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Curso de Direito Constitucional IGEPP – Prof. Leo van Holthe
AULA 17
Pontos do edital enfrentados neste material: Processo legislativo (parte I): arts. 59, 61, 63, 65 a 67 da CF/88.
1. Introdução
Seção VIII
DO PROCESSO LEGISLATIVO Subseção I
Disposição Geral
Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:
I - emendas à Constituição;
II - leis complementares;
III - leis ordinárias;
IV - leis delegadas;
V - medidas provisórias;
VI - decretos legislativos;
VII - resoluções.
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis.
O processo legislativo consiste na sequência de atos que devem ser cumpridos para a devida formação das normas jurídicas indicadas no art. 59 da CF/88, a saber: emendas à Constituição, leis complementares, leis ordinárias, leis delegadas, medidas provisórias, decretos legislativos e resoluções.
Essas normas são chamadas pela doutrina de atos normativos primários, pois retiram o seu fundamento de validade jurídica diretamente da Constituição Federal, sem intermediários. Isso os diferencia dos chamados atos normativos secundários (a exemplo do decreto regulamentar), que são aqueles que retiram o seu fundamento de validade dos atos primários.
Portanto, o processo legislativo previsto na CF/88 somente se refere à formação dos atos normativos primários previstos no art. 59 da CF/88.
Quanto ao modo (mais demorado ou mais rápido) pelo qual os atos do processo legislativo se realizam:
a) processo legislativo ordinário ou comum, que é o adotado para a elaboração das leis ordinárias. Podemos dividi-lo em três fases:
1.ª) A fase introdutória, que é a fase da iniciativa da lei, em que a autoridade competente apresentará o projeto de lei no Poder Legislativo.
2.ª) A fase constitutiva, que compreende uma deliberação parlamentar (quando o projeto será discutido e votado no Legislativo) e uma deliberação executiva (quando o projeto receberá uma sanção ou um veto do presidente da República).
No caso de veto presidencial, teremos ainda, dentro da fase constitutiva, a apreciação do veto pelo Congresso Nacional (CF, art. 66, § 4.º).
3.ª) A fase complementar, que abrange a promulgação e a publicação da lei.
b) processo legislativo sumário, que possui as mesmas regras do processo legislativo ordinário, mas com uma grande diferença: aqui existem prazos para que as Casas Legislativas deliberem sobre o projeto. O processo sumário também é conhecido como procedimento de urgência constitucional. Está previsto no art. 64, §§ 1.º ao 4.º, da CF/88 e será estudado em momento oportuno.
c) processos legislativos especiais, destinados à elaboração das:
c.1) emendas à Constituição (CF, art. 60);
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c.2) leis complementares (CF, art. 69);
c.3) leis delegadas (CF, art. 68);
c.4) leis orçamentárias (CF, art. 166);
c.5) resoluções e decretos legislativos; e
c.6) medidas provisórias (na realidade, leis ordinárias que resultam da conversão das medidas provisórias – CF, art. 62).
2. Processo legislativo ordinário
O processo legislativo ordinário (ou comum) é aquele utilizado para a elaboração das leis ordinárias.
Como dissemos antes, o processo legislativo ordinário pode ser dividido em três fases: a introdutória, a constitutiva e a complementar. Vejamos separadamente cada uma dessas fases do processo legislativo ordinário.
2.1. Fase introdutória: a iniciativa das leis
Subseção III Das Leis
Art. 61. A iniciativa das leis complementares e ordinárias cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Congresso Nacional, ao Presidente da República, ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Superiores, ao Procurador-Geral da República e aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta Constituição.
Iniciativa legislativa é a faculdade conferida a uma pessoa ou órgão de apresentar projetos de lei ao Poder Legislativo. Nesse ponto, faz-se necessário esclarecer alguns conceitos importantes sobre o tema da iniciativa das leis.
a) A iniciativa é dita concorrente (comum ou compartilhada) quando a Constituição concede simultaneamente a mais de uma pessoa ou órgão a iniciativa das leis, a exemplo da iniciativa das leis ordinárias e complementares federais cabe (CF, art. 61, caput):
a qualquer membro ou Comissão da CD, do SF ou do CN (ex.: Comissão Mista de Orçamento – art. 166, § 1.º, da CF);
ao presidente da República;
ao Supremo Tribunal Federal;
aos tribunais superiores (STJ, TSE, TST e STM);
ao procurador-geral da República;
aos cidadãos, na forma e nos casos previstos na CF/88.
b) Pela iniciativa reservada (privativa ou exclusiva), o PL relativo a determinada matéria somente pode ser proposto por uma pessoa ou órgão específico, com a exclusão de todos os demais.
