DOC_PO\RR\322\322226.hrs PE 221.522/def.
AD Or. da/en
10 de Março de 1997 A4-0083/96
RELATÓRIO
sobre a comunicação da Comissão "Uma plataforma comum: orientações para a preparação pela União Europeia da sessão especial da Assembleia Geral das Nações Unidas a realizar em Nova Iorque em Junho de 1997 para a revisão da Agenda 21 e outras conclusões da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em Junho de 1992" (COM(96)0569 - C4-0656/96)
Comissão do Meio Ambiente, da Saúde Pública e da Defesa do Consumidor
Relator: Deputada Lone Dybkjær
DOC_PO\RR\322\322226.hrs - 2 - PE 221.522/def.
Í N D I C E
Página
Página regulamentar . . . 3
A. PROPOSTA DE RESOLUÇÃO . . . 4
B. EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS . . . 9
Parecer da Comissão para o Desenvolvimento e a Cooperação . . . 13
DOC_PO\RR\322\322226.hrs - 3 - PE 221.522/def.
Por carta de 13 de Novembro de 1996, a Comissão enviou ao Parlamento a sua comunicação"Uma plataforma comum: orientações para a preparação pela União Europeia da sessão especial da Assembleia Geral das Nações Unidas a realizar em Nova Iorque em Junho de 1997 para a revisão da Agenda 21 e outras conclusões da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em Junho de 1992".
Na sessão de 13 de Dezembro de 1996, o Presidente do Parlamento comunicou o envio da referida comunicação à Comissão do Meio Ambiente, da Saúde Pública e da Defesa do Consumidor, competente quanto à matéria de fundo, e à Comissão para o Desenvolvimento e a Cooperação, encarregada de emitir parecer.
Na sua reunião de 17 de Dezembro de 1996, a Comissão do Meio Ambiente, da Saúde Pública e da Defesa do Consumidor designou relatora a Deputada Lone Dybkjær.
Nas suas reuniões de 25 de Fevereiro e de 10 de Março de 1997, a Comissão do Meio Ambiente, da Saúde Pública e da Defesa do Consumidor procedeu à apreciação da proposta da Comissão e do projecto de relatório.
Na última reunião, a comissão aprovou o projecto de resolução legislativa por unanimidade.
Participaram na votação os seguintes Deputados: Collins, presidente; Dybkjær, vice-presidente e relatora; Lannoye, vice-presidente; Apolinário, Banotti (em substituição da Deputada Jackson), Blokland Bowe, Breyer, Correia (em substituição da Deputada Hulthén), De Coene (em substituição da Deputada Van Putten), Eisma, Flemming, Garosci (em substituição do Deputado Leopardi), Gonzalez Alvarez, Graenitz, Grossetête, Hautala (em substituição do Deputado Tamino), Hendrick (em substituição da Deputada Kokkola), Kronberger, Kuhn, Lange (em substituição da Deputada Kirsten Jensen), McKenna, Marinucci, Myller (em substituição da Deputada Diez de Rivera Icaza), Needle, Pollack, Riis Jørgensen (em substituição do Deputado Olsson), Roth-Behrendt, Virgin, White e Whitehead.
O parecer da Comissão para o Desenvolvimento e a Cooperação figura em anexo ao presente relatório.
O relatório foi entregue em 10 de Março de 1997.
O prazo para a entrega de alterações ao presente relatório expira às 10 horas do dia 12 de Março de 1997.
( ) Comissão do Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas, Our Common Future ("O nosso1 Futuro Comum"), Oxford University Press, 1987.
( ) JO C 138 de 17.5.1993, p. 1.2 ( ) JO C 140 de 11.5.1996, p. 5.3
A.
