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BRÁULI O JUN QUEI RA SAN TI AGO
TÍ TULO:
A FI LOSOFI A DO HUMAN I SMO I N TEGRAL N O DI REI TO:
A CON TRI BUI ÇÃO DO PEN SAMEN TO DE AUGUSTO COMTE E JACQUES MARI TAI N PARA O FUN DAMEN TO
JUSFI LOSÓFI CO DOS DI REI TOS HUMAN OS
DOUTORADO EM FI LOSOFI A DO DI REI TO
PUC- SP SÃO PAULO
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BRÁULI O JUN QUEI RA SAN TI AGO
TÍ TULO:
A FI LOSOFI A DO HUMAN I SMO I N TEGRAL N O DI REI TO:
A CON TRI BUI ÇÃO DO PEN SAMEN TO DE AUGUSTO COMTE E JACQUES MARI TAI N PARA O FUN DAMEN TO
JUSFI LOSÓFI CO DOS DI REI TOS HUMAN OS.
CURSO DE DOUTORADO EM DI REI TO
Tese apresent ada à Banca Exam inadora da
Pont ifícia Universidade Cat ólica de São Paulo com o
exigência parcial para obt enção do t it ulo de dout or
em direit o do est ado, na área de concent ração em
filosofia do direit o, sob orient ação do professor
dout or CLÁUDI O DE CI CCO
PUC- SP SÃO PAULO
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BAN CA EXAMI N ADORA
Prof. Dr. Cláudio De Cicco
Prof. Dr. Álvaro Luiz Travassos de Azevedo
Prof. Dr. Renat o Ruas de Alm eida
Prof. Dr. Eduardo B. Bit t ar
Prof. Dr. Guilherm e Assis de Alm eida
Suplent es
Prof. Dr. Lafayet t e Pozzoli ________________________
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AGRADECI MENTO
Na verdade no prim eiro m om ent o só vinha a figura de m eu grandioso pai, Jair Jorge Sant iago, falecido há pouco t em po para dedicar a ele est a hom enagem neste espaço. Todavia, com o t odo t rabalho cient ífico é um processo de pensam ent o e escrit a, percebo que além dest e hom em que m e ensinou desde pequenino o valor do t rabalho e im port ância da fam ília, o inest im ável agradecim ent o a PUC/ SP, pois sem seu acolhim ento que m e fez sentir em casa, cert am ent e est e t rabalho não t eria est e m esm o result ado. Além de seu aport e e confiança deposit ada em m im quando por m eio do processo selet ivo de bolsa t ive m eu t rabalho escolhido, sem t al cont em plação, não poderia concluir est e dout orado.
Minha Mãe int elect ual, Maria Garcia. Um a m ulher que m e m arcará, não apenas em m inha vida acadêm ica, m as t am bém na pessoal.
Ao exem plo de ser hum ano e am igo, Cláudio De Cicco. O prim eiro que m e apresent ou ao m undo das reflexões.
Além , naturalm ente de m inha m ãe, Maria Regina, m eus irm ãos, Rinaldo, Breno e Junior e a m inha irm ã, Ana Paula. Pois sem eles ao m eu lado m inha hist ória seria bem diferent e da que percorri at é o m om ent o.
E, por fim , e por princípio, a Deus, pelo m ist ério e pela dádiva da vida.
Aproveit o, t am bém , para fazer um a hom enagem acadêm ica
post m ort em a Rosa Parker. Se estivesse viva seria seu centenário
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Nascida em Tuskegee, no est ado do Alabam a, no Sul dos EUA, Rosa era filha de Jam es e Leona McCauley, e cresceu em um a fazenda. Devido a problem as de saúde na fam ília, foi obrigada a int errom per os seus est udos e com eçou a t rabalhar com o cost ureira.
Em 1932 casou- se com Raym ond Parks, m em bro da Associação
Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor ( NAACP) , um a
organização que lut a pelos direit os civis dos negros, da qual Rosa se t ornou m ilit ant e.
Foi at ravés dessa at itude que o então j ovem past or negro Mart in Lut her King, Jr., concordando com a at it ude de Rosa Parks, incent ivava em seus serm ões os negros fiéis a fazerem o m esm o.
Est e m ovim ento t eve grande repercussão na década de 50 nos Estados Unidos, pois o honroso pastor pregava pelos direitos civis do negros am ericanos at ravés da t eoria "say at less… I 'm black, I 'm
proud", que m udou com pletam ente a hist ória dos Direitos Civis para
os negros am ericanos e influenciou gerações de negros no m undo int eiro. A at it ude solit ária de Rosa Parks, ao ser acolhida por Mart in Lut her King, Jr., nunca m ais foi um a at it ude solit ária. Depois de se aposent ar, escreveu sua aut obiografia. Os anos finais de sua vida foram m arcados pelo Mal de Alzheim er, e no ano de 2005 m orreu de causas nat urais
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RESUMO
Diant e das m inhas inquiet ações – e foi est a um a das razões para a confecção dest a Tese – estou convencido que não m ais se pode cont inuar pensando, agindo e const ruindo est rut uras lógicas j urídicas apenas sob alicerces form alist as. Est e ciclo j á se esgot ou na Ciência Jurídica e não foi um ciclo que nos t rouxe generosos frut os. Mas se souberm os t irar proveit o do lado ruim dele, poderá nos ensinar bastante acerca das visões reducionistas na Ciência do Direito, sej a ela de natureza for.
Outro ponto que se inova nesta Tese é a união das consideração de que as exigências im prescindíveis de racionalidade form al e coerência sist êm ica – Com t e –, sob o com ando da Ciência Jurídica, m ais precisam ent e no cam po dogm át ico, conciliando com a crescent e com plexidade das t ensões sociais e ant agonism os at ávicos aos seres hum anos – Marit ain.
Vivem os assim num a crise norm at iva onde frequent em ent e se duvida da legit im idade est at al em suas decisões j us- polít icas. Onde as decisões norm at ivas apenas são parcialm ent e legít im as sob o aspect o de produção de norm as e não do processo legiferant e que vai desde o pont o inicial da t om ada de decisão até a eficácia social.
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m ais abert o ao pluralism o de idéia, ut ilizando m enos verdades absolut as com o prem issas.
Hoj e nos sabem os, quant as vidas não se ceifaram por nada! Por um a verdade que j á não é m ais út il. Hoj e not o que a ciência percebeu que ser hum ilde pode lhe render m aior am plidão em sua pesquisa – de cam po ou não – e port ant o, m ais legit im idade na com unidade cient ífica.
Por isso proponho um a reflexão para um a t erceira via: sem perder a hierarquia e o aspecto form al que há na Ciência Jurídica de origem lat ina com a flexibilidade e a preocupação do direit o na ordem prát ica, com o direit o nas ruas de origem anglo- saxão. I novando ainda com a conciliação – que para m uit os aparent avam inconciliáveis – de um dos m aiores lideres do Direit o Hum aníst ico, Jacques Marit ain, com um grande pensador e sist em át ico organizador servidor da hum anidade, pouco lem brado hodiernam ent e, August e Com t e.
Tam bém o que salient o nest a Tese é a im port ância de Com t e e Marit ain na consolidação dos Direit os Hum anos por nos com preendidos at ualm ent e.
Não é porque conciliei idéias que aparent em ent e eram a priori
8 ABSTRACT1
Facing t o m y own concerns – and t his was one of t he reasons to writ e t his Thesis – I am convinced t hat is not possible keeping t hinking, act ing and const ruct ing j uridical logical sct ruct ures only t rough form al basis. This period has already ended at Law Science and it didn’t bring t o us generous result s. But if we know how t o t ake advant age from it s negat ive side, it will t each us a lot regarding t he Law Science’s reduct ionist vision, regardless it s nat ure.
Anot her innovat ive t opic in t his Thesis is about t he considerat ion t hat t he necessary dem ands of form al rat ionalit y and syst em ic consist ency – Com t e – under t he knowledge of Law Science, precisely in dogm at ic area, gat hering t o t he growing com plexit y of social t ensions and at avist ic ant agonism s t o hum an beings – Marit ain.
We are living in a norm ative crisis , which oft en doubt s of st at e legit im acy in it s j us- polit ics decisions. A crisis where t he norm at ive decisions are part ly legit im at e under t he aspect of rules product ion and not of t he legislat ing process, which st art s in t he beginning of t he decision- m aking unt il t he social efficiency.
