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VER-SUS DO OESTE CATARINENSE EDIÇÃO DE INVERNO Relatório das vivências temática Saúde Indígena

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Academic year: 2021

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VER-SUS DO OESTE CATARINENSE EDIÇÃO DE INVERNO

Relatório das vivências temática

Saúde Indígena

O VER-SUS/Oeste Catarinense foi organizado ao longo dos últimos anos por diversas comissões comprometidas com a transformação social, seu objetivo é fazer com que os participantes vivenciem as realidades do Sistema Único de Saúde. Após três dias de formação, os grupos foram divididos, e formados por sete pessoas cada, de vários cursos de graduação. Fomos contemplados com o tema: “Saúde Indígena”, com a função de conhecer a cultura, aspectos socioeconômicos e fatores que interferem na atenção de saúde dessa população. Ao longo da semana visitamos e vivenciamos diversos locais e realidades, sendo esses: SESAI, Aldeia Condá, Conselho Municipal de Saúde: Associação Pitanga Rosa, Vigilância Sanitária, Vigilância Sanitária: Vigilância em Saúde Ambiental (VSA), Casa de Passagem e Hospital da criança.

SESAI

A Secretaria Especial de Saúde Indígena - SESAI, foi criado em 2011, e iniciaram-se as atividades em 2012. Vinculado ao Ministério da Saúde, desempenha atividades de cunho administrativo. A divisão foi feita por grupos étnicos pelo Brasil e foi separado em 34 distritos por todo o país.

O distrito pertencente a Chapecó, contempla até a cidade de Seara. A população atendida é de 760 pessoas, sendo 100 de Seara. Desse montante, 118 crianças menores de 5 anos, o que desperta preocupação com a taxa de natalidade dessa população. Como Chapecó é o polo, o atendimento é diário, enquanto que em Seara, ocorre uma vez por semana em período integral.

Durante esses anos, o SESAI estabeleceu algumas parcerias com a EPAGRI, que auxilia na educação alimentar domiciliar, oferecendo cursos de reaproveitamento de alimentos. Alguns outros serviços trabalham em conjunto, como a Pastoral da Criança, Mesa Brasil, que faz doações de alimentos, e um importante convênio com a CAIXA Econômica Federal para a realização da casa própria.

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Apesar de hoje estar consolidado, esse serviço ainda tem dificuldades financeiras para a aquisição de materiais, manutenção e a burocracia que envolve todo o serviço. Há também dificuldades em levantamentos epidemiológicos de óbitos, e também, a difícil conscientização dessa população na promoção e prevenção de enfermidades.

Os serviços prestados para a comunidade indígena são os mais variados, desde a atenção básica, que é feita na própria aldeia, como os de média e alta complexidade, que são no município de Chapecó que é o pólo-base. A saúde da mulher é bem trabalhada, fornecendo educação em saúde, conscientização do planejamento familiar, vacinação, serviço odontológico, preventivos e pré-natal.

ALDEIA CONDÁ

No dia 18 de julho, tivemos a oportunidade de estar vivenciando a realidade do povo indígena da tribo Kaingang da Aldeia Condá. Na visita, os alunos foram acompanhados pelo médico cubano Carlos da Fonseca Mendes e pelo agente comunitário de saúde da aldeia, o qual nos guiou durante todo o trajeto, explicando sobre as famílias, costumes, como é a subsistência de vida etc. Durante o caminho, o médico Carlos fazia suas visitas domiciliares de rotinas, o que foi muito enriquecedor para nós estudantes, pois, enquanto ele prestava o atendimento aos moradores, o mesmo ia explicando cada procedimento e o por que deles. Ainda, falou sobre as patologias mais frequentes da aldeia, que são a H.A.S (hipertensão arterial sistêmica), DM (diabetes mellitus), alguns casos de parasitose como (​Áscaris Lumbricóides)

​ muito comum nas crianças, e anemia como resultado de

uma alimentação pouco diversificada. Fonseca é médico da comunidade há dois anos e conhece muito bem a realidade do povo indígena e, relata que ainda o maior problema além da fragilidade da renda das famílias é o saneamento básico que é precário, não existe tratamento de esgoto, os detritos fecais são depositados em fossas sépticas e a água é clorada apenas que, provém de uma caixa d’água instalada na aldeia e através de canos chega até as casas com grandes riscos de contaminação.

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A população retira sua subsistência através do auxílio do bolsa família que o governo disponibiliza, recebem doações de alimentos como cestas básicas e os seus famosos artesanatos que confeccionam na aldeia logo saem para vender na cidade.

CONSELHO MUNICIPAL DE SAÚDE

Na tarde do dia 18/07 nos dirigimos até a reunião do conselho municipal de saúde de Chapecó, nessa tarde aconteceu a aprovação de algumas atas, além de ser discutido fortemente a questão do suicídio, que acomete cerca de 10 milhões de pessoas no mundo anualmente, tornando-se assim uma questão de saúde pública. A participação na reunião do conselho municipal de saúde foi muito importante para discutirmos a importância da participação dos representantes e da população nesses espaços.

