U N I V E R S I D A D E F E D E R A L D OzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
CEARÁ
T339 N.Cham. T339 13413e T
B413e Autor: Benevides, AlessandnmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
T Título: Os efeitos da abertura
111111111111111111111111111IIIIIIIIIIIIIIII~IIIII 0155394J A C .59971 U F C E -B C M E
O s E f e it o s d a A b e r t u r a E c o n ô m ic a S o b r e a s D e s ig u a ld a d e s d e R e n d a P e s s o a l n o s E s t a d o s B r a s ile ir o s d e 1 9 8 6 a 1 9 9 9
A L E S S A N D R A D E A R A Ú J O B E N E V I D E S
Os Efeitos da Abertura Econômica Sobre as Desigualdades de
Renda Pessoal nos Estados Brasileiros de 1986 a 1999
ALESSANDRA DE ARAÚJO BENEVIDES
ORIENTADOR: FLÁVIO ATALIBA FLEXA DALTRO BARRETO
FORTALEZA-CE
nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAA 1 e s s a n d r a d e A r a ú j o B e n e v id e s
O s E f e it o s d a A b e r t u r a E c o n ô m ic a S o b r e a s D e s ig u a ld a d e s d e
R e n d a P e s s o a l n o s E s t a d o s B r a s ile ir o s d e 1 9 8 6 a 1 9 9 9
Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em
Economia da Universidade Federal do Ceará
como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Economia.
Área de Concentração: Crescimento e
Desenvolvimento Econômico e Regional
Orientador: Prof. Dr. Flávio Ataliba F. D. Barreto
Fortaleza
Universidade Federal do Ceará Curso de Mestrado em Economia
Esta dissertação foi submetida como parte dos requisitos necessários à obtenção
do grau de Mestre em Economia, outorgado pela Universidade Federal do Ceará e
encontra-se à disposição dos interessados na Biblioteca do Curso de Mestrado em
Economia da referida Universidade.ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
~ J --~ ~ i.b
Alessandra de Araújo nevides
Dissertação aprovada em 14 de julho de 2002
Flávio Ataliba altro Barreto
OrientadornmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
~~defb.f~;...."",,\----Membro Interno
Agradeço aos meus pais pela dedicação e esforço para que eu tivesse uma educação digna. Agradeço à minha irmã, Aletusya, pelo paradigma que é em minha vida. Agradeço à Sandra pelo apoio indispensável nas horas mais
difíceis de meu estudo. Agradeço aos meus colegas pelo incentivo e, em
R e s u m ozyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
o
objetivo deste artigo é examinar o impacto da maior integração comercial e dacomposição do comércio dos estados brasileiros sobre a desigualdade de renda pessoal e suas decomposições nas regiões brasileiras, considerando quatro conjunto de amostras distintas: Brasil, Norte/Nordeste, Sul/Sudeste e Centro-Oeste. Variáveis adicionais de
dotação de capital humano e grau de urbanização são testadas. O arcabouço teórico
utilizado fundamenta-se nas dotações de fatores como determinantes das vantagens
S u m á r io
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1 R e v is ã o d a L it e r a t u r a 13xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
1.1 Liberalização e Crescimento 16
1.2 Liberalização e Desigualdade 21
1.3 Abertura Econômica, Desigualdade e Pobreza no Brasil 25
2
O M o d e lo30
2.1 As Variáveis 38
3 E v id ê n c ia s E m p ír ic a s 42
3.1 Uma Análise Regionalizada 45
3.2 Composição do Comércio e Dotação de Fatores 54
3.3 Composição da Renda, Capital Humano e Composição das Exportações 58
C o n c lu s ã onmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA 6 8
B ib lio g r a f ia 7 0
A p ê n d ic e
A
73
I n t r o d u ç ã o
A discussão sobre o processo de integração comercial não é recente. Pesquisadores de vários países procuram saber quais os efeitos de uma maior liberalização do comércio sobre o crescimento econômico de um país, o que acontece com a desigualdade de renda e pobreza quando as barreiras são quebradas e o fluxo de comércio se expande, como a abertura comercial influencia a composição das exportações, o emprego dos trabalhadores não-qualificados e qualificados e as instituições que regem o mercado de trabalho.
Todas estas questões, entre outras, surgiram mais intensamente nos últimos 50 anos. De acordo com Dixon (1998), somente nas últimas duas décadas, pelo menos 100 países em desenvolvimento iniciaram um processo de abertura, seja por uma política própria, seja por imposição da política de empréstimos do Banco Mundial. Antecipando-se a este processo, o Leste asiático começa a liberalização a partir dos anos 60 e 70, com uma política fortemente orientada para a promoção das exportações e para a melhoria das dotações de capital humano. Na época, essa política contrastava com a teoria predominante de substituição de importações, que valorizava o mercado doméstico e protegia setores de interesse de cada Governo, distorcendo o comércio. Somente no final dos anos 70 e início dos anos 80 é que essa visão de promover as exportações começou a prevalecer.
A América Latina começou seu processo de abertura em meados da década de 80. A criação do Mercosul, bloco econômico em vigor desde 1° de janeiro de 1995, teve seu
embrião na Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), com a assinatura do
Tratado de Montevidéu, em 1980. A aceleração do processo de integração comercial, no entanto, ocorreu somente nos anos 90, quando diversas uniões aduaneiras surgiram na
região. Além do Mercosul, o acordo estabelecendo a Associação Caribenha de Livre
Comércio (1996), o acordo Andino de Integração Subregional (1996) e o Tratado de Livre Comércio da América do Norte - Nafta (1992), que inclui México, Estados Unidos e
Canadá, reafirmam empiricamente que a visão de integração econômica, com queda de
Mesmo dentro dessa visão predominante, a literatura que relaciona crescimento econômico e liberalização comercial é um tanto contraditória. Krueger (1998) ressalta que a abertura econômica é boa para o crescimento e cita como exemplo os "Tigres": Coréia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura. Já Rodriguez e Rodrik (1999) contra-argumentam essa conclusão dizendo que a relação positiva entre abertura e crescimento é superestimada. GreenawayxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAetZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAa I. (2002) pondera que os problemas de má-especificação dos modelos e a diversidade de índices de liberalização são os responsáveis por essa inconclusão.
Como a desigualdade de renda tem crescido desde os anos 80, tanto em velhas
economias industriais da Europa e dos Estados Unidos como em vários países em
desenvolvimento, outro campo bastante discutido trata da questão abertura econômica e desigualdade de renda ou liberalização comercial e desigualdade salarial. Da mesma forma que na literatura de crescimento, os estudos sobre liberalização e desigualdade apontam muitas vezes para posições opostas.
Richardson (1995) mostra que o comércio é uma fonte de contribuição, embora moderada, das desigualdades de renda nos Estados Unidos. Para Bourguignon e Morrisson (1990), a proteção comercial é um dos fatores de terminantes das diferenças na distribuição de renda entre os países em desenvolvimento. Litwin (1998) e Spilimbergo et a I. (1 9 9 7 )
argumentam que os efeitos da abertura econômica sobre a desigualdade dependem da
dotação de fatores de cada país. No centro dessa questão está a teoria das vantagens comparativas, segundo a qual o país se especializa na produção de determinado produto cujos fatores são mais abundantes (Teoria de Heckscher-Ohlin).
No Brasil, alguns estudos apontam para um aumento na desigualdade como
aponta na direção contrária. Eles encontram resultados compatíveis com a liberalização jogando um papel na redução da desigualdade salarial no Brasil entre 1988 e 1995. Como desigualdade salarial é apenas parte da desigualdade de renda, não é possível afirmar que um aumento (redução) efetivo na desigualdade salarial provoque uma elevação (queda) na desigualdade de renda total.