PROPOSTA DE RESOLUÇÃO
Proposta de resolução sobre a comunicação da Comissão "Uma plataforma comum:
orientações para a preparação pela União Europeia da sessão especial da Assembleia Geral das Nações Unidas a realizar em Nova Iorque em Junho de 1997 para a revisão da Agenda 21 e outras conclusões da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em Junho de 1992" (COM(96)0569 - C4-0656/96)
O Parlamento Europeu,
- Tendo em conta a comunicação da Comissão "Uma plataforma comum: orientações para a preparação pela União Europeia da sessão especial da Assembleia Geral das Nações Unidas a realizar em Nova Iorque em Junho de 1997 para a revisão da Agenda 21 e outras conclusões da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em Junho de 1992" (COM(96)0569 - C4-0656/96),
- Tendo em conta as conclusões da reunião do Conselho de 9 de Dezembro de 1996 sobre as orientações para a preparação pela União Europeia da sessão especial da Assembleia Geral das Nações Unidas (UNGASS),
- Tendo em conta o relatório Brundtland de 1987 sobre ambiente e desenvolvimento,(1)
- Tendo em conta as conclusões da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em Junho de 1992 (CNUAD),
- Tendo em conta o projecto de revisão do Tratado da UE, da Presidência irlandesa, no âmbito da Cimeira de Dublim do Conselho Europeu, em Dezembro de 1996 (Dublim II),
- Tendo em conta a Cimeira da OMC em Singapura, em Dezembro de 1996,
- Tendo em conta a Conferência das Nações Unidas sobre População e Desenvolvimento, no Cairo, em Setembro de 1994,
- Tendo em conta a Cimeira Mundial para o Desenvolvimento Social da ONU em Copenhaga, em Março de 1995,
- Tendo em conta a Cimeira da FAO sobre a alimentação mundial, em Novembro de 1996, - Tendo em conta o Quinto Programa de Acção em matéria de Ambiente da UE , bem como a(2)
revisão do mesmo actualmente em curso ,(3)
( ) JO C 44 de 14.2.1994, p. 26.1 ( ) JO C 67 de 16.3.1992, p. 133.2
- Tendo em conta as resoluções do Parlamento Europeu de 18 de Janeiro de 1994 e de 13 de(1) Fevereiro de 1992 ,(2)
- Tendo em conta o relatório da Comissão do Meio Ambiente, da Saúde Pública e da Defesa do Consumidor, bem como o parecer da Comissão para o Desenvolvimento e a Cooperação (A4-0083/97),
A. Considerando que a Conferência do Rio produziu resultados positivos (a Convenção sobre Alterações Climáticas, a Convenção sobre a Biodiversidade, a Agenda 21 e o aumento da consciência ambiental) mas constatou que estamos actualmente mais distantes do desenvolvimento sustentável do que em 1992 e que continuamos a não dispor de uma convenção sobre as florestas;
B. Considerando que o agravamento generalizado da situação ambiental no planeta torna crucial rever as conclusões do Rio e os resultados do seguimento dado às mesmas, a fim de efectuar os ajustamentos necessários,
C. Considerando que é essencial que tanto os êxitos como os problemas que continuam a existir sejam abordados nesta revisão da Agenda 21 e de outras decisões da Conferência do Rio, D. Considerando que o conceito de desenvolvimento sustentável salienta a reciprocidade entre o
desenvolvimento económico e social e a protecção do ambiente no planeta,
E. Considerando que a presente comunicação da Comissão proporciona uma boa base para o debate da posição da União nas negociações em Nova Iorque, em Junho de 1997, mas salienta simultaneamente a importância de que a preparação para a conferência seja tão ampla quanto possível e conduza a um nível de ambição mais elevado para as conclusões da conferência, F. Considerando a importância de a UE assumir uma posição ofensiva e participar de forma muito
activa no trabalho internacional de preparação da Conferência de Junho de 1997 - nomeadamente as reuniões preparatórias oficiais organizadas pela ONU em Nova Iorque, com o grupo de trabalho, de 24 de Fevereiro a 7 de Março, bem como a 5ª sessão da Comissão para o Desenvolvimento Sustentável (CDS), de 7 a 25 de Abril,
G. Considerando que o esforço da UE para incrementar um desenvolvimento sustentável global perde em grande medida credibilidade dado que a própria UE não cumpre o objectivo de desenvolvimento sustentável,
H. Considerando que é da maior importância que o objectivo do desenvolvimento sustentável seja inscrito no Tratado e que o Quinto Programa de Acção em matéria de Ambiente, cujos objectivos coincidem com as conclusões do Rio, seja ajustado e realizado o mais rapidamente possível;
considerando, neste contexto, que os planos de acção locais no âmbito da Agenda 21 deveriam ser mais bem integrados em todas as políticas da UE e activamente apoiados,
1. Considera que o principal objectivo da próxima conferência é uma melhor parceria entre os países ricos e os países pobres;
2. Considera que o problema mais grave é a falta de empenhamento dos países ricos, não só através do seu consumo excessivo (responsável pela maior parte da poluição do planeta), mas também por não concretizarem o compromisso assumido no Rio, em 1992, de transferência de recursos novos e suplementares para os países em desenvolvimento;
3. Partilha a preocupação do Conselho pelo facto de a maior parte dos Estados-membros não cumprirem os compromissos orçamentais do Rio, mas considera insuficiente a afirmação do Conselho no sentido de que tais compromissos devem ser cumpridos "o mais rapidamente possível";
4. Salienta que a UE, apesar da ausência de transferência de recursos, é a única região que pode funcionar como força motriz no desenvolvimento da cooperação ambiental internacional e deve, por isso, assumir um papel de vanguarda na defesa do ambiente global;
5. Salienta que um comércio internacional que tenha em consideração as vertentes do ambiente e do desenvolvimento é uma condição do desenvolvimento sustentável e lamenta profundamente que não tenham sido alcançados resultados nesse sentido na Cimeira da OMC em Singapura, em Dezembro de 1996;
6. Considera que o contributo concreto mais importante consiste em integrar as considerações ambientais em todas as áreas políticas e em reorientar o consumo num sentido mais favorável ao ambiente, mas que ambas as actuações ainda não foram suficientemente concretizadas pelo Conselho e pela Comissão; sublinha que uma maior transparência no que respeita à carga ambiental provocada por diversos produtos aumentará as possibilidades de os consumidores exercerem pressão no sentido de uma maior sustentabilidade e que as taxas ecológicas poderão concorrer para esse efeito;
