saturação, balanço de cor ou outra destinada a melhorar a qualidade técnica da imagem através de um laboratório fotográfico convencional ou através de software de tratamento de imagem, desde que não implique modificação do conteúdo formal da imagem original.
8 – Inscrição
Os concorrentes deverão enviar a(s) fotografia(s), até 17 de Fevereiro de 2017, para [email protected].
EXCERTOS
Excerto 1 Campo primaveril
Sou esse campo florido, esse arbusto a verdejar, tapete verde estendido, com rebanhos a pastar.
Sou a flor bela e mimosa que cresce livre na terra.
Sou uma ervinha formosa que brinca feliz na serra.
Sou água fria do monte, sou lago, sou rio e mar,
onda leve com espuma, fresquinha água da fonte, um barquinho a baloiçar.
Sou passarinho a voar, sou árvore e sou jardim, sou um tocador de música que começa e não tem fim.
Sou abelhinha ligeira que anda sempre a voejar.
Venham todos se alegrar!...
É chegada a primavera.
Tudo entre vós vai mudar.
DIAS, Maria Gizela Rodrigues Fernandes, Pétalas Soltas
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Excerto 2
E a ilha é este magnífico peso de montanhas onde a multidão das casas, umas às outras sobrepostas, parece reivindicar, em luta nem sempre fácil, o direito de ver o mar ou a vontade de partir… acusando, nalguns casos, o perigo de se enrolar nos socalcos e despenhar-se nas ravinas.
ANDRADE, Irene Lucília, Um lugar para os dias
Excerto 3
Costumava passar horas a fio a observar o movimento dos barcos de pesca, saindo e entrando no porto.
(…) A atração pelo mar era imensamente forte. Adorava estender o olhar pelo horizonte infinito e dar largas à imaginação. Encantava-o a imagem de um pesqueiro carregado de peixe, de regresso ao porto.
ARAÚJO, Lídio, Filhos do mar
Excerto 4 Mar espelhado
(…)
O sol te aquece, ó mar, e julga brincar contigo, emitindo seus raios dourados, perpassados pela brisa e pelo vapor de água regados que, com carinho, aceitas,
e, por mais controvérsias que haja, não os rejeitas!...
Esse penetrante farol te cobre, como um lençol bordado a oiro,
refulgente tesoiro que se confronta com tua água azulina, superfina,
sempre pronta
a reclamar as alterações sofridas
nas tuas ondas vencidas.
DIAS, Maria Gizela Rodrigues Fernandes, Pétalas Soltas
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Excerto 5
Estava um fim de tarde e sem vento. Pedro saiu do Jeep e caminhou alguns metros no sentido da ravina. O mar rebentava mais em baixo, entre o pequeno ilhéu e a costa. Estendeu o olhar ao longo do mar. Parecia que a linha do horizonte subia até à cota do terreno. A voz das ondas chegava da base da ravina, uns cem metros mais abaixo em relação ao ponto onde se encontrava.
FERNANDES, Francisco, A casa do penedo da gaivota
Excerto 6
Uma hora mais tarde…
O dia amanheceu ligeiramente frio e turvo, mas aquém dos nevoeiros, os raios de sol alargam-se por um crivo de nuvens rosadas, sobre o mar, prometendo uma manhã clara e um pico absoluto de primavera. A paisagem da ilha é bela sem definição para a beleza. Direi, antes, perturbadora.
Da varanda alcandorada sobre esta vista, a um tempo excessiva e velada, descubro uma razão para a turbulência dos meus sentimentos.
ANDRADE, Irene Lucília, Um lugar para os dias
Excerto 7
Espuma que à distância nos cativa, a formar no oceano longa estrada, é deveras bastante apreciada
Por todos, de maneira bem festiva!...
O mar em movimento sempre ativa Aquela onda revolta e prolongada Que, ao avistar a areia abandonada, Decide vir beijá-la, intempestiva!...
Rochedos pela espuma embelezados E por vezes rebeldes assombrados Transformam-se em bonitas enseadas!...
As ondas com doçura vão embora, Levando alguns calhaus pelo mar fora, A nos fingir soltas suas baladas!...
SILVA, Gizela Dias , Tela dos meus sonhos
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Excerto 8
O sol descia devagar no horizonte. Um amontoado de nuvens acumulava-se um pouco acima. O astro luminoso manteve-se parcialmente escondido durante alguns minutos, voltou em esplendor, como se estivesse numa despedida e foi, aos poucos, mergulhando no mar em impercetíveis soluços de cor. As nuvens procuravam rimar com este final de dia, tingindo-se de cores que iam do amarelo ao vermelho, depois ao castanho e, finalmente, à escuridão.
FERNANDES, Francisco, A casa do penedo da gaivota
Excerto 9
[…] O automóvel da tia Carla seguia por uma estrada perto do mar.
- Vamos parar no Cabo Girão – disse a tia a Mónica, que ia sentada a seu lado com o Charlie ao colo. – Vocês podem comer qualquer coisa e eu vou tomar um café bem forte. Estou cheia de sono.
Daí a alguns minutos chegavam ao promontório. Foram primeiro ao miradouro. O panorama era de tirar o fôlego. O mar muito azul, as falésias abruptas, a baía do Funchal ao longe.
[…] Prosseguiram a viagem. Passaram pela Ribeira Brava e continuaram ao longo da costa sul. Mónica, que não conhecia aquela estrada, estava encantada. Havia rochas, túneis e cascatas, como no Norte, mas ali o mar era muito calmo.
Pararam na Ponta do Sol e os pequenos foram até ao cais. Mónica gostava das escadas que desciam abruptamente para o mar. Sentou-se num degrau, olhando a água que de instante a instante molhava o degrau seguinte.
[…] Continuaram pela estrada à beira-mar. O automóvel parou por momentos debaixo de uma cascata. Era uma sensação estranha, a água correndo pelos vidros, o som forte, violento.
[…] Chegaram à Madalena do Mar. Era uma povoação esquisita. De um lado da estrada ficavam as casas, pequeninas, caiadas de branco, com vasos de flores e canteiros. Do outro lado a praia de calhaus com barcos, roupa a secar, flores e palmeiras. […]
PEREIRA, Ana Teresa, A Casa dos Pássaros