Analisando dados de variação da média do Índice de Gini nesse estudo, entre 1986 e 1999, é possível verificar que estados como o Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pemambuco e Sergipe tiveram uma variação positiva, ou seja, a desigualdade de renda
nestes estados aumentou no período estudado. Entre 1995 e 1999, período de maior
estabilidade econômica com o advento do Plano Real, a participação da renda dos 20% mais pobres na renda total caiu em estados como Piauí, Ceará, Paraíba, Pemambuco e Sergipe, enquanto a variação dofedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAP I B per capita para o mesmo período aumentou nos mesmos estados. Os dados de média de anos de estudo mostram que o Nordeste, apesar que ter evoluído quantitativamente na distribuição educacional, ainda possui as piores médias de escolaridade no Brasil.
Diante de tamanhas diversidades regionais, este estudo se preocupou em fazer uma análise que buscasse entender como as variáveis de abertura comercial e dotação de fatores influenciam as regiões brasileiras. As pesquisas até agora estudaram o Brasil como um todo, sem levar em consideração essa diversidade. Quando se leva em consideração a diversidade regional, fica evidente que os resultados obtidos em termos de Brasil possam variar de região para região.nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
É visível a importância de mais estudos empíricos que possam consolidar
da dotação de fatores na composição comercial de uma economia e quais as vantagens comparativas para que essa economia se insira no comércio mundial.
A segunda seção apresenta um modelo teórico que buscar fundamentar as razões pelas quais a renda do indivíduo é uma função de um vetor de dotações, da estrutura de propriedade dessas dotações e da distorção no comércio causada pelo Governo. Serão realizados três blocos de regressões, nos quais se busca explicar a desigualdade de renda e sua decomposição como função de variáveis que representam as dotações e da abertura econômica. Busca-se também explicar a composição comercial como função diretamente das dotações de cada região brasileira e qual a influência dessa composição sobre a desigualdade de renda.
A terceira seção apresenta as evidências empíricas encontradas.nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAÉ possível verificar que, de fato, a abertura econômica, representada por uma variável de volume de
1 Re v is ã o d a L it e r a t u r a
Algumas pesquisas (Richardson, 1995; Wood, 1997; Cortez, 2001; Yao e Zhang, 2001; entre outras) indicam que a desigualdade de renda tem crescido nas últimas duas décadas tanto em velhas economias industriais da Europa e Estados Unidos como em países em desenvolvimento, com exceção do Leste asiático.
Estes estudos sobre os efeitos do comércio na desigualdade de renda e de salário e no crescimento econômico são normalmente realizados com base no modelo de Heckscher-Ohlin com a presença de apenas dois fatores de produção: trabalhadores qualificados e
não-qualificados. De uma maneira geral, o modelo estabelece que um país tem vantagem
comparativa na produção de determinado produto cujo fator de produção é relativamente abundante, conseqüentemente, relativamente mais barato. Dessa forma, um país que é relativamente abundante em capital (trabalho) deverá ter vantagens comparativas sobre outros países na produção de bens intensivos em capital (trabalho). É evidente, então, a contribuição das dotações de fatores para a estrutura de produção a ser desenvolvida.
Traçando um paralelo, é possível dizer que países bem dotados em mão-de-obra não-qualificada (qualificada) terão vantagens comparativas na comercialização de bens
intensivos em mão-de-obra não-qualificada (qualificada). Abrir a economia para o
comércio exterior pode significar um aumento das exportações dos produtos em que há vantagem comparativa e que, portanto, podem ser comercializados a preços competitivos. Esse aumento das exportações tenderia para um aumento da demanda de trabalho nesse
etor, elevando, conseqüentemente, o retomo da mão-de-obra desqualificada em países em desenvolvimento e reduzindo as desigualdades.
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA qualificado), oxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAgap de renda tenderia a alargar dentro da estrutura protecionista, leia-se,
e tratégia de substituição de importações.
Wood (1998) argumenta que muitos pesquisadores subestimam os efeitos do
comércio sobre as desigualdades. Analisando o aumento das desigualdades nos países desenvolvidos, ele propõe uma modificação no modelo de Heckscher-Ohlin, permitindo o que chamou de inovação defensiva. O modelo funcionaria da seguinte forma: o Norte, que
é desenvolvido e detém o capital humano qualificado, deixaria de produzir toda a
manufatura que consome e passaria a se especializar somente na produção de manufaturas intensivas em mão-de-obra qualificada. O Sul, que ainda está em desenvolvimento e possui mão-de-obra pouco qualificada, também de especializaria em manufaturas intensivas em trabalho não-qualificado. As trocas promoveriam um aumento médio da produção tanto no orte (trabalho qualificado) como no Sul (trabalho não-qualificado). Fica claro que, no orte, o retorno do trabalho qualificado aumenta dentro desse modelo. Mas, de acordo com Wood, essa elevação nas desigualdades seria ainda maior, devido ao efeito da inovação defensiva, onde as firmas do Norte, confrontadas com a competição das importações vindas do Sul, desenvolveriam maneiras mais eficientes de produzir manufaturas com trabalho não-qualificado utilizando menos mão-de-obra. Mesmo não sendo capazes de competir com as importações do Sul, as firmas do Norte reduziriam a demanda por trabalho
não-qualificado e permaneceriam no mercado, o que acarretaria em desigualdades ainda
maiores ou aumento do desemprego da mão-de-obra não-qualificada.
Richardson (1995) afirma que, ao contrário do que Wood aponta, o comércio é
uma fonte de contribuição apenas moderada das desigualdades de renda nos Estados
Unidos. Outras fontes não podem ser ignoradas, inclusive porque o comércio e as
mudanças tecnológicas não explicam o crescimento da desigualdade dentro da mão-de-obra qualificada. Além disso, o comércio serve como estímulo ao crescimento econômico, beneficiando a renda de ricos e pobres.
dotados de capital e trabalho qualificado. Então, quando a economia se abre, a desigualdade tende a crescer entre os bem dotados de trabalho qualificado e a decrescer nos países que são bem dotados de capital. Esse fato se explica porque o retorno do capital diminui e fornece distribuição. Dess~ forma, um efeito contrabalança o outro.
Apesar de explicar o crescimento da desigualdade salarial nos países
desenvolvidos, o modelo de Heckscher-Ohlin parece não ter a capacidade de explicar o aumento da desigualdade de renda nos países em desenvolvimento. Segundo Carneiro e Arbache (2002), uma hipótese alternativa sugere que a recente abertura ao comércio,
observada para diversos países em desenvolvimento, tenha ocorrido num processo
simultâneo de modernização tecnológica e aumento do estoque de capital, provocando um
impacto positivo na demanda por trabalho qualificado e um aumento dos retornos do
capital humano. Esta é uma explicação plausível tendo em vista que o modelo de
Heckscher-Ohlin tem como pressuposto que a tecnologia é dada.
No entanto, Cortez (2001), analisando o impacto da expansão educacional e das
mudanças nas instituições do mercado de trabalho para o México, descobriu que as
mudanças na demanda relativa de trabalho qualificado, causadas tanto pela liberalização comercial como pelo progresso técnico, não explicam o aumento sobre as desigualdades salariais no País. Cortez (2001), Wood (1998) e Richardson (1995) ressaltam que pesquisas
sobre o aumento da desigualdade via demanda não conseguem explicar o aumento da
desigualdade salarial dentro de cada categoria educacional, ou seja, a desigualdade está aumentando mesmo entre trabalhadores qualificados. Como explicar que, permitindo a mobilidade de capital humano entre setores, pessoas com a mesma qualificação tenham salários diferentes?