7. Constata que, para que os países em desenvolvimento possam integrar o aspecto ambiental, é preciso que haja uma maior transferência da tecnologia relevante dos países ricos (nomeadamente da UE); o sector privado deve ser mais envolvido no trabalho da CDS, por exemplo, criando possibilidades favoráveis para a compra de licenças e patentes pelos países em desenvolvimento e incitando as empresas da UE a respeitarem fora do território comunitário as normas ambientais que são impostas na UE; o aspecto ambiental deve ser reforçado, de forma geral, na ajuda ao desenvolvimento da UE (greening);
8. Declara-se de acordo com o Conselho quanto à necessidade de identificar novos problemas (ponto 4), mas manifesta a sua surpresa pelo facto de o próprio Conselho não o fazer;
9. Considera decisiva a integração nas fases de preparação e seguimento de grupos de população tão amplos quanto possível, com especial destaque para as ONG, além do envolvimento das autoridades regionais e locais;
10. Considera fundamental que os Chefes de Estado representem os países, dado que um dos objectivos da Conferência de Nova Iorque é revitalizar todo o processo e dar à sustentabilidade uma prioridade elevada na ordem do dia internacional;
11. Reconhece que é preciso reforçar e melhorar a eficácia dos quadros institucionais da cooperação ambiental internacional, mas sublinha ao mesmo tempo que as questões institucionais não podem ser utilizadas como pretexto para não tomar as necessárias decisões susceptíveis de conduzir a um desenvolvimento sustentável;
( ) Por exemplo, na Conferência Ministerial de Marraquexe, em Abril de 1994, na COP I e COP II,1 respectivamente em Berlim, em Março de 1995, e em Genebra, em Setembro de 1996, e ainda na Cimeira da OMC em Singapura, em Dezembro de 1996.
12. É de opinião que os representantes parlamentares devem desempenhar um papel activo no âmbito da conferência. O ideal seria que o PE estivesse formalmente ligado à conferência com um estatuto comparável ao da delegação da Comissão e pelo menos com um estatuto igual ao que teve noutras conferências ;(1)
13. Constata que os custos da solução dos problemas ambientais globais aumentarão com o adiamento da tomada de medidas sérias para os resolver, pelo que a plataforma comum da UE na conferência deverá ir mais longe do que o pretendido pela Comissão e o Conselho;
14. É de opinião que a legislação ambiental internacional deve ser tornada mais vinculativa e apresenta novamente a sua proposta de um tribunal internacional para as questões do ambiente;
15. Considera a CDS como o órgão coordenador que deve ser responsável por que o trabalho no sentido de um desenvolvimento sustentável seja realizado de forma tão eficiente e rápida quanto possível, e convida a CDS a dotar-se dos instrumentos concretos que lhe permitam atingir resultados mensuráveis no sentido da sustentabilidade;
16. Concorda com o Conselho em que é conveniente que a UNGASS, com base numa avaliação da situação global do ambiente, elabore um programa de trabalho pormenorizado para a CDS, para os próximos 5 anos, e concorda igualmente em que a CDS atribua prioridades particularmente elevadas a determinadas áreas, estabeleça objectivos precisos e elabore um programa concreto para os atingir;
17. Salienta que a CDS e a UNGASS constituem importantes pontos de escala na preparação política da Conferência sobre Alterações Climáticas a realizar em Kyoto, em Dezembro, e que, em consequência, é importante, no âmbito da UNGASS, obter consenso relativamente a uma declaração política firme sobre alterações climáticas;
18. Exorta, pois, a Comissão e o Conselho a defenderem nestas reuniões o objectivo de assegurar o acordo de todos os participantes na COP III sobre conclusões da reunião de Kyoto que assentem nos seguintes princípios:
- todos os novos compromissos pós-Rio deverão ser formalmente consagrados num Acordo Multilateral sobre o Ambiente (AMA) juridicamente vinculativo, que cubra pelo menos o período de 2000 a 2100;
- estes compromissos deverão incluir, inter alia, o estabelecimento de um limite máximo absoluto das concentrações de gases com efeito de estufa global (GHG) não superior ao equivalente a 550 ppmv CO2, bem como uma data explícita em que deve ser alcançada a
"estabilização das emissões", numa base adequada, e um compromisso de redução posterior das mesmas;
- estes compromissos deverão ser implementados de acordo com um limite de emissões estabelecido, para cada país, a um nível correspondente a concentrações de GHG não superiores a 350 ppmv CO2 (caixa verde), uma reserva global de direitos de emissões que não exceda as 200 Gigatoneladas durante a duração do Acordo Multilateral sobre o Ambiente (caixa azul) e penalizações para as emissões que excedam as caixas verde e azul (caixa vermelha);
- as normas e procedimentos necessários à aplicação destes princípios deverão ser acordados até 31 de Dezembro de 1999;
19. Considera extremamente importante que os países ricos aumentem a transferência de capitais para os países em desenvolvimento a fim de reforçar o desenvolvimento sustentável, nomeadamente através de um aumento significativo do nível da ajuda ao desenvolvimento;
20. Salienta a importância de que a UNGASS conduza à aprovação de uma convenção internacional vinculativa sobre a protecção das florestas, que tenha particularmente em consideração a biodiversidade das mesmas;
21. Sublinha que a relação entre o comércio e o ambiente é de importância fundamental para o desenvolvimento sustentável e insiste em que o objectivo global deve ser o de um comércio internacional leal, que integre o respeito pelo ambiente e pelo desenvolvimento; solicita à Comissão que apresente um Livro Verde sobre comércio leal e sustentável, que inclua a ideia de ajustamentos através da aplicação de impostos fronteiriços e que debata esse documento com o Parlamento Europeu e o Conselho;
22. Sublinha a importância de que as conclusões gerais da Conferência assumam a forma de uma declaração orientada para acções e objectivos concretos e incluam um compromisso de realização de nova cimeira dentro de 5 anos;
23. Lamenta que a União Europeia não consiga, por via das medidas até agora desenvolvidas, honrar o compromisso que formulara já antes da Conferência do Rio quanto à estabilização das emissões de CO e insta o Conselho, a Comissão e os Estados-membros a adoptarem finalmente medidas2 enérgicas (por exemplo, um aumento dos impostos sobre a energia independente das receitas);
24. Encarrega o seu Presidente de transmitir a presente resolução ao Conselho, à Comissão e aos governos dos Estados-membros.
