BONS ESPÍRITAS - Parte 2
Quem é o bom espírita?
*Resposta de Cosme Massi na live “Os bons espíritas”, transmitida ao vivo em 22.08.21 no XIX MÊS ESPÍRITA do 41º CEU.
https://www.youtube.com/watch?v=BChLksogcGk
Resposta:
Primeiro, Kardec mostra quem é o homem de bem, em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", capítulo XVII “Sede perfeitos”. E quando nos aprofundamos em cada um dos itens desse texto nós vamos descobrindo tudo aquilo que precisamos aprender e nos esforçarmos para colocar em prática em nossas vidas, porque esse é o nosso objetivo, um dia sermos o homem de bem.
E, depois que apresenta os caracteres do homem de bem, que não vamos apresentar aqui por não ser o tema da nossa palestra, Kardec propõe uma mensagem particular dirigida aos espíritas, cujo título é “Os bons espíritas”.
É curioso como Kardec coloca essa temática logo depois de
“O homem de bem”! Quis mostrar para aqueles que são espíritas a sua responsabilidade, o seu compromisso de
buscar ser um homem de bem para servir de exemplo para os outros seres humanos.
Ele começa o texto “Os bons espíritas” dizendo que bem compreendido e sobretudo bem sentido o Espiritismo conduz o indivíduo, o espírita, a tudo aquilo que caracteriza o homem de bem.
Para que se compreenda o Espiritismo (e esse é um ponto importante, Kardec coloca bem compreendido, é preciso compreender o Espiritismo), para que possamos compreender verdadeiramente essa doutrina, é importante o estudo sistemático, contínuo, disciplinado, das 23 obras que ele nos deixou. O Espiritismo não tem nenhuma linguagem escondida, de difícil compreensão, ele é facilmente compreendido por todo aquele que tenha boa vontade, que não tenha preconceito, que se debruce sobre os textos; a pessoa vai ter condições de compreender esse Espiritismo, se o desejar de fato.
Compreender é ter a clareza conceitual, entender muito bem todas as leis morais, todos os conceitos, todas as leis que regulam as interações dos Espíritos com os homens, ter todos os princípios doutrinários de uma forma clara, dentro da sua própria estrutura! A compreensão é fundamental para que o indivíduo, amparado pela razão, possa saber como comportar-se.
O Evangelho segundo o Espiritismo > Capítulo XVII - Sede perfeitos > Os bons espíritas
Os bons espíritas
4. Bem compreendido, mas sobretudo bem sentido, o Espiritismo leva aos resultados acima expostos, que
caracterizam o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é que outro. O Espiritismo não institui nenhuma nova moral; apenas facilita aos homens a inteligência e a prática da do Cristo, facultando fé inabalável e esclarecida aos que duvidam ou vacilam.
Mas Kardec lembra, não basta compreender, é preciso também sentir! Por isso ele diz que o Espiritismo, sobretudo quando sentido, leva a que se atinja o estado de homem de bem.
Por que sentido? O sentimento, ou o coração (Kardec também usa “tocar o coração”), é a marca mais profunda, é aquele tipo de pensamento que caracteriza a nossa estrutura interna. Não se consegue disfarçar o que se sente, o sentimento provoca os desejos que nós possuímos, que nos diferenciam, que nos marcam, que nos caracterizam; o sentimento desempenha um papel fundamental na essência do caráter.
Sentir o Espiritismo significa que a estrutura da alma foi tocada profundamente, significa que a alma foi atingida pelos conceitos da Doutrina; a partir daí esse indivíduo não tem apenas a razão iluminada pela clareza conceitual do Espiritismo, mas passa a ter esse desejo enorme, essa força de vontade profunda que decorre dos sentimentos próprios daquele que verdadeiramente percebeu, não apenas com a razão, mas também com coração, que deve viver o Espiritismo, que deve viver seus princípios, que deve colocar em prática tudo aquilo que ele compreendeu.
Então nesse momento, esse que sente, compreende a necessidade da própria transformação moral;
ele se incomoda quando tem uma conduta egoísta, ele se incomoda diante de um vício moral, diante de uma fragilidade que possui; o ciúme, que ele pode sentir por ser um Espírito imperfeito, lhe traz remorso, a inveja lhe causa um estado horrível de amargor na boca, ele se sente incomodado diante das suas imperfeições morais.
Quando o indivíduo sente a doutrina além de compreendê-la, ele tem muito mais forças, muito mais vontade para se esforçar no processo de transformação moral. Se ele apenas a compreende, ele pode não ser tocado, e Kardec lembra quantas pessoas estudam a doutrina espírita, compreendem as suas leis fundamentais, mas continuam sendo o que são: se são egoístas continuam egoístas, sem se incomodarem com isso, se são invejosos continuam invejosos, sem se incomodarem com isso, sem sequer se preocuparem em identificar uma paixão descontrolada; e ainda procuram justificativas para não se reconhecerem invejosos, orgulhosos ou vaidosos.
