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Alea vol.10 número2

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Academic year: 2018

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EDITORIAL

Propusemos para este volume o tema “Nos limites da escrita”. Pensávamos, de um lado, no modo como toda grande escrita sempre implicou uma interroga-ção de seus próprios limites, de seu modo próprio de estabelecer relações com a realidade, e, de outro, como também, mais ou menos intensamente, sempre pro-vocou um diálogo com outras linguagens e procedimentos estéticos.

Leda Tenório da Motta discute os desencontros da crítica suscitados pela obra polêmica de Louis-Ferdinand Céline, evocando sua condenação radical nos anos de pós-guerra, calcada sobretudo na “autoridade sartriana”, e sua reabilitação a partir dos anos 1960, empreendida especialmente pelos colaboradores da revis-ta Tel Quel. Miriam Gárate põe em primeiro plano a discussão das relações entre o cinema e a escrita, explorando particularmente o modo como algumas crônicas mexicanas das primeiras décadas do século XX refletem as tensões internas, resis-tências e mudanças de ótica dos setores letrados perante a nova arte. Ana Kiffer explora diretamente a questão dos limites da escrita, a partir de uma reflexão so-bre os “desenhos-escritos” de Antonin Artaud. Em diálogo com o Diário do hos-pício, de Lima Barreto, produzido ao longo de sua internação em um manicômio, Luciana Hidalgo apresenta o conceito de “literatura de urgência”, definindo assim a escrita empreendida em “situações-limite”. Daniela Birman propõe uma analo-gia entre “posição fronteiriça singular” de Milton Hatoum, tal como esta se dese-nha em Relato de um certo Oriente (1989) e Dois Irmãos (2000), com a de Edward Said, apresentada a partir de seu conceito de orientalismo. Paulo Franchetti descre-ve e discute a fortuna do haicai no Brasil ao longo do século XX. Silvana Serrani propõe uma análise discursiva da antologia, tomada como “gênero paradigmático da escrita compilada”, apresentando, ao final de seu ensaio, um estudo de caso de antologias bilíngües de poesia Argentina. Floyd Merrelle João Queiroz desenvol-vem uma reflexão sobre as categorias fenomenológicas de C. S. Peirce, a partir de fragmentos da obra de Jorge Luis Borges. No último ensaio, entre Hölderlin, He-gel e Marx, André Hirt tenta pensar o que possa ser na contemporaneidade uma “política da poesia”, entre o pensamento, a linguagem e a existência.

Em seguida, o volume apresenta três traduções que não deixam de evocar os “limites da escrita”: dois textos provocativos, espécies de manifestos poéticos con-temporâneos, do artista plástico brasileiro Eduardo Kac, e uma espécie de caderno de viagens ao Afganistão da escritora francesa Liliane Giraudon.

Referências

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