B.
EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS
O mundo encontra-se perante graves problemas nos domínios do ambiente e do desenvolvimento, mas esses problemas podem ser resolvidos. O desenvolvimento de um esforço maciço depende simplesmente da vontade política - nomeadamente por parte da UE. É urgente compreender que, se a criação de um desenvolvimento sustentável exige, é certo, um esforço gigantesco hoje, esse esforço é ínfimo em comparação com o que nos será exigido se esperarmos por amanhã.
Entre 23 e 27 de Junho de 1997 realiza-se em Nova Iorque uma sessão especial da Assembleia Geral das Nações Unidas (UNGASS). O objectivo é examinar os resultados alcançados na Conferência do Rio em 1992. A Conferência do Rio baseou-se na filosofia do relatório Brundtland e visava, portanto, elaborar estratégias e medidas com o objectivo de deter e inverter os efeitos da destruição ambiental, no quadro dos esforços para fomentar o desenvolvimento sustentável. A revisão, à qual se dedica este texto, tem três objectivos:
1. Avaliar os resultados alcançados desde 1992.
2. Rever as estratégias com vista à obtenção dos objectivos estabelecidos.
3. Revitalizar todo o processo.
A Conferência do Rio foi única na medida em que estabeleceu que o esforço para criar o desenvolvimento sustentável constitui um processo e que a Conferência do Rio deveria ser encarada como um início e não como um acontecimento isolado. A Conferência colocou o desenvolvimento sustentável na ordem do dia internacional e chamou a atenção para o facto de que a situação ambiental global só pode ser melhorada através de um diálogo e cooperação globais e contínuos. Foi gratificante constatar o entusiasmo em torno da Agenda 21 ao nível local: 1.500 autarquias locais e 49 países elaboraram versões locais da Agenda 21. Infelizmente, agora que estamos a entrar na fase operacional, muito mais difícil, o processo parece ter estagnado - o que não podemos, de modo algum, permitir-nos, do ponto de vista económico, social, ou ambiental.
A Conferência do Rio lançou um processo positivo em várias áreas, mas ainda não conseguiu inverter a evolução negativa. Eis dois exemplos:
- O Painel Intergovernamental de Peritos sobre Alterações Climáticas prevê um aumento da temperatura global de 2º C no ano 2030 e uma subida do nível do mar de 30-50 cm. O aumento da temperatura poderá conduzir a uma importante disseminação de doenças como a cólera, a malária e a febre amarela, bem como a modificações drásticas em sistemas climáticos, com efeitos sobre a produção de géneros alimentícios, etc.
- O ritmo de desaparecimento das florestas tropicais aumenta actualmente 4-9% por ano. Com uma perda florestal de 1% ao ano (como hoje), no ano 2030 teremos tido uma perda total de 5-10%. Muitas espécies animais e vegetais terão desaparecido irreversivelmente.
Esta situação tem importantes consequências para a saúde e a qualidade de vida das pessoas e afecta igualmente os países pobres. Eis alguns exemplos:
- Em 1960, os 20% da população mundial mais ricos tinham um rendimento correspondente ao triplo do rendimento dos 20% mais pobres. Hoje, os primeiros têm um rendimento 60 vezes superior ao dos segundos.
- 1.200 milhões de pessoas que habitam cidades não têm água potável. Estudos do Banco Mundial revelam que as pessoas que têm de comprar a água potável engarrafada pagam, em média, 25 vezes mais do que as que têm acesso directo à água potável canalizada.
( ) Todos estes exemplos são retirados de:1
IUCN World Conservation Union: "1996: Conservation and the Future: Trends and Options Towards the Year 2025".