Ult im at ely, t here are people who are able t o find in Law Science not t he dogm at ic and aut ist reduct ionism , but a hope t o view t he Law as an independent organism perfect ly able t o t hink for it self. Besides, we are aware of, in t he hodiernal world, it ’s hard t o find anybody who subm it s t o m ourir pour les idées ( die for an ideal) . I n t he ot her hand, t he scient ific world – so, Law including – is open t o t he pluralism of ideas, using less absolut e t rut h as prem ises.
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Today we know m any lives hadn’t been lost for not hing! For a t rut h that is not even useful anym ore. I have not iced Science has realized t hat being hum ble can expand it s research – in t he field or not – so, it could give it m ore legit im acy in t he scient ific com m unit y.
Therefore, I propose a reflect ion t rough anot her view: considering t he hierarchy and t he form al aspect of lat in Law Science com bined wit h t he flexibilit y and concerns regarding practicing Law t o t he Anglo- Saxon Law. I n an innovat ive way, wit h t he conciliat e – which for m any apparently were irreconcilable – of one of the m ost im port ant leaders of Hum anistic Law, Jacques Marit ain, wit h a great philosopher, syst em atic organizer and hum anit y server, not t o m uch rem inded lat ely, August e Com t e.
The fact t hat I have conciliat ed ideas apparent ly irreconcilable, such as Marit ain’s and Com t e’s t o guide t his Scient ific Paper, doesn’t m ean I underest im at ed all t he j us- philosophical background of alm ost a decade of research. I used, indeed, even not so percept ible, t he influences of m y Mast ers for t hese t en years, as well t he books read – in t he original language or t ranslat ed – about t he issue.
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Préoccupat ions Face à la m ienne – et cela a ét é l’un dês m ot ifs d’écrire cet t e t hèse – Je suis convaincu que ce n’est pás possible em gardant penser, d’agir et de const ruire logiques j uridiques sct ruct ures base creux que form elle. Cet t e période a pris fin Déj à, à la science du droit et de ne pás nous am ener à dês résult at s généraux. Mais si nous savons com m ent t irer part i de son cot e négat if, il nous em apprendre beaucoup sur la vision réduct ionnist e de la science du droit , quelle que soit as nat ure.
Un aut re suj et novat eur dans cet t e t hese port e sur l’exam en des dem andes que la rat ionalit é form elle et la coherence nécessaire syst ém ique –Com t e – sous la connaissance de la science du droit , précisém ent dans la zone dogm atique, collect e à la com plexit é croissant e dês tensions et dês antagonism es sociaux ataviques aux êt re hum ains – Marit ain.
Nous vivons dans une crise norm at ive , qui dout e souvent légit im it é de la polit ique d’Et at dans ses décisions de j us. La crise où les décisions norm at ives sont en partie légit im e au regard de l’aspect des règles de product ion et non du processus de légiférer, qui com m ence au début de la prise décision j unqu’à ce que l’efficacit é sociale.
En fin de com pt e, il ya des gens qui sont capables de t rouver dans la science du droit et Aut ist pas le réduct ionnism e dogm at ique, m ais l’espoir de voir la loi à un organism e indépendant parfait em ent capable de penser par lui- m êm e. Par ailleurs, nous som m es conscient s, dans le m onde hodiernal, il est difficile de t rouver quelqu’un qui se soum et à Mourir pour idées ( m ourir pour un idéal) . En revanche, le m onde scient ifique – afin, not am m ent la loi – est ouvert au pluralism e des idées, en ut ilisant la vérit é m oins absolut e des locaux.
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rem arqué des science s’est rendu com pt e que l’hum ilit é peut ét endre ses rechercher – sur le t errain ou non – ainsi, il pourrait lui donner plus de legit im it é dans la com m unauté scient ifique.
Par conséquent , j e propose un aut re point de vue creux de réflexion: com pt e t enu de la hiérarchie et de l’aspect form el de la science du droit lat in com binée avec la flexibilit é et des preoccupat ions relat ivem ent à la prat ique du droit à la loi anglo-saxonne De façon innovant e, avec le conciliat e – qui est apparem m ent un grand nom bre ét aient inconciliales – de l’un des chefs les plus im port ant s de la loi hum anist e, Jacques Marit ain, avec le grand philosophe, un serverur organisat eur syst ém at ique et de l’hum anité, pas grand- chose rappelé dernièrem ent , August e Com t e.
12 SUMÁRI O
I N TRODUÇÃO
( PROBLEMÁTI CA; OBJETI VO E METODOLOGI A)- - - 15
CAPÍ TULO I – COMTE: VI DA E OBRA- - - 22
1 .1 – A FI LOFOFI A POSI TI VI STA DE AUGUSTO COMTE- 32 1 .2 – A GRAN DE TRI LOGI A JURÍ DI CA: JUSTI ÇA, LI BERDADE E AMOR- - - 33
1 .3 – CLASSI FI CAÇÃO DA CI ÊN CI A PARA AUGUSTO COMTE- - - 36
1 .3 .1 – As t rês filosofias - - - 37
1 .3 .2 – A Filosofia Prim eira - - - 41
1 .3 .3 – A Filosofia Segunda - - - 44
1 .3 .4 – A Filosofia Terceira - - - 46
1 .4 – A PREVALÊN CI A DA SÍ STESE SUBJETI VA - - - 48
1 .5 – A GRAN DE LEI FUN DAMEN TAL - - - 49
1 .5 .1 – O est ado Teológico- fict ício: espírit o posit ivo vs. espírit o t eológico- m et afísico- - - 50
1 .5 .2 – O Fet ichism o- - - 51
1 .5 .3 – O Polit eísm o - - - 51
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1 .6 – O ESTADO METAFÍ SI CO- ABSTRATO - - - 53
1 .7 – O ESTADO POSI TI VO- CI EN TÍ FI CO - - - 54
1 .8 – A RELI GI ÃO DA HUMAN I DADE - - - 56
1 .9 – LE GRAN D ÊTRE- - - 57
1 .1 0 – O ALTRUI SMO, O AMOR E A ÉTI CA POSI TI VI STA- - - 59
1 .1 1 – O HUMAN I SMO AN TROPOCÊN TRI CO - - - 61
CAPÍ TULO I I – MARI TAI N : VI DA E OBRA- - - 64
2 .1 – TRAJETÓRI A I N TELECTUAL DE JACQUES MARI TAI N DO EVOLUCI ON I SMO DE BERGSON AO ARI STOTELI SM O TOMI STA- - - 72
2 .2 – PEN SAMEN TO DE SÃO TOMAS DE AQUI N O ADAPTADO AO SECULO XX: JACQUES MARI TAI N - - - 74
2 .3 – A DI STI N ÇÃO EN TRE I N DI VI DUO E PESSOA: O CI DADÃO E O CREN TE- - - 80
CAPI TULO I I I – COMTE E MARI TAI N : FUN DADORES DA I DÉI A CON TEMPORAN ÊA DE DI REI TOS HUMAN OS- - - 85
3 .1 - A “ACTI ON FRAN ÇAI SE”- - - 94
3 .2 – A I MPORTÂN CI A DA DEMOCRACI A PARA OS DI REI TOS HUMAN OS- - - 97
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3 .4 – JACQUES MARI TAI N E OS DI REI TOS HUMAN OS
-- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- -- 101
3 .5 – PESSOA VS. I N DI VÍ DUO- - - 103
3 .6 – A LEI N ATURAL VS. A LEI POSI TI VA- - - 104
3 .7 – A DECLARAÇÃO UN I VERSAL DOS DI REI TOS HUMAN OS- - - 105
CAPÍ TULO I V – ELOS DE COMTE E MARI TAI N- - - 107
CON CLUSÃO - - - 119
15 I N TRODUÇÃO
( PROBLEMÁTI CA; OBJETI VO E METODOLOGI A)
Nest a Tese t am bém se procura dem onst rar a dificuldade em que se t em de est im ular os est udiosos da nossa Ciência em deixar a zona da cert eza m om ent ânea e funcional do Direit o represent a pela rainha dogm át ica em det rim ent o da realidade fact ual; especulat iva e dos problem as e fundam ent os axiológicos ( e não a neut ralidade axiológica do posit ivism o j uridico) .
Essa realidade fact ual é represent ada pelo sist em a perfeit o, com plet o, acabado, sem qualquer possibilidade de lacunas com o chegou Hans Kelsen Onde est uda- se leis e não disciplinas que com põe o Direit o? Ou a sim ples e natural superação do m odus
vivendi e costum es de cada sociedade em que vige det erm inado
sist em a j urídico, com o nos propõe de cert o m odo Com t e, Marit ain, Savigny e at é Miguel Reale, ent re t ant os? Será o Direito parte de um a Ciência hum ana que necessit a de out ra Ciência para funcionar? Ou um a Ciência aut ônom a, independent e?