São exemplos constitucionais de iniciativa reservada:
b.1) a iniciativa do presidente da República para as matérias previstas no art. 61, § 1.º;
b.2) a iniciativa da CD e do SF para o PL que fixa a remuneração dos seus cargos, funções e serviços (arts. 51, IV, e 52, XIII).
Jurisprudência
1) Em relação à iniciativa legislativa privativa, o STF pacificou o entendimento pelo qual, regra geral, os demais Poderes não podem estipular um prazo para que outro Poder exerça sua iniciativa legislativa reservada ou privativa.
Em homenagem ao princípio da separação dos poderes, o Supremo considera que o
Legislativo ou o Judiciário não pode, por exemplo, estipular um prazo para que o Executivo
exerça uma iniciativa legislativa a ele reservada pela CF/88, tendo em vista que a outorga
constitucional da iniciativa privativa abrange, implicitamente, o poder de decidir sobre o
momento oportuno de propor o PL (ADI 546/DF, ADI 2.393/AL-MC).
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2.1.1. Iniciativa legislativa privativa do presidente da República
Art. 61, § 1.º – São de iniciativa privativa do Presidente da República as leis que:
I – fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas;
II – disponham sobre:
a) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de sua remuneração;
b) organização administrativa e judiciária, matéria tributária e orçamentária, serviços públicos e pessoal da administração dos Territórios;
c) servidores públicos da União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria; (Redação dada pela EC n.º 18/98)
d) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União, bem como normas gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios;
e) criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública, observado o disposto no art. 84, VI; (Redação dada pela EC n.º 32/01)
f) militares das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos, promoções, estabilidade, remuneração, reforma e transferência para a reserva. (Incluída pela EC n.º 18/98)
O art. 61, § 1.º, da CF/88 prevê hipóteses de iniciativa legislativa privativa ou reservada do presidente da República. As matérias contidas nesses dispositivos possuem nítida relação com as atribuições privativas do presidente da República (organização da Administração Pública Direta e Indireta, efetivo das Forças Armadas, regime jurídico dos servidores públicos, etc.), daí a iniciativa das leis que regulem tais assuntos ser reservada ao chefe do Poder Executivo.
Resumimos da seguinte forma os temas contidos no art. 61, § 1.º:
a) Efetivo das Forças Armadas e regime jurídico dos militares (o que abrange a remuneração, a reforma, as promoções dos militares, etc.).
b) Organização administrativa, judiciária, matéria tributária, orçamentária, serviços públicos e pessoal da administração dos territórios federais.
Todas essas matérias relacionadas com os territórios federais são da iniciativa privativa do presidente da República.
c) Servidores públicos da União e seu regime jurídico (inclusive provimento de cargos, estabilidade e aposentadoria dos servidores).
Qualquer PL que trate do regime jurídico dos servidores públicos da União (hoje, como sabemos, concentrado na Lei n.º 8.112/90) é de iniciativa privativa do PR;
d) criação de cargos, funções ou empregos públicos na administração direta e autárquica ou aumento de sua remuneração.
Registre-se que a criação de empregos públicos nas sociedades de economia mista, nas empresas públicas e nas fundações de natureza privada mantidas pelo poder público não necessita de um PL de iniciativa privativa do PR. Isso é porque a criação desses empregos públicos não demanda a aprovação de um PL, mas simples decisão administrativa da própria entidade, desde que a medida esteja respaldada no orçamento anual de investimento da empresa governamental (CF, art. 165, § 5.º, II).
Portanto, somente a criação de cargos, empregos e funções públicos na administração direta, nas autarquias e nas fundações públicas demanda um PL de iniciativa exclusiva do PR.
e) organização do Ministério Público e da Defensoria Pública da União (MPU e DPU), bem como normas gerais para a organização do Ministério Público e da Defensoria Pública dos Estados (MPEs e DPEs), do Distrito Federal e dos Territórios.
f) criação e extinção de ministérios e órgãos da Administração Pública, observado o disposto no art. 84, VI.