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
mais qualificados. Dessa forma, a mudança na demanda relativa afetou positivamente a
distribuição de renda no México. A explicação para o aumento doxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
gapsalarial estaria nas
mudanças institucionais do mercado de trabalho, leia-se, no declínio dos sindicatos, que
perderam poder de barganha, e no aumento do salário mínimo como um piso efetivo do
mercado de trabalho mexicano.
fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA1 .1 L ib e r a liz a ç ã o e C r e s c im e n t o
Dois pontos fundamentais na literatura são calorosamente discutidos. Primeiro,
uma maior liberalização comercial levaria a um maior crescimento econômico? Segundo,
um maior crescimento econômico levaria a uma desigualdade de renda mais baixa? Os
estudo sobre crescimento econômico e abertura comercial são, de uma certa maneira,
inconclusivos. Dollar (1992), Krueger (1998) e Greenaway
et ai.(2002) ressaltam que a
liberalização comercial leva ao crescimento econômico, enquanto Rodriguez e Rodrik
(1999) afirmam que erros metodológicos no cálculo do índice de abertura podem viesar
estes resultados.
Os resultados do estudo de Dollar (1992) apontam que tanto a América Latina
como a África mudariam de um crescimento negativo para modestamente positivo se
adotasse as medidas da Ásia, qual sejam, desvalorizar o câmbio real e torná-Io estável,
reduzindo ao máximo a volatilidade. Krueger (1998) elenca os diversos custos de manter
uma estratégia de comércio baseada na substituição de importações, como má-alocação de
recursos e ineficiência estática, e ressalta que os ganhos da liberalização são suficientes
para uma taxa de crescimento acelerada por um longo período de anos. Mesmo assim,
outras políticas que dão suporte
àliberalização comercial são necessárias e podem, de uma
certa maneira, aumentar os benefícios, como por exemplo, a política cambial e uma
infra-estrutura adequada. O que tanto Dollar como Krueger não deixam claro é se estratégias de
política de comércio voltadas para o mercado exterior levam a um crescimento ainda mais
acelerado. Mesmo assim, eles sugerem que há uma correlação positiva entre comércio
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Rodriguez e Rodrik (1999) vêem com cautela as conclusões que apontam essa
correlação positiva entre abertura e crescimento porque detectaram especificações incorretas nas medidas de liberalização usadas, já que estas são, em sua grande maioria, endógenas e, como tal, distorcem os resultados. Outra falha apontada é a falta de robustez, visto que as conclusões são sensíveis às amostras e ao período estudado. O estudo de Rodriguez e Rodrik afirma que a medida de distorção proposta por Dollar tem sérias falhas conceituais como medida de restrição comercial e, além disso, sua medida de variabilidade é, na verdade, uma medida de instabilidade mais que qualquer outra coisa.
Sachs e Warner (1995) tentaram resolver todos problemas de erro na mensuração de índices de abertura combinando informações sobre vários aspectos da política de comércio. Eles construíram o indicador de abertura de Sachs- Warner (SW) que é uma variável dummy, que toma valor zero se a economia for fechada. Sachs e Warner usaram cinco critérios para identificar uma economia como fechada: 1) se tiver uma taxa média de tarifa acima de 40%; 2) se as barreiras não-tarifárias cobrirem mais de 40% dos importados; 3) se tiver um sistema econômico socialista; 4) se tiver a maior parte das exportações sob monopólio estatal; e 5) se o prêmio do câmbio no mercado negro excedeu 20% durante as décadas de 70 ou 80. Os resultados mostraram que o efeito da dummy sobre o crescimento é de 2.44 pontos percentuais, ou seja, economias que passaram pelos cinco critérios tiveram uma média de crescimento econômico duas vezes e meia mais alta que as economias que permaneceram fechadas.
Mais uma vez Rodriguez e Rodrik (1999) analisaram os resultados e concluíram que o indicador SW serve como proxy para uma ampla série de políticas e diferenças institucionais e que produz uma estimação viesada para cima dos efeitos das restrições ao comércio. Primeiramente, Rodriguez e Rodrik apontam que os critérios que realmente
contam são os dois últimos. A variável de monopólio captura os casos nos quais os
governos taxaram a maioria das exportações e, portanto, reduziram o nível de comércio (distorção). O problema, segundo Rodriguez e Rodrik, é que Sachs-Warner usaram dados
ajustamento de 1987 até 1991. Isso viesaria a amostra, excluindo, por exemplo, a Indonésia e a Mauritânia. Estas economias estão como abertas porque a Indonésia não é da África e a
Mauritânia não estava sob ajustamento na época do estudo do Banco Mundial.nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
o
prêmio do câmbio no mercado negro é usado porque, sob certas condições, as restrições ao câmbio funcionam como barreiras ao comércio. Mas, os níveis de prêmio docâmbio negro acima de 20% por toda uma década indicam desequilíbrios
macroeconômicos. Rodriguez e Rodrik afirmam que a existência de um considerável
prêmio do câmbio negro acima de 20% por um longo período de tempo reflete uma ampla érie de falhas de política. O que seria razoável pensar, portanto, que estas falhas seriam responsáveis pelo baixo crescimento.
GreenawayxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAet ai. (2002) ponderam que os problemas de má-especificação dos modelos e a diversidade de índices de liberalização são em parte os responsáveis por essa inconclusão na literatura. Utilizando uma estrutura dinâmica em painel e três diferentes indicadores de liberalização, eles encontram que a abertura tem um impacto positivo sobre o crescimento, embora com um lago Esse resultado indica que a economia responde com traso às mudanças na estratégia de comércio, evidenciando uma resposta em curva do tipo 1. que tem um impacto maior sobre o PIB per capita após o terceiro ano de implementação da liberalização. Esse estudo mostra ser robusto a mudanças de especificação, tamanho da
ostra e período dos dados.
Pedroso e Ferreira (2000) analisaram a relação entre abertura comercial e renda capita entre países, tanto sob o enfoque de corte transversal como dados em painel. ar de apontarem as medidas de incidência (tarifas e quotas, por exemplo) como as ai apropriadas para captar a orientação das políticas comerciais nos países, eles optaram
r uma medida de resultado, a razão da exportação mais importação pelo PIB, que não flete necessariamente a orientação de política comercial, já que pode estar associada às
Essa escolha se deve à falta de instrumentos para tarifas, barreiras não-tarifárias e ...ceitas do imposto de importação serem colocadas na regressão que explica o nível de nda.nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAÉ importante ressaltar que o uso de variáveis instrumentais para a medida de rtura corrige para o problema de simultaneidade entre renda e abertura, apontado viamente no estudo de Rodriguez e Rodrik (1999). Pedroso e Perreira (2000) apontam e há pouca relevância da abertura econômica para explicar a disparidade de renda entre
países.
o
segundo ponto fundamental é: um maior crescimento econômico levaria a uma igualdade de renda mais baixa? Pields (1984) pontuou três questões importantes: rimeiro, uma taxa maior de crescimento econômico não é nem suficiente nem necessária ara o declínio da desigualdade; segundo, uma taxa maior de crescimento econômico não é em suficiente nem necessária para o declínio da pobreza e; terceiro, as mudanças na igualdade e pobreza não precisam ir na mesma direção num determinado país. Isto significa que a pobreza pode cair e a desigualdade crescer.Num estudo de sete economias pequenas, Pields contrapôs as políticas salarial, de mércio, de crescimento, de emprego e de distribuição de renda do Leste asiático (Coréia o Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura) vis-à-vis o Caribe (Barbados, Jamaica e Trinidad " Tobago). Na Ásia, como a política salarial é determinada pelo mercado sem a influência forças institucionais, como salário mínimo, sindicatos, política de pagamento do Go emo e multinacionais, o rápido crescimento leva a salários reais mais altos e à redução ~ pobreza e desigualdade. O que Pields não questiona é a causalidade. No caso do Caribe,
e o baixo crescimento que leva ao aumento da pobreza e desigualdade ou são as
igualdades que fazem os países crescerem menos?