Caso persist am os com o m odelo que at ingiu seu ápice com as sustentações j urídicas proporcionando os horrores que a hum anidade se deparou com seu próprio singular, o hom em , na I I Grande Guerra Mundial, sendo o direit o um a t écnica pela t écnica e não m ais t endo com o seu prim or obj et ivo, a j ust iça; não est arem os agindo sob um t erreno m ovediço em que t ent am os nos salvar puxando os próprios cabelos?
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que o j urist a, o det ent or dest e saber especializado socialm ent e propulsionado, não deveria se lim it ar à m era reprodução da ordem preest abelecida. Alm ej ando sem pre um a const rução de um sist em a j urídico abert o com os díspares interesses exist entes num a sociedade pluralist a com o a do século XXI .
Nest a Tese cabe o enalt ecim ent o de que não tendo o Direito os at ribut os, com o m uit os gost ariam , de ser aut ônom o e aut opoiét ico – um sist em a que subsist iria por si m esm o, sem perder sua essência – m as sim , o reverso disto, ou sej a, ele só faz sent ido nos m eandros de out ras ciências hum anas. A Ciência Jurídica só faz sent ido caso venha int erligado e int erdependent e com out ras Ciências Hum anas, onde o hom em é o cent ro das at enções.
Outro ponto que se inova nesta Tese é a consideração de que as exigências im prescindíveis de racionalidade form al e coerência sist êm ica – Com t e –, sob o com ando da Ciência Jurídica, m ais precisam ent e no cam po dogm át ico, conciliando com a crescent e com plexidade das t ensões sociais e ant agonism os at ávicos aos seres hum anos – Marit ain.
Com o problem át ica e inquiet ação2 com o poderem os aj ust ar
hom ens hist oricam ent e sit uados sob auspícios da ordem j urídica abst rat a?3
I nferi- se que a Ciência do Direit o ( o t odo) foi abocanhada de t al m odo pela dogm át ica j urídica4 ( um a parte do t odo) e pela
m oderna racionalidade form al, não- hist órica e a- cult ural, im pedido que o lado da práxis5 j urídica e das razões pudessem assum ir de fato
2 O que não é objeto de pesquisa desta Tese.
3 Certamente não seria por meio da lei. Não seria coerente a correção de algo por demais abstrato se
utilizar um remédio abstrato. Quiçá a alternativa poderia pairar sob a idéia e função da jurisprudência.
4 Assim como propõe o Positivismo que se fundamenta normalmente na idéia de que o importante é
fornecer aos profissionais da área jurídica esquemas, transparências, nada muito além disso.
5 Perfilho, por razões expostas nesta Tese, que a técnica levada ao extremo não é mais adequado na
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seu lugar na Ciência do Direit o, concebendo, assim , um pensam ent o j urídico alt am ent e t ecnocrat a, inflexível, sist em at izant e, nada criat ivo e nem m ovent e.
Apesar de im port ant e, Ciência do Direito não se reduz à com unicação e ao discurso. Onde não há consciência reflexiva não há o que é de m ais basilar da Ciência Jurídica: a liberdade
Vivem os assim num a crise norm at iva onde frequent em ent e se duvida da legit im idade est at al em suas decisões j us- polít icas. Onde as decisões norm at ivas apenas são parcialm ent e legít im as sob o aspect o de produção de norm as – assim com o um garanhão produt or de sêm em sem qualidade - e não do processo legiferant e que vai desde o pont o inicial da t om ada de decisão até a eficácia social – assim com o um garanhão produt or de sem em de qualidade que gera bons frutos6.
Direito: a Justiça. A parte de nada nunca pode prevalecer ao todo. Essa regra se aplica nesta Tese
também.
Pois o Direito não se reduz à técnica, vai muito além dela. Há também na Ciência Jurídica um oficio de disciplina formativa e interdisciplinar.
6 Como assevera Bittar in Horkheimer:
“O Positivismo se responsabilizou por transformar justiça em técnica, através de uma racionalidade dogmática que encampou crescentemente o processo de definição do justo pelo legal e pelo formal. Na analise de Horkheimer, a formalização da razão foi o primeiro grande passo para o sancionamento e a formação de uma cultura capaz de praticar a perda das raízes dos fenômenos:
“...¿ Cuáles son las consecuencias de la formalización de la razón? Justicia, igualdad, felicidad, tolerância, todos los conceptos que, como ya se dijo, latían em siglos anteriores en el corazón de la razón, o tenían que ser sancionados por ella, han perdido sus raíces espirituales..”. (Grifo meu).
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Por isso proponho um a reflexão para um a t erceira via: sem perder a hierarquia e o aspecto form al que há na Ciência Jurídica de origem lat ina com a flexibilidade e a preocupação do direit o na ordem prát ica, com o direit o nas ruas de origem anglo- saxão. I novando ainda com a conciliação – que para m uit os aparent avam inconciliáveis – de um dos m aiores lideres do Direit o Hum aníst ico, Jacques Marit ain, com um grande pensador e sist em át ico organizador servidor da hum anidade, pouco lem brado hodiernam ente, Auguste Com te,e, com o núcleo o signo dos direit os hum anos.
Enfim , ainda há quem encont re na Ciência Jurídica não o reducionism o dogm át ico e aut ist a m as sim um a esperança onde vê o Direit o não só com pernas próprias para seguir seu m elhor cam inho m as t am bém com cabeça própria para pensar. Sabem os, out rossim , que no m undo hodierno ninguém m ais, ou m elhor, dificilm ent e encont rarem os alguém que se suj eit e m ourir pour les idées, em cont rapart ida o m undo cient ífico, portanto o do Direito tam bém , est á m ais abert o ao pluralism o de idéia, ut ilizando m enos verdades absolut as com o prem issas. Hoj e nos sabem os, quant as vidas não se ceifaram por nada! Por um a verdade que j á não é m ais út il. Hoj e not o que a ciência percebeu que ser hum ilde pode lhe render m aior am plidão em sua pesquisa – de cam po ou não – e portanto, m ais legit im idade na com unidade cient ífica. O araut o de um a boa nova j á não m ais nos em polga com o nos em polgava nout ros t em pos, por exem plo, do Renascim ent o.
mudança dos métodos produtivos,, tudo isso está girando em torno do processo de desidentificação da condição humana. Na analise de Horkheimer:
“La transformación total del mundo em un mundo que lo es más de médios que de fines es ella misma consecuencia de la evolución histórica de los métodos productivos. Al tiempo que la producción material y la organización social se vuelven cada vez más complicadas y coisificadas, resulta cada vez más difícil reconocer como tales, ya que cobran la apariencia de entidades autônomas””
(Grifo meu).
Bittar. Eduardo C. B. O Direito na Pós-Modernidade, pág 314 e 315
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Cont udo, se o obj et o dest a Tese – Filosofia do Direit o7 – t rás
em seu boj o a problem át ica, ent re t ant as out ras, o t em a Just iça enquant o fim do Direit o e do Direit o enquant o ser – essência e não aparência – o que se pode, ent ão, asseverar é que o núcleo dos est udos e pesquisas j usfilosóficas, nest a Tese, t am bém aborda caract eríst icas axiológicas e ontológicas sim ult aneam ent e. Pois nest e Trabalho Científico abordo o ser de um a realidade hum ana que t em valores, sob princípios e ideais a sua razão de ser e de valer.
Esclarecim ent os se requerem aqui. Não é porque conciliei idéias que aparent em ent e eram inconciliáveis com o de Marit ain e Com t e para nort ear est e Trabalho Cient ifico, significa que abri m ão de t oda bagagem j usfilosófica de quase um a década de pesquisa. Ut ilizei, nat uralm ent e, m esm o que im percept ivelm ent e, as influências de m eus Mest res ao longo dest e decênio, assim com o das obras lidas – quer t raduzidas para língua pát ria que no original – pert inent e ao assunt o.
Por out ra via, est ou convencido que a Ciência Jurídica é frut o da m ent e hum ana e se refere im ediat am ent e à vida hum ana, ou m elhor, a vida do hom em naquele aspect o da sua at ividade prática que diz respeit o à sua condut a social ou int ersubj et iva. Port ant o a Ciência Jurídica nasce sob a est rit a validade, vigência e eficácia dependent e de out ras Ciências Hum anas não Jurídicas, t ais com o Antropologia, Econom ia, Polít ica, Sociologia.
