Competições de Robótica
Carolina de Oliveira Mykael dos Santos
Sara Mariana Lorençoni Sarnaglia Resumo
Observando o avanço tecnológico e a futura dominação de robôs no mundo, é possível entender que o ramo da robótica é um dos que mais se destaca. Por isso, este artigo apresenta uma contextualização abrangente sobre a robótica e suas demais competições, não deixando de relatar suas importâncias educacionais.
1. Introdução
A robótica está se tornando cada vez mais importante para o mundo tecnológico, tanto para os afazeres do dia-a-dia quanto para diferentes métodos de educação. A tendência é que, em breve, tudo seja controlado por máquinas de diferentes tamanhos, compostas por vários circuitos integrados e que tendem a ser capazes de executar praticamente todas as tarefas que hoje em dia estão deixando de ser restritas apenas aos homens.
A robótica é uma área estratégica para um país que está em desenvolvimento, o Brasil tem se situado de forma marginal nessa área, além de praticamente não produzir robôs em território nacional, também não possui uma cultura que estimule melhor a utilização das tecnologias robóticas.
Divulgar a robótica, suas aplicações, possibilidades, produtos e suas tendências, é uma forma de estimular a formação de uma cultura associada ao tema tecnológico, proporcionando a formação de um cidadão de se relacionar melhor com a tecnologia e também a formação de um mercado consumidor consciente e portando exige pra produtos tecnológicos, no país nos próximos anos.
Há alguns ramos da robótica que beneficiam a sociedade, assim como, existem outros que não apresentam grandes vantagens. Focando por enquanto no lado positivo, um “simples” robô é capaz de exercer funções profissionais destinadas atualmente a seres humanos como os Robôs Bombeiros.
Atualmente, existe um vasto campo de competições robóticas no mundo que têm por uma das finalidades facilitar a aprendizagem de alunos (estudantes de engenharia como exemplo) e colocar em prática diversas pesquisas tecnológicas.
Como dito anteriormente, as competições de robôs possuem seus pontos negativos, assim como competições de outras modalidades. Segundo um artigo sobre Ciber-Rato: Uma Competição Robótica num Ambiente Virtual, a competição pode tornar obsessiva a vontade de vencer o que pode conduzir a comportamentos pouco desportivos dos competidores, ao desenvolvimento de soluções demasiado dependentes do domínio ou à exploração activa de falhas nas regras do concurso.
No Brasil e no mundo existem várias competições robóticas com diferentes temáticas,
modalidades e regras. A nível nacional destacam-se as competições: Micro-rato, Robot
Bombeiro e o Festival Nacional de Robótica. Existem outras competições espalhadas pelo
Brasil, mas, serão comentados apenas esses três eventos.
Internacionalmente, temos a Robocup, onde os competidores são desafiados a criarem equipes de futebol onde os robôs são os “atletas”.
2. Competições
Embora o objetivo principal das competições seja obter um vencedor, os organizadores esclarecem pontos importantes na visão educacional como:
Regras definidas, claras e iguais para todos os participantes;
Transformação do conhecimento teórico para a prática em ambiente real;
Desenvolvimento da criatividade e autonomia dos concorrentes;
A importância e aplicação de conhecimentos multidisciplinares sobre o projeto;
Trabalho em equipe, onde muitas vezes as competições admitam trabalhos em grupos;
Vale ressaltar sobre a importância da competição Robot Bombeiro que consiste na criação de robôs autônomos e que são inseridos dentro de um labirinto com vários obstáculos no caminho a serem superados. Logo à frente, há uma vela acesa representando uma chama e esse robô deve detectá-la e extingui-la.
A OBR é a uma das olimpíadas brasileiras que é apoiada pela CNPq e utiliza a temática da robótica. Tal evento possui duas principais modalidades que buscam a abrangência de todos os diferentes tipos de público, tanto os que nunca se envolveram com robótica quanto os que têm ou tiveram algum contato com a robótica educacional e é uma ferramenta a ser utilizada de cunho educativo ou com um foco nos recursos humanos formado.
O evento acontece anualmente, onde são aplicadas provas teóricas e praticas em todo o Brasil.
A OBR esta dividida em duas modalidades: a Teórica, que é dividida em seis níveis (de 0 a 5) de acordo com a escolaridade do aluno inscrito, onde alunos da pré-escola ao ensino técnico/médio possam participar e se adequar. Os alunos que melhor se destacarem no nível 5 recebem uma bolsa de um mini-curso educacional, com total suporte técnico e tecnológico.
Os alunos que já tiveram ou tem contato com a robótica nas escolas ou que já tenha participado do mini-curso não podem participar dessa modalidade.
A prática é dividida em dois níveis distintos, onde, o primeiro é voltado para alunos o ensino fundamental e o segundo nível para alunos de níveis médio, técnicos e pré-vestibulares. As equipes devem ser compostas por grupos de no máximo quatro participantes. Não é permitido comporem mais de uma equipe ao mesmo tempo, alunos que possuam o mesmo nível. Cada equipe deverá ter um nome e a instituição deverá indicar um professor orientador da equipe.