Por essa regra, é da iniciativa legislativa privativa do PR a criação e a extinção de
ministérios e órgãos da Administração Pública federal direta e indireta.
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A exceção do art. 84, VI, diz respeito a hipóteses em que não precisamos falar em iniciativa de PL, pois não haverá a necessidade de lei para dispor sobre o assunto, bastando um decreto presidencial.
Jurisprudência
1. O STF entende que as matérias reservadas constitucionalmente ao chefe do Executivo para disposição em lei (CF, arts. 61, § 1.º, e 165) não podem ser exaustivamente tratadas na Constituição Estadual ou na Lei Orgânica Municipal ou do DF, sob pena de usurpação da iniciativa legislativa privativa do chefe do Executivo. Assim, um grupo de parlamentares estaduais ou municipais não pode propor uma emenda à constituição do estado ou à lei orgânica municipal, a fim de dispor sobre as matérias do art. 61, § 1.º, da CF, sob pena de afronta à referida norma constitucional (ADI 858/RJ, vide Informativo n.º 494 do STF).
2. Por afrontar a iniciativa legislativa privativa do chefe do Executivo, o STF já declarou a inconstitucionalidade de norma estadual de iniciativa parlamentar que:
a) criava atribuições para órgãos administrativos, ao exigir que o Poder Executivo organizasse um sistema de avaliação de satisfação dos usuários de serviços públicos, em ofensa ao art. 61, § 1.º, II, e, da CF (ADI 3.180/AP);
b) vedava o estabelecimento de limite máximo de idade para inscrição de candidatos nos concursos públicos realizados por órgãos da Administração Direta e Indireta do Estado. Entendeu-se que houve usurpação da iniciativa reservada ao Chefe do Poder Executivo para as leis em tema de provimento de cargos de servidores públicos (CF, art. 61, § 1.º, II, c) (ADI 776/RS).
3. Criação de órgão e vício formal: Por entender usurpada a competência privativa do chefe do Poder Executivo para iniciar projeto de lei que disponha sobre criação, estruturação e atribuições de órgãos da Administração Pública (CF, art. 61, § 1.º, II, e), de observância obrigatória pelos estados- membros, tendo em conta o princípio da simetria, o STF declarou a inconstitucionalidade de emenda à constituição do estado que criava uma entidade da administração indireta (ADI 3.644/RJ).
2.1.2. Iniciativa popular de lei
Art. 61, § 2.º – A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à Câmara dos Deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco Estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles.
O art. 61, § 2.º, acolhe a iniciativa legislativa geral dos cidadãos, mais conhecida como iniciativa popular de lei, pela qual se permite que os cidadãos apresentem um projeto de lei ordinária ou complementar sobre quaisquer matérias, ressalvadas aquelas de iniciativa reservada a pessoas ou órgãos específicos (José Afonso da Silva).
2.2. Fase constitutiva
Analisada a fase introdutória do processo legislativo ordinário, nas diversas modalidades de iniciativa legislativa, passemos ao estudo da fase constitutiva.
Essa fase abrange uma deliberação parlamentar (quando o projeto de lei será discutido e votado no âmbito do Poder Legislativo) e uma deliberação executiva (quando o PL será submetido à sanção ou ao veto do chefe do Poder Executivo). No caso de veto presidencial, teremos ainda, dentro da fase constitutiva, a apreciação do veto pelo CN (CF, art. 66, § 4.º).
Comecemos com o estudo da primeira parte da fase constitutiva: a deliberação parlamentar.
2.2.1. Deliberação parlamentar (discussão + votação)
Apresentado o projeto de lei no Congresso Nacional, ele passará a ser discutido e votado nas duas Casas Legislativas sucessivamente, sempre na forma estabelecida nos respectivos regimentos internos.
2.2.2. Casa Iniciadora e Casa Revisora
5 Art. 64. A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República, do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara dos Deputados.
Tendo o Legislativo federal brasileiro adotado o bicameralismo do tipo igual, o projeto de lei deverá necessariamente tramitar pelas duas Casas do CN, sendo que a primeira Casa em que o PL tramita recebe o nome de casa iniciadora e a segunda, de casa revisora.