Assim sendo, e para perm anecer em coerência com um a lógica com o se exige num a Tese com o est a, um at ribut o, em que m e at rai, da Ciência Jurídica hodierna é a perda do que há não m ais de alguns
7 Faz-se necessário ratificar que Filosofia do Direito não se reduz à problemática da Justiça. Aquela vai
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decênios eram considerados im prescindíveis para o Direit o, ou sej a, perm issibilidade de delegação com inado com baixo grau de im perat ividade do direit o post o. Enforcem ent com o Faria quis, senão vej am os:
“ ... a deslegalização e desconst it ucionalização, por out ro, e com a superposição de novas esferas de poder, por out ro, m uit as de suas norm as j á não m ais se dest acam por seu enforcem ent , ou sej a, por sua capacidade de at uar com o um com ando incontrastado. Ao contrário, elas se caract erizam , j ust am ent e por seu baixo grau de coercibilidade; pela abdicação de soluções het erônim as; por prát icas m ais flexíveis de enquadram ent o de
com port am ent os8; pelo est ím ulo aos
m ecanism os de gest ão delegada, parcerias públic privadas e aut o-responsabilização; pela ênfase à regulação negociada; pela renuncia a qualquer “ função prom ocional” ou “ dirigent e” ; pela ênfase ant es à eficácia da negociação das deliberações dela decorrent es do que à legit im idade de princípio. Enquant o o direit o posit ivo ...”
9
8 Acrescentaria: não apenas pelas práticas mais flexíveis de comportamentos, mais, sobretudo, pelas
práticas mais ágeis, eficazes, modernas e justas de comportamentos.
9 Continua Faria:
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Diant e das m inhas inquiet ações – e foi est a um a das razões para a confecção dest a Tese – est ou convencido que não m ais se pode cont inuar pensando, agindo e const ruindo est rut uras lógicas j urídicas apenas sob alicerces form alist as. Est e ciclo j á se esgot ou na Ciência Jurídica e não foi um ciclo que nos t rouxe os m elhores frut os. Mas se souberm os t irar proveit o do lado ruim dele, poderá nos ensinar bastante acerca das visões reducionistas na Ciência do Direit o, sej a ela de nat ureza for10.
Para dem onst rar acim a dit o ut ilizo a m et odologia silogíst ica dedut ivista. De t al m odo a result ar em um a conclusão: o denom inado m ét odo silogíst ico t raz á lum e “ novas verdades” , ou m elhor, novos ent endim ent os e int erpret ações at é ent ão nunca efet uadas ant es, que não represent am qualquer sort e de reducionism o das proposições ant eriores. Com o assevera Miguel Reale, acerca dest e m ét odo ut ilizado nest a Tese:
previamente estabelecidas para sua elaboração, a nova ordem jurídica se destaca por seu viés pluralista e interativo. Ela se configura como um mecanismo de resolução de problemas e litígios por meio do qual os atores, via negociação entre múltiplos poderes e distintos espaços, chegam a compromissos aceitáveis por todos. Suas expectativas e interesses são conflitantes, mas nenhum desses atores tem capacidade para impor uma solução de maneira unilateral – e se não chegarem a decisão mutuamente satisfatórias, permanecerão numa situação de paralisia decisória, correndo o risco de, ao final, saírem todos como perdedores.
Com isso, a lei não é mais um fato, mas um processo. Ela não é mais um ato programa de ação; e não cria mais instituições, porém elabora cenários. Á medida que abandonam a pretensão de promover uma regulação direita da sociedade, limitando-se a estabelecer premissas para decisões, a fomentar entendimentos e engajamentos recíprocos e a viabilizar soluções adaptáveis para cada situação específica em contexto plurais e cambiantes, essas normas acabam introduzindo no ordenamento jurídico uma flexibilidade deconhecida pelos padrões legais prevalecentes desde o advento do moderno Estado de Direito.” (grifo nosso). FARIA, J. Eduardo. Direito e Conjuntura, pág. 76.
10 Pela honestidade intelectual desta Tese, não é demais lembrar que o que proponho aqui neste exato
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“ ( ...) se desenvolve, digam os assim , de um a verdade sabida ou adm it ida a um a nova verdade, apenas graças ás regras que presidem à inferência das proposições, ou, por out ras palavras, t ão- som ent e em virt ude das leis que regem o pensam ent o em sua “ consequencialidade” essencial. Deve- se lem brar que há duas espécies de dedução, a silogística e a
am plificadora” .11
Cabe esclarecer nest e exat o m om ent o m eu enalt ecim ent o em pesquisas de Com t e a Marit ain. Foi proposit al est a at it ude, haj a vist a o em pobrecim ent o de pesquisas em relação ao prim eiro. Por tanta relevância na sociedade m oderna deixado por ele, pode- se quase que afirm ar que Com te caiu no esquecim ent o nos est udos e pesquisas cont em porâneas.
CAPÍ TULO I – COMTE: VI DA E OBRA
Necessário se faz adm oestar acerca das inform ações que norm alm ent e circulam ent re nós, sobre August o Com t e ( I sidore August e Marie François Xavier Com te, nascido em Mont pellier, 19 de j aneiro de 1798 e m orto em Paris, 5 de set em bro de 1857) .São as int erpret ações m ais pej orat ivas ou até m esm o enganos crassos. Talvez frut o da desinform ação doutrinal sobre Com t e ou result ado de condicionant es e repet ições m ecânicas que se encont ram com facilidade, falt a de um a consult a séria e com plet a aos t ext os da vast a – e pouco lida –obra de August e Com t e.
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Cit em o- as as m ais com uns asserções: disfunção m ental de Com t e; viés aut orit ária de sua Filosofia e Posit ivism o com o filosofia burguesa.
Sobre a supost a “ loucura” de Com t e, em inúm eros livros acham os a inform ação de que nos últ im os anos de sua vida adquirira um a ” pert urbação m ent al” e com ela m orrera. Em alguns casos acham os essas inform ações agravadas: “ crises de desequilíbrio
m ent al, que se repet irão at é o fim da vida”12.
Não obst ant e, percebo em m inha aguçada pesquisa, que inform ações com o as acim a não se sust ent am . Com t e não m orreu de e nem sofreu alt erações m ent ais, com o alguns desej am fazer crer.
Percebi, out rossim , a origem dest as infundadas not ícias. A razão do desequilíbrio m ental de Com t e se fundam enta na recusa, por part e de sua viúva, do seu t est am ent o, em que hom enageava seus discípulos com seus arquivos pessoais. Dent re os quais, incluíam - se inúm eras cart as t rocadas com Clot ilde de Vaux, por quem Com t e se apaixonara em 1845.
Alguns dias após a m ort e de Com t e, Carolina Massin ( a viúva) , vendeu, em leilão público, os obj etos, vestes e livros de Com te. Concom itant em ente a t odos est es fat os, o procurador da Sra. Massin anunciava a recusa do t est am ent o deixado por Com t e, pois o m esm o “ era um at eu, louco e libert ino” .
O desígnio da Sra. Massin era nest e episodio, com a invalidade do t est am ent o, dest ruir o epist olário relacionado com Clodilde de Vaux, pois, seria discricionário para a Sra. Massin t orná- lo público ou não.
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Em 1870, a Sra. Massin, prom oveu um a ação j udicial j á que o t est am ent eiro, Pedro Laffit t e, prom oveu, m om ent os ant es, o deposit o em not ário público dos m anuscrit os de Com t e, j ust ificando a viúva, que Com t e ensandecera nos últ im os anos de sua vida e que redigira aqueles m anuscrit os sob efeit o da insanidade.
O advogado da Sra. Massin, Dr. Griolet , t enta dem onst rar a alegada insanidade m ent al de Com t e, inclusive, achincalhando cert as de suas concepções encont radas no Sist em a de Polít ica Posit iva
( 1851 a 1854) e em sua Sínt ese Subj et iva ( 1856) . Todavia, em m om ent o algum , Dr. Griolet , apont a e dem onst ra sint om as do supost o desequilíbrio m ent al de Com t e. Avoca em seu favor “ paixão
ext ravagant e” por Clot ilde, por exem plo, e t am bém , ” im aginação
doent ia”.
Vej am os:
“ Para a senhora Com te, trata- se de dividir em duas part es a vida de seu m arido: a prim eira, em que ela est eve associada à sua exist ência, razoável, digna, laboriosa, fecunda, brilhante pelos seus grandes t rabalhos; a segunda em que August o Com t e ficou sozinho, em que ele criou outras afeições, outras t ernuras, e que ela quer sacrificar e aniquilar. Para ela, est es últ im os anos são os anos da desordem e da dem ência.13“
O t est am ent o de Com t e não apresent a nada de anorm al. Ele hom enageia seus discípulos com seus m anuscritos e os incum be de
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dar cont inuidade na adim plência de suas cont as e pensão à sua esposa. Dispensa tam bém a cerim ônia cat ólica em sua passagem . Assim com o, const a seu pedido t est am ent ário, que fosse ent errado ao lado de Clot ilde de Vaux. Nada disso pode ser considerado insanidade!