Worldwatch Institute: "State of the World, 1997", W.W. Norton, Nova Iorque, 1997.
( ) Esses três países são a Dinamarca, a Holanda e a Suécia.2
- No ano 2030, a população do planeta terá aumentado entre 50 e 100%, com a pressão sobre os recursos e a saúde que este facto inevitavelmente implicará .(1)
Numa perspectiva global, a situação ambiental passou, pois, de problemática a alarmante. Contudo, é necessário ter claramente presente que diferentes partes do mundo têm problemas diferentes e, logo, diferentes prioridades. A Europa Central e Oriental está a reestruturar a produção com elevado consumo de energia, e os países em desenvolvimento debatem-se com problemas provocados pela pobreza e pelo excesso de população. A UE, tal como os outros países ricos, tem graves problemas relacionados com um consumo muito elevado e obedecendo a padrões que em nada favorecem o ambiente. Neste contexto, não é surpreendente que os países ricos dêem a maior importância ao aspecto ambiental, no contexto da conferência, enquanto os países em desenvolvimento dão prioridade ao aspecto do desenvolvimento. Os nossos problemas imediatos não são, pois, necessariamente os mesmos, mas estão intimamente relacionados. Nós influenciamos e somos influenciados pelo ambiente global, e é inegável que a protecção do ambiente é, cada vez mais, uma tarefa global. Os países ricos e os países pobres estão ligados num destino comum, e a única forma de podermos resolver os problemas é encontrar um equilíbrio global que tenha em consideração tanto o desenvolvimento como a protecção do ambiente.
O conceito de desenvolvimento sustentável é definido no relatório Brundtland como um processo de mudança que tem o objectivo de satisfazer as necessidades do presente sem destruir a possibilidade de as gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades. Por isso, é importante que todos os aspectos da Agenda 21 - sociais, políticos, económicos e ambientais - sejam implementados. Só integrando todos estes aspectos em paralelo podemos manter o diálogo entre o Norte e o Sul e assegurar que a cooperação global, tão necessária, realiza o equilíbrio entre os diferentes interesses.
Isto mesmo é sublinhado na Declaração de Copenhaga, onde se afirma que o desenvolvimento sustentável integra em igual grau os aspectos de economia, desenvolvimento, desenvolvimento social e protecção ambiental. A situação ambiental e a disparidade de desenvolvimento, cada vez mais pronunciada, entre o Norte e o Sul, significam que a segurança já não é apenas uma questão da segurança dos Estados, mas, cada vez mais, a segurança do futuro dos cidadãos. Esta só pode ser assegurada se o desenvolvimento sustentável marcar todas as áreas da vida no planeta.
Em termos simples, podemos afirmar que o resultado da Conferência do Rio foi um compromisso entre os países ricos e pobres. Os países em desenvolvimento comprometeram-se a participar na solução dos problemas ambientais globais, enquanto os países industrializados prometeram desenvolver um esforço maciço para resolver os problemas de desenvolvimento a curto prazo dos países pobres. Os países ricos muito simplesmente não respeitaram o seu compromisso. A ajuda ao desenvolvimento diminuiu de facto nos últimos anos. A ajuda ao desenvolvimento constituía, de acordo com o Banco Mundial, em 1995, apenas 0,27% do PNB do mundo rico, enquanto que em 1990 constituía 0,33% e em 1988, 0,34%. Neste momento, apenas três países cumprem a sua promessa de fornecer 0,7% do seu PNB em ajuda ao desenvolvimento . Os Estados-membros(2) deram, em média, 0,38%. É certo que ficamos bastante à frente dos EUA, que apenas dão 0,1% do seu PNB em ajuda ao desenvolvimento, mas é inegável que estamos muito longe daquilo que os países prometeram no Rio, há 5 anos - ou seja, 0,7% do PNB -, o que é absolutamente lamentável.
É certo que a ajuda directa não é, de forma alguma, a única forma possível de resolver os problemas Norte-Sul. O comércio é, no mínimo, igualmente importante, e a relação entre o comércio e o ambiente constitui uma área fulcral do desenvolvimento sustentável. Apesar disso, a Cimeira da OMC em Singapura, em Dezembro de 1996, não produziu os necessários resultados, entre outras razões porque os países pobres receavam que os critérios ambientais fossem utilizados pelos países ricos como uma forma de proteccionismo. É preciso discutir de que forma asseguraremos garantias de acesso ao mercado e trabalharemos no sentido de estabelecer definições internacionais da relação entre critérios ambientais e proteccionismo. Tal como a UE salientou na sua comunicação à OMC, não existe qualquer contradição entre a liberalização e o ambiente ou entre a competitividade e padrões ambientais elevados. O objectivo a atingir é o de um comércio internacional leal, que tenha em consideração tanto o desenvolvimento como o ambiente. Deste ponto de vista, o
"desenvolvimento" implica igualmente a implantação de novos padrões de consumo nos países ricos e, por exemplo, uma fixação de preços que internalize de forma consequente o factor ambiental.