Nesse ponto, a primeira questão a ser resolvida diz respeito a quando a Câmara dos Deputados e o Senado Federal funcionam como casa iniciadora ou revisora. De acordo com os arts. 61, § 2º, e 64 da CF/88, a Câmara dos Deputados será obrigatoriamente a casa iniciadora nos projetos apresentados:
a) por membro ou comissão da Câmara dos Deputados;
b) pelo presidente da República;
c) pelo STF ou pelos tribunais superiores;
d) pelos cidadãos (na iniciativa popular de lei).
2.2.3. O papel das Comissões
Em cada Casa Legislativa, o PL é submetido à apreciação das comissões, onde serão analisados:
a) os seus aspectos formais (constitucionalidade, juridicidade, redação e técnica legislativa, além da adequação financeiro-orçamentária do projeto), o que ocorre nas Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Finanças (ex.: Comissão de Finanças e Tributação – CFT – da Câmara dos Deputados); e
b) o seu mérito, o que ocorre nas Comissões Temáticas (que pode ser a Comissão de Meio Ambiente, a Comissão de Defesa do Consumidor, etc.).
Essas comissões são criadas para facilitar a tarefa legislativa na discussão de temas relacionados a matérias específicas (meio ambiente, direito do consumidor, educação, cultura, etc.).
Pois bem. Em cada uma dessas comissões, o PL é distribuído para um congressista (o relator), o qual oferece um parecer pela aprovação ou pela rejeição da matéria. Oferecido o parecer (que é também considerado como uma proposição legislativa – v. arts. 126 a 130 do RICD e 211, V, do RISF), será ele (o parecer) discutido e votado em reunião da comissão.
Aprovados os pareceres das comissões, regra geral, será o projeto encaminhado para a sua discussão e votação no Plenário da Casa Legislativa.
Ocorre que, segundo o art. 58, § 2.º, I, da CF/88, compete às comissões temáticas
“discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do regimento, a competência do Plenário, salvo se houver recurso de um décimo dos membros da Casa”.
Preste muita atenção: esse dispositivo traz a possibilidade de determinados PLs serem discutidos e votados nas próprias Comissões Temáticas, dispensando a deliberação do projeto pelo Plenário da respectiva Casa.
Isso é o que a doutrina denomina de delegação interna corporis (a delegação externa corporis ocorre no caso das leis delegadas, a serem posteriormente estudadas).
O RICD chama essa regra de “apreciação conclusiva”. Repare que cabe ao Regimento Interno de cada Casa Legislativa estabelecer quais matérias poderão ter suas deliberações (discussão e votação) delegadas às comissões temáticas, dispensando a apreciação do Plenário. No RICD, a matéria está regulada nos arts. 24 e 58. No âmbito do RISF, esse procedimento é denominado de “deliberação terminativa” das comissões (RISF, arts. 49 e 91).
Por fim, não esqueça que a própria Constituição traz uma exceção, determinando que, nesses casos de delegação interna corporis, cabe recurso de um décimo dos membros da respectiva Casa.
Ou seja, mesmo quando o regimento permite a delegação interna para as comissões,
cabe recurso assinado por, pelo menos, 1/10 dos membros da respectiva Casa, a fim de exigir
que determinado PL seja obrigatoriamente deliberado pelo Plenário.
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2.2.4. Do poder de emenda
No âmbito da deliberação parlamentar, as casas legislativas podem modificar o texto dos projetos de lei sob seu exame, mediante aprovação de emendas ao projeto original, apresentadas por seus membros ou comissões parlamentares, nos limites da matéria disciplinada na proposição inicial.
O art. 118 do RICD conceitua a emenda como a proposição legislativa apresentada como acessória de outra, considerada principal (ex.: emendas oferecidas a um projeto de lei ordinária ou complementar).
Aprovados o projeto original e as emendas em uma casa legislativa, o projeto passa a tramitar com esse novo texto normativo, a ser encaminhado para a sanção ou veto do chefe do Poder Executivo (CF, art. 66) ou para a deliberação da outra casa, no caso dos legislativos bicamerais.
2.2.5. Limites ao direito de emendar
Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista:
I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o disposto no art. 166, § 3º e § 4º;
II - nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, dos Tribunais Federais e do Ministério Público.
As emendas parlamentares:
a) podem ser apresentadas pelos membros da casa legislativa em que estiver tramitando a proposição principal, seja esta de iniciativa de congressistas ou de legitimados extraparlamentares. Por exemplo, enquanto o PL tramitar no Senado Federal, os senadores podem oferecer emendas a PLs de iniciativa de outros senadores, de deputados, do PGR, etc.;
b) podem ser apresentadas tanto no âmbito das comissões, quanto em plenário, nos prazos regimentais;
c) devem guardar pertinência com a matéria da proposição legislativa principal (arts.