Em 25 de fevereiro de 1870 sent enciou- se acerca do caso em t ela. Mas ant es vej am os o que d’Herbelot, o prom otor público, pronunciou: “ puram ent e nat ural, norm al, racional, cient ífica, hum ana, sem m istérios, sem revelação, sem vont ade sobrenat ural. É ist o é
loucura? Não creio.” 14 Vej am os as alegações do m agist rado:
“ Quant o ao m érit o:
1) Considerando que a viúva Com t e at aca o t est am ento em seu conj unt o, sustentando que ele porta a m arca de insanidade de espírit o de seu aut or;
2) Considerando que as disposições de Augusto Com te são conform es aos pensam ent os que ocuparam os últ im os quinze anos de sua vida;
3) Que, ao criticar o test am ent o de seu m arido, a viúva Com t e quer, na realidade, at ingir as dout rinas que foram a últ im a form a do pensam ent o do filósofo;
4) Considerando que a viúva Com t e lim it a- se a sublinhar as cont radições entre as disposições que cont ém o t est am ent o e os princípios professados em outras épocas da sua vida pelo t est ador;
5) Considerando que est a dem onstração não basta para revogar um ato testam entário;
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6) Que, sem exam inar o alcance da obra, a nat ureza das idéias em it idas por Com t e, ou a form a m ística do estilo, é certo que o testam ento porta a m arca de um a vont ade int eira e livre;
( ...)
7) Que não cabe anular em seu conj unt o o testam ento. “15
Mesm o que a viúva Com te não tenha logrado êxito em sua causa principal da ação, t odavia, nos aspectos secundários de sua dem anda logrou algum êxit o: hoj e é um a opinião corrent e que Com t e faleceu com suas faculdades m ent ais alt eradas.
A segunda cont enda em relação a desinform ação com t eana é, com o dit o acim a: o viés aut orit ário de sua Filosofia.
Mediant e a repet ição de palavras fora de seu cont ext o original de significado, levou ao engodo que Com te, por enalt ecer sua
“ dit adura republicana” estaria se valendo de viéses autoritários em
sua filosofia. Mas isso não procede. Analisem os.
A filosofia com t ena, m orm ent e em sua vert ent e polít ica, o Posit ivism o, form ula o conceit o de “ dit adura republicana” que frequent em ent e é t ido com o um conceit o t ot alit ário ou com o t irano e m esm o déspot a. Com isso aqueles que não t êm profundidade em Com t e o enxergam com o um a pensador t endo est e viés, oj erizando- o sobrem aneira, j unt am ent e a sua filosofia.
Quando Com t e produz suas obras, o term o – ditadura – não t inha o cariz depreciat ivo com o o t em hoj e. Ao cont rário, seu
15 Lacerda Neto, Arthur Virmond de. A Desinformação Anti-Positivista no Brasil, pág. 214⁄ 215. (grifo
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significado provinha da dit adura provisória rom ana, ou sej a, um a aut oridade consent ida ou legít im a em ocasiões de calam idade pública. Logo, Com t e, não adot ou o vocábulo – Dit adura – com equivalência ao despot ism o perpét uo e nem m esm o pensava que o significado m udaria.
Nest e sent ido, Pedro Laffit t e, um de seus discípulos, afirm a
“ não dá de m odo nenhum à palavra dit adura o sent ido de poder
pessoal absolut o que se at ribui”16. Nest e cont ext o dit ador é quem
dit a (“ dict are” vem do lat im que significa ato de enunciar palavras que alguém escreve) e dit adura é a ação de dit ar independent em ent e de que faça, ou sej a, igualm ent e são dit aduras as ações parlam ent ares, as presidencialist as e as republicanas. Há sem pre um órgão que em it e det erm inações suj eit o ao seu cum prim ent o. Nest e viés com t eano t odo governo é dit adura e t odo governant e é dit ador. Ent ret ant o, nem t oda dit adura é republicana. Tam pouco, nem t oda corresponde à concepção positivist a, com o queria Com t e. A Dit adura Republicana de Com t e corresponderia um governo: Republicano e não m onárquico; República presidencialist a e não parlam ent arista e, por fim , Presidencialism o t em poral e não at em poral ou espirit ual
O ideário de Com t e era confeccionar leis m ediant e a part icipação de popular ao invés de se confeccionarem em
assem bléias. Dest a feit a, a m onarquia 17 seria substituída.
Concom it ant em ent e às assem bléias parlam ent ares com a m anut enção de t odas as liberdades públicas. Logo não havendo câm ara parlam ent ar, obvio, que não há o que se falar em despot ism o ou dit adura no sent ido m oderno. Ao cont rário seria o enaltecim ento das origens da dem ocracia e da república. Sobressaindo a liberdade de im prensa, associação, expressão. A Dit adura Republicana de
16 Lacerda Neto, Arthur Virmond de. A república positivsita. Pág. 29.
17 A origem da monarquia é teológica, ou seja, o representante terreno da divindade é o monarca.
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Com t e não suprim e essas liberdades fundam ent ais que são m arca de supressão em qualquer regim e t ot alit ário at ual.
Assim assevera Cost a
” ( ...) nem a Dit adura Republicana, nem o Positivism o, nem Augusto Com te t êm nada a ver com o aut orit arism o, e aquele que responsabiliza o Posit ivism o pelos arreganhos autoritários que abalaram o m undo, o fazem por ignorância ou m á- fé.” 18
Apedrej ar é bem m ais fácil. Quant os de nós não passam os repudiar a obra de Com t e por cont a dest e desconhecim ent o? Quant os de nós não condenam os sem exam e as font es posit ivist as? Quant os de nos fom os vit im as de um a aut ent ica lavagem cerebral com eçada logo após a m ort e de Com t e por sua viúva e corroborada nos regim es t ot alit ários do século passado?
No Brasil t ent ou- se ligar o Posit ivism o com o golpe de Est ado de Get úlio Vargas ( o Est ado Novo) em 1937 com o a revolução de 1964. Am bas com o se pode not ar agiram de encont ro com os princípios da filosofia de Com t e, pois a filosofia de August o Com t e valoriza a sociedade e a ideologia de Get ulio Vargas levou ao fort alecim ent o do Est ado, assem elhando- se, irrefut avelm ent e, ao m odelo hegeliano- facist a, com o concorda a m aioria dos hist oriadores.
Agora, o que é pouco divulgado, é que, o Posit ivism o hast eou a bandeira da não indenização aos senhores donos de escravos com a libertação dos m esm os. Mais tarde, em 1889, Teixeira Mendes, apresent ou ao governo da República, um proj et o de legislação do t rabalho, cont endo, por exem plo: salário m ínim o, t urno laboral de 07
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horas de t rabalho por dia; 15 dias de férias anual; aposent adoria aos 63 anos de idade, ent re out ras.
Não obst ant e, a valorização de um ensino fundam ent al grat uit o e leigo era um a das bandeiras de Com t e, viabilizando, assim , capacit ar àqueles incapacit ados. Tornar a educação grat uit a e universal const it ui, na visão de Com t e, a dívida sagrada da sociedade face aos prolet ários, m erecedores de part iciparem das riquezas espirit uais acum uladas ao longo dos séculos. Esse pensam ent o é a coluna vert ebral da Bibliot eca Posit ivist a. Vej am os:
“ No program a do Part ido Republicano Hist órico redigido por Júlio de Cast ilhos const at aram os seguintes ítens: regim e de oito horas de trabalho nas oficinas do Est ado e nas indúst rias; regim e de férias aos t rabalhadores; prot eção ao m enor, m ulheres e velhos; direit o de greve; t ribunal de arbit ragem para resolver os conflitos entre patrões e em pregados; aposent adoria. Em síntese, é um a agenda de leis sociais a cargo de um Estado previsor que não quer deixar ao arbítrio do capital decidir sobre as condições dos novos assalariados
egressos do cativeiro.”19
Percebe- se que o Posit ivism o de Com t e prescinde de especulações ociosas, ou sej a, especular por especular, im prescindindo da int eligência, do esforço, do tem po hum ano a fins j ust ificáveis. Aqui assent a a razão que, ao invés de se indagar de onde viem os e para onde vam os, enfim , qual o sent ido da vida t errena, cuida, sobret udo, de averiguar, de com o podem os
19 Aqui Comte se refere as condições mínimas de trabalhos aos ex-escravos.
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aperfeiçoar a exist ência da Hum anidade ou das pessoas individuais no âm bit o m at erial e espirit ual. Ao exercício m et afísico, Com t e prefere sua aplicação no caso concret o, com o David Hum e.