Então aquele que só compreendeu os princípios, mas não os sentiu profundamente, não é tocado de maneira a reconhecer em si as imperfeições morais que possui, e que precisa enfrentar e superar, a fim de mudar, de avançar, de progredir.
Por isso essa diferença fundamental que Kardec vai estabelecer nesse texto entre o espírita imperfeitos e o bom espírita, ou o verdadeiro espírita, aquele que de fato transformou esses princípios, depois de compreendê-los, numa forma de ser, numa forma de viver. Os princípios o tocaram de tal maneira que ele não é mais o mesmo.
Quando o indivíduo estuda o Espiritismo, o compreende e o sente, ele já não é mais o mesmo, porque agora ele não se conforma mais com aquilo que ele é; ele busca cada dia ser melhor, ele se esforça todo o dia para evitar um vício, para dominar uma paixão; se ele tem momentos de fragilidade ele se sente mal por esses momentos, ele se arrepende, e no dia seguinte tenta não repetir o mesmo erro. Ele muda o tempo todo a forma como encara a si próprio. Ele sempre vai olhando para si como alguém que precisa mudar, avançar, aprender, progredir, crescer.
Essa diferença é fundamental, porque muitas pessoas falam, explicam a doutrina, conhecem as obras, podem fazer grandes estudos, palestras, escrever livros, mas não se preocupam com a própria transformação moral: esses são os espíritas imperfeitos, segundo Allan Kardec.
O princípio eles compreenderam, as leis fundamentais eles compreenderam, e isso é melhor do que nada; eles deram um primeiro passo, mas não são os bons espíritas, os verdadeiros espíritas, ainda precisam dar o passo seguinte: o passo de sentir essa doutrina como algo fundamental para a própria transformação moral.
O Espiritismo proporciona muito deleite intelectual, porque é uma doutrina prazerosa, agradabilíssima do ponto de vista intelectual; ao estudarmos os textos de Kardec, as mensagens diversas dos Espíritos superiores em suas obras, vemos mensagens de grande beleza, de harmonia textual, de uma profundidade filosófica enorme! Os textos de Kardec têm uma estruturação científico didática admirável, encanta com sua harmonia, com a consistência de conceitos nos diversos livros;
isso vai gerando prazer ao estudar as obras admiráveis que Kardec nos legou, porque são obras de Espíritos muito evoluídos que sabem escrever, que sabem apresentar o pensamento de uma forma didática, de uma forma clara e ao mesmo tempo profunda.
Mas não basta ter esse deleite intelectual: sentir esse prazer pelo conhecimento, buscar sempre conhecer mais, esse é o primeiro passo, mas é preciso dar o segundo passo: o de sentir esse conhecimento, de tal maneira que o conhecimento incomode, leve a pessoa a se preocupar fortemente com aquilo que ela sente, com as paixões que possui, com os erros que comete, com os deslizes morais que às vezes pratica.
Então, ao se sentir incomodado pelas próprias imperfeições, pelos erros que ainda comete depois do deleite intelectual, depois de ter admirado intelectualmente as obras de Kardec, a pessoa dá o segundo passo proposto por Kardec, que é o passo que leva a ser o verdadeiro espírita, o bom espírita. Kardec define o bom espírita em uma frase muito conhecida: “Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más”.
Existe muita beleza nessa síntese do que é o verdadeiro espírita! O verdadeiro espírita é aquele que se esforça, e isso é importante, é aquele que se esforça, que usa da vontade para fazer sua transformação moral. É aquele que realiza o esforço de mudar a si mesmo, para domar em si as inclinações más que trazemos em nós, as chamadas paixões ruins, como o ciúme, a inveja, a mágoa, a tristeza, a raiva, o ódio, a maledicência e todos esses vícios morais que alimentamos ao longo das diversas existências.
Então, ao tomarmos consciência de que para ser verdadeiramente espírita esse esforço permanente é necessário e a transformação moral é condição fundamental, compreenderemos o verdadeiro conceito do que é ser espírita.
Diferentemente das diversas ciências do mundo, em que o indivíduo pode dizer eu sou físico, eu biólogo, eu sou químico, ou eu sou filósofo sem nenhum compromisso com a transformação moral, você não pode dizer eu sou espírita sem o compromisso da transformação moral.
Até nisso o Espiritismo como ciência e como filosofia é diferente das ciências e das filosofias que nós conhecemos. Essas ciências, essas filosofias não geram a necessidade de seu compromisso com a transformação moral; para ser físico basta compreender a física, para ser biólogo, químico, filósofo, etc. basta compreender essas áreas da ciência, da filosofia.