Contrariamente, Ravallion (1995) indica que não há sinais de efeitos sistemáticos crescimento econômico sobre a desigualdade de renda. Ele aponta falhas em algumas edidas de pobreza e ressalta que esse equívoco provavelmente subestima a resposta ao
pobreza, qualquer medida de pobreza absoluta é uma função decrescente da média, desde ue mantenha a curva de Lorenz constante'. No entanto, deixando a curva de Lorenz livre ara variar, uma alta média de renda pode muito bem ser associada à alta pobreza.
Um ponto em comum entre o estudo de Fields e Ravallion é que, um processo de crescimento pode ser associadonmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAà alta desigualdade mesmo quando a pobreza absoluta cai. Estudando uma amostra de países em desenvolvimento nos anos 80, Ravallion encontra
que, apesar de o crescimento de 3% no consumoxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAper capita implicar numa taxa de 6 a 10% de redução da proporção de p o b re s', crescimento econômico não é tudo o que importa para
reduzir pobreza. Outros aspectos como maior acesso à escola e saúde poderiam entrar no cálculo. Em relação à desigualdade de renda, como já foi mencionado, não há sinal de que o crescimento tem sido associado com uma tendência, seja de aumento ou de redução, da desigualdade nos países em desenvolvimento.
Modelos de geografia econômica sugerem uma polarização geográfica e um
recrudescimento dos desequilíbrios de renda interregional em relação ao livre comércio. Analisando a existência de clubes geo-econômicos na China, Yao e Zhang (2001) apontam que, após a liberalização econômica do País, o produto per capita convergiu para um estado e tacionário dentro de cada clube, mas divergiu entre os clubes geo-econômicos, de tal forma que, as províncias ricas se tomaram mais ricas e as pobres mais pobres. Na China, a liberalização teve efeitos diferenciados entre as províncias, aumentando as desigualdades regionais. A hipótese de Yao e Zhang é de que, num país em desenvolvimento, onde capital e tecnologia são escassos, o crescimento econômico inicial depende do desenvolvimento de alguns centros de crescimento, os quais levariam, através de um processo de spillover, o resto da economia a se expandir.
As evidências empíricas mostraram que os efeitos de spillover diminuem à medida que a distância para os grandes centros de crescimento aumenta. A abertura econômica
t Litchfield (1999) aponta que a curva de Lorenz plota as participações cumulativas de renda contra a população cumulativa. Dessa forma, é possível saber, pela curva de Lorenz, quanto porcento da renda, por exemplo, detêm os 20% mais pobres da população.
· ogou um papel importante no desenvolvimento da China, que se tomou a principal nação m termos de comércio e a receptora de investimentos diretos entre os países em
envolvimento. Mas a liberalização também exacerbou o problema da desigualdade
gional. Os spillovers da região Leste do País, como Beijing, Tianjin, Liaoning e Shangai ainda não chegaram ao Oeste, em províncias como Guizhou, Qinghai e Ninxia.
Sala-i-Martin (1996), observando o processo de convergência das regiões da
Espanha entre 1955-1990, através de um modelo neoclássico, verifica que houve um
rocesso de interrupção dessa convergência nos anos 80, quando a Espanha passou a fazer parte da Comunidade Européia em 1986. Esteban (1994) verifica também, usando dados de 1980-1989 para a Europa, que a desigualdade interna regional de cada país aumentou enquanto que a desigualdade entre países diminuiu.fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
1 .2 L ib e r a liz a ç ã o e D e s ig u a ld a d e
Dentro desse processo de abertura econômica, bastante difundido entre países desenvolvidos e, principalmente, vivenciado por países em desenvolvimento, uma questão
é constantemente referida: qual o impacto da liberalização comercial sobre as
desigualdades de renda e pobreza?
Diversos estudos ressaltam o peso das dotações de fatores como fatores
explicativos não só da desigualdade como da estrutura de comércio de um determinado país. A idéia de fazer melhor uso possível dos fatores abundantes, colocada por Heckscher e Ohlin desde o início do século passado, ganhou força nas últimas duas décadas. Litwin
1998), Wood (1997), SpilimbergoxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAet ai. (1997) e Bourguignon e Morrisson (1990) são
categóricos ao afirmar que o impacto da abertura econômica depende da dotações de
fatores e da estrutura de propriedade dos mesmos.
sobre a desigualdade de renda depende essencialmente da dotação de capital humano, variável chave para determinar a composição das exportações. Nesse modelo, o capital
humano influencia tanto diretamente na distribuição de renda como indiretamente,
reestruturando a composição das exportações. No gráfico 1, de Adrian Wood, é possível ter uma noção da importância do capital humano para as exportações.
Gráfico 1nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
P e rce n ta g e o f e xp o rts
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so e rco M a yE II a /ld ., "" 1 •f'ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA;'J )
econômica afeta a distribuição de renda .;lteranclo os retornos relativos das dotações de pital humano. Para ela, as políticas comerciais ce promoção de manufaturados devem ser aseadas na expansão da educação básica para obter os efeitos necessários de redução da pobreza e desigualdade.
Wood (1997) analisou o impacto das experiências de abertura econômica no Leste iático, nos anos 60 e 70, e na América Latina, nos anos 80. Ele observou que o modelo de
Heckscher-Ohlin é facilmente verificável no Leste asiático, onde oxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAgap salarial entre trabalhadores qualificados e não-qualificados reduziu após a liberalização. O inverso
ocorreu na América Latina, onde a abertura alargou as diferenças salariais. Esse conflito de vidências se deve muito mais às diferenças entre ::1 ~ oca de liberalização que às diferenças entre o Leste asiático e América Latina. Segundo de, a entrada da China e de outros países
iáticos de baixa renda no mercado mundial LOS anos 80, concorrendo com produtos
latinos, provavelmente retirou a vantagem comp.rraiiva da América Latina para produtos intensivos em mão-de-obra não-qualificada. Alén disso, novas tecnologias podem ter
iesado contra os trabalhadores não-qualificados.
Bourguignon e Morrisson (1990) apontam que as diferenças entre países na
distribuição de renda é uma função das dotações d ~ fatores, suas estruturas de propriedade e distorções do comércio exterior. Eles afirmam que as dotações de recursos minerais, a concentração de terras na agricultura ele exportação. a proteção ao comércio e a educação
cundária são os maiores detenninantes das d.íerenças na distribuição de renda entre países em desenvolvimento.nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAÉ importante frisar q L e a vantagem comparativa de um país em
gricultura, por exemplo, não pode ser considerada separadamente da estrutura de
ropriedade da terra.
Os resultados obtidos no trabalho de Bourguignon e Morrisson mostram que a exportação de produtos agrícolas tem um efeito negativo sobre a igualdade de renda
ontrabalançado pela distribuição de terra. A proteção comercial tem grande potencial para _iorar a distribuição de renda porque reduz os retornos para os fatores relativamente mais abundantes.
SpilimbergoxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAet al. (1997) mostram que os países intensivos em terra e capital têm uma distribuição de renda mais desigual, enquanto países intensivos em qualificação têm uma distribuição mais igualitária de renda. Isso acontece porque os fatores de produção
rra e capital podem ser concentrados nas mãos de poucas pessoas, já que não há limite superior natural para essa acumulação. Fatores como qualificação, no entanto, não podem r o mesmo nível de concentração porque há um limite superior natural para a quantidade
educação que um indivíduo pode acumular. Portanto, se uma economia é dotada em grande parte com terra e capital, não há limites para a concentração de riquezas. Um fato importante ressaltado por eles é que as análises de desigualdade salarial constituem - mente uma parte da distribuição de renda. Dessa forma, não há como deduzir que um
umento na desigualdade salarial leva a um aumento na desigualdade de renda porque a enda oficial do trabalho é apenas uma proporção da renda total pessoal.