Poderá parecer est ranho que ao lado de um pensador com as caract eríst icas filosóficas apont adas acim a, surj a um nom e consagrado no hum anism o filosófico de cunho dem ocrát ico com o Jacques Marit ain.
O que é pouco aprofundado é a influência indiret a que Marit ain recebeu de Com t e durant e um longo período em que m ilitou no m ovim ent o polít ico nacionalist a criado por um posit ivist a: a Act ion
Française de Charles Maurras ( 1868 – 1952)20 21.
A abordagem de tal m ovim ent o era o “ em pirism o organizador” de clara inspiração na m et odologia com t eana: part ir da realidade concret a e usando dados cient ificam ent e cont roláveis; chegar à com preensão das inst it uições sociais.
Parece- nos que – quando Marit ain se t orna o grande divulgador do hum anism o int egral – ele t ransporta para o m om ento histórico do t riunfo das dem ocracias sobre o fascism o na Segunda Grande Guerra Mundial, t udo o que aprendeu da visão organicista com Maurras e, em últ im a análise, com Com t e. I st o explica sua oposição t ant o à
20 DELBEZ, Louis. Les Grand Courants de la Pensée Politique Française depouis le XIXé Siecle, pág
149.
21 Enquanto que a maioria dos monarquistas se recusava a envolver na acção política - por esta altura
31
dem ocracia liberal quant o à dem ocracia socialista; propondo um a t erceira via de dem ocracia: a dem ocracia orgânica. Tendo com o núcleo cent ral a dignidade da pessoa hum ana, a ser caract erizada na fam ília, na escola, no t rabalho, na nação, no Est ado ( tirando da t eoria e colocando em prát ica o Princípio da Subsidiariedade) , not a caract eríst ica da Dem ocracia Hum anist a, que chega at é Franco Mont oro, discípulo de Jacques Marit ain ( nascido em 18 de novem bro de 1882 em Paris e m ort o em 28 de abril de 1973 em Tolosa) .
Ao ult rapassar o acanhado nacionalism o francês da década de 20 do século passado, Marit ain defenderá um a visão universalist a que tem m ultifacetas de contato com a Hum anidade considerada por Com t e com o obj et o de respeit o, cult o e dedicação. Eis as três grandes m at rizes da at ual consagração dos Direit os Hum anos para t odos os povos do Planet a.
Poderá ainda persist ir no espírit o do leit or um a dúvida sobre a adoção do posit ivism o com o um a ideologia dos m ilit ares que deflagraram o m ovim ent o republicano vit orioso m arcado em 15 de novem bro de 1889.
32
que t eve com o seu sucessor, na aplicação de Com t e ao direit o, o enciclopédico j urist a alagoano, Pont es de Miranda ( 1892- 1979) .
1 .1 – A FI LOSOSOFI A POSI TI VI STA DE AUGUSTO COM TE
A filosofia não vive de sua própria subst ância. Ela não é nem a síntese das ciências, nem a religião, nem um a transposição da religião; m as seu im pulso vit al é de origem cient ífica. Dizia j ust am ente Henrique Gouhier22.
É exat am ent e o caso de Com t e: um a filosofia que é m ais o desabrochar que a font e, ou sej a, o positivism o com teano é exat am ent e o desabrochar de um a font e cient ifica ou religiosa. Sendo que a Lógica e a Moral procedem do m esm o espírit o. Aquela se subordina à Nat ureza e est a se subordina à Hum anidade.
O Positivism o ( filosófico e não j urídico) seria um a filosofia em função do ser hum ano. Seria um hum anism o social. Não se t rat a, com t eanam ent e, do individuo, t am pouco de um a det erm inada sociedade, m as da Hum anidade que é o reflexo instantâneo da m edida de t odas as coisas23.
Sendo a ciência abst rat a, cria- se ent ão, a t eoria; sendo a art e concret a, cria ent ão, a prát ica. Logo, a Filosofia Prim eira e a Segunda de Com t e t êm com o caract eríst ica part icular o dom ínio das ciências; na Filosofia Terceira, sobrepuj a a predom inância da art e.
22 (1898-1980)
23 Diferentemente também do homem individual de um dos fundadores do movimentos sofístico,
Protágoras (492-422), cuja frase se eterniza tanto quanto seu criador: "O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são."
33
I nconcusso que o posit ivism o ( filosófico e não j urídico pois t em sua origem na léxico ciência posít ica ou exata e não se deve confundir com o posit ivism o j urídico que ext rai sua denom inação do direit o post o, posit ivo. Not e- se que a palavra posit ivism o é plurívoca podendo ser usada com sent ido opost o, pois o posit ivism o filosófico conduz a um a visão sociológica e o posit ivism o j urídico a um a visão norm at ivist a) de Com t e consist e essencialm ent e em elim inar da ciência qualquer influência m et afísica, proporcionando assim , a redução do seu obj et o à verificação dos fenôm enos e à det erm inação de suas relações. Prescindíveis conhecer causas e substâncias, m as som ent e coleções e sucessões de fenôm enos.
O que se visa num m undo exterior é som ente o com plexo de nossas sensações possíveis e atuais; a alm a seria com teanam ente a série de nossas sensações e Deus a serie de pensam ent os divinos desenrolando- se na et ernidade.
1 .2 – A GRAN DE TRI LOGI A JURÍ DI CA: JUSTI ÇA, LI BERDADE E AMOR
Aliás, de acordo com que consideram os ser o m ais genuíno pensam ent o j urídico dest a Tese apresent ada. A definição e a descrição da Ciência Jurídica não se dão com o de out ras ciências de m odo norm al. A intrínseca ligação do Direit o com a Just iça ainda m e parece ser o sustentáculo daquele e é a sua torre de vigia. Nesta Tese não restou dúvidas que ainda é m ais seguro para a hum anidade a aproxim ação do Direit o com a Justiça, t endo com o núcleo o hom em e seus direit os inerent es.
34
procurando harm onizar corrent es num a sínt ese, Ulpianus24,
am algam ou adm iravelm ent e na sua célebre passagem encont rada no
Digesto t rês t ópicos essenciais da j urisdicidade:
• Suum , cada um o seu. Enalt ecendo o aspect o obj et ivo do
Direit o;
• Persona, a pessoa hum ana e a sua im anência dignidade.
Enalt ecendo a subj et ividade do Direit o;
• I ust it ia, elem ent o nuclear para com preensão da Ciência. É
por ela que o Direito se m ove. A Justiça é o alpha e o
om ega do Direit o. Est e dela vem e para ela t ende.
Ent ret ant o, a Ciência Jurídica de per se não é garant idor da aplicabilidade de fat o da Just iça; m esm o quando há a t ríade acim a de m odo pleno. 25 Pois é im prescindível que o Direito sej a tem perado
com a clem ência, pronunciado sem pre com a prudência e j am ais se esquecendo que Just iça se faz com am or e não com punição cega retrograda à la Talião26.
Est a Tese dem onstra t am bém a prescindibilidade da definição do Direit o. Para est a Tese, que vai de encont ro com a corrent e posit ivist a, a definição propriam ent e dit a se t orna algo que o j urist a ou profissional afim conseguirá saber na práxis, no Direit o das ruas, nos t ribunais, nos j uízes t ogados ou não. Mas nunca saberá verdadeiram ent e sua definição, na t eoria que não coincide com a realidade social onde se vige aquela Ciência.
24 Sua obra influenciou fundamentalmente a evolução do direito romano e bizantino. Tem como
expoente jurídico o princípio contido no ditame: "Tais são os preceitos do direito: viver honestamente (honeste vivere), não ofender ninguém (neminem laedere), dar a cada um o que lhe pertence (suum cuique tribuere)".
25 Como há muito um adágio do Direito Romano: Summum jus, summa injuria, ou seja, muito direito
muita injustiça, o máximo direito é a maior injustiça.
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Com o se vê o ser hum ano é de sum a im port ância para que o Direito se concretize e possa nos brindar do que t em de m elhor. Sem a influência corret a do hom em na sociedade o Direit o t am bém claudica. O Direit o é frágil. Ele precisa da Polít ica, da Econom ia e de t odas out ras ciências para que se t orne um a Ciência de fat o e em prol da hum anidade, pois ele não sobreviveria em um circuit o fechado, em um sist em a aut opoiét ico, ele t em razão de exist ir para e pelo hom em . O direit o vem do hom em e para ele t ende e exist e.