125 do RICD e 230, I, do RISF).
Por fim, resta-nos analisar os limites impostos pela CF/88 ao direito de emenda parlamentar. Nesse ponto, o STF admite a apresentação de emenda parlamentar em projetos de iniciativa legislativa privativa dos demais Poderes, bastando, para tanto que:
1.º) a emenda seja pertinente à matéria do PL. Exemplificando, a emenda não pode tratar de contribuição de iluminação pública, se o projeto versa sobre o processo eleitoral.
2.º) a emenda não provoque aumento de despesa, nos termos do art. 63 da CF/88. De acordo com esse artigo da CF, não será admitido aumento de despesa prevista:
a) nos projetos de iniciativa exclusiva do presidente da República, ressalvado o disposto no art. 166, § 3.º e § 4.º;
Essa exceção se refere às leis orçamentárias e permite que haja emendas parlamentares que aumentem as despesas na lei orçamentária anual (LOA), desde que compatíveis com o plano plurianual (PPA) e com a lei de diretrizes orçamentárias (LDO); ou na própria LDO, desde que compatíveis com o PPA.
b) nos projetos sobre organização dos serviços administrativos da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, dos tribunais Federais e do Ministério Público.
Respeitando o princípio da separação entre os poderes, os parlamentares não podem aumentar as despesas previstas nos projetos que envolvem a organização dos serviços administrativos do Poder Judiciário ou do MP.
A CF proibiu também que os deputados e senadores aumentem a despesa nos projetos de resolução que tratem da organização dos serviços administrativos de suas próprias Casas Legislativas.
2.2.6. Votação: aprovação ou arquivamento do PL
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Após a fase de discussão, a proposição legislativa é submetida à votação. Tendo em vista que um projeto de lei pode ser discutido e votado em caráter conclusivo ou terminativo nas comissões parlamentares, registramos que a fase decisória pode ter lugar no Plenário ou na própria comissão.
Com a votação, completa-se o turno regimental de discussão e votação (arts. 180 do RICD e 271 do RISF). Esta só pode ocorrer depois de encerrada aquela, a partir do “princípio da separação da discussão e votação”, pelo qual a fase de votar o projeto depende do encerramento da discussão e, finda esta, não se pode mais discutir a matéria no ato da votação.
2.2.7. Resultado da votação: aprovação ou rejeição Basicamente, são três os resultados possíveis da votação:
1.º) aprovação do PL com emendas parlamentares;
2.º) aprovação integral do PL sem emendas;
3.º) rejeição do PL.
2.2.8. Rejeição e princípio da irrepetibilidade (CF, art. 67)
Art. 67. A matéria constante de projeto de lei rejeitado somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional.
Ao invés de ser aprovado com ou sem emendas, a proposição legislativa pode ser rejeitada por alguma das Casas Legislativas do CN.
Assim, seja na Casa Iniciadora, seja na Revisora, se o projeto não alcança o voto favorável da maioria simples (no caso de leis ordinárias), da maioria absoluta (no caso das leis complementares) ou da maioria qualificada (no caso das emendas à CF/88 e de algumas resoluções e decretos legislativos, a exemplo dos arts. 5.º, § 3.º; 51, I; e 52, parágrafo único, todos da CF/88), a proposição é considerada rejeitada e será arquivada definitivamente.
Nesse caso, aplica-se o art. 67 da CF/88. Esse dispositivo abriga o princípio da irrepetibilidade, o qual objetiva evitar que o Poder Legislativo receba, ao menos na mesma sessão legislativa, projetos que há pouco foram considerados inviáveis pelo Parlamento, obstaculizando, assim, a repetição inútil da deliberação parlamentar.
De acordo com o art. 57, caput, da CF/88, a sessão legislativa ordinária do CN compreende os períodos de 02/02 a 17/07 e de 1.º/08 a 22/12. É nesse período que o PL rejeitado não pode ser reapresentado.