Outro fator para o qual os autores chamam atenção é para a má-especificação do odelo em relação
à
variável de abertura econômica. Por exemplo, um país que é bem otado de terra em relação ao resto do mundo tem tipicamente um volume de comércio maior. Então, uma medida de abertura econômica que não controla pelas dotações mostrará que esse país é bastante aberto. Dado que a relativa intensidade de terra é associada com uma maior desigualdade de renda, seria equivocado atribuir essa alta desigualdade àbertura da economia.
De acordo com os resultados de Spilimbergo et ai., o índice de abertura econômica para os países de uma forma geral foi positivo e significante, sugerindo que a liberalização é associada com uma maior desigualdade, mantendo as dotações de fatores constantes. A explicação é que isto pode ser devido ao fato de que governos mais liberais têm políticas de
comércio mais liberais e menos políticas redistribucionais. Mas, para países em
nômica não tem influência na distribuição de renda. A variável de abertura teve um - ei o negligenciável sobre a América Latina. Isto se deve ao fato de que a dotação de . res da região é bastante similar à média mundial, portanto, somente pequenas mudanças
preços relativos acontecem com a abertura devido à ausência de vantagem comparativa.fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
1 .3 A b e r t u r a e c o n ô m ic a , D e s ig u a ld a d e e P o b r e z a n o B r a s il
A péssima distribuição de renda no Brasil, caracterizada por uma das maiores sisualdades de renda do mundo, tem sido fator motivador de diversas pesquisas'', As
eqüências de uma perversa distribuição de renda são realçadas pelo fato de a rendaxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAper ita do País não ser suficientemente elevada.
No Brasil, alguns estudos apontam para um aumento na desigualdade como
eqüência da liberalização econômica. A hipótese a ser trabalhada por Carneiro e ache (2002) supõe que, em regimes de substituição de importação, investimentos tos nos setores intensivos em capital sob níveis de comércio não livre elevam os preços
custos do capital e do trabalho qualificado. Além disso, em economias abertas, o
to é observado, assim como o retorno da educação de não-qualificados tende a
entar. Especificamente, o estudo de Carneiro e Arbache investigou se um aumento das rtações pode elevar os níveis de emprego e de salários no País.
Usando um modelo de Equilíbrio Geral Computável (CGE), os autores realizaram imulações: a) impor a estrutura de tarifas médias de 1990 na estrutura de produto de - etores representados no modelo, ou seja, tomar a estrutura econômica de 1996 e fechar
.c.. economia impondo as tarifas médias de 1990; b) aumentar em 20% a exportação de
-""ores que usam trabalho qualificado; e c) aplicar um choque de produtividade de 10% nas .áveis do modelo. Os resultados mostram que fechar a economia provoca estagnação e ação, mas também reduz o desemprego de todos os tipos de trabalho e gera um aumento
e cerca de 3,5% na renda média real das famílias. A segunda simulação provocaria uma
eda na taxa de inflação doméstica (0,26%) e um aumento nofedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAP I B real (0,53%), mas umentaria a renda das famílias de classe média para alta, tanto em áreas rurais como
banas. Além disso, a taxa de desemprego daqueles trabalhadores informais com baixa alificação e dos trabalhadores formais com alta qualificação aumentaria. A terceira simulação mostra que haveria uma redução da taxa de inflação em 7,7%, mas também umentaria o desemprego de todos os trabalhadores, com exceção daqueles altamente
alificados do setor formal.
Todos estes resultados apontam que a liberalização comercial tem uma limitada pacidade de afetar os resultados no mercado de trabalho brasileiro e que o principal eterminante da competitividade internacional das firmas no Brasil é o grau de escolaridade
força de trabalho. De uma certa forma, o aumento das exportações via abertura
onômica contribuiu para melhorar o bem-estar econômico, mas que esses benefícios - ram apropriados por trabalhadores qualificados, aumentando a desigualdade salarial.
Arbache e Corseuil (2001) também mostram que o aumento da penetração de
portação, causado pela liberalização comercial, afeta substancialmente o emprego das dústrias que empregam trabalhadores menos qualificados. Esse resultado vai de encontro
predições do modelo-padrão de comércio e mercado de trabalho, qual seja, como o Brasil é abundante em mão-de-obra pouco qualificada, deveria experimentar crescimento
emprego nas indústrias cujas tecnologias são intensivas em trabalho não-qualificado.
LavinasxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAet al: (1997) evidencia uma tendência de aumento das desigualdades de
renda interestaduais entre os anos de 1985 e 1994 e sugere que esse fenômeno de
, ise econométrica, o estudo de LavinasxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAet ai. (1997) oferece um interessante retrato das _ .ões brasileiras e seus indicadores sócio-econômicos.nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
o
estudo de Gonzaga et ai. (2001) rebate as pesquisas que indicam relaçãoitiva entre abertura econômica e desigualdade. Eles afirmam que, desde 1988, quando :e início a liberalização comercial, a economia brasileira tem experimentado uma redução razão da ganhos do trabalho qualificado em relação ao não-qualificado. Os autores
aram um mecanismo de transmissão através do qual o comércio afeta os salários
elativos.
Dessa forma, o processo é iniciado por uma mudança nas tarifas, que não deve ser mogênea entre setores, a qual irá afetar os preços relativos. As mudanças da tarifa atual ve ter uma relação com o trabalho intensivo qualificado. Assim, será estudado o que ntece quando as tarifas caem relativamente mais em setores que usam intensivamente
alho qualificado. O novo preço nestes setores incentivaria uma mudança na produção etores intensivos em trabalho qualificado para não-qualificado, o que desencadearia um
ento da demanda por trabalho não-qualificado. (modelo de
Heckscher-Ohlin-uelson)
Para que isso ocorra, é preciso: a) comprovar uma correlação positiva entre a dança de preços e tarifas; b) observar um relativo decréscimo nas tarifas e preços de -'" ores que usam mão-de-obra qualificada; e c) observar se a produção relativa nos setores
mão-de-obra qualificada tem caído. O estudo apontou que há uma correlação positiva _ tre mudanças de preços e tarifas. Além disso, Gonzaga et ai. (2001) mostram que, na
,dia, os preços aumentaram mais nos setores que usaram mais intensivamente trabalho - o-qualificado. O principal fator de identificação para saber a relevância da liberalização
mercial na explicação das recentes mudanças na desigualdade salarial no Brasil é testar - a correlação entre mudanças no emprego e na intensidade de qualificação é negativa. gundo os autores, usando a educação para definir trabalhadores qualificados, a correlação . realmente negativo, o que implica na validade do teorema de Stolper-Samuelson neste
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA a intensidade de qualificação, a possibilidade de que a mudança na oferta de trabalho
responsável pela queda na desigualdade deve ser, então, descartada.
Estudos que apontam resultados opostos para um mesmo tema revelam que essa tão precisa ser mais pesquisada. As controvérsias estão provavelmente centradas nas ~'- odologias usadas e escolha das variáveis. Mas não é somente a liberalização comercial
_ funciona como determinante na redução ou aumento da pobreza e desigualdades de da e de salário no Brasil. Alguns pesquisadores tentam apontar qual a influência das
rfeições do mercado de trabalho sobre a pobreza e desigualdade de rendimentos.
BarrosZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAe t a I. (2000) investigaram a importância do mau funcionamento do ercado de trabalho brasileiro, tanto em termos de subutilização como de sub-remuneração
fator trabalho, para a determinação do nível de pobreza no País. Com base em
~. crossimulações, eles estimaram o impacto sobre a pobreza4 da retirada de cada
perfeição do mercado de trabalho, quais sejam: desemprego, segmentação setorial e ional e discriminação de gênero e cor. Configura-se desemprego quando alguém que não emprego procurou por trabalho na semana de referência da pesquisa. Por segmentação, ende-se quando há trabalhadores, os quais são perfeitamente substituíveis na produção,
bendo salários diferentes como conseqüência de ser empregados em setores diferentes
regiões. A discriminação prevalece quando o mercado remunera distintamente
alhadores igualmente produtivos com base em atributos não-produtivos (cor, sexo etc.)