Não obst ant e, ao considerarm os acim a do direit o posit ivo legalist a27 outra form a de se buscar valer o direito, não m e refiro, nest a Tese, que o direit o posit ivo – form al – seria o direit o im puro e o “ nat ural” – m at erial – seria o direit o puro, perfeit o. 28
Suum cuique t ribuere, dar a cada um o que é o seu, é um dos
pilares, senão o pilar, do direit o “ nat ural” . 29 Pat ent e est á que, para o posit ivism o legalist a, t oda est a discussão seria prescindível. O posit ivism o legalist a, assépt ico polit icam ent e por nat ureza, deixa a quem detiver o poder sem pre a decisão. Assim o operador do direit o se reduz a um t ecnocrat a da coerção est at al e nada m ais.
Notório está que o Direito necessitará sem pre de um alicerce fundam ent alm ent e filosófico ou aquilo que o Direit o pret ender ser não ult rapassará a barreira da vacuidade. Por isso que o casam ent o do “ Rei” Direito com a “ Rainha” Filosofia produz um a nobre categoria de
27 Positivismo Jurídico, fruto circunstancial da volição de um poder.
28 Trata-se, nesta Tese, não de uma questão de concorrência, tampouco de exclusão, mas sim de
conformidade histórico-social. De uma conformidade de acordo com a realidade. Corroborando com esta idéia que exponho nesta Tese posso afirmar que um preceito jurídico qualquer – positivo, negativo ou permissivo – proveniente do direito “natural” ou do direito positivo são passível tanto de soluções justas como de soluções injustas. Mas uma vez eu ratifico que o homem é o núcleo duro para qualquer sistema jurídico.
29 Essa pergunta não aceita uma resposta titularista apenas. A nautureza humana (coletiva ou individual)
impinge deveres para com seus semelhantes que por sua vez são essenciais ao direito “natural”: é o basilar dever de cada um de nós dar a outrem o seu. Seria uma obrigação supra-estatal. Uma obrigação natural imanente aos seres humanos. Portanto não podemos nos reduzirmos apenas em bens materiais. Simplesmente nos reduzindo à titularidade. Mas também de honras e méritos.
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descendent es: os j usfilósofos30. Est es propugnam31 pelo direit o,
principalm ent e pela via do am or, da j ust iça e da liberdade.
1 .3 – CLASSI FI CAÇÃO DAS CI ÊN CI AS DE AUGUSTO COMTE
Sabem os um a coisa de m aneira absolut a, afirm a Arist ót eles, quando sabem os qual é a causa que a produz, e porque essa coisa não poderia ser outra; é saber por dem onstração; porisso, a ciência se reduz a dem onst ração.
Não obst ante o conhecim ento aristotélico, Com te prefere enalt ecer não as causas prim eiras, m as sim a finalidade dos at os em pregados pela e para a ciência32.
Desta feit a, Com te parece t er proposto o princípio verdadeiro de um a classificação das ciências. Procurou- se respeit ar a independência das ciências um as vist as das out ras. Out rossim , procurou- se det erm inar um a ordem nat ural de com o se encadeiam e com o se com plet am .
Tem - se com o característica a classificação de Com te da ordem que ele est abelece com o condut a: part e Com t e das ciências cuj o obj et o é m ais sim ples e m ais geral para aquelas cuj o obj et o é m ais com plexo e m enos geral, ou sej a, classifica- se as ciências por ordem de generalidade decrescent e e de com plexidade crescent e. Assim t em os:
Mat em át ica; Ast ronom ia; Física; Quím ica; Biologia e Sociologia 33
30 Obvio esta Tese não tem o escopo da transformação de juristas em jusfilósofos. Entretanto se busca é
que os juristas que não são filósofos também possam procurar se elevar ao conhecimento do que estão fazendo como jurista e como parte de uma coletividade.
37
Desta feita Com te prossegue em sua est rut ura lógico- racional em virt ude de suas dem onst rações.
1 .3 .1 AS TRÊS FI LOSOFI AS
Percebe- se que a Ciência Posit iva inaugura sobre os t rês pont os que se const it ui a Filosofia Posit iva. Desdobrando- se nos t rês t ipos de filosofia abaixo descrit a.
Não obst ant e, as diferenças peculiares, t odas as t rês se convergem para o m esm o obj et o final, ou sej a, o progresso do hom em , em si, e consecut ivam ent e as m elhorias da exist ência da Hum anidade em geral.
Um dos pont os fulcrais, para est a Tese, da Filosofia Posit iva de Com t e, consist e em separar o abstrat o do concret o; dem onst rando que a as ciências t idas com o concret as dependem um bilicalm ent e das abst rações e não est as daquelas. Vej am os o conceito com teano de abst ração:
“ Abstrair é coordenar os acontecim entos independent em ente dos seres ( ...) A abst ração é, no est ado posit ivo, não só plenam ent e desenvolvida com o diret am ent e ut ilizada para a indução e a
33 Esta que nos interessa nesta tese, haja vista, que segundo Comte a sociologia é a ciências das relações
que os homens podem ter entre si. É a ciência em que encerra os fenômenos mais complexos e mais difíceis, razão por que deve coroar a classificação. Comte elaborou uma divisão geral das ciências em 02 grupos:
• Ciências Abstratas, que são aquelas que tratam das leis que regem os fatos da natureza em todas as suas combinações possíveis. Pertence a este grupo todas as ciências aventadas acima;
38
dedução das leis científicas. Há, pois, coordenação harm ônica entre as funções da cont em plação, concret a e abst rat a, e da m edit ação indut iva e dedut iva, donde result a a gradual inst it uição dos princípios científicos que regem as
exist ências ext erior e hum ana.”34
Out ro pont o fulcral para a com preensão de Com t e, t odavia aqui não se aplica a Marit ain, é que as ciências na proporção que as t ornam posit iva hão de renunciar a qualquer invest igação acerca da
essência das coisas, das causas prim árias e finais, ou sej a, do que a
m et afísica a denom ina de absolut o. Sendo, a Filosofia Posit iva, filha legít im a das Ciências, deve renunciar t am bém a est as invest igações, pois, as Ciências Hum anas, nada é m ais, senão, o estudo das forças que pert encem à m at éria e das leis que regem t ais forças.
Em Opúsculos na t radução ( edição) de 1899, Com t e assim nos clarifica acerca de seus pensam ent os, senão, vej am os:
“ Creio que est a hist oria póde ser dividida em t rês grandes épocas ou est ados de civilisação, cuj o caract er é perfeit am ent e dist inct o, no t em poral e no espirit ual. ( ...)
A prim eira é a época t heologica e
m ilit ar.
Nest e est ado da sociedade, t odas as idéias theoricas, tant o geraes com o part iculares, são francam ent e e com plet am ent e m ilit ares. A sociedade
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t em por alvo de act ividade, unica e perm anent e, a conquist a. Não ha indúst ria sinão a indispensável à exist encia da espécie hum ana. A escravidão pura e sim ples dos product ores é a principal inst it uição.
Tal é o prim eiro grande system a social produzido pela m archa nat ural da civilização. ( ...)
A segunda época é a época
m et aphysica e legist a. Seu caract er geral é t er nenhum caract erístico bem accent uado. Ella é int erm ediaria e bast arda: opera um a t ransição. ( ...) A sociedade não é m ais francam ente m ilit ar e não é ainda francam ent e indust rial, quer nos seus elem entos, quer no seu conj unct o. As relações sociaes particulares são m odoficadas. A escravidão individual não é m ais direct a ( ...) .
A terceira época, em fim , é a época
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Seu ponto de part ida direct a dat a da int roducção das sciencias posit ivas na Europa pelos Árabes, e da em ancipação das com m unas, ist o é, cerca do século XI .
Para prevenir t oda obscuridade na applicação dest e esboço geral, cum pre não esquecer que a civilisação devia devia progredir nos elem ent os espirit uaes e t em poraes do est ado social, ant es de progredir no conj unct o. Por conseqüência as t rês grandes épocas sucessivas com eçaram necessariam ente m ais cedo para os elem entos que para o t odo, o que poderia occasionar algum a confusão, si não tivesse em conta, antes de tudo, est a differença inevit ável.