Como consequência do estilo de vida que adoptámos, as sociedades ricas são marcadas por um consumo excessivo generalizado. Os problemas que se relacionam com o estilo de vida são difíceis de resolver, mas é justamente isso que teremos de fazer. A modificação dos padrões de consumo é simplesmente o maior desafio dos países ricos, e nesta área a relação entre os responsáveis pela tomada de decisões e os consumidores é muito importante. Os consumidores podem, melhor do que qualquer legislador, pressionar as empresas no sentido de uma maior sustentabilidade. Porém isto pressupõe, naturalmente, que disponham de uma possibilidade real de escolha daquilo que compram através de informações fiáveis - por exemplo, através de uma rotulagem ecológica correcta dos produtos - e que os preços reflictam os custos sociais reais. O desenvolvimento não deve, de forma alguma, ser detido. Devemos, sim, procurar um outro tipo de desenvolvimento.
A UE, como uma das regiões mais ricas e mais poluentes do mundo - e como o maior mercado integrado do mundo - tem uma responsabilidade muito particular. É preciso termos consciência de que se desprezarmos este papel histórico, os nossos filhos virão a pagar um preço incalculável. Assim, o PE apoia a proposta apresentada pela Presidência irlandesa em Dublim II sobre a inscrição no Tratado do objectivo de desenvolvimento sustentável, aprovado na Conferência do Rio. O facto, que é patente no relatório da Comissão sobre a aplicação do Quinto Programa de Acção em matéria de Ambiente de Janeiro de 1996, de a UE estar muito longe de possuir uma produção e um desenvolvimento sustentáveis, prejudica inegavelmente a credibilidade da União como defensora internacional de um desenvolvimento sustentável global. A responsabilidade internacional é mais uma razão para dinamizar o Quinto Programa de Acção em matéria de Ambiente na presente revisão, tal como o Parlamento tinha proposto. Como acontece com a questão da ajuda ao desenvolvimento, só poderemos permitir-nos exercer a necessária pressão sobre outros Estados se nós próprios cumprirmos.
A UE vai agora entrar na decisiva fase preparatória. A introdução da Comissão e os comentários preliminares do Conselho são excelentes, mas ainda há muito que pode ser melhorado. O presente documento não pode aprofundar os textos da Comissão e do Conselho, mas é importante referir que a linguagem utilizada não reflecte grande determinação. Se tivermos em conta que a conferência para a qual nos preparamos vai lançar a cooperação ambiental internacional na fase operacional, as formulações que a Comissão nos apresenta são demasiado vagas. É necessário identificar novos problemas e tomar decisões mais orientadas para a acção e objectivos concretos. Em consequência, a nossa comunicação à Conferência de Nova Iorque, em Junho, deverá ser mais forte e concreta, a fim de que a declaração final possa mostrar claramente quais os objectivos a atingir e de que forma deverão ser atingidos.
Não há dúvida de que uma UE determinada e coerente com os seus objectivos é uma condição de êxito da Conferência de Nova Iorque. Para esse fim, é fundamental que o debate europeu seja tão amplo e simultaneamente tão factual quanto possível. É evidente que o PE, como a instituição mais aberta e a única directamente eleita, desempenha um papel importante nesta matéria, pelo que deverá ter uma ligação tão estreita e formal quanto possível à conferência. Os parlamentos nacionais também deverão ter a possibilidade de desempenhar um papel activo no processo.
Um dos objectivos mais importantes da conferência é manter vivo o diálogo entre o Norte e o Sul e revitalizar o trabalho internacional no sentido de um desenvolvimento sustentável. A conferência deve, pois, ser também uma cimeira de Chefes de Estado. Contudo, é igualmente importante a participação activa no processo de tantos e tão vastos grupos populacionais quanto possível. Um dos pontos fortes da Conferência do Rio em 1992 foi a participação muito activa de um grande número de ONG no processo, e o Parlamento apoia, naturalmente, também desta vez, a participação desses grupos em todas as fases dos trabalhos - desde a preparação até ao seguimento. Só através de uma participação activa e a nível mundial de todos os níveis sociais é possível construir o consenso e a cooperação que constituem a chave de um desenvolvimento sustentável global.
Temos de respeitar a protecção do ambiente mantendo um desenvolvimento económico são. Trata-se de escolher estratégias que tenham em conta todos os aspectos sociais. O conceito de desenvolvimento sustentável não pode ser um conceito vazio, que se exibe em ocasiões festivas. Por isso, é necessário continuar a trabalhar numa definição operacional do significado prático da sustentabilidade. É perfeitamente irracional que tenhamos esperado tanto tempo para transpor para a prática as conclusões do Rio. O preço a pagar, em termos de ambiente, aumenta por cada dia que esperamos. Pensaremos, no fundo, que se adiarmos muito tempo, serão os nossos filhos e netos a pagar o preço?
10 de Março de 1997
PROJECTO DE PARECER (Artigo 147º do Regimento)
destinado à Comissão do Meio Ambiente, da Saúde Pública e da Defesa do Consumidor
sobre a Comunicação da Comissão: "Uma plataforma comum: Orientações para a preparação pela União Europeia da sessão especial da Assembleia Geral das Nações Unidas a realizar em Nova Iorque em Junho de 1997 para revisão da Agenda 21 e outras conclusões da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em Junho de 1992" (COM(96)0569 final).