Apesar de o estudo revelar que 30% dos desempregados estão entre os 20% mais bres no Brasil, em 1995, a eliminação do desemprego via simulação não teve grande pacto sobre a redução da pobreza. Isto significa que, mesmo quando há muitos pobres entre os desempregados, o impacto da eliminação do desemprego pode ser limitado se eles cebem salários muito baixos como ocupados. Além disso, de acordo com o impacto das
acterísticas produtivas, os resultados apontam que os salários aumentam
mono tonicamente com a escolarização. Mesmo observando que a segmentação regional xis te, isto é, a renda no Nordeste tende a ser menor que no Sul, em São Paulo e Rio de
Janeiro, o impacto de eliminar essa imperfeição também não é grande. O efeito total ociado à eliminação das três imperfeições é equivalente ao aumento entre três e cinco os de escolarização para a força de trabalho.
Seguindo a mesmo linha de estudo, Ramos e Vieira (2001) procuraram identificar ais os principais determinantes da assimetria da estrutura de rendimentos no mercado de
:rabalho. Foram definidas quatro fontes de dispersão de renda: a) compensação por
diferenças não-pecuniárias entre postos de trabalho (insalubridade, risco de vida etc.); b) terogeneidade entre os próprios trabalhadores, seja por maior educação ou experiência; c)
- gmentação; e d) discriminação. O estudo aponta que o principal resultado está
lacionadonmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAà heterogeneidade educacional dos trabalhadores, tanto para explicar a . igualdade de rendimentos quanto sua elevação para o período analisado (1988-1999). De a forma, não há como fugir da conclusão de que a tarefa de melhorar a distribuição de
ndimentos no Brasil passa pela concepção e implementação de políticas educacionais _ etivas.
Todos estes estudos buscaram explicar de uma forma ou de outra as mudanças lacionadas à distribuição de renda e salários no Brasil nas últimas duas décadas. Mesmo - im, essas pesquisas empíricas não tiveram uma preocupação em analisar os problemas tributivos brasileiros do ponto de vista regional, dissecando a dotação de fatores de cada
.ão e apontando como esses fatores contribuem para explicar as desigualdades de renda as decomposições no País. O Brasil possui dimensões continentais e características tante distintas entre cada região. É de se esperar que, não só as dotações (que são erentes) tenham influência diferenciada, como também a abertura econômica atinja - rentemente a composição da renda de cada região ou Estado.
2
fedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAO m o d e loSeguindo a estrutura neoclássica já apresentada por Bourguignon e Morrisson 90) e Litwin (1998) para uma pequena economia aberta com n indivíduos, m fatores de
dução e N setores, a distribuição de rendaxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAYnmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA= (yl' Y2 , ••• ,Y
n)
é determinada pelosezuinte conjunto de equações:
i
=
1,2, ...,nj
=
1,2, ...,mapf
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAk- - p - O )
u:
-
j}
k
=
1,2, ..., NN
E. =~Lk} }
-1
nde a renda do indivíduo i, Yi' é determinada pela quantidade de fator j ganho pelo divíduo i, ( J " ij' e o retorno do fator, Wj. Assumindo uma estrutura de mercado mpetitivo tanto em relação aos fatores quanto ao produto, o retorno do fator j é terminado pelo preço do produtor doméstico pk e pelo produto marginal do fator j no - tor k. Ej representa a dotação total do fator j na economia.
Se todas as commodities são comercializáveis, ou seja, admitindo que não haja roduto não-comercializável, o preço do produtor doméstico é determinado exogenamente pelo preço do mercado mundial p* e pelo efeito da distorção comercial tk , que pode ser
Usando as equações (2.2), (2.3) e (2.4), os retornos dos fatores podem ser descritos mo uma função das dotações totais dos fatores, pelos preços externos e pela distorção comercial:
Uma mudança na política de comércio apontando para a promoção das
exportações
ou reduzindo importações afeta a distribuição de renda por meio da alteração estrutura das rendas dos fatores. Então, a relação entre comércio exterior e renda pessoal pode ser descrita da seguinte maneira:xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA~ O"ijwj(E;p*;t;nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAQ ) = Yi(E;p*;t; Q )ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA J
nde Q = (O"ij/ E j) é a matriz da participação das dotações totais dos fatores de cada . divíduo.
Baseada neste modelo, a distribuição de renda dos Estados brasileiros e suas regiões será determinada por a) dotações dos fatores (E), b) distribuição das dotações dos tores
(Q),
e c) distorção comercial (t). Uma mudança no preço do produtor pk altera a quantidade de fatores usada no setor k e, numa estrutura estática, cuja oferta de fatores é da, isso gera a reestruturação da alocação de fatores entre setores, que, por sua vez, afeta distribuição de renda. Num contexto dinâmico, onde se permite que as dotações variem, aumento na oferta do fator j, afeta os retornos desse fator e muda a estrutura do produto numa economia, afetando por último a distribuição de renda.Pelo modelo de Bourguignon e Morrisson, outra equação deveria constar no
preços - CxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAk (YiZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA,p ) , entraria na função de exportação líquida, qual seja, oferta doméstica
menos demanda doméstica. Dessa forma, o volume de comércio (variável de abertura
econômica) seria determinado endogenamente pelas mesmas variáveis da distribuição de renda, além de um conjunto de parâmetros P:
xnmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA= x(E' v " :
t:
Q 'P)I " "
Mas as circunstâncias do estudo não permitem que a variável de abertura
econômica seja um resultado do modelo. Como se trata de estados, e não de países, não há como diferenciar e medir as tarifas e barreiras não-tarifárias impostas. Por questões práticas, o volume de comércio, que é a razão entre exportações mais importações pelo PIB, será colocado no modelo como exógeno, como uma proxy das distorções comerciais.
Para o propósito desse estudo, assumimos dois setores comercializáveis: o setor de manufaturados e o de primários, que diferem na intensidade de infra-estrutura, recursos naturais e capital humano em suas produções. Seguindo Wood (1997), os trabalhadores são divididos em três categorias. A primeira categoria consiste de trabalhadores sem nenhuma (ou quase nenhuma) educação. Estes, denominados NOED, não são empregáveis no setor de manufaturados e serão, portanto, específicos do setor primário. As segunda e terceira categorias incluem trabalhadores com educação básica (BASED) e aqueles com nível de educação pós-básica (PB). Os BASED são empregáveis tanto no setor de manufaturados como no setor primário. No setor primário, trabalhadores sem educação podem aumentar
ua produtividade, portanto sua renda, investindo em educação básica. Uma vez que estes trabalhadores investem em educação básica, eles podem ficar tanto no setor primário como podem mover para o de manufaturados.
Assumindo que os retornos para os que têm educação pós-básica são mais baixos no setor primário que no setor de manufaturados, há pouco, ou nenhum, incentivo para
investir em educação pós-básica e permanecer no setor primário. Portanto, a educaçãofedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAP B erá específica do setor de manufaturados. Então, enquanto pode haver substituição entre
ufaturados, não há substituição possível entre NOED e PB nesta estrutura. Isto pode ser licado pelo pouco interesse dos PB cumprirem tarefas dos NOED (baixos retornos) e Ia incapacidade de os NOED cumprirem tarefas dos PB (baixa produtividade).