A exceção fica por conta da possibilidade de a maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do CN reapresentar, na mesma sessão legislativa, projeto idêntico ou com a mesma matéria do PL rejeitado (na Câmara ou no Senado). A justificativa, conforme alerta Manoel Gonçalves Ferreira Filho, reside na possibilidade de novos argumentos ou de novas circunstâncias fáticas ou sociais superarem os obstáculos que justificaram a rejeição do PL, tudo isso a partir de uma decisão da maioria absoluta dos deputados ou dos senadores.
2.2.9. A Casa Revisora
Art. 65. O projeto de lei aprovado por uma Casa será revisto pela outra, em um só turno de discussão e votação, e enviado à sanção ou promulgação, se a Casa revisora o aprovar, ou arquivado, se o rejeitar.
Parágrafo único. Sendo o projeto emendado, voltará à Casa iniciadora.
Nos termos do art. 65 da CF/88, o PL aprovado por uma Casa do Congresso, será revisto pela outra, em um só turno de discussão e votação.
A consequência disso é que na, Casa Iniciadora, o projeto de lei ordinária ou
complementar pode passar por um ou por dois turnos de discussão e votação (a título de
exemplo, nos termos do art. 148 do RICD, o projeto de lei complementar, na Câmara dos
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Deputados, submete-se a dois turnos de discussão e votação). Já na Casa Revisora, por expressa determinação do art. 65 da CF/88, o PL será revisto obrigatoriamente em um só turno de discussão e votação.
Na Casa Revisora, o projeto de lei será novamente analisado pelas Comissões (de Constituição e Justiça e Temáticas), discutido e votado, nos mesmos termos analisados nos tópicos anteriores.
Nessa Casa Revisora, podem acontecer três situações:
1.ª) O PL pode ser rejeitado, quando então será arquivado.
Neste caso, como vimos, o PL somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional (CF, art. 67).
2.ª) O PL pode ser aprovado sem emendas ou, pelo menos, sem nenhuma emenda que altere substancialmente alguma de suas normas.
Nessas hipóteses, o PL não precisa voltar à Casa Iniciadora e deve ser encaminhado ao presidente da República para o fim de sanção ou veto presidencial. Exemplificando, o PL que receba emendas de redação não teve o conteúdo de suas normas alterado, já que essas emendas apenas melhoram a sua redação ou técnica legislativa
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3.ª) O PL pode ser aprovado com emenda que altere substancialmente alguma de suas normas (a exemplo das emendas substitutivas e aditivas).
Nesse caso, o PL deve retornar para a Casa Iniciadora, a qual apreciará exclusivamente as emendas da Casa Revisora.
É muito importante, caro leitor, que você preste atenção nesse ponto.
Alterado em sua substância na Casa Revisora, o PL retorna à Casa Iniciadora para apreciação dessas emendas. E, veja bem, de acordo com a doutrina, a Casa Iniciadora aprecia apenas as emendas da Casa Revisora.
A partir desse entendimento, a Casa Iniciadora poderá:
a) aprovar tais emendas, quando então o PL será enviado ao presidente da República com as modificações propostas pela Casa Revisora; ou
b) rejeitá-las, sem a possibilidade de apresentação de subemendas às emendas da Casa Revisora.
Nesse caso, caro aluno, veja que curioso: o PL será encaminhado ao presidente da República com a redação dada pela Casa Iniciadora, já que as emendas da Casa Revisora foram rejeitadas!
Observe que isso provoca uma nítida predominância da Casa Iniciadora sobre a Revisora no âmbito do processo legislativo ordinário, pois, no caso de a Iniciadora rejeitar as emendas apresentadas pela Revisora, aquela encaminhará o “seu texto” ao chefe do Executivo, para fim de sanção ou veto.
Analisada a deliberação parlamentar, passemos ao exame da deliberação executiva (sanção ou veto presidencial), para concluir o estudo do processo legislativo ordinário com a fase complementar (promulgação e publicação da lei).
2.2.10. Deliberação executiva (sanção ou veto presidenciais)
Art. 66. A Casa na qual tenha sido concluída a votação enviará o projeto de lei ao Presidente da República, que, aquiescendo, o sancionará.
§ 1.º – Se o Presidente da República considerar o projeto, no todo ou em parte, inconstitucional ou contrário ao interesse público, vetá-lo-á total ou parcialmente, no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebimento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, ao Presidente do Senado Federal os motivos do veto.
§ 2.º – O veto parcial somente abrangerá texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea.
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