Comissão para o Desenvolvimento e a Cooperação
Carta endereçada pelo presidente da comissão ao Deputado Collins, presidente da Comissão do Meio Ambiente, da Saúde Pública e da Defesa do Consumidor
Bruxelas, Senhor Presidente,
Nas suas reuniões de 25 de Fevereiro de 1997, a Comissão para o Desenvolvimento e a Cooperação procedeu à apreciação do assunto referido em epígrafe.
Na sua reunião de 10 de Março de 1997, a comissão aprovou as seguintes conclusões:
A importância da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento foi considerável ao favorecer a tomada de consciência das relações existentes entre ambiente e desenvolvimento, definindo o conceito de desenvolvimento sustentável e adoptando objectivos e resoluções importantes.
Trata-se agora de verificar se as suas conclusões estão efectivamente a ser postas em prática. Esta é a finalidade da reunião de Nova Iorque, na qual, portanto, deve ser feito um balanço sobre o estado da sua implementação, procedendo à sua eventual actualização, fixando prioridades e, sobretudo, introduzindo uma nova dinâmica num certo número de domínios nos quais parece necessário e urgente realizar progressos.
Com efeito, a Comissão para o Desenvolvimento e a Cooperação entende que, apesar dos significativos progressos obtidos, as grandes tendências actuais demonstram globalmente uma deterioração do ambiente e maiores dificuldades para lograr assegurar, em muitos casos, um desenvolvimento sustentável.
Assim, é de importância capital que este acompanhamento seja efectuado ao mais alto nível - de chefes de Estado ou de Governo - a fim de permitir o indispensável estímulo político. A União Europeia e os seus Estados-membros devem representar um papel activo neste processo. Dispõem, para isso, dos meios necessários; além disso, trata-se do seu interesse comum.
Este tipo de reunião constitui uma ocasião para aprofundar a reflexão sobre um certo número de problemas que se colocam a longo prazo e que se referem não apenas aos países industrializados mas igualmente aos países em vias de desenvolvimento, designadamente quanto à necessidade de se modificarem os modos de produção e de consumo.
A maior preocupação dos países em vias de desenvolvimento, todavia, diz respeito ao seu desenvolvimento económico e social e, antes de tudo, aos meios de assegurar o seu financiamento.
Embora o volume dos investimentos privados e das trocas comerciais tenha aumentado fortemente para os PVD nos últimos anos, o nível da ajuda pública ao desenvolvimento atingiu o mais baixo nível desde que as Nações Unidas adoptaram em 1970 o seu objectivo de destinarem 0,7% do PNB ao desenvolvimento. A ajuda pública dos países industrializados não representa mais do que 0,27% do seu PNB, sendo que, no caso dos Estados-membros da União Europeia, a percentagem não chega a ser muito mais alta, alcançando 0,42%. O orçamento de 1997 da União Europeia foi adoptado tendo em conta um objectivo de "crescimento nulo".
Ora, a ajuda pública ao desenvolvimento continua a ser essencial para um grande número de PVD, especialmente os mais pobres. A reunião de Nova Iorque deve fazer com que esta tendência decrescente se inverta e com que se assumam novos compromissos concretos, a cumprir segundo um calendário preciso, no âmbito do objectivo reconhecido de 0,7% do PNB destinados à ajuda ao desenvolvimento e cuja validade deve ser reafirmada.
Cabe à União Europeia e aos seus Estados-membros tomarem a iniciativa a esse respeito. Deve-se observar, a propósito, que na Conferência do Rio havia sido salientado que o respeito do objectivo de 0,7% permitiria praticamente o financiamento dos objectivos da Agenda 21.
Os fluxos de capitais privados com destino aos PVD triplicaram entre 1990 e 1993 e quanto aos investimentos, mais do que triplicaram nos últimos cinco anos. Tais fluxos de capitais passaram a representar 72% do conjunto das entradas de capitais nos PVD. Por outro lado, as trocas comerciais continuam também a crescer a um ritmo de 7 a 8% ao ano. Nessas condições, parece extremamente importante - e urgente - proceder a uma cuidadosa avaliação do impacto que o conjunto desses fluxos, aliás distribuídos de maneira desigual entre os vários PVD, poderá ter no processo de desenvolvimento sustentável desses países, bem como definir um certo número de orientações na matéria, visando uma maior implicação das empresas e dos operadores privados. No que toca particularmente às relações entre comércio, desenvolvimento e ambiente, convém recordar que as conclusões da recente Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio, nomeadamente da sua comissão especializada no comércio e no ambiente, foram consideradas amplamente decepcionantes e insuficientes a esse respeito. Trata-se aqui de temas da maior relevância, em relação aos quais os progressos devem ser obtidos a todo o custo.