A implicação chave dessas suposições é que países com altas proporções de
_ OED na população economicamente ativa terão vantagem comparativa em produtos
~ários. Então, quando as proporções de BASED e PB aumentam em relação à proporção . OED numa economia, pode-se esperar que a expansão da produção primária caia ou
mo cesse de tal forma que a produção de manufaturados aumente em relação à
_ dução primária como uma proporção do produto total e exportações. Pode-se esperar e, em pequenos países, onde os recursos naturais tendem a ser relativamente mais
_- ssos, o desenvolvimento da exportação de manufaturados virá como um pnmeiro
_ tágio em relação aos países ricos em recursos, onde a especialização em produtos
zrrimários
persiste até um estágio posterior de desenvolvimento. Apesar de possuir vasta aantidade de recursos naturais, o Brasil adotou, por muitos anos, uma política comercial -~ ubstituição de importações para sair de uma especialização em produtos primários e,- im, diversificar o leque de exportações, expandindo para produtos manufaturados.
guns estudos mostram que países com terra escassa necessitam de níveis bem mais
. os de capital humano para desenvolver produtos manufaturados que países mais
undantes em recursos naturais.
Então, a exportação da produção primáriaxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAX P pode ser descrita pela função
-.) X PnmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA= f(L~OED ,L~ASED ,NRP ,I P)
nde L~OED é a proporção de NOED na economia e L~ASED é a proporção de BASED no - tor primário. N RZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAP denota os recursos naturais e I P representa a infra-estrutura usada na
odução do setor primário.
FtOED (L~OED) <F~SED (L~ASED)·zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
A produção de manufaturados para exportação X m é determinada pela função
nde L ;ASED é a proporção de BASED no setor de manufaturados e L;B é a proporção de
PB na economia. NRm e I" representam recursos naturais e infra-estrutura,
- pectivamente, usados no setor de manufaturados. Um aumento das dotações de capital umano para além da educação básica é refletido num aumento do produto marginal do
balho tal que:
b)
o
produto marginal dos BASED e o preço relativo entre produtos primário eanufaturados determinam os incentivos dos BASED se moverem do setor primário para o - tor de manufaturados. BASED vão se mover para o setor de manufaturados até
if
B:SED maI
~SED PI,m P = LP P
'1.JBASED
a
BASEDtal forma que os retornos dos BASED ficarão equalizados entre os setores.
As dotações totais numa economia são dadas por:
D I)ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAI =I P +I "zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
e tal forma que todos os recursos da economia são totalmente utilizados.
A distinção entre produtos manufaturados e primários reduz-se à diferença n _roporções que estes dois bens usam de infra-estrutura, recursos naturais e capital humano em suas produções. Manufaturados usam capital humano mais intensivamente que produto
rimários.
Numa estrutura estática, onde as dotações de capital humano são fixas na
conomia, qualquer mudança afetando o preço relativo do produtor entre manufaturado e rimários afeta a alocação setorial de BASED através de uma reestruturação da compo i-o
e produção e comércio. Considere o caso onde o preço dos produtos manufaturado é
reduzido por políticas apropriadas de comércio (por exemplo, redução de tarifas de importação). Esta política terá um impacto sobre um fator específico do qual a proteção é ada, PB, e o retorno desse fator será reduzido. Como o setor primário faz uso intensi o de
um fator específico, NOED juntamente com BASED, ele terá um aumento em ua
rodução, fazendo crescer o retorno de NOED. O efeito sobre a alocação setorial de BASED dependerá das diferenças setoriais nos valores do retorno para este fator, que surge
como resultado da mudança relativa dos preços. Não é possível determinarxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAa priori o efei o total sobre a desigualdade. O efeito irá depender do tamanho relativo das diferente
categorias, suas rendas médias relativas, suas dispersões de renda relativa e das diferen nas dispersões de renda de BASED entre os setores primário e de manufaturados.
Num contexto dinâmico, a acumulação das dotações de capital humano toma lugar em resposta aos diferentes retornos dos fatores entre as categorias qualificadas. E ta
resposta levará à mudança na composição do produto e das exportações para com o
manufaturados. Em maiores níveis de dotação, quando a proporção defedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAP B está aumentando. os países desenvolverão uma vantagem comparativa em manufaturados mais avançado .
mudança na composição educacional da força de trabalho tem um efeito sobre
entre setores com níveis diferentes de renda aumenta inicialmente a desigualdade de renda medida que mais pessoas adquirem uma renda maior, mas, eventualmente, reduzirá a esigualdade à medida que poucas pessoas de baixa renda permanecem em determinado
tor. No caso de Kuznets, o movimento era de áreas rurais para áreas urbanas. Se o etor em expansão tem maior desigualdade, o ponto de máxima da desigualdade é atrasado. Portanto, não é possível determinarxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAa priori o efeito líquido de uma expansão educacional
bre a desigualdade total.
Se uma equalização completa do preço do fator ocorre, isto é, numa economia onde t* é zero, de tal forma que os preços do produtor doméstico são iguais aos preços do
mercado mundial, os preços dos fatores serão inteiramente exógenos. No entanto, a
completa equalização do preço do fator é uma suposição muito forte que dificilmente e ustenta empiricamente. A queda da suposição de completa equalização do preço do fator nos permite ter mudanças nos diferenciais de salário entre fatores. Uma expansão da
roporção de BASED alarga a diferença de renda entre BASED efedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAP B uma vez que ela
comprime o diferencial entre BASED e NOED. Isto poderia causar maior concentração no
meio da distribuição. Similarmente, uma expansão na proporção de P B comprime a
diferença salarial tanto entre P B e BASED como entre P B e NOED, mas causa meno
concentração no meio da distribuição. De acordo com Litwin (1998), espera-se que o feitos da mudança na composição de diferentes categorias educacionais sobre as rendas
elativas sejam maiores em economias fechadas porque os retornos dos fatores em
conomias abertas estão sujeitos à convergência do preço do fator.
Para este estudo, foram realizados três blocos de regressões. O primeiro bloco consiste em regressar sobre as variáveis endógenas (gini e quintis) as variáveis de dotação de fatores (recursos naturais, infra-estrutura e capital humano), abertura econômica e urbanização. Esta regressão é uma adaptação da equação 2.6 do modelo apresentado. O etorZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAE j é representado pelas dotações de capital humano (KH1 e KH2), infra-estrutura
E) e recursos naturais (KM2). O significado de cada variável será explicitado na próxima seção. As distorções comerciais t* serão captadas na variável de volume de
ipótese tradicional de Kuznetz. As regressões foram realizadas tanto para o Brasil como ara as regiões Norte/Nordeste, Sul/Sudeste e Centro-Oeste, separadamente.
2.12a)
=
tlnKHlit
+ 2lnKH2il +ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA3 ln K M 2xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAit + 4 1 n K M4t
+ s ln U R l!t + 6 ln a b e rt + 7 (1 n a b e rt*InKH1)
+ ~ +&itonde i
=
1,2, ...,21 são os estados, t=
1,2, ..., 14 são os anos de 1986 até 1999 e os termosa i e c i l são respectivamente os efeitos fixos e os componentes de erro aleatórios. Como as ariáveis estão em log, os parâmetros estimados fornecerão diretamente as elasticidades, com exceção do termo de interação. Faz-se a interação lnABERT*lnKHl para verificar se ocorre uma ampliação dos efeitos da variável de educação quando acontece uma maior integração comercial dos estados com o comércio internacional. Além disso, o termo pode capturar uma parte não linear da regressão. Para os quintis de renda, foi estimada a seguinte equação:
2.12b)
=fjJjll~1 +fjJ j2 1 ~ 1 +fjJ j3 ln U R fi+fjJ j4 In a b e r;.f+fjJjSln.KM2.1+fjJ j6 ln K M
lk
+fjJ j7 (1 m b e rf InKHl)+ ~ +~Ionde j
=
1, 2, ..., 5 são os quintis de renda.Como é afirmado no modelo que a acumulação de capital humano leva à mudança na composição do produto e das exportações, o objetivo do segundo bloco de regressões é revelar o efeito das dotações de fatores sobre a composição do comércio.
onde V = 1, 2 e 3 representa a composição do comércio.