Para ser espírita não: não basta compreender o espiritismo, é preciso utilizá-lo como ferramenta para a sua transformação moral.
Por isso Kardec diz que para ser espírita é preciso ter uma certa maturidade do senso moral, expressão que ele usa nesse texto admirável; essa maturidade do senso moral pode ser plenamente conseguida com o Espiritismo, mas não apenas o compreendendo, mas também percebendo que esse conhecimento diz respeito a sua própria transformação moral. Então essa é uma diferença muito importante entre ser espírita, ser físico, químico, biólogo ou filósofo. Para ser espírita é preciso ter esse compromisso, consigo mesmo, de transformação permanente do mundo moral.
Veja a beleza desse texto proposto por Allan Kardec, que nos gera uma grande responsabilidade!
Para falar do Espiritismo basta apenas a compreensão do Espiritismo, para pregar o Espiritismo basta apenas a compreensão do Espiritismo. Mas, ser espírita é muito mais do que falar do Espiritismo, do que ensinar Espiritismo, que pregar o Espiritismo, ser espírita é esse compromisso de cada dia ser melhor que no dia anterior.
Por isso temos muita responsabilidade quando nos dizemos espíritas! Quando dizemos: “- Sou espírita!”, essa expressão daquilo que sou deve ser reflexo de um esforço permanente na construção de um novo indivíduo, cada dia mais moralizado, cada dia mais disposto a ser melhor do que era no dia anterior, alguém que se reconhece em um processo permanente de mudança, de transformação.
Ao dizer “- Sou espírita” assumimos um compromisso muito sério com a nossa própria consciência, que é o nosso guardião interior, e ela irá nos cobrar: “- Você se diz espírita, mas você se esforça para deixar de ter os vícios morais que ainda tem como espírito imperfeito? ”
O Espírito imperfeito, da terceira ordem, pode ser espírita, desde que ele não se contente com essa imperfeição. Ele deve estar disposto a combater suas imperfeições em seu dia a dia, por meio dos sentimentos, da vontade, da conduta, da ação.
Se todos nós fôssemos verdadeiros espíritas estaríamos dando uma grande contribuição para o equilíbrio, para a paz social, para uma vida melhor; esse é o nosso compromisso: viver essa moral extraordinária que Jesus propôs, e que o Espiritismo desenvolve e explica de uma forma toda especial.
Todos os conflitos, as guerras, as lutas, todo o mal que encontramos nesse planeta de provas e expiações é resultado da falta dessa vivência moral. Não existe solução para o mundo sem essa transformação moral; o mundo não terá paz, não será uma sociedade melhor onde as pessoas possam viver em harmonia e paz, sem ela.
Portanto, é uma utopia achar que o mundo vai se transformar sem que os homens se transformem interiormente. Para que haja uma transformação da sociedade cada um deve buscar a transformação de si próprio, em primeiro lugar!
E veja a responsabilidade nossa, espíritas, que tivemos acesso a todo o conhecimento espírita, com clareza, com lógica, com argumentos lógicos nos textos, com bom senso! Pudemos compreender a moral do Cristo de uma forma toda especial, porque a compreendemos utilizando a razão, a experiência da mediunidade e para nós a sobrevivência da alma é um fato! Então nós recebemos muito, mas muito mesmo com o conhecimento espírita! Lembremos Jesus: muito será pedido a quem muito foi dado!
Nós temos a clareza conceitual, e precisamos transformá-la em uma modificação permanente de nós mesmos; precisamos fazer o bom uso dos conhecimentos espíritas aplicando-os em nosso dia a dia na busca de sermos bons espíritas, verdadeiros espíritas, aqueles que buscam, por meio de um esforço permanente, a transformação moral, para um dia chegarmos a possuir todos aqueles caracteres que constituem o homem de bem.
Então, o homem de bem é a nossa meta: se nós trabalharmos para sermos verdadeiramente espíritas, chegaremos a ter um dia todas aquelas qualidades que caracterizam o homem de bem; é a nossa meta, o nosso objetivo.
Mas para que a gente possa atingir a meta temos que caminhar para ela, dando o primeiro passo, o segundo passo, o terceiro passo, este é o esforço de ser verdadeiramente espírita. O verdadeiro espírita dá um passo todo dia em direção a ser um homem de bem em toda sua plenitude, com todas aquelas características que Kardec nos apresenta.
Veja-se, então, a importância dessa mensagem para todos nós, que nos dizemos espíritas, que nos posicionamos como espíritas: precisamos demonstrar, pela forma de ser, pelo esforço, pela luta constante de sermos melhores, que podemos usar o adjetivo espírita com responsabilidade, valorizar sua importância para cada um de nós.
Estude sobre o conhecimento de si mesmo segundo a visão espírita no Kardecplay!
https://www.youtube.com/watch?v=uUY0IckiaSQ