Taes são, portanto, os caracteres principaes das t rês épocas em que se póde dividir toda história da civilisao, desde o t em po em que o est ado social com eçou a t om ar um a verdadeira consist ência, at é o present e. Ouso propor aos sábios est a prim eira divisão do passado, a qual m e parece preencher as im port ant es condições de um a boa classificação do conj unct o dos fat os polít icos.35
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Tom o o conselho de Com t e, apesar de est ar longe dos sábios e aceito o desafio em confrontar, m elhor dizendo, em coligar as lições de Com t e com o Maritain. Est e é o original obj eto desta tese.
1 .3 .2 A FI LOSOFI A PRI MEI RA36
Perm it e- se, com a Filosofia Prim eira, o conhecim ent o de com o se confecciona as leis, desde os seus princípios fundam ent ais – a font e –; a elaboração e com o se progride cada lei. Trat a- se, t am bém , das quinze Leis Universais.37
Fora organizada por Com t e com 5 grupos principais com alguns subgrupos secundários.
1) Lei da Posit ividade38
1) Da Verdade; form ular a hipótese m ais sim ples com portando os dados a t rabalhar;
2) Do Dest ino; form ular com o im ut áveis as leis acerca dos seres, haj a vist a que só a ordem abst rat a perm it e sua aut ent ica apreciação;
3) Da Liberdade; é lim it ado a ordem universal quaisquer m odificação
36 Este termo não tem o mesmo significado de Maritain, quando utiliza o termo Filosofia Primeira para
designar Filosofia por Excelência ou Metafísica.. O que dela dissermos em sentido absoluto (simpliciter) poderá aplicar-se sob certo ponto-de-vista (secundum quid) às demais partes da Filosofia.
37 As quinze Leis Universais são aplicáveis a todos fenômenos, inclusive ao Direito. “Leis que partem do
espírito humano e se estendem aos fenômenos cosmológicos, e leis que partem da cosmologia e se estendem ao entendimento humano, desde que se reconheceu a identidade entre a matéria viva e a não viva.” In: Augusto Comte e o Positivismo, Ribeiro Jr, pág, 55
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correlat as proporcionalm ent e à int ensidade dos fenôm enos.
2) Leis Est át icas do Ent endim ent o39
1) Da Obj et ividade; subordinar as const ruções subj et ivas aos m at eriais obj et ivos. Conform e Kant, Leibniz e Arist ót eles;
2) Da razão; as im pressões int eriores não são t ão nít idas e vivas quant o às ext eriores;
3) Da Unidade; as im agens devem sobrepuj ar sobre as que o com plexo cerebral faz sim ult aneam ent e surgir.
Leis Dinâm icas do Ent endim ent o
1) Da I nt eligência; cada ent endim ent o perpassa sucessivam ent e pelos t rês est ados: fict ício; abst rat o e posit ivo em relação à quaisquer concepções, cont udo, a rapidez é proporcional à generalidade dos fat os;
2) Da At ividade, divide- se em t rês: a at ividade conquist adora; a defensiva e, por fim , a at ividade indust rial;
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3) Do Sent im ent o, a sociabilidade divide-se em t rês, a prim eira é a dom est ica, a segunda a cívica e a últ im a a universal. Apego, veneração e bondade, respect ivam ent e.
3) Lei da Exist ência40
1) Da Est abilidade; qualquer que sej a o est ado ( est át ico ou dinâm ico) t ende- se a persist ir em seu est ado inicial, sem alt eração. Conform e Kleper;
2) Da Harm onia; qualquer sist em a t ende-se a sua const it uição ativa e passiva. Conform e Galileu- Galilei;
3) Do Conflit o; há um a equivalência necessária entre a ação e a reação conform e a nat ureza do conflit o. Conform e Newton.
Leis das Variações
1) Do Progresso; subordinação da t eria do m ovim ent o à t eoria da exist ência. Ter o progresso com o desenvolvim ent o da ordem correspondent e.
40 Este terceiro grupo tem como característica a objetividade. É a mais objetiva da Filosofia Primeira.
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2) Da Ordem ; a classificação positiva procede, segundo a generalidade crescent e ou decrescent e, obj et iva ou subj et iva;
3) Da Cont inuidade; t odo int erm ediário, a dois ext rem os, a ele se subordina.
1 .3 .3 A FI LOSOFI A SEGUN DA
Acent ua- se, na Filosofia Segunda, a conecção de sem elhança e sucessão com a Prim eira, de m odo a privilegiar o int elect o aos ensinam ent os dem onst rados pela Ciência. Assim t em os, esquem at icam ent e41:
Em
Mét odo
Lógica ou Mat em át ica
Prelim inar
Ciência
Em
Dout rina
Física Celest e ( Ast ronom ia) ; Física Terrestre
( Física e Quím ica)
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Preâm bulo ( biologia)
Final Ou
Moral
Cam po Próprio
( sociologia e Moral)
I nduzir para deduzir a fim de const ruir, esse é o resultado do
processo lógico- racional ut ilizado pelo Posit ivism o de Com t e. I ndução,
Dedução e Construção é a condição necessária para o verdadeiro
raciocínio.
A I ndução nos fornece elem ent os para efet uar a generalização
pele com paração. Já a Dedução nos proporciona a sist em at izar por coordenação; a Const rução nos leva aos dois resultados por estas duas vias respect ivam ent e.
Para o Posit ivism o com t eano, quando est udam os leis abst rat as,42 que com andam a t odos os acont ecim ent os, adquirirá elem ent os necessários para poder realizar as previsões necessárias que nos perm it e guiar a condut a: ” saber para prever a fim de
42 Segundo Comte em sua Synthése Subjective, as leis abstratas estão destinadas a monitorar nossa
inteligência regulando nossas condutas e atividades. Quer indutivas; quer dedutivas, as leis constituem a base de todas as nossas previsões e são as únicas comportáveis pela nossa organização intelectual.
Para Comte, a fraqueza de nossa inteligência não nos permite resolver diretamente os casos concretos e, por meio deles, realizar previsões que possam facilitar nossa ação. Temos, por isso, que nos limitar a previsões gerais, baseadas no conhecimento abstrato, e procurar depois da conciliação, em cada caso concreto, com as circunstancias especiais que o envolvem.
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prover”. Logo, os seres se m odificam de acordo com a respect iva
necessidade, at ravés da ação.
Com o, j á dit o em m inha dissert ação de m estrado, o ser m ais com plexo dent re todos eles, é o ser hum ano, e por isso o m ais difícil sofrer m odificações, m orm ent e se analisado sob o aspecto de sua
t ríplice natureza m oral ( afet iva, int elect ual e prát ica) , t odos out ros
seres se t ornam de m enor im port ância se com parados conosco e por isso, se subordinam a nós.
Conquanto, devem os ser cônscio disto e aperfeiçoar a cada inst ant e nossa nat ureza que é sabem os sê- la t ão com plexa e im perfeit a.
Cada ciência43 deveria ser est udada em seu grau at é se at ingir
a Moral. Pois é nela que reside a passagem da t eoria para prát ica.
1 .3 .4 A FI LOSOFI A TERCEI RA
Nest a et apa, im prescindível são as regras prát icas e as ações da Hum anidade sobre a Terra, reunindo o plexo de conhecim ent os concret os sobre os seres ligados, port ant o, à at ividade hum ana. Esses conhecim entos concretos não m ais se referem aos fenôm enos, e sim , às condut as que levam às m odificações dos seres.
Dest a feit a, segundo Pernet t a: ,
43 São as ciências referidas por Comte, de acordo com sua complexidade crescente: • Matemática ou Lógica;
• Astronomia;
• Física;
• Química;
• Biologia;
• Sociologia, e,
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“ o hom em sent e, pensa e age. Em t oda a ação exercida por est e ent e hum ano há sem pre part icipação do segm ent o que im pulsiona, da int eligência que esclarece, da atividade que executa. É lógico, port ant o, que t oda sist em at ização posit iva do saber hum ano deve correlacionar- se diret am ent e com cada um a das t rês partes da alm a – coração, espírito ou inteligência e caráter ou at ividade. Os nossos conhecim ent os est ét icos, as belas- art es t endo por fim idealizar a realidade, m elhorando- a, t endo por fim idealizar a realidade, m elhorando- a,
conduzem diret am ent e ao
aperfeiçoam ent o do sent im ent o.” 44
Assim , de form a esquem át ica, t em os;
a) Princípio – I m pulso ( coração) : egoísm o/ altruísm o – m ot ores afet ivos;
b) Meio – Conselho ( espírit o) : “ Saber para prever a fim de
prover” – funções int elect uais;
c) Result ado – Execuções ( carát er) : qualidades prát icas .
“ Agir por afeição e pensar para agir”