- bre a desigualdade de renda, modificando a composição do comércio, como verificado no - gundo bloco de regressões. As dotações de infra-estrutrura e recursos naturais teriam - mente uma influência indireta sobre a desigualdade de renda, modificando a composição
o comércio. Assim como nas regressões anteriores, o terceiro bloco foi realizado tanto ara o Brasil como para as regiões Norte/Nordeste, Sul/Sudeste e Centro-Oeste. A equação
ser estimada é a seguinte:
143)xwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
Gil
=
ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAf.-lJ .ln K H 1 itnmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA+f.1 2 ln K H 2 it +f.1 3 In U ~ t +f.1 4 ln E X lit +f.1 s ln a b e rt,t +f.1 6 (ln a b e rt,t * ln E X lit)+ P i + & itE a equação da decomposição da renda é a seguinte:
_14b)
- , =7 J jlln K H ~ t +7 J j2 ln K H 2 il +7 J j3 In UR B ., +7 J j4 In E X ~ t +7 J jS ln a b e rft +7 J j6(lna bert,
*
In E X ~ t) +a i +& itfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA_ .1 A s v a r iá v e is
O modelo teórico traz a clara mensagem que é possível explicar boa parte das esigualdades de renda pelas fontes de vantagem comparativa de cada lugar. A maior ou menor concentração de riquezas se deve em parte às dotações individuais, como capital
umano, e coletivas, como recursos naturais do lugar ou mesmo a infra-estrutura
implantada. Este estudo analisa quais os efeitos dessas diferenças de dotações sobre a istribuição de renda com dados em painel de 21 estados brasileiros'' do ano de 1986 a 1999.
Os dados de mensuração de concentração de renda foram elaborados pela própria
utora a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (PNAD), do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice de Gini é uma medida tatística que avalia como a renda é relativamente distribuída entre a população de determinado lugar. De acordo com Romão (1993), há diferentes fórmulas para calcular o Gini. Mas este trabalho utiliza a expressão:
rzyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
IGnmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA= 1- ~ (f/J j + f/J j_ l)(F j -F j_1 )
f-1
onde f/J j é a proporção acumulada da renda até a classe j, Fj é a proporção acumulada da
população até a classe j e "r" é o número de classes. Nesse caso, o índice considera a resposta que cada indivíduo deu àPNAD, levando em conta a desigualdade entre as classes. Vale lembrar que o Índice Gini (IG) está limitado entre O e 1, sendo que IG=O indica perfeita distribuição de renda e IG=1 indica total concentração de renda.
Este procedimento para o cálculo do Gini satisfaz os critérios propostos por Litwin (1998), com base nas sugestões de Gary Fields, onde: a) o Gini deve ser baseado em pesquisas de famílias, b) as pesquisas devem ter alcance nacional e, c) incluir toda a fonte de renda ou gasto. O Índice de Gini desse estudo leva em consideração estes critérios e inclui no conceito de renda as transferências governamentais (aposentadorias e pensões),
além dos salários, aluguéis e outras fontes de rendimentos. Segundo BarretoxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAet ai. (2 0 0 1 ), desconsiderar as transferências poderia superestimar o valor do coeficiente, posto que
aposentadorias e pensões têm um forte impacto sobre a distribuição de renda no Nordeste.
Litchfield (1999) argumenta que algumas medidas de desigualdade podem se
comportar de maneira perversa em relação aos dados. Por exemplo, a variância, que deveria ser a medida mais simples de desigualdade, não é independente em relação à escala de renda. Isto significa que, se dobrarmos toda a renda, essa variável iria simplesmente quadruplicar a estimativa de desigualdade de renda. Existem, então, cinco critérios que são desejáveis nas medidas de desigualdade: 1) o Princípio da Transferência de Pigou-Dalton significa que a transferência de renda de uma pessoa pobre para uma rica deveria se registrada com um aumento na desigualdade assim como a transferência de renda de uma
pessoa rica para um pobre deve ser registrada com uma queda na desigualdade. 2)
Independência da escala de renda significa que, se a renda de cada indivíduo muda na mesma proporção, então a desigualdade deve permanecer no mesmo nível. 3) o Princípio
qualquer outra característica dos indivíduos que não seja a renda. 5) a Decompo i
-que toda a desigualdade seja relacionada consistentemente com parte da di tri ão. O Índice de Gini, que pode ser decomposto se as partições não estiverem sobrepo
a todos os axiomas apontados.
Os quintis de renda foram obtidos a partir da freqüência de renda da popula - o
para cada estado junto às PNAD. As freqüências foram divididas em grupos contendoZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAC é da população, seguindo dos mais pobres para os mais ricos. Obtendo o somatório da renda
de cada quintil, é possível verificar a participação desse grupo na renda total do re pectivo estado.
As variáveis de dotação de capital humano seguiram critérios estabelecido Litwin (1998). KH1 é a razão da população que tem entre quatro e oito anos de e tudo. o seja, que possui educação básica (BASED), pela população que tem entre zero e trê de estudo (NOED). Os NOED são aqueles sem educação formal ou que não comple os estudos do primário. A variável KH2 é a razão da população que possui mai de oi anos de estudo, ou seja, os que têm educação Pós-Básica (PB), pelos NOED.
A variável que mede as dotações de recursos naturais é difícil de se obter po que o ideal seria tomar a quantidade de terras agricultáveis pela população referente cada estado. Neste estudo, o tamanho da terra será o referencial de recursos natur ... variável KM2, portanto, será a razão terra/população de cada estado. A variável de . estrutura (KME), seguindo o trabalho de Litwin (1998), será a razão de quilômetro estradas pavimentadas por população dos respectivos estados.
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população urbana em relação à população total de cada estado. O índice d seria então menor em áreas rurais que em áreas urbanas.
Vários estudos trazem medidas possíveis de abertura econômica ejam medidas de incidência sejam de resultado. Teoricamente, é bastante simples de se entender q um país é mais aberto ou menos aberto ao comércio internacional. Mas, na prática, há
série de dificuldades para mensurar o grau de abertura econômica de uma ocied
Políticas de promoção de exportações, barreiras tarifárias e não-tarifárias, enfim há um vasta gama de possibilidades de políticas de comércio e cada uma exigiria uma medida abertura adequada. As dificuldades de mensurar a liberalização comercial se tomam ain maiores quando tratamos de Estados de uma Federação. Uma das saídas é
referir-volume de comércio. As tarifas alfandegárias, por exemplo, são determina
nacionalmente, não cabendo aos estados qualquer ingerência. A medida utilizada oi
participação das exportações mais importações em relação aofedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAP I B de cada estado.
Um importante argumento contra esta medida de abertura, especificamente. é que ela tende a sofrer de problemas de endogeneidade. Como foi visto, de acordo Bourguignon e Morrisson (1990), o volume de comércio é ele próprio uma função dotações de fatores, dos preços mundiais, da estrutura de propriedade dos fatores e de
conjunto de parâmetros. Dessa forma, a necessidade de testar a variável abe
econômica para endogeneidade é óbvia". Muitos outros fatores além do regim comércio influenciam as participações de exportação e importação em relação ao PIB. P exemplo, países geograficamente pequenos tendem a ter uma estrutura de produção especializada. A falta de recursos naturais faz com que estes países tenham uma orien externa de produção. No entanto, países maiores, com mais recursos naturais tendem
adotar políticas comerciais voltadas para dentro.nmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBAÉ preciso verificar se este pro acontece também em relação aos estados brasileiros.
6Este estudo realizou o teste de endogeneidade baseado no teste de Hausman. Os resultados tão UÇLC...,~