Além disso, a modalidade prática é divida em duas fases: a estadual e a nacional.
A fase estadual ocorre em cada estado e entre equipes de um mesmo estado. A nacional ocorre junto com a Competição Brasileira de Robótica, e é realizada com equipes classificadas nas fases estaduais, ou seja, cada estado possui seu representante que irá competir com outros estados.
As regras dessa modalidade são bem detalhadas e restritas, nas quais, os participantes devem
estar bem atentos com o fato de determinados sensores não serem permitidos, como exemplo
os que contêm micro-controladores automáticos. O objetivo é que o aluno seja o protagonista
na competição, onde o mesmo deve programar o robô para seguir seus comandos. Outro
sensor proibido é o NXTLINELEADER, esse dispositivo possui um microprocessador capaz
de detectar a linha a ser seguida pelo robô, realizando assim, uma autoprogramação, sem a
necessidade de o aluno fazer o código correspondente da função.
Caso o robô ou o sensor tenha programação e processos automáticos inseridos, o participante será desclassificado.
As modalidades teóricas e praticas são totalmente independentes, os estudantes interessados podem se inscrever em ambas das modalidades, os alunos podem participar da modalidade teórica por outra instituição, não se restringindo a sua instituição de origem.
As provas teóricas têm duração de duas horas e o conteúdo programático é determinado pela comissão de provas da OBR.
A participação é autorizada somente para alunos que tenham no máximo 19 anos. (OBR, SITE OFICIAL)
3. Ciber-Rato
O concurso Micro-Rato da Universidade de Aveiro é um concurso que propõe a cada um dos participantes o desafio de construir um robô móvel e autônomo que resolva um labirinto desconhecido, no sentido de localizar e alcançar um farol nele colocado. Uma vez alcançado o primeiro objetivo o robô deve regressar a seu ponto de partida. A modalidade Ciber (Ciber- Rato) deste concurso apresenta-se como a versão simulada e destina-se à concorrentes que pretendem apenas se dedicarem às componentes algorítmicas e de programação dos robôs. Os problemas de hardware estão resolvidos, pois os robôs são virtuais, existindo apenas no interior de um simulador comum a todas as equipas. Os concorrentes participam com um programa de software, o agente robótico, que, com base em dados sensoriais recebidos do simulador, devem comandar os movimentos do robô no labirinto, no sentido de concretizar os objetivos do concurso. (UNIVERSIDADE SANTIAGO, AVEIRO)
Figura 1: Visualizador 3D Fonte:Universidade Santiago
4. Robocup
A ideia de robôs virarem jogadores de futebol foi proposta pela primeira vez pelo professor Alan Mackworth (Universidade de British Columbia, Canadá), em seu artigo On Seeing Robots, mais tarde publicado em um livro Computer Vision: System, Theory, and Applications, pg. 1-13, World Scientific Press, Cingapura, 1993. Independentemente, um grupo de pesquisadores japoneses organizou um workshop sobre os grandes desafios em IA, em outubro de 1992, em Tóquio, discutindo possíveis novos desafios para a área. Este workshop levou às primeiras discussões sérias sobre usar o futebol para a promoção da ciência e tecnologia. Estudos de viabilidade da tecnologia, avaliação de impacto social e estudo de viabilidade financeira foram realizados. As primeiras regras foram elaboradas, bem como o desenvolvimento de protótipos de robôs e sistemas de simulação de futebol.
A Pré-RoboCup-96 foi realizada durante o International Conference on Intelligence Robotics
and Systems (IROS-96), em Osaka, 1996, com oito equipes competindo em uma liga de
simulação e demonstração de robô real para a liga tamanho médio. Embora em escala limitada, esta competição foi a primeira competição com jogos de futebol para a promoção de pesquisa e educação. A primeira RoboCup foi realizada em 1997 com grande sucesso. Mais de 40 equipes participaram das ligas reais e simuladas, com a presença de mais de 5.000 espectadores. (ROBOCUP, SITE OFICIAL)
Figura 2: Primeira Competição de Robocup
Figura 3:
IRoboCup, Nagoya, Japão, 1997. From: ASADA, Minoru; KITANO, Hiroaki. The RoboCup Challenge. Robotics and Autonomous Systems. Elsevier.
Vol. 29, Isseu 1, October, pg. 3-12, 1999.
Referências
Ciber-rato: uma competição robótica num ambiente virtual
http://www.researchgate.net/publication/228816994_Ciberrato_uma_competio_robtica_num_ambiente_vir tual
Olimpíada Brasileira de Robótica http://www.obr.org.br/
Competições de Robótica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Competi%C3%A7%C3%B5es_de_rob%C3%B3tica ROBOCUP SITE OFICIAL
http://www.robocup.org.br/