ASSOCIAÇÃO PITANGA ROSA

Na manhã do dia 19, tivemos a oportunidade de conhecer a Associação Pitanga Rosa, localizada na Linha Faxinal dos Rosas. Trata-se de uma propriedade de camponesas que dispõem suas terras para pesquisas acadêmicas com as plantas. Dentre os principais trabalhos estão o grupo das sementes, que as prepara para o solo, o adubo e o plantio, também o resgate de flores antigas.

É composto desde mulheres com graduação até semianalfabetas, cada uma contribuindo como pode, e a produção não tem custo algum para as que trabalham. O maior desafio que elas encontram é o de manter as mulheres na terra com sustentabilidade, sem nenhum tipo de repreensão e liberdade no cultivo sem necessidade de utilização de agrotóxicos.

No próprio local também é oferecido o curso de Homeopatia pela proprietária, dona Rosalina Nogueira da Silva, que consegue oferecer esses produtos da matéria prima de suas terras.

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VIGILÂNCIA SANITÁRIA

Na manhã do dia 20, obtivemos a oportunidade de adquirir melhor conhecimento sobre a vigilância sanitária. Foram apresentados a distribuição das equipes responsáveis por cada afazer, a função de cada qual dentro do setor de vigilância. Foram abordados vários assuntos dentre eles a liberação alvarás de funcionamento, fiscalização dos estabelecimentos, descartes de matérias de saúde, deslocamento de pneus velhos para seu devido lugar sem prejudicar o meio ambiente, amostras dos gráficos estatísticos de melhora e organização dentro do município de Chapecó - SC, mas dentro eles a dengue, zika vírus teve maior êxito de explanação, obtivesse melhoras, todos os profissionais e pessoas da comunidade se uniram para melhoria da comunidade.

VIGILÂNCIA EM SAÚDE AMBIENTAL (VSA)

Também na manhã do dia 20, conhecemos melhor a Vigilância em Saúde Ambiental. O principal assunto abordado foi dengue, que conta com ​808 casos autóctones registrados até julho de 2016 em Chapecó. Nesse mesmo ano, foram identificados 480 focos do mosquito. Chapecó, que conta com cerca de 205 795 habitantes, é alvo de uma epidemia da doença.

Foi interessante nos inteirarmos mais sobre as ações de educação em saúde que estão sendo feitas. Entre as diversas ações voltadas ao combate à Dengue, Zikavírus e Febre Chikungunya, foram cobertas 1559 cisternas, e foi borrifado inseticida em 9222 residências (medida com eficiência de apenas 20%).

CASA DE PASSAGEM

No dia 21 de julho foi realizada uma visita na Casa de Passagem João Piltz, instituição que foi fundada pela Ação Social Diocesana (ASDI), entidade que pertence à igreja católica, e que hoje conta não somente com a ASDI, mas também com o convênio com a prefeitura de Chapecó e com as prefeituras das cidades vizinhas para que possa se manter. A Casa de Passagem também é conhecida como o Albergue de Chapecó, nome que mudou após a instituição se adequar à Política Nacional de Assistência Social.

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A Casa de Passagem é referência na região, realizando o acolhimento de pessoas que necessitam de abrigo ou alimentação, atendendo e fornecendo hospedagem para moradores de rua, imigrantes, indígenas e pacientes de tratamentos de saúde (principalmente tratamento oncológico) de outras cidades. Os atendimentos não se limitam apenas ao fornecimento de hospedagem, lá também os profissionais da área de psicologia e enfermagem atendem aqueles que necessitam de algo, assim como uma profissional da assistência social. É importante salientar que esta instituição se articula com outras instituições públicas para que seja possibilitada a promoção da saúde, exemplos de instituições que fazem parte desta articulação são os CAPS e CREAS.

Esta visita foi muito importante para que pudéssemos desconstruir a ideia de caridade por trás da instituição e perceber que a moradia e a alimentação é um direito de todos, independente de quem for, isso justifica um reivindicação por uma atenção maior dos governos, fazendo com que assim haja um maior incentivo e investimento. Além disso, foi possível perceber a importância da articulação entre as várias instituições da área da saúde e assistência social e do trabalho multidisciplinar para que seja possível uma promoção de saúde de qualidade.

HOSPITAL DA CRIANÇA

No dia 22 de julho fomos até o hospital da criança Augusta Muller Bohner, que conta com 161 profissionais sendo equipes multiprofissionais e interdisciplinares, possui 51 leitos para internação e é referência no atendimento de crianças e adolescentes. Para uma melhor organização utiliza o sistema de Manchester na triagem dos atendimentos, realiza também algumas cirurgias de baixa e média complexidade sendo as mais comuns ​Adenoidectomia e varizes. O hospital preza muito a importância do lúdico e possui duas brinquedotecas uma utilizada para internação pediátrica e outra para a oncológica. A estrutura física do hospital é boa possui todos os materiais necessários e profissionais qualificados para prestar o atendimento. No atendimento dos indígenas a enfermeira relatou que eles não possuem resistência e realizam o tratamento certo, os casos de internação mais comum que atinge essa população são problemas respiratórios e viroses, mais presentes no verão.

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CONCLUSÃO

Vivemos em um mundo, em que todas as sociedades possuem manifestações culturais diferentes, sendo a dos indígenas uma das mais antigas. Realizando essa experiência, se teve um importante acréscimo na formação profissional de cada um de nós e olhar como humanos, na busca por igualdade de direitos.

Referências

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