A questão da dívida, particularmente no caso dos países mais pobres, deve continuar a merecer toda a atenção. Apesar de se dever reconhecer os progressos realizados nomeadamente após a criação, em 1996, de um fundo fiduciário, sob os auspícios do Banco Mundial e do FMI, a favor dos países pobres muito endividados, deve ser possível avançar ainda mais a esse respeito. A Comissão para o Desenvolvimento e a Cooperação pede à União Europeia e aos seus Estados-membros que tomem iniciativas nesse domínio.
A reunião de Nova Iorque deve insistir na necessidade de tomar mais em conta os problemas do ambiente na definição e na aplicação tanto das políticas de desenvolvimento como das políticas económicas seguidas pelos diferentes Estados. Isto se justifica sobretudo no caso da execução dos planos de ajustamento estrutural que dizem respeito a um grande número de PVD, mas igualmente no caso da União Europeia e dos seus Estados-membros na aplicação das suas diferentes políticas, a começar pela política agrícola.
De um modo geral, o acompanhamento da Conferência do Rio deve permitir um progresso na tomada em consideração do objectivo do desenvolvimento sustentável no âmbito de uma abordagem integrada que tenha em conta o conjunto dos aspectos económicos, sociais e ambientais, assim como os principais resultados das grandes conferências internacionais destes últimos anos: Conferência sobre a População e o Desenvolvimento (1994), Cimeira Mundial para o Desenvolvimento Social (1995), Conferência Mundial sobre as Mulheres (1995), Habitat II (1996) e Cimeira Alimentar Mundial (1996).
Estas conferências trouxeram à luz um certo número de dados fundamentais, nomeadamente em matéria de demografia, de urbanização ou de rarefacção da água doce. Por outro lado, outros temas têm sido postos em relevo nos últimos anos, como a gestão dos resíduos radioactivos, por exemplo.
Estas questões devem ser apreciadas na reunião de Nova Iorque, na qual deveria ser possível definir orientações políticas susceptíveis de facilitar as necessárias acções ulteriores.
Além disso, a Comissão para o Desenvolvimento chama. a atenção para a necessidade de obter progressos significativos no que respeita à implementação e ao âmbito de aplicação de certas convenções, designadamente a convenção sobre as alterações climáticas, relativamente à qual parece necessário e urgente determinar, para depois do ano 2000, objectivos específicos e um calendário que sejam impostos de forma imperativa, e a convenção sobre a diversidade biológica, em relação à qual se espera uma rápida evolução das negociações relativas ao protocolo sobre a diversidade biológica.
A comissão acolhe com satisfação a entrada em vigor da convenção sobre a luta contra a desertificação, que parece essencial no caso de um certo número de PVD. A reunião de Nova Iorque poderá, deste modo, proceder a uma primeira apreciação acerca da sua implementação e esclarecer as eventuais dúvidas que possam surgir.
A comissão sublinha ainda a grande importância que atribui ao tema das florestas. A esse propósito, recorda que, a exemplo dos anos anteriores, no orçamento comunitário, 50 milhões de ecus foram destinados às florestas tropicais, a favor das quais a União Europeia desenvolveu importantes programas de ajuda. A comissão julga que é urgente ir além da declaração de princípio, sem carácter obrigatório, adoptada no Rio, e que é necessário estabelecer um instrumento jurídico vinculativo, no âmbito dos trabalhos a nível intergovernamental sobre as florestas.
A propósito de todas estas questões, a Comissão para o Desenvolvimento e a Cooperação entende que a reunião de Nova Iorque deverá imprimir um impulso político decisivo e que a União Europeia e os seus Estados-membros poderão e deverão ter um papel motor.
Nesse contexto, a Comissão para o Desenvolvimento e a Cooperação gostaria de insistir novamente num certo número de questões que lhe interessam particularmente, designadamente as relativas à promoção da cooperação regional, ao apoio institucional aos PVD, às transferências de tecnologia, à participação de representantes da sociedade civil e, em especial, às ONG. Nesses domínios, espera que a acção da União Europeia e dos seus Estados-membros permita obter progressos substanciais.
Por último, a comissão faz questão de acentuar a importância que deve ser dada a um quadro institucional eficaz, que permita ao mesmo tempo uma perfeita coordenação entre os vários mecanismos e entre os diversos órgãos encarregados da aplicação ao dia a dia das conclusões da Conferência do Rio e fornecer, a um nível suficientemente elevado, os estímulos políticos indispensáveis para superar os obstáculos. Para esse efeito, o papel da Comissão para o Desenvolvimento Sustentável deveria ser reforçado.
Apresento a V. Exa., Senhor Presidente, os meus melhores cumprimentos.
(ass.) Michel Rocard
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Participaram na votação os seguintes Deputados: Wurtz, presidente; Carlotti, Cunningham, Dimitrakopoulos (em substituição do Deputado Corrie), Fernandez Martin, Günther, Hory, Janssen van Raay (em substituição do Deputado Andrews), Junker, Kinnock, Lööw, Macartney, Martens, McGowan, Pettinari, Pons Grau, Robles Piquer, Telkämper, Torres Couto, Vecchi